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segunda-feira, 28 de julho de 2025

Portela carnaval 2025 desfile 250304

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(C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved. Imagem protegida pela lei 9610/1998

Portela carnaval 2025 desfile 

A Portela encerrou na terça-feira, 04 de março de 2025, os 3 dias de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.

Com o enredo "Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol - Uma homenagem a Milton Nascimento", dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, a  escola de samba ficou em quinto ligar no carnaval 2025. 
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Agradecimentos a Mestre Nilo, ritmistas da Tabajara do Samba, componentes da Portela, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Portela carnaval 2025 ensaio técnico 250208

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A Portela foi a segunda agremiação a se apresentar  dos ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial carioca no sábado, 08 de fevereiro de 2025, na Sapucaí para o carnaval 2025.

"Cantar será o caminho que vai dar no sol. Uma homenagem a Milton Nascimento" é o enredo dos carnavalescos Antônio Gonzaga e André Rodrigues para o carnaval 2025.

Agradecimentos a Mestre Nilo Sérgio, aos ritmistas e componentes da Portela, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

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sexta-feira, 26 de julho de 2024

Saudade, fonte que nunca seca



Saudade, fonte que nunca seca...

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Cada um com seu cada qual. Mas, como dizia Mestre Marçal, “tudo junto e misturado”. E foi comendo pelas beiradas enquanto o mingau esfriava que o Rio ganhou dois representantes legítimos do samba e da carioquice.

Para falar de Monarco, da Portela, e Nelson Sargento, da Mangueira, é preciso saber o significado da expressão “beber na fonte”. Se enredar nos fios de afetos e resistência que, entremeados, teceram histórias, rebordaram sonhos e criaram fantasias interligadas por uma de nossas maiores expressões populares musicais, o samba.  

É preciso ser atraído pela energia irresistível do saber carnavalesco como ponto de convergência e vivência comunitária. Entender o significado dos fundamentos de uma escola. De samba. Sentir no peito e deixar seu corpo ser dominado pelo pulsar de uma batucada.

E se, num desses momentos inebriantes, você cantarolar versos como “Samba, agoniza, mas não morre, alguém sempre te socorre...”, ou “...Agora, uma enorme paixão me devora, a alegria partiu, foi embora. Não sei ficar, sem teu amor...”, esteja seguro que você está apreendendo e repassando costumes e lições de dois griôs.

Eles, os guardiões de saberes ancestrais. Passados e ressignificados entre as gerações que circulam pelas ruas dos subúrbios, vielas e becos das favelas da cidade. As que se encontram e se interligam fortalecendo esse tramado único que podemos chamar de identidade do carioca.

Oriundos de diferentes lugares da cidade, se estabeleceram e conviveram com personalidades exponenciais de suas comunidades, pelas quais sempre declararam paixão incondicional e, sim, beberam na fonte!

Ao fazê-lo, por meio de seus talentos inerentes e desde cedo reconhecidos, se tornaram protagonistas da incrível epopeia suburbana do Rio de Janeiro. As cores de um, o azul e o branco, as do outro, o verde e rosa.

Se não são crias, foram criados nos terreiros de chão batido que mais tarde, depois de cimentados, passariam a ser as quadras de suas agremiações. Nelas, testemunharam o florescimento das comunidades que abraçaram com tanto amor.

Hildemar Diniz, em Oswaldo Cruz, depois de ganhar o apelido de Monarco ainda criança, de passagem por Nova Iguaçu, nasceu em Cavalcante. Nelson Mattos, que do exército levou a alcunha Sargento, na Mangueira, vindo do morro do Salgueiro, nasceu na Praça XV.

Mais distante do centro da cidade, Monarco conviveu com Paulo da Portela, Alcides, Manacéia e Chico Santana. Nelson Sargento, ao lado da Quinta da Boa Vista, na primeira estação do trem, com Alfredo Português, Cartola, Carlos Cachaça e Geraldo Pereira.

Um elo em comum entre os dois bambas é Paulinho da Viola. Foi produtor, em 1970, de “Portela passado de Glória” o primeiro disco da Velha Guarda portelense, já presidida por Monarco. Dele, disse o mangueirense Nelson Sargento: “Dois ídolos. Cartola e Paulinho da Viola, o resto são meus amigos”.

“Quitandeiro, leva cheiro e tomate
Pra casa do Chocolate que hoje vai ter macarrão...”

Monarco e Paulo da Portela

“Oh! primavera adorada, inspiradora de amores.

Oh! Primavera idolatrada, sublime estação das cores...”

Nelson Sargento, Alfredo Português e Jamelão. Samba enredo da Mangueira em 55.

Os dois tiveram o privilégio de compor com seus mentores, mas apenas Sargento venceu samba-enredo em sua escola, a Mangueira, apesar de Monarco ter participado de disputas na Portela, a última em 2007, com seu filho Mauro Diniz e outros parceiros.

Em compensação a cada esquenta, antes da pista da Sapucaí virar o rio que passa por nossa vida, o samba que compôs ainda garoto, “Retumbante Vitória” (depois rebatizado como “O passado da Portela”), leva às lágrimas e acelera o coração pulsante de quem desfila ou assiste a passagem da escola.



