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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Capim navalha não falha


Capim Navalha não falha

Texto e foto de Valéria del Cueto

Quem não sabe que Cuiabá remete a duas coisas: ao calor e ao atraso? Não ao atraso de vida, maldoso leitor, mas aquele de nunca chegar na hora aos compromissos? Sofria com ambas características, especialmente a segunda, para fechar as pautas das reportagens nas TVs. Os jornais não levavam em consideração essa dinâmica tão cuiabana.

No samba também é quase assim. Menos na Sapucaí, com o horário rígidos e cronometrado das escolas que desfilam. Menos no sábado das campeãs, que não tem transmissão global.

Dito isso, quero fazer mea culpa. E aí, entra o capim navalha que corta tudo, menos esse atraso-preguiça cuiabano. Acontece que anos atrás, mais especificamente entre 2021 e 2022, o jornalista Rodrigo Vargas desenvolveu o projeto “O propósito de Aline”, sobre a renomada crítica de artes Aline Figueiredo. Era composto por um livro e um documentário média metragem.

O livro recebi do autor antes do lançamento. Caí dentro e, poucos dias depois, mandei pra ele minhas elogiosas impressões. Na sequência, exatamente no dia 2 de fevereiro de 2022, recebi o link do vídeo e a informação de que havia sido rodado na casa de Aline.

Corta para: Enquanto morei em Cuiabá fui frequentadora assídua dos maravilhosos almoços pantaneiros que juntavam horas de conversas as delícias preparadas por Márcia e sempre regadas a vinho tinto, já que não tomo cerveja. Não listarei meus pratos preferidos, nem os temas abordados porque foram justamente esses que me fizeram deixar correr o timeline de outras mensagens trocadas com Rodrigo sem abrir o link do vídeo.

Sabia que se o conteúdo aguçasse as saudades não poderia voar para Mato Grosso. A pandemia estava acabando, o carnaval adiado seria em abril, e tinha outras prioridades na vida. Rodrigo nunca perguntou o que achei do trabalho audiovisual, fotografado por José Medeiros, nem eu me justifiquei.

Aline andou pelo Rio em outubro numa palestra da exposição “Podre de Chic”, com obras de Adir Sodré, no Paço Imperial. Fiz fotos e gravei pequenos trechos de sua aula com ótimo conteúdo e nenhuma qualidade das imagens captadas. Faltava luz. Novamente arquivei o assunto e guardei o material sem publicá-lo. Sabia que ele seria a isca para pescar minhas saudades.

De vez em quando lembrava do vídeo, mas nunca achava que era o momento certo para explorá-lo. Queria que fosse num intervalo de foco total, quando não estivesse mergulhada, por exemplo, no carnaval. Depois decidi que só o veria quando a falta do calor cuiabano fosse insuportável.

Com o passar do tempo e acompanhando o cotidiano da cidade concluí que a distância que me separava da minha Cuiabá só aumentava. E, pela velocidade das transformações locais o progresso tratorou parte do encanto do local que tão calorosamente me acolheu. Portanto, nada “Eu sou de Capim Navalha”!

O que virou a chave foi esse fenômeno climático que assusta e surpreende o país inteiro. “Já vi esse filme, já usei esse filtro fotográfico que parece um fog londrino, esconde o sol e, quando a gente abre a porta ou a janela, é aquela pancada de calor”, pensei. E também lembrei do vídeo que não tinha assistido. Resolvi desvendar a lenda e assistir a obra.

Não me arrependo de ter guardado a última bolacha do pacote com tanto cuidado. Com as câmeras de José Medeiros e Diogo Diógenes passei pelos recantos da casa e, “tertuliei” nos diálogos de Aline Figueiredo sobre sua vida, seus trabalhos e suas paixões.

É quase só ela na tela, meio desnuda e crua, sem firulas e muitas edições. Exemplo claro de que menos pode ser muito mais quando o objeto do trabalho esbanja riqueza de ideias e personalidade. Passou pelos meus sentidos a essência da Cuiabá que tanto amo, a que me cercou de amigos, muitos citados no documentário, e referências que levo pra vida.

Sabiamente o vídeo não mostra a mesa posta e as delícias que brotam das mãos de Márcia. Um bom motivo para que volte aos meus planos uma ida à antiga Cidade Verde, depois que esse inferno amainar.

No fim do doc, a surpresa: meu nome - escrito errado, pra variar, aparece! Nos créditos, na lista de agradecimentos. O que deve aumentar a pena pelo crime de não o ter assistido antes... Desculpe, Rodrigo, foi o espírito do atraso cuiabano que permanece vivo em algum lugar da minha alma carioca.  

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM ... delcueto.wordpress.com

 

Faixa bônus!

Material em vídeo produzido na palestra de Aline Figueredo durante a Exposição "Podre de Chic", no Paço Imperial mencionada na crônica "Capim Navalha não Falha".



Palestra da crítica de artes Aline Figueiredo em "Podre de Chique: uma retrospectiva extraordinária de Adir Sodré", exposição de obras do artista mato-grossense Adir Sodré (1962-2020) no Paço Imperial, com apresentação do vídeo sobre o artista de José Medeiros.

A mostra reuniu obras inéditas ao público, de diversas coleções brasileiras que, desde cedo, reconheceram a importância artista mato-grossense. A retrospectiva de Adir Sodré dimensiona a relevância de sua obra. Temas tratados há mais de três décadas permanecem atuais: defesa ambiental, crítica ao poder político, o perfil elitista do sistema de arte e... sexualidade.

Organizada de forma não linear a exposição mescla obras em cinco eixos: Cuyaverá (Cuiabá), Tapa na cara pálida (horrores da branquitude), Ditos e malditos (imundos das artes), O pop não poupa ninguém (cultura de massas) e Manifestos paus, Brasil! (fabulações estético-eróticas)”.

Faixa Bonus 2

Sem usar o flash durante a palestra um estudo sem luz, como a luz que se perde no olhar de Aline, mencionada em "Eu Sou Capim Navalha", documentário de Rodrigo Vargas.

Clique na foto ou no link para acessar o álbum 

Studio na Colab55

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

O bambu e a flecha



O bambu e a flecha  

Texto e foto de Valéria del Cueto

Queria falar de carnaval. Se pudesse. Esse título também caberia na crônica que imaginava escrevinhar no meio do mundo, pra variar, no domingo. O tema seria o samba do Salgueiro, um canto comovente e realista sobre os Yanomami.


Só que... Hoje é 12 de novembro, Dia do Pantanal.

