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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Mangueira no minidesfile do Dia Nacional do Samba 2025

Mangueira no minidesfile do Dia Nacional do Samba 2025

A Mangueira fechou a noite de sexta-feira, primeiro dia de minidesfiles do Dia Nacional do Samba de 2025, apresentando elementos de seu enredo para o carnaval 2026, “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra”, do carnavalesco Sidnei França.

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Os vídeos do acervo carnevalerio.com da Estação Primeira de Mangueira no mini desfile do Dia Nacional do Samba 2025.
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Agradecimentos aos Mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, aos incríveis ritmistas da “Tem que respeitar meu Tamborim”, aos componentes da Mangueira, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim…

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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Volto já

Volto já

Texto e fotos de Valéria del Cueto

O destino é a Chapada dos Guimarães. O único apelo capaz de mover a montanha. Isso porque Maomé mandou.

O recado foi curto e grosso: “O olho do dono é que engorda o gado”. Que gado, senhor? O que tenho e me leva para lá é o cerrado. Nativo. Sem intervenções, na medida do possível.

Se não deu para chegar na COP30 em Belém, o Jogo do Contente do livro Polylianna, escrito por Eleonor H. Porter, em 1913, me convenceu a explorar, 6 anos depois da última viagem ao Centro-Oeste, o bioma que tanto amo e, mesmo à distância, faço o que posso para preservar. E não é fácil. Falo do mais castigado e desmatado no momento.

Para começar, diz que atualmente tudo tem que ser previamente planejado. Eu? Considero fora de questão fazer um roteiro pré-definido, com agendas e visitas checadas e verificadas antecipadamente pela internet.

Ora bolas, aí para que viajar se já fui virtualmente? É um tédio não deixar espaço ao acaso. Ele, que sempre me levou a lugares incríveis e proporcionou lembranças inesquecíveis.

Sei que não é o normal na vida dos turistas usuais. Porém, conheço meus movimentos. Estou cansada de fazer muitos planos. Executá-los fielmente não faz parte do meu show. Sim, sempre, eu disse sempre, dá errado!

Já escrevi, anos atrás, um texto intitulado “Turista ou viajante” explicando que me encaixo, até pelo karma que rege meus movimentos, no segundo grupo. Quando planejo tudo com antecedência, não vejo razão para me movimentar se já viajei preparando o passo a passo do percurso. Imagens, sons, programações... Só os cheiros são inalcançáveis. Por enquanto.

Ir só para executar o planejado não me pega por convicção e não funciona na prática. O que confirmo a cada tentativa de seguir as normas vigentes. Dá errado!

O único planejamento quase infalível que os deuses me permitem é o que me leva à Marquês de Sapucaí ano após ano. Lá supero o mau tempo, as mudanças de roteiro provocadas pelas alterações de regulamentos e das saídas e passagens que me levam da pista à torre de transmissão.

Sou abusada. Não me satisfaço com um único enquadramento. Quero o perto/pista quase aéreo/torre. Faço desse percurso um desafio físico e mental fotografando para o Diário de Cuiabá e parceiros há mais de 20 anos os desfiles carnavalescos.

Entre tombos, esbarrões e percalços (colecionados da concentração até a dispersão na pista em que se realiza o maior espetáculo de cultura popular do planeta no sambódromo carioca), coleciono cada imagem resguardada no acervo carnevalerio.com. Vem, carnaval! O que me move? É a paixão.

Que não é a mesma que me fez sair do Rio justo no dia em que a Liesa, a Liga das Escolas de Samba, anunciou a abertura do credenciamento dos desfiles do carnaval 2026.

Aí está uma boa razão para voltar. A passagem está comprada para dois dias antes do minidesfile que marcará as comemorações do Dia Nacional do Samba, entre 28 e 30 de novembro (lembrando que dia 29 é a final da Libertadores e o Flamengo enfrenta o Palmeiras na... Argentina!)

Melhor assim, vai que role um déjà vu e ocorra o mesmo fenómeno sísmico existencial, como na primeira vez que fui a Cuiabá. Jurei que ia ficar três meses por lá e foram mais de vinte anos de amor desenfreado!

Sim, comi cabeça de pacu, virei cidadã cuiabana e mato-grossense e levei décadas para conseguir transferir minha base de volta ao Rio. E olha que não faltaram tentativas! Voltei por amor quando vi que era hora de cuidar de quem sempre me cuidou, minha avó, D. Ena.

