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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Piacatuba, distrito de Leopoldina, Minas Gerais

Piacatuba, distrito de Leopoldina, Minas Gerais

Estive em Piacatuba no 16. Festival de Viola e Gastronomia, no último final de semana de julho de 2019. As informações sobre o Festival renderam a matéria de Capa do Diário de Cuiabá, reproduzida em vários sites e blogs "Se é pra chorar que seja ela, a viola"

Nos dois dias trabalhei com vários temas. O Festival em si, a conversa na janela, o mato-grossense João Ormond, as flores e, pra fechar, os objetos da percussão de Gabriel, do Rodrigo d' Sá e os Serafins, grupo de Leopoldina, sede onde está localizado o distrito de Piacatuba, na Zona da Mata mineira.

Clique AQUI ou na foto para acessar o álbum "Festival de Viola de Piacatu", no Flickr


#valerio2019
#Piacatuba

Algumas dessas fotos estão na coleção Getty Images de Valéria del Cueto, as demais fazem parte do acervo da fotógrafa em @no_rumo do Sem Fim

Ensaio fotográfico e registros no canal del Cueto, no youtube de (C)2019 Valéria del Cueto, all rights reserved

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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Se é pra chorar que seja ela, a viola

Se é pra chorar que seja ela, a viola

João Ormond cai no forró no Festival de Viola de Piacatu
Texto,e fotos de Valéria del Cueto
com video bônus do canal delcueto

O ponteio da viola ressoa pelas montanhas que cercam a sede de um dos mais antigos distritos a leste da Zona da Mata mineira, num persistente resgate das raízes musicais brasileiras.

No cenário composto por um preservado casario do final do século XIX, o 16° Festival da Viola e Gastronomia de Piacatuba enche a bucólica Praça Santa Cruz de animados visitantes.

O projeto, produzido Maria Lúcia Braga e patrocinado pela Energisa e o governo de Minas Gerais, já virou tradição e marca registrada do charmoso distrito de Leopoldina, localizado a 25 quilômetros de Cataguases.

Os shows

As noites frias da última semana de julho foram aquecidas pelas etapas regional, nacional e performances de violeiros consagrados como Geraldo Azevedo, Chico Lobo, o mato-grossense João Ormond e Miltinho Ediberto.

As participações dos talentos locais, representados por Thalylis Carneiro e banda Carmim, de Cataguases, com a participação de Dudu Viana na abertura dessa edição, e Rodrigo d’Sá e os Serafins, de Leopoldina, convidando o gaitista Jefferson Gonçalves no encerramento, cumpriram mais uma proposta do projeto.

O intercâmbio entre diferentes vertentes e estilos musicais foi ancorado pela excelente estrutura de palco e som, quesitos essenciais para a valorização da sonoridade dos instrumentos.

O forró se destacou entre os diversos estilos. E foi por ele que o mato-grossense João Ormond trocou o dedilhado pantaneiro nessa edição. No roteiro, o material do CD “Tem Viola no Forró – 2”, o nono de sua carreira.

Esta foi sua terceira visita ao Festival. Na primeira, trouxe “Quariterê” que homenageia Tereza de Benguela. Em sua segunda participação foi a vez de “Viola Pantaneira”.

Baseado em Jundiaí desde 1999, hoje João transita por espaços diversos passeando por diferentes estilos musicais. “Tem um público que gosta do forró nos eventos de festivais como os de inverno, gastronômico, entre outros”, explica. “O som de viola mais tradicional a plateia acompanha em espaços como Sesc, aniversários de cidades.”

Diante dessas demandas Ormond se dedica a vários projetos. “Violas do Brasil” circula pelo Proac/SP. “Nele mostro a viola do cinturão caipira: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás. A ênfase é a viola pantaneira, assim como em “Violas Pantaneiras”, o novo trabalho com Paulo Simões que será lançado dia 02 de agosto em Boticatu e dia 04 no Sesc de Piracicaba, em São Paulo. Estão nas plataformas digitais”, avisa lembrando que lá também está disponível o EP “Pote d´Ouro”.

É também em parceria com o sul mato-grossense “Toca Raul by Violas”, explorando o universo da obra Raul Seixas. “Daqui, irei para Bauru. Vamos fazer no Sesc de lá”, contou.

