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domingo, 2 de agosto de 2026

Viradouro carnaval 2026 desfile 260216

Viradouro carnaval 2026 desfile 260216

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(C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagens protegidas pela lei 9610/1998

A Unidos do Viradouro, campeã do carnaval 2026, foi a terceira escola a se apresentar na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, na Marquês de Sapucaí.

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O enredo do carnavalesco Tarcísio Zanon, “Pra cima, Ciça!” homenageou o mestre da bateria da agremiação de Niterói. Com o enredo, conquistou o título do carnaval 2026.

O registro foi feito da torre de transmissão de TV, logo depois do segundo recuo de bateria, em frente a última cabine de jurados.

Agradecimentos à vermelho e branco e seus componentes, à Liesa, Rio Carnaval e à Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Mais sobre a vitória da Viradouro na matéria "Pra cima, Ciça!" sobre os desfiles de carnaval do Rio de Janeiro em 2026.

https://delcueto.wordpress.com/2026/02/22/pra-cima-cica/

Ensaio fotográfico e vídeos dos ensaios técnicos da Viradouro publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2026 Valéria del Cueto, all rights reserved, protegido pela lei 9610/1998

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Ainda é cedo

Ainda é cedo

Texto e foto de Valéria del Cueto

O resquício desse carnaval encavalado em um mês de atividades frenéticas foi um quase colapso físico e mental.

Fiz o que pude, mas não consegui resistir a queda de imunidade no esforço contínuo de três finais de semana com maratonas de ensaios técnicos com tudo a que tinha direito na Sapucaí.

A saber: calor, chuvas e muitas correrias multiplicadas pelo número de escolas de samba que passaram pela pista se preparando para os desfiles.

Pelos meus cálculos, as dezessete da série ouro no primeiro final de semana e mais doze vezes dois nos subsequentes.

O tempo para editar o material da capa do Diário de Cuiabá foi mínimo e dividido entre outras tarefas como a missão de ir ao centro da cidade pegar a tão almejada credencial para cobrir os desfiles.

Me planejei e executei o combinado entregando o material prometido sobre os desfiles na quarta-feira. Na quinta encarei tranquilamente o metrô em direção a sede da Liesa, pertinho do Museu do Amanhã.

Tudo certo e o primeiro imprevisto. O metrô estava parado! Havia um acidente na estação de São Conrado paralisando o tráfego. Ao anunciar o problema pelos alto-falantes da General Osório, veio o comentário de um usuário: “Isso é hora de alguém resolver tirar a própria vida no metrô, dois dias antes do carnaval?”

Abandonei a calorenta e, agora, superlotada estação. A solução era pegar um táxi e morrer na grana para chegar a tempo de resgatar a credencial.

Vou pular a descrição detalhada dos dias que se seguiram. Pode ser resumida em translado à Sapucaí, pista e/ou torre de transmissão, a loteria bem-sucedida de conseguir um táxi no final dos desfiles da noite/dia que cobrasse a corrida no relógio junto com Cristina Frangelli, do Carnavalizados, chegar em casa, me alimentar, tomar um banho, baixar e fazer a primeira seleção das fotos, dormir e... começar tudo de novo depois de um almo/janta substancial.

Foram 5 dias quase no automático. Neles, todas as intenções e ações criativas estiveram voltadas ao olhar e ao equipamento, que registrava minha visão, e a da seleção de imagens do material que prometi entregar aos parceiros. Mas quem disse que consegui (espero) captar as sensações que vivemos na pista? Foram cinco dias e mais vinte e nove desfiles, ou quase. Perdi alguns da série Ouro...

Na quarta-feira, depois de vibrar com o resultado do Grupo Especial e a vitória inconteste da Viradouro cantando Mestre Ciça, relaxei...

E falhei. Em vez de manter a rotina de guerra, não resisti e sucumbi ao desejo de comer rissoles fritos na hora do restaurante Príncipe de Mônaco, em Copacabana.

Nada incomum, a não ser o fato de não ter argumentos para contrariar meus primos, que voltariam no dia seguinte a Porto Alegre, ter aceitado ficar na área com ar condicionado e não na parte externa do estabelecimento que sempre frequento.