Nem sempre conseguiram viver da excelência da arte que praticavam. Monarco guardou carros, foi feirante e contínuo. Nelson Sargento, pintor de paredes. Cacá Diegues, o cineasta, dizia que ele fez em sua casa “a pintura mais longa da história da arquitetura”. Já reconhecido mostrou sua versatilidade artística na literatura e nas artes plásticas, além de ser um ator premiado.

Ligados às suas raizes foram membros e, depois, presidentes de lendárias Velhas Guardas, grupos musicais compostos por pastoras, cantores e compositores das escolas de samba.

Também receberam o reconhecimento que lhes era devido ao serem escolhidos Presidentes de Honra de suas agremiações. Por relevância e merecimento reverenciados nos encontros do povo do samba.

Juntos participaram do espetáculo “Apoteose do samba: 90 anos do Sargento – com Monarco e Nelson Sargento”, escrito e apresentado por Ricardo Cravo Albin. Na ocasião, Nelson disse que passou a se considerar “imortal do samba”. Ele já sabia...

Os ícones da Portela e da Mangueira partiram nesses tempos difíceis.

Para não ficar no vácuo das saudades o jeito é virar o jogo imaginando com quem estão agora (certamente em bom lugar). Na companhia de outros bambas que já por lá se reuniam para pagodes celestiais!

Por eles foram recepcionados, junto a outros sambistas que perderam a vida nesse período da pandemia. Tantos que é melhor nem tentar nomeá-los sob o risco de cometer a injustiça de algum esquecimento.

Sim, merecidamente, como alguns dos outros que partiram, receberam flores em vida (como pedia Nelson Cavaquinho), reconhecidos e reverenciados por serem exemplos às novas gerações que, assim como eles, continuarão bebendo na fonte. Aquela, sobre a qual Candeia já versava...

“O sambista não precisa ser membro da academia

É natural da sua poesia

O povo lhe faz imortal”

......................................

Valeria del Cueto é jornalista, fotógrafa e, uns 500 textos depois, acha que um dia ainda será lembrada como cronista. Do carnaval e da vida. Para isso conta com a sorte! Como a de ter o privilégio de receber a honrosa missão de bordar palavras sobre ídolos que fizeram parte da história do Samba. Da série "É carnaval".

 

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

GLÓRIA AO SAMBA E A PORTELA

GLÓRIA AO SAMBA E A PORTELA

Era noite de Sexta-feira da Paixão, 19 de abril de 2019, meio do feriadão da Páscoa. No Teatro Rival, o couro cantava, as cordas vibravam e vozes com timbres graves, soavam. Com o maior respeito. Estavam reunidos ali admiradores das raízes do samba de vários estados brasileiros.

No palco o coletivo Glória ao Samba, de São Paulo, apresentava um repertório dedicado à Portela. Um primoroso trabalho de pesquisa sobre os primeiros e mais representativos sambas compostos por portelenses históricos. O grupo revirou o baú das criações do rico e vasto acervo musical da comunidade de Oswaldo Cruz.



Monarco, convidado especial, contou histórias, cantou e avalizou a seriedade do trabalho de Tuco Pellegrino (que tocou com o violão de Antônio Caetano, um dos fundadores da azul e branca), Paulo Mathias e os demais 17 componentes do Glória ao Samba, a maioria de Osasco. A cantora Francineth também fez uma participação.


Na platéia, além dos visitantes de várias partes do país já mencionados, portelenses ouviram as palavras do presidente da escola, Luis Carlos Magalhães, sobre a relevância do trabalho. A presença de vários pesquisadores musicais, citados nos agradecimentos do Glória ao Samba, corroborava a profundidade do “mergulho” nas raízes do samba.


Tanto a formação instrumental quanto os arranjos musicais do grupo são fiéis ao estilo musical das décadas pesquisadas, assim como o tom mais grave dos cantores. Mais uma iniciativa de resgaste da memória do samba essencial que merece registro.

Este é o segundo espetáculo do grupo com um repertório de pérolas pesquisadas nos primórdios das escolas de samba cariocas. O primeiro foi sobre o Império Serrano.

Aguardamos a próxima homenagem às escolas de samba do Glória ao Samba.

Clique AQUI  para acessar o álbum Glória ao Samba e a Portela do Flickr.



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terça-feira, 26 de março de 2019

Portela 2019 nas campeãs, crônica de um agradecimento

Portela 2019 nas campeãs, crônica de um agradecimento

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Ainda não aprontei o material da Portela, mas há uma passagem que está pulando na frente das milhares de imagens que fiz na Sapucaí, nesse carnaval. Como sempre, só costumo falar do que vejo e, com mais de 10 anos na pista, é surpreendente como a gente ainda vê coisas...

A Portela desfilou no mesmo dia da Mangueira e, por produzir um material bem minucioso sobre a bateria, acabei fazendo com menos rigor os desfiles das escolas que a antecediam, mudando o percurso que considero ideal para registrar os enredos e a evolução das agremiações.

