O registro foi feito da torre de transmissão de TV, depois do segundo recuo de bateria, em frente a última cabine de jurados.
Agradecimentos à escola nilopolitana e seus componentes, à Liesa, Rio Carnaval e à Riotur.
Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com
Ensaio fotográfico e vídeos do mini-desfile da Beija-Flor publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved, protegido pela lei 9610/1998
@delcueto para CarnevaleRio.com
Faça sua inscrição nos canais del Cueto no Youtube e no TikTok – desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca. Na playlist abaixo estão os vídeos da Viradouro. E lá tem mais...
Aqui tem mais pra você: Já seguiu “No rumo do Sem Fim”? Experimenta! Explore o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e links para objetos e desejos produzidos no @delcueto.studio Ideias e designs disponíveis nas plataformas: Colab55 / Redbubble
Siga no instagram @valeriadelcueto @delcueto.studio
Dela, posso falar com propriedade. Sou cria do processo democrático
estabelecido após o fim da ditadura. Sim, dela, a que agora querem chamar de “regime
militar”. Os termos e designações mudam. A História, por mais que tentem,
não...
Não estou aqui para bater de frente com ninguém. Só para sugerir
alternativas. A primeira é que, para melhor se informar de maneira produtiva
sobre o período, você, leitor, assista o documentário “Gonzaguinha, Da Maior Liberdade”,
de Susana Lira, que acaba de ganhar o Kikito, prêmio de melhor longa-metragem Documentário,
em Gramado.
“E a vida, diga lá o que é, meu irmão...”. A dos Anos de Chumbo passa
por lá, nas imagens que bordam as músicas do compositor do Morro do São Carlos,
berço do samba, onde foi criado pelos padrinhos enquanto seu pai, o Gonzagão,
palmilhava o país na infância e juventude do filho órfão de mãe.
Assisti o filme antes do lançamento que acontece no Brasil no dia
3 de setembro. Sabia que seria um mergulho num universo que vivi de perto na adolescência.
Não sei quantos shows do Gonzaguinha assisti antes de sair do Rio e seguir no rumo
de outras paragens: Uruguaiana/RS, e, depois, em Cuiabá/MT.
Só sei é que fecho os olhos e me transporto às plateias lotadas dos
shows na época do vestibular e da ECO, a Escola de Comunicação da UFRJ. (Re)vejo
Gonzaguinha, sua mensagem de liberdade chegando às nossas mentes e corações
antes dos tempos de reprodução digital hiperviralização virtual. Nas composições
que escapavam da censura, o moleque Gonzaguinha dava seu recado sobre os últimos
acontecimentos no país e os anseios populares.
Se as letras e a melodia das composições até hoje (d)escrevem
essas histórias, as imagens de arquivo garimpadas para ilustrá-las, conforme o
roteiro e a pesquisa de Rodrigo Alzuguir, montadas por Ítalo Rocha, dinamizam e
contextualizam graficamente a narrativa.
Não é o tipo de filme que dê para desviar o olhar para uma checada
nas redes sociais. É um mergulho num ambiente que nos leva não apenas aos
acontecimentos e imagens recorrentes da época em que Gonzaguinha viveu com suas
contradições e afetos, mas também ao cotidiano, à rotina da cidade, à vida como
ela era naqueles tempos.
O filme não é sobre Gonzaguinha. O filme é Gonzaguinha, o rico
universo de cronista de seu tempo, por meio de suas próprias palavras faladas e
cantadas, quando não foram proibidas. “Um tempo em que lutar por seus direitos
era um defeito...”
Como agora. Mudam os algozes. A violência continua e se exacerba.
Se expande para outros canais, como as redes sociais, nos formatos de disputar
as eleições e levar a população a se decidir por esse ou aquele candidato.
A agressividade impera. É mais fácil vociferar do que dialogar,
propor soluções.
E aí, todo o espaço, seja o garantido por lei ou o obtido por meios
não tão convencionais, vira campo de batalha e não de argumentação.
O simples ato de bater de frente sem dó nem piedade, é um vício
tão danoso e maligno quanto, por exemplo, as apostas incentivadas pelas BETs
que corroem a saúde mental e financeira da população.
Quando a gente começa, não consegue parar porque somos induzidos a
combater mais, mais e mais...
A campanha política, aquela que a gente banca com nosso dinheiro,
deveria ser para nos munir de OPÇÕES para melhorar a vida da população e o país
como um todo, para todos...
Acompanhei o início da propaganda eleitoral para concluir que
estamos bancando rinques de batalhas em que a prioridade é desconstruir os
adversários. E só.
Onde estão as propostas, as soluções e as ações sugeridas para que
o país avance?
Jogam na nossa cara os defeitos e malfeitos dos oponentes para que
optemos pelos menos bandidos ou criminosos e não por quem possa apresentar
alternativas viáveis (ou não) para melhorar nosso futuro.
E o povo, inocente e teleguiado, vê o exíguo tempo do período
eleitoral se extinguir aplaudindo os animais que se digladiam nas arenas
virtuais, principalmente as das big techs, bombadas pelas verbas bilionárias das
campanhas. No início do período democrático eram 90 dias, quando dava tempo
para dialogar, argumentar e confrontar IDEIAS. Agora, é um mês astronomicamente
caro e olhe lá.
