segunda-feira, 13 de julho de 2026

Os ventos nos levarão

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Os ventos nos levarão

Texto e foto de Valéria del Cueto

 

Fiz tudo que podia para tentar retornar a um velho hábito. Em busca de uma reconexão com o antigo costume de escrever as crônicas nas areias da praia, me preparei para rumar em direção ao Arpoador numa sexta-feira à tarde.

No dia anterior fiz um reconhecimento no terreno sem o equipamento necessário para desenrolar o texto. A saber: o caderninho e a caneta.

Era uma tarde de quinta-feira linda! Céu azul e águas claras. Cenário perfeito para bater perna entre Ipanema, o Arpoador e a Praia do Diabo. Um dia ideal para “farmar aura”! Me adiantei porque, primeiro, queria matar as saudades. Trocar o murmúrio regular do rio que corre no meio do mundo que habito no pé da serra pelo barulho inconstante e desritmado do mar, sem arrependimento pela ausência do material literário.

Para escrevinhar, queria o ambiente perfeito que só uma sexta-feira proporciona. Sabe aquela vibe de véspera de final de semana? O compromisso inexistente depois de uma caminhada pela beira do mar molhando os pés com as marolas que invadem a areia?

O ideal para refletir o quase pôr do sol antes de mergulhar nas linhas inexploradas das páginas e formas do caderninho que renderão mais uma crônica do Sem Fim...

Antes de chegar ao destino e atingir meus objetivos para abrir o final de semana, uma bateria de exames de check-up anual me aguardava no período da manhã. Obstáculo superado entre um aparelho e outro, corri para cada em busca dos apetrechos da missão literária e parti para destino tão almejado.

Como estava tudo certo e nada decidido, faltou combinar com o… clima. O tempo havia virado!

Tudo o que era azul anil estava encoberto por uma bruma fina que foi se adensando e virando uma barreira de nuvens rápidas e pesadas, embaladas por uma ventania incessante.

Daquelas que levantam as ondulações no espelho d'água, crispam as ondas e formam carneirinhos de espuma. 

Se o mar estava pra peixe, como veremos a seguir, não era propício para banhistas e surfistas. Apesar de mexido, as ondas ainda não haviam subido.  

Voltei lutando contra o vento ao mesmo lugar do dia anterior. O cenário era totalmente diferente.

Para começar, não havia nin-guém no largo do Millôr. Só eu e um ambulante com seu isopor, sem nenhuma chance de fazer sequer uma venda por falta de clientela.

Nas pernas, a areia chicoteava pinicando a cada rajada de vento, invadindo as dobras do casaco corta-vento, fustigando as pernas protegidas até os joelhos por uma bermuda de malha e se ajuntando dentro do tênis.

O visual era lindo, com as nuvens correndo rápido sobre o contorno do morro Dois Irmãos.  Muitos mergulhões e gaivotas lutavam contra as correntes de ar que os impedia de mirar os peixes do cardume que tentava dobrar a ponta do Arpoador. 

Um verdadeiro espetáculo da natureza!

As chances de realizar meu desejo de escrever o texto no banco de concreto embaixo do poste do refletor que ilumina as águas para os surfistas em noites mais amenas eram nulas! Não tinha agasalho que segurasse a friaca das lufadas de areia temperada pelos respingos de maresia grudenta.

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Aguentei as intempéries esperando que um respiro no corre das nuvens deixasse passar um raio solar. Que ele fizesse um contorno na massa polar que se aproximava trazendo o swell (que faria a alegria dos surfistas no campeonato que aconteceu no final de semana). A crônica? Ficou para depois.

Depois que a Argentina ganhou da heroica seleção de Cabo Verde naquela mesma noite. Depois que o Brasil foi vergonhosamente eliminado pela Noruega. Depois que a FIFA caísse de joelhos, revertendo a expulsão de Balogun, o jogador da equipe americana, solenemente ignorada pela Bélgica e, que nojo! Depois que o Egito fosse garfado e saísse da competição após fazer a campeã mundial, a Argentina, passar um tremendo perrengue antes de garantir sua classificação às quartas de final. Essa mesma, só com campeões!

Com os Estados Unidos fora da competição, para indignação mundial, foi quebrado o cessar-fogo no Estreito de Ormuz. A Groenlândia e a Faixa de Gaza estão novamente sob ameaças iminentes. E nós? Voltamos a ser alvo de quem, sabemos, não tem espírito esportivo nem é capaz de respeitar os direitos básicos alheios.

É vida que segue ao sabor dos ventos que não sabemos onde nos levarão. Assim como esta crônica...

PS: Pluct Plact, o extraterrestre estava certíssimo. Faz tempo que os seres de outros planetas circulam por aqui.

Mais vídeos na PLAYLIST no canal @delcueto no YOUTUBE

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


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domingo, 5 de julho de 2026

Paraíso do Tuiuti carnaval 2026 desfile 260217

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Paraiso do Tuiuti carnaval 2026 desfile 260217

(C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagens protegidas pela lei 9610/1998

O Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí.

O enredo do carnavalesco Jack Vasconcelos “Lonã Ifá Lukumí” apresentou a vertente afro-religiosa cubana. A agremiação ficou em 9º. lugar no carnaval 2026.

O foco do registro foi a bateria Super Som, seu mestre, diretores, ritmistas e a rainha Mayara Lima.

