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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Vem aí


Vem aí

Texto e foto de Valéria del Cueto

Jurei que não passaria de hoje a primeira crônica de 2026.

Apesar de distante adotei o modus operandi de Cuiabá e outras praças. O de veranear.

Me larguei com a condição de, nesse período, manter uma alimentação saudável. O eterno projeto de ano novo em plena execução!

Isso não quer dizer que nesse espaço de tempo tenha conseguido me desligar dos acontecimentos que não param de se suceder sem interrupções para um descanso ou pausas para reflexões mais profundas.

Haja nuvem e HDs para registrar as mudanças inesperadas que trazem reflexos imprevisíveis à vida em todo o planeta.

Falando em planeta fico pensando no trabalho que Pluct Plact, o extraterrestre, terá para colocar em dia as notícias do cotidiano do lado de fora da cela em que se encontra enclausurada voluntariamente a cronista com quem ele se corresponde.

Tudo que aconteceu nos últimos dias!

Sugiro que comece por uma notícia boa. A liberação pela ANVISA dos testes clínicos com o medicamento polilaminina no tratamento de lesão da medula espinhal. Uma inovação desenvolvida por pesquisadores da UFRJ.

Lembrando que foi na Escola de Comunicação da instituição na Praia Vermelha que nossa reclusa preferida iniciou sua insípida vida acadêmica.

E que “o outro lado do túnel” (sempre mencionado por Pluct Plact para indicar o local de recolhimento da amiga e correspondente das suas cartas enviadas pelo raio de luar que banha a cela) fica bem ali, entre a UFRJ, o Botafogo e o antigo Canecão que, prometem, ressurgirá em breve.

Viajei pensando no viajante da galáxia e sua relação com a cronista pra dizer que, assim como ele, só me cabe observar e, se possível, acompanhar a pantomima universal.

Confesso que não vou poluir este texto com uma narração precisa das efemérides porque nesse momento minhas atenções são outras.



Estão embaladas pelos sons da cascata desviada do riozinho e, dependendo dos horários, da cantoria dos passarinhos que bordejam em busca de frutas e flores. As frutas da estação são da goiabeira e das jabuticabeiras. As pitangas ainda estão floridas ou seus frutinhos muito verdes para o banquete da passarinhada.

Nesse calorão a sinfonia acontece na manhãzinha ou quando o sol se põe.

Pouco depois das cigarras começarem a ciciar anunciando que o bom tempo continua pelos próximos dias. Até a aguardada chegada de mais uma frente fria maluca, como a que tivemos nos primeiros dias do ano. Quem não se rende a um refresco?

Meu olhar é desviado para o filhotinho de teiu. Novinho, ele ainda não aprendeu que, por uma questão de sobrevivência, deve se esconder dos humanos com o mesmo afinco que os imigrantes perseguidos pelo ICE, a polícia agora assassina dos EUA.

Não que vá fazer alguma coisa contra ele, um pouco maior que as várias lagartixas que habitam (e matam mosquitos) no pedaço. Pra elas não há limites de acesso.

Ao contrário do gato da vizinha que bate ponto na microvaranda 2X2, conhecida como latifúndio, que dá acesso à casa do moinho. Volta e meia tenta me dar um vareio e, distraidamente, adentrar a sala pela janela.

Enfim, antes do meu mundo começar a andar (e olha que ele vai desembalar na corrida com a proximidade do carnaval), observo e gravo na memória as pequenas nuances do entorno.  

Ao som do rio e do vento no bambuzal folhas passeiam pelo ar caindo na superfície espelhada da água.

Já observou o caminho das formigas, o voo das libélulas, o nascer e desabrochar de uma flor ou de cogumelinhos no gramado?

Sentiu o prazer de ver brotar e se desenvolver uma semente que você plantou num vasinho na varanda?

Não dá like, nem engajamento. Não viraliza, mas proporciona a um ser humano sensível uma indescritível e sutil sensação de prazer.

Como ser testemunha de um pôr do sol cinematográfico imponderável.

Sim, a vida ultimamente tem sido mais surpreendente que qualquer ficção. Especialmente para o mal.

