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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Vídeo da Bateria da Mangueira na final de samba-enredo 2017

Vídeo da Bateria da Mangueira na final de samba-enredo 2017

O registro da performance da Bateria da Mangueira e seu desenho no palanque do Palácio do Samba. Em dose dupla!

Foi muito trabalho! Compensado pela boa vontade e o carinho dos ritmistas que  passaram pelas lentes das câmeras. No  dia 15 de outubro de 2016, tão bom quanto fotografar foi gravar em vídeo as bossas dos Meninos da Mangueira.






Festa e alegria

Comandados pelo Mestre Rodrigo Explosão eles temperaram a noite do imenso público presente a quadra da Mangueira. A noite é a da escolha da composição que será levada para a Marquês de Sapucaí.

A verde e rosa será a última agremiação do Grupo Especial a desfilar no Sambódromo Darci Ribeiro. Ela fecha a segunda feira do carnaval de 2017, no Rio de Janeiro.
Valéria del Cueto para carnevalerio.com
Quer ver as fotos da Bateria da Mangueira na final da escolha do sambaMangueira 2017Clique aqui

Sabe quem é a Campeã do Carnaval Carioca de 2016? A Estação Primeira de Mangueira. Para relembrar seu desfile é só viajar pelo site carnevalerio.com

Bateria da Mangueira @no_rumo da segunda feira de carnaval, fechando o desfile da Sapucaí.
Studio na Colab55

domingo, 3 de agosto de 2014

Mistura fina, de Valéria del Cueto

LemeChap 140727 018 Bar do Davi feijoada de frutos do mar Chapéu Mangueira
Texto e foto de Valéria del Cueto
Nesse tempinho gelado acabamos o jornalista Cacá de Souza e eu, subindo o morro até a entrada do Chapéu Mangueira, aqui no Leme, para uma farra pantagruélica no Bar do David.
Entre shots de cachaça e camarões empanados com catupiry, alcançamos o nirvana caindo de boca num dos pratos mais famosos do bar do filho do Lúcio, morador querido e tradicional da comunidade: a Feijoada de Frutos do Mar.
Cacá, íntimo de David e de todas as atendentes, não deixa de bater ponto no pedaço todas as vezes que vem ao Rio e é mais bem chegado do que eu, que apresentei o point para ele.
Como “autoridade”, foi ele que me fez experimentar a iguaria feita com feijão branco, peixe, mexilhões, camarões, lulas e etc, acompanhada de arroz branco e uma farofinha de alho dos deuses.
Um mix equilibrado de sabores e texturas, daqueles que a gente tem vontade de degustar ajoelhado. Tudo na medida certa, sem que um único tempero se sobreponha aos diferentes tipos de ingredientes do prato, talvez o mais famoso do lugar.
É muito difícil alcançar esse equilíbrio, por exemplo, com tantos pontos diferentes de cozimento ideal. As lulas são mais sensíveis e se passam do ponto podem ficar emborrachadas, os mexilhões nem se fala. Já o peixe precisa de um tempinho maior, para adquirir a textura ideal.
Confesso que como não sou especialista em cozinha, a não ser como consumidora, nem tentei arrancar de Andréia, a garçonete maravilhosa que ainda indica o que está mais caprichado no cardápio do dia, e do sempre simpático e receptivo David, os segredos da Feijoada de Frutos do Mar. Mas, como provadora gastronômica, sou capaz de avaliar o grau de complexidade, apuro e equilíbrio do acepipe servido.
É por isso que posso imaginar a ciência para preparar um prato como a Feijoada de Frutos do Mar, assim como alcanço a complexidade de outras misturas, alimentares ou não, principalmente as com ingredientes díspares e contrastantes.
Cada um tem sua personalidade, sua consistência e características (cor, cheiro e sabor) próprias e precisam ser acomodados e mesclados de forma a valorizar suas qualidades para comporem um novo elemento único e particular.
Um pouco demais, um pouco de menos, o erro no tempo de preparo, no cozimento e na apresentação podem simplesmente “entornar o caldo” transformando uma preciosidade num angu de quinta. Isso vale para outras situações: equipes de trabalho, grupos de amigos e... política.
Compor o quebra-cabeças das chapas que concorrem as eleições 2014 e saber como dosar os ingredientes, qual a ordem correta de juntá-los no caldeirão eleitoral e o tempo ideal de exposição de cada um, é essencial no processo.
E é aí que a porca torce o rabo sem que ele possa ser agregado ao mexidão que teremos em 2014. Até o momento não está dando para definir os diversos sabores e depurar as escolhas, simplesmente por que há de um tudo em todos os agrupamentos que se apresentam.
O resultado são opções insossas e mal finalizadas, com acompanhamentos que tentam aparecer mais que o prato principal, resultando numa gororoba indigesta e mal apresentada para o eleitorado.
Tem gente precisando de umas aulas com o David para aprender que a simplicidade é o principal do cozido...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
GRAVATA     
Compor o quebra-cabeças das eleições, dosar os ingredientes, a ordem de juntá-los no caldeirão eleitoral e o tempo exposição é essencial no processo.
ILUSTRADO TER A A S BADO     NOVEMBRO  2009

