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quinta-feira, 25 de junho de 2026

A antiga musa

A antiga musa

Texto e foto de Valéria del Cueto

Querida cronista, voltei para você! Aqui fala seu extraterrestre preferido, Pluct Plact, que há vários anos procura mantê-la informada do mundo exterior.

Reconheço que cada vez esses informes estão mais espaçados. Não pense que é desleixo ou falta de carinho. Ao contrário. Acontece que os filtros de notícias e assuntos inerentes a nossa amizade e convívio estão cada vez mais aprimorados e seletivos.

Não acho justo invadir a santa paz que você escolheu para se isolar do mundo nesta cela do outro lado do túnel com o mais do mesmo que, sinto, não traz novidades significativas nem, tampouco, amplia seu bem-estar ou acrescenta qualquer benefício à sua proposta de vida.

Sim, é melhor ficar na ignorância do que mergulhar nas armadilhas sempre renovadas e cada vez mais sofisticadas que este mundo apresenta.

Por aqui, tudo está em oferta. Mas cada uma delas traz inúmeras e variadas pegadinhas. As que, quando pegam, nos levam para um (ou diversos) buraco(s) sem bula ou instruções para sair deles. Tudo brilha, mas nada entrega o que promete. Quando se descobre que o produto é mais falso que nota de três reais, não tem mais devolução.

É surpreendente a capacidade humana de propor maravilhas! O povo embarca para depois, não muito depois, descobrir a canoa furada que naufraga ao primeiro clique. Pronto! Alguém já passou a mão no que é seu. Expertise das bets que infestam a vida e são impossíveis de exterminar do convívio. Quer apostar que ainda nos livraremos delas?

Cronista, faz tanto tempo que esse seu isolamento perdura que tenho sérias dificuldades em explicar o que move o mundo atualmente.

Me refiro a cliques e likes ou curtidas (para aportuguesar). Coraçõezinhos, joinhas e estrelinhas nas redes virtuais são os códigos atuais de validação humana.

Esqueça os sorrisos, os olhares, afetos e os apertos de mão. Abraços, então, quase nem pensar. Agora, mandatários informam e governam pelas redes sociais. Sabe o que é cancelamento? Pois é... A pessoa submerge na ignorância coletiva!

Sei que tudo isso não faz parte do seu show. Mas, caso haja interesse, posso fazer um resumo deste way of life e enviar-lhe um arquivo pelo próximo raio de luar que invadir a sua cela aí do outro lado do túnel.

Faço a sugestão por desencargo de consciência a que, você me explicou em nossos primeiros encontros, todos os seres humanos possuíam. Pois alerto, cara amiga, não possuem mais. Pelo menos a grande maioria. Afinal, quem, em sã consciência, é capaz de produzir tantas maldades?

A humanidade anda assim, caprichando no direito de se  autodestruir. Entre uma guerra e outra sem direito à  reconstrução ou regeneração, tentando, por meio de genocídios executados com planejamento milimétrico, apagar as civilizações que não se adequam aos seus modus vivendi.

Nada de novo no front além da intensidade e da perversidade, agora explícitas, declaradas e, sim, cronista, glorificadas. Não se finge mais gentileza, solidariedade ou bondade. Tudo é na base do grito e, hoje, quem grita mais não são os excluídos, os desvalidos. Quem tem mais "poderes" nas redes sociais é quem banca o desamor...

De novo, não queria escrever estas mal traçadas linhas para falar do arrasa-quarteirão e da destruição da Palestina temperada pela guerra dos Estados Unidos com o Irã que, entre outras mazelas, fechou o Estreito de Ormuz e deu um peteleco no frágil sistema econômico mundial.

Também gostaria de pular a advertência da chegada de um super El Niño e da falta de prevenção adequada aos desastres tantas vezes anunciados. Agora, é correr atrás do prejuízo que se anuncia com a chegada de uma frente fria glacial. Pede os cobertores extras, amiga, porque, dizem as previsões, o frio será de rachar.

Então... a antiga musa canta e vamos falar de Copa do Mundo? Essa, a mais longa de todos os tempos, tem mais uma novidade. Acontece em três sedes. México, Canadá e EUA. A-di-vi-nha onde será a final?