Agora é tempo de não combinar nem planejar. Me deixar levar seguindo um roteiro mínimo. Olhar o que me pertence e cair nos braços e abraços dos afetos que o destino, sempre ele, me fizer encontrar. Os que cultivei pelos caminhos dessa longa jornada por Mato Grosso.

Sem avisar que estou chegando, o que conduz meus passos é o acaso. Como na primeira vez (e em todas as que consegui seguir meu desplanejamento inicial), sei que alcançarei meu objetivo primordial: ser feliz com as boas surpresas que me aguardam.

Lá vou eu em mais uma aventura pelo centro da América do Sul que tanto amo, antes de cair nos braços da paixão que aquece meu sangue e faz pulsar meu inquieto coração no ritmo acelerado das baterias da folia carioca.

Fui ali e volto já...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Parador Cuyabano” e “É Carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A quem interessa?


A quem interessa?

Que covardia! Véspera da COP 30, a cúpula do clima, em Belém do Pará.
O Rio é uma das principais portas de entrada do país. A quem interessa jogar os holofotes do mundo na falta de segurança da cidade?
Quais as consequências da violência, começando pela overdose de imagens, algumas impublicáveis, circulando pelas redes sociais?
Que forma torpe de tentar virar a maré.
Claudio Castro enterrou as expectativas da temporada turística carioca.
A quem interessa?


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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Paz na terra



Paz na terra

Texto e foto  Valéria del Cueto

Querida cronista. Estou há dias alinhavando as últimas novidades para atualizá-la nos acontecimentos aqui de fora. Está difícil!

Tenho parte da responsabilidade no atraso e não nego. Porém, outros fatores aumentam a dificuldade de resumir tantos eventos nas poucas palavras que consigo enviar pelo raio de luar que ilumina sua cela.

Esse seu exílio voluntário do outro lado do túnel, cá para nós, torna nossa comunicação mais difícil e complicada que a ausência de um simples whatsapp, o meio de comunicação que, diz a lenda, mudou a maneira dos terráqueos se comunicarem.

Agora é costume usarem as redes sociais para tudo, inclusive comunicados oficiais, bate-bocas e DRs entre os governantes! Aí começa minha dificuldade plucplacteana de extraterrestre interplanetário ainda preso nesse mundão por problemas propulsores na minha nave viajante.

Pelo tempo de seu exílio sinto lhe informar que invertemos nossos papéis. Você, que me ensinou de um tudo quando caí sem paraquedas cultural aqui na Terra, me nutrindo de conhecimento popular e informações que permitiram minha sobrevivência no planeta de maneira menos traumática, se resolvesse abandonar seu refúgio voluntário, precisaria de aulas intensivas para se readequar ao cotidiano do lado de cá!

São essas instruções que gostaria de deixar em nossa intermitente correspondência. Não dá! Precisaria de muitas luas, dezenas ou até centenas de raios do luar que banham sua cela para prepará-la para sobreviver minimamente por aqui. E isso não seria tudo. Conhecimento é vida, mas a necessidade de um intenso preparo psicológico para segurar sua onda seria essencial!

Quase nada no pedaço é como antes e isso, certamente, mexerá profundamente com seu emocional. Aquele que você tenta valentemente preservar neste isolamento.

Para ajudar nesse sentido, tenho trocado algumas impressões com suas sobrinhas. A Luisa, no quesito psicológico, e a Natália, na parte de equilíbrio mental e corporal.

Caso não tenha registrado, as meninas viraram mulheres. Luluca é psicóloga e Nat acupunturista. Vai se formar em fisioterapia após largar de mão, depois de terminar, o curso de línguas estrangeiras para relações exteriores. Dos idiomas persiste no estudo do mandarim. Tudo a ver com a medicina chinesa a que se dedica.

Você vai precisar desses apoios para manter sua mente e seu corpo sãos. Pode ter certeza!

Já sei o que vai dizer. Que essa cartinha está com cara de abandono. Talvez sim. Mas garanto que não será voluntário, como seu exílio. Acontece que a maré não está para peixe, nem o céu é mais do condor.

