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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O Milagre do Santo na Bateria da Mangueira

O Milagre do Santo na Bateria da Mangueira

No desfile da Mangueira, na segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017, com o enredo "Só com a Ajuda do Santo", do carnavalesco Leandro Vieira, caí dentro da escola fotografando antes, durante e depois da passagem pela Passarela do Samba Darcy Ribeiro, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Logo depois do carnaval de 2017 publiquei as fotos do desfile e da dispersão, na Praça da Apoteose, e guardei, cheia de ciúmes, o material da concentração do desfile de segunda-feira. Quando abri os arquivos, vi que ali havia uma história sendo contada. Avaliei que ele merecia ser destacado do restante do (enorme, diga-se de passagem) material da verde e rosa do desfile oficial e do sábado das Campeãs.

O Milagre do Santo

A preparação da escola foi especial. Focada na Bateria da Mangueira e na "montagem" dos instrumentos e o trabalho dos Mestres, diretores, coordenadores e ritmistas.

Acho que é o trabalho mais completo que já fiz dentro da proposta de "destrinchar" e sentir o que é a emoção de fazer parte desse grupo tão especial.

Boa parte das fotos  foi feita com uma lente 50mm. Registram a transformação dos ritmistas da Mangueira em monges franciscanos batuqueiros. De meninos do morro, crias da Mangueira, a anjos...
Aí foi ficando...

Até que hoje, aniversário do ritmista Marlon Gaia, mais uma vez, ele me cobrou (com toda a razão) suas fotos de "anjinho". Quando fui procurar, voltei no tempo ao ver essas fotos guardadas. Só para mim, enquanto esperava uma oportunidade para mostrá-las que nunca veio...

Não achei justo! Por isso, pedindo desculpas aos amigos de quem privei essa emoção até agora, apresento um dos trabalhos que mais gostei de produzir. Com e para vocês "O Milagre do Santo na Bateria da Mangueira"

Clique AQUI ou na foto  para ver o álbum do FLICKR Mangueira carnaval 2017 - concentração "O milagre do santo na Bateria da Mangueira

Quer mais Mangueira?

Clique AQUI para a coleção completa das fotos do Desfile de sábado das Campeãs. E AQUI para acessar o álbum do desfile oficial, na  segunda-feira, 27 de fevereiro.

Agradecimentos aos Meninos da Mangueira, ritmistas, diretores e mestres que, junto com Rafaela Bastos, constroem essa linda história a cada encontro ou evento registrado.

O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Studio@delcueto, objetos fotográficos

Studio @delcueto

Imagens que se re-interpretam, re-significam e agregam valores, traduzidas em objetos cotidianos. São registros de Valéria del Cueto com outras (boas) intenções.
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A maior lição da 40º Califórnia da Canção: menos vale mais!

A maior lição da 40º Califórnia da Canção: menos vale mais!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Num fim noite de domingo do mês de dezembro em 2017, três cidades gaúchas premiavam simultaneamente ganhadores de festivais de músicas nativistas: a XX Seara da Canção, em Carazinho, o XI Canto Sem Fronteira, em Bagé, e o mais antigo festival do Rio Grande do Sul, a 40º Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana.

Escolhida entre as 20 concorrentes (selecionadas entre 571 inscritas), a canção de Silvio Genro, “Um homem, um cavalo e um cachorro”, vencedora da Linha Manifestação Rio-Grandense, levou o troféu Calhandra de Ouro disputado com os ganhadores das Linhas Livre, a milonga “Aprendendo a morrer”, de Mauro Ferreira e Luis Carlos Borges, e a Campeira, com a chamarra “Sobra de baile”, de Anomar Danubio Ferreira e Juliano Gomes.

Um homem, um cavalo e um cachorro, a campeã. Intérpretes pilchados Luiz Fernando Baldez e Ricardo Tubino. Silvio Genro: passeio completo
As mulheres, sempre número reduzido nos certames nativistas, se destacaram levando os prêmios de melhor intérprete, para Shana Muller defendendo a milonga “Amor em Trova de Lua”, de Gujo Teixeiras e Sérgio Rojas, e de melhor arranjo, da maestrina Dunia Elias, na linda toada “Tatuagens”, de Gilberto Carvalho e Lenin Nuñez.

Shana Muller, melhor intérprete, e Sérgio Rojas em "Amor em trova de lua"
Realizado em meio a crise econômica que afeta todos os setores locais, estaduais e do país, o evento literalmente quente e com preços salgados (250,210 e 150 reais as permanentes para os três dias), não conseguiu lotar, como nas primeiras edições, o Teatro Municipal Rosalinda Pandolfo. O que, por um lado, foi providencial, já que o sistema de ar condicionado da sala, não funcionou a contento.

Iluminação frenética - A plateia, composta em sua maioria por pessoas de mais idade, além do calor comum na região nessa época do ano, teve que suportar o uso excessivo de fumaça cenográfica e o cheiro característico do efeito, e especialmente no primeiro dia, da insuportável luz estroboscópica usada em demasia cegando os assistentes. Se a situação era ruim na plateia inferior imagine no mezanino onde o valor dos ingressos era mais em conta e a ausência de ventilação  concentrava a fumaceira.

Cenografia equivocada - Os recursos serviram para tentar camuflar o cenário precário composto por um gigantesco banner de fundo, com a imagem dos “tartarugas ninjas” pampeiros (definição dada por um seguidor de muitas Califórnias) do cartaz oficial, com marcas das dobras do plástico brilhante.

 Tartaruga Ninja Pampeira no cartaz da Califórnia da Canção
O cuidado com a ambientação cenográfica inexistiu. As cadeiras utilizadas pelos músicos, por exemplo, eram as do Centro Cultural. De plástico azul turquesa, combinavam apenas com a bermuda da mesma cor do assistente de palco inapropriadamente paramentado de “show de praia” para a ocasião. Ficou a cargo dos participantes, concorrentes e convidados, com suas pilchas e instrumentos, criarem o clima que remetia ao motivo da festa. E eles não se fizeram de rogados.

A sonorização - Talvez funcionasse a contento na mesa de som para o registro sonoro do espetáculo, mas estava precária dentro do teatro onde estavam os pagantes. Um detalhe: não apenas uma, mas duas vezes, as apresentações foram interrompidas por problemas técnicos. Nunca, antes, na história da Califórnia tal fato aconteceu.