Passei pela Portela, mas não pude prestar atenção em alguns detalhes. Entre eles, o motivo da grande quantidade de diretores e harmonia no entorno do abre-alas que trazia o primeiro destaque da escola, Carlos Reis, ladeado por Tia Surica e Monarco.

Olha o grau da responsabilidade, fotografar meus ídolos. Também fotografei os empurradores dos elementos alegóricos que, acoplados, trazia o símbolo da escola, a águia portelense.



No desfile das campeãs a Portela, quarta colocada, foi a terceira agremiação a se apresentar.
Na cabeça da escola, aproveitei para fazer com calma o registro de Cinthia e Adriano, filho do amigo de longa data e presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães.



Na sequência, a comissão de frente, a porta-bandeira e o mestre-sala, Lucinha Nobre e Marlon Lamar.



Foi quando, depois da apresentação do casal para o segundo módulo de julgadores, resolvi cruzar a pista para o lado oposto a cabine.

A melhor forma de fazê-lo era passar voando pela frente do abre-alas. Foi ali que vi, novamente, Elisa Fernandes, diretora de alegoria, responsável pelo abre-alas.

No meio do caminho, quando procurava um ângulo para fazer sua foto, veio em nossa direção o casal com o pavilhão da escola. Quer, dizer, na direção dela, Elisa.



Acreditem, fiquei quase vendo a cena que fotografei pelas costas, se não tivesse dado uma corrida e invertido o eixo. Porque, de mãos dadas com a diretora de alegoria, responsável pelo abre-alas, o casal a conduziu em direção a torcida!



Por ela, Elisa foi efusivamente aplaudida e, junto com o mestre-sala e a porta-bandeira, saudou o público das arquibancadas e frisas.



É claro que vi Elisa chorando, mas não por muito tempo.



Vi Elisa recebendo a bandeira para saudá-la.



E, depois, ser abraçada por Lucinha e Marlon. Vi mãos se encontrando nesse abraço carinhoso envolvendo a diretora de alegoria. De amor e admiração.



Guardei as imagens, sabendo que era o agradecimento pelo esforço feito por Elisa e uma incrível equipe, para superar um desafio, mais um, dos que presenciamos na pista. O abre alas havia cruzado a Sapucaí, no dia do desfile, no muque deles, dirigidos por ela!



Só tive noção do tamanho da superação quando, no dia 8 de março, dia Internacional da Mulher, Elisa Fernandes contou a história do desafio que caiu sobre seus ombros e, com a ajuda da harmonia para solucioná-lo, a Portela enfrentou nem seu desfile. Essa parte (a mais importante da história) você pode ler AQUI.

Aproveita para refletir...



Resolvi "recortar" esse episódio, porque quero celebrar o esforço de Elisa, a generosidade do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre e comemorar, com você, a chance de estar bem ali, e podido contar uma parte dessa (linda) história carnavalesca...



Aqui no vídeo da passagem do abre-alas com a águia pela torre, a caminho da Apoteose, dá para ter uma ideia do que foi a epopeia portelense.



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quinta-feira, 1 de março de 2018

Será por que?


Será por que?

Texto e foto de Valéria del Cueto
Quando a gente deixa de mandar no tempo, tem que dar tempo ao tempo.

Entre o “vou ali” e o “estou chegando” que quase nunca acontece, os fatos e acontecimentos vão tecendo uma teia de informações, necessidades e deduções que servem como desvios inequívocos à proposta inicial. Qual era mesmo?

Se e quando a teia te segura, só tem uma maneira de mudar o rumo: rompendo.

Foi o que fiz nessa tarde de quarta-feira na trégua entre uma chuvarada e outro alagamento. Danem-se intervenção, movimento, edição, grampolândia, paletó, vídeos, fotos, Detrans, PF, prende-solta, STF...

Fui aí, fui à praia! O caminho para Ipanema já denota um clima mais tranquilo. Menos vai-e-vem.
Esquece. Não é por causa da escalação de um militar para bater bola com Pezão, nosso hábil e impoluto governador.

É fim de temporada, menos turistas e retorno às aulas. Foram-se as férias. A lembrança mais frequente e barulhenta do verão são ambulantes aos montes. Antes da peneira natural que separará os vendedores tradicionais e de fé dos de temporada, os que não resistem ao marasmo do pós- carnaval.
Como estou em débito no quesito crônica semanal aproveito para diminuir a desvantagem falando, entre outras coisas de... carnaval.

O mundo carnavalesco aguarda, com a mesma ansiedade que eu (aquela que faz o tempo não passar), o resultado de uma plenária da Liesa, a Liga das Escolas de Samba, do Grupo Especial do Rio de Janeiro que acontecerá hoje! Daqui a pouco.

O ser ou não ser da questão posta na mesa dos “eleitores” presidentes das escolas do dreamteam carioca é (mais) uma alteração no resultado do carnaval. Agora no de 2018.

Pelo regulamento duas escolas deveriam cair para o Grupo de Acesso, subindo sua campeã para o Especial. Voltando, assim, ao número original de agremiações.