A parte boa é que alguns países surpreenderam na primeira fase. Caso, por exemplo, de Cabo Verde um estreante no certame.

Deixei esse assunto pro final porque ele se mistura com o aviso da chegada de mais outros extraterrestres no planeta. Dizia a lenda que a apresentação tem data e hora marcadas no dia do jogo Brasil x Escócia. Com direito à abdução de alguns jogadores e centenas de torcedores!

Se essa cartinha lhe alcançou é porque o alerta dado era falso. Ou seja, o Brasil passou incólume à próxima fase do campeonato. Detalhe: no momento estamos na cabeça do grupo e até o menino cai-cai andou em campo. Quem sabe se para ser nosso embaixador intergaláctico. Porque futebol que é bom...    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



Studio na Colab55

terça-feira, 23 de maio de 2023

Onde isso vai dar?


  Onde isso vai dar?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Diz aí, cara cronista. Nem demorei tanto assim para voltar a dar o ar da graça. Reconheça meu empenho, amiga enclausurada voluntariamente do outro lado do túnel. A velocidade dos fatos aqui fora parece amplificada! Então tive que me esforçar, entre as diversas fontes de observação que ando tentando acompanhar, para mantê-la atualizada sobre os surpreendentes acontecimentos que se sucedem e/ou se atropelam.

Vou começar pelos avanços galopantes da AI, a Inteligência Artificial. Galopantes não. O adjetivo é antigo e insuficiente para descrever a evolução incontrolável dos arrojados avanços nesse vasto e inexplorado campo. Podem provocar um upgrade em vários setores científicos? Sim. Mas a que preço? Os alertas continuam chegando de especialistas, cientistas e autoridades sem que nada interrompa a corrida insaciável dos (ir)responsáveis pelo pulo mal calculado e sem paraquedas no precipício da novidade tecnológica.

Já não é possível separar o joio do trigo: o que é real do conteúdo produzido pelo Frankenstein do terceiro milênio. Sim, traço esse paralelo açambarcando os principais elementos do que é conhecido como o primeiro livro de ficção científica, de Mary Shelley, publicado em 1818. Exatamente ele, o “Prometeu Moderno”, a que você me apresentou   anos atrás. A proposta é criar um “regulador” e “carimbar” o que é AI para diferenciá-la do que é real... Tarde demais, querida cronista. O monstro pensa, sente e... vai reagir!

Recolhida e isolada você está imune aos controles sutilmente impostos por sugestões como “Tbt é na quinta”, “poste momentos felizes do mês tal” e outros estímulos que induzem os humanos a obedecerem a comandos e que alimentam os imensuráveis bancos de dados que estão suprindo a nova etapa tecnológica. No momento, a base de informações é a internet inteira.

Cronista, quando escrevo essas impressões me sinto como o roteirista de um filme de ficção. Algo como as aventuras de John O’Connor, do Exterminador do Futuro, Blade Runner ou Matrix. Pois então, fique sabendo que são justamente eles, os roteiristas da indústria cinematográfica americana, que acabam de entrar em greve (o que não acontecia desde 2007). Um dos motivos? A ameaça da AI! Sean Penn apoiou o movimento em sua coletiva no Festival de Cannes, 2023.

O mundo real está uma irresponsabilidade só. Nele, por exemplo, o brado racista de uma torcida ecoou num estádio para um único jogador do Real Madri, Vini Jr., seu conhecido. O ofensivo termo “mono” numa partida no campo do Valencia retumbou mundo a fora. Enquanto o universo esportivo (ou parte dele) se revoltou, teve quem jogasse a culpa na vítima pela ação indefensável.

Nada que esse extraterrestre (carinhosamente apelidado de Pluct Plact pela amiga) que permanece por aqui não tenha visto nos arquivos acumulados aqui na nave, essa que não consegue partir dessa atmosfera tóxica.

Não está fácil! O que não me estimula a incentivar sua volta ao convívio com essa humanidade, no mínimo, exacerbada. Isso apesar de possuir, nesse momento, um argumento capaz de provocar um “choque térmico” no seu pit stop. Acontece que temos em curso uma briga das boas, tipo do rochedo com o mar, como você diria.