Os shows - Nos dias que antecederam o início da Califórnia foram anunciadas substituições no “grid” dos shows. No lugar da Camerata Pampeana se apresentou Luis Carlos Borges. No de Ivan Lins, João Almeida Neto, que dividiria o palco com Mauro Moraes na abertura da 3º noite, foi remanejado para o encerramento. Quem ganhou foi o público. Se o nível da disputa foi bom, considerando o número de festivais nativistas existentes no estado, os shows foram melhores ainda!

Mano Lima encerrou a primeira noite, infelizmente com um público aquém do desejado, envolvendo a pequena plateia com seu espírito missioneiro. Na etapa seguinte, a dupla Mario Barbará e Chico Saratt, levantou pela primeira vez a plateia apresentando seu mais recente trabalho “Os Desgarrados”. Uruguaiana aplaudiu de pé! Enquanto se aguardava o resultado do júri foi a vez de João Almeida Neto passear pelos corredores do Teatro Municipal e por seu vasto repertório regional segurando a ansiedade do público ele fechou a 40º Califórnia da Canção com clássicos de Nelson Gonçalves.

A mais - Uma constatação elementar é o fato de que basta uma apresentação por noite. Com o início por volta das 22h, os shows de abertura – “Os Uruguaianenses Cantam sua Terra” (com enxerto excessivo de convidados), Luiz Carlos Borges e Mauro Moraes -, as eliminatórias/final, além dos espetáculos de encerramento, a maratona se estendia até as 2:30h, em plena madrugada. Cadê tempo para acompanhar as Tertúlias que aconteciam na praça em frente ao teatro? O tradicional e aguardado encontro musical funcionou.

Contrapartida - Esse extenso roteiro foi um dos motivos para inviabilizar a utilização, por parte das escolas, dos ingressos doados como contrapartida pelos benefícios da LIC - Lei de Incentivo de Cultura do RS. Distribuídos para unidades que mantém trabalhos “campeiros”, não foi providenciado transporte para o acesso dos alunos ao teatro no centro da cidade. Como retornar às suas casas num horário tardio, em que as linhas de ônibus não funcionam?

Excessos - A distribuição de comendas e a participação (e/ou ausência) de autoridades também provocou atrasos, especialmente com discursos de cunho político e repetitivos. Outro ponto que não passou desapercebido foi a proibição para o público de consumo de bebidas e alimentos no interior do teatro. Devido ao calor, a água foi liberada a partir do segundo dia. Mas a regra só valeu para o público...

Bebida e comida na plateia: proibida para o público, mas o prefeito Ronnie Mello manda ver...
Que venha a próxima - Sem a presença no palco na hora do anúncio dos resultados de ninguém mais além dos premiados, objetos e motivos da festa. O que se viu nessa edição foram caroneiros que não fazem parte contexto tirando uma casquinha e atrapalhando o registro final dos protagonistas do mais expressivo movimento musical criado para valorizar e representar o verdadeiro nativismo gaúcho.

Calhandra de Ouro, a foto oficial: eles e outros. Carona na fama
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Marcada de poeira e pampa, vem aí a 40º Califórnia da Canção

Marcada de poeira e pampa, vem aí a 40º Califórnia da Canção

Texto  de Valéria del Cueto
O nativismo gaúcho está em festa nesse final de semana em Uruguaiana, na fronteira oeste, divisa com a Argentina. A cidade volta a ser voz, alma e coração do movimento cultural que sacudiu o estado e se espalhou por todos os rincões brasileiros onde a cultura rio-grandense fez morada com a chegada de imigrantes do Rio Grande do Sul.

Dizem que a Califórnia da Canção, idealizada por Colmar Duarte, no início da década de 1970, está para a cultura gaúcha assim como a Semana de Arte Moderna de 1922 está para São Paulo. Hoje, é Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul e motivo de orgulho para quem viveu essa história de amor e resistência cultural.



Volta às origens

Depois de explodir nos anos 80 e gerar o fenômeno nativista que chegou a alcançar mais de 100 festivais espalhados por todo o Rio Grande a Califórnia perdeu força devido ao gigantismo do evento. Grandes shows e o crescimento da Cidade de Lona, onde inicialmente se realizavam as tertúlias musicais nos acampamentos campeiros dos participantes, acabaram por descaracterizar a festa.

Retornando às suas origens, a 40º Califórnia da Canção do Rio Grande do Sul volta a ter um formato mais enxuto ocupando, dias 8, 9 e 10 de dezembro, o palco do Teatro Municipal Rosalinda Pandolfo Lisboa.



O virtuose Yamandú Costa, melhor instrumentista numa das edições - arquivo Jornal Cidade



Instrumentista consagrado, Renato Borguetti marcaram presença no festival
Foto de Anderson Petroceli

O formato do festival
Califórnia que dizer em espanhol “conjunto de coisas belas”. O termo também é usado no Rio Grande do Sul para designar"competições entre vários concorrentes em busca de grandes prêmios".

E assim o é... Foram inscritas 571 composições e, delas, selecionadas as 20 músicas que concorrem em três linhas: a Campeira, identificada com usos e costumes do campo, com  instrumentos acústicos e arranjos vocais que guardem a simplicidade do canto campeiro; a de Manifestação Rio-grandense, enfocando aspectos socioculturais e geográficos, instrumentos acústicos e elétricos, como contrabaixo e piano elétrico, e liberdade de arranjos vocais e a Linha Livre, com sentido de universalidade artística, sem restrições ao instrumental ou vocal. Dentre os campeões das três linhas é escolhido o vencedor da Califórnia.

Onze compositores premiados em edições anteriores garantem a qualidade musical do evento esse ano. Um deles, Mauro Ferreira, poderá, caso ganhe mais uma edição, levar definitivamente para casa a cobiçada Calhandra de Ouro, prêmio máximo do festival. O troféu ficará definitivamente com o quem conseguir vencer cinco vezes o certame.

Palco Nativista da 36 Califórnia - foto Anderson Petroceli

O que atraiu tantos talentos, alguns há anos afastados da competição, foram os valores da ajuda de custo e dos prêmios, realinhados para valorizarem a competição, diante de outros festivais existentes no estado.