Quando cheguei em casa, três rissoles, um pastel e um caipiroska de lima sem açúcar depois, senti um “hã,hrã” de um lado da garganta.

Aí começou meu padecer. Ainda tentei fazer a segunda rodada da seleção de imagens do material prometido aos parceiros. Mas quem disse que consegui? Tudo começou a doer, especialmente os olhos diante da luz da tela do computador.

E assim continuou e só piorou até a madrugada de quinta para sexta, véspera dos desfiles das campeãs, em que aos trancos e barrancos distribuí o material concluído de “Pra cima, Ciça”. Foi a duras penas, muitos analgésicos e xaropes...

Fiquei tão mal que perdi o desfile das Campeãs. Foi sem apelação e arrependimentos. Nem meu corpo, nem minha mente tinham qualquer condição de deslocamento até a Sapucaí.

O “castigo” maior foi ter que acompanhar pela TV a transmissão dos desfiles campeões. Que horror... Entendo porque tanta gente desgosta do carnaval carioca no Brasil. Volta, Manchete! Ressuscita, Fernando Pamplona!

Continuo me recuperando do colapso. Corri pro mato, dormi dias seguidos e só hoje consegui me expressar. Duas semanas depois das Campeãs!

Peço desculpas aos amigos que me cobram a edição das fotos que fiz nesse carnaval. Mas, confesso, ainda é cedo para rever o resultado da maratona alucinante. Sei que o material é bom, porém, parafraseando Juliano Yule, “Meu corpo não pede”, nesse momento, esse esforço. Ainda...

Estou voltando à vida devagar. Escrever essa crônica é mais um passo nessa reconstrução.

Paciência, amigos, que chego já...  

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Pra cima, Ciça!


Pra cima, Ciça!

O carnaval 2026 é do Caveira e da Viradouro

Texto e fotos  Valéria del Cueto

Esse ano aconteceu um fenômeno na Marquês de Sapucaí. O título de campeã do Grupo Especial do carnaval carioca é da Viradouro que homenageou seu mestre de bateria, Ciça.

Todo mundo ficou feliz com a justa homenagem ao sambista, cria do Estácio e tantas vezes campeão. Ele era o mestre da Bateria, por exemplo, do primeiro e único campeonato do Especial da Estácio de Sá, em 1992.

Ciça jogou nas 11 no desfile em sua homenagem. Estava na comissão de frente, passou pelo casal que conduz o pavilhão vermelho e branco de Niterói e, depois, partiu de moto para o início do desfile, repetindo o feito de 2007 de colocar seus ritmistas no alto do último carro alegórico, como havia feito em 2007, com o carnavalesco Paulo Barros.

Quase aos 70 anos o Caveira, como é conhecido pelos amigos, tomou o maior susto quando o enredo da Viradouro, de Tarcísio Zanon e pesquisa de João Gustavo Melo, foi anunciado na quadra ano passado.

A luz cenográfica da pista, utilizada pelas escolas, continua em evolução, com acertos e erros. A maior novidade de 2026 foi a digitalização do som da avenida.

Se nas posições de ponta das escolas filiadas à Liesa houve um raro consenso, o mesmo não dá para dizer das polêmicas envolvendo o enredo da estreante no grupo, a Acadêmicos de Niterói, com Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil.



A agremiação caiu, mas causou. E serviu para mostrar como tem gente que não entende nada de carnaval, mas quer dar pitaco no trabalho alheio. O besteirol ocupou e alavancou as redes sociais.

Reclamaram da “politização” do carnaval, como se essa fosse a primeira vez que a comunidade do samba abordasse esse tipo de viés.



Muitos viraram censores, outros claramente não conheciam a poesia de Dorival Caymmi que diz “quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé”.Para desagrado dessa turma sem inspiração e conhecimento do processo carnavalesco, passou pela avenida mais um samba popular.


A Acadêmicos de Niterói caiu, mas deixou sua marca na pista onde o presidente, quase vaiado pelos conservadores nos camarotes, ouviu a resposta dos setores populares que pediam “sem anistia” enquanto a agremiação se despedia do Grupo Especial.

