quinta-feira, 30 de julho de 2026

O momento e seus movimentos


O momento e seus movimentos

Texto e foto de Valéria del Cueto

 

Estou querendo sair da toca e recarregar as baterias. A primeira e melhor opção é rumar para os lados da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.

Acontece que "querer muito" não afasta os senões que se acumulam nesta possibilidade para a temporada inverno/primavera 2026.

O maior senão é, sem dúvida, climático. Morei décadas em Cuiabá e não sou uma desavisada em relação ao calorão dos próximos meses.

Tenho uma lembrança vívida da parede de quentura que enfrentam os desavisados e desacostumados passageiros ao desembarcarem do avião no aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. É uma sensação inesquecível.

Melhorou com o tempo, com a chegada dos fingers que ligam a porta da aeronave diretamente ao prédio do aeroporto. O que apenas fez que o "soco" não aconteça mais nas escadas do avião, com o calor refletido no asfalto do pátio de manobras e, sim, mais tarde um pouco, depois de pegar as malas, ao se abrirem as portas automáticas do aeroporto Marechal Rondon para a área do estacionamento.

Quer saber? Quem mora em Mato Grosso pode não notar, mas a temperatura e a baixa umidade do ar estão aumentando! Sinto porque as ausências me desacostumam ao clima local e, a cada volta, acho que ele está ainda mais crítico, mais bruto.

Agora, pensa com o El Niño mais poderoso de todos os tempos, o que vai acontecer!

Esse não é o único motivo que está pesando contra as saudades que sinto de Chapada, do Pantanal e, principalmente, de amigos queridos que adoro encontrar sempre que posso.

Acontece que acho que não mereço atravessar os dias da campanha política em Mato Grosso.

Em alguns momentos, certas qualidades podem trazer sérios prejuízos e, quando não há um objetivo que compense, é melhor não arriscarmos nosso patrimônio moral numa guerra que não é mais nossa.

Esse é, para mim, o caso da política de Mato Grosso e da tal qualidade que pode custar muito caro. Falo da memória, da história mato-grossense. Essa que, parece, está muito em falta por aí. Por isso, estou adiando minha ida até o mês de novembro, como fiz no ano passado. O tempo será mais ameno, com a chegada das chuvas e o final do período eleitoral.

Se desembarcar antes do final das eleições, pelo menos do primeiro turno, sei que não vou conseguir seguir à risca meu objetivo.

Ele está resumido num dos ditados de Luizinho Soares. Aquele político que, se não é lembrado por sua vida pública, por seu trabalho em benefício da população mato-grossense, sempre estará nos meus pensamentos norteando objetivos por frases que levo pela vida. O mote da vez é: "quanto menos conversa, nenhuma”.

Até onde puder, nesses tempos de embates eleitorais, pretendo me dedicar a não gastar energias onde não há espaço para a argumentação. O universo eleitoral de Mato Grosso é minúsculo e restrito, perto da dimensão da disputa nacional e, diante disso, pouco significativo no contexto brasileiro.

Então, estar preocupada com as disputas regionais, o que certamente acontecerá caso resolva enfrentar o El Niño em uma de suas piores versões por aí, diminuirá o raio de ação relacionado aos embates que estão por vir.

Já dei minha cota de colaboração aos caminhos de Mato Grosso em outros tempos, quando havia melhores condições para argumentar e algum sentido em alertar. Hoje, o que vejo é a radicalização e o firme propósito, não de dialogar, mas de confrontar.

Aí, volto alguns parágrafos, para a parte que menciona o fator memória, aquela que, parece, nem todos têm de sobra.

Sou do tempo em que contra os fatos (eles estão aí para quem quiser comprovar) não existiam argumentos. Os alertas foram repetidos e, em muitos setores, não surtiram efeitos.

O que temos é mais do mesmo e só em tempos de eleições: Pantanal, meio ambiente, agricultura familiar, preservação, infraestrutura, a melhoria do serviço público, da educação, saúde, segurança…

Tudo com prazo de validade, até a colocação do voto na urna!

Depois, tudo volta ao normal, onde a lei de Gérson, que diz que gosta de levar vantagem em tudo, volta a imperar e encher os bolsos dos de sempre. 

Resumindo o momento e definindo os movimentos, pretendo me dedicar aos indecisos.

Como eu, são eles que ainda aceitam dialogar e, talvez, se dispunham a ouvir argumentos. É com eles que pretendo conviver nos próximos meses. 

Longe da temperatura quase insuportável de Mato Grosso e junto ao calor dos debates produtivos que definirão o futuro do Brasil.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Os ventos nos levarão

Clique no LINK para acessar o ensaio fotográfico no FLICKR

Os ventos nos levarão

Texto e foto de Valéria del Cueto

 

Fiz tudo que podia para tentar retornar a um velho hábito. Em busca de uma reconexão com o antigo costume de escrever as crônicas nas areias da praia, me preparei para rumar em direção ao Arpoador numa sexta-feira à tarde.

No dia anterior fiz um reconhecimento no terreno sem o equipamento necessário para desenrolar o texto. A saber: o caderninho e a caneta.

Era uma tarde de quinta-feira linda! Céu azul e águas claras. Cenário perfeito para bater perna entre Ipanema, o Arpoador e a Praia do Diabo. Um dia ideal para “farmar aura”! Me adiantei porque, primeiro, queria matar as saudades. Trocar o murmúrio regular do rio que corre no meio do mundo que habito no pé da serra pelo barulho inconstante e desritmado do mar, sem arrependimento pela ausência do material literário.

Para escrevinhar, queria o ambiente perfeito que só uma sexta-feira proporciona. Sabe aquela vibe de véspera de final de semana? O compromisso inexistente depois de uma caminhada pela beira do mar molhando os pés com as marolas que invadem a areia?