Antes de ligar o bioma a efeméride vejo o drama que se desenrola em parte da maior planície inundável do mundo. Mais uma vez, como em 2020, ela arde sob os olhares complacentes e cúmplices de quem tem o dever constitucional de preservá-la.

Mesmo assim pensei em manter o foco na folia, ou falar dos planos do réveillon carioca, para compensar o peso dos últimos textos sobre os acontecimentos no Oriente Médio.

Resisti até abrir o “X” e me deparar com postagens do PL. Ele, o Partido Liberal, comemorando o Dia do Pantanal nas redes sociais. Ele e, também, sua parlamentar Carla Zambelli, a dona que correu atrás de um eleitor apontando uma arma pelas ruas de São Paulo nas últimas eleições.

https://t.co/SYdGuYH3iI

Foi a gota d´água para mudar minha melodia de um samba enredo para um lamento nativista. Falo de “Queimada”, um dos socos no estômago que levei na 10 Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, a primeira que acompanhei, em 1980. Defendida por Miguel Gonzalez, Os Uruchês e o piano triste e pungente de Cide Guez, sua melodia acompanha e sublima as imagens poéticas da agonia da terra e dos animais. Os versos finais dizem: “É hora do homem parar de agredir, ou gerações futuras serão caravanas errantes, condenadas a morte na fome numa terra que não vai parir”.


Ali caiu minha ficha da responsabilidade que tenho como cidadã desse mundão de não me omitir para alertar, a quem interessar possa, sobre o tamanho da encrenca em que nos metemos ao mexer com o planeta como estamos fazendo. É uma luta longa, muitas vezes inglória e frustrante. Mas, como diz o título do texto, se tem bambu, tem flecha.

E essas são as flechas que carregam mensagens a você, leitor, para alertá-lo a não se deixar enganar por banners motivacionais postados por aqueles que, com seus votos, colaboram de forma direta e criminosa para a destruição de nossas riquezas naturais.

Como assim? O partido que abriga representantes da bancada do agro, (a que quer ampliar a área de plantio às cabeceiras do Pantanal, demarcá-lo na vazante e não na cheia, fazer PCHs - Pequenas Centrais Hidroelétricas, interferindo no curso natural das águas que garantem o frágil equilíbrio do bioma, a mesma que incentiva o avanço indiscriminado agrícola no Cerrado, principalmente na chamada zona do Alto Paraguai), exaltando o Dia do Pantanal? Nele também pontifica a bancada da bala, que avança com projetos de liberação da caça!

Menciono um partido, mas sabemos que esse vírus invasivo permeia outros. Eles desenvolvem ações orquestradas nas câmaras parlamentares municipais, estaduais e federais que corroem a rede de proteção ambiental. O que tem de gente fazendo cara de paisagem, como se nada estivesse acontecendo. O que tem de manipulação de dados e informações!

Todo cuidado é pouco, por exemplo, quando o diligente ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, cria de Blairo Maggi, o eterno Motoserra de Ouro, “recorta” dados sobre o agro que não respeita as normas ambientais usando o santo nome de sua colega Marina Silva, do Meio Ambiente, em vão. “Ela disse que menos de 2% dos agricultores cometem delitos”, afirma o pupilo do magnata da soja, “mais de 98% agem de forma correta”, conclui.

Sabe conversa pra boi dormir? É por aí. O que ele não menciona é a quantidade absurda de terras que os “menos de 2%” detém. São os latifundiários que controlam a maior parte. Hoje, 0,7% das propriedades têm área superior a 2 mil hectares. Mas... somadas elas ocupam 50% das terras agricultáveis. Portanto, olha o tamanho do espaço em que esse pequeno e privilegiado contingente pode fazer estragos. Isso se chama manipulação de dados.

E, como ainda tem bambu, não custa nada flechar a meia informação tendenciosa de quem, como gestor público, contribui para colocar lenha na fogueira que arde sem a devida prevenção e contenção no Pantanal e no Cerrado, enquanto vende ao mundo a “defesa” da Amazônia.

Tudo parte do mesmo movimento, o alvo a ser atingido por informações claras que desmascarem a minimização de um problema gigantesco, concentrado e com recursos quase infinitos para patrocinar candidaturas, postergar ações judiciais e vender conceitos como o de que “O AGRO é POP”, botando no mesmo balaio os mega tubarões e o agricultor familiar pra confundir a cabeça do povo. Sinceramente, não acho que seja fácil mensurar o tamanho do problema e das forças que enfrentamos.

Então, deixo uma sugestão. Especialmente aos mato-grossenses que seguiram até aqui a trajetória dessa flecha.

Abra sua janela, tente ver o horizonte e inspire fundo o ar contaminado pelas consequências da ganância que destrói o meio e corrói a qualidade do nosso ambiente. Olhe em volta. Pense no futuro.

Agradeça se (ainda) houver algum bambu a seu alcance. E lute!

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM... pantanalsemfim.wordpress.com




Studio na Colab55

sexta-feira, 22 de julho de 2022

De cabeça pra baixo


De cabeça pra baixo

Texto e foto de Valéria del Cueto

É agora ou nunca. Ou desenrolo essa crônica ou teremos mais uma semana desse silêncio maior que o buraco negro que devora gulosamente parte do universo. Não é uma ausência de ruído por falta de barulho. Talvez seja por excesso.

Os fatos (atenção, eu disse fatos e não notícias), atropelam o já conturbado e pouco prazeroso cotidiano.

Subindo a rua um toco de cigarro acesso sendo arremessado por um armário barbudo em direção ao meio fio atravessa o caminho natural de quem transita na via pela calçada.

Na sequência uma motocicleta, das grandes, desce na banguela evitando a contramão. O piloto e o carona deslizam velozes impávidos pelo calçamento de pedras portuguesas, desviando e fazendo cara feia pros pedestres que circulam indo ou vindo do metrô.

Na esquina o vermelho da sinaleira não intimida o motorista do buzão. Nenhum sinal de uma simples intenção de reduzir a velocidade, nem mesmo ao passar pela faixa de segurança do cruzamento movimentado.

Esses eventos ocorreram num curtíssimo espaço de tempo. Menor que uma performance tiktokeana, quiçá no espaço de uns 5 stories instagrâmicos.

Diante dos alertas deu pra sentir que era melhor seguir pelas sombras das amendoeiras coloridas pelo outono por ruas menos movimentadas em direção a um lugar em que pudesse sacar o caderninho.

Não vou dizer onde para não dar margem ao argumento de que este é um texto “localizado”. Nem pensar! Como eu e meu celular essa escrevinhação desligou (não, desativou como é correto definir) o modo localização.