De um lado, a toda poderosa Petrobrás e o Ministério de Minas e Energia. Do outro, O IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente, capitaneado por Marina Silva. A companhia quer pesquisar a possibilidade de prospecção de petróleo lá para os lados do Amapá, na foz do Amazonas. O Instituto negou a licença. Todo mundo quer dar palpites.  O pior argumento é de que nunca deu ruim para os lados da Petrobrás. Também não tinha dado pros lados da Vale. E Brumadinho está aí. Está parecendo mais um caso em que o marisco vai dançar. Vamos aguardar para ver em que esse Belo Monte vai dar...

PS: Te mando um cartão postal desse lado do túnel. É uma imagem real. Nela, no horizonte carioca se acumulam milhares de lindas nuvens coloridas. O problema é quando elas se juntam. Onde isso vai dar?

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto  da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Studio na Colab55

segunda-feira, 20 de março de 2023

Quase nossa


Quase nossa

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Sexta-feira, quatro da tarde e eu aqui. Para mais um clássico! Faz um tempo que anda sendo só isso. Clássico. Faz um tempo que não consigo chegar na praia para formar uma crônica da Ponta “au grand complet”. Que nem tão plena assim será porque não estou na Ponta original, a do Leme, onde as crônicas nasceram nos primeiros anos do milênio (meu Deus!) e, sim, no Arpoador.

Dia claro, céu sem nuvens, ondas médias. Praia? Aceitável para um dia de semana, mesmo que o último. O verão está indo embora. Os turistas? A maioria já partiu. Digo a maioria por experiência própria. Há um desequilíbrio visível entre o número de banhistas e de ambulantes que circulam oferecendo seus produtos.

À minha direita, na direção do perfil dos Dois Irmãos e do Vidigal, um casal de argentinos parece ser a rapa do tacho da temporada internacional. Corpos sarados, com experiência de praia. Dá pra notar pelas atitudes. Um mergulho aqui, uma tostadinha ali.

O marido puxa conversa com um dos muitos vendedores de queijo coalho que passam e tenta regatear o preço do produto. Diz ao rapaz que havia comprado “dos por diez”. Depois faz de conta que tem dificuldade para entender a explicação do ambulante que diz que cada palito custa R$12,00 e pode, no máximo, fazer um por R$10,00.

Combinado o valor ele informa ao vendedor, que furiosamente abana o braseiro, puxando assunto: “soy argentino”. (Cá pra nós, nenhuma novidade para quem trabalha nas areias dessa área no verão. É o que mais tem.) Daí pro futebol não precisou nem ajeitar a bola, quer dizer, o esbaforido ambulante responder e já veio a declaração de que torcia pelo Boca Júnior.

Nenhuma reação do preparador do queijo coalho e uma nova declaração, com um certo desdém do argentino: “Acá todos son Flamengo”. Nenhuma reação. “...Vasco?”, arrisca. O vendedor preferiu não responder em palavras, apenas abanar com ainda mais vigor a brasa que não tinha força, ainda, para derreter o queijo. A reação do morador da Vila São Luíz (descobri depois e é spolier) foi nenhuma. Mas algo me disse que ele era torcedor do Mengão.

Com o abanico na mão, subindo e descendo (e nada do queijo chega no ponto), ele entabula assunto com outro coalheiro (acabei de inventar a designação, acho) que largando o braseiro, os ingredientes numa caixa de isopor e a camisa na areia, não sem antes pedir para que o colega desse uma olhada, voltava de um mergulho refrescante.

Depois de discutirem o calendário do Campeonato Carioca e informar ao gringo que teria jogo no final de semana, justamente Flamengo e Vasco, decidindo que irá à final com o Fluminense, mudaram de assunto.

Passaram a lamentar a morte de um “fechamento” que aconteceu numa quebrada da região metropolitana. Uma chacina em que acabou sobrando para os moradores, pra variar. Foi aí que pesquei que o ambulante que preparava o queijo coalho era do bairro de Duque de Caxias, a Vila São Luiz. Eles comentaram um vídeo da execução que, deu pra entender, receberam de vários canais de redes sociais. Cá pra nós, um tema mais urgente que time de futebol para eles que esmiuçavam os motivos que levaram ao trágico desenlace.