A União de Maricá, vencedora da Série Ouro, substitui a última colocada em 2027

ORDEM DO DESFILE DAS CAMPEÃS – Mangueira, Imperatriz, Salgueiro, Vila, Beija-Flor e Viradouro.



Quem abre o desfile é, novamente, a Mangueira. Ficou em sexto lugar com o enredo sobre Mestre Sacaca, do Amapá. Perdeu décimos na comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, enredo e samba.



A Imperatriz Leopoldinense, de Leandro Vieira (campeão da Série Ouro com a União de Maricá) ficou com na quinta posição com “Camaleônico”, homenageando Ney Matogrosso, é a segunda escola a desfilar nas Campeãs. Em 2027 terá de escolher uma das duas agremiações para ser carnavalesco, assim como o coreógrafo Patrick Carvalho. A comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira e o samba-enredo foram penalizados na escola de Ramos.


O Salgueiro vem a seguir cantando a mestra que fez tantos amarem a festa, Rosa Magalhães. Foi justamente esse verso que tirou dois décimos do samba enredo e outro em alegoria e adereço.


Vila Isabel e a Beija-Flor perderam um décimo cada, ficando com 269,9. A Vila, cantando o sambista e pintor Heitor dos Prazeres, parceiro de Noel Rosa, perdeu o campeonato no quesito harmonia e ficou na terceira posição pela ordem de abertura de envelopes.



A Beija-Flor, que tentava o Bi com Bembé do Mercado, viu seu sonho ficar para 2027 com a perda de um décimo em alegorias e adereços, quesito que costuma ser forte na agremiação de Nilópolis.

A noite das campeãs será encerrada pela campeã do carnaval 2026. Com 270 pontos, a Viradouro de Niterói       levantou a Sapucaí homenageando Ciça. Cria do morro de São Carlos foi passista, mestre-sala e quem há anos atua como mestre de bateria.

O desfile das Campeãs do RJ será transmitido no sábado, na TV globo e Globoplay no streaming a partir das 21h, horário de Brasília.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com


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quarta-feira, 21 de maio de 2025

Raízes Nativas e povos originários: arte como resistência cultural e política

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(C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagens protegidas pela lei 9610/1998

Raízes Nativas e povos originários:

arte como resistência cultural e política

Do Templo do Carnaval, na Marquês de Sapucaí, ecoam a cada ano, nos desfiles das escolas de samba  cariocas, sons, imagens e anseios das comunidades que alimentam e nutrem o fantástico imaginário  carnavalesco. Ele  descortina, sublinha e ressignifica histórias e personagens incorporados pelo povo do samba.

O samba sabe, quem sabe samba e as raízes nativas, os povo originários, inspiram, integram e se projetam na rica arte alegórica produzida nos barracões das escolas de  samba e de vida. As que promovem o maior espetáculo popular do planeta...

Imagens de:  

"Malunguinho: o Mensageiro de Três Mundos", do carnavalesco Tarcísio Zanon, da Acadêmicos do Viradouro 2025   

"Quem tem medo de Xica Manicongo", carnavalesco Jack Vasconcelos, Paraíso do Tuiuti 2025

"Egbé Iya Nassô", carnavalescos Alexandre Louzada Lucas Milato, Unideos de Padre Miguel 2025 

https://www.flickr.com/photos/delcueto/albums/72177720326263466
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Ensaio apresentado no evento "Raízes Nativas e povos originários: arte como resistência cultural e política", coletiva realizada no dia 17 de maio de 2025 no Raízes do Brasil, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

Agradecimentos a Raissa Laban e aos realizadores.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Viradouro carnaval 2025 desfile 250302

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(C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagem protegida pela lei 9610/1998

Viradouro carnaval 2025 desfile 250302

 A Viradouro foi a terceira escola a desfilar no domingo, 03 de março de 2025, na Marquês de Sapucaí.

"Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos", enredo do carnavalesco Tarcísio Zanon, classificou a escola de Niterói em 4o. posição no carnaval 2025.