O que me interessa é o sol. Esse, que brilha em qualquer lugar e, ultimamente, cospe fogo e ondas magnéticas em direção a nosso já tão combalido planeta. E nem pense em jogar a responsabilidade dos calorões, incêndios, enchentes, chuvaradas, nevascas e afins no astro rei. Os protagonistas dessa tragicomédia somos nós, estúpidos, inconsequentes e prepotentes seres humanos.

Qual um dominó gigante chutamos, não apenas a pedra original das mudanças climáticas, como ainda jogamos as peças para servir de lenha na fogueira do desastre quase irreversível.

Tá vendo porque tenho evitado manifestações croniquescas?

Não é que não queira dar o recado. É que sei que, para a maioria, ele entra por um ouvido e sai pelo outro sem nenhum grau de assimilação. Não há argumentos que se sobreponham aos fatos e nem a esses estão dando a mínima bola.

Por isso, o que (ainda) me faz escrever é deixar para o futuro algumas observações desse momento único da história contemporânea. Aquele em que o ser humano parece ter ligado, com o perdão da palavra, o phoda-se!

Para o golpe anunciado que se aproxima. À entrega da Amazônia a bandidos e redes internacionais, (sob os quepes dos militares que deveriam defender o território, mas ocupam cargos burocráticos em gabinetes e estão mais preocupados com suas candidaturas a políticos profissionais, onde o butim é maior e não deixa rastros). Para mais um passo da agonia do Pantanal, carimbada com o arcabouço legal ardilosamente tramado pelos deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

A aprovação do PL 561/22   libera a pecuária extensiva em áreas de preservação e capricha nas alterações de pontos chaves para a manutenção do bioma. Sabe o que falta para virar lei? A assinatura de Mauro Mendes, o garimpeiro cria de Blairo Maggi, agraciado com título de “Motosserra de Ouro” que, em breve, voltará a pontificar nas paradas de sucesso.

As barbaridades explodem como os humores do sol magnético. E, sim, deixarão sequelas permanentes.

Cá entre nós, queria muito ficar em silêncio e me “localizar” em minhas visões, normalmente tão poéticas e otimistas...

Mas, quer saber? Não dá. Pelo menos enquanto houver uma única chance de não nos entregarmos aos dementadores que circulam livremente para tirar nossas esperanças de dias melhores.

É hora de pecar por excesso, não por omissão!    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

@delcueto.studio na Colab55

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Solo no Studio @delcueto #redbubble




O Studio@delcueto agora tem vendas internacionais pela plataforma redbubble. Novos produtos e muitas opções exclusivas. A primeira coleção é a Solo. O pássaro em pleno vôo, a marca inicial.


Origem: Pantanal

A imagem original foi feita no na região de Mimoso, Mato Grosso, Brasil. No coração do Alto Pantanal, numa visita a Pousada Pantanero, na beira do rio Mutum, em junho de 2017.

Concepção

O pássaro foi recortado e duas cores básicas, em tons de vermelho e azul, foram definidas como fundo para as peças que oferecem apenas uma opção de "background".  Já a linha streetwear oferece várias opções de cores e modelos. Para criar um diferencial e aumentar as opções Solo foi aplicado em posições diferentes em cada linha.
Detalhe: o #redbubble oferece mais de 50 opções de produtos!




Explore nosso novo canal de vendas, clicando AQUI e de qualquer lugar do mundo tenha a seu alcance produtos exclusivos do Studio@delcueto desenvolvidos dos registros fotográficos de Valéria del Cueto

No Getty Images

Outras imagens produzidas na viagem ao Pantanal estão na coleção Sem Fim… de Valéria del Cueto no Getty ImagesExclusivas do banco de imagens , elas também estão a venda!

Conheça também o hub na #colab55 do  Studio@delcueto
Curta e compartilhe @delcueto.studio  no Facebook e no Instagram.

Studio na Colab55

domingo, 20 de agosto de 2017

Selaria Renascer e Clube do Laço, Aquidaunana, Mato Grosso do Sul



Selaria Renascer e o Clube do Laço, espaços de Aquidauana interligados  pela lida pantaneira nos campos. Costumes e tradições expressos pelos objetos de uso diário, a maioria feita de forma artesanal com couro e ferro.

A visita a seo Jairo e as histórias que ele contou estão na crônica Mala de Garupa.

Clique AQUI ou na foto para acessar a coleção fotográfica no Flickr

Selaria Renascer e Clube do Laço

Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image

Maio/junho de 2016, ensaio de Valéria del Cueto
@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com


@delcueto convida você para explorar o Studio @delcueto

Studio na Colab55

sábado, 19 de agosto de 2017

Casa Candia em Anastácio, Mato Grosso do Sul

Anastácio se desmembrou de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil. Cada município e suas respectivas sedes ficam em uma margem do Rio Aquidauana.

A Casa Candia e sua proprietária, Dona Jandira, foram devidamente visitadas e esta história está nas crônicas Memórias Pantaneiras e Armazém, empório e mercearia.

Clique AQUI ou na foto para ver os registros de alguns locais da cidade e, feito com muito carinho e a ajuda de Fernando Pace, uma rápida história fotográfica da Casa Candia.

Casa Candia e Anastácio, Mato Grosso do Sul//embedr.flickr.com/assets/client-code.js
Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image
Maio/junho de 2016
Ensaio de Valéria del Cueto
@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com
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sábado, 5 de novembro de 2016

Documentarista revela Pantanal dos Pantanais

ILUSTRADO SEGUNDA A SÁBADO 2016.indd

Documentarista revela Pantanal dos Pantanais

(ou Pantanal de pai para filha)


Texto de Valéria del Cueto, fotos/divulgação.
Quantos pantanais existem no Pantanal? Mais de 10 mil quilômetros rodados por 11 sub-regiões do bioma, durante dois meses, foi o que Marcelo de Paula, Carla Mendes, sua mulher, e Morgana, a filhota de 7 anos, percorreram para explorar as múltiplas facetas do bioma.

O material, reunido para um longa-metragem e uma série de TV, começa a ser editado na casa da família, em Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, logo após o fim da aventura que durou 2 meses.

Eles passaram por Aquidauana, Bodoquena, Miranda, Porto Murtinho, Corumbá, Rio Verde, Coxim e Sonora, em Mato Grosso do Sul e Barão de Melgaço, Santo Antônio do Leverger, Poconé e Cáceres, em Mato Grosso. Reuniram informações ambientais, exploraram as questões sócio-culturais, históricas, destacando aspectos econômicos, turísticos e as tradições pantaneiras.