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Agradecimentos a Renatinho Marins, o presidente Renato Thor, Mestre Marcão, diretores e ritmistas da Bateria Super Som, componentes do Paraíso do Tuiuti, à Liesa, Rio Carnaval e à Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos dos ensaios técnicos do Paraíso do Tuiti publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved, protegido pela lei 9610/1998

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@delcueto para CarnevaleRio.com

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A antiga musa

A antiga musa

Texto e foto de Valéria del Cueto

Querida cronista, voltei para você! Aqui fala seu extraterrestre preferido, Pluct Plact, que há vários anos procura mantê-la informada do mundo exterior.

Reconheço que cada vez esses informes estão mais espaçados. Não pense que é desleixo ou falta de carinho. Ao contrário. Acontece que os filtros de notícias e assuntos inerentes a nossa amizade e convívio estão cada vez mais aprimorados e seletivos.

Não acho justo invadir a santa paz que você escolheu para se isolar do mundo nesta cela do outro lado do túnel com o mais do mesmo que, sinto, não traz novidades significativas nem, tampouco, amplia seu bem-estar ou acrescenta qualquer benefício à sua proposta de vida.

Sim, é melhor ficar na ignorância do que mergulhar nas armadilhas sempre renovadas e cada vez mais sofisticadas que este mundo apresenta.

Por aqui, tudo está em oferta. Mas cada uma delas traz inúmeras e variadas pegadinhas. As que, quando pegam, nos levam para um (ou diversos) buraco(s) sem bula ou instruções para sair deles. Tudo brilha, mas nada entrega o que promete. Quando se descobre que o produto é mais falso que nota de três reais, não tem mais devolução.

É surpreendente a capacidade humana de propor maravilhas! O povo embarca para depois, não muito depois, descobrir a canoa furada que naufraga ao primeiro clique. Pronto! Alguém já passou a mão no que é seu. Expertise das bets que infestam a vida e são impossíveis de exterminar do convívio. Quer apostar que ainda nos livraremos delas?

Cronista, faz tanto tempo que esse seu isolamento perdura que tenho sérias dificuldades em explicar o que move o mundo atualmente.

Me refiro a cliques e likes ou curtidas (para aportuguesar). Coraçõezinhos, joinhas e estrelinhas nas redes virtuais são os códigos atuais de validação humana.

Esqueça os sorrisos, os olhares, afetos e os apertos de mão. Abraços, então, quase nem pensar. Agora, mandatários informam e governam pelas redes sociais. Sabe o que é cancelamento? Pois é... A pessoa submerge na ignorância coletiva!

Sei que tudo isso não faz parte do seu show. Mas, caso haja interesse, posso fazer um resumo deste way of life e enviar-lhe um arquivo pelo próximo raio de luar que invadir a sua cela aí do outro lado do túnel.

Faço a sugestão por desencargo de consciência a que, você me explicou em nossos primeiros encontros, todos os seres humanos possuíam. Pois alerto, cara amiga, não possuem mais. Pelo menos a grande maioria. Afinal, quem, em sã consciência, é capaz de produzir tantas maldades?

A humanidade anda assim, caprichando no direito de se  autodestruir. Entre uma guerra e outra sem direito à  reconstrução ou regeneração, tentando, por meio de genocídios executados com planejamento milimétrico, apagar as civilizações que não se adequam aos seus modus vivendi.

Nada de novo no front além da intensidade e da perversidade, agora explícitas, declaradas e, sim, cronista, glorificadas. Não se finge mais gentileza, solidariedade ou bondade. Tudo é na base do grito e, hoje, quem grita mais não são os excluídos, os desvalidos. Quem tem mais "poderes" nas redes sociais é quem banca o desamor...

De novo, não queria escrever estas mal traçadas linhas para falar do arrasa-quarteirão e da destruição da Palestina temperada pela guerra dos Estados Unidos com o Irã que, entre outras mazelas, fechou o Estreito de Ormuz e deu um peteleco no frágil sistema econômico mundial.

Também gostaria de pular a advertência da chegada de um super El Niño e da falta de prevenção adequada aos desastres tantas vezes anunciados. Agora, é correr atrás do prejuízo que se anuncia com a chegada de uma frente fria glacial. Pede os cobertores extras, amiga, porque, dizem as previsões, o frio será de rachar.

Então... a antiga musa canta e vamos falar de Copa do Mundo? Essa, a mais longa de todos os tempos, tem mais uma novidade. Acontece em três sedes. México, Canadá e EUA. A-di-vi-nha onde será a final?

A parte boa é que alguns países surpreenderam na primeira fase. Caso, por exemplo, de Cabo Verde um estreante no certame.

Deixei esse assunto pro final porque ele se mistura com o aviso da chegada de mais outros extraterrestres no planeta. Dizia a lenda que a apresentação tem data e hora marcadas no dia do jogo Brasil x Escócia. Com direito à abdução de alguns jogadores e centenas de torcedores!

Se essa cartinha lhe alcançou é porque o alerta dado era falso. Ou seja, o Brasil passou incólume à próxima fase do campeonato. Detalhe: no momento estamos na cabeça do grupo e até o menino cai-cai andou em campo. Quem sabe se para ser nosso embaixador intergaláctico. Porque futebol que é bom...    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



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