O presidente dos EUA que se dedica a uma perseguição implacável aos imigrantes em seu território (como os nazistas caçavam os judeus e outras minorias nos tempos da segunda guerra) expandiu suas atividades bélicas aos mares internacionais. Bombardeia navios e barcos de pescadores. Sem direito a defesa! Alega, sem provas nem julgamento legal, o transporte de drogas para seu país.

Na Europa, drones interferem nas operações de aeroportos de vários países enquanto ataques da Rússia contra a Ucrânia prosseguem sem perspectivas de paz apesar do encontro, com direito a tapete vermelho no Alaska, dos que se acham donos do mundo. O resultado do rapapé foi nulo. A guerra continua...

Sim, amiga cronista, no meio desses tiroteios corro sérios riscos no céu, na terra e no mar. Por isso procuro uma rede de proteção para sua sobrevivência e sanidade. Sei lá, não sei do meu, antes quase tranquilo, futuro de viajante errante.

Não quero terminar essa missiva pra baixo. Trago a notícia de uma trégua na Palestina. Mais uma vez estão na primeira etapa da tentativa de uma paz negociada depois de Netanyahu arrasar e devastar a Faixa de Gaza. Mas não se anime!

No momento estão trocando reféns e prisioneiros. Para variar, os primeiros têm nomes, sobrenomes e histórias. Já os palestinos são apenas números despejados na terra destruída, sem direito sequer a entrada massiva de alimentos e apoio médico para a população atingida pela barbárie incontrolável.

A ação foi na medida para alimentar a pretensão do “King in América” a almejar o Prêmio Nobel, indicado pelo algoz do Oriente Médio. Só que... o pleito delirante não colou.

A laureada foi María Corina Machado “pelo seu incansável trabalho em promover os direitos democráticos pelas pessoas da Venezuela e pela sua luta para atingir uma transição justa e PACÍFICA de uma ditadura para a democracia”.

María Corina dedicou o prêmio a quem? Ao povo de seu país e ao presidente Trump, o que tem enviado navios militares à costa venezuelana e adota a estratégia de explodir barcos que os EUA “considerem” levar drogas ao território americano.

O primeiro Nobel sul-americano foi para quem incentiva ações belicosas, cronista. E, justamente, o Nobel da Paz!

Desconfio que o criador da honraria deva estar se revirando no seu túmulo sueco em Estocolmo...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Ainda os créditos

Ainda os créditos

Texto e foto  Valéria del Cueto

Só acaba quando termina. Para que, depois, seja possível à produção fechar os créditos finais. Aqueles que mencionei no último texto. Os dos filmes e, também, de quem participou do julgamento do ex-presidente e mais outros 6 integrantes do Núcleo 1, no STF.  

Tenha a quase certeza de que após a finalização da lista na pós-produção haverá a possibilidade de faltar algum nome na relação de colaboradores.

Seja por esquecimento involuntário ou até mesmo proposital. Afinal, nada é perfeito no mundo, nem a relação dos participantes de um trabalho coletivo. Ela pode ser quase generativa, interminável.

Não dá para medir esforços na busca de informações e reconhecimento para a posteridade de todos os técnicos, atores e colaboradores, sejam pessoas físicas ou jurídicas que participam da realização de uma obra idealizada por alguns e construída por muitos, no caso de obras artísticas. Já em outros casos, pode ser o inverso.  Sonhada por muitos, mas concretizada por poucos.

A não ser que...

O poder de contar a história esteja nas mãos de um único componente, cabendo a ele todos os papéis da iniciativa.

O povo, na sua sabedoria popular, diz que esse tipo de empreendedor é um autêntico representante do “bloco do eu sozinho”.

Foi o que o mundo assistiu na abertura da Assembleia Geral da ONU, em New York, horas antes do raiar da primavera, na tarde do dia 22 de setembro.

Primeiro, se manifestou o autor de uma obra coletiva. O presidente Lula, em sua fala ao abrir os trabalhos do encontro de quase duzentos países, defendeu a multiplicidade de ideias, no esforço coletivo. Em relações baseadas no diálogo e objetivos comuns à maioria dos membros.

Sublinhou as ações urgentes no que diz respeito ao fim dos conflitos mundiais e a preservação do planeta, alertando às graves consequências das mudanças climáticas.

Seu pronunciamento foi feito no tempo aproximado de 15 minutos solicitado pelos organizadores do encontro dos líderes mundiais.