Ao lado, o argentino que minutos antes fazia de conta que não entendia o que o rapaz dizia durante a negociação do preço da mercadoria, fazia sinais (discretos) à mulher para ficar de olho nos seus pertences que estavam na areia. Os ambulantes nem notaram. O queijo havia ficado pronto. Foi entregue e, surpresa, os R$10,00 foram pagos sem barganha ou comentários.

O assunto prosseguiu entre os ambulantes. Pela toada, entendi que esse era o estopim da interrupção do tráfego na Rodovia Washington Luiz, que vai para a região serrana do estado, na véspera. Deu um nó no fluxo da região. Realmente, um tema muito mais urgente no cotidiano dos locais. Cariocas ou da região metropolitana. O futebol? A alegria do povo ficou pro domingo.

Saindo da praia, descobri que dois enormes transatlânticos estão ancorados no Rio, o que aponta a razão de nossa praia ainda não ter sido 100% devolvida. Não, o verão real ainda não terminou.

PS: O Mengão ganhou por 3X1 do Vasco e é finalista do Campeonato Carioca.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Bônus

Os vídeos do Verão 2023 na playlist do youtube.com/@delcueto. Se inscreve no canal!



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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Altinho, a pelada de Ipanema - ensaio fotográfico

Altinho, a pelada de Ipanema

Na altura do Coqueirão, praia de Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil, início do outono 2018.

Fim de março no Rio de Janeiro. O contra luz do sol caindo e os reflexos de seus raios no mar (com ondas altas de ressaca) dando relevo ao fundo da imagem, desenham os corpos dos jogadores de altinho, o futebol descompromissado que se espalha pela orla carioca.

Da foto 008 saiu a silhueta que compõe a ilustração da Coleção Бразилия em russo é #brasil, do Studio@delcueto #colab55

Clique AQUI ou na foto para ver a coleção no Flickr

Altinho, a pelada de Ipanema//embedr.flickr.com/assets/client-code.js
#valerio2018
#coisadorio
Valéria del Cueto, para @no_rumo do Sem Fim

E aí...
Бразилия em russo é #brasil, do Studio@delcueto

Concepção

 
Deu liga. Foi um dos contornos dos corpos que quebrou a severidade dos caracteres e sinuosamente,indicou o que temos de sobra no nosso futebol. A malemolência tão comum em qualquer pelada de beira de praia.

Na Colab55, o hub brasileiro de nossos produtos, nossa hashtag é #coisadorio. E tem mais, se seu estilo é de poucas linhas e quase nenhuma palavra.

Conheça as coleções Bamboo e Signal disponíveis para vendas internacionais pela plataforma redbubble. Novos produtos e muitas opções exclusivas.

Explore nosso novo canal de vendas, clicando AQUI e, de qualquer lugar do mundo, tenha a seu alcance produtos exclusivos do Studio@delcueto. Produtos de photodesign desenvolvidos a partir dos registros fotográficos de Valéria del Cueto

 No Getty Images

Imagens produzidas estão na coleção Sem Fim… de Valéria del Cueto no Getty ImagesExclusivas do banco de imagens, elas também estão a venda!

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sábado, 9 de junho de 2018

Бразилия em russo é #brasil - Coleção do Studio@delcueto #colab55


Бразилия em russo é #brasil
Coleção do Studio@delcueto #colab55


Demorou, mas depois de dar um gás no hub internacional do Studio@delcueto no #redbubble com a coleção Winds Of BraZil, chegou a vez de colorir de verde e amarelo a plataforma da #colab55.
 Em russo é #brasil é mais uma  coleção da temporada  outono/inverno de 2018 no hub brasileiro  do  Studio@delcueto, finalmente, no embalo da Copa do Mundo.

A gente reluta mas, de um jeito ou de outro, acaba encontrando um mote para entrar no clima do campeonato mundial.


Origem:

A curiosidade pode não matar o gato, mas leva a gente a pensar como será a vida no maior país do mundo. Então aparece uma rede social, a vk.com/delcueto que permite navegar pelos perfis de lá.
Busca daqui, procura dali e aquele alfabeto cheio de caracteres tão diferentes para complicar as pesquisas e a compreensão.