As imagens foram produzidas em terra, água e ar, com drones e equipamentos subaquáticos. Os temas do roteiro idealizado por Marcelo foram abordados em 25 depoimentos. O cavalo pantaneiro, o gado Caracu, a pesca profissional, a Estação Ecológica de Taiamã, o chapéu Carandá, o artesanato de couro de peixe, são alguns deles.

O fotógrafo esteve pela primeira vez no Pantanal em 1983 quando tinha 18 anos. A última, muitos prêmios, filmes, séries e fotos depois, em 2008. Nem Morgana, sua filha de 7 anos, membro da expedição, é novata. Foi batizada em Bonito quanto tinha 9 meses, na viagem anterior.

“Ela tem talento para a fotografia”, avalia. “A viagem foi muito importante para o seu amadurecimento e crescimento. Teve aulas geográficas ambientais “in loco”. Comeu jacaré, tomou Tereré...  isso só fez engrandecer o “HD” dela. Vai estar nas próximas” decreta com o apoio incondicional da mulher, Carla Mendes.

À sua lista de atividades de produtora e editora, conhecedora do processo de produção audiovisual de cabo a rabo, ela incorporou outras tarefas. “Não dá para separar as coisas, a função é tripla: produtora, mãe e professora. As atividades da escola eram feitas comigo”, explica, lembrando que fez a segunda câmera e o making of. “A percepção precisou ser ampliada. Agora, é cuidar de mim e dela. Foi difícil, mas sempre soubemos que seria assim. Sempre quisemos que fosse todo mundo junto”.

Para Marcelo, o que mais mudou desde a última visita foram as condições do patrimônio publico e histórico das cidades visitadas. “Quando estávamos em Cáceres o Ministério Público entrou com uma ação contra o IPHAN pelo abandono do patrimônio histórico”, lembra.

Ele destaca, também, o caso do impacto das áreas públicas do Pantanal. “As reservas federais estão em condições mais razoáveis, mas onde o poder público não chega o descaso é total. A fiscalização é precária e os parques estaduais só existem no papel, tanto em Mato Grosso como em Mato Grosso do Sul”.

Nos locais privados explica que houve uma conscientização maior. As fazendas preservam e não geram grande impacto. O poder privado avança muito mais, avalia ressaltando que “a carta da Caiaman assinada recentemente, envolveu o todos os agentes, mas a iniciativa partiu do poder privado”.

Agora, explorar e editar os registros recolhidos para o longa “Pantanais do Pantanal”, produzido pela Código Solar, produtora do casal, é o principal. A série para TV será desenvolvida com calma. “Estamos na fase inicial da edição do filme. Ela deve ir até janeiro”, calcula. “O lançamento temático será no Rio de Janeiro, depois vamos viajar levando o filme até nossos parceiros”.

Bom, falta a opinião de Morgana, a menina que fez história por ser a primeira criança a visitar a Estação Ecológica de Taiamã. “Gostei bastante das onças e dos outros bichos”, conta ela pelo whatsapp. “Queria voltar o mais rápido possível, mas estou muito cansada. Mas, depois, vou voltar de novo!”

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Parador Cuyabano” do Sem Fim...
**Quer saber mais sobre o Pantanal? Clique aqui!
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Diagramação
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sábado, 22 de outubro de 2016

Brechó ou...

aquidsela-160616-043-selaria-renascer-brecho-placa-roupas-novas-e-usadasBrechó 

(7 tópicos e asterisco numa quase fábula fabulosa)

Texto e foto de Valéria del Cueto

Falta tudo, inclusive tempo. Só não falta assunto... Então, vamos por itens. Tipo rascunho dos temas que o extraterrestre Pluct, Plact encaminhará para sua querida cronista enclausurada voluntariamente (ou não? Onde já se viu bate-papo com ser interplanetário?). Não captou? Então vamos por partes, como diria o esquartejador.

1 - A recém empossada presidente do STF, o Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmem Lúcia, valoriza, a cada pronunciamento ou declaração, a cultura brasileira.

Na sua posse, entre outras citações, falou do filme de Adriana Dutra, “Quanto tempo tem o tempo” produzido pela Infinitto, da cuiabana Viviane Spinelli. Essa semana foi a vez de “Deixa o Alfredo falar”, título de crônica e livro do escritor Fernando Sabino.

Pelo menos, seguindo suas dicas, vai ter gente tendo que se ligar na genuína cultura "popular" brasileira. E não apenas na erudição do “juridiquês”!

2 - Prenderam o Eduardo Cunha. Vai delatar ou não vai?

3 - O anel que tu me destes não era de vidro, nem se quebrou. Mas, diz a lenda, foi devolvido! Custou R$ 800 mil o mimo que o delator Fernando Cavedish, da boa, velha e mal falada empreiteira Delta, bancou para Sérgio Cabral Filho - ex-governador que deu uma contribuição e$$encial para a falência do estado do Rio de Janeiro - presentear sua mulher Adriana, na comemoração de seu aniversário em Mônaco. (A pesquisar se foi na ocasião da singela festinha o famoso evento dos guardanapos na cabeça).

4 - Verba e estrutura do Congresso Nacional usadas para fazer varreduras senatoriais visando evitar investigações de anti inteligência (como se escreve esse “fiz que fui e acabei fondo”, como diria Nunes, jogador do Flamengo, em priscas eras?*) para descobrir grampos, inclusive os autorizados pela justiça. Pela Lava-Jato, por exemplo. Com direito a varreduras nas residências nos estados. Senadores citados: José Sarney, Fernando Collor e Edison Lobão. Mais uma delação premiada e temos a Polícia Federal indo atrás do Chefe de Polícia e outros funcionários da... Polícia Legislativa do Congresso Federal.

5 - Por falar na família Sarney: Governadores de Mato Grosso, Pedro Taques, e de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, com a presença do Ministro José Sarney Filho, do Meio Ambiente, assinaram a Carta de Caiman. Um termo de compromisso que estabelece políticas comuns para o Pantanal considerando seus aspectos ambientais e culturais semelhantes. Também prevê uma legislação única para regulamentar e proteger o sistema garantindo seu uso sustentável. A carta define o prazo de um ano para a definição de uma área de interesse para o econegócio, contemplando o planalto e a planície pantaneira.

6 - ECONEGÓCIO PANTANEIRO. Você ainda vai ouvir falar muito nesse termo. Beeeem diferente do agronegócio de sempre. Aquele...

7 - Uma rápida pesquisa no site do Senado Federal informa que o relator da PLS 750/2011, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal, de autoria do atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é nada mais nada menos que o suplente do dito cujo, Cidinho dos Santos.

