Mostrando postagens com marcador valerio2023. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador valerio2023. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de dezembro de 2023

O cativeiro social e o direito autoral


O cativeiro social e o direito autoral

Texto e foto de Valéria del Cueto

Desenho florezinhas infantis na página que antecede esse texto no caderninho enquanto penso em por onde começar. Onde vou terminar, só o limite imposto pelo espaço do jornal de (mais ou menos, sempre pra mais) duas laudas, dirá.

Não, não sou eu quem me navego. Aprendi a lição com Paulinho da Viola que aprendeu com seu pai, César Faria. Se tivesse esse poder de me navegar não seria jornalista. Os eventos me procuram, não eu a eles e, como ser social, sou impelida a re/agir aos acontecimentos. Jornalisticamente

Essa escrevinhação era para ser sobre o Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. Data especial no calendário de quem, como eu, vê no ritmo uma avenida de prazeres para os necessitados de poesia e movimento se lançarem no período carnavalesco.

Festejos se espalham pela Cidade Maravilhosa. O Trem do Samba parte da Central do Brasil fazendo a ligação com as comunidades que ao longo dos trilhos consolidaram as características identitárias do povo do samba. A festa deságua em Oswaldo Cruz.

Aqui, na ponta do centro da cidade, desde o dia primeiro de dezembro a Cidade do Samba festeja com mais uma edição de mini desfiles, escolha da corte LGBTQIAPN+, shows com Diogo Nogueira e a roda de samba do Beco do Rato, entre outras atividades programadas pela Rio Carnaval, a Liesa e a Riotur.

Entre as duas noites haverá a abertura da exposição “Corpo Popular”, de Leandro Vieira, com curadoria de Daniela Name, no Paço Imperial.

O carnavalesco campeão ocupa um dos mais nobres espaços culturais cariocas com um triplo carpado (estou com mania dessa imagem, daqui a pouco passa) finalizado com perfeição com os pés plantados no sofisticado universo das artes plásticas.

Lá vamos nós, do acervo carnevalerio.com, com algumas fotos para uma das instalações que ele criou. Quais são? Onde estão? Quem procura, acha. Mas vai ter que procurar bastante. Só dou uma dica: parte das imagens selecionadas é daquela por quem #meuamornuncatemfim, a Bateria da Mangueira.

Esse era meu rumo, esse era meu prumo, até a inaceitável abordagem no aeroporto de Brasília ao Cisne da Passarela, a porta-bandeira Vilma Nascimento, revistada em público numa loja do saguão.

Estava ruim? Pois é, como o mar não tem cabelo, pode piorar. Numa postagem nas redes sociais vi uma foto de Vilma, de punhos cerrados, na Sapucaí. Como reconhecê-la entre tantas? Pelo fato que gerou o registro feito no Desfile das Campeãs do carnaval de 2018.

https://www.flickr.com/photos/delcueto/albums/72157695035591631

A escola de samba Paraíso do Tuiuti deu um sacode na Sapucaí com seu enredo e alcançou sua melhor posição no Grupo Especial, o vice-campeonato.  Vilma fazia o gesto com as mãos fechadas no refrão: “Meus Deus, meu Deus, se eu chorar não leve a mal. Pela luz do candeeiro, liberte o cativeiro social”. Vi a primeira vez fora do enquadramento e a acompanhei na pista até que o refrão se repetisse.

E lá estava a imagem nas redes sociais postada pela Anistia Internacional Brasil com o crédito: “reprodução”.

Sim, o carnaval está chegando. Época em que, paradoxalmente, evito as redes onde tenho que ficar brigando por algo que deveria ser óbvio: o direito autoral das imagens do acervo carnevalerio.com, protegidas pela lei 9610/1998.

Pelo “X” pedi que entrassem em contato. O que aconteceu rapidamente. Expliquei que a foto havia sido, inclusive, cortada. Dava pra ver a beira da marca d´água do lado direito. A gentil assessora esclareceu que havia sido capturada na rede, já sem o crédito.

Fui atrás e lá estava ela, publicada pela Veja Rio, na coluna de Bruno Chateaubriand com a marca d 'água e o incrível crédito: “divulgação/divulgação”. Depois de algumas retuitadas o colunista entrou em contato e explicou que a foto chegou com um release sobre a honraria que Vilma recebeu dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Ele também foi gentil, diligente e está sendo muito correto para sanar o uso indevido.

O que chamou minha atenção e demandou a mudança de rumo do meu barco/crônica foi o fato de que, em ambos os casos a responsabilidade pela inserção do material de forma irregular foi creditada a terceiros quando, na realidade, cabe ao editor/responsável pela publicação do material checar a fonte da foto, assim como a das informações veiculadas. Esse é o papel do jornalista. Checar informações. 

A questão do direito autoral é muito séria, envolve interesses conflitantes  e está no foco de discussões nas câmaras parlamentares nacionais e internacionais. Se informe, é o que peço.

É visível e, no meu caso, sentido na pele, o enorme desconhecimento sobre o tema que mudou o rumo da minha prosa para registrar um dos muitos casos que se repetem e multiplicam a cada temporada carnavalesca.

Essa, que não poderia deixar começar com uma saudação especial. Salve o Dia Nacional do Samba! Os sinais indicam que o tempo da folia está chegando.

Evoé, Momo!

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É Carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

https://youtu.be/1Md4JrXpkbY?si=M4mozY_cZXpJnyfH 

Studio na Colab55

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Fadiga cognitiva


Fadiga cognitiva

Texto e foto de Valéria del Cueto

Querida cronista enclausurada do outro lado do túnel. Pela fresta do raio de luar que atravessa a janela de sua cela (ainda) trago notícias do lado de cá. O que deveria ser o escape, pra variar, está em guerra. Mais uma. Eu, que não sou marciano, mas também não sou humano, é quem falo aqui da Terra. Testemunho in lo(u)co o desvario que domina o planeta de onde, sinceramente, gostaria de pirulitar.