E são é só, sua viola está presente no projeto Pantanais Instrumentais, um especial Instrumental Sesc Brasil que acabou de ser gravado e em breve será apresentado na TV Sesc. Foi a pedido do Sesc SP que realizou “No Forró do Alceu Valença”, uma homenagem a Alceu Valença e ao cd “Forró de todo os cantos”

Nesses dias de mergulho sonoro, (uma das peculiaridades de Piacatuba é o fato de somente uma rede de telefonia celular tem alcance por lá), entre uma música, uma boa prosa e as atividades como oficinas, palestras e exposições, o que dá a liga e garante a sustância é um desfile de boa gastronomia.

Comidinhas e bebidinhas nos cafés e bares introduzem as saborosas refeições dos restaurantes locais. Com os cardápios no folder do evento já é possível traçar o roteiro ideal para explorar as delícias.

É esta conjunção de fatores que faz com que, não apenas o público, mas também, os astros da festa, como João Ormond, não se façam de rogados a cada possibilidade de marcar presença no evento mineiro.

Que venha em breve a quarta visita do ilustre representante da cultura de Mato Grosso e sua viola pantaneira nas noites animadas de Piacatuba. A plateia agradece!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com





Studio na Colab55

domingo, 1 de junho de 2008

Violas em Poxoréo




Fotos de Valeria del Cueto do Encontro de Violeiros de Poxoréo, no ultimo feriadao.
Leia a matéria no link http://delcueto.multiply.com/journal/item/114

VIOLAS ENLUARADAS NA CONCHA ACUSTICA DE POXORÉO



VIOLAS ENLUARADAS NA CONCHA ACÚSTICA DE POXORÉO


Texto e fotos de Valéria del Cueto*


“Quando me perguntam como foi fundada a minha amada e doce Poxoréo?
Esta pergunta prezo responde-la, que é uma estrela caída do céu.”

O som dos acordes cresce e transborda pelo espaço cênico a ele destinado, se espalhando pelos arredores. Barracas, restaurantes, bares, por todo o lado, ouve-se o solo ponteado da dupla de violeiros. Botas, calça jeans, camisa xadrez e cinto de fivela prateada, Aurélio Miranda solta a voz para cantar a cidade em que nasceu, lado a lado com seu filho, Aurélio Filho. “Minha doce Poxoréo” arranca aplausos da platéia que lota a menina dos olhos dos habitantes locais. A Concha Acústica do Parque de Exposições de Poxoréo, cidade do interior do estado da Mato Grosso, tem o palco em forma de violão e abriga, nesta noite, a inspiração e motivo de sua construção: o 6º Encontro de Violeiros.

O Hino Nacional, tocado “nas costas” pelas violas de Marcos Violeiros e Kleiton Torres abriu a etapa dos profissionais, que contou com a presença de mais 8 atrações. Entre elas, a revelação foi o grupo de catira Os Considerados e seu sapateado contagiante, vindo de Aparecida de Goiás. Toda a percussão do grupo é feita pelo som das botas e na palma da mão e, junto com Zé Mulato e Cassiano, foi um espetáculo a parte. Ao meu lado, na arquibancada que rodeia a boca de cena, uma senhora (a festa é para todas as idades) comentava a precisão dos passos do integrantes uniformizados.

A noite passa, os violeiros se revezam, e as arquibancadas continuam lotadas E não é pouca gente, vinda de todos os cantos de Mato Grosso  atraída pela boa música. Viola e violão reinam absolutos, mostrando que os estilos musicais apresentados têm um número expressivo e diversificado de admiradores. Moda de viola, toada, rancheira, polca, chamamé. Tudo num pacote só. O que é, e um aperitivo do que virá a ser. Um dia antes dos profissionais, os amadores fizeram a festa.

Na primeira noite, a 5 Edição é do Concurso de Violeiros Amadores, comprova que a fama da disputa já ultrapassou as fronteiras estaduais. Individualmente ou em duplas, são 34 participantes, representando 16 municípios de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Minas e São Paulo.  Tão variada quanto as localidades é a faixa etária dos concorrentes. Vale tudo: de senhores tarimbados pelas noites enluaradas aà promessas e sonhos de violeiros infantis.

A competição divide-se em duas partes. Na primeira, cada um dos 34 inscritos toca uma música. Em caso de empate, o que é quase inevitável, há uma segunda apresentação. As composições podiam ser de própria autoria ou apenas interpretadas. Os cinco jurados, atribuíam notas de 5 a 10 para os quesitos voz, ritmo, dicção e afinação.