domingo, 8 de junho de 2014

Outra coisa...

Portela 140308 171 carro gigante olhar fechado torre
Texto e foto de Valéria del Cueto
Uma coisa é uma coisa. Outra você já sabe, né? A espera é difícil e a floresta está assim: sentindo o bafejar da respiração do gigante já no seu sétimo sono, pronto para acordar. E em polvorosa.
O que se vê é uma correria louca em meio aos protestos de espécies inteiras que decidiram cruzar as patas e mostrar a cúpula do reino florestal que até o bicho pode pegar.  
Dias antes dos jogos florestais mundiais com as delegações chegando as canchas ainda estão sendo preparadas. Às pressas, nas coxas dos elefantes e a toque de bicho preguiça.
As trilhas da floresta tampouco estão nos conformes. Pela terra, há inúmeras passagens obstruídas e locais perigosos cheios de armadilhas, inclusive humanas. Não há sinalização adequada. Os cipós, por exemplo, não têm certificação de pesagem (já pensou se um gorila desavisado se pendura no galho que suporta apenas o mico preto?).
Que animal pode em sã consciência dizer que está tudo “calmo e operante”?
Se a organização está um caos, só resta bancar a formiga, tentar trabalhar e armazenar alguma reserva para os dias de competição que virão. O problema é que os alimentos estão pela hora da morte! Esse é o único refrão que a cigarra, coitada, tem cantilenado por aí.
A pobrezinha anda deprimida por ter sido trocada por uma cacatua qualquer como um dos cantores do evento (fazia parte do coro). Os cardeais também não ficaram nem um pouco felizes com a importação de uma espécie exótica para “puxar” a cantoria oficial. Claro que a “coisa” não pegou...
Foram esses pequenos detalhes que ao longo dos últimos dias mostraram à bicharada (já não andava muito satisfeita da vida), que poderia ficar muito pior. O aluamento da enta anta e conselheiros, parecendo viverem num mundo de faz de contas animal, onde uma aguaceira no teto vira pingo e a falta um tudo quase nada, só piorou a situação fora do prazo e  controle.
Se a vida está assim para fauna da floresta, imagina o que rola para a flora. No conjunto, então, nem se fala. Tá todo mundo revoltado com a falta de atenção para, por exemplo, as comemorações do dia Mundial do Meio Ambiente, totalmente escanteado e esquecido. Como se não fosse o momento em que o mundo inteiro volta seus olhos e  seus corações ( os que os têm, é claro), para reverenciar a mãe Natureza. Que tristeza!      
Depois não entendem por que tem tanto bicho tirando um cochilo em baixo das árvores, comendo quieto e esperando o dedão do pé do gigante se mexer!
Não vai pegar essa tentativa de “SOMOS UM SÓ”. A passarada carioca está piando  e conta que por lá, já caíram na esparrela do SOMOS O RIO. Mostraram no que está dando a péssima escolha para a Mata Atlântica local: mal governada, espoliada e, pior, horrorosamente mal cuidada, o local do encerramento da competição florestal está num estado deplorável!
Por mais que as maritacas  governamentais insistam em encher os ouvidos e olhos do mundo com jingles e imagens piegas e emocionais produzidas para induzirem a mata que está tudo verde e amarelo, os milhões gastos em propaganda copiada dos marqueteiros políticos não estão pegando na veia. Nem no tranco! Tem bicho azul de raiva, urrando pelas trilhas.
Mas não se enganem os que pensam que a floresta não está ligada no esporte, paixão e alegria da rapaziada. Nos jogos que serão acompanhados fora dos campos e estádios (já que os lugares nas arenas ficaram fora do alcance das patas dos animais locais), quando o gigante acordar não vai ter para ninguém. Dentro e fora dos campos da competição.
Por que, nesse caso, duas coisas são uma só. A maior paixão da fauna da floresta é o orgulho que os deixa azul de vontade de serem campeões. Mais uma vez...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

