quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Algumas coisas mudam, outras não... crônica de Valéria del Cueto


Algumas coisas mudam, outras não...

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Fim de noite de domingo, quase pronta para o começo de mais uma semana, e eis que vem o breu. Deviam faltar uns quinze minutos para o fim de um episódio da série da vez quando a escuridão se instalou. Era geral. Nem os postes da rua eram visíveis no meio do mundo.

Nada a fazer além de ligar a lanterna do celular e desligar os interruptores a caminho da cama. A bateria do aparelho, menos por sorte e mais por prevenção, estava cheia.

Afinal, há dias está sendo anunciada mais uma onda de efeitos do El Niño. Dessa vez, um ciclone bomba trazendo ventanias, um calorão incomum para o mês de agosto e, na sequência, a queda abrupta da temperatura com a chegada de mais uma frente fria.

Já chove lá fora, a última etapa do roteiro programado e, graças a Deus, por aqui executada apenas parcialmente. A prometida ventania não atingiu essa parte do Sudeste com a violência prevista, poupando a região metropolitana do Rio de Janeiro de seus piores efeitos.

Os que, por precaução e prevenção, colocaram o poder público e as autoridades em geral em alerta permitindo, inclusive, um final de semana estendido, por assim dizer.

Houve a recomendação de uma liberação antecipada dos trabalhadores no início da tarde de sexta-feira para evitar problemas na volta pra casa no final do último dia da semana causados pelas turbulências visualizadas nos modelos meteorológicos.

Uns dizem que a renovação do contrato com a Fundação Cobra Coral, a entidade espiritual que previne desastres naturais, anunciada pela prefeitura do Rio um dia antes da chegada do fenômeno por aqui, foi que evitou maiores danos e transtornos. Outros reclamam e fazem piadas sobre o sistema de prevenção, o que alertou para o provável evento climático.

Claro que a maioria da população se sentiu aliviada pela ausência do possível sacode do El Niño. Pelo menos por aqui. Em outros pontos, mais ao sul do país, as consequências foram mais severas...

Segunda de manhã e nada da energia voltar. A tarde chegou e a levada ainda é a mesma. Planos? Não os tenho mais.

Olho a geladeira, agora quase apenas um armário, e a mantenho fechada para que o ar ainda geladinho não escape e tenha forças para conservar os alimentos até que a concessionária de energia local tome as devidas e já tardias providências. Lá se vão mais de quinze horas.

Minha segunda-feira é um prolongamento do fim de semana. Nenhum plano pôde ser executado, nenhuma agenda cumprida. Sem contatos via internet, nem edição no computador com pouca bateria, ou notícias para rechear esse texto.

Estou sujeita a uma pausa involuntária num dia úmido, friorento e salpicado por uma chuvinha fina, também fora de época. Nada que incomode mais que a imponderabilidade de estar viva.

Essa segunda-feira que o Garfield, o gato preguiçoso (lembra dele?), dizia odiar é apenas uma chance de quebrar a rotina que, dizem, não é muito salutar e procurar alternativas para espantar o tédio inevitável.

Uma varrida na casa (esquece o aspirador de pó, não tem energia, lembra?), fazer doce de banana ou biscoitinho de queijo (ops, emprestei a farinha de trigo pra vizinha fazer panquecas ontem). Nem pensar no jardim que está todo encharcado e feliz com a chuva constante fora de época...

Ah, claro, tudo precisa ser feito enquanto ainda há luz do dia. Da elétrica, nem notícias. Então, há que se adiantar as atividades!

Depois que terminar a crônica, após abrir mais uma vez a geladeira/armário (ui) e esquentar a comida, me resta (com muito prazer) a opção mais indicada para um dia como hoje.

Abrir um livro, no caso, “Memória verde-rosa, cem anos de amor”, de Marcelo Oliveira, e mergulhar em saborosas reminiscências mangueirenses de outros carnavais. O livro é o volume 1, “Bambas da Estação Primeira de Mangueira” do projeto do autor para o centenário da agremiação, que será comemorado em 2027.

Por meio dos históricos de 50 personalidades, famosas ou não, fundamentais para o surgimento e a consolidação da “maior escola de samba do planeta”, como dizia o intérprete Luizito, traça um quadro formado por fragmentos e causos que transportam o leitor para o cotidiano e os eventos que ajudaram a transformar em realidade o sonho dos arengueiros da Mangueira.

Hoje é terça-feira. A luz ainda não voltou e já estou na letra T, de Tantinho, um amigo querido com quem convivi no Palácio do Samba. Sim, estou triste pelas poucas páginas que faltam para terminar a obra que remete a tempos em que faltar energia deveria ser mais corriqueiro do que hoje.

Pois é, algumas coisas mudam, outras não...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Não sei onde enquadrar” e “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



Studio na Colab55

domingo, 2 de agosto de 2026

Viradouro carnaval 2026 desfile 260216

Viradouro carnaval 2026 desfile 260216

Clique no LINK para acessar o ensaio no FLICKR

(C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagens protegidas pela lei 9610/1998

A Unidos do Viradouro, campeã do carnaval 2026, foi a terceira escola a se apresentar na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí.