Esse equilíbrio, de 6 escolas por noite, deixou de existir ano passado quando a mesma plenária da Liesa decidiu não rebaixar as envolvidas nos acidentes com os carros alegóricos, a Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti, que marcaram o espetáculo em 2017.

Para esse ano a regra estabelecida era a queda de duas escolas só que, assim como a Paraíso do Tuiuti surpreendeu chegando ao vice-campeonato, do outro lado da tabela, a Grande Rio foi abatida por um problema em um de seus carros alegóricos que nem sequer chegou a entrar na Sapucaí.

Na véspera da apuração já corria um zumzumzum que haveria alteração e a escola de Caxias e, por tabela, o Império Serrano, também na lanterna, seria beneficiada.
O lobby na mídia dava conta, antes da primeira reunião da Liga após o carnaval, que a decisão era pule 10 e estava tomada por unanimidade. Portela e Mangueira avisaram que eram contra. O martelo ficou para ser batido numa plenária extraordinária marcada para daqui a pouco.

Imaginem a repercussão do fato, suas consequências e como está reverberando no mundo do samba. Para a maioria o “perdão” representa (mais) uma desmoralização para o carnaval carioca. Só que... apenas poucos e seletos votos são computados para resolver a demanda.

A dedução é sua, caro leitor. O que faria os envolvidos na questão tomarem uma medida que, claramente, desmoraliza a seriedade do julgamento e desgasta a imagem da Liesa?
...
No dia seguinte, um reflexo dos tempos...

Apenas duas escolas votaram pela manutenção do regulamento. Grande Rio e Império Serrano ficam no Grupo Especial.

Tal “providência” foi suplicada pela maioria absoluta dos presidentes, de acordo com o ofício do prefeito Crivella informando não se opor ao aumento do número de escolas no Grupo Especial.
Por que será?


*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É Carnaval”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Portela ensaio técnico, carnaval 2017

Portela ensaio técnico, carnaval 2017

Escola de samba Portela ensaio técnico para o carnaval 2017, no Sambódromo Darci Ribeiro, Marques de Sapucaí, Centro do Rio de Janeiro, Brasil, domingo, 12 de fevereiro de 2017.

O enredo desenvolvido Comissão de Carnaval da azul e branca de Osvaldo Cruz,  formada por Fábio Pavão, Claudinho Portela, Moisés Carvalho e Paulo Barros, é "Quem nunca sentiu seu corpo arrepiar ao ver esse rio passar”

ensaio fotográfico  é de Valéria del Cueto

Clique AQUI para ver o ensaio completo no Flickr
Portela carnaval 2017, ensaio técnico

Portela no carnaval 2017

A escola é a quinta agremiação a desfilar na noite de segunda-feira, 27 de fevereiro, no Grupo Especial do carnaval carioca de 2017

Informações sobre a Portela



Agradecimentos à Riotur e Liesa

Para mais informações curta nossa página no facebook Carnevale di Rio


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domingo, 8 de junho de 2014

Outra coisa...

Portela 140308 171 carro gigante olhar fechado torre
Texto e foto de Valéria del Cueto
Uma coisa é uma coisa. Outra você já sabe, né? A espera é difícil e a floresta está assim: sentindo o bafejar da respiração do gigante já no seu sétimo sono, pronto para acordar. E em polvorosa.
O que se vê é uma correria louca em meio aos protestos de espécies inteiras que decidiram cruzar as patas e mostrar a cúpula do reino florestal que até o bicho pode pegar.  
Dias antes dos jogos florestais mundiais com as delegações chegando as canchas ainda estão sendo preparadas. Às pressas, nas coxas dos elefantes e a toque de bicho preguiça.
As trilhas da floresta tampouco estão nos conformes. Pela terra, há inúmeras passagens obstruídas e locais perigosos cheios de armadilhas, inclusive humanas. Não há sinalização adequada. Os cipós, por exemplo, não têm certificação de pesagem (já pensou se um gorila desavisado se pendura no galho que suporta apenas o mico preto?).
Que animal pode em sã consciência dizer que está tudo “calmo e operante”?
Se a organização está um caos, só resta bancar a formiga, tentar trabalhar e armazenar alguma reserva para os dias de competição que virão. O problema é que os alimentos estão pela hora da morte! Esse é o único refrão que a cigarra, coitada, tem cantilenado por aí.
A pobrezinha anda deprimida por ter sido trocada por uma cacatua qualquer como um dos cantores do evento (fazia parte do coro). Os cardeais também não ficaram nem um pouco felizes com a importação de uma espécie exótica para “puxar” a cantoria oficial. Claro que a “coisa” não pegou...
Foram esses pequenos detalhes que ao longo dos últimos dias mostraram à bicharada (já não andava muito satisfeita da vida), que poderia ficar muito pior. O aluamento da enta anta e conselheiros, parecendo viverem num mundo de faz de contas animal, onde uma aguaceira no teto vira pingo e a falta um tudo quase nada, só piorou a situação fora do prazo e  controle.
Se a vida está assim para fauna da floresta, imagina o que rola para a flora. No conjunto, então, nem se fala. Tá todo mundo revoltado com a falta de atenção para, por exemplo, as comemorações do dia Mundial do Meio Ambiente, totalmente escanteado e esquecido. Como se não fosse o momento em que o mundo inteiro volta seus olhos e  seus corações ( os que os têm, é claro), para reverenciar a mãe Natureza. Que tristeza!      
Depois não entendem por que tem tanto bicho tirando um cochilo em baixo das árvores, comendo quieto e esperando o dedão do pé do gigante se mexer!
Não vai pegar essa tentativa de “SOMOS UM SÓ”. A passarada carioca está piando  e conta que por lá, já caíram na esparrela do SOMOS O RIO. Mostraram no que está dando a péssima escolha para a Mata Atlântica local: mal governada, espoliada e, pior, horrorosamente mal cuidada, o local do encerramento da competição florestal está num estado deplorável!
Por mais que as maritacas  governamentais insistam em encher os ouvidos e olhos do mundo com jingles e imagens piegas e emocionais produzidas para induzirem a mata que está tudo verde e amarelo, os milhões gastos em propaganda copiada dos marqueteiros políticos não estão pegando na veia. Nem no tranco! Tem bicho azul de raiva, urrando pelas trilhas.
Mas não se enganem os que pensam que a floresta não está ligada no esporte, paixão e alegria da rapaziada. Nos jogos que serão acompanhados fora dos campos e estádios (já que os lugares nas arenas ficaram fora do alcance das patas dos animais locais), quando o gigante acordar não vai ter para ninguém. Dentro e fora dos campos da competição.
Por que, nesse caso, duas coisas são uma só. A maior paixão da fauna da floresta é o orgulho que os deixa azul de vontade de serem campeões. Mais uma vez...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

