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domingo, 13 de abril de 2014

Quém! Ante os fatos, enta e/ou anta

Valentino 131019 013 Pato no Rio Pó
Fábula e foto de Valéria del Cueto

Era uma vez uma anta, cercada de ados e ores por todos os lados. Predadores que apoiavam e mamavam nas tetas da anta e diziam ser ela, a enta, rainha dos entes animais em geral. Eram istas de todos os tipos. Os piores. Dos que  sugam, mamam, esgotam e expelem.

A anta se achava feliz. Pensava que era algo além de uma anta, a enta assumida. Assinava, sorria e presepava para o resto da floresta. Diziam que era top e a anta acreditava. Fazia o seu papel de enta e se achava! Passeava entre os leões, tomava café com as hienas, banhava com jacarés, piranhas e lulas também, macaqueava com os símios... e assinava. Nem sempre sabia muito bem o que. Mas o simples fato de meter seu jamegão nos papéis oficiais fazia dela a mais vaidosa entre as... antas especialmente as de motocicleta.

Foi assim até o dia que o resto da floresta encheu o saco de tanta palhaçada  e resolveu demostrar de forma clara e inequívoca o descontentamento vigente no mundo animal. A anta e seus prepostos levaram um susto! Afinal, se estavam bons pra eles as assinaturas, os sorrisos e as presepadas, do que os demais reclamavam? Não recebiam seu quinhão de bolsa floresta?

As reclamações e os protestos cresceram de forma exponencial e tomaram a fauna em geral. Uma estratégia tinha que ser montada. Se não para impedir o sacode, pelo menos para se apropriar dele. Botaram no meio dos encontros populares batalhões de formigas, enxames de abelhas, seus paus mandados mais obedientes, deturpando as marchas e tocando horror no meio da mata. Como ter certeza que a violência não era oriunda dos manifestantes originais? Bastava ver quantos foram presos ou punidos pelos atos de destruição.

A intimidada floresta voltou ao normal e a corte dos predadores retornou suas atividades de sempre. Só que, obviamente, tanto a anta quanto a corte notaram finalmente que algo não estava bem. Algum sacrifício teria que ser feito para “ajustar” o meio ambiente!

A anta, jogando para a torcida, requentou a proposta de reordenar os poderes da corte. Claro que isso não agradou aos chupa-cabras de plantão. A proposta foi enfiada no fundo da mais profunda gruta da corte na floresta. Também detectaram que a anta poderia ser, sim, uma ameaça(zinha), já que havia demonstrado que pretendia botar as patinhas de fora. Apareceu a assinatura da anta num dos papéis que permitiam a mamação coletiva que estava sugando as maiores reservas do maior empreendimento, já quase falindo,  da floresta. 

Mostraram que a enta não passava de uma mera e simples anta mal informada, já que como a própria reconheceu, havia praticado o malfeito... sem saber. Pobre animal!

Também deram entrada numa lei que fazia dos manifestantes que abrissem seus bicos ou fizessem barulho nas trilhas da floresta criminosos da pior espécie. Para suprimir no grito qualquer ruído durante o maior evento esportivo das florestas do mundo.

Só que a pressão cresceu demais, a péssima fama da enta começou a prejudicar sua aspiração de continuar anta-rainha. Não restou a ainda enta-mór outra alternativa, a não ser chamar seus exércitos de formigas e as espécies servis de sempre para pedir-lhes que, depois do tal evento, ocupassem novamente as trilhas da floresta. Dessa vez, exigindo, “como nas Diretas Já”, mudanças no regime da corte da floresta. O pau vai quebrar a pedido da enta/anta!

O fim da fábula é pule 10: a anta, para manter a coroa de enta, pedirá penico à corte que continuará a predadora de sempre. A bicharada irá para o sacrifício e, quem sabe, para a jaula: pagará o pato! Que nem estava na floresta na hora do vamos ver...

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

ILUSTRADO TER A A S BADO     NOVEMBRO  2009

domingo, 16 de junho de 2013

Vai que é tua, tira a bola da rua.


Texto e foto de Valéria del Cueto

É tudo correlato. Será? Faz sol. Venta, mas não demais. É calor na praia e friozinho na Gustavo Sampaio, rua de dentro do Leme, aqui na Ponta, Rio de Janeiro. O mar anda alto, o que garante momentos de atenção para a linha dos atletas que aguardam a hora de se posicionar nas ondas e assegurarem o espaço adequado para desenvolverem suas manobras radicais.

É um balé para pouquíssimos espectadores privilegiados como eu. Divido meu tempo entre ler Catarina, a Grande, biografia da czarina da Rússia, escrever e apreciar os surfistas e afins deslizando nas ondas. Como tirar os olhos do mar?  

O tempo está lindo. O céu azul e o oceano cor de esmeralda. Confesso que nem vi se a água estava fria. Pelas roupas de neoprene da rapaziada dá para  deduzir a resposta. Não é época do tempo estar, assim, radiante. Não na lua nova de junho. Estranho, muito estranho. Parece que o mundo rodou mais devagar no eixo, por que o clima está mais para veranico de maio do que o tempo cinzento, chuvoso e frio que costuma emoldurar esse período.

Se fosse só aí... o mundo está virado. Por mais que a gente corra daqui para lá, desvie e tente se refugiar de tanta informação é impossível não ser sugado pelo “roto-rooter” da vida brasileira. Como um todo ou em particular.

Senão vejamos: remédios quase vencidos, pilar encolhido... Vai Lá Trazer uma boa notícia, pelo amor de Deus! Licitações e pregões pros amigos? Votê, cobra, mangalô “treizveiz”. “A cultura é o patinho feio do estado”, é mole?

É por essas e por outras que procuro e, um dia, hei de encontrar uma forma de fazer cultura sem precisar de sequer passar na porta da tutela do estado. Quero respeito por quem peleia e procura novos caminhos para sair do rumo de quem chega a uma conclusão dessas assim, depois que assumir o cargo máximo do setor no estado. O tempo passa, a vida anda e o bonde já passou por essa estação.

Do outro lado é pau, é pedra é o começo do caminho, para desespero de alguns e pressa de outros. Em nome de evitar a “baderna” o negócio é endurecer. De novo? Acho que já disse nessa crônica que já vi o filme dessa reprise classe B.

Nunca tão poucos centavos representaram tanto para  multidões espalhadas por várias capitais do país. Multidão que só aumenta a cada apresentação especial  dos poderes militares constituídos. É daí para pior. E já deu pra ver que não vai ser sopa pra ninguém, incluindo aí vários coleguinhas da Folha de São Paulo,  agredidos na última quinta-feira.

Segunda, em plena Copa das Confederações, com o mundo já tendo acompanhando pelas TVs, jornais e as redes sociais os primeiros capítulos da novela PASSE LIVRE, parece que haverá outra rodada de manifestações pelo país. Boa hora para a panela de pressão continuar a chiar.

Ai meus santos canarinhos com cabelos de cacatua. Façam o milagre do esquecimento das mazelas inflacionárias, da alta do dólar, da queda do mercado, da falta de saúde, educação, segurança, infra-estrutura e outros probleminhas mais.

Chutem para o gol dos adversários nossos recalques e essa sensação estranha de que no final,  ganhando ou perdendo, estamos entrando pelo cano...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com