Tarefa difícil e que consagrou a dupla de Rondonópolis Éder e Cícero Viola, com a música Tempo de Avanço. O segundo lugar ficou com Kleuton e Karen, de Anápolis. Violeiro do Futuro, título da composição executada por Thacio& Robert vindos de São José do Rio Preto e Uberländia, que ficou em terceiro lugar, sugere que os encontro musicais de Poxoréo terão vida longa, consolidando sua fama nos lugares onde a viola ressoa,  e serão cada vez mais aprimorados nas próximas edições, gerando muitos frutos para o turismo e a cultura da doce Poxoréo de Aurélio Miranda.
  
*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano

 

domingo, 13 de novembro de 2005

Helena Meirelles na Cultura - Programa Ensaio

Start:     Nov 13, '05 8:00p
Location:     Programa Ensaio - TV Cultura
Uma homenagem à Dama da Viola, a pantaneira Helena Meirelles. Imperdível

quarta-feira, 29 de setembro de 2004

HELENA MEIRELES, A DAMA DA VIOLA - apresentação


HELENA MEIRELES, A DAMA DA VIOLA

por Valéria del Cueto

Domingão de primavera no Rio de Janeiro, quase sol de verão, engarrafamento de candidatos a prefeito e vereadores, com suas “comitivas”, tralhas e baiúcas na orla carioca. Eis que recebo um convite para assistir, as três e meia da tarde, no cinema Odeon, na Cinelândia, ao lançamento de um documentário na Mostra não Competitiva – Retratos, do Festival do Rio 2004. “Helena Meireles, a Dama da Viola”
de Francisco de Paula é o filme em questão. Confesso que não tinha grandes expectativas mas reencontrar Mato Grosso ia me fazer muito bem, e eu sabia disso.

Na entrada, nada da tietagem que congestiona as noites badaladas do Festival, de flashs, luzes, microfones, máquinas fotográficas, câmeras, seus respectivos operadores e conseqüentes “entourages”. O tapete vermelho estava livre e desimpedido. O cinema não estava lotado. Na
abertura da sessão informam que a estrela do documentário, a violeira Helena Meireles, está presente. O holofote percorre a platéia e encontra dona Helena, vindo numa cadeira de rodas, no meio do corredor e as palmas começam. Tímidas a princípio, aumentando aos poucos e cada
vez mais. Como se demorássemos a fazer o cérebro pegar e fossemos entendendo aos poucos quem era aquela pequena mulher e o que ela representava.

Dona Helena é uma brasileira, reverenciada por sua arte. Sua palheta de chifre é uma das 100 melhores do mundo, segundo a revista americana “Guitar Player”, e está em companhia de outras do naipe de B.B. King, Eric Clapton, Jeff Beck e John McLaughlin. Todos aplaudiam sentados.
Aplaudiam cada vez mais. E, muito devagar, as pessoas foram se levantando, até que cada um naquela platéia se deu conta que a presença da violeira não era motivos somente para aplausos, mas para muito mais... A Dama da Viola cumprimentou os espectadores  chamando-os de “filhos de Deus” e pouco falou, por que queria mesmo era ver o filme, que ainda não havia visto inteiro...

Quanto a luz se apagou as cores de Mato Grosso inundaram a tela, os sons do pantanal, arregimentados pelas cordas do violão de Helena Meireles, dominaram todo Odeon. O maior mérito da direção do filme, é não interferir no jorro caudaloso das notas tiradas do violão e das
idéias da ‘fazedeira de shows”, como a própria Helena se intitula. O seu velho Mato Grosso se derrama na tela, eternizando um modo de vida que, dizem, está em extinção. Hoje defendido por alguns e tendo com ponta de lança de sua preservação o próprio pantanal, que se recusa a
deixar morrer o “modus vivendi” ali praticado, pelas dificuldades que impõe àqueles que tentam doma-lo. Como a música e a vida de Helena Meireles.

Quando o filme acabou, fiquei fazendo hora no saguão e lá estava ela, olhando calmante desenhos infantis inspirados em sua imagem e sua arte, expostos nas vitrines onde se colocam cartazes das próximas atrações. Assim como passou desapercebida na saída do cinema, ninguém se tocou da
presença dela no Rio de Janeiro. Não saiu nos grandes jornais, nem em colunas sociais. O Rio, cidade antenada, perdeu a chance de reverenciar, de conhecer melhor e render homenagens a uma brasileira da melhor estirpe...