A relatoria da PLS na Comissão já foi do candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que passou para seu suplente quando assumiu o Ministério da Pesca, Eduardo Lopes. Coube a ele a apresentação de um substitutivo integral ao texto, depois retirado. Aí, Crivella trocou com ele. Reassumiu sua cadeira no Senado e Eduardo Lopes virou Ministro da Pesca.

O processo voltou para o homem do Bispo que se esqueceu dele. Com sua saída para ser candidato foi redistribuído pelo presidente da Comissão, Waldir Maranhão. Em julho desse ano, quem diria, que coincidência fortuita, foi cair no colo justamente do suplente do autor da proposta, conhecido mundialmente pelo singelo prêmio recebido, o “Motosserra de Ouro”...

* Não esquecer de falar do Maracanã/estúdio com os ingressos lotados dias antes do jogo de domingo do Flamengo e Corinthians. Depois de um longo jejum do rubro-negro jogando fora de casa!!!

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim...


ILUSTRADO SEGUNDA A SÁBADO 2016.indd
Studio na Colab55

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

História Sem Fim... do Rio Paraguai - o relatório




DIÁRIO DE BORDO • Cruzamos o Pantanal! A primeira etapa da Expedição "História Sem Fim..." do rio Paraguai" foi realizada. Agora é esperar o relatório do professor Célio Couto. Cabe a ele avaliar o projeto. O Pantanal nos ensinou que tudo acontece no seu próprio tempo. A sorte está lançada. É aguardar o relatório e suas conseqüências...

Valéria del Cueto

Curta metragem premiado pelo Juri do Amazonas Film Fest, produzido pela del Cueto - assessoria e produção
http://pantanal.multiply.com

FICHA TÉCNICA
História Sem Fim... do rio Paraguai - O Relatório
Curta metragem 35mm - 16'23" - cor - janela 1.85
Ficção documental
Produção - del Cueto - assessoria e produção
Co produção: Quanta, Skylight, Cara de Cão e Labocine
Som -- Dolby

A EQUIPE DA EXPEDIÇÃO
Atores - EDUARDO FELIPE / MEIRE PEDROSO
Roteiro e Direção - VALÉRIA DEL CUETO
Fotografia e Câmera - LULA ARAÚJO
Assistência de Câmera - DUTRA
Som Direto - PAULO COSTA
Vídeo - HÉLIO LOPES
Assist. - COSME REINERS

TRIPULAÇÃO DO ESPANHOL
SILVINO (ESPANHOL) / TOTICO / SASHA / ALEXANDRE / CHICÃO / DANIEL / SÉRGIO (RATINHO) / SILVAN / CHICO PRETO / LULA / VALDECI

EQUIPE DE REALIZAÇÃO
Prod. Exec./ Dir. de Prod.- JAYME DEL CUETO / VALÉRIA DEL CUETO
Elenco - DENISE DEL CUETO
Montagem - JOÃO PAULO DE CARVALHO
Edição de Som - SIMONE PETRILLO / MARIA MURICY
Pós-Produção - ROBERTO RAIS -- Olho no Filme

TRILHA SONORA
GRUPO RAÍZES
WALDEMAR MAGALHÃES, RICARDO FREITAS E HILTON DO ESPÍRITO SANTO

Gostou? Então assista Caçada!
http://youtu.be/Z6k7A6-qmRE

Sem Fim... http://delcueto.multiply.com

domingo, 1 de maio de 2011

Sobreviver é preciso!

Sobreviver é preciso!

Texto sem foto de Valéria del Cueto

Abstrair e filtrar são os segredos de hoje. Ou vice versa. É um exercício de sobrevivência. Esteja onde estiver, faça o que fizer, selecione. Como acontecia com um velho amigo que se dizia surdo. Mas, na prática, só ouvia o que queria. E bem!

Se a praia está cheia por que é feriado, faz um sol radiante e o Rio Janeiro resolveu ir ao Leme, não desista do programa. Junte-se a multidão e abstraia. Filtre os sons e os movimentos que te interessam.

No meu caso, fica somente o ruído do mar. O vai e vem das ondas.

E, se for seu dia de sorte - como parece ser o meu - dois minutos depois da suprema decisão de ficar em meio a farofa reinante e do cerimonial de arrumar a canga, tirar a saída de praia (que coisa antiga! Estou de short e camiseta), sacar a caneta, o bom e velho caderno, ainda em pleno exercício, e começar a escrivinhação, o ajuntamento com direito a várias cadeiras, dois guarda-sóis e uma geladeira de isopor se dissolverá em pleno ar em busca de um almoço.

Abrir-se-á ali um generoso e amplo espaço, bem na beirinha da água, todinho pra você.

Não é lenda. Acontece. Acaba de acontecer comigo, o que me fez mudar um pouco o rumo da prosa. Mas não muito.

Abstrair, filtrar, mas não entregar a rapadura. Nem o Pantanal.

Foi envergonhada que vi uma matéria nacional sobre as Pequenas Centrais Hidroelétricas – PCHS, agora alvo de uma CPI na Assembléia Legislativa de Mato Grosso. Com indignação vi dizerem, em nome do governo do Estado que “Nós precisamos de estudos científicos, de algo concreto afim de que possamos mudar procedimentos”. Que falta de conhecimento sobre estes e outros temas referentes ao efeito de inúmeros represamentos e mudanças hidrográficas nos rios que formam a bacia do Paraguai e, consequentemente, o Pantanal...

Bastaria uma longa e única conversa com o ex-responsável pela Defesa Civil do Estado, o senhor Domingo Iglesias, para que o entrevistado parasse de falar asneiras.

A aula, meus caros, é impossível de ser ministrada. Todo mato-grossense de boa estirpe sabe o que aconteceu com o mestre, após ser dispensado pelo ex-governador. O mesmo que alargou os caminhos para as atrocidades cometidas contra o meio ambiente.

Onde está o Zoneamento Antrópico Ambiental de Mato Grosso, aquele encaminhado por Dante de Oliveira? Quem se anima a compará-lo com a peça aprovada pela Assembléia, quase uma década depois?

Abstraiam, filtrem, sobrevivam. Mas cientes que estamos vendo acontecer crimes ambientais irreparáveis, patrocinados por cúmplices irresponsáveis da destruição de um Patrimônio Ecológico da Humanidade, o Pantanal.