Efervescência cultural

Quem comparecer as duas eliminatórias e a final, disputada pelas 12 composições semifinalistas, também poderá acompanhar os shows de abertura e encerramento das noites que trarão ao Teatro Municipal, com capacidade para 1.200 pessoas, cantores e instrumentistas que já participaram de edições anteriores e, certamente, farão o público relembrar   momentos inesquecíveis cantando clássicos rio-grandenses vencedores - ou não - das disputas pela Calhandra de Ouro.

Cidade de Lona na Pastoril, lembrança inesquecível para os amantes da Califórnia (arquivo Jornal Cidade)

Com o fim da Cidade de Lona, localizada na Agrícola Pastoril, desde a 37º Califórnia, as Tertúlias, encontros musicais informais dos músicos e grupos nativistas que esquentavam as madrugadas campeiras, serão realizadas na praça central de Uruguaiana, a Barão do Rio Branco. O local que também abriga, desde 29 de novembro, a 41º Feira do Livro e a 2º Jornada Literária.
[ Calhandra de Ouro: prêmio máximo da Califórnia , objeto de desejo dos participantes - Foto de Anderson Petroceli

NATIVISMO: força de um movimento nascido da exclusão.

Em 1970 o compositor e escritor Colmar Duarte, hoje com 85 anos, inscreveu uma música num festival de MPB promovido em uma rádio local. A primeira grande dificuldade, conta ele, foi encontrar intérprete para “Abichornado”, termo gaúcho que significa triste e dava o nome da milonga de sua autoria. Na falta de quem aceitasse a missão de interpretá-la nasceu “Os Marupiaras” (pessoas felizes, em guarani), grupo composto pelos irmãos Colmar e Ricardo Duarte, Júlio Machado e Tasso Lopes.

Na falta de intérpretes, surge o Grupo Os Marupiaras. Colmar Duarte criador da Califórnia é um de seus componentes. ( arquivo Jornal Cidade)

A composição foi desclassificada sumariamente por se tratar de tema regional. “Foi classificado um baião cantando a seca do Nordeste”, conta Colmar, lembrando um trecho da composição: “Quero plantar minha roça, o tempo não deixa, não faço queixa, não vou chorar, e um boleto cantado em espanhol”, se recorda. “Na minha terra, o coração geográfico do Pampa, berço da cultura regional, se podia cantar em outro idioma, lamentar a seca do Nordeste, mas não se podia cantar a própria terra!”

Isso levou a criação da Califórnia. “O movimento tradicionalista gaúcho, que começou em 1947, ensinava a respeitar os ancestrais. Mas éramos apenas descendentes” ressalta. “O fenômeno que a Califórnia gerou trouxe o orgulho, os costumes campeiros para o cotidiano do povo gaúcho. O nativismo valorizou e popularizou hábitos anteriormente desconsiderados como símbolos culturais”.

Colmar destaca que “na época havia apenas uma costureira na região que ainda sabia fazer com perfeição as tradicionais bombachas gaúchas. Hoje, existem duas fábricas em Uruguaiana do produto”. Ele cita outro exemplo fácil de ser constatado: “Tomar chimarrão hoje é um hábito da juventude que se orgulha em viajar sempre levando seu equipamento composto de cuia, bomba e térmica para qualquer lugar, seja na praça de uma cidade gaúcha, ou numa praia do litoral de qualquer estado do país”, comemora.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fronteira Oeste do Sul”, do SEM   FIM... delcueto.wordpress.com

Edição Enock Cavalcanti
Diagramação Luiz Márcio – Gênio
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sábado, 2 de dezembro de 2017

Quem vai pra onde?



Quem vai pra onde?

Texto e foto de Valéria del Cueto
“Deu pra ti, vou ali e volto quando der” informa num bilhete curto e grosso Pluct, Plact à sua querida amiga, a cronista enclausurada. A revolta do extraterrestre é mais que justificada e não foi levada para o lado pessoal pela destinatária.

Serviu como deixa para informar o destino do viajante intergaláctico revoltado: Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde o que se dá para o baixo astral é... tchau!

Antes de rumar para o sul, qual pássaro na época migratória, Pluct, Palct tentou voos mais ousados. Embicou sua aeronave espacial para o céu e deu um gás nos motores antes de se lançar ao infinito.

Conseguiu chegar só até ali. Bateu no poderoso escudo formado pela combalida camada de ozônio poluída e, num efeito bumerangue australiano perfeito, voltou ao ponto de partida.

Para provar sua tentativa frustrada fez fotos da Cidade Maravilhosa do alto. Foram elas que chegaram às mãos da cronista em seu refúgio do outro lado do túnel junto com o bilhetinho codificado.

Na dedicatória, outra pista do motivo de sua retirada estratégica: “Vista de um dos poucos lugares em que o codinome continua fazendo jus ao Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa só de cima. Beeeem de cima”

Em outros planos e pontos de vista o que se vive e vê no Rio é a lama!

A falta de vergonha e medida fez do presídio em Benfica o lugar que reúne o maior número de corruptos bandidos (ou será bandidos corruptos?) por metro penitenciário quadrado.

A área devidamente gradeada e frouxamente protegida abriga barba, cabelo e bigode da política fluminense. Ali estão décadas do poder político eleito pela população do estado. Parte do joio que se achou melhor que o trigo e que, acreditando piamente na impunidade eterna, contaminou os poderes executivo, legislativo e costumava ser protegida pelo judiciário.

Aquele que age pedindo vistas do processo no julgamento do Supremo Tribunal Federal que pode acabar com o foro privilegiado.

Se está ruim de ser digerida pelo estômago sofisticado do caminhão basculante de lixo intergaláctico, imagina pelo órgão digestivo de simples mortais?

Simples mortais, extraterrestres... que diferença fará para os degustadores de presunto de Parma, bolinhos de bacalhau e camarão, contrabandeados para dentro das celas penitenciárias para deleite dos políticos aprisionados em Benfica? Haja estômago para aguentar tanto abuso.

O nosso, porque o deles está empanzinado de deliçuras enquanto funcionários públicos caem da corda bamba sem conseguir tirar o nariz de palhaço nem sobreviver com seus salários atrasados.

Enquanto assistem de camarote o desenrolar do encontro de ex-rivais, agora irmanados e igualados pelas regras de convivência dos presídios cariocas.

