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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Muita empada pra pouco recheio
Muita empada
pra pouco recheio
pra pouco recheio
Texto e foto de Valéria del Cueto*
E viva São Beltrão, o santo dos burocratizados. Ainda estou na gincana destinada a passar minha terra na Chapada dos Guimarães para o meu legítimo nome.
O mais impressionante é que esse trem não anda. Está mais parado que novela esticada no meio. Sem sal, sem graça e sem resultado. Uma tristeza.
Quando acho que estou quase lá, aparece um pacote de exigências incríveis para serem cumpridas: é documento do Incra, certidões da Receita Federal, nada consta do Ibama... Uma festa de papéis ofícios, ainda não picados. (Você tem dúvida de que este será o destino deles pós entrega?)
Passar uma escritura para seu próprio nome é certeza de faturamento alto para terceiros. Mais especificamente, a alegria e o pão nosso de cada dia dos despachantes de plantão. Aqui, neste emaranhados tortuosos, ninguém nunca ouviu falar em desburocratização, idéia genial que deveria ter levado o ex ministro do ainda governo militar, Hélio Beltrão, a ser santificado quase no final do último milênio. Pena que o Ministério da Desburocratização, por ele idealizado e comandado, acabou não decolando. Obviamente por motivos de “forças” muito maiores...
Possível, porém mais custoso e exaustivo do que escalar o Morro da Mesa, guardião perene de Poxoréo, que fica lá, me desafiando a repetir a proeza de chegar lá em cima e fotografar novamente os arredores. Praticar uma escritura pública é um buraco negro mais insondável do que o parente astronômico que gerou o bing bang.
E dá-lhe senha, no caso da Receita Federal, inclusive, alfa numérica que é para aumentar a confusão (sofisticação dizem outros, com ares entendidos). É muito invólucro para pouca agilidade. Tente, por exemplo, achar o DIAC, ou a Certidão de Regularidade Fiscal do Imóvel Rural, pela internet. Quá!
Capitule, como eu, e visite o superbuilding da Receita Federal, em Cuiabá, ao lado do maior shopping center da cidade. Até minha senha alfanumérica ser chamada acabei, a contra gosto, na boca do lobo. Quer dizer, fazendo um tour shoppiniano.
Confesso que não consegui gastar o tempo completo da espera circulando pelo incrível mundo do hiper consumo local. A causa foi simples: templos consumidores não me atraem, apenas me entediam. Bastou uma rodada por ele, com um pit stop pra tomar um expresso, para descobrir que, no quesito compras, o padrão do maior-melhor-e-mais-moderno (?) deixou muito a desejar.
Nada de novo no front, além do ar condicionado possante e.... a mesmice de sempre. Se já não sou fã dos malls mais famosos do ocindete, por que aqui deveria ser diferente? Gosto de fazer compras ao ar livre. Se possível, nas ruas de Ipanema, no Rio de Janeiro. Se não der, me divirto muito mais passeando pelo calçadão do centro da cidade onde, posso até não comprar nada, mas terei uma surpresa pop em cada vitrine ou banca das lojinhas locais, o que certamente, instigará muito mais minha imaginação fashion...
Acabei gastando a meia hora que faltava para minha famigerada senha ser validada (acreditem!) assistindo novela na sala de muita espera da Receita Federal. Ar, por ar, o desconforto com a espera é o mesmo e, pensando, bem, as modas da tela e da passarela refrigerada também...
Ps: É importante ressaltar que, apesar do labirinto ser insondável, os funcionários e atendentes que encontrei nas encruzilhadas foram sempre prestativos, gentis e muito úteis. Não fossem eles, não estaria contando este capítulo da minha saga fundiária com tanto bom humor. Obrigado, aos amigos como o Esmeraldino que cruzei neste longo percurso...
Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Este artigo faz parte da serie Parador Cuyabano
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domingo, 1 de junho de 2008
Violas em Poxoréo
Fotos de Valeria del Cueto do Encontro de Violeiros de Poxoréo, no ultimo feriadao.