Mas quando não temos a opção de mudar essa realidade contundente, resta a opção de voltarmos nossos olhos às coisas miúdas que fazem valer a pena.

Até que o marinheiro novamente avise que vem aí bom tempo...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Não sei onde enquadrar” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com





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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Mangueira no minidesfile do Dia Nacional do Samba 2025

Mangueira no minidesfile do Dia Nacional do Samba 2025

A Mangueira fechou a noite de sexta-feira, primeiro dia de minidesfiles do Dia Nacional do Samba de 2025, apresentando elementos de seu enredo para o carnaval 2026, “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra”, do carnavalesco Sidnei França.

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Os vídeos do acervo carnevalerio.com da Estação Primeira de Mangueira no mini desfile do Dia Nacional do Samba 2025.
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Agradecimentos aos Mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, aos incríveis ritmistas da “Tem que respeitar meu Tamborim”, aos componentes da Mangueira, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim…

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Paraíso do Tuiuti no mini desfile do Dia Nacional do Samba 2025

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(C)2025 Valeria del Cueto, all rights reserved. Protegido pela lei 9610/1998.

O Paraíso do Tuiuti trouxe para o mini desfile do Dia Nacional do Samba de 2025 elementos apresentados pelos segmentos da escola de samba de seu enredo para o carnaval 2026, "Lonã Ifá Lukumí", do carnavalesco Jack Vasconcelos.


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Agradecimentos ao Presidente Thor, Renatinho Marins, à Super Som, Mestre Marcão, Markinhos, aos componentes do Paraíso do Tuiuti, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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quarta-feira, 26 de março de 2025

Só acaba quando termina

Só acaba quando termina

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Não espere mais nada de mim. É tudo que tenho para dar. Tento me reconectar a vida depois de mais um carnaval. Procuro fios que me interliguem ao espaço que volto a ocupar.

O barulho da água que despenca do desvio do rio na piscina pode ser um desses fios. O ruido sempre foi um seletor de pensamentos que reproduzo aqui no caderninho quando junto a contemplação dos movimentos do reflexo na água. Faço dessa dança uma peneira que afina e conduz as ideias tramadas nessas páginas.

Tento, tento, tento... sem muito sucesso.

O João e a Vânia, meus senhorios no paraíso, inconscientemente fazem parte desse esforço. Ele, quando me apresenta uma frutinha que nunca vimos chamada cauá-piri, ou cauá-pixi ou moranguinho do mato. É rasteira e fotogênica.

Pausa. Tempo de pesquisar para descobrir do que se trata, já que seus frutinhos minúsculos vermelhos se destacaram no chão embaixo da jabuticabeira e, segundo João, as sementes podem ter sido trazidas pelos passarinhos que fazem suas refeições nas árvores brasileiríssimas.

Vania contribuiu me apresentando mariolas deliciosas de uma marca que não conhecia e balas Toffee recheadas de creme de hortelã. Ajudam no regime de engorda para me recuperar um pouco do desgaste físico da Sapucaí.

Mas... falar de mariola me leva novamente à pista. Acontece que a delícia fluminense (as de Rio Brilhante são sensacionais) faz parte do kit alimentação especial das noites e madrugadas carnavalescas.

Ele é composto de sanduíche de queijo, as mariolas sem açúcar cristal em volta, pra não piorar a lambança na pausa embaixo do segundo módulo de julgadores em que costumo descansar entre uma escola e outra, se não estiver encarapitada na torre de transmissão.

A matula também contém sementes de guaraná maués, um quente, pra fechar o rebite e água, muita água.

Então, mariolas me transportam, mas não me levam a sair da realidade já passado do templo do samba...

O que, de uma certa maneira, é bom devido a etapa do trabalho que vem depois da folia: editar os registros que fiz.

Uma tarefa que exige atenção e paciência. Ouvir os sambas da escola que está sendo editada, decupada e indexada comendo mariola torna o ambiente perfeito para mergulhar na missão.

Confesso que faz tempo desisti de participar da competição de quem publica mais rápido seus registros. Essa edição fina e a catalogação do acervo carnevalerio.com me tiram dessa animada e salutar disputa entre os fotógrafos. O que, de certa maneira, interferiria no resultado do material que disponibilizo nas plataformas.