Agradecimentos componentes da Viradouro, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.
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Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos dos ensaios técnicos da Viradouro publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved protegido pela lei 9610/1998

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Viradouro carnaval 2025 ensaio técnico 250215

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(C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagem protegida pela lei 9610/1998

 A Viradouro encerrou a primeira rodada de ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial carioca no sábado, 15 de fevereiro de 2025, na Sapucaí para o carnaval 2025.

"Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos" é o enredo do carnavalesco Tarcísio Zanon para o carnaval 2025.

Agradecimentos componentes da Viradouro, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Alafiou! Jogo aberto nos 40 anos da Sapucaí. A Viradouro leva o título.

Jogo aberto e a Viradouro leva o título

Alafiou! Jogo aberto nos 40 anos da Sapucaí.

A Viradouro leva o título.

Texto e fotos  Valéria del Cueto

Adivinha? Apesar das previsões de Esmeralda, a cigana leopoldinense em busca do bicampeonato, os búzios do jogo caíram todos abertos do outro lado da ponte, em Niterói. Assim estavam os caminhos da Viradouro em seu desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro no carnaval 2024, o dos 40 anos do Sambódromo.

Leandro Vieira esteve próximo da vitória durante 24 horas. A escola de Ramos foi a última a desfilar no raiar do primeiro dia de disputa. Manteve o favoritismo até a madrugada seguinte quando as guerreiras voduns do carnavalesco Tarcísio Zanon se apossaram da Marquês de Sapucaí. Não teve pra ninguém. Nem na bolha carnavalesca das redes sociais, nem na leitura das notas dos jurados. A escola terminou com um ponto à frente da vice-campeã.

A luz do amanhecer valorizando o conjunto alegórico da Imperatriz
Ambas se valeram da luz do amanhecer para emoldurarem seus vaticínios e enriquecerem as palhetas de cores dos enredos. A luz cenográfica, turbinada por tintas e tecidos fluorescentes, mudou o visual do espetáculo. A novidade escondeu ainda mais o povo do samba, já mascarado por efeitos de maquiagem. Também derrubou quem não soube utilizar os recursos.
Brasilidade tropical explícita na Mocidade.

Foi a ambientação, por exemplo, que penalizou a Vila e a Portela na apresentação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. No caso da Vila com um agravante.  Paulo Barros depois de tocar fogo na porta-bandeira Lucinha Lins tempos atrás na Mocidade e, ano passado, vestir o casal na pista, apagou a apresentação do pavilhão e colocou no lugar lasers multicoloridos acoplados nas vestimentas do casal da terra de Noel Rosa. Perdeu décimos preciosos, junto com o samba de Martinho da Vila(!) e o enredo de Oswaldo Jardim.

As justificativas exporão os critérios dos julgadores que deixaram de fora das campeãs a Mangueira, homenageando Alcione (perdeu no quesito de desempate, fantasia, a sexta posição), a Beija-Flor com Maceió, e acharam cica no caju tropical da Mocidade em vários quesitos incluindo o enredo, tão original, e... o samba! A Porto da Pedra teve passagem fugaz pelo Grupo e volta para o Ouro de onde sobe a campeã Unidos de Padre Miguel.


DESFILE DAS CAMPEÃS – Vila, Portela, Salgueiro, Grande Rio, Imperatriz e Viradouro.

Na Vila, só alas de comunidade, o chão de Noel.
A reedição da Vila de "Gbalá", enredo de Oswaldo Jardim de 1993, abre a noite das Campeãs trazendo o axé das crianças salvando o planeta ao realimentar as energias de Xangô ao som da bateria de Mestre Macaco Branco e o lindo samba de Martinho da Vila canetado em 2 décimos.

 O tempo passa, o “defeito de cor” permanece. Marinete Franco e outras mães relembram suas dores.
A Portela a volta às campeãs depois de ficar de fora no ano de seu centenário. O enredo “Um defeito de cor” conseguiu mais um recorde carnavalesco. O livro de Ana Maria Gonçalvez se esgotou na gigante Amazon! Que rapidamente repôs o estoque do fenômeno literário.  