Sabia que Dona Helena tinha estado doente, internada. Não tive coragem de me aproximar no saguão. Ia cair no choro, igualzinho havia acontecido durante a sessão e nos aplausos (muitos) finais. Mas consegui falar com o diretor de “Helena Meireles, a Dama da Viola”, Francisco de Paula. Através dele, veio o privilégio de poder entrevista-la no dia seguinte na  sede do Festival Rio 2004, antes de seu retorno a Campo Grande:


* A primeira parte da entrevista está a seguir, " HELENA
MEIRELES - A DAMA DA VIOLA, O FILME", a segunda em "HELENA MEIRELES -
SAUDADES DO VIOLÃO", que é pra não ficar muito grande e cansar os caros
e pacientes leitores.

HELENA MEIRELES - A DAMA DA VIOLA, O FILME



VDC - O que a senhora acha mais difícil: ser atriz de cinema ou tocar violão?
- Eu, pra mim, qualquer coisa me diverte.  Tanto ser atriz de cinema ou ser tocadeira de violão. Com coisas minhas, né? Por que com o que é dos outros eu não não vou me divertir. Eu tô vendo a fita de cinema, tô vendo eu lá... Mas quem que era eu? Eu era uma jacu de Mato Grosso...
Nasci e me criei no mato. No meio de bicho, no meio de cobra, de tudo quanto era troço. Campo Grande era ovo quando eu nasci. Então, agora
sou do cinema, sou “fazedeira” de show, sou “Dama da Viola”. A maior  tocadora de viola do mundo. Minhas palhetinhas, lá no meio dos melhores roqueiros dos Estados Unidos...

VDC - Do filme, o que a senhora gostou mais?
 - O que eu gostei mais mesmo foi daquela última música que eu toquei. Lembrei...

VDC - Qual é a última música?
- É...Parece que é “Lembrança do Pantanal”. Aquela música chamava muito tiro de revólver na zona quando tocava, de cano de 38, aqui nesse Mato Grosso véio afora. Era música charmosa. Aquela hora, quase que eu dei um grito alto ali dentro. Mas o pessoal tá escutando, deixa eu ficar
quieta. Mas meu pé tava assim, dançando...

VDC - Todo mundo aqui tem mania  de fazer “UUUUU UUU”.  E lá no Mato Grosso não é assim que faz, é “Ai, ai, aiiii”...
- E’, lá é grito mesmo, de peito fechado. Meu Deus, Nossa Senhora, deu vontade de gritar ali,  naquela hora. Mas não gritei por causa do povo: “Ora, esta mulher está fazendo escândalo aqui dentro”, vamos escutar quieto...

VDC - Como a senhora se achou na tela? A senhora acha que ficou bem de atriz?
- Bom, pelo meu jeito, pelo meu tipo, pelo meu modo eu não diferenciei nada. Eu sou a mesminha daquele sertãozinho de Mato Grosso, de criança, até agora... Por que ainda não contou toda a minha vida. Ele não contou toda a minha vida ali. Minha vida foi de amargar, de amargar, minha
filha. Eu passei fome, eu dormi no chão, cozinhando no chão. Meu prato era uma lata de doce. Sabe aquela lata que tinha antigamente? Era o pratinho da gente comer. Às vez não tinha nem roupa pra vestir. Que eu cheguei num lugar que eu tive  com meu marido - meu companheiro -
e meu filho, na beira de uma lagoa. Tivemos que tirar a roupa do corpo e lavar pra vestir e chgar na cidade. Tudo isso já aconteceu comigo. E eu nunca reclamei. Acho que é por isso que Deus me abençoou: “Coitada, ela não reclama”. Sofri, mas nunca reclamei.

VDC - A senhora é uma pessoa muito séria. Eu não vi a senhora rindo... Mas a senhora faz uma coisa que alegra tanto a vida das pessoas. Sua alegria está toda na música?
- Tá tudo na música, na minha pessoa, que afora em falo besteira, falo isso, falo aquilo, a turma dá risada, gostam que falo. Mas tudo com respeito. Mas eu não sou de risada mesmo, nunca fui Nem quando tava lá no puteiro, nunca fui de risada Fui séria, seca.