Sem alarde o conteúdo vai sendo construído ao longo dos anos. É interessante o resultado? Sem dúvida. Depois da indexação as imagens ficam disponíveis publicamente em baixa resolução no Flickr.

Já estou no carnaval de novo! E, dele, não consigo largar.



Parei para dar um mergulho e, pra não perder a mão, fazer umas fotos das flores de São Miguel que estão explodindo na borda da piscina.

Quando chego perto “pesco” a iluminação sutil que o reflexo da água faz no carro alegórico de florezinhas azuis que saltitam ao vento da Mata Atlântica.

E aí, pra não perder a mão, o lado do meu eu carnavalesco pergunta ao outro, que tenta se situar no meio do mundo do ano que se inicia:

“Será que num carnaval do futuro os iluminadores aprenderão a fazer uma luz tão delicada e sutil quanto essa, gerada pela natureza?”     

Desisto do diálogo de mim comigo mesma e vou editar. Afinal, como a vida, o carnaval só acaba quando termina...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série (ainda) “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com




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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Paraíso do Tuiuti carnaval 2025 ensaio técnico 1 de fevereiro 2025

Clique no LINK para acessar as imagens no FLICKR

(C)2025 Valeria del Cueto, all rights reserved. Protegido pela lei 9610/1998.

O Paraíso do Tuiuti trouxe para seu primeiro ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, dia 01 de fevereiro de 2025, elementos apresentados pelos segmentos da escola de samba de seu enredo para o carnaval 2025, "Quem tem medo de Xica Manicongo", do carnavalesco Jack Vasconcelos.

Agradecimentos ao Presidente Thor, Renatinho Marins, à Super Som, Mestre Marcão, Markinhos, aos componentes do Paraíso do Tuiuti, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim…

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"O Rio de Janeiro é mais Rio em fevereiro"

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Pode ser...

Pode ser



Texto e fotos de Valéria del Cueto

Novos ares!

E não apenas pela mudança previsível do ciclo anual. Depois de um longo e nebuloso dezembro no primeiro dia do ano parece que mudou a chave e tudo que era cinzento e molhado se acendeu.

Como cria carioca fiquei mais tranquila quando vi, no último minuto do segundo tempo, quase no final da partida que arrastaria o mau tempo noite da virada a dentro, que a produção do mega espetáculo se rendeu ao charme de uma mandinga sempre usada em outros episódios que que a chuva estragaria a festa.



Mais uma vez, foi contratada a Fundação Cacique Cobra Coral para segurar as nuvens, limpar o horizonte e encerrar a prolongada e detalhada lavagem celestial que se arrastava há semanas, mudando as tonalidades do cenário da Cidade Maravilhosa. Pedido devidamente feito, desejo de todos atendido. Foi justamente a ausência total da mais leve brisa que escondeu parte dos fogos das 10 balsas posicionadas em Copacabana atrás de uma quase sólida barreira de fumaça.

Atrapalhou? Um pouco da segunda parte dos 12 minutos do espetáculo. O “defeito” climático logo foi esquecido pelo astral de Zeca Pagodinho e da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, com os axés do samba enredo 2023, que homenageia justamente o querido cantor de Xerém, (distrito de Duque de Caxias, comunidade da agremiação), e de Exu. O orixá que regerá 2023, junto com Oxum, Iansã e Iemanjá.

Réveillon 2023 em Copacabana

Tirando esse porém, a festa no Palco Copacabana foi de muita alegria. Um astral contagiante, já alcançado no show de Alexandre Pires, a quem coube homenagear o Rei Pelé, antes da meia noite.

A edição desse ano entra na lista dos réveillons inesquecíveis, parte da história da cidade e da memória de milhões de visitantes. Os números, como sempre, impressionam. Perigos? Sim. O que esperar de uma multidão de mais de 2 milhões de pessoas. Típica situação em que vale a regra três, “onde menos vale mais”, imortalizada por Vinícius de Moraes e Toquinho.