Tento dourar a pílula, mas não tem como. Se a coisa já andava ruim por aqui, periclitando ensandecida entre a intolerância costumeira generalizada e o fundamentalismo fanático opinativo, de uma semana e pouco para cá degringolou de vez.

Tá bom, não vou fazer suspense para coloca-la a par dos novos capítulos da saga humana que, parece, estreia uma nova temporada. Pensando bem, talvez, nem tanto assim...

Acontece que, não satisfeitos com os sérios eventos climáticos que pipocam por toda a superfície do planeta (fruto, entre outros fatores, do manejo inadequado de suas reservas naturais, colocadas à disposição da senha dos “ousados”, ávidos e insaciáveis seres humanos), tão pouco preocupados com o excesso de conflitos existentes em vários continentes que afetam a vida das comunidades, especialmente as mais vulneráveis, os habitantes da terra, no caso a prometida, conseguiram extrapolar, mais uma vez, sua capacidade de testar os extremos civilizatórios.

Alguns analistas já previam que países africanos, por exemplo, estavam em pé de guerra. E que estas (várias) arrastariam o mundo que deixou pra trás a pandemia de covid-19 e já se engalfinhava em batalhas sangrentas entre a Rússia e a Ucrânia.

Está acompanhando o raciocínio de Pluct, Plact, seu correspondente extraterreste, cara cronista? Pois é, assim caminhava a (des)humanidade até o sábado, 7 de outubro, do septuagésimo quinto ano de criação do Estado de Israel.

Foi aí que o Hamas driblou o Domo de Ferro, até então o invulnerável sistema de defesa aéreo israelense. Com um trator velho rompeu um trecho da cerca que separa da Faixa de Gaza e, invadindo uma desavisada megapotência no Oriente Médio barbarizou geral, tocando horror em Israel. Estou sendo genérico, se é que isso é possível. Entre centenas de mortos e reféns recolhidos ao território palestino, o que faz o líder atacado que dormiu no ponto e não viu uma marola sequer de preparação das hordas do Hamas e do Hezbollah em seus movimentos coordenados?

Retalia com violência proporcional e, dobrando a aposta, decreta um barata voa para todos os moradores do norte de Gaza. A ordem é para rumarem para o sul, em direção a fronteira egípcia que, ressalte-se, está fechada para refugiados. Inclusive, até outro dia, para cidadãos de outros países, como o Brasil, que estavam na Palestina.

Deu pra ter uma noção geográfica desse mapa da mina explosivo? Então, querida mentora, embaralha tudo com uma overdose de notícias falsas pra tocar fogo no parquinho da geopolítica mundial.

Só penso no tempo em que, graças as suas indicações, mergulhei na história das civilizações(?) tentando entender o que move a ganância humana. Sem esses indicadores e parâmetros não teria argumentos para tentar explicar essa capacidade inerente de autodestruição civilizatória dos habitantes do planeta a meus superiores interplanetários. Maias, astecas, egípcios, gregos, romanos...

Pra que metermos a mão nessa cumbuca? (Imagina euzinho explicando o significado da expressão pra eles.) É só deixar nas mãos dos representantes dos deuses em conflito que a humanidade autofagicamente se depura. Mesmo sabendo que seus atos de barbárie levarão a todos diretamente ao inferno das atrocidades, o que mais se escuta dos líderes mundiais é um brado retumbante e covarde: “eu autorizo”.

As consequências são imprevisíveis porque não há como imaginar os horrores que serão entregues à humanidade ao vivo e a cores, especialmente pelas redes sociais.

Sinto muito, querida amiga, se não tenho nenhuma dose de otimismo e esperança a lhe oferecer aqui de fora.

Meu conselho? Para evitar esse cansaço de pensar que me habita, fique onde está. Foque sua mente na monotonia das paredes nuas da sua cela.

Daí, desloque-se em sua fértil imaginação pelo maravilhoso mundo que conheceu e fez questão de me apresentar antes que essa fadiga cognitiva humana se apoderasse por osmose do seu aventureiro amigo intergaláctico.

E lembre-se: o que é seu está guardado em outra esfera sideral!  

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com




Studio na Colab55

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Pamploneado pra carnavalizar

Pamploneando pra carnavalizar

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Estou querendo falar de Fernando Pamplona mas não sei o dia, nem sei a hora, nossa senhora! Sei onde quero chegar, onde quero passar, mas não como começar. Onde o conheci? Sei lá.

Sei que o que me atraiu na adolescência para as aulas de inglês do curso Lancaster que ficava em cima do teatro Santa Rosa, na Visconde de Pirajá (depois o espaço virou a mítica discoteca New York City), foi saber que o dono do curso, meu professor Frederico, era irmão daquele que, pra mim, já era lenda. Por aí dá pra ter uma ideia do encantamento que sinto desde sempre pelo mundo do carnaval pamplonistico.

Foi esse chamado que me levou anos depois, quando cursava Gestão de Eventos e Festas Carnavalescas, na Estácio de Sá, a um seminário organizado na FINEP, (agência pública Financiadora de Estudos e Projetos). Nele, o jornalista Fábio Fabato mediou um bate papo, em 2012, com craques como as carnavalescas Rosa Magalhães, Maria Augusta, o compositor Geraldinho Carneiro, Milton Cunha e Aydano André.

“Joãzinho Trinta, o rei mendigo do carnaval”, colocou Fernando Pamplona e os demais convidados num palco com um piano mergulhado numa luz azulada ao fundo. Lembro que estava com uma câmera compacta e não tinha pedido permissão para fotografar.

Pelos registros, (depois comprovei no texto do álbum do acervo carnevalerio.com), deduzo que fiz as fotos de onde estava sentada na plateia. Via as expressões do carnavalesco emoldurado pelo piano que ele não via. Foi esse quadro que me instigou, chamou minha atenção. “É só reparar nas linhas da tampa do instrumento. Combinavam com as posições de Pamplona apontando ou gesticulando...”, brinquei na ocasião fazendo as fotos e observo agora, novamente, olhando as imagens e contando pra você, leitor.