domingo, 8 de abril de 2012

Portela - feijoada de abril




Fui passear na nova quadra da Portela. O motivo era nobre: feijoada da Velha Guarda, comandada por Monarco, com participação de Almir Guineto.

Registrei o show, as companhias da embaixada, alguns ângulos interessantes do espaço - gostei de explorar as luminárias - e detalhei o altar com os santos de devoção no palco, como já fiz na Mangueira.

As duas últimas fotos foram as que mais gostei: George, passista da Mocidade é o "malandro", a última é da série dos pés do samba...

De lambuja, assisti o presidente Nilo anunciando que o enredo da azul e branca no carnaval de 2013 será os 90 anos da Portela e os 400 anos de Madureira.

* Agradecimentos ao Viola, assessor de imprensa da Portela pelo gentil convite e aos componentes retratados.

** Fotos de Valéria del Cueto para o Sem Fim...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Portela - ensaio técnico carnaval 2012




Foi o primeiro ensaio técnico que consegui acompanhar, no dia 14 de janeiro.

Nele, tive a oportunidade de checar as condições de luz para os ensaios técnicos, diferentes do ano anterior, graças as obras de ampliação que estão sendo realizadas no sambódromo da Marques de Sapucaí.

Havia uma grande expectativa sobre o desempenho do samba da azul e branco de Oswaldo Cruz, considerado o melhor da safra 2012. Entre os autores da obra, um representante do Leme: o cantor e compositor Wandeley Monteiro.

Assistindo pela primeira vez ao ensaio técnico de sua escola o portelense Adriano, filho de Cinthia e Luíz Carlos Magalhães reinou na avenida.

*agradecimentos Liesa, Riotur e os componentes da Portela.
** fotos de Valéria del Cueto para o SEM FIM... no carnaval 2012

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sem Fim... no Carnaval 2010 - Sambódromo Segunda-feira




Sapucaí, na segunda noite do desfile das Escolas do Grupo Especial.
Mocidade Independente de Padre Miguel
Porto da Pedra
Grande Rio
Vila Isabel
Mangueira

* Fotos de Valéria del Cueto para o Sem Fim...
** Estas fotos ilustram a matéria Sapucaí, a Rua chamada Desejo no mundo do samba carioca, publicada no Sem Fim...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

De azul e branco


Alguns componentes que fotografei na concentração.
Este álbum fecha a série que produzi no ensaio técnico da Portela dia 20 de dezembro de 2008>
Portela - ensaio técnico 2009
Dodô da Portela
Portela 2009 - ensaio técnico 20 dez 09

Portela 2009 - ensaio técnico 20 dez 09


Imagens do primeiro ensaio técnico da Portela, dia 20 de dezembro de 2008. Experimentação de fotografar em RAW e operar simultaneamente a câmera de vídeo da Lumix, o que pretendo fazer durante o desfile de 2009, gravando em vídeo na armação e na dispersão e fotografando na pista.

A maior dificuldade é na finalização. Como não tenho experiência, demorei demais...
A série começa com as fotos da "Dodô da Portela" e se encerra com "De azul e branco"

Eis o resultado em vídeo

Dodô da Portela


Registrei no ensaio técnico da Portela, dia 20 de dezembro, na Sapucaí, algumas imagens de Dodô.