A melhor medida para a sintonia que rolou nas míticas areias de Copacabana? O espírito e a energia que nortearam a festa da virada, inspirados por uma iluminação caprichada e pelas sensacionais imagens projetadas no fundo do palco emoldurado pelas luzes da Princesinha do Mar.

Demorei um dia para voltar ao Rio. Como grande parte dos brasileiros passei o primeiro de janeiro sintonizada em Brasília na terceira e, acho que mais emocionante, posse do presidente Lula.

Imagina a vontade de fazer do fim de tarde do dia 2 de janeiro, uma segundona, um “modelo” para as mais de 50 aberturas de semana de 2023...

O destino foi a entrada do Arpoador onde, com milhares (sim eu disse milhares, a praia estava lo-ta-da) de turistas, lagarteei ao sol de fim de tarde sentada na mureta aos pés de Tom Jobim.

Não, nada de mar ou areia que é para deixar Iemanjá complementar o incrível trabalho dos garis cariocas, tendo tempo de limpar a carga deixada em seus domínios na noite da virada. Pés na areia e mergulho no mar, aquele primeiro do ano, só depois de uma virada da maré.

Enquanto isso, cedo o espaço aos visitantes que lotam um dos mais lindos cartões postais brasileiros (para ser modesta), me deliciando com o som feito por um músico de rua e seu violão amplificado.

Pôr do Sol no Arpoador 2023

Pode ser que, como acontece a cada verão, o novo ano venha cheio de esperanças e desejos que, nem sempre, se realizam. Pode ser. Mas agora, nesse momento, como grande parte dos brasileiros, mentalizo as melhores vibrações.

Desejo a todas as pessoas de bem e, claro que a você, leitor que me acompanha, apenas que nossos sentidos se abram para receber as energias positivas que emanam dessa incrível passagem de ciclo, promessa de novos desafios e realizações.



*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

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domingo, 26 de junho de 2022

No Tempo


O tempo perguntou pro tempo...

Resposta: [s i l ê n c i o ] só barulho do mar.

Então, o tempo mostrou pro tempo.

A bruma que o tempo traz.

O tempo? Como maresia. Passou.


Vagabinha meteorológica de Valéria del Cueto


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domingo, 8 de maio de 2022

Mangueira carnaval 2022, o desfile de 22 de abril

C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Mangueira carnaval 2022, o desfile de 22 de abril

Que carnaval foi esse? Um perto longe que parecia não ter fim e só acabou no ensaio técnico da Mangueira quando reencontrei o povo da Mangueira. Pensei que não ia chegar nunca o desfile. E fui pra ele sabendo muito pouco do que ia acontecer na avenida.

E gostei do que vi. Reencontrar a alegria dos mangueirenses foi muito bom. Da concentração a dispersão foi uma festa surpresa de amigos queridos passando pelas lentes. E o que você verá é o que deu pra res-guardar para o futuro, quando falarem de Angenor, Laurindo & José, enredo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.

Caí na pista movida a sorrisos, olhares e todo o carinho que recebi de vocês. Espero que o resultado esteja a altura. Nem todas as fotos têm a qualidade técnica que o portfólio de um fotógrafo exige, mas todas fazer parte da rede de afetos que nos envolveu. Obrigado!

C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Para acessar o álbum de fotos no acervo carnevalerio.com no Flickr clique na imagem ou aqui

Também gravei três vídeos da Bateria da Mangueira: da preleção de Mestre Wesley na concentração , da entrada da Bateria no Setor 1, sua ida até o Setor 3 (lá registrei a bossa dos ritmistas da Mangueira se apresentando para o público), o retorno para o primeiro Recuo, o Espaço Jamelão, e pra finalizar, uma pala da saída da Bateria Tem que respeitar meu Tamborim na dispersão.

(C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Agradecimentos a todos os que abriram os caminhos para a realização dos registros do acervo carnevalerio.com nesse estranho e necessário carnaval de 2022.

Mestre Wesley, Evelyn Bastos, Márcio Neto, demais diretores e aos incríveis e insubstituíveis ritmistas da Bateria Tem que Respeitar Meu Tamborim, meus agradecimentos. Assim como ao Diário de Cuiabá, parceiros, Liesa, Riotur...

