De Valéria del Cueto
Agosto de 2005
A MARVADA
Mas não se enganem. Esta vida também é cheia de frustrações e, muitas, decepções. As alegrias, os momentos mágicos, tenham certeza, são desproporcionalmente menores do que os longos tempos de luta, trabalho árduo e infelizmente, desengano. Estes nos perseguem, atingem e patrolam quando menos esperamos. E olha que esperamos sempre... E, por respeitar o sempre, é que estou dividindo com vocês, que me acompanham nos bons momentos, o lado oposto da moeda. Não discuto aqui, méritos ou responsabilidades. Apenas sigo contandoa História da História...
Depois de lutar durante anos para finalizar o curta metragem “História Sem Fim... do Rio Paraguai - O Relatório”, voltei a Mato Grosso com a proposta de mostrar o material que coletamos a quem de direito. Àqueles que fizeram, junto da equipe de filmagem, parte do registro sensível, doce e verdadeiro do jeito pantaneiro de ser. Procurei a Secretaria Estadual de Cultura, para propor uma parceria. Segui a indicação que recebi: que colocasse o projeto da Exposição do “História Sem Fim...” no edital do Fundo de Cultura,que se encerraria no final de abril. Assim fiz eu. E, como muitos outros, fiquei esperando. Até a saída do Diário Oficial que apresentou os nomes dos projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura. A História Sem Fim... do Rio Paraguai, não está lá.
VALE A PENA VER DE NOVO?
Fico triste pois, mais uma vez, o governo do estado volta as costas ao projeto. Primeiro, foi em 1998, quando eu e Carlina Jacob tivemos que entrar com uma ação na justiça para garantir a publicação de nossa carta de captação. Diante da receptividade estadual, acabei entrando na Lei do Audiovisual, que garantiu os recursos para a realização do curta. Agora, é a vez do governo atual.
Convidava o poder estadual a colocar sua chancela num projeto que ainda vai correr o mundo, ora se vai!
Mas nem todos os dias são mágicos e as decepções estão aí para serem vividas. A listagem final dos projetos aprovados, publicada no Diário Oficial, numa sexta feira de agosto (arre!), marca um destes inúmeros momentos de tristeza. O projeto não foi aprovado no Edital de 2005. Ainda não será desta vez que chegaremos a região do nosso porto de origem.
O RUMO É O PRUMO
Mas não sou de desistir. Quem me conhece, sabe: demoro, tardo, mas compareço. Por isso, aviso aos navegantes e aos simples passantes: vamos para a Lei Rouanet. Começar tudo de novo, desta vez na esfera federal. Captar centavo por centavo o valor necessário para abrir ainda mais o leque de exibição do curta “História Sem Fim...do Rio Paraguai – o Relatório”, e de todo o material que juntamos na viagem pelo Rio Paraguai, para as cidades pantaneiras.
E enquanto a grana não vem, continuaremos a percorrer os festivais de cinema brasileiro. Vibrando a cada nova apresentação do filme, a cada novo convite, indo a todos os lugares onde nos aceitarem e formos bem recebidos com nossa cópia única. Levando no coração o Pantanal e o Mato Grosso,o meu Mato Grosso, aquele que sabe acolher e do qual me orgulho de ser filha, ainda que adotiva..Um dia aqueles que o governam, reconhecerão o valor da mágica que é fazer e levar o cinema, a cultura e os signos mato grossenses a quem mais de direito (alma e a razão de mais de 7 anos de trabalho e quanto mais forem necessários): o autêntico pantaneiro.
Deixo aqui os parabéns e o desejo de sucesso aos que conseguiram ter seus projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura etambém um aviso aos amigos queridos que acompanham a minha luta: me aguardem, que eu tenho inúmeras e fortes razões para voltar.
Mais informações sobre o
projeto no link Razões para Chegar: a Exposição
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