Lembrem-se: neste caso, ao contrário do exemplo da praia, ninguém abrirá mão de sua posição privilegiada em troca de um almoço a beira-mar. Os predadores, dispostos a exaurir o bem de todos em troca de uma possibilidade de lucro financeiro, destruirão apenas para juntar mais uns trocados. Como se já não tivessem o suficiente...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série Parador Cuyabano, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

sábado, 16 de janeiro de 2010

História Sem Fim... do Rio Paraguai - o relatório no Curta Gávea

Start:     Jan 26, '10 8:00p
Location:     Praça Santo Dumont, 116 / sobrado - Gávea
A Casa da Gávea, no projeto Curta Gávea, exibe o curta matogrossense na sessão de terça, 26 de janeiro. A entrada é gratuita.
Curtas convidados:
O Xadrez das Cores - Dir. Marco Antonio Schiavon (fic)
História Sem Fim... do Rio Paraguai - Dir. Valeria del Cueto (doc)
Banquete - Dir. Marcelo Laffitte (fic)
O Jaqueirão do Zeca - Dir. Denise Moraes e Ricardo Bravo (doc)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Saborear pantaneiro




Ele se transfere, interfere, sobrevive.
Basta usar a imagin/AÇÃO e acessar os sentidos.

OLHAR:
Treliças, calor, banco, varanda.
Toalha de flores, tabuleiro, panela de barro.

ODOR:
Pimenta, farinha, azeite.
Coentro.

PALADAR:
Mojica de pintado e...
Pacú recheado com farofa molhadinha de couve.

RITUAL:
Servir o vinho, esmagar a pimenta, juntar o azeite, misturar, separar a semente, derramar a farinha, abrir os sentidos e partir rio a dentro...

COMPLEMENTO:
Vinho tinto

SUPLEMENTO:
A sesta de lei, que ninguém é de ferro e a tarde está apenas começando.

E mais não tenho a dizer...

Relato sensorial gastronômico e fotos de uma acolhida deliciosamente pantaneira em Cuiabá, de Valéria del Cueto para o Parador Cuyabano, no SEM FIM...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Caçada



Video documentário de Valéria del Cueto e Hélio Lopes, 1998
Uma "caçada de facho" no Pantanal, paraíso ecológico, no centro da América do Sul. Um tipo de aventura noturna que utiliza faróis poderosos para atordoar e facilitar o abate .
Em vez de uma arma... a câmera Hélio Lopes registrando o que esteve na nossa "mira" durante a caçada. A reação de moradores da região de Mimoso e da sociedade mato-grossense, com a possibilidade da liberalização das leis ambientais.
A colaboração da família Reiners, em especial de Hugo Reiners, e da equipe de Fiscalização de Caça e Pesca da FEMA/MT possibilitou a realização deste trabalho

terça-feira, 11 de abril de 2006

HISTÓRIA SEM FIM... DO RIO PARAGUAI – O RELATÓRIO CHEGA A SÃO PAULO

Start:     Apr 18, '06 6:00p
Location:     CURTA NA CINEMATECA - Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, próxima ao Metrô Vila Mariana e à Rua Sena Madureira.

O documentário pantaneiro “História Sem Fim...do rio Paraguai – o Relatório” será exibido no Curta Cinemateca, na Cinemateca Brasileira, no dia 18 de abril, terça feira, às 18 horas, dentro da programação dedicada à apresentação de um panorama dos curtas-metragens que têm como tema o próprio cinema em suas mais variadas acepcões: a linguagem, os cinéfilos, os cineastas famosos, as crises, as homenagens, entre outros.

A programação começou no mês de março e teve sessões com os seguintes temas: “Em torno de Glauber”, “Viva o cinema !”, “Auto-retratos”, “Mestres (1)” e “Mestres (2)”. A sessão do dia 18 encerra o ciclo que aborda a metalinguagem com “O cinema por dentro”.
Os filmes escolhidos são: Fazendo cinema, de Anselmo Duarte - 1957, vídeo
(orig.: 35mm), p&b, 10’, História sem fim… do rio Paraguay – o relatório,
de Valéria del Cueto - 2004, 35mm, cor, 16’ , Mensageiras da luz: parteiras da
Amazônia, de Evaldo Mocarzel - 2003, 35mm, cor, 15’ e O Sanduíche, de Jorge Furtado - 2000, 35mm, cor, 12’

Dos curtas que serão apresentados na sessão, História Sem Fim... do Rio Paraguai – o relatório que relata uma viagem entre Cáceres e Corumbá pelo coração do Pantanal é o único inédito em São Paulo. O filme vem participando de vários festivais nacionais e ganhou no final do ano passado, o Prêmio Especial do Júri no Amazonas Film Festival, em Manaus

Para Valéria del Cueto, diretora do projeto, apesar das dificuldades de circulação dos curtas no Brasil, são iniciativas como a da Cinemateca Brasileira que permitem a exibição de produções feitas em outras regiões distantes, como Pantanal, numa das cidades mais importantes do país.

“Se não fosse a Cinemateca Brasileira e o fato do nosso curta incorporar metalinguagem, tema abordado nos dois últimos meses na programação do Curta Cinemateca, continuaríamos sem ter acesso ao público paulistano”, afirma a diretora, anunciando que o curta mato-grossense também chegará a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na primeira quinzena de maio. O filme é um dos selecionados para a Mostra Competitiva do Cine Esquema Novo, na capital gaúcha.

CURTA NA CINEMATECA - Sessões gratuitas todas as terças-feiras às 18h00, no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, próxima ao Metrô Vila Mariana e à Rua Sena Madureira.

HISTÓRIA SEM FIM... DO RIO PARAGUAI – O RELATÓRIO CHEGA A SÃO PAULO

Rating:★★★★
Category:Movies
Genre: Documentary
HISTÓRIA SEM FIM... DO RIO PARAGUAI – O RELATÓRIO CHEGA A SÃO PAULO

da assessoria
O documentário pantaneiro “História Sem Fim...do rio Paraguai – o Relatório” será exibido no Curta Cinemateca, na Cinemateca Brasileira, no dia 18 de abril, terça feira, às 18 horas, dentro da programação dedicada à apresentação de um panorama dos curtas-metragens que têm como tema o próprio cinema em suas mais variadas acepcões: a linguagem, os cinéfilos, os cineastas famosos, as crises, as homenagens, entre outros.