Vida na tribo Yanomami, janela aberta para o mundo pelo Salgueiro

O Salgueiro é a primeira das três agremiações que desfilaram na noite de domingo a retornar a avenida. “Hutukara” trará de volta o casal Marcella Alves e Sidcley. Assim como os casais da Imperatriz, Grande Rio e Mangueira, eles gabaritaram no quesito mestre-sala e porta-bandeira. Dos quatro, o único que não se apresenta no sábado é Cintya Santos e Matheus Olivério, da verde e rosa.

A onça da Comissão de Frente da Grande Rio
Na Grande Rio, com “Nosso destino é ser onça”, a proposta de Gabriel Haddad e Leonardo Bora teve um bom desempenho nos quesitos plásticos inovando novamente nos materiais. A clareza do enredo, o samba e harmonia não deixaram a onça beber a água de mais um campeonato. Destaque aos felinos da alegoria da comissão de frente e o de Paola Oliveira, reinando na bateria.


A Imperatriz Leopoldinense, última escola a desfilar no domingo planejou seu desfile para o amanhecer. Vamos ver como as criações de Leandro Vieira se comportarão na luz noturna. Tomara que seja fixa, ou se altere suavemente. Os recursos do neon e da fluorescência acabarão cansando. Não precisa de búzios nem bola de cristal para chegar a essa conclusão.

Rute Alves e Julinho Nascimento, o casal campeão
A Viradouro encerra o sábado das campeãs, comemorando merecidamente seu terceiro título com “Arroboboi, Dangbé” e dando uma aula sobre a serpente, símbolo da vida, regeneração e recomeço nos cultos voduns vindos da Costa da Mina, na África. Uma aula. Mais uma lição das escolas de samba da cultura popular brasileira.


O desfile das Campeãs do RJ será transmitido no sábado, no Multishow a partir das 21:30h, horário de Brasília.

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sexta-feira, 8 de março de 2019

Oxalá acima de tudo, Mangueira acima de todas!



Oxalá acima de tudo, Mangueira acima de todas! 

Os filhos fiéis comemoram: a Nação Verde e Rosa é campeã.
Texto e fotos de Valéria del Cueto

Que carnaval foi esse! O desfile das escolas de samba do grupo especial, no sambódromo carioca, na Marquês de Sapucaí, é um resumo desse caldeirão chamado Brasil. Enquanto o país patina na crise e a falta de recursos é geral, lá o produto mais distribuído foi dinheiro.

De corruptos, vendidos e ladrões. Na São Clemente, Paraíso do Tuiuti e Imperatriz. Além de cédulas também voaram pelo espaço aéreo da Passarela do Samba, o Padim Padre Cícero, na União da Ilha, e os emojis na Grande Rio. Nada que fizesse subir, aos céus do sábado das campeãs, nenhuma das citadas.
              Na montagem, enquanto a Fenix carrega no bico o símbolo da vice-campeã Viradouro, Padre Cícero e emogis passeiam pelo espaço aéreo do setor 1.

Sobe a Estácio de Sá. Junto com o Império Serrano, a Imperatriz foi rebaixada. A escola mais injustiçada, novamente, foi a São Clemente. Seu desfile delicioso deu o recado reeditando do enredo “O Samba, sambou”. “Luzes câmeras e som, mil artistas na Sapucaí...”

 
Na São Clemente, recado direto para o prefeito Crivella.

Esse ano, a TV Brasil não transmitirá o desfile das campeãs. E é melhor assim. Seria difícil não enquadrar os protestos que, certamente, aparecerão depois da performance presidencial em suas postagens carnavalescas. O que por um lado pode ser ruim, por outro, garante que as redes sociais vão bombar na noite de sábado, o desfile começa às 21:15h.

Quem abre a festa é a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola cai dentro do tema proposto "Eu sou o Tempo. Tempo é Vida”. No abre alas com sua mítica estrela, Elza Soares, será festejada no enredo de 2020. O futuro já começou em Padre Miguel.


A Estrela da Mocidade aponta para o futuro: Elza Soares vai brilhar em 2020

A seguir vem o quinto colocado, Salgueiro, com “Xangô”. As dificuldades, capitaneadas pela disputa à presidência da escola, se refletiram na apresentação. Embalado por um ótimo samba, o casal de porta-bandeira e mestre sala, Marcella Alves e Sidcley, retornou ao posto, depois de afastado pela antiga diretoria.