Esse é só o começo da história que continua quando Fabato, um ano após, edita “O Encarnado e o Branco”, a autobiografia de Fernando Pamplona, e escolhe justamente uma das fotos feitas na FINEP para apresentar o autor na contracapa. 



Voltei a cruzar com eles no lançamento do livro, numa festa salgueirense inesquecível no bar do Ernesto, na Lapa. Para essa fui preparada e em vez do piano silencioso ao fundo o estímulo foi uma ruidosa batucada. Nesse registro carnevalerio.com o que não faltou foi movimento...



O acreano inquieto que transformou o carnaval e sua narrativa com seus enredos e comentários, primeiro na TVE e, depois, na Rede Manchete, partiu em 2013 e voltou em espírito à Sapucaí no enredo da São Clemente “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi!”, pelas mãos de Rosa Magalhães, em 2015. Chorei no alto da torre ao vê-lo passar sorridente se despedindo entre anjinhos no último carro da escola.

Pula para 2023. Foi quando soube por Tiago Ribeiro, editor da revista do 18º Prêmio Plumas e Paetês, distribuído para os artesãos da folia, que o homenageado da edição seria quem? E lá estão novamente na publicação as imagens que celebram o mestre, distribuídas no mundo do carnaval. (Parênteses para informar que Tiago é autor de “Uma Cidade Arquitetada na Fé”, livro sobre a história do Rio e sua relação com as igrejas católicas, na minha lista de desejos).

Missão cumprida? Ainda não. Faltava uma história, um resgate. Esse, ligado diretamente a Cuiabá, capital de Mato Grosso.

Em janeiro de 1992 assumi a direção de jornalismo da TV Rondon a convite do querido Nelson Réu. Primeiro projeto? Um programa sobre o carnaval cuiabano. Diário. Ao vivo. Durante o mês que antecedia os festejos. Uma loucura. Meire Pedroso na reportagem, Henry Falbo na edição, acho que Rafael de câmera. Fazia as entrevistas de estúdio ao vivo e apresentava a “atração”. Se não me engano, o tema musical era de Roberto Lucialdo. E montamos um pequeno banco de reportagens com histórias carnavalescas cuiabanas. Lembro de ter entrevistado, por exemplo, D. Adelina, mãe de Chico Amorim, esse mesmo.

Segundo projeto: a “transmissão” gravada dos desfiles cuiabanos. Junto com as reportagens, serviram de inserts na programação da Manchete de 1992, um carnaval de mais de 80 horas interruptas. A intenção de interiorizar as imagens da festa era mais um pulo do gato de Pamplona que, infelizmente, naquele ano não estava entre os comentaristas. E lá estava a TV Rondon, mandando ver para o Brasil todo no “Carnaval Campeão”, deixa da emissora. Coube a Pamplona valorizar não apenas o carnaval carioca mas, também, o dos Brasis profundos.

A TV Manchete fechou anos depois, em 1999. Na sua grade de despedida havia um especial sobre saúde repetido várias vezes nas derradeiras transmissões. Numa das matérias mostravam imagens da primeira escola de samba que abordou o HIV e, quebrando tabus, falou da AIDS no país. Era de Cuiabá! Foram registradas para a grande aventura da equipe do mestre Pamplona que apresentava e exigia passagem às manifestações populares brasileiras carnavalescas ali, no horário nobre da folia para o país inteiro.



PS1: Não consegui apurar que escola incluiu o HIV no seu enredo. Estrela do Oriente, talvez o Acadêmicos do Pedroca? Conto com a ajuda dos amantes do carnaval cuiabano para dar o crédito correto.  

PS2: Fazia tempo que queria desenrolar essa história, mas ia enrolando. Até que, numa outra missão, Fabio Fabato me “assombrou” numa imagem de 2022 pra me lembrar de fazer o registro. Olha ele aí...



*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É Carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Mundo e meio


Mundo e meio

Texto e foto de Valéria del Cueto

Perdão aos fiéis leitores pela ausência prolongada. Quase pulei a escrevinhação de novo. Acontece que estou de muda e quem me acompanha sabe das preferências que cultivo para desenhar em palavras as imagens que descrevo nessa série das crônicas.

Sim, faltam elementos quase essenciais nesse momento. A praia e o barulho do mar. Sem eles, sabe o que me estimulou e empurrou para o inevitável caderninho? Um momento clássico que já inspirou o início de vários textos. “Hoje é sexta-feira, meio da tarde e estou no sol...” e por aí vai. É um chamado praticamente irresistível, pelo menos pra mim!

Então, pergunte amigo, o que faltava para impedir essa longa ausência? E respondo: Ele, o sempre requisitado caderninho.

Acontece que em diversas idas e vindas para o meio do mundo, onde não tem praia, o objeto essencial e do qual sou dependente e carente havia ficado pra trás, esquecido na bancada do quarto, em Copacabana.

Sim, já escrevi crônicas diretamente no computador em algumas viagens. Só que... não é a mesma coisa. Gosto de desenhar as letras, caligrafando as imagens nas frases enquanto a caneta corre desembestadamente veloz atrás dos pensamentos que tento amarrar no papel.

Papel, entendeu?

Aceitei a ausência do hábito de escrevinhar até conseguir me adequar a nova paisagem. Canga? Tem. Mas não na areia. Num deck de ripinhas torturantes se estiver na posição errada. Que o digam os ossinhos do meu tornozelo magrelo.

Natureza? Também tem. E com uma vantagem. Em vez dela dominar 180 graus da cena como na praia (onde a outra metade é dominada pelos prédios da orla), aqui, a mãe Terra me acolhe em 360 graus de verde e exuberância.

