quarta-feira, 11 de maio de 2005

LEGENDA NACIONAL


VOCE E A FAVOR OU CONTRA A LEGENDA EM PORTUGUES EM FILMES BRASILEIROS?

Sou 100% a favor, todos os filmes deveriam ter todas as cópias legendadas
 28

Sou a favor de algumas copias legendadas, mas nao todas
 10

Sou contra, por que tira a concentracao
 5

Sou contra, pois e mais um custo na producao
 0

Quando estava montando o curta metragem “História sem Fim... do Rio Paraguai – O Relatório” alguém sugeriu que, para melhor compreensão do documentário, as falas dos pantaneiros fossem legendadas em português.

Não gostei da ideia. Sempre defendi a tese de que o Brasil deve esforçar-se para entender seus diferentes sotaques e dialetos, enriquecendo e agregando novos vocábulos, gírias e expressões cotidianas.

Descartei definitivamente a possibilidade quando decidimos, João Paulo de Carvalho, o montador e eu, ainda na fase de edição em vídeo, fazer com que os diálogos entrassem em off sobre as imagens pantaneiras. Sujar a imensidão das paisagens e os detalhes dos planos selecionados para o documentário, ficou fora de questão.

É PRETO NO BRANCO E BRANCO NO PRETO

O curta chegou ao CINE PE, Festival do Audiovisual. Foi lá, circulando pelo saguão do festival em Recife que comecei a ver uma turma usando camisetas com os seguintes dizeres: “LEGENDA PARA QUEM NÃO OUVE, MAS SE EMOCIONA”. Era muita gente, a maioria jovem, que circulava com o simpático uniforme fashion . Eram camisetas pretas escritas em branco ou branca, com letras pretas.

Num dos estandes dos patrocinadores do festival, curiosa, perguntei o objetivo da campanha a um dos orgulhosos (como ele me explicou) organizadores do movimento. Seu nome era Rodrigo e ele se prontificou a me apresentar a Marcelo Pedrosa, seu primo e deficiente auditivo que, na edição do CINE PE de 2004, lançou o desafio de chamar a atenção para a imensa e quase intransponível dificuldade desta minoria em ter acesso a um segmento importante da cultura nacional: o cinema brasileiro.

QUEM NÃO SE COMUNICA...

Os filmes estrangeiros, por já terem legendas, são facilmente assimilados pelos deficientes auditivos, mas quando o assunto é o produto nacional, a coisa muda de figura. E a verdade é que nem notamos esta realidade. Foi por este motivo que, segundo Marcelo, no encerramento do CINE PE, no dia 5 de maio de 2004, aconteceu o lançamento da campanha. 

Coincidência ou não, é no dia 5 de maio que se comemora o “Dia das Comunicações”, cujo patrono é o Marechal Cândido Mariano Rondon, militar e desbravador que estabeleceu contato com nações de diferentes e incompreendidos idiomas indígenas, no início do século passado, quando estendia os fios do telégrafo e demarcava o território brasileiro no Centro Oeste e na Amazônia.

SITE, ORKUT E COISA E TAL

Voltando à campanha, ainda Marcelo Pedrosa, informa que existe um site, o www.legendanacional.com.br, onde há um abaixo assinado dirigido aos parlamentares federais para que “a legenda para filmes nacionais garanta a acessibilidade dos surdos e portadores de deficiência auditiva ao lazer, com arte produzida no Brasil”

O abaixo assinado, em três meses, já havia recebido 4353 assinaturas, a maioria de São Paulo, onde um amigo dos pernambucanos colocou o site “na roda”. “No orkut, a turma também atua pela comunidade “legenda nacional”, diz Marcelo, informando ser ela hoje, com 780 membros, a maior comunidade de surdos e deficientes auditivos brasileiros da internet.

ACORDA, POVO DO CINEMA

E os meninos querem mais. Já encostaram na parede gente do calibre de Cacá Diegues que levantou uma questão importante, o custo da legendagem dos filmes. Que não é pouco. É mais uma pietagem, a legendagem e as cópias. Que não sejam todas, mas algumas. Marcélia Cartaxo, grande atriz brasileira, não se fez de rogada e este ano, vestiu a camiseta da causa. Letícia Spiller idem. A mobilização tem chamado a atenção de muita gente. Agora, quem sabe a sua também. 

O importante é que o desafio está lançado. Confesso que mesmo com toda a preocupação de ser politicamente correta e tendo trabalhado em organizações que defendem minorias, nunca havia visto este ângulo da questão. Só que, a partir do momento em que alguém a coloca diante de nós temos, aí sim, a responsabilidade de pelo menos buscar o diálogo para tentar resolve-la. 

AUTOESTIMA

A mudança de hábitos diante dos novos tempos e das novas tecnologias também se reflete no comportamento cotidiano da rapaziada recifense . Há algum tempo atrás, eles se reuniam em pequenos grupos em paradas de ônibus da capital pernambucana. 

Agora, o point é num shopping center, o Boa Vista. Nas terças à noite, quem frequenta o espaço já não estranha as animadas “conversas” travadas pela linguagem de sinais de parte da galera que encontra nos corredores movimentados do local. 











7 comentários:

Circe Vidigal disse...

Bela campanha, Valéria. Também nunca havia pensado no assunto.
Concordo que a legenda suja a beleza das paisagens, mas aí, " outro valor mais alto se alevanta" Quem sabe a tecnologia não resolve este problema? Mas o mais importante é que a deficiência se torne cada vez menos restritiva.
circe

Douglas Duarte disse...

Cara d mais essa campanha estou totalmente de apoio. Tambem nunca havia pensado no assunto por isso vc esta de parabens é de todos nos que o mundo precisa para fica melhor. E vc ja deu um passo.

XXXX YYYY disse...

Valéria, c é uma gatinha! Ké casá cumigo? Quebra essa, vai?
...

Ah, sobre o assunto em pauta?... ia me esquecendo... eu respondi la no barraco p q ainda n tinha visto aqui. Depois ceis olha la ta?
Abracao pro povao!

XXXX YYYY disse...

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XXXX YYYY disse...

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XXXX YYYY disse...

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zelinschilt zelinschilt disse...

oi,prazer