Isso explica a deserção momentânea de Pluct Plact? Claro que não. Ela tem um motivo de força maior e mais feliz.

De Porto Alegre seguirá quicando até a fronteira oeste onde pretende representar a cronista num evento musical, a Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, em Uruguaiana. O encontro nativista marcou a vida de sua amiga exilada. Como ela não poderá comparecer a sua quadragésima edição por motivo de encarceramento voluntário maior, caberá a ele representá-la condignamente e mantê-la atualizada sobre as composições concorrentes.

Melhor que ouvir choradeira da família Garotinho e aturar a depressão provocada pela falta de quitutes gastronômicos da difícil vida fácil de Cabral e seus parceiros de ladroagem no subúrbio carioca, não acha, caro leitor?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Fábula Fabulosa” do Sem Fim delcueto.wordpress.com
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Baleia alheia

Baleia alheia

Texto e foto de Valéria del Cueto
Como todo mundo essa semana, deixei para depois. Se os deputados e senadores podem, se Ministro da Agricultura pode, por que não poderia eu?

Ao contrário deles tenho algumas desvantagens. Um exemplo? Não tenho o povo para bancar minhas férias, feriados e dias enforcados. Também não rola quem garanta meu décimo terceiro, transporte, habitação, alimentação, viagens, diárias e aquele cartão corporativo básico. Fazer o quê? Fiz uma escolha e não me arrependo.

O que não me isenta de também querer deixar para depois em alguma hora. Não me sinto bem em não cumprir meu compromisso semanal pontualmente. Coisa que parece não incomodar outros elementos que, nesse momento, usufruem nababescamente da riqueza do pobre povo brasileiro.

Por ter algum senso de responsabilidade com meus leitores, na véspera do feriado rumei para a praia de Ipanema. Um belo dia do sol antecipava o clima e a lotação da (pouca) praia no dia seguinte.

No entardecer estendi a canga, puxei da bolsa a caneta e o sempre amigo caderninho. Respirei fundo, olhei o horizonte e... desviei a atenção para um plano que ainda não estava no meu arquivo de registros praianos. Um ponto de vista bem baixo, com muito contraluz, o recorte dos banhistas, suas atividades na areia, o vai e vem dos ambulantes. Fotos para testar o plano exato já que o sol de frente não deixa ver muito do que está na tela. Acerto no apoio da bolsa encaixada no caderninho fazendo a base para firmar o mais possível a imagem do vídeo e... voilá.


Está garantida a atualização das redes sociais até o fim da folga da Proclamação da República. Só falta... O básico. Cadê a crônica?

Momento meditação. Respirar fundo e jogar a isca. Pulando o lado lúdico, o alvo era a incrível história do professor de Duque de Caxias com meses de salário atrasado que está pedindo ajuda no sinal de trânsito para pagar as contas e... continuar ensinado! Parem o mundo, que eu quero descer. E comecei a escrever:

“Estamos nos últimos dias de Pompéia, sem direito a baile de despedida na corte...”

E aí acredite, caro leitor, a tinta da caneta a-ca-bou. Bateu aquela paz. Uma certeza que era melhor parar por ali para não fazer das páginas ainda virgens um mar de lamentações.

Larguei de mão. Me dediquei a fiscalizar o mar revolto e respirar a maresia de fim de tarde me despedindo da areia. Feliz em poder ceder o espaço, que – diga-se de passagem - anda reduzido. O movimento das marés  “rapou” toda a areia do Arpoador e “mordeu” boa parte do areal de Ipanema. Nada me faria aparecer por ali no dia seguinte, pensava voltando pra casa e fazendo planos de encarar uma maratona criativa na frente do computador. No caminho agradeci o lindo cair da tarde, prenúncio que estava em sintonia com o universo.

Doce ilusão... Proclamei a República em 2017 sobre os, cá entre nós, pouco animadores sinais emanados pelo inusitado evento que me fez quebrar a palavra dada. Havia uma baleia encalhada em pleno feriado na praia de Ipanema!

Cogitei ignorar o fato, mas não deu. A baleia jubarte com mais de 20 toneladas já chegou morta. Trazida pelas correntes encalhou na altura da Teixeira de Melo. E ali passou o dia como uma atração plus (size). Num suave balanço sem achar o caminho do mar a cada leva de ondas que a alcançava. Havia mau cheiro, o corpo foi inchando. Para que não estourasse, fizeram alguns furos, liberando os gases. Tudo diante dos banhistas que acompanhavam as manobras do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Guarda Municipal, Defesa Civil Municipal e Estadual, INEA, Comlurb e o efetivo da Orla Rio.

Sintomáticas e proféticas as imagens. Prenúncio dos tempos que aí estão? Não fiquei para ver o resgate....


*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com


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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Centro de Memória Verde e Rosa - Exposição Mangueira 2017

Centro de Memória Verde e Rosa - Exposição Mangueira 2017

Depois de reabrir revitalizado em dezembro de 2016, no dia 11 de novembro foi inaugurada a Exposição Mangueira 2017, substituindo as peças e fotos do acervo do desfile campeão do ano anterior, que ocupavam o espaço do mezanino do Centro de Memória Verde e Rosa, por fantasias e fotos do enredo "Só com a ajuda do santo", do carnavalesco Leando Vieira, do último carnaval.

Coube ao baluarte Raymundo de Castro e aos vice-presidentes Cultural, Paulo Ramos, e de Projetos Especiais, Terezinha Rodrigues S. Labruna, inaugurarem a nova Exposição no espaço do Palácio do Samba, a quadra da escola, dedicado à memoria mangueirense.

Composto por fantasias e fotos do desfile dos acervos fotográficos de Valéria del Cueto, Léo Queiroz e Thiago Mattos o espaço tem concepção e arte de Andréa Corrêa.

Clique AQUI  ou na imagem para ver a coleção de fotos
Centro de memória Verde e Rosa - Exposição Mangueira 2017
Registros da inauguração de Valéria del Cueto, para carnevalerio.com

O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Lendo e aprendendo

Lendo e aprendendo

Texto e foto de Valéria del Cueto
Confesso e assino em baixo. Não ia ter crônica essa semana. Cansada dessa esculhambação, acho que ela não merece mais nem uma mal tra(n)çada linha do meu esforço literário.

Este minifúndio tem sido insuficiente para listar as peripécias semanais que se acumulam nas prateleiras nos galpões dos absurdos diários que nos assolam.