O ideal para refletir o quase pôr do sol antes de mergulhar nas linhas inexploradas das páginas e formas do caderninho que renderão mais uma crônica do Sem Fim...

Antes de chegar ao destino e atingir meus objetivos para abrir o final de semana, uma bateria de exames de check-up anual me aguardava no período da manhã. Obstáculo superado entre um aparelho e outro, corri para cada em busca dos apetrechos da missão literária e parti para destino tão almejado.

Como estava tudo certo e nada decidido, faltou combinar com o… clima. O tempo havia virado!

Tudo o que era azul anil estava encoberto por uma bruma fina que foi se adensando e virando uma barreira de nuvens rápidas e pesadas, embaladas por uma ventania incessante.

Daquelas que levantam as ondulações no espelho d'água, crispam as ondas e formam carneirinhos de espuma. 

Se o mar estava pra peixe, como veremos a seguir, não era propício para banhistas e surfistas. Apesar de mexido, as ondas ainda não haviam subido.  

Voltei lutando contra o vento ao mesmo lugar do dia anterior. O cenário era totalmente diferente.

Para começar, não havia nin-guém no largo do Millôr. Só eu e um ambulante com seu isopor, sem nenhuma chance de fazer sequer uma venda por falta de clientela.

Nas pernas, a areia chicoteava pinicando a cada rajada de vento, invadindo as dobras do casaco corta-vento, fustigando as pernas protegidas até os joelhos por uma bermuda de malha e se ajuntando dentro do tênis.

O visual era lindo, com as nuvens correndo rápido sobre o contorno do morro Dois Irmãos.  Muitos mergulhões e gaivotas lutavam contra as correntes de ar que os impedia de mirar os peixes do cardume que tentava dobrar a ponta do Arpoador. 

Um verdadeiro espetáculo da natureza!

As chances de realizar meu desejo de escrever o texto no banco de concreto embaixo do poste do refletor que ilumina as águas para os surfistas em noites mais amenas eram nulas! Não tinha agasalho que segurasse a friaca das lufadas de areia temperada pelos respingos de maresia grudenta.

Clique na foto ou no LINK para acessar o ensaio fotográfico no FLICKR

Aguentei as intempéries esperando que um respiro no corre das nuvens deixasse passar um raio solar. Que ele fizesse um contorno na massa polar que se aproximava trazendo o swell (que faria a alegria dos surfistas no campeonato que aconteceu no final de semana). A crônica? Ficou para depois.

Depois que a Argentina ganhou da heroica seleção de Cabo Verde naquela mesma noite. Depois que o Brasil foi vergonhosamente eliminado pela Noruega. Depois que a FIFA caísse de joelhos, revertendo a expulsão de Balogun, o jogador da equipe americana, solenemente ignorada pela Bélgica e, que nojo! Depois que o Egito fosse garfado e saísse da competição após fazer a campeã mundial, a Argentina, passar um tremendo perrengue antes de garantir sua classificação às quartas de final. Essa mesma, só com campeões!

Com os Estados Unidos fora da competição, para indignação mundial, foi quebrado o cessar-fogo no Estreito de Ormuz. A Groenlândia e a Faixa de Gaza estão novamente sob ameaças iminentes. E nós? Voltamos a ser alvo de quem, sabemos, não tem espírito esportivo nem é capaz de respeitar os direitos básicos alheios.

É vida que segue ao sabor dos ventos que não sabemos onde nos levarão. Assim como esta crônica...

PS: Pluct Plact, o extraterrestre estava certíssimo. Faz tempo que os seres de outros planetas circulam por aqui.

Mais vídeos na PLAYLIST no canal @delcueto no YOUTUBE

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Studio na Colab55

domingo, 5 de julho de 2026

Paraíso do Tuiuti carnaval 2026 desfile 260217

Clique no LINK para acessar o ensaio do acervo carnevalerio.com no FLICKR

Paraiso do Tuiuti carnaval 2026 desfile 260217

(C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagens protegidas pela lei 9610/1998

O Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí.

O enredo do carnavalesco Jack Vasconcelos “Lonã Ifá Lukumí” apresentou a vertente afro-religiosa cubana. A agremiação ficou em 9º. lugar no carnaval 2026.

O foco do registro foi a bateria Super Som, seu mestre, diretores, ritmistas e a rainha Mayara Lima.

Clique no LINK para acessar o ensaio do acervo carnevalerio.com no FLICKR

Agradecimentos a Renatinho Marins, o presidente Renato Thor, Mestre Marcão, diretores e ritmistas da Bateria Super Som, componentes do Paraíso do Tuiuti, à Liesa, Rio Carnaval e à Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos dos ensaios técnicos do Paraíso do Tuiti publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved, protegido pela lei 9610/1998

Clique no LINK para acessar os vídeos do ensaio técnico do paraíso do Tuiuti no youtube

@delcueto para CarnevaleRio.com

Faça sua inscrição nos canais del Cueto no Youtube e no TikTok – desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca. Na playlist abaixo estão os vídeos dos ensaios técnicos do carnaval 2026. E lá tem mais...

Aqui tem mais pra você:
Já seguiu “No rumo do Sem Fim”?
Experimenta!
Explore o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e links para objetos e desejos produzidos no @delcueto.studio
Ideias e designs disponíveis nas plataformas:
Colab55 / Redbubble

Siga no instagram
@valeriadelcueto
@delcueto.studio

Clique no LINK para acessar o ensaio do acervo carnevalerio.com no FLICKR

https://youtube.com/playlist?list=PLNVGym3VNemBf_JPTVPWSViAdmuVSf4sZ&si=ppQvWNWq3PDMaJgi

Studio na Colab55