Passei uns dias pensando no que escreveria para introduzir as fotos. Foi aí que Vagner Fernandes publicou um artigo sobre ela, no Jornal do Brasil.

Mais não tenho a dizer. Cabe-me apenas o prazer que tive de passando por ela, na armação da escola, fotografar um ícone da Portela.

Leia o artigo no link: Dodô da Portela: A verdadeira majestade do samba
*Infelizmente o link está quebrado!

sábado, 25 de outubro de 2008

Nominados - General | LATIN GRAMMYS 2008 | LAMUSICA.COM |

http://informativo.musicaemidia.com.br/lt.php?id=H%7C6156107%7C6886%7C731
Tá bom, você vai dizer que a música no player do SEM FIM é torcida pela escola, mas não é não. Há que se reconhecer um talento que ainda tem muito pra aprender, mas está super bem encaminhado. Falo de Diogo Nogueira, pela terceira vez consecutiva um dos parceiros (junto com Ciraninho) do samba enredo da azul e branca de Madureira e que concorre a Grammy Latino na categoria "mejor nuevo". Seu voto é tudo! no link acima...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

POR FALAR NELA, AI VEM PORTELA

POR FALAR NELA, AÍ VEM PORTELA
Texto e fotos (ainda não reveladas) de Valéria del Cueto
fevereiro 2007
Não há nada pior no mundo que a inércia. Detesto ser assim. O bom é quando este estado de paralisação passa e faz-se o movimento. Aí, só resta assumir o prejuízo e lamentar o tempo perdido. Fica mais fácil se não valorizarmos muito a perda e conseguirmos aproveitar o tempo que virá.
É com este espírito e disposta a seguir esta linha filosófica que me dirijo a você. Sou um exemplo clássico desta vertente. Sua última manifestação foi mais uma prova inconteste da força da lei da física.
Sábado, sete da noite, janeiro no Rio de Janeiro, pós praia. Final de semana que antecede um carnaval até certo ponto atípico já que, apesar de ser jornalista e estudante aplicada do curso de Gestão e Eventos de Festas Carnavalescas do Instituto do Carnaval, consegui a façanha de ter negado o pedido de credencial do jornal que me daria acesso ao desfile das escolas de samba na Marques de Sapucaí.
Fiquei tão chocada com o impedimento que resolvi “relevar” e não pensar em desfile este ano. Pra não chorar, comecei um exercício para encontrar outras formas de abordagem da festa, tentando dar uma de Poliana e fazer do limão uma limonada.
Tarefa difícil... Como tive de trancar a matrícula no segundo período do ano passado, já que estava numa missão cinematográfica em Brasília, também não estava em contato com meus ilustres colegas de turma. Todos envolvidos, de uma maneira ou de outra, com as escolas de samba.
“Deixa rolar”, pensava eu, enquanto olhava as chuvas torrenciais de janeiro, morrendo de preguiça e sem muita energia, encolhida no sofá da sala. “Las cosas pintan” citava o ditado de um guitarrista uruguaio, amigo de passagem pelo Brasil a caminho da Europa, nos meus tempos de Quatro Ilhas, Santa Catarina.
Claro que o tema “blocos do Leme” foi o que primeiro começou a ser cogitado. Facilzinho, tranqüilo e caseiro. Nenhum problema de segurança, o que permite o uso despreocupado do meu equipamento fotográfico.
O Sorri Pra Mim, bloco de Vila Isabel era uma opção natural e imediata, já que é organizado pelo Marçalzinho e homenageia seu pai, Mestre Marçal. Toda a família Marçal está na minha mira: este é o tema da minha monografia na faculdade.
Havia ainda uma possibilidade que eu deixava passar a cada final de semana, deste o início do ano: os ensaios técnicos da Sapucaí. Festona que levava milhares de pessoas ao Sambódromo a custo zero. Acho que não queria ir até lá para não sentir o gostinho do que não teria no carnaval: a avenida toda pra mim. Resisti enquanto pude. Me esforcei até o final. Mas, no sábado derradeiro os deuses decretaram que estava no meu destino estar na Sapucaí.
O que me levou foi a Portela. Igual ao rio do Paulinho da Viola. Tudo conspirou a favor. Um grande amigo estava na cidade. Entre solícita e curiosa, perguntei como quem não quer nada: “Você já assistiu a um desfile de escola de Samba?” “Não”, me respondeu ele interessado. “Já esteve no sambódromo?” Insinuei. Intrigado, afinal ainda não conhecia os ensaios técnicos, perguntou qual era a idéia. Aí joguei o laço: “Você gosta da Portela?” E me enforquei.
Compromisso assumido, rumamos para a Sapucaí depois do tempo necessário para que eu marcasse encontro com outros adeptos do programa e seus turistas a tiracolo. Desta vez os visitantes eram chilenos. Cito a procedência pra que vocês possam comprovar a variedade cultural envolvida.
A força final que me moveu em direção a passarela do samba foi a experiência que tive no último carnaval com a Portela e seu desfile, digamos, catastrófico para mim. Teria oportunidade de ver o trabalho de Nilo Sérgio, o mestre de bateria que é um dos meus ídolos desde então. Queria ver como viria a bateria que me encantou no ano anterior e da qual não guardei nenhum registro. Que frustração...