Em vez do chacoalhar das ondas vejo o vento balançando árvores e-nor-mes e a amoreira (que outro dia estava pelada) e já começa a frutificar depois da florada.


A primeira leva de jaboticabas já se foi devorada pelos passarinhos (com minha ajuda), ou derrubada na última ventania. Comi lembrando do pé inesgotável do jardim da fada Louriza, na Chapada dos Guimarães.

O barulho do mar, esse não tem. Foi substituído pelo som da queda d’água desviada do rio. Ela abastece a piscina de água natural e jorra copiosamente. É uma delicia de massagem. Geladona! Só que hoje é tarde de sexta-feira e, apesar de ser inverno e agosto, o sol está de rachar. Sim, vai rolar um mergulho quando dispensar você junto com o caderninho, amigo.

Estou quase lá. Chego depois de deixar de lado a gêmea incutida de Manoel de Barros, o poeta mato-grossense das miudezas e delicadezas que me habita e protege das notícias do mundo louco que rola desgovernado logo ali.

Por enquanto me limito a observar o entrono exuberante que me cerca enquanto literal e praticamente bebo dessa fonte de água natural.

Não sei você. Mas, no meu caso, foi esse distanciamento silencioso e voluntário que ganhei de presente para ultrapassar os dias turbulentos que vivemos.

Quer saber onde estou? Não conto. Aqui parece um sonho e tenho a impressão de que se contar vou acordar. Me lembro dele, Luizinho Soares, e um de seus ditos preferidos: “Quanto menos conversa, nenhuma”. Então, guardo segredo (não sei até quando) pra não quebrar o encanto. Me divirto no difícil desfio de não entregar o ouro. Nem a você, leitor amigo, nem aos bandidos que pululam por aí, prontos pra darem o bote e acabarem com paraísos que nunca os abrigarão.

Afinal, eles, os paraísos, são feitos apenas para quem, como você e eu, fazemos por merecê-los!

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Essa crônica faz parte da série “Não sei onde enquadrar”, do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Perda total

Perda total

Texto e foto de Valéria del Cueto

Cronista, cronista... O mundo voando baixo desgovernado e eu rezingando pra contar as novidades. Me sinto TÃO humano, tão pouco extraterrestre. É que os fatos estão atropelando o tempo que corre cada vez mais. Sem dar conta de abarcar os acontecimentos.

O que me faz pensar na vida mansa dos escribas do antigo Egito, por exemplo, em comparação com a tarefa insana dos que têm que registrar as efemérides (palavra antiga, mas cheia de conteúdo, que não perde a importância) atuais. Piscou? Já mudou ou perdeu o significado. Não a palavra, mas os eventos. É como se o ser humano estivesse num redemoinho em direção ao fundo de um espiral cada vez mais apertado e veloz. Lascou, né?

É nesse mundo, do qual você voluntariamente se isolou, que sigo pluctaplacteando pra cima e pra baixo sem conseguir romper essa camada estratosférica e seguir viagem. Agora, então... Cheguei à conclusão que me querem aqui. Nada explica essa falha persistente em minha nave. Já tentei, inclusive, o auxílio da queridinha do momento, a AI, Inteligência Artificial. Ai, ai, Iaiá. Ainda não tem AI pra tudo.

Como todo bom ser humano, as Ais disputam uma corrida insana para o aprimoramento de suas “inteligências”. Agora, o Bard do Google chega ao Brasil e a UE, União Europeia. Pra lhe informar, Elon Musk, dos carros voadores, das viagens espaciais, da incrível desconstrução do bom e velho twitter (que você usou desde 2008, quando ainda se socializava com esse planeta), o que chamou Zuckerberg para a porrada, como contei na última cartinha, vem com sua Xai, quer dizer xAI. Tão Eike Batista com seus Xs. Aquele que, entre outras façanhas, repaginou o lindíssimo Hotel Serrador (SQN)

Opa! Você sabe o que é SQN (Só Que Não)? Pergunto por constatar que fazem quase 10 anos (eu disse 10 anos!) que nos comunicamos pela primeira vez. Tanta coisa mudou de lá pra cá querida cronista que tão bem me recebeu quando comecei a pipocar nesse planeta. Tem até quem ache que o mundo começou um pouco antes disso!

Enquanto parte dos humanos navega por mares das redes sociais, compara e alimenta as Ais, sem entender o alcance das ferramentas, (como a do bilionário que quer “entender a verdadeira natureza do universo”) e, para isso, gasta fortunas incalculáveis, o planeta agoniza. Ciclones varrem continentes, o calor assola o hemisfério norte e por aí vai. As guerras? Aos montes. Há, inclusive, a “ameaça” de deflagração da terceira mundial. É justamente ela, a natureza mencionada agora a pouco que manda alertas que, parece, não surtam efeitos práticos.

Além das atrocidades humanas cada vez mais bárbaras, já que instrumentalizadas com requintes de covardia, é a vez do mundo animal, especialmente os marinhos, se manifestarem e intrigarem os humanos. São as orcas que atacam barcos pesqueiros. Será por que, cara cronista, perguntam os cientistas? Tem gente esperando que as Ais respondam...

Tirei um sorriso do seu rosto, não é, amiga?

Vou tirar outro quando contar que vem do seu amado Mato Grosso a nova modalidade de estupidez legislativa. Um personagem patético que os votos dos eleitores da capital do estado de políticos como Dante de Oliveira (sempre lembrado por sua emenda das Diretas Já que mobilizou o país pelo fim da ditadura), quase levou à prefeitura de Cuiabá há 3 anos atrás.

Cronista, devia ter sido eleito. Sua performance escalafobética estaria restrita ao âmbito municipal e seria uma confirmação do ditado que diz: “quem pariu Mateus que o embale”. Como não ganhou em 2020, eleito deputado federal, assombra as sessões legislativas federais.