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O enredo do carnavalesco Tarcísio Zanon, “Pra cima, Ciça!” homenageou o mestre da bateria da agremiação de Niterói. Com o enredo, conquistou o título do carnaval 2026.

O registro foi feito da torre de transmissão de TV, logo depois do segundo recuo de bateria, em frente a última cabine de jurados.

Agradecimentos à vermelho e branco e seus componentes, à Liesa, Rio Carnaval e à Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Mais sobre a vitória da Viradouro na matéria "Pra cima, Ciça!" sobre os desfiles de carnaval do Rio de Janeiro em 2026.

https://delcueto.wordpress.com/2026/02/22/pra-cima-cica/

Ensaio fotográfico e vídeos dos ensaios técnicos da Viradouro publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved, protegido pela lei 9610/1998

@delcueto para CarnevaleRio.com

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

O momento e seus movimentos


O momento e seus movimentos

Texto e foto de Valéria del Cueto

 

Estou querendo sair da toca e recarregar as baterias. A primeira e melhor opção é rumar para os lados da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.

Acontece que "querer muito" não afasta os senões que se acumulam nesta possibilidade para a temporada inverno/primavera 2026.

O maior senão é, sem dúvida, climático. Morei décadas em Cuiabá e não sou uma desavisada em relação ao calorão dos próximos meses.

Tenho uma lembrança vívida da parede de quentura que enfrentam os desavisados e desacostumados passageiros ao desembarcarem do avião no aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. É uma sensação inesquecível.

Melhorou com o tempo, com a chegada dos fingers que ligam a porta da aeronave diretamente ao prédio do aeroporto. O que apenas fez que o "soco" não aconteça mais nas escadas do avião, com o calor refletido no asfalto do pátio de manobras e, sim, mais tarde um pouco, depois de pegar as malas, ao se abrirem as portas automáticas do aeroporto Marechal Rondon para a área do estacionamento.

Quer saber? Quem mora em Mato Grosso pode não notar, mas a temperatura e a baixa umidade do ar estão aumentando! Sinto porque as ausências me desacostumam ao clima local e, a cada volta, acho que ele está ainda mais crítico, mais bruto.

Agora, pensa com o El Niño mais poderoso de todos os tempos, o que vai acontecer!

Esse não é o único motivo que está pesando contra as saudades que sinto de Chapada, do Pantanal e, principalmente, de amigos queridos que adoro encontrar sempre que posso.

Acontece que acho que não mereço atravessar os dias da campanha política em Mato Grosso.

Em alguns momentos, certas qualidades podem trazer sérios prejuízos e, quando não há um objetivo que compense, é melhor não arriscarmos nosso patrimônio moral numa guerra que não é mais nossa.

Esse é, para mim, o caso da política de Mato Grosso e da tal qualidade que pode custar muito caro. Falo da memória, da história mato-grossense. Essa que, parece, está muito em falta por aí. Por isso, estou adiando minha ida até o mês de novembro, como fiz no ano passado. O tempo será mais ameno, com a chegada das chuvas e o final do período eleitoral.

Se desembarcar antes do final das eleições, pelo menos do primeiro turno, sei que não vou conseguir seguir à risca meu objetivo.

Ele está resumido num dos ditados de Luizinho Soares. Aquele político que, se não é lembrado por sua vida pública, por seu trabalho em benefício da população mato-grossense, sempre estará nos meus pensamentos norteando objetivos por frases que levo pela vida. O mote da vez é: "quanto menos conversa, nenhuma”.

Até onde puder, nesses tempos de embates eleitorais, pretendo me dedicar a não gastar energias onde não há espaço para a argumentação. O universo eleitoral de Mato Grosso é minúsculo e restrito, perto da dimensão da disputa nacional e, diante disso, pouco significativo no contexto brasileiro.

Então, estar preocupada com as disputas regionais, o que certamente acontecerá caso resolva enfrentar o El Niño em uma de suas piores versões por aí, diminuirá o raio de ação relacionado aos embates que estão por vir.

Já dei minha cota de colaboração aos caminhos de Mato Grosso em outros tempos, quando havia melhores condições para argumentar e algum sentido em alertar. Hoje, o que vejo é a radicalização e o firme propósito, não de dialogar, mas de confrontar.

Aí, volto alguns parágrafos, para a parte que menciona o fator memória, aquela que, parece, nem todos têm de sobra.

Sou do tempo em que contra os fatos (eles estão aí para quem quiser comprovar) não existiam argumentos. Os alertas foram repetidos e, em muitos setores, não surtiram efeitos.

O que temos é mais do mesmo e só em tempos de eleições: Pantanal, meio ambiente, agricultura familiar, preservação, infraestrutura, a melhoria do serviço público, da educação, saúde, segurança…

Tudo com prazo de validade, até a colocação do voto na urna!

Depois, tudo volta ao normal, onde a lei de Gérson, que diz que gosta de levar vantagem em tudo, volta a imperar e encher os bolsos dos de sempre. 

Resumindo o momento e definindo os movimentos, pretendo me dedicar aos indecisos.

Como eu, são eles que ainda aceitam dialogar e, talvez, se dispunham a ouvir argumentos. É com eles que pretendo conviver nos próximos meses. 

Longe da temperatura quase insuportável de Mato Grosso e junto ao calor dos debates produtivos que definirão o futuro do Brasil.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55