Outro motivo era ver o que o desempenho do samba deste ano, composto entre outros, por Diogo Nogueira, filho de João Nogueira. João, compositor de primeiríssima linha, jamais ganhou uma disputa de samba na Portela. Diogo, seu filho, o faria por ele. Desde que o samba foi escolhido que vinha sendo falado. Uns diziam que seu mérito era ser um samba com “andamento antigo”, outros que teria sido feito por Arlindo Cruz e “assinado” pelos meninos. Onde há polêmica há curiosidade.
E lá fui eu, rumo à Sapucaí. Escolhemos o setor 11, uma das arquibancadas mais vazias. Chegamos no meio do ensaio da Imperatriz. Só deu pra registrar a presença de um... bacalhau na avenida. Aproveitei para testar minha posição, bem em cima do recuo de bateria, decida incorporar um torcedor e suas possibilidades de registrar a festa. Me saí bem.
No intervalo me concentrei tanto no meu papel que consegui levar uma pancada no nariz de um ambulante que vendia cerveja. Ele disse que eu empurrei a caixa e reclamou do prejuízo que teria se a caixa tivesse caído. Eu retruquei que só sentia dor no nariz. Ele avisou que quebraria meu equipamento fotográfico se a caixa tivesse caído e se ele tivesse tido prejuízo. Tentei a paz sugerindo que ele não se zangasse e guardasse suas forças para algo mais consistente que seus “ses”.
Antes que o rapaz terminasse suas ameaças minha atenção foi atraída pela música que começava ao longe, de um único carro de som no início da avenida. Cortei o assunto: “Meu irmão, agora chega. Lá vem a Portela”.
Era ela, ao longe. Primeiro a comissão de frente olímpica, depois a águia prateada, símbolo da escola, com uma medalha de ouro no pescoço. As baianas de saias godês azul e branca, que se abriam a cada rodada, vinham na seqüência. As alas passavam e, na arquibancada, até quem não conhecia o samba inteiro começava a cantar. Sua melodia, assim como a águia, voava sobre a escola.
O som da bateria foi aumentando, Nilo Sérgio comandava a entrada no segundo recuo, a passagem dos instrumentos mais leves para a frente, pelo corredor do meio e a colocação correta dos componentes. O samba rolava solto, enquanto as alas da escola evoluíam.
Era o rio que, ali, sem fantasia, passava pela avenida. E mostrava anos de história e tradição que tenta se manter e sempre evoluir. Na baqueta de um novo mestre de bateria, com novos talentos do samba, permanece sua identidade. O Nilo Sérgio que mostrava personalidade e deixava sua marca pessoal no comando dos instrumentos, era o mesmo que entre eles, trazia para avenida um naipe de liras. Os jovens compositores beberam na fonte de antigos sambistas, voltando aos sambas melódicos.
Em cima do carro de som, entre os puxadores, os meninos literalmente brincavam. Diogo Nogueira, animava os portelenses que evoluíam no asfalto. Lembrei de João Nogueira. Pensei no orgulho que qualquer um teria em ver seu filho ali. Multipliquei a emoção por ser ele um compositor. Elevei algumas potências por ser ele um portelense. Se o meu coração se deixou levar, imaginem o que está acontecendo no de João, esteja ele onde estiver...
Era apenas um ensaio técnico. Mas ali, para os que nunca viram e para aqueles que sempre hão de ver, estavam todos os símbolos da azul e branco de Osvaldo Cruz. A águia, a comunidade, a velha guarda, aquela bateria, um samba contagiante e mais um pedaço de história, das tantas já registradas, existentes sobre a Portela.
Valeria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito
http://delcueto.multiply.com

sábado, 15 de abril de 2006

FRUSTRAÇÃO...


FRUSTRAÇÃO


de Valéria del Cueto


abril de 2006

* este artigo não tem
foto de ilustração por motivos


que ficarão óbvios no
decorrer de sua leitura.





É hoje. E parece encontro marcado. É sexta feira e nada, nem
esta gripe chatinha que me atravanca as noites numa chiadeira insuportável, me
impede de correr para o meu desabrigo nuclear. Refiro-me ao meu núcleo de
reflexão, a Ponta do Leme, ao lado de Copacabana. Hoje vim aqui para refletir
sobre erros e acertos, sina e desejo. Vou falar de carnaval, desfile, fotos,
registro e magia.








Trabalhei muito este ano na avenida. Rodei pelo sambódromo
noites inteiras. Sem pauta fixa olhando em volta e registrando sons e imagens.
Me exauri fisicamente durante os desfiles, comecei a me recuperar quando
colocava os áudios que gravei na Internet no http://valeria-delcueto.podomatic.com e esperava as fotos
que fiz com minha Nikon tradicional serem reveladas. Depois, me acabei de novo
em muitas madrugadas analisando e editando o material que garimpei nos dias de
folia. Ele foi aos poucos apresentado no
http://delcueto.multiply.com.