Em vários momentos foi aplaudido pelos participantes, como no apelo pelo fim da guerra genocida em Gaza, no pedido do fim do embargo a Cuba, no alerta sobre as agressões ao planeta, a crise do clima e ao conclamar os países a fortalecerem a própria ONU.

Em seus créditos pessoais fez questão de lembrar de José Mujica, ex-presidente uruguaio e o Papa Francisco, ambos defensores da paz e promotores da igualdade entre os povos.

Que contraste com o orador que o seguiu na tribuna, autêntico representante do bloco do eu sozinho. Incapaz de ter a generosidade de delegar a terceiros a autoria de suas “realizações”, falou mal da organização do evento e da própria ONU já na abertura de seu discurso.

Nele, trouxe para si todos os “méritos” que considera relevantes nos feitos que agitam o conturbado cenário mundial, quase em colapso turbinado por sua atuação.

Como se, além de proprietário do campinho fosse, também, o dono da bola.

Respeito, que é bom, nem pelo tempo estipulado de fala.

Foi quase uma hora de uso do microfone, desconsiderando o protocolo estabelecido e os discretos alertas sobre o andamento da programação prevista.

Finalizou decretando que, no tempo de um anúncio de televisão, trinta e muitos segundos, algumas palavras e um abraço, concluiu que o presidente Lula é um “very nice man”, informando que haverá um encontro entre eles na próxima semana.

Mais uma vez, os créditos finais desse evento terão que ser reescritos. Dessa vez para incluir nos agradecimentos o nome do operador de teleprompter, o equipamento que o representante dos EUA reclamou ter falhado e provocou, inclusive, um pedido de formal de investigação à ONU assim como, também, a engasgada da escada rolante da sede da organização em sua gloriosa chegada.

Ah, o novo registro será de um integrante do entourage do próprio Donald Trump. A ONU esclareceu que o sistema era operado por um membro de sua selecionada equipe...

No mais, que venha a primavera e o aguardado encontro entre os presidentes.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Não sei onde enquadrar” do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Os créditos finais

Foto: Valéria del Cueto. Imagem protegida pela lei 9610/1998

Os créditos finais

Texto e foto  Valéria del Cueto

Um dia, e sinto que será breve, essa história vai virar filme. Daqueles de suspense, com toques psicológicos e referências hitchcockianas dirigido por alguém com o estilo, por exemplo, de Bruno Bini, cineasta mato-grossense que arrebentou o Festival de Gramado ganhando quatro Kikitos!

O roteiro da futura película cheio de meandros e detalhes nos obrigará a manter os olhos grudados na tela. A atenção ficará voltada aos diálogos e às sequências de onde, certamente, surgirão pistas que levarão ao clímax da obra com a elucidação do caso antes, se possível (o que nem sempre acontece), do take derradeiro e o começo dos créditos.

Estes, os créditos finais, não serão breves enquanto durarem. Virão longos, repletos de nomes conhecidos não apenas pelos técnicos e a chamada turma do cinema, a que costuma ficar na sala escura para saudar e aplaudir com o reconhecimento no olhar os ocupantes de cada função na execução do projeto cinematográfico.

Para quem não sabe (porque só vê aquele monte de letrinhas subindo velozes num cantinho das telas das TVs dos streamings) por ali passa por seus olhos a ficha técnica do filme. Nela, aquela correria desenfreada, aparecem informações que revelam ao público por quem, como, quando e onde foi realizada a obra que assistimos.

Se a informação é democrática no conteúdo, o mesmo não se aplica a forma. Existem nomes que aparecem em cartelas únicas. Isso é definido, inclusive, em contratos entre profissionais, empresas e os responsáveis por levar o produto audiovisual às telas. Patrocinadores produtores, diretores e os cargos mais importantes da equipe técnica merecem mais destaque. Assim como os atores principais. Para o restante do elenco pode ser usada uma lista em ordem alfabética ou de aparição.

Na sequência vem a equipe técnica engatada, talvez, num carrossel em que os nomes vão desfilando pela tela divididos por setores e funções. Da criação à finalização, passando pelo desenvolvimento do projeto, a produção, execução, pós produção, distribuição...

Quem participou do filme tem seu nome ali registrado. Do mais importante figurão ao mais humilde trabalhador e as empresas que prestaram serviços. É pouco? Não. Ainda faltam os agradecimentos a todos os que, de uma maneira ou de outra, colaboraram, apoiaram e de alguma forma, incentivaram sua realização.