Usa, entre outros artifícios, o bordão do professor Enéas, repetindo em suas lacrações, quer dizer, gravações, a abertura “meu nome é Abílio”. Feio, cronista, muito feio seu papel e dos marqueteiros que chuparam o mote. Há uma diferença primordial entre os dois personagens. Um era inteligente, um cientista. A cópia fake, para não usar adjetivos degradantes, é, no mínimo, tosca. Tosca mesmo. Sem pudores ou vergonha.

A única esperança para quem acompanha os trabalhos legislativos federais é que a triste figura se lance novamente candidato a prefeito de Cuiabá. Se ganhar o pleito livra Brasília e o Congresso de sua presença inconveniente, vergonhosa e nada propositiva. Mato Grosso jogou fora a chance de contribuir com o aprimoramento do sistema democrático brasileiro ao eleger como um de seus representantes uma caricatura de maus modos.

Não há AI capaz (ainda) de tal feito. Foram os eleitores mato-grossenses mesmo...   

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

 

Studio na Colab55

segunda-feira, 5 de junho de 2023

De onde sou cria


De onde sou cria

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Vim pelo caminho escrevendo o texto em pensamento enquanto observava os desenhos dos raios de sol de outono entre as árvores enormes do caminho pra Ponta do Arpoador. Queria ver o nascer da lua cheia de junho da Praia do Diabo, à direita do continente, para os lados do litoral norte. O plano estava feito. Como sempre, para variar, algo mudou o rumo da escrita.

Acontece que estou impregnada do meu amor primeiro, apesar de traído várias vezes, o Leme. É a ele que o olhar se volta assim que chego perto da guarita da pedra, na divisa do Forte de Copacabana. Uma mureta e um aramado impedem a passagem guardada por um soldado vigilante. Pergunto se sabe onde nascerá a lua. Diz que não com cara de quem não entende muito de coisas de lua. Natural, espacial nem exotérica. Aviso que é muito sortudo apesar do friozinho. Do ponto em que está de sentinela verá um lindo anoitecer.

A lua subirá cedo, às 17:42. Enquanto escrevo ergo o olhar e observo o céu azul sem nuvens. Só com a barra de poluição sendo colorizada em tons rosados no lusco-fusco. Observo a quantidade de pinguins, os turistas, que esperam o sol cair para aplaudi-lo em Ipanema. Que contraluz. Tudo lindo!

Acho que expandi a sensibilidade visual ontem no Leme.  Fazia tempo que não ia ao meu paraíso perdido. Achava que seria uma passagem rápida só pra acarinhar, como sempre, a Pedra do Leme do Caminho dos Pescadores. O tempo andou manhoso, birrento, cheio de crises de choro. O mar pesadão sempre em tons de chumbo refletindo o céu cinzento e nublado que trazia as chuvaradas. Não esperava nada do passeio, só que...

Quando cheguei na subida do Caminho dos Pescadores, já na estátua de Clarice Lispector e seu cachorro sentada na mureta, vi que o passeio ia dar liga. A primeira imagem pulou da câmera quando um outro cão se chegou na poetisa enquanto seu dono estava sentado ao lado. O fundo era aquele visual de Copacabana inteira. Cortei o dono (que me perdoe) e esperei um tempo até o Totó olhar para os mistérios de Clarice.

Continuei para o Caminho em busca do ponto em que entre pichações, grafites variados e, hoje, uma bike camuflada. Me agarro nela, a pedra, para saudá-la. Imagine a cena, caro eleitor. De costas à beleza estonteante, mãos e corpo grudados ao monólito como uma lagartixa, conversando com os meus e os visitantes passando de um lado pro outro. O ritual não é demorado. É o tempo uma saudação, um Pai Nosso, aquecer a alma e deixá-la ser embalada pelo som das ondas e marolas do vai-e-vem do mar no costão do Leme. Estou em casa.

Camufladas. Ela, que não é minha, e eu.


Depois de impregnada da força da pedra é só fazer um giro de 180 graus e abrir, aí sim, a visão para a força estonteante do cenário que se descortina de lá. Imagino caravelas em tempos antigos acompanhando o deslizar de um veleiro.

Pode ser que essa beleza não provoque nenhum efeito em outras pessoas. Em mim é um sopro de vida, numa ressuscitação boca-a-boca. Audição e visão expandidas à grandiosidade da paisagem. Minha reação é baixar os olhos para o local que produz o som inconstante que hipnotiza e, achava, estaria turvo, agitado. Aí, vem o que fez mudar o rumo do registro aqui no caderninho. O primeiro ponto é a cor da água. O segundo, sua limpidez azul esverdeada. Está bom? No sobe e desce da maré da lua cheia (olha ela) deu para sentir a sedução?

Enquanto me entregava ao ritmo calmo do mar, vi a dupla passeando. Duas tartarugas brincavam no play aquático natural do costão entre cardumes. O tempo parou para nadar com eles e eu engatei nas imagens. Ô sina. Sabe aquele compromisso? Perdi a hora.

E agora, para finalizar porque o espaço está acabando, vou ali correndo! Se escrever mais as “tugas” (estou íntima) também me fazem perder a lua cheia do mês de junho que está nascendo. Onde? Para o lado de onde sou cria. Do Leme... #saiodoLememasoLemenaosaidemim

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto  das séries “Arpoador e Ponta do Leme” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

terça-feira, 23 de maio de 2023

Onde isso vai dar?


  Onde isso vai dar?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Diz aí, cara cronista. Nem demorei tanto assim para voltar a dar o ar da graça. Reconheça meu empenho, amiga enclausurada voluntariamente do outro lado do túnel. A velocidade dos fatos aqui fora parece amplificada! Então tive que me esforçar, entre as diversas fontes de observação que ando tentando acompanhar, para mantê-la atualizada sobre os surpreendentes acontecimentos que se sucedem e/ou se atropelam.