Marcella Alves, Sidcley e o pavilhão salgueirense.


Salgueiro canta Xangô, composição de carro.


O destaque do tripé em que vinha Djalma Sabiá, último remanescente do grupo de fundadores e presidente de honra do Salgueiro, passou mal e desapareceu no meio de plumas e adereços. Foi retirado da pista pelos bombeiros, logo depois da torre de TV.

A Portela trovejou, mas não relampejou cantando Clara Nunes. A azul e branco perdeu pontos em alegorias e adereços, bateria, comissão de frente e evolução. A ala desenhada por Jean PaulGaultier, que não pode comparecer, contou com personalidades francesas e foi inspirada em marinheiros bleu, blanc, rouge.


Ala da Portela, efeito e movimento na pista

Já a Vila Isabel de Martinho, num luxo só para cantar as belezas da Petrópolis Imperial, terceira colocada, perdeu décimos em quesitos em que sempre foi forte: enredo, bateria e samba.


Portões de Petrópolis, cenário imperial brasileiro


Carro alegórico da Vila, tecnologia de Parintins


Destaque da Vila

O que não foi bom para a escola do bairro de Noel ano passado, caiu como uma luva na Viradouro. A letra do samba já cantava “O brilho no olhar, voltou...” Vinda do Acesso, a representante de Niterói deu uma incrível arrancada com a chegada de Paulo Barros, alcançando o vice-campeonato com “ViraViradouro”.


Componentes realizados: do acesso ao vice-campeonato da escola de Niterói.

O samba é capaz de coisas incríveis. O governador Wilson Witzel, não estava na pista no desfile do Paraíso do Tuiuti, quinta escola a desfilar na segunda feira, falando do bode eleito vereador. Mas aquele que, um dia, foi fotografado comemorando com correligionários que rasgaram a placa de Marielle Franco, não fez forfait na hora de beijar o pavilhão verde e rosa.


O governador do Rio de Janeiro beija(?) a bandeira da Mangueira, a escola que trouxe Marielle Franco no enredo.

A passagem da Mangueira foi avassaladora, com o enredo “Histórias pra ninar gente grande”, do carnavalesco Leandro Vieira (Marielle é citada no samba), falando da história que a história não conta. Incluindo a dos culpados pelo assassinato da vereadora, há praticamente um ano.


Os filhos fiéis comemoram: a Nação Verde e Rosa é campeã.

Não foi uma conquista fácil. A escolha do enredo, a disputa apertada do samba, o trabalho heroico da direção ao unir a comunidade enquanto a agremiação era achincalhada, com poder municipal a responsabilizando pela perda de patrocínios. E a comunidade lá, na quadra, na roda. Cantando nos ensaios como se não houvesse amanhã e driblando os obstáculos. No barracão, a falta de recursos. Leandro Vieira e sua equipe se virando. Foi um processo complicado. E o povo lá!


Squel Jorgea, Matheus Olivério e o pavilhão verde e rosa.

Ao pisar na Sapucaí a verde e rosa vai cheia de moral, cantando de peito aberto pelo direito de ser e dizer. Livre. Da ignorância, do preconceito, da tentativa vã de calar a voz do povo, do samba. De transformar nossa festa na mais reles pornografia.


Comemorando 60 anos, a bateria da Mangueira com mestre Wesley gabaritou. 10 em todos os módulos.
A Mangueira é história e faz história no palco que lhe cabe. A passarela do povo. Criada há 35 anos por Oscar, Darcy e Brizola. Palco plural de cultura popular, resistência e, sim, onde a voz do samba se faz ouvida. Do nosso chão, para mundo inteiro.


Evelyn Bastos, a Rainha de Bateria, vibra.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
Ordem dos desfiles:
Mocidade Independente
Salgueiro
Portela
Vila Isabel
Viradouro
Mangueira

Clique AQUI para acessar o ensaio fotográfico e os vídeos da pagina Na luta é que a gente se encontra,  Mangueira Campeã

  
Diagramação Luiz Márcio – Gênio a quem agradeço, junto com a direção do Diário de Cuiabá!

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