No cinema, sou daquelas que fica até o fim dos créditos. Espero as luzes acenderem e a tela apagar. Sei que ali estão informações importantes e surpresas que aumentam ainda mais o prazer que a obra cinematográfica me proporciona.

Sempre foi assim. Pensa, por exemplo, no prazer de procurar o nome do meu pai em filmes como “Janete” de Chico Botelho; “Avaeté semente da vingança”, de Zelito Viana; “Memórias do Cárcere” e “Estrada da Vida”, de Nelson Pereira dos Santos... Cito apenas obras do início de sua carreira quando o coronel foi para a reserva do Exército e pode, finalmente, cair dentro do mundo das artes oficialmente. Sei que ele vai dizer que não foi bem desse jeito, mas é como me lembro de criança.

Na memória cinematográfica familiar adolescente também surge o filme de Geraldo Miranda “Um brasileiro chamado Rosaflor”, com Joana Fomm e Stepan Nercessian, em que Lucia, minha mãe, fez a cenografia, e passa por uma incrível viagem de prospecção sobre a Retirada da Laguna, com Nelson Pereira dos Santos e uma equipe cinematográfica, por Mato Grosso (ainda uno) e pelo Paraguai.

Esses créditos não vi nos filmes, porque o projeto da Guerra do Paraguai nunca foi em frente e não se tem notícias do filme de Geraldo. Se existe uma cópia nem desconfio qual é o seu paradeiro. Achei a informação da equipe técnica na Cinemateca Brasileira.

Se hoje fazer cinema é um sonho realizável de muitos, na época, década de 1970, era maluquice quixotesca de poucos. Cresci no meio dessas viagens cinematográficas. Por isso, os créditos, para mim, são um filme dentro do filme. Nele me reconheço por afinidade.

E é por ela, a afinidade, que nos vejo na imensa lista de nomes que finalizará o filme do julgamento que paralisa o Brasil agora em setembro. Não é preciso ser vidente, nem estatístico de instituto de pesquisa, para afirmar que sua audiência será maior do que a dos capítulos da morte de Odete Roitman da novela Vale Tudo, a original.

Nesse futuro sucesso do cinema nacional, seja como personagem, técnico cinematográfico, ou nos agradecimentos deveriam constar, nas cartelas de encerramento, o nome de cada brasileiro que participa ativamente da vida em sociedade de nossa nação.

Uma sugestão pra você, leitor que me segue no rumo do Sem Fim: espere os créditos finais e os acompanhe atentamente para, então, aplaudir de pé o filme “Brasil 2025, o julgamento”.

Ele começou a ser produzido há alguns anos e todos fazemos parte dessa equipe. Afinal, certamente, somos peças atuantes no tabuleiro do jogo registrado nessa aventura desde que depositamos os votos, deixando nossas escolhas registradas, nas urnas espalhadas por todo o país nas eleições presidenciais de 2022...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Não sei onde enquadrar” do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

 

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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Não fui eu


Não fui eu

Texto e foto  Valéria del Cueto

Ando correndo de problemas. Mas, parece, eles correm atrás de mim! Não só da minha humilde pessoa. De todos que tentam olhar o mundo com uma certa sensatez. Quando posso, desvio dos embates. Pelo menos, dos pequenos.

Usando as armas do arsenal valeriano: a caneta e um caderninho (novo!!!), me encarapitei na rede da varanda pronta para desenrolar mais uma crônica no meio do mundo. Eis que escuto o som do motor do cortador de grama... Como é domingo, dia de jogo do Mengão contra o Inter, estou determinada a não entrar em demanda e guardar as energias pra partida de logo mais.

Solução? Seguir o conselho do velho ditado “os incomodados que se mudem” e levantar acampamento em direção da cascata que jorra água na piscina vazia, do outro lado da casa. Que receba o primeiro respingo quem se arrisca a um mergulho nessa friaca. No máximo, uma ducha assustada e rapidinha no veranico que se aproxima.

O barulho da água batendo no cimento e escorrendo em direção ao ralo aberto abafa o som do motor da roçadeira. De lambuja fica no ar o cheiro da grama recém aparada do outro lado do rio que invade a atmosfera e quase me desvia do objetivo inicial do texto: os problemas meus, seus e nossos. Aqueles que não podemos solucionar nem, tampouco, ignorar.