Usando um tradutor descobri como se escrevia o nome do país do futebol.

Бразилия em russo é Brasil!

Começava a se materializar a coleção comemorativa do Studio@delcueto.

Se os caracteres russos foram o ponto de partida, ainda faltava um plus, para fechar a ideia.

Concepção



Em março havia flagrado uma luz muito especial em Ipanema. Por uma dessas coincidências da vida a maré deixou a praia perfeita para a prática do altinho, o futebol jogado na beira da areia.
Era um por do sol prateado e os corpos dos jogadores se delineavam no contra luz.

Fiz uma série de fotos e fazia tempo, estava trabalhando com uma delas tentando criar uma nova coleção.
 
Deu liga. Foi um dos contornos dos corpos que quebrou a severidade dos caracteres e sinuosamente,indicou o que temos de sobra no nosso futebol. A malemolência tão comum em qualquer pelada de beira de praia.

O resto foi fácil, afinal, as cores da nossa bandeira inspiram e alegram qualquer design bem brasileiro.

 


 

 

 

 

 

 

 


Na Colab55, o hub brasileiro de nossos produtos, nossa hashtag é #coisadorio. E tem mais, se seu estilo é de poucas linhas e quase nenhuma palavra. Conheça as coleções Bamboo e Signal disponíveis para vendas internacionais pela plataforma redbubble. Novos produtos e muitas opções exclusivas.
Explore nosso novo canal de vendas, clicando AQUI e, de qualquer lugar do mundo, tenha a seu alcance produtos exclusivos do Studio@delcueto. Produtos de photodesign desenvolvidos a partir dos registros fotográficos de Valéria del Cueto

 No Getty Images

Imagens produzidas estão na coleção Sem Fim… de Valéria del Cueto no Getty ImagesExclusivas do banco de imagens, elas também estão a venda!

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domingo, 8 de junho de 2014

Outra coisa...

Portela 140308 171 carro gigante olhar fechado torre
Texto e foto de Valéria del Cueto
Uma coisa é uma coisa. Outra você já sabe, né? A espera é difícil e a floresta está assim: sentindo o bafejar da respiração do gigante já no seu sétimo sono, pronto para acordar. E em polvorosa.
O que se vê é uma correria louca em meio aos protestos de espécies inteiras que decidiram cruzar as patas e mostrar a cúpula do reino florestal que até o bicho pode pegar.  
Dias antes dos jogos florestais mundiais com as delegações chegando as canchas ainda estão sendo preparadas. Às pressas, nas coxas dos elefantes e a toque de bicho preguiça.
As trilhas da floresta tampouco estão nos conformes. Pela terra, há inúmeras passagens obstruídas e locais perigosos cheios de armadilhas, inclusive humanas. Não há sinalização adequada. Os cipós, por exemplo, não têm certificação de pesagem (já pensou se um gorila desavisado se pendura no galho que suporta apenas o mico preto?).
Que animal pode em sã consciência dizer que está tudo “calmo e operante”?
Se a organização está um caos, só resta bancar a formiga, tentar trabalhar e armazenar alguma reserva para os dias de competição que virão. O problema é que os alimentos estão pela hora da morte! Esse é o único refrão que a cigarra, coitada, tem cantilenado por aí.
A pobrezinha anda deprimida por ter sido trocada por uma cacatua qualquer como um dos cantores do evento (fazia parte do coro). Os cardeais também não ficaram nem um pouco felizes com a importação de uma espécie exótica para “puxar” a cantoria oficial. Claro que a “coisa” não pegou...
Foram esses pequenos detalhes que ao longo dos últimos dias mostraram à bicharada (já não andava muito satisfeita da vida), que poderia ficar muito pior. O aluamento da enta anta e conselheiros, parecendo viverem num mundo de faz de contas animal, onde uma aguaceira no teto vira pingo e a falta um tudo quase nada, só piorou a situação fora do prazo e  controle.
Se a vida está assim para fauna da floresta, imagina o que rola para a flora. No conjunto, então, nem se fala. Tá todo mundo revoltado com a falta de atenção para, por exemplo, as comemorações do dia Mundial do Meio Ambiente, totalmente escanteado e esquecido. Como se não fosse o momento em que o mundo inteiro volta seus olhos e  seus corações ( os que os têm, é claro), para reverenciar a mãe Natureza. Que tristeza!      
Depois não entendem por que tem tanto bicho tirando um cochilo em baixo das árvores, comendo quieto e esperando o dedão do pé do gigante se mexer!
Não vai pegar essa tentativa de “SOMOS UM SÓ”. A passarada carioca está piando  e conta que por lá, já caíram na esparrela do SOMOS O RIO. Mostraram no que está dando a péssima escolha para a Mata Atlântica local: mal governada, espoliada e, pior, horrorosamente mal cuidada, o local do encerramento da competição florestal está num estado deplorável!
Por mais que as maritacas  governamentais insistam em encher os ouvidos e olhos do mundo com jingles e imagens piegas e emocionais produzidas para induzirem a mata que está tudo verde e amarelo, os milhões gastos em propaganda copiada dos marqueteiros políticos não estão pegando na veia. Nem no tranco! Tem bicho azul de raiva, urrando pelas trilhas.
Mas não se enganem os que pensam que a floresta não está ligada no esporte, paixão e alegria da rapaziada. Nos jogos que serão acompanhados fora dos campos e estádios (já que os lugares nas arenas ficaram fora do alcance das patas dos animais locais), quando o gigante acordar não vai ter para ninguém. Dentro e fora dos campos da competição.
Por que, nesse caso, duas coisas são uma só. A maior paixão da fauna da floresta é o orgulho que os deixa azul de vontade de serem campeões. Mais uma vez...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bola, a parábola.