Agora, aproveito o barulho do mar e esta paisagem tão
especial da Ponta Leme para refletir sobre o carnaval e minha produção momesca,
onde aconteceu de tudo: da frustração total àquele momento único, onde você
sabe que os Deuses querem que algo seja registrado e te escolhem para ser meio
e fim deste registro.




Vamos direto ao primeiro caso. Desfile da última escola na
manhã de terça feira. O melhor samba do ano havia acabado de sacudir a Sapucaí.
O Império Serrano, sob as bênçãos de São Jorge Guerreiro suspendera com seu
canto a chuva que ameaçara cair, para mostrar sua folia na avenida.





Ia começar o último desfile, a Portela fechava o Grupo
Especial. Estava cansada, mas ansiosa depois de conversar com Marçalzinho que
meses antes deixara a direção de bateria da escola. Ele havia me apresentado
seu sucessor, Nilo Sérgio, me falado do seu trabalho e eu queria registrar sua
performance.







Quando a bateria foi se aproximando do primeiro recuo, uma
coisa me chamou a atenção: gente da harmonia da escola rolava pela passarela,
em frente ao Setor Um, um queijo, um cilindro de mais ou menos uns 60 centímetros
de altura.





Começaram a cair os primeiros pingos de chuva. Graúdos,
insistentes e em velocidade progressiva. O tal tablado de madeira foi colocado
na frente dos instrumentistas e, nele, subiu Nilo Sérgio.







Eu tirava algumas fotos na entrada da escola quando a chuva
desabou. A máquina, bolsa, tudo ficou encharcado antes que houvesse tempo de
proteger o equipamento. Coloquei a capa de chuva em cima da roupa toda molhada,
corri para uma marquise procurando algo com que pudesse secar a máquina. A
única coisa um pouco menos encharcada que encontrei foi uma bandana que Márcio Wollman havia me dado no show dos
Stones, na semana anterior. Providencial. Sequei o equipamento da melhor
maneira que pude dando por encerrado o trabalho. Resolvi apenas assistir ao
desfile aquático que se desenrolava na minha frente. A escola evoluía.




Empurrada... pelo som de sua bateria, conduzida por Nilo
Sérgio, do alto do tal tablado que eu vira rolando pela pista. E ali estava a
inspiração. Forte o suficiente para levar a escola embaixo d’água avenida
afora. Extraordinária, a ponto de me fazer não pensar no prejuízo. Peguei a
câmera. Tirei a capa de chuva. Nela, nos enrolamos eu e a câmera e parti para o
recuo da bateria. Fotografei muito. A postura do mestre (ali, naquela momento,
mesmo novato na direção de bateria, Nilo Sérgio fez jus ao título) Seus gestos,
a expressão dos ritmistas, o medo da chuva afrouxar os instrumentos e desafinar
as peças, a garra dos anônimos portelenses, que se enchiam de novas energias
para cantar o samba e evoluir na pista em baixo das chuvas que caíam torrenciais.





Foi mágico. Fiquei exaurida. Peguei uma gripe, voltei para a
casa como um pinto molhado.
Na quarta feira de cinzas abri a loja onde revelo meus
filmes. Esperei pela Portela torcendo para ter conseguido fotografar e
registrar aquele encantamento. É mágico,
eu disse. E inexplicável, acrescento. O material dos desfiles estava todo lá.
Menos o filme da Portela. Fotos sobrepostas, impossíveis de serem aproveitadas.
Parte do filme velado. Nada, nada, do que vi e fotografei estava lá.







Nilo Sérgio ganhou o Estandarte de Ouro como revelação do
Carnaval 2006. A Portela, apesar das condições adversas do desfile, não caiu do
grupo Especial.







E eu, por ser tarde de sexta feira e poder estar aqui na
praia, no Leme, na Ponta, contando esta história (com h), já não me sinto tão
frustrada com a perda deste registro fotográfico que, para mim, teria um grande
valor. Afinal, estas palavras formam imagens, que se transformam em sons, que
têm o poder de fazer o meu coração pulsar ao ritmo da bateria conduzida por
Nilo Sérgio. E isto não é nada mau para quem, até este momento, tinha a
impressão errônea de que havia perdido tudo.



Valeria del Cueto é jornalista e cineasta


liberado para reprodução com o devido crédito


Este artigo faz parte da série "Ponta do Leme"

http://delcueto.multiply.com















sexta-feira, 3 de março de 2006

Sons do Carnaval

http://valeria-delcueto.podomatic.com
Enquanto o desfile das campeas nao vem, um pouco do que pude registrar em audio na Sapucai.

Tem o esquenta da Portela, e a abertura dos trabalhos da Portela, Mocidade e Viradouro, alem de outros registros.

O site eh o http://valeira-delcueto.podomatic.com

No lado direito, na primeira linha do contact info, voce pode se cadastrar e receber instantaneamente a comunicacao de novos audios.

Espero que voce goste do trabalho.

Valeria