A programação começou no mês de março e teve sessões com os seguintes temas: “Em torno de Glauber”, “Viva o cinema !”, “Auto-retratos”, “Mestres (1)” e “Mestres (2)”. A sessão do dia 18 encerra o ciclo que aborda a metalinguagem com “O cinema por dentro”.
Os filmes escolhidos são: Fazendo cinema, de Anselmo Duarte - 1957, vídeo
(orig.: 35mm), p&b, 10’, História sem fim… do rio Paraguay – o relatório,
de Valéria del Cueto - 2004, 35mm, cor, 16’ , Mensageiras da luz: parteiras da
Amazônia, de Evaldo Mocarzel - 2003, 35mm, cor, 15’ e O Sanduíche, de Jorge Furtado - 2000, 35mm, cor, 12’

Dos curtas que serão apresentados na sessão, História Sem Fim... do Rio Paraguai – o relatório que relata uma viagem entre Cáceres e Corumbá pelo coração do Pantanal é o único inédito em São Paulo. O filme vem participando de vários festivais nacionais e ganhou no final do ano passado, o Prêmio Especial do Júri no Amazonas Film Festival, em Manaus

Para Valéria del Cueto, diretora do projeto, apesar das dificuldades de circulação dos curtas no Brasil, são iniciativas como a da Cinemateca Brasileira que permitem a exibição de produções feitas em outras regiões distantes, como Pantanal, numa das cidades mais importantes do país.

“Se não fosse a Cinemateca Brasileira e o fato do nosso curta incorporar metalinguagem, tema abordado nos dois últimos meses na programação do Curta Cinemateca, continuaríamos sem ter acesso ao público paulistano”, afirma a diretora, anunciando que o curta mato-grossense também chegará a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na primeira quinzena de maio. O filme é um dos selecionados para a Mostra Competitiva do Cine Esquema Novo, na capital gaúcha.

CURTA NA CINEMATECA - Sessões gratuitas todas as terças-feiras às 18h00, no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, próxima ao Metrô Vila Mariana e à Rua Sena Madureira.

domingo, 13 de novembro de 2005

Helena Meirelles na Cultura - Programa Ensaio

Start:     Nov 13, '05 8:00p
Location:     Programa Ensaio - TV Cultura
Uma homenagem à Dama da Viola, a pantaneira Helena Meirelles. Imperdível

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

LAMENTO PANTANEIRO



Helena+Meirelles+helenameirelles01
As cordas de aço afinadas do velho violão ecoam pelo ar nesta manhã de quinta feira. Cada acorde é uma lágrima derramada da saudade que se anuncia. Só quem conhece o Pantanal, sabedor do seu isolamento, a distância entre tudo, desconfia quão longe pode chegar o som de uma viola chorona. E hoje, tenham certeza, ele vai alcançar decibéis imensuráveis, cruzando melodias e lamentos por águas, terras e céus pantaneiros.
Faz um ano que vi Helena Meireles, a violeira mato-grossense no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. E lá, tive o privilégio de gravar uma entrevista exclusiva com ela, que veio a cidade para o lançamento do documentário “Helena Meireles, a Dama da Viola”, de Francisco de Paula. Fui encantada por seu jeito, suas histórias pantaneiras, e sua postura perante a vida.

Hoje, amanheci com a notícia que D. Helena se foi.

Sempre que morre um amigo, fico imaginando como ele será recepcionado do lado de lá. O tipo de, digamos, evento inaugural marcará sua passagem desta para uma, literalmente, melhor. Com Dona Helena a coisa se complica... Como transformar o céu no ambiente perfeito da violeira do Porto XV? O céu virar bordel? Como permitir que peões, prostitutas, cafetões e músicos festejem com a devida pompa a chegada de Dona Helena por lá, arrastando as botas no salão de terra batida numa polca paraguaia, num chamamé ou numa guarânia?

Deus, em sua infinita sabedoria(?) e bom gosto(!), não perderá a chance de ter a sua disposição aquilo que nos foi tomado: o som mágico das cordas do pequeno violão de Helena Meireles. Aquele que, um ano atrás, ela dizia que a doença, uma pneumonia braba que a deixou mais magrinha do que sempre foi, a tinha obrigado a deixar de tocar.

Aos que ficam, o orgulho de saber pantaneira uma das 100 maiores palhetas do mundo, eleita pela Revista Guitar Player, a bíblia mundial do instrumento. Lá está ela, a palheta de Dona Helena, feita de lasca, esculpida com a faca que ela trazia cruzada na parte de trás do cós da calça, embaixo do pala paraguaio com que aparece em várias cenas do filme. Sua palheta figura lado a lado com a de Al di Meola, B.B. King, Jimmy Hendrix e outros 96 gênios do instrumento.

Um conselho para quem, como eu, num dia como o de hoje, amanhece com o coração cheio de tristeza. Que sigamos os ditames de Dona Helena. Que a viola coma solta noite adentro.Que todos os que tiveram o prazer de conhecer de seu incrível universo pantaneiro, comemorem sua passagem com aquilo que ela mais gostava: muita festa, muita música, um bom trago e alegria. De preferência ao som devidamente registrado em quatro CDs nos seus últimos anos de vida, das cordas mágicas da dama viola. E que soem os berrantes pantaneiros, anunciando que, aí em cima, está chegando D. Helena. A mais autêntica violeira do Pantanal.

...

Valeria del Cueto é jornalista e cineasta

liberado para reprodução

foto de divulgação do filme "Helena Meireles, a Dama da Viola"









sábado, 17 de setembro de 2005

Mato Grosso em Dose Tripla na 5 Goiania Mostra Curtas

Rating:★★★★★
Category:Movies
Genre: Other
Três produtos audiovisuais genuinamente mato-grossenses integram a programação da 5ª Goiânia Mostra Curtas. Eles serão apresentados entre 11 e 16 de outubro, no Teatro Goiânia, em Goiânia/GO.

São duas ficções e um documentário. Comprometendo a Atuação, comédia de Bruno Bini, e História sem Fim... do Rio Paraguai, - O Relatório, documentário rodado no Pantanal foram selecionados para a Curta Mostra Brasil. O Quadro, ficção de Manoel Dourado Marques, de Itiquira, integra a Curta Mostra Revelando os Brasis.

Serão exibidas 121 produções, selecionadas entre 510 filmes provenientes de 23 Estados, dos quais 22 estarão representados (veja relação em www.goianiamostracurtas.com.br). A Goiânia Mostra Curtas é uma realização do Instituto de Cultura e Meio Ambiente (Icumam), com patrocínio parcial da Petrobras e apoio da Lei Rouanet e Goyazes de Incentivo à Cultura.