Só a abstração quase total e certamente irrestrita ainda permite sonhar com uma nesga de felicidade, tranquilidade e/ou realização nessa avalanche que desce a ladeira da decência e dos bons costumes. Para tanto lanço mão de um refúgio solitário, mas cem por cento eficaz. Parto para o oposto da ignorância e me dedico ferozmente a leitura.

Melhor do que chafurdar no mar de lama que leva de roldão aqueles que, durante período recente, mandavam e desmandavam no pedaço. Além de revoltante é deprimente ver os resultados dos mal feitos (é assim que diz, né?) e das negociatas que levaram para o espaço direitos básicos de centenas de milhões de brasileiros. Falo de saúde, educação, segurança, saneamento básico e afins. Direitos comuns a todos, roubados por larápios incompetentes que nem tiveram a capacidade de esconder seus torpes movimentos.

Vá entender o funcionamento dos cérebros deformados que participaram de tantas barbaridades. A amoralidade, um sintoma de psicopatia, é um traço comum a corja que habita nossas principais câmaras governamentais. Só fechando o hospício e jogando a chave fora para parar com essa sangria.

Lendo a gente aprende, viu só? Por isso é fácil estabelecer uma rota de fuga literária que permita um respiro salutar entre uma delação premiada e uma barbárie, um drama humano e uma polêmica moralista. Diluídos em pílulas nas redes sociais...

Para não romper de vez com a humanidade que a duras penas tenta remar em meio a altas dosagens de informações, “fakenews” e os delírios provocados por cruzadas falso moralistas, optei por me aprofundar nas origens históricas da sociedade brasileira.

Depois dos excelentes livros de Laurentino Gomes sobre a chegada da corte portuguesa a colônia, os meandros da Independência e os episódios que levaram à Proclamação da República, juntamente com meu parceiro literário para assuntos históricos e militares, Jayme del Cueto, caí dentro de uma nova exploração pelo período do primeiro reinado brasileiro.

Confesso que fui instigada por uma novela global e as peripécias de Titília e Demonão. Mas aviso que resisti a tentação e, deixando para o final as cartas inéditas de Dom Pedro à Marquesa de Santos, optei por começar a leitura dos livros de Paulo Rezzutti, escritor e pesquisador paulista, pela biografia de “D. Pedro, a história não contada. O homem revelado por cartas e documentos inéditos”.

Então apresento o motivo do atraso e da quase não crônica: devorei o livro. Também já escolhi qual será o próximo. Entre as biografias de “Domitila, a verdadeira história da Marquesa de Santos” (finalista do prêmio Jabuti em 2014), e “D. Leopoldina, a história não contada. A mulher que arquitetou a independência do Brasil”, fiquei com a segunda. A arquiduquesa austríaca que, há duzentos anos, por um casamento de conveniência, veio bater nesses costados e, em sua breve passagem, mudou o destino e os rumos da história do Brasil.

Seres humanos! Cheios de defeitos e algumas qualidades. Como nós, capazes de, com seus gestos, escreverem a história que, hoje, poucos re-conhecem. Mas todos nós somos derivados de seus atos, assim como serão, no futuro, as gerações que virão, das atitudes que hoje tomamos.

Captou?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Cabine” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Pega leve

Pega leve

Texto e foto de Valéria del Cueto
Perdi a lua mas continuo na sua, cara cronista voluntariamente encastelada, quer dizer, enclausurada do outro lado do túnel em terras cariocas.

É que o tempo anda tão sem tempo quanto nós, ou melhor, vocês pobres mortais. (Se não o sou, ajo como tal e já incorporei o “physique du rôle”). Não fossem por certas peculiaridades que tão bem conhecemos, como poder visita-la num raio de lua, poderia facilmente passar por mais um perdido nesse baile da vida.

São tantas informações e acontecimentos que é impossível um registro ordenado e sistemático dos eventos. Imagine se ainda dá tempo para qualquer tipo de análise – por mais rasteira e superficial que seja – de suas causas e consequências.

Nem o supercérebro de minha nave espacial está dando contado recado. Especialmente agora que incorporou certos parâmetros terráqueos inexistentes em seu sistema original. Coisas como “dá um tempo”, “volto já” e “senha esgotada”. Quando a trucagem não é mais direta e objetiva com o emblemático “estamos atualizando os nossos sistemas”. Não tenho nem como argumentar, querida amiga. Lembre-se que não vim para esse mundo a passeio, mas com uma missão que, agora, sei impossível.

Principalmente por seu tempo (olha ele aí) indeterminado de duração. Culpa daquela circunstância imprevisível de não conseguir partir desse mundo para outros melhores. Graças a incapacidade da nave mãe de ultrapassar a camada de poluição que recobre a atmosfera local. E só piora. Arde o cerrado na Chapada dos Veadeiros, Mato Grosso é megacampeão de queimadas na Amazônia no mês de setembro!

Situação: todo (eu disse todo) o sistema de armazenamento está em colapso. Esgotamento total. É muita informação. Não param de chegar. Com um detalhe: juntando o que dá, a conclusão é catastrófica.

Mal comparando, sabe aqueles dias nublados e sem graça que por falta de estímulo físico, financeiro e mental, o destino óbvio é a praia? Imagine no final da tarde quando banhistas voltam para a casa tonalizados. Falo de matizes variadas, nas cores das cascas de camarões e lagostas. De rosa bebê ao pink punk. Com aquele bronzeado que será lembrado por dias seguidos a cada virada noturna, abraço ou tapinha nas costas.

Essa é uma imagem alegórica, reparou? (Me orgulho dessa capacidade de metaforicamente explicar uma situação. Aprendi e desenvolvi aqui entre os humanos). Só assim para entender que um dia como esse que parece um pouco triste e modorrento possa encobrir um mormaço torturante, como a vida aqui fora.

Enquanto assistimos cenas de violência explícita nas ruas; de escárnio, desrespeito e deboche nas mais altas “câmaras” governamentais; de intolerância e incompreensão entre iguais que querem para si direitos excepcionais e privilégios, mas não se unem para reivindicar o básico, tentamos (estou na vibe  por me sentir 100% humano nesse roldão de eventos desgovernados) procurar bons motivos e melhores razões para seguir em frente.