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no Canal del Cueto, no Youtube de (C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved
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terça-feira, 27 de julho de 2021

Força maior


Texto e foto de Valéria del Cueto

Esse veranico de julho é de lei! Andava com saudades. Danadas. Ano passado praticamente passou batido. Sem a relativa margem de segurança que a vacina e os protocolos proporcionam a ida ao Arpoador para usufruir do combo sol, sal e areia, mar, céu e calor no inverno ficou praticamente inviável.

Ano passado, disse, e sinto que você, leitor das crônicas do Sem Fim, entendeu a sutileza do recado.

Pois é, caderninho no colo, canga colorida, mochila com a alça presa no braço, havaianas viradas de barriguinha pra baixo, que é para não queimar os pezinhos quando for calçá-las na saída, e eis-me aqui. Caneta em punho riscando a folha pautada, texteando no Arpex, Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil.

Mal comparando, o dia de hoje é como a pausa olímpica que encanta nossa rotina, agora nas ondas do fuso horário do Japão, no outro lado do mundo.

Um refresco emocional para quem está vivendo o reality show da pandemia que se desdobra em capítulos e reviravoltas na CPI da Covid, a estrela da política brasileira, que anda levantando a beira do tapete do sempre surpreendente cenário nacional.

É, tipo assim, um respiro em que temos ídolos olímpicos, histórias edificantes e até uma fadinha de verdade que leva a gente em seus voos saltitantes. Logo ali.

Aqui ao lado vejo pranchas sentinelas cujas sombras crescem surfando na areia ao cair do sol. Fotografo a mensagem. Sei lá, né? E não é que deu o não tão midiático Ítalo Ferreira na cabeça?

As férias um dia acabam, em todos os sentidos. Primeiro, voltam as aulas logo depois da próxima frente fria acabar com o refresco do veranico.

Talvez quando você estiver lendo essa crônica, o bicho frio já esteja chegando e pegando. No Sul, já quase é. O corre começou com chuvas lá para as bandas da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Mas pode ser que não... A esperança é a última a dizer “pode ir” a esse calorzinho delicioso. Como eu, ela não quer render-se às promessas de frio intenso, geada e neve!

Pensa num azul quase Caribe.  Um mar não muito pesado ainda se desvestindo da força das ondas pós ressaca. O sacode veio na última passagem de massa polar pelo pedaço, antes do sol se reinstalar para manter a lenda viva do veranico.

Pela ordem dos acontecimentos, todos agendados, após o frio quem retorna é a CPI. Vai embolar a programação com o (con)fuso olímpico!

Tem mais um monte de coisas acontecendo, mas só tenho ouvidos para os sons da praia onde se destacam as ladainhas dos pregoeiros que circulam na areia oferecendo seus produtos. A todos os apelos junta-se mais um item à cantoria. O atrativo é a facilidade do pagamento: “Temos PIX!!!”

Aí, chega aquela hora em que passa no miudinho a ideia que nunca devemos pensar, o que dirá formular. “Que dia lindo, o que pode dar errado?”. Pensei, levei, caro leitor, como sempre. Não, não foi o vento. Poderia entrar gelado, encarneirando o mar, levantando areia anunciando a mudança o tempo.

Foi mais simples e definitivo. Quando a cor começou lentamente a empalidecer e perder aquele excesso que sempre deixa marcas? Adivinhou, curioso? Não foi um céu sendo encoberto, nuvens, bruma ou maresia empalidecendo o azul. O azul desbotou as letras, a tinta da caneta que bordava as palavras.

Se despediu lentamente enquanto a maré subia avisando que era hora de recolher a canga, rumar pra casa e fazer o acabamento no restinho de palavras que falta para arrematar a escrevinhação. Rapidamente. Antes do início de outro amanhecer olímpico em Tokyo 2021. O sol ainda ilumina as pranchas para alunos de surf, o esporte em que somos os primeiros campeões olímpicos.   



*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Carnaval 2020 Lavagem do Sambódromo

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Carnaval 2020 Lavagem do Sambódromo

Os tradicionais ensaios técnicos no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro, não aconteceram para o carnaval de 2020 graças ao atraso nas obras no complexo.