Vou começar pelos avanços galopantes da AI, a Inteligência Artificial. Galopantes não. O adjetivo é antigo e insuficiente para descrever a evolução incontrolável dos arrojados avanços nesse vasto e inexplorado campo. Podem provocar um upgrade em vários setores científicos? Sim. Mas a que preço? Os alertas continuam chegando de especialistas, cientistas e autoridades sem que nada interrompa a corrida insaciável dos (ir)responsáveis pelo pulo mal calculado e sem paraquedas no precipício da novidade tecnológica.

Já não é possível separar o joio do trigo: o que é real do conteúdo produzido pelo Frankenstein do terceiro milênio. Sim, traço esse paralelo açambarcando os principais elementos do que é conhecido como o primeiro livro de ficção científica, de Mary Shelley, publicado em 1818. Exatamente ele, o “Prometeu Moderno”, a que você me apresentou   anos atrás. A proposta é criar um “regulador” e “carimbar” o que é AI para diferenciá-la do que é real... Tarde demais, querida cronista. O monstro pensa, sente e... vai reagir!

Recolhida e isolada você está imune aos controles sutilmente impostos por sugestões como “Tbt é na quinta”, “poste momentos felizes do mês tal” e outros estímulos que induzem os humanos a obedecerem a comandos e que alimentam os imensuráveis bancos de dados que estão suprindo a nova etapa tecnológica. No momento, a base de informações é a internet inteira.

Cronista, quando escrevo essas impressões me sinto como o roteirista de um filme de ficção. Algo como as aventuras de John O’Connor, do Exterminador do Futuro, Blade Runner ou Matrix. Pois então, fique sabendo que são justamente eles, os roteiristas da indústria cinematográfica americana, que acabam de entrar em greve (o que não acontecia desde 2007). Um dos motivos? A ameaça da AI! Sean Penn apoiou o movimento em sua coletiva no Festival de Cannes, 2023.

O mundo real está uma irresponsabilidade só. Nele, por exemplo, o brado racista de uma torcida ecoou num estádio para um único jogador do Real Madri, Vini Jr., seu conhecido. O ofensivo termo “mono” numa partida no campo do Valencia retumbou mundo a fora. Enquanto o universo esportivo (ou parte dele) se revoltou, teve quem jogasse a culpa na vítima pela ação indefensável.

Nada que esse extraterrestre (carinhosamente apelidado de Pluct Plact pela amiga) que permanece por aqui não tenha visto nos arquivos acumulados aqui na nave, essa que não consegue partir dessa atmosfera tóxica.

Não está fácil! O que não me estimula a incentivar sua volta ao convívio com essa humanidade, no mínimo, exacerbada. Isso apesar de possuir, nesse momento, um argumento capaz de provocar um “choque térmico” no seu pit stop. Acontece que temos em curso uma briga das boas, tipo do rochedo com o mar, como você diria.

De um lado, a toda poderosa Petrobrás e o Ministério de Minas e Energia. Do outro, O IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente, capitaneado por Marina Silva. A companhia quer pesquisar a possibilidade de prospecção de petróleo lá para os lados do Amapá, na foz do Amazonas. O Instituto negou a licença. Todo mundo quer dar palpites.  O pior argumento é de que nunca deu ruim para os lados da Petrobrás. Também não tinha dado pros lados da Vale. E Brumadinho está aí. Está parecendo mais um caso em que o marisco vai dançar. Vamos aguardar para ver em que esse Belo Monte vai dar...

PS: Te mando um cartão postal desse lado do túnel. É uma imagem real. Nela, no horizonte carioca se acumulam milhares de lindas nuvens coloridas. O problema é quando elas se juntam. Onde isso vai dar?

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto  da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Studio na Colab55

terça-feira, 2 de maio de 2023

Já combinaram?



Já combinaram?

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Eis-me aqui, querida cronista, sem nenhuma justificativa no estoque para validar a ausência além do objetivo de corroborar, caso mantivesse a correspondência de forma regular entre nós, sua firme intenção de permanecer no seu retiro voluntário, aí na confortável cela do outro lado do túnel, isolada desse mundo louco e tóxico.

Como você sabe, ultrapassamos mais um período de apogeu na história da humanidade. O mundo segue numa descida cavada em direção ao fundo do poço civilizatório. Digo ultrapassamos porque, diante de minha incapacidade de romper a bolha da camada de ozônio, passei a fazer compor, se não diretamente, como extraterrestre observador inserido na distopia humana.

São justamente as bolhas que impedem o correto desenvolvimento da espécie. Nesse momento, ao contrário das correlatas as de sabão, elas não se dissolvem, nem se misturam, após explodirem diluídas no composto saponáceo que as fazem belas, inquietas, coloridas e efêmeras.

Seu amigo Pluct Plact fala, cronista, de bolhas resistentes, fundidas temperadas no ódio, cimentadas com o rígido concreto da intolerância. Quando se rompem, explode a violência, a brutalidade.

Tudo que esse mundão não precisa nesse, ou em qualquer momento. A guerra na Ucrânia prossegue implacável. Do Sudão conflagrado nações retiram seus representantes diplomáticos e cidadãos. Dois de muitos exemplos de conflitos.

Por aqui, o “eles contra nós” corrói as instituições com manifestações explicitas de egocentrismo e idolatria cega cujos objetivos, já sabemos, causarão danos colaterais à maioria da população que elegeu seus representantes para conduzirem os destinos do país.

Cronista, é só umbigo. Tudo funciona em torno dele. Os verdadeiros interesses populares são como peões num tabuleiro de xadrez, prontos para serem sacrificados em prol de interesses defendidos por grandes lobbies.

O todo não é tudo! Aliás, é nada...

Os juros mensais estão em 13,75%, a maior taxa de juros reais do mundo! 77,9% de brasileiros estão endividados, são escravos do fantasma da inadimplência.

Há, querida cronista, uma nova forma de domínio. A inteligência artificial comanda e substitui os humanos em diversos e cada vez mais variados campos. Um número exponencial de empregos e funções deixam de existir com o avanço da tecnologia.