VDC - A senhora imaginou ou pensou que pudesse ficar tão famosa?
- Não, minha filha, por que eu fui uma mulher que me criei no mato, no sertão, eu fui uma mulher... Eu não esperava nem nunca que isso ia acontecer comigo. Só que eu falava que eu não ia morrer pobre de arrasto. Eu falava “tenho fé em Deus que eu não vou morrer pobre”, pra todo mundo.  Eu nasci com uma rosa na palma da minha mão, que Deus pôs, que nunca murchou e nem nunca morreu. Eu não vou morrer de arrasto, pobre, graças a Deus. Eu não sou rica, mas tenho a minha casa para mim morar, meus bons móveis que eu comprei. Tenho merecimento com o povão filho de Deus. Eu agradeço muito a Deus por ter meu companheiro do meu lado, para o quer e vier, por mim. Que eu sou muito querida mesmo, eu vejo que eu sou querida.  É criança, é tudo. É véio chorando, é homem chorando, é moço chorando... Eu já vi um moço de 16 anos chegar, se ajoelhar nos meus pé, depois que eu acabei de tocar, e chorar igual a uma criança. Uma mulher falou pra mim, estava lá em cima no parque fazendo show, e ela falou pra mim : “O que eu estava sentindo foi embora! Eu estava mal, saiu tudo o que tinha de ruim que tinha em mim.” Eu to alegre, eu tenho a graça de Deus.  Eu toco violão desde os 9 anos de idade.

* ainda tem mais entrevista em HELENA MEIRELES - SAUDADES DO VIOLÃO. Vá em frente!




HELENA MEIRELES - SAUDADES DO VIOLÃO



VDC - A senhora não está tocando agora porque?
-Eu não estou tocando por que peguei uma pneumonia. Faz uns 5 meses que eu estou de costa na cama, lá em casa e no hospital e em todo lugar, pra mim poder sarar bem, pra mim poder tocar. Então, o médico proibiu de tocar por que eu estou sofrendo do negócio da espinha. Diz que está torto, da espinha tudo, né? A gente endereita ela no braço do violão.
Mas eu já estou pegando o violão lá em casa, com o meu filho. Eu já toquei uma moda estes dias. Bem, os dedos foi bem legal. Eu toquei bem, meus dedos manerou bem nas cordas do vilão...

VDC - A senhora já tinha ficado tanto tempo sem tocar violão assim?
- Não, nunca Eu tinha seis shows tinha dois que era aqui, em São Paulo, o resto era pra fora. Mas aí eu fiquei muito ruim. Até agora ainda não estou bem, tô mais ou menos, graças a Deus...

VDC - A senhora toca violão desde garota. Já tinha ficado 5 meses sem pegar num violão?
- Nunca.

VDC - E a saudade?
- O que é que a gente vai fazer? Tudo é como Deus quer, não é como nós quer, não é? O que a gente tem que passar, a gente tem que passar. “Mode” boi de carro, eu morro de pé mas não morro deitada.

VDC - Quando é que a senhora acha que volta a tocar?
- Olha menina, eu não sei, só Deus poderia saber. Agora eu não posso te falar, por que quem sabe é só Deus. Às vez eu posso falar que pode ser agora, às vez pode ser pra mais tempo. Mas eu vou ser teimosa, eu vou teimar.

VDC - Eu vi uma pessoa com um violão lá no cinema, a  senhora toca sempre com o mesmo violão, ou qualquer um serve?
- Não, aquele violãozinho é famoso..  Aquele violão eu toco pra todo lado.  Por que eu tenho um que veio pra  mim dos Estados Unidos. Ele é muito pesado, eu não  agüento com ele. Ele é muito pesado, mesmo.  Tem uma mulher que ofereceu quinze mil no meu
violão.  Por vinte mil eu dou meu violão. Meu fio não quer que venda, mas eu vou  vender. Não güento com ele.  É grandão, mas é lindo. Muito bonito ele...

VDC - Mas e esse que a senhora toca, é de onde?
- É aqui de São Paulo, Eu ganhei numa loja lá.  Eu cheguei e apreçei ele. “Quanto que custa esse violão?” “Trezentos e cinquenta.” Falei: “Ui, ai”. Aí eu olhei, olhei,  e falei pro dono: “Escuta uma coisa”- cê vê como eu tenho sorte - “Pela primeira vez que eu entrei na sua loja e vim apreçar um violão, você podia me dar...” Ele falou: “É seu, pode levar”. Ele pegou a capa, pôs o  violão dentro da capa e disse “Esse é seu, não custa nada para a senhora”. Faz muito tempo que ele está rodando comigo. Porque ele é pequenininho.

VDC - Eu fiquei preocupada por que a senhora falou no filme que deram um tiro no seu violão...
- (Rindo pela primeira vez) Aquele já foi embora faz muito anos! Tem é tempo... Só que eu tô com esse homem, tá com 46 anos que eu tô com ele, que me tirou dos puteiros, lá do Porto XV.  Isso foi naquele tempo ainda... foi antes...  Foi no tempo do puteiro mesmo. Eu estava tocando num bar no Porto XV.