Leia a matéria no link http://delcueto.multiply.com/journal/item/114
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VIOLAS ENLUARADAS NA CONCHA ACUSTICA DE POXORÉO
VIOLAS ENLUARADAS NA CONCHA ACÚSTICA DE POXORÉO
“Quando me perguntam como foi fundada a minha amada e doce Poxoréo?
Esta pergunta prezo responde-la, que é uma estrela caída do céu.”
Esta pergunta prezo responde-la, que é uma estrela caída do céu.”
O som dos acordes cresce e transborda pelo espaço cênico a ele destinado, se espalhando pelos arredores. Barracas, restaurantes, bares, por todo o lado, ouve-se o solo ponteado da dupla de violeiros. Botas, calça jeans, camisa xadrez e cinto de fivela prateada, Aurélio Miranda solta a voz para cantar a cidade em que nasceu, lado a lado com seu filho, Aurélio Filho. “Minha doce Poxoréo” arranca aplausos da platéia que lota a menina dos olhos dos habitantes locais. A Concha Acústica do Parque de Exposições de Poxoréo, cidade do interior do estado da Mato Grosso, tem o palco em forma de violão e abriga, nesta noite, a inspiração e motivo de sua construção: o 6º Encontro de Violeiros.
O Hino Nacional, tocado “nas costas” pelas violas de Marcos Violeiros e Kleiton Torres abriu a etapa dos profissionais, que contou com a presença de mais 8 atrações. Entre elas, a revelação foi o grupo de catira Os Considerados e seu sapateado contagiante, vindo de Aparecida de Goiás. Toda a percussão do grupo é feita pelo som das botas e na palma da mão e, junto com Zé Mulato e Cassiano, foi um espetáculo a parte. Ao meu lado, na arquibancada que rodeia a boca de cena, uma senhora (a festa é para todas as idades) comentava a precisão dos passos do integrantes uniformizados.
A noite passa, os violeiros se revezam, e as arquibancadas continuam lotadas E não é pouca gente, vinda de todos os cantos de Mato Grosso atraída pela boa música. Viola e violão reinam absolutos, mostrando que os estilos musicais apresentados têm um número expressivo e diversificado de admiradores. Moda de viola, toada, rancheira, polca, chamamé. Tudo num pacote só. O que é, e um aperitivo do que virá a ser. Um dia antes dos profissionais, os amadores fizeram a festa.
Na primeira noite, a 5 Edição é do Concurso de Violeiros Amadores, comprova que a fama da disputa já ultrapassou as fronteiras estaduais. Individualmente ou em duplas, são 34 participantes, representando 16 municípios de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Minas e São Paulo. Tão variada quanto as localidades é a faixa etária dos concorrentes. Vale tudo: de senhores tarimbados pelas noites enluaradas aà promessas e sonhos de violeiros infantis.
A competição divide-se em duas partes. Na primeira, cada um dos 34 inscritos toca uma música. Em caso de empate, o que é quase inevitável, há uma segunda apresentação. As composições podiam ser de própria autoria ou apenas interpretadas. Os cinco jurados, atribuíam notas de 5 a 10 para os quesitos voz, ritmo, dicção e afinação.
Tarefa difícil e que consagrou a dupla de Rondonópolis Éder e Cícero Viola, com a música Tempo de Avanço. O segundo lugar ficou com Kleuton e Karen, de Anápolis. Violeiro do Futuro, título da composição executada por Thacio& Robert vindos de São José do Rio Preto e Uberländia, que ficou em terceiro lugar, sugere que os encontro musicais de Poxoréo terão vida longa, consolidando sua fama nos lugares onde a viola ressoa, e serão cada vez mais aprimorados nas próximas edições, gerando muitos frutos para o turismo e a cultura da doce Poxoréo de Aurélio Miranda.
*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano
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