Você já viu esse filme. A realidade ultrapassou a ficção que não serviu de alerta efetivo. A humanidade já se atirou no precipício de um (ou vários) projeto(s) de domínio da inteligência artificial.

Houve uma tentativa de interromper o processo. Cientistas e lideranças das big techs do mundo todo pediram uma pausa de (pasme) 6 meses para estudarem o impacto do pulo no escuro irreversível que foi dado e tentarem uma regulamentação do processo. Não funcionou. Os mesmos que assinaram o manifesto continuaram mimando suas “filhotas” que, claro, ignoraram solenemente as intenções de seus criadores e seguiram impávidas alimentando seus quase incomensuráveis bancos de dados.

Termino essa missiva que seguirá até você pelo raio de luar que invade sua cela para, mais uma vez, agradecer nossas conversas. Uma delas me permite mal comparar esses eventos com a sabedoria do gênio do futebol chamado Garrincha. O craque, em sua estreia na Seleção Brasileira, na preleção do técnico Feola no jogo contra a União Soviética, depois das instruções de como “driblar” o esquema tático do adversário, perguntaria: “Já combinou com a Inteligência Artificial?

PS: Antes que me esqueça, sem querer zoar com você (uma atitude tão humana que faz parte do ritual), o time de Mané derrotou o seu Flamengo por 3X2. Apesar de contar com um jogador a menos. Pensa num amigo querido feliz! Ele mesmo, o Magnífico Gabriel Novis Neves...

Falei e corri, quer dizer, voei.    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto  da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

 

https://youtu.be/na8CUEyUj2w link preleção Fiola.

Studio na Colab55

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Paraíso Imperdível

Paraíso imperdível

Texto e fotos de Valéria del Cueto

E lá se vai, mais uma vez, a frágil tranquilidade da Ponta do Arpoador. Depois do carnaval, o fim do verão e a passagem de transatlânticos tardios ficou uma brecha bem estreita antes do fim da quaresma e do feriado da Semana Santa.

Resumindo: quem avisa, amigo é. E o mar mandou seu recado para os próximos dias. Engoliu a faixa de areia do Arpoador, especialmente no cotovelo do paredão no encontro de Ipanema, ali pela altura da estátua do Tom Jobim. Só ficou parede e pedra.

Sabedora da densidade demográfica superpopulosa da próxima sexta, em pleno feriado, acomodei a agenda e antecipei a visita e a crônica da vez para o meio da semana. Pra que disputar espaço na areia com os visitantes, caso o sol resolva firmar no feriadão da semana santa?

É numa tarde ensolarada, cheia de surfistas disputando espaço nas ondas ainda altas e quase perfeitas por causa da ressaca que, como faço (há quantos anos não sei dizer) me conecto com o centro geodésico da América do Sul para celebrar, mais uma vez, mesmo que a distância, o aniversário da minha querida Cuiabá.

Sempre foi uma data festiva pra mim. Quando cheguei aí porque fazia questão de trabalhar no dia 8 de abril e seguir, como repórter, uma parte da programação. A outra, fazia eu mesmo. Comer Bolo de Arroz da dona Eulália, filar um peixe numa casa bem cuiabana...

Fiquei aqui pensando no dinamismo da metrópole que ocupa a margem do rio que dá nome a Capital de Mato Grosso. Em como tudo passa rápido e pouco fica gravado na memória de seus habitantes.

Por isso, escolhi o meu presente desse ano para os 304 anos do aniversário de Cuiabá no baú das lembranças. Tirei dele o registro de que há 10 carnavais, em 2013, antes do evento da Copa do Mundo no Brasil, a então Cidade Verde (outra recordação) era uma das estrelas no carnaval carioca. Foi em fevereiro de 20213 que a homenagem da comunidade da Mangueira embarcou no sonhado trem cuiabano a Estação Primeira e cruzou a pista do Sambódromo da Marquês de Sapucaí levando Cuiabá para o mundo até a Apoteose de Oscar Niemeyer.


Clique AQUI para acessar o álbum Mangueira carnaval 2013 no Flickr


Com o enredo do carnavalesco Cid Carvalho “Cuiabá, um Paraíso no Centro da América” a verde e rosa levou o disputado prêmio Estandarte de Ouro de Melhor Escola de Samba e mais: Porta-bandeira (Marcella Alves), Revelação (com Matheus Olivério, então 3 mestre-sala e, hoje, o titular do casal que conduz o pavilhão da Estação Primeira) e da Ala da Baianas...

A escola, depois da paradona da bateria no ano anterior, literalmente dobrou a aposta e levou duas baterias para a Sapucaí, feito inédito nos desfiles, mais uma ousadia de seu presidente, Ivo Meirelles.

Décimos preciosos foram perdidos, o que prejudicou a posição final na disputa oficial, justamente no último carro, o da Copa do Mundo, inspirado em obras do artista plástico João Sebastião. Ele também assinou as camisas de diretores, coordenadores e apoios da escola.

Aconteceu um causo beeeem cuiabano na perda da pontuação que deixou à Mangueira o oitavo lugar em 2013. É que uma borboleta, parte da última alegoria controlada por fios, se rebelou e, diante da festa ma-ra-vi-lho-sa que via embaixo de suas asas inquietas, resolveu não sair da pista! Para tanto se agarrou na torre de transmissão de imagens da Tv. Justamente em frente ao último módulo de julgadores...

Dez anos depois essas são lembranças de uma Cuiabá que ainda espera a chegada do trem que saiu da Estação Primeira. João partiu e a cidade não parou. Nem ela, nem o estado hoje dividido que não se lembra ou reconhece, por exemplo, seus filhos, os do Mato Grosso uno.

É que, parece, a praia da cultura e do refinamento, assim como a minha aqui no Arpoador, ficou pequena e está ocupada por quem desconhece séculos de histórias. Como as dos que fizeram dessa terra o Paraíso no Centro da América.