Sim, quem busca propostas atraca no Porto Solidão do diálogo
inexistente. Aquele que nos faria evoluir e analisar de forma racional e
prática o que é, realmente, o melhor para os tempos (difíceis) que virão.
Não se iluda, eleitor. A maré não está para peixe e o problema não
é apenas brasileiro. É mundial. Como vamos encarar esses tempos que virão? Que
interesses defenderemos com o voto que depositaremos nas urnas?
*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Não sei onde enquadrar” e do SEM FIM... delcueto.wordpress.com
Fim de noite de domingo, quase pronta para o começo de mais uma
semana, e eis que vem o breu. Deviam faltar uns quinze minutos para o fim de um
episódio da série da vez quando a escuridão se instalou. Era geral. Nem os
postes da rua eram visíveis no meio do mundo.
Nada a fazer além de ligar a lanterna do celular e desligar os
interruptores a caminho da cama. A bateria do aparelho, menos por sorte e mais
por prevenção, estava cheia.
Afinal, há dias está sendo anunciada mais uma onda de efeitos do
El Niño. Dessa vez, um ciclone bomba trazendo ventanias, um calorão incomum
para o mês de agosto e, na sequência, a queda abrupta da temperatura com a
chegada de mais uma frente fria.
Já chove lá fora, a última etapa do roteiro programado e, graças a
Deus, por aqui executada apenas parcialmente. A prometida ventania não atingiu
essa parte do Sudeste com a violência prevista, poupando a região metropolitana
do Rio de Janeiro de seus piores efeitos.
Os que, por precaução e prevenção, colocaram o poder público e as
autoridades em geral em alerta permitindo, inclusive, um final de semana
estendido, por assim dizer.
Houve a recomendação de uma liberação antecipada dos trabalhadores
no início da tarde de sexta-feira para evitar problemas na volta pra casa no
final do último dia da semana causados pelas turbulências visualizadas nos
modelos meteorológicos.
Uns dizem que a renovação do contrato com a Fundação Cobra Coral,
a entidade espiritual que previne desastres naturais, anunciada pela prefeitura
do Rio um dia antes da chegada do fenômeno por aqui, foi que evitou maiores
danos e transtornos. Outros reclamam e fazem piadas sobre o sistema de
prevenção, o que alertou para o provável evento climático.
Claro que a maioria da população se sentiu aliviada pela ausência
do possível sacode do El Niño. Pelo menos por aqui. Em outros pontos, mais ao
sul do país, as consequências foram mais severas...
Segunda de manhã e nada da energia voltar. A tarde chegou e a
levada ainda é a mesma. Planos? Não os tenho mais.
Olho a geladeira, agora quase apenas um armário, e a mantenho
fechada para que o ar ainda geladinho não escape e tenha forças para conservar
os alimentos até que a concessionária de energia local tome as devidas e já
tardias providências. Lá se vão mais de quinze horas.
Minha segunda-feira é um prolongamento do fim de semana. Nenhum
plano pôde ser executado, nenhuma agenda cumprida. Sem contatos via internet,
nem edição no computador com pouca bateria, ou notícias para rechear esse
texto.
Estou sujeita a uma pausa involuntária num dia úmido, friorento e
salpicado por uma chuvinha fina, também fora de época. Nada que incomode mais
que a imponderabilidade de estar viva.
Essa segunda-feira que o Garfield, o gato preguiçoso (lembra dele?),
dizia odiar é apenas uma chance de quebrar a rotina que, dizem, não é muito
salutar e procurar alternativas para espantar o tédio inevitável.
Uma varrida na casa (esquece o aspirador de pó, não tem energia,
lembra?), fazer doce de banana ou biscoitinho de queijo (ops, emprestei a
farinha de trigo pra vizinha fazer panquecas ontem). Nem pensar no jardim que
está todo encharcado e feliz com a chuva constante fora de época...
Ah, claro, tudo precisa ser feito enquanto ainda há luz do dia. Da
elétrica, nem notícias. Então, há que se adiantar as atividades!
Depois que terminar a crônica, após abrir mais uma vez a
geladeira/armário (ui) e esquentar a comida, me resta (com muito prazer) a
opção mais indicada para um dia como hoje.
Abrir um livro, no caso, “Memória verde-rosa, cem anos de amor”,
de Marcelo Oliveira, e mergulhar em saborosas reminiscências mangueirenses de
outros carnavais. O livro é o volume 1, “Bambas da Estação Primeira de
Mangueira” do projeto do autor para o centenário da agremiação, que será
comemorado em 2027.
Por meio dos históricos de 50 personalidades, famosas ou não, fundamentais
para o surgimento e a consolidação da “maior escola de samba do planeta”, como
dizia o intérprete Luizito, traça um quadro formado por fragmentos e causos que
transportam o leitor para o cotidiano e os eventos que ajudaram a transformar
em realidade o sonho dos arengueiros da Mangueira.
Hoje é terça-feira. A luz ainda não voltou e já estou na letra T,
de Tantinho, um amigo querido com quem convivi no Palácio do Samba. Sim, estou
triste pelas poucas páginas que faltam para terminar a obra que remete a tempos
em que faltar energia deveria ser mais corriqueiro do que hoje.
Pois é, algumas coisas mudam, outras não...
*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Não
sei onde enquadrar” e “É carnaval” do SEM FIM...
delcueto.wordpress.com