Os vídeos e filmes estarão distribuídos em cinco mostras competitivas: Curta Mostra Brasil, Curta Mostra Goiás e Curta Mostra Municípios, 4ª Mostrinha e a Curta Mostra nos Bairros. Outros 27 filmes foram classificados para compor as mostras não-competitivas: Curta Mostra Cultura Popular, Curta Mostra Anima Mundi, Curta Mostra Revelando os Brasis.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005



De Valéria del Cueto
Agosto de 2005
Amigos. Sei que tem gente que pensa que fazer cinema, viajar com cinema, viver de cinema é uma vida mágica. Reconheço que existem momentos mágicos. Como poder ver gente das mais diversas localidades do país saboreando nossa produção, gente ávida de informações sobre como são e como vivem os pantaneiros, ouvir perguntas curiosas sobre a realidade de um dos mais ricos ecossistemas doplaneta, os animais, o tipo de vegetação. Como sentir a reação da platéia quando surge nas telas cinematográficas a Serra do Amolar, encravada em pleno coração do paraíso. Sem dúvida é muito estimulante e, diz emocionado Totico, comandante do Barco Espanhol, no qual viajamos pelas águas do Pantanal, “gratificante”... São sensações que adorarei dividir, um dia, com os habitantes do Pantanal. Com os moradores e ribeirinhos de Cáceres, Barão de Melgaço, Poconé, além de Cuiabá, em Mato Grosso, e Corumbá, Porto Murtinho Aquidauana, Bonito e a capital, Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Por isso, montei a Exposição Multisensorial. Foram anos remexendo no material, selecionando fotos, áudios, desenhos, horas e horasde vídeo, procurando o melhor formato para levá-la ao público. Módulos que se alternam, sensações e cores que se descortinam na tentativa de envolver, como num casulo, os signos pantaneiros. E tenho para mim que preciso começar amostrar o trabalho por aqueles que me ajudaram a criá-lo, numa obra coletiva de amor e paciência.
A MARVADA Mas não se enganem. Esta vida também é cheia de frustrações e, muitas, decepções. As alegrias, os momentos mágicos, tenham certeza, são desproporcionalmente menores do que os longos tempos de luta, trabalho árduo e infelizmente, desengano. Estes nos perseguem, atingem e patrolam quando menos esperamos. E olha que esperamos sempre... E, por respeitar o sempre, é que estou dividindo com vocês, que me acompanham nos bons momentos, o lado oposto da moeda. Não discuto aqui, méritos ou responsabilidades. Apenas sigo contandoa História da História... Depois de lutar durante anos para finalizar o curta metragem “História Sem Fim... do Rio Paraguai - O Relatório”, voltei a Mato Grosso com a proposta de mostrar o material que coletamos a quem de direito. Àqueles que fizeram, junto da equipe de filmagem, parte do registro sensível, doce e verdadeiro do jeito pantaneiro de ser. Procurei a Secretaria Estadual de Cultura, para propor uma parceria. Segui a indicação que recebi: que colocasse o projeto da Exposição do “História Sem Fim...” no edital do Fundo de Cultura,que se encerraria no final de abril. Assim fiz eu. E, como muitos outros, fiquei esperando. Até a saída do Diário Oficial que apresentou os nomes dos projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura. A História Sem Fim... do Rio Paraguai, não está lá. VALE A PENA VER DE NOVO? Fico triste pois, mais uma vez, o governo do estado volta as costas ao projeto. Primeiro, foi em 1998, quando eu e Carlina Jacob tivemos que entrar com uma ação na justiça para garantir a publicação de nossa carta de captação. Diante da receptividade estadual, acabei entrando na Lei do Audiovisual, que garantiu os recursos para a realização do curta. Agora, é a vez do governo atual.
Historia_Sem_Fim...FA_01_-_Por_do_sol_murada_C__ceres
Não fui eu quem tomou a iniciativa de colocar o projeto no Edital. Segui a recomendação do email que recebi do chefe de gabinete, em resposta à correspondência que havia enviado ao Secretário Estadual de Cultura, propondo uma parceria para a divulgação e distribuição do filme e a montagem e circulação da Exposição. Sinceramente, pensei que seria uma ótima oportunidade para corrigir a injustiça que, considerava eu, era não ter contado com nenhum apoio do governo estadual para fazer o filme. Agora ele estava pronto e, mais uma vez, eu convidava o governo de Mato Grosso a se juntar a Prefeitura de Cáceres,Corumbá, ao Governo de Mato Grosso do Sul, a Brasil Telecom e o BNDES num projeto que pode ser considerado um sucesso (apesar do pequeno raio de açãoatingido, neste momento, pelo documentário). Tudo, para levar de volta às suas origens, o lindo trabalho que conseguimos fazer. Deixar que o pantaneiro visse o filme e todo o material que recolhemos, apresentados na Exposição, para poder ter dimensão da força da sua verdade, da importância do seu próprio significado.
Convidava o poder estadual a colocar sua chancela num projeto que ainda vai correr o mundo, ora se vai! Mas nem todos os dias são mágicos e as decepções estão aí para serem vividas. A listagem final dos projetos aprovados, publicada no Diário Oficial, numa sexta feira de agosto (arre!), marca um destes inúmeros momentos de tristeza. O projeto não foi aprovado no Edital de 2005. Ainda não será desta vez que chegaremos a região do nosso porto de origem. O RUMO É O PRUMO Mas não sou de desistir. Quem me conhece, sabe: demoro, tardo, mas compareço. Por isso, aviso aos navegantes e aos simples passantes: vamos para a Lei Rouanet. Começar tudo de novo, desta vez na esfera federal. Captar centavo por centavo o valor necessário para abrir ainda mais o leque de exibição do curta “História Sem Fim...do Rio Paraguai – o Relatório”, e de todo o material que juntamos na viagem pelo Rio Paraguai, para as cidades pantaneiras. E enquanto a grana não vem, continuaremos a percorrer os festivais de cinema brasileiro. Vibrando a cada nova apresentação do filme, a cada novo convite, indo a todos os lugares onde nos aceitarem e formos bem recebidos com nossa cópia única. Levando no coração o Pantanal e o Mato Grosso,o meu Mato Grosso, aquele que sabe acolher e do qual me orgulho de ser filha, ainda que adotiva..Um dia aqueles que o governam, reconhecerão o valor da mágica que é fazer e levar o cinema, a cultura e os signos mato grossenses a quem mais de direito (alma e a razão de mais de 7 anos de trabalho e quanto mais forem necessários): o autêntico pantaneiro. Deixo aqui os parabéns e o desejo de sucesso aos que conseguiram ter seus projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura etambém um aviso aos amigos queridos que acompanham a minha luta: me aguardem, que eu tenho inúmeras e fortes razões para voltar.
 
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