No domingo que antecede o carnaval, dia 16 de fevereiro de 2020, foi realizada a Lavagem da Sapucaí, pelas baianas e representantes do segmentos do carnaval carioca.

Clique na foto para abrir o link da coleção de fotos do álbum Carnaval 2020 Lavagem do Sambódromo do acervo carnevalerio.com




Aos primeiros toques de atabaque, o temporal que já estava se armando desaba na zona central do Rio de Janeiro. A chuva só cessará no início do teste de luz e de som. A Mangueira, campeã do carnaval 2019, foi a única agremiação a fazer um ensaio técnico na Sapucaí.




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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Na paz do Senhor

Na paz do Senhor

Texto e foto de Valéria del Cueto

Eu de novo. Da Pedra do Arpoador. Olhando a orla de Ipanema, Leblon e os contornos da morraria caindo sobre o Atlântico. Coincidência ou não é quase por do sol. Aquele clássico de verão. Aguardado ainda no mar, ao som de aplausos agradecidos.

É o dia seguinte a tragédia de Brumadinho.

Por princípio, como costumo ser (pouco) obediente às ordens médicas, não deveria estar por esses costados. Nada de sol nem muito esforço para ajudar a debelar a inflamação pós canal dentário duplo da última quarta-feira. Um dos dentes se incomodou com o remelexo e me deixou com a cútis esticadinha sobre o inchaço na bochecha.

Nada contra, se não fosse a dor latejante no local que se expande para a cabeça como um todo.
O fim da ladeira foi na sexta. Quando o tédio do isolamento foi quebrado para acompanhar as incríveis notícias vindas de Brumadinho, município a 40 km de Belo Horizonte e sede do espetacular Instituto Inhotim.

Quem não sabia onde fica  Brumadinho certamente passou a saber depois do rompimento de uma de suas barragens, a do Córrego do Feijão, da gigante mundial do aço, a Vale, ex- do Rio Doce.

Quantos milhões de metros cúbicos de rejeitos das minas de minério de ferro desceram vale a baixo, seguindo em direção ao rio Paraopeba, não sei dizer. E não sou a única. Nem onde esse material que insistem dizer que não é toxica, apesar de reconhecerem abrasiva, (como assim?) irá parar seguindo pela bacia do Rio São Francisco.

Também são desencontradas as informações sobre o número de mortos soterrados sob a lama.
Foi por isso que fugi. Deixei de lado as recomendações médicas e estou aqui. Diante dessa paisagem tão maravilhosa que, a cada dia manda um sinal aos seres humanos que a admiram da força e do esplendor da natureza.

Vim firmar por todos os que não sabemos onde estão, nem quantos são.

Vim pedir por suas famílias, amigos e colegas que, no momento, lidam lá nas minas gerais com a dor da perda, o fantasma da ignorância sobre o destino de seus entes queridos e o descaso criminoso dos responsáveis pela falta de um plano eficaz de contingência.

Vim para a Ponta procurando um ponto. De equilíbrio, que me ajude a recuperar a humanidade.
No caminho pela areia observava o entorno mais silenciosos que o normal. Apesar de ser um sábado de verão, em pleno mês de janeiro, tudo pareciam menos. A praia não estava tão cheia, a vibração era menor. A vida um pouco mais parada. Como em respeito ao drama que se desenrolava logo ali.

Quando desci para a areia comecei a procurar a mensagem. A que sempre recebo quando venho em busca de Deus e/ou da natureza.

Claro que ela veio, mas não no por do sol, o momento em que os moradores, banhistas e visitantes aplaudem e agradecem mais um dia.

Não há o que agradecer. Foi entre nuvens que o dia terminou. Não sei o espírito dos que assistiam os últimos raios de sol que se escondia na linha das nuvens, bem acima do horizonte.

O meu foi de recolhimento. Solidariedade e amor pelos que se foram, os que ficaram e aqueles que nunca saberemos onde estão. Que todos se reencontrem. Um dia. Na glória do Senhor...


* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com
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