Bola, a parábola

Texto e foto de Valéria del Cueto

Tenho uma praia só pra mim. A areia, quero dizer.

O sol voltou, um vento sopra, o mar está alto. Não tanto quanto ontem quando ondas enormes e gulosas lambiam o final do Caminho dos Pescadores, na Ponta do Leme, Rio de Janeiro, Brasil.

No mar, surfistas e afins aguardam pendurados em suas pranchas, de costas para a areia e de frente pro oceano, os sinais das ondulações no horizonte.

A minha direita, a mais de cinqüenta metros, uma menina olha as manobras, cercada de pombos por todos os lados. Na curva do Leme, a pedra, passa um avião que agorinha levantou vôo do aeroporto mais charmoso do país, o Santos Dumont.

A direita uma bicicleta indica o local onde uma moça estende a canga. Pertinho, um vendedor de sorvete e biscoito Globo baixou sua carga e descansa perto dela, entre nós há uns vinte metros, no mínimo. Nas minhas costas, poucas pessoas caminham pelo calçadão. Afinal são duas horas.

Há vida entre o mar e eu. Um objeto a vitaliza. Trata-se de uma boa e já bastante gasta bola de futebol. Ela, como sempre, atrai seus seguidores. Já vi esse filme antes.

Começa despretensiosamente. Um cara aqui, outro ali, na beira d’água. Bola vai, bola vem, aparece mais um interessado. De passes rasteiros eles evoluem para o altinho, onde a bola não pode tocar no chão. Chega mais gente.

O próximo movimento é a procura das cascas de coco, enche-las de areia. Pra demarcar os gols.

Há vida na minha praia e me divirto com ela!

Mais ainda quando a orla está planinha, sem degraus ou inclinações, como hoje. A maré baixa propicia um campo excepcional para a pelada que se arma.

Eles não estranham minha presença. Estão acostumados a me verem por ali, de arquibancada, acompanhado os lances do jogo. Um jogador já me perguntou, um dia, e expliquei pra ele que adoro futebol. De campo, de várzea, de areia...Pelada mesmo.

Poderia dizer que é uma terapia, mas não se trata disso. É a confirmação de que estou no lugar certo, na hora certa. Quando os deuses do futebol se manifestam, e enquanto o mundo se barbariza em lutas viscerais e seminais, eles nos mostram um caminho para e o diálogo e a união.