“Pega leve e abstrai”, me aconselha o cérebro da nave mãe. A mim, o viajante que não acredita no que vive e vê...

O problema é que somente quando saímos (o que é cada vez mais difícil) do centro desse turbilhão conseguimos ter uma visão mais abrangente do mal que está sendo feito a corpos, mentes e, o que é pior, ao planeta em que habitamos (me incluo nessa evidentemente e involuntariamente). E não temos ideia do que será o “aloe vera” ou Caladril (santos remédios que diminuem os sintomas do excesso de calor acumulado no mormaço) que aliviará nossas dores e acalmará nossos pensamentos.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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Origem: Pantanal

A imagem original foi feita no na região de Mimoso, Mato Grosso, Brasil. No coração do Alto Pantanal, numa visita a Pousada Pantanero, na beira do rio Mutum, em junho de 2017.

Concepção

O pássaro foi recortado e duas cores básicas, em tons de vermelho e azul, foram definidas como fundo para as peças que oferecem apenas uma opção de "background".  Já a linha streetwear oferece várias opções de cores e modelos. Para criar um diferencial e aumentar as opções Solo foi aplicado em posições diferentes em cada linha.
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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Cabine de projeção


Exceção a regra: lançamento de Motorrad, de Vicente Amorim, no Cine Odeon, Festival do Rio

Cabine de projeção

Texto e foto de Valéria del Cueto
Nem no tranco está pegando. Bateu um cansaço de avisar e registrar e avisar de novo... Função de amigo, né? Mas enche o saco. Então está na hora de procurar outros caminhos. De preferência que agreguem valores, instiguem a imaginação de forma positiva, ampliem o leque de conhecimento.

Sempre adorei ir ao cinema. Desde criancinha. A partir do momento em que estive apta a entender e respeitar o ritual do silêncio da sala escura e ter capacidade de viajar nas histórias troquei a sessão infantil das cinco da tarde no Leme Tênis Clube por outras mais profissionais, por assim dizer.

Quando assisti, logo após o lançamento, “Help!” dos Beatles já era palpiteira. Foi o primeiro filme deles que assisti. Me atrevi a dizer que era chato, sem apresentar uma boa justificativa. “Por isso não dá para trazer criança no cinema...”, ouvi da minha mãe.

Como não eu não era “criança”, realinhei meus parâmetros críticos, engrenei numa vida “cinemeira” e nunca mais parei. A turbinada que faltava para o vício veio aos 18 anos, quando finalmente parei de ser barrada nas bilheterias por ser “menor de idade”.

Foi um tempo áureo. Nos jornais só olhava as colunas de lançamentos da semana e as reprises em busca de raridades e ciclos cinematográficos que passavam nos cineclubes. Do MAM, das universidades e nos grupos jovens católicos.

O tempo passou me empurrando daqui para lá e daí fui parar em Mato Grosso. Em Cuiabá a vida cinematográfica praticamente inexistia. Tinha o básico, algumas salas pornôs e o Cineclube Coxiponés, da Universidade Federal de Mato Grosso.

Para não pirar e desapegar, abstrai. Foi o tempo das fugas nos finais de semana para São Paulo e imersões em sessões seguidas na Paulista, com pausas gastronômicas e pit stops em apart-hotéis da região. Os vídeos e, mais tarde, os DVD acabaram substituindo o ritual do escurinho o cinema.

Sim, até tentei algumas vezes quando aumentou a oferta de blockbusters nas salas dos shoppings cuiabanos. Mas foram ruins as experiências. Na maioria das vezes especialmente no quesito concentração. A que preciso para ser envolvida pela mágica do cinema. Barulhos, conversas, celulares... Melhor ficar em casa. Sim, continuo quase feliz.

Outro dia, comecei a reparar que estava difícil manter a concentração num filme inteiro. Tudo em volta distrai. O computador, o celular (de novo), coisas que precisam ser resolvidas logo já que passam na sua cabeça como um filme no meio do filme... Urgências.

Foi assim que uma quebra de rotina e um novo desafio apareceu naturalmente com um convite para uma cabine de cinema. Sabe o que é uma cabine? Sessões especiais para jornalistas e críticos assistirem os lançamentos e fazerem resenhas cinematográficas nos seus veículos.

Na primeira fui interessada no filme. Sorte a minha. Normalmente as cabines têm sido marcadas para o período a manhã. Antes das sessões regulares das salas. Se meu debut fosse num filme chato...

Acabei aprendendo alguns truques básicos que têm feito de mim uma adicta das projeções matinais. Um deles é sempre ter uma balinha e água na bolsa. As cafeterias ainda não abriram nesse horário.

Outro truque é ser honesta comigo quando dormi mal na noite anterior ao compromisso. Sim, já quase desmaiei de sono numa manhã, mas me orgulho de dizer que não sucumbi.

Tudo para ter de novo uma porta aberta – e silenciosa – para manter acesa a capacidade de me transportar para outros mundos. Por aqui, a coisa está mais para filme trash. Deixou de ser filme B já faz um bom tempo. Então, vamos para ele, o cinema, que ainda é a maior diversão.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
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sábado, 21 de outubro de 2017

Mangueira 2018 gravação do samba

Mangueira 2018 gravação do samba de Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal para o enredo do carnaval 2018, "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco", do carnavalesco Leandro Vieira.

Noite de quinta-feira, 19 de outubro de 2017, na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio de Janeiro.
Agora vai tudo de uma vez. Por princípio, a prioridade são as fotos mas sempre dá para fazer uns registros descompromissados de vídeo. Planos sequências jogados sem edição para o canal do youtube.

Mangueira 2018 gravação do samba - as fotos

Primeiro a Bateria da Mangueira gravou a base com seus ritmistas dirigidos pelos mestres Rodrigo Explosão e Vitor Art. Depois foi a vez da comunidade verde e rosa reunir seus componentes de todos os segmentos para registrar o coro do samba.

Aproveitei para começar a fazer um "recorte fotográfico" de personalidades mangueirenses que estão participando do nonagésimo ano da escola.

Ainda não defini totalmente a linha do trabalho, mas haverá retratos e os personagens inseridos em suas funções...

