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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Tinha que ser?

Tinha que ser?

Texto  e foto de Valéria del Cueto

Saindo mais uma. Da ponta dos dedos ávidos para riscarem o caderninho com a BIC dourada que ainda guarda resquícios de seu sotaque francês.

Foi de lá que ela veio e se pergunta como, com tantos assuntos em pauta, a autora do Sem Fim tem tempo para ficar fazendo a árvore genealógica de uma simples e humilde (dourada, tudo bem) caneta.
Me apresso a explicar que sou fiel aos meus apegos e valorizo quem me acompanha e não me deixa na mão. Cultivo amizades com quem escreve, a BIC dourada, e com quem recebe e acolhe as palavras, os caderninhos. Desses, diga-se de passagem, falo sempre. Especialmente ao me despedir amorosamente dos que, preenchidos, estão a caminho da estante das memórias.  Narradas nas crônicas que, confesso, já perdi a conta.

Gosto de coisas novas. Mas me apego a cangas, tênis, óculos e biquinis. Alguns objetos com que, por força do uso, adquiro intimidade. Tento honrar meus companheiros de jornada nos dias bons e nos não tão felizes.

Quer saber? Melhor falar deles do que tentar analisar os acontecimentos.

Queria começar a semana sem precisar registar quem, do alto de sua sabedoria e especialização na realidade pedagógica e educacional do Brasil (sim, o país daquela educação que está na lanterna dos indicadores de excelência... do mundo!), promove o fim da TV Escola e chama Paulo Freire de “energúmeno”.

Com essa bola passando rente a rede só resta enterrar, sem direito a bloqueio, levando ao ponto inquestionável. Que exemplo nos dá com os resultados alcançados por sua prole erudita?

Também adoraria deixar passar o papelão da comitiva ambiental oficial na COP 25. Vergonha perde só para o “êxito” da estratégia do ministro que bagunça o coreto, atrapalha a cúpula, pede dinheiro sem dar garantias e sai do encontro sem um centavo furado. Não foi pior porque o país se fez representar por lideranças e instituições historicamente reconhecidas por atuações relevantes no contexto mundial das mudanças climáticas.

De protagonistas do processo passamos a lanterninhas mequetrefes e mentirosos no quesito ambiental enquanto quase batemos as mil praias atingidas pelo óleo que avança rumo ao sul pelo litoral brasileiro. Apresentamos ao mundo a liberação para a plantação de cana e produção de etanol no pantanal na bacia do alto Paraguai e... na Amazônia! Entre outras proezas.

Enquanto isso, representantes de Mato Grosso acompanham a agonia política de um fenômeno eleitoral encurralado por seus comprovados crimes eleitorais.

E tinha que ser, para nos matar de vergonha, mulher!

Demora tanto para que uma representante do sexo frágil consiga despontar no cenário federal político mato-grossense... Quando aparece já faz logo um strike de burradas (para ser boazinha e maternal é que classifico os crimes da juíza aposentada de forma tão amena). Afinal, os sinais eram claros já ao primeiro ato: jogar a responsabilidade de sua inabilidade política nas costas de uma sequência de marqueteiros que passaram por sua meteórica e atribulada ascensão eleitoral.

Tenho sérias restrições a quem não assume e se responsabiliza por seus atos. Sabe aquele tipo de gente que sempre acha que a culpa é dos outros, capaz de encontrar as justificativas mais estapafúrdias para seus erros e defeitos?

Isso depois de arvorar para si um codinome “de saias”. Foi tanto tempo disparando regras e preconceitos e sendo aplaudida pela plateia deslumbrada que faltou o essencial: estudar e cumprir a lei!

Condenada por unanimidade em Mato Grosso, no upgrade para o STF achou que virar sua metralhadora giratória para a corte e pedir carona na capa do Super Homem poderia poupa-la do cadafalso. Não deu. Tomou um vareio incontestável e perdeu o mandato. Depois, para ficar mais feio e fechar com chave de ouro o conjunto patético da obra, o baú foi fechado com um “áudio juramento” com direito a palavras de baixo calão. E por que não?