Que pode começar em qualquer praia. Na minha, certamente. E, quem sabe, na sua também...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série Ponta do Leme, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sábado de decisão




Areia x Embalo.
O Leme ligado numa de suas mais completas tradições, o futebol de areia.
Areia na frente, Embalo empada.
Nos penaltis, deu Embalo.
Cheguei no final do jogo, quando iam bater as penalidades.
Como dois amigos, um de cada time, preferi nem olhar.
As fotos dizem quase tudo.
Parabéns ao vencedor.
*fotos de Valéria del Cueto

domingo, 31 de maio de 2009

O Brasil vai saber o que é VÔTE!



O Brasil vai saber o que é VÔTE!

Estamos iniciando uma nova etapa na história de Cuiabá. Não uma nova história, por que mais de 270 anos nos levaram a sermos o que somos hoje. Mas, sem dúvida, a capital de Mato Grosso não será mais a mesma após sua escolha como uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014.

Fui para o Chopão, (local mais emblemático, impossível) um dos pontos de concentração das comemorações, antes do resultado ser anunciado. E, ali, registrei a emoção dessa matriz cultural que tanto admiro e faço questão de divulgar e louvar.

As fotos a seguir são as primeiras das muitas que produzirei na série Parador Cuyabano que retomo, em sua versão 2009. Nada melhor do que uma grande festa cuiabana para abrir os trabalhos. Foi nele, no pessoal da terra, que "mirei" minha câmera durante os momentos que antecederam o anúncio da cidades onde acontecerão as partidas entre as seleções.

Parabéns ao povo de Cuiabá e de Mato Grosso pela conquista!

Texto e fotos de Valéria del Cueto para a série Parador Cuyabano. Uma produção del Cueto - assessoria e produção para o SEM FIM...


segunda-feira, 4 de maio de 2009

O ópio do povo




O ópio do povo


Texto e foto de Valéria del Cueto 

Uma e meia, em plena segunda feira e estou na praia. É, é isso mesmo. Pode pensar o que quiser. É verdade. Seus pensamentos são parcialmente verdadeiros. Por que não é vagabundagem, é necessidade eminente.

Corri pro refúgio mais seguro que conheço. O local que testemunha minhas dores e alegrias. Aqui, sou eu e ele, seja lá quem for. Faça sol ou faça chuva.

Hoje o mar ruge por mim. Tá poderoso, mexido. Na medida número de surfistas na água, o percentual resultante é de um dígito a direita da vírgula. Um ser solitário se arrisca entre as valas, a correnteza puxa.

As metáforas dizem tudo. São elas também que mostram o caminho a seguir: o tempo. Ele é um sinal de maturidade. Pelo menos no meu caso. De tanto correr com ele, aprendi a deixá-lo correr. Foi na porrada, mas um dia a ficha caiu. Aí a gente vai ficando mais velho esperando, em vez de empurrar.

Mas não foi isso que me trouxe pra cá. Aliás, a causa nesse caso é o de menos. Importa é a conseqüência. Ou melhor, a sequência. E essa, me é totalmente favorável.

Portando, matogrossenses amigos, cuiabanos queridos, eleitores uruguaianenses , povo do meu Brasil do Sem Fim. Acompanhem-me nos próximos takes dessa cena, cujo início da sequencia vocês já registraram no filme da minha vida que inclui todos vocês, leitores fiéis.

SEQ XXX - Praia do Leme – exterior/dia -

Take 01 – Ela olha para frente e vê Copacabana estendida a luz do início de tarde. O céu está estupidamente azul, bandeiras tremulam agitadas nas poucas barracas espalhadas na areia.

Take  02 - PV da mulher – Seu olhar passeia vagarosamente pela dupla ao longe que joga frescobol, o homem que exercita o cachorro, o rapaz solitário que olha o mar. Acompanha o casal que caminha na beira da água e o helicóptero vermelho dos bombeiros que fiscaliza a orla ressaqueada.

Take 03 - Seu corpo vai girando em direção a pedra do Leme, seu olhar se fixa na passagem do vendedor de chapelão que grita “Olha o mate, mate limão” e se distrai, seguindo o vôo de uma pomba até o colorido da bolsa de praia chama atenção.  

Take 04 - Ela sorri. Larga a caneta e o diário de bordo onde escreve, em cima da canga do Biscoito Globo -  de sal. Desarma-se pra vida.