(passe o mouse na foto abaixo para ver o ensaio ou clique aqui)
Mangueira 2018, gravação do samba

Mangueira 2018 gravação do samba - os vídeos

Aqui o playlist dos vídeos publicados no canal del Cueto, no youtube produzidos por Valéria del Cueto para carnevalerio.com



Agradecimentos aos Meninos da Mangueira, ritmistas, diretores e mestres que, junto com Rafaela Bastos, constroem essa linda história a cada encontro ou evento registrado.

O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa

Curta nossa página no Facebook e no canal del Cueto, no youtube, desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca.

Aqui tem mais pra você:

Já seguiu “No rumo do Sem Fim”?

Lá você encontrará o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e também links para objetos e desejos produzidos no Studio@delcueto!

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Como no quartel

Como antes no quartel

Dúvida cruel, o que e para onde?

Série Arpoador para falar do Rio de Janeiro e da guerra do tráfico que recrudesce na Zona Sul e colapsa boa parte da cidade. Isso não quer dizer que o bicho começou a pegar agora, asi no más.
Nada disso. Os sinais de que, mais dia menos dia, o que já estava fora do controle em outras áreas urbanas explodiria na maior favela carioca, a Rocinha, estavam visíveis.

Para coroar a levada hard core a violência explodiu no meio do caminho para o festival de música que pretendia ser o ponta pé inicial de uma “retomada” turística do Rio. É puro rock and roll! Com direito a muitos coros de “fora Temer” e protestos contra a classe política, a cura gay, pela demarcação das terras indígenas, a proteção da Amazônia e por aí a fora Temer de novo.

Enquanto isso Pezão, o governador estado, declarou ter “afinado a viola” depois de “discutir a relação” com o Ministro da Defesa, Raul Jungmann. Ele disse, no primeiro dia de ocupação do Exército, que a Rocinha “estava pacificada”. Como esqueceu de avisar “aos alemães”, o pipoco continua comendo solto.

A segunda possibilidade literária é partir para a série Parador Cuyabano abordando os últimos acontecimentos em Mato Grosso. Como a delação da delação do ex-chefe de gabinete do também delator ex-governador Silval Barbosa, que garantiu à nossa terra mais um título de primeiro lugar, dessa vez na categoria “dedo-duro escorpião”, o que morre com o próprio veneno. Aperfeiçoando o modus operandi estreado pela dupla sertaneja da J&S, Joesley e Ricardo, a que involuntariamente se auto gravou, Sílvio César se deixou levar pela falsa impressão que seria o único a ter a brilhante ideia de gravar colóquios comprometedores. Morreu pela boca. Existirá peixe-escorpião?

Enquanto alguns dormem com um pijaminha social (para o caso de precisar descer para vistoriar obras de emendas parlamentares em Várzea Grande), outros perdem o sono sem saber quando receberão a dádiva do despertar ao doce toque madrugador da campainha acionada pelos homens da valorosa Polícia Federal.

Aí, me pego pensando e desafio você, leitor, a exercitar sua imaginação e responder:

1) O que faria se soubesse que estava na mira dos tiras e que, mais cedo ou mais tarde, veria o sol nascer quadrado?

2) Como viver como se não houvesse amanhã, sem saber em que amanhã a vida boa acabaria?

3) O que você comeria e beberia se soubesse que o amanhã lhe reserva o direito garantido de uma marmita carcerária?

Voltando à realidade (só pode ser ironia), ainda há uma terceira opção para a crônica, a série Fábulas Fabulosas. Não fosse o detalhe que a última escrevinhação foi Senta no Toco, protagonizada pelo extraterrestre Pluct, Plact. Repeteco não dá, né?

Enquanto a dúvida persiste cruel impedindo o desenvolvimento adequado do texto, daqui da TV ao lado ouço a canção: “Só uso necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Martelo batido! Definida a ambientação do restante da crônica em construção. “Mogli, o Menino Lobo”, mata a charada!

É lá na floresta (aquela onde a anta perdeu o cargo de presidente para o morcegão sugador do sangue da fauna local e as hienas continuam rondando a carniça governamental), que se desenrola o que sobra do espaço semanal que me pertence.

Acontece que, mais uma vez, as raposas foram convocadas para tomar conta do galinheiro da denúncia de que o morcegão e várias hienas parceiras andaram sugando sangue e comendo as beiras e o miolo da “ceva” florestal.

Apesar da revolta geral da bicharada, sibilam as cobras, coaxa a saparada em sintonia, uivam os lobos a luz da lua que, garantido mesmo, nesse caso, há apenas um direito: o “jus esperniandi” para engambelar a fauna torcedora. Por enquanto, fica tudo como antes no quartel de Abrantes.

Até quando?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Senta no toco

Senta no toco

Texto e foto de Valéria del Cueto
Cronista, minha cronista. Que bom que por aqui não anda. Reclusa que está, em seu encarceramento voluntário do outro lado do túnel. Aqui quem fala é aquele seu estupefato amigo extraterreste, Pluct Plact, testemunha involuntária de fatos praticamente inenarráveis de tão inacreditáveis.

Não há mais espaço para a sua especialidade por aqui. Impossível alcançar a sofisticação existente no critério inventividade. Não, não se trata de um problema em relação a produção possível e necessária das deliciosas histórias cotidianas que fazem parte de sua lavra, cara amiga.

O caso é outro. Se chama operação Malebolge, o oitavo círculo do inferno de Dante. É décima segunda fase da Ararath. A primeira após a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa.
Demorou, mas ela chegou com busca e apreensão em 65 endereços. De alto a baixo, de cabo a rabo. Em dois estados e no Distrito Federal.

Em âmbito ministerial temerístico pegou na veia. Nosso representante foi o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), com direito a busca e apreensão no apartamento funcional de Brasília, a casa de Rondonópolis e o seu escritório na Amaggi de Cuiabá.

No Congresso Nacional os mato-grossenses agitaram as já efervescentes duas casas com as visitas das equipes da PF. No Senado o alvo foi Cidinho Santos (PR) que recebeu a PF em sua residência cuiabana. No caso da Câmara a visita foi por lá mesmo, ao deputado federal Ezequiel Fonseca (PP).
Em Mato Grosso também sobrou para todos os lados. Em Cuiabá o prefeito Emanuel Pinheiro recebeu a visita dos agentes em sua casa e na prefeitura. Em Juara, a visitada foi prefeita Luciane Bezerra (PSB).