 *Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto strike das séries “Parador Cuyabano”, “Arpoador” e “É carnaval”, do SEM FIM... delcueto.wordpress.com




Studio na Colab55

sábado, 25 de março de 2023

Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs


Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs, 25 de fevereiro

This image has an empty alt attribute; its file name is mang-230225-007-concentracao-bateria-instrumento-brasao-mangueira-boa.jpg

Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs

A Mangueira foi a segunda escola a se apresentar no Desfile das Campeãs, na noite de 25 de fevereiro de 2023.

Para fechar o material do ensaio fotográfico tive que mergulhar na concentração da bateria dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, o que fez que fossem poucas as imagens da Grande Rio de Zeca Pagodinho, que abriu a noite das Campeãs.

Meu objetivo era começar pelo caminhão da bateria. Senti falta dele nas fotos do domingo do desfile oficial e queria reparar a ausência. Para isso, precisei antecipar a chegada a armação, do lado do Edifício Balança. Caí dentro dos detalhes da preparação do grid dos instrumentos e do processo de vestir as fantasias dos ritmistas.

Este é o resultado do trabalho! Sobre a passagem da verde e rosa pela Sapucaí desenrolo alguns comentários abaixo. Bom desfile das Campeãs!

Para acessar o álbum de fotos Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs no acervo carnevalerio.com no Flickr clique aqui

Esquenta baiano

Lembra que a Bateria da Mangueira gabaritou no julgamento garantindo nota 10 de todos os jurados do quesito bateria da Liesa? Pois é. Imagina a moral dos Meninos da Mangueira quando entraram no Setor 1 da Sapucaí. Fotografei a armação na concentração e, mais uma vez, pude registrar em vídeo a emoção indescritível do esquenta dos Mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Do Setor 1 ao setor 3 e o retorno para o Recuo Jamelão.

(C)2023 Valeria del Cueto, all rights reserved. Material exclusivo do acervo carnevalerio.com

Na Pista

Do esquenta parti para o segundo módulo de julgamento, a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Cintya Santos, só bordando o que havia feito na apresentação oficial do enredo "As Áfricas que a Bahia canta", dos carnavalescos Guilherme Estevão e Annik Salmon.

This image has an empty alt attribute; its file name is mang-230225-161-mspb-cintya-santos-matheus-oliverio-ala-carrancas-amarelas-componentes-boa.jpg
Para acessar o álbum de fotos Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs no acervo carnevalerio.com no Flickr clique aqui

Torre

Meu segundo objetivo era detalhar o Abre Alas e o Carro Embaixada Africana da torre de transmissão. No desfile de domingo havia priorizado o segundo recuo da bateria. Antes deles passarem, tentei fazer vídeo da apresentação do casal no último módulo de julgadores, sem muito sucesso...

(C)2023 Valeria del Cueto, all rights reserved. Material exclusivo do acervo carnevalerio.com

Comunidade

Depois das passagem do Carro Embaixada Africana e a imagem com a Apoteose ao fundo, desci, dei a volta pela dispersão e priorizei o registro das fantasias, andando no sentido contrário da maré de componentes verde e rosa em direção aos ritmistas que se posicionaram no segundo recuo.

This image has an empty alt attribute; its file name is mang-230225-194-ala-cortejo-de-rotins-componentes-boa.jpg
Para acessar o álbum de fotos Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs no acervo carnevalerio.com no Flickr clique aqui

Demorei um pouco percorrendo os setores da escola e encontrei a Bateria já na pista, chegando para cumprimentar os jurados e fazer sua apresentação no último módulo de julgamento. Gosto muito desse momento do carnaval. Ali, tudo é festa, muita festa...

This image has an empty alt attribute; its file name is mang-230225-454-bateria-mestre-rodrigo-explosao-taranta-neto-carro-axes-tia-fe-papel-picado-boa-sorriso.jpg
Para acessar o álbum de fotos Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs no acervo carnevalerio.com no Flickr clique aqui

A frente da Bateria, sua rainha Evelyn Bastos, ganhadora do Estandarte de Ouro de Destaque do Público, mostrava ao público os justos atributos que motivaram a premiação.

This image has an empty alt attribute; its file name is mang-230225-408-bateria-ritmistas-instrumentos-rainha-evelyn-bastos-boa.jpg
Para acessar o álbum de fotos Mangueira carnaval 2023 Desfile das Campeãs no acervo carnevalerio.com no Flickr clique aqui

Apoteose, templo do carnaval carioca

Depois da passagem pelo módulo o sentimento é de "é hoje só". Então, os últimos setores da pista do Sambódromo e a entrada na dispersão aos pés da Apoteose, sempre estão cheios de entusiasmo e emoção. São esses sentimentos que busco retratar há vários anos entre os ritmistas da Bateria da Mangueira!

Os agradecimentos aos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, diretores, ritmistas, componentes da Estação Primeira de Mangueira, à presidente Guanayra Firmino e sua equipe que tão bem me receberam para a realização do próximo capítulo desse trabalho verde e rosa. (Mas isso é outra história).

Muito obrigado a Liesa, Rio Carnaval, Riotur, Diário de Cuiabá e demais parceiros!

This image has an empty alt attribute; its file name is mang-230225-443-bateria-ritmistas-instrumentos-ganza-chocalho-xequere-sorriso-boa.jpg
(C)2023 Valeria del Cueto, all rights reserved. Material exclusivo do acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no Canal @del Cueto, no Youtube de (C)2023 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com

@delcueto para CarnevaleRio.com

Curta nossa página no Facebook e faça sua inscrição no Canal del Cueto no Youtube. Desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca.

Aqui tem mais pra você:
Já seguiu “No rumo do Sem Fim”?
Experimenta!
Você encontrará o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e também links para objetos e desejos produzidos no @delcueto.studio!
Ideias e design disponíveis nas plataformas:
Colab55
Redbubble
Siga no instagram
@valeriadelcueto
@delcueto.studio

Studio na Colab55