domingo, 13 de abril de 2014

Quém! Ante os fatos, enta e/ou anta

Valentino 131019 013 Pato no Rio Pó
Fábula e foto de Valéria del Cueto

Era uma vez uma anta, cercada de ados e ores por todos os lados. Predadores que apoiavam e mamavam nas tetas da anta e diziam ser ela, a enta, rainha dos entes animais em geral. Eram istas de todos os tipos. Os piores. Dos que  sugam, mamam, esgotam e expelem.

A anta se achava feliz. Pensava que era algo além de uma anta, a enta assumida. Assinava, sorria e presepava para o resto da floresta. Diziam que era top e a anta acreditava. Fazia o seu papel de enta e se achava! Passeava entre os leões, tomava café com as hienas, banhava com jacarés, piranhas e lulas também, macaqueava com os símios... e assinava. Nem sempre sabia muito bem o que. Mas o simples fato de meter seu jamegão nos papéis oficiais fazia dela a mais vaidosa entre as... antas especialmente as de motocicleta.

Foi assim até o dia que o resto da floresta encheu o saco de tanta palhaçada  e resolveu demostrar de forma clara e inequívoca o descontentamento vigente no mundo animal. A anta e seus prepostos levaram um susto! Afinal, se estavam bons pra eles as assinaturas, os sorrisos e as presepadas, do que os demais reclamavam? Não recebiam seu quinhão de bolsa floresta?

As reclamações e os protestos cresceram de forma exponencial e tomaram a fauna em geral. Uma estratégia tinha que ser montada. Se não para impedir o sacode, pelo menos para se apropriar dele. Botaram no meio dos encontros populares batalhões de formigas, enxames de abelhas, seus paus mandados mais obedientes, deturpando as marchas e tocando horror no meio da mata. Como ter certeza que a violência não era oriunda dos manifestantes originais? Bastava ver quantos foram presos ou punidos pelos atos de destruição.

A intimidada floresta voltou ao normal e a corte dos predadores retornou suas atividades de sempre. Só que, obviamente, tanto a anta quanto a corte notaram finalmente que algo não estava bem. Algum sacrifício teria que ser feito para “ajustar” o meio ambiente!

A anta, jogando para a torcida, requentou a proposta de reordenar os poderes da corte. Claro que isso não agradou aos chupa-cabras de plantão. A proposta foi enfiada no fundo da mais profunda gruta da corte na floresta. Também detectaram que a anta poderia ser, sim, uma ameaça(zinha), já que havia demonstrado que pretendia botar as patinhas de fora. Apareceu a assinatura da anta num dos papéis que permitiam a mamação coletiva que estava sugando as maiores reservas do maior empreendimento, já quase falindo,  da floresta. 

Mostraram que a enta não passava de uma mera e simples anta mal informada, já que como a própria reconheceu, havia praticado o malfeito... sem saber. Pobre animal!

Também deram entrada numa lei que fazia dos manifestantes que abrissem seus bicos ou fizessem barulho nas trilhas da floresta criminosos da pior espécie. Para suprimir no grito qualquer ruído durante o maior evento esportivo das florestas do mundo.

Só que a pressão cresceu demais, a péssima fama da enta começou a prejudicar sua aspiração de continuar anta-rainha. Não restou a ainda enta-mór outra alternativa, a não ser chamar seus exércitos de formigas e as espécies servis de sempre para pedir-lhes que, depois do tal evento, ocupassem novamente as trilhas da floresta. Dessa vez, exigindo, “como nas Diretas Já”, mudanças no regime da corte da floresta. O pau vai quebrar a pedido da enta/anta!

O fim da fábula é pule 10: a anta, para manter a coroa de enta, pedirá penico à corte que continuará a predadora de sempre. A bicharada irá para o sacrifício e, quem sabe, para a jaula: pagará o pato! Que nem estava na floresta na hora do vamos ver...

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

ILUSTRADO TER A A S BADO     NOVEMBRO  2009