Take 05 - Tira da bolsa o objeto que chamou sua atenção. É um jornal, o caderno de esportes. Na capa, vermelha e preta, em letras brancas garrafais, a manchete: cinco vezes tri. Acima de tudo rubronegro. 31 X campeão. E mergulha...

PS: Danem-se os problemas, adiem a crise. A minha e a de todos os que ontem, lavaram a alma. Aqui, agora, tudo é passageiro, menos a alegria de ser... rubronegra.

Depois a gente pensa no resto!

        Valéria del Cueto, para série Ponta do Leme, do SEM FIM...

domingo, 18 de março de 2007

CAFE COM LEITE






CAFÉ COM LEITE
De Valéria del Cueto
março de 2007
“Olha, ele é café com leite”, diz o maior deles enquanto aponta para o caçula do grupo.
“Não tem nada disso não”, interrompe um dos jogadores que disputa no par ou ímpar a escalação dos times.
“Não vê que vai sobrar um?”, argumenta o mais velho empurrando o irmão menor. Ao seu lado o miudinho estufa o peito e faz cara de mau prejudicando o argumento e quase selando a sua sorte: ficar esquentando o “banco”.
distância entre os cocos na areia da praia que delimita o gol é definida pelos passos do integrante de uma das equipes enquanto outro, do time oposto, fiscaliza a medição. Um, dois, três quatro...
Mais um garoto recolhe a pipa que dançava ao sabor do vento e de umas sacolejadas produzidas pelo movimento de seus braços no ar. Ele se aproxima após ser convocado para a partida. Foi um dos primeiros a ser escolhido, sinal que está entre os craques
do pedaço. O jogador mais velho do grupo deve ter uns 11 anos, o mais novo, o café com leite, uns cinco ou seis.
partida começa e o jogo parece final de campeonato. O vocabulário utilizado reflete a seriedade da disputa:  “Passa a bola, porra!” Pede o mais bem colocado para o companheiro que vem desembestado em direção ao gol.“ Car... marca em cima, mané!”, grita o oponente alertando o zagueiro distraído. A pressão é grande e a correria também.  
Opa! Uma contusão. Um dos moleques leva uma cabeçada. Ta lá um corpo estendido na areia. O jogo para. A partida é suspensa. Todo mundo cerca o contundido, verificando o tamanho do estrago, a extensão do dano...
garoto pequenininho sai de campo, marchando. Seu irmão vai atrás e dá sua versão do episódio na barraca, onde os adultos querem saber as razões da interrupção da partida.
“O jogo estava “a vera” Dei uma cabeçada sem querer no moleque. Sabe como é, na moral não ia passar, né?” e completa: “ Eles não gostaram e me tiraram de campo”. A versão é confirmada pelo mais novo que sugere que partam para a briga. 
Ideia imediatamente vetada pelos adultos.
sol começa a cair e da partida restam apenas os quatro cocos que delimitavam os gols. Faltam jogadores para completar o plantel. Fim da festa... 
A brincadeira agora é jogar frescobol. Só os dois. O grandão distrai seu pupilo, impedido de mostrar serviço entre as quatro linhas (?) do campo (?) .
dono da bola de futebol (ele sempre existe e, normalmente, é o perna de pau do pedaço) agora cerca seu pai, que acaba de chegar na areia empurrando a  bicicleta. É a peça que faltava para completar o novo plantel.
Sentada na praia, na Ponta do Leme observo a cena e faço uma rápida análise das condições físicas do paizão requisitado. Ele porta uma barriga da-que-las. Nenhuma chance diante da energia acumulada da garotada. Ali não há pernas para manter a lenda de grande jogador contada e recontada para o rebento nem por míseros cinco minutos.
“Vai ter que ser café com leite na certa” vaticino, um pouco antes de escutar o diálogo do ex-craque com o filho: 
“Fiz um monte de amigos” diz o garoto orgulhoso. O pai responde com conhecimento de causa trazido de antigas experiências no ramo: “Viu filho, como é bom ser o dono da bola?” e finaliza, fazendo um gol de placa para se livrar do inevitável vexame em campo: “Vamos deixar este jogo pra amanhã que já está tarde e mamãe está esperando”.
 Valeria del Cueto é jornalista e cineasta
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