Na Assembleia Legislativa o movimento foi intenso com apreensões nos gabinetes dos deputados estaduais Gilmar Fábris (PSD), Baiano Filho (PSDB), Zé Domingos Fraga PSD), Romualdo Júnior (PMDB), Wagner Ramos (PSD), Oscar Bezerra (PSB), Ondanir Bortoloni, o “Nininho” (PSD) e Silvano Amaral (PMDB).

O caso de Gilmar Fábris, vice-presidente da Assembleia Legislativa, é ainda mais complicado. Suspeito de ocultar provas na Operação Malebolge por decisão do Ministro Luiz Fux foi preso e afastado do cargo.

No Tribunal de Contas do Estado valeu a regra do jogo conhecido como “ Resta Um”. Houve busca e apreensão nos endereços residenciais, gabinetes e respectivas assessorias no TCE, dos conselheiros José Carlos Novelli, Waldir Teis, Antonio Joaquim, Valter Albano e Sérgio Ricardo (afastado). Posteriormente, o Ministro Luiz Fux mandou afastar cinco dos seis conselheiros. Só restou um...

Nem a Procuradoria Geral do Estado ficou de fora do limpa trilhos. O Gabinete do Procurador e ex-deputado Alexandre Cesar também estava na lista dos endereços visitados pelas equipes da Polícia Federal.

Para fechar a lista, em São Paulo entrou na roda presidente do Bic Banco, José Bezerra de Menezes.

Tá ruim? Pois fique sabendo, amiga cronista, que as coisas tendem piorar ainda mais praquelas bandas. O governador Pedro Taques, comemora a volta do Comendador Arcanjo ao o sistema prisional estadual mandando recados provocativos para o detento recolhido aos costumes. Parece ignorar o velho ditado que diz: “Senta no toco e espera”. É lá que anda Arcanjo. Esperando...

Isso, enquanto esquenta a chapa e aguardamos que seja homologada a delação premiada do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva. Recordista em processos na justiça, é bom lembrar que só haverá acerto se forem apresentados – e provados – fatos novos em relação aos inúmeros desmandos praticados por ele e seus asseclas.

Por essas e por outros é que recomendo veementemente sua permanência no conforto amigo de sua cela cinco estrelas. É muita notícia quente neste calor insuportável. Na próxima lua minguante que é para ninguém me ver, prometo uma nova análise e, quem sabe, melhores notícias.  Do sempre teu, Pluct plact.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Irma, irmãos, furacão!


Irma, irmãos, furacão!

Texto e foto de Valéria del Cueto
Essa mudança de dia de publicação ainda não foi devidamente assimilada. Uma coisa era escrever na madrugada de quinta a crônica distribuída no final de semana. Outra, bem diferente, é fechar o texto no domingo à noite para publicação na edição de terça.

Tem um gap de informações aí. Para mais ou para menos, rola uma certa dificuldade em “surfar” no sentimento do leitor. Explico com um bom exemplo, o da na semana passada. “Análise de conteúdo”, a crônica, demandou um grande esforço: a leitura do calhamaço de mais de 700 páginas da delação premiada do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa. Ela não deixou pedra sobre pedra na política estadual, com relevantes reflexos nacionais. Fechada na noite de domingo passado, o material chegou ao leitor entre segunda e terça. Só que...

Da noite em que foi redigida até chegar ao público alvo, mais do que água por baixo da ponte, o que rolou correnteza abaixo foi a ponte inteira. Nesse bat-período vieram a público quatro mal gravadas horas de conversa jogada fora pelos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud. Um arrasa quarteirão! Poderia jurar que Joesley é do signo de escorpião. O que se pica com o próprio veneno...

Seguindo o modus operandi da divulgação em pílulas pela imprensa das revelações do ex-governador mato-grossense, as incríveis opiniões (dadas num palavreado de fazer inveja a um jegue xucro) pelos representantes do suprassumo do empresariado nacional foram sendo vomitadas paulatinamente para o público.

Dá para imaginar a reação dos alvos das observações dos dois “confidentes”. Vamos começar por suas respectivas mulheres? O irmão que provavelmente entrará de gaiato no navio da Papuda?

Pensem nos demais familiares. Deixe para o final da ficção as autoridades citadas. Não poderia dar outra. Xilindró para eles, os que não seguiram a que deveria ser máxima básica nesses tempos de gravações descontroladas e traições desvairadas: quanto menos conversa, nenhuma!

Mas era apenas o começo...  Nem bem acabaram as 4 horas de ouvido pendurado no alto-falante do computador tentando captar os murmúrios do encarregado das relações institucionais do grupo J&S entre os delírios oligofrênicos do seu chefe, eis que começa a maratona de acompanhar, tim tim por tim tim, os depoimentos em vídeos para o Juiz Sérgio Moro do ex-poderoso, atual presidiário, quase delator Antônio Palocci e do comprador da sede do Instituto Lula. Parente distante, porém, compadre de Bumlai, o amigo o ex-presidente. Espanto em cima de espanto. Todos movidos por primeiras, segundas, terceiras e quartas intenções.

Acabou? Não. Como cada um tem os furacões que merece, os do hemisfério norte estão em plena atividade, animadíssimos. Irma vem na frente pedindo passagem, seguido de perto por José e Kátia. Destruição em massa, sem qualquer discriminação. Dá uma invejinha de ver como os fenômenos estão sendo previstos e acompanhados por lá, na medida do possível.

Pra gente a coisa é mais complicada. Não há como prever o que vem por aí depois do “teje preso” para os “parça” que não respeitou nem o feriadão da Independência. O que sabemos é que pelo menos um dos nossos fenômenos tem data para terminar: dia 17 se encerra o mandado do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Até lá, tudo pode acontecer. Inclusive a necessidade da convenção um novo grau na escala de intensidade desse tipo de manifestação. Acho que 5 será pouco.

Por aqui, nem o céu é o limite para os severos e irreparáveis danos que podem ser causados nos próximos dias às nossas instituições. Preste atenção no modelo que será definido para as eleições de 2018. Por aí dará para projetar o tamanho do que virá por aí na política brasileira. O sacode promete abalar, mais uma vez, as já combalidas estruturas sociais brasileiras.

Já preparou suas reservas? Morais, éticas e cívicas. Se não der, tenta uma de avião. Deve haver um lugar mais tranquilo nesse mundão de Deus.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
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