Uns alheios a nossa realidade próxima como o genocídio incontrolável na Palestina, os conflitos na África, Asia e Europa, pra começar.

Outros aqui, embaixo dos nossos narizes, provocados por atitudes voluntárias e com sérias consequências. Como enfrenta-las? Em que momento devemos apenas observar, se omitir ou agir?

Que a maré não está para peixe, os ânimos pra lá de exaltados e os acontecimentos se sucedendo sem previsão ou controle de danos, é evidente.

Todos os estímulos nos levam a excessos. Comprar mais, postar mais, se expor mais... mesmo quando não temos nada a acrescentar. Simplesmente para mantermos o “engajamento”. E tem os cortes!

Então, o mundo fica atolado num lamaçal de tolices que camuflam e diluem o que é, realmente, essencial e digno de ser notado, devidamente registrado e, se possível, solucionado.

Se possível porque algumas ações são, a princípio, incorrigíveis.

Um exemplo que assombra e assolará a população cuiabana por um tempo é a eleição do atual prefeito.

Ao escolhe-lo fizeram um bem enorme à Câmara dos Deputados, apesar de sua função a frente da prefeitura de Cuiabá não ter garantido sua ausência total no cenário federal. Ele esteve presente, por exemplo, pra se solidarizar no deplorável episódio da tomada da mesa diretora e do plenário que visava impedir - e chantagear – o ordenamento da pauta dos trabalhos da casa.

O que não é bom para o Brasil não tem sido proveitoso a Cuiabá. A capital de Mato Grosso pagará caro por sua escolha. Seus habitantes sofrerão por alguns anos os reflexos do resultado das urnas eleitorais.

Todos, todas e todes são testemunhas e vítimas do equívoco do jeito de governar adotado pelo atual mandatário. Foi em frente a prefeitura que ele passou mais um recibo do desempenho de sua gestão, vital para o cotidiano da cidade.

Ao apagar as palavras artisticamente escritas num tapume mandou, mais uma vez, a liberdade de expressão (defendida ferozmente como um mantra por sua corrente política) às favas e confundiu a arte popular do grafite com a contravenção da pichação.

Como jurei desviar de problemas, não farei um registro do conjunto da obra que se desenvolve pros lados do Palácio Alencastro.

Foi a maioria do eleitorado da antiga Cidade Verde que decidiu seu destino até 2029! Nas próximas eleições que as escolhas sejam melhores, cuiabanos. Mais cuidadosas para com a urbe que os abriga.

Pra ilustrar a crônica, agora sim, uma piXação (essa, com X) que viralizou nos muros, paredes e tapumes há um tempinho aqui no Rio com uma mensagem sem distinção de gênero.

Sabe o que ela dizia? “NÃO FUI EU”.

E tenho dito...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

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quarta-feira, 16 de julho de 2025

Grande Rio carnaval 2025 desfile 250304

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Grande Rio carnaval 2025 desfile 250304

A Grande Rio foi a penúltima escola a desfilar na terça-feira, 04 de março de 2025, encerramento dos 3 dias de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.

Com o enredo " Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas do Carimbó", dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, a  escola foi vice-campeã do carnaval 2025. 

Agradecimentos aos componentes da Acadêmicos do Grande Rio, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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sábado, 28 de junho de 2025

Mocidade carnaval 2025 desfile 250304

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Mocidade carnaval 2025 desfile 250304

A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu na terça-feira, 04 de março de 2025, o último dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.

Com o enredo "Voltando para o futuro - Não há limites para sonhar", dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage( in memorian), a  escola alcançou a décima primeira colocação no carnaval 2025. 

Agradecimentos ao Mestre Dudu, aos ritmistas e aos componentes da Mocidade Independente de Padre Miguel, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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quarta-feira, 25 de junho de 2025

Manoelina Atlântica

Manoelina Atlântica

Texto e foto  Valéria del Cueto

Essa é uma crônica rapidinha que nem a vida.

Agora que o pato fez “quá” e tirou o mundo do eixo é tudo assim. Atropelado. Sem tempo para absorver os movimentos. O que dirá usufruir os momentos.

Não quero reclamar, apenas constato que está cada vez mais complicado manter os acontecimentos negativos fora do radar e invadindo o fluxo aqui @no_rumo do Sem Fim... que habito.

Me divido entre ser ativa e operante nas atualizações acompanhando o pancadão desritmado ou procurar boas energias e argumentos lúdicos para manter o moral elevado, vibrando numa sintonia positiva.

Se resvalo para o lado geminiano combativo e alerta, aquele que acompanha e analisa os acontecimentos e suas inexoráveis consequências, satisfaço o compromisso profissional e jornalístico que mantenho com o papel que escolhi para desempenhar no contexto planetário enquanto houver espaço para tal.

Tipo uma nano partícula a mais nesse mundão disposta a acreditar, trabalhar e difundir o humanismo. O bem estar geral.

Só mais uma micreza no meio de uma tempestade ácida que corrói o senso comum de solidariedade e amor ao próximo que deveria mover o mundo nesse momento tão complicado.

Dele, não quero falar. Consultem, caros leitores, as efemérides do ano da graça de 2025. Está tudo aí diante dos olhos, ouvidos e demais sentidos. Reais ou artificiais.

Escrito, descrito, gravado, analisado de forma minuciosa. Inexoravelmente indicando a vinda de tempos ainda mais difíceis.

Para evitar o esgotamento mental diante das circunstâncias, troco de gêmea. Deixo chegar a que persegue borboletas para fotografar.

A mesma que fica com pena das lagartas devoradoras das tenras folhas da renda portuguesa e, sem esmaga-las, tenta transportá-las a outros lugares do jardim para que possam se desenvolver e voltem aladas a flanar pelos caminhos floridos do meio do mundo.

Desvio o olhar das cenas brutais transmitidas maciçamente pelos meios de comunicação e amplificadas pelas redes sociais para a laranja natal, aquela que só serve para fazer doce, amadurecendo na ponta do telhado, balançando em cima do rio. A vejo amarelando na paisagem já de inverno.

Observo seu crescimento há meses. Desde quando quase despenquei pela janela, deslisando pelo telhado da garagem, em direção ao curso d´água lá embaixo.

Tentava colher uma goiaba antes que ficasse perpitola e os passarinhos começassem a beliscar a delícia quase madura. Disputa dura pelos melhores frutos. Ferrenha, concorda?

Na quase queda, estudando minhas chances de esticar o braço, jogando o corpo pra fora com as pernas agarradas na lateral do beiral, agarrar um chumaço de folhas que me permitisse puxar o galho do meu objeto de desejo. Reparei que a última chance de apoio aéreo, antes do desastre terminar dentro das águas do riozinho, seria me agarrar nos galhos não sei se frágeis da dita laranjeira.

Na ponta derradeira da ramagem vi a bebê laranjinha e comecei a acompanhar seu crescimento.

Como ainda estou aqui, alguns meses depois, deduzo que deixei a goiaba desejada para o deleite da passarinhada. Ia dar ruim.

No mesmo processo observatório vi, na outra margem, explodirem os botões das flores do pé de manacá. Lá do outro lado da ponte...



Estou me devendo um registro fotográfico desse visual exuberante de tom lilás com toques brancos salpicados. Um espetáculo!

Sim, diz essa gêmea à outra, o mundo(ainda) é belo.

Sei que sou privilegiada por ter essa rota de fuga, tenho consciência que isso não é para qualquer um.

E esse é o motivo que me move ao descrever essas miudezas tão manoelinas.

Para que elas cheguem, pelo menos assim descritas, em outros lugares onde haja a precisão de um pouco de quase nada para quem precisa de uma dose de delicadeza para enfrentar o mais que tudo.

Aquele que não pede licença nem permite outra opção a não ser enfrenta-lo com resiliência, coragem e (aí que eu entro) um sopro de humanidade e esperança de que as coisas, vagarosamente e com muito cuidado e zelo, podem, sim, melhorar...   


    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Não sei onde enquadrar” e do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Vila Isabel carnaval 2025 desfile 250303

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(C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagem protegida pela lei 9610/1998

Vila Isabel carnaval 2025 desfile 250303

A Vila Isabel encerrou os desfiles da segunda-feira, dia 3 de março de 2025, segunda noite dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial carioca, no Sambóromo da Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.

Com o enredo "Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece", do carnavalesco Paulo Barros, a  escola alcançou a oitava colocação no carnaval 2025. 

Agradecimentos aos componentes da Unidos de Vila Isabel, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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