Quer saber? Tem o que merece quanto a punição criminal no âmbito da justiça eleitoral. Mas ainda falta. E se a justiça existe, será obrigada a ressarcir os cofres públicos do meu, do seu, dos nossos impostos, pela eleição invalidada.

O próximo passo é coloca-la no panteão inglório como única senadora eleita por Mato Grosso caçada por justíssimas causas.

Tinha que ser uma mulher?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Não vou por aí

Não vou por aí

Texto e foto de Valéria del Cueto

A crônica dessa semana é um mea culpa. Ela começa no passado. Lá, em 2010, na eleição para o Senado. Havia uma luz no fim do túnel para quem não votasse em Carlos Abicalil (PT jamais) nem em Blairo Maggi. Para não desperdiçar dois votos, uma possibilidade: o candidato do PDT, Pedro Taques. Olhei, avaliei, e, diante do que vi no período da campanha, cravei.

Na hora que saiu o resultado todo mundo foi para Centro de Convenções do Pantanal onde havia uma sala VIP para os eleitos. No hall já tive a oportunidade de registrar em vídeo como seria rápido o fim do “teatro” dos dois eleitos para o senado: o caloroso cumprimento da zebra que desbancou o candidato do PT, com o pule 10, o ex-governador.

Dentro da sala VIP o clima era muito interessante: de um lado a “situação”. Num canto isolado, Pedro Taques. Um estranho no ninho. Me acheguei para parabeniza-lo. Fui recebida por um afável cumprimento. “Como vai, cineasta?” “Feliz por ter votado no senhor”, respondi.

Aproveitei o momento, já que o tumulto reinava somente nas proximidades do outro grupo, para dar um aviso ao eleito pelo PDT de Brizola: “ Senador, só usei um dos meus votos para o senado. Foi no senhor. E, como sou uma eleitora que valoriza a escolha, já lhe informo e advirto: a única dúvida que tive foi quando vi quem era seu suplente. Por isso, como jogo limpo, já vou avisar que espero que o senhor cumpra o que prometeu de pés juntos para seus eleitores: que irá até o final do seu mandato. Não votei em seu suplente e jamais votaria. Ele não tem cabedal para representar Mato Grosso no Senado. Meu voto foi consciente e vou cobrar sua palavra dada”. O senador recém-eleito me garantiu que a honraria. Iria até o final do mandato de 8 anos!

Com que orgulho o vi ser o candidato de oposição contra Renan Calheiros na eleição do Senado e usar as palavras do grande Darcy Ribeiro em seu discurso: “Fracassei em tudo que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Pedro Taques teve 18 votos. Dois senadores votaram em branco, outros dois se abstiveram. Renan se elegeu com 56.

O tempo passou. Taques usou o PDT como trampolim. Outro mato-grossense já o havia feito anteriormente. Trocou o protagonismo nacional por uma candidatura ao governo de Mato Grosso. Eleito, deixou o partido. Sua vaga em Brasília...

Tenho acompanhando diariamente pela TV Senado a performance de José Medeiros, agora no PSD, nas sessões, CPIs, no processo do impeachment e, finalmente, como candidato a Presidência do Senado. Que vergonha! Que tristeza. Que decepção...

Fico imaginado como seria a atuação do senador que elegi.

Minha conclusão? Pedro Taques perdeu o bonde da história. Por vaidade e falta de visão trocou uma carreira brilhante por um governo medíocre, onde é aliado de todos os que combatemos quando votamos nele e o transformamos, com nossos votos, numa esperança de um protagonismo parlamentar com projeção nacional. Vai eleger em 2018 aqueles que, a duras penas, derrotamos em 2010.

A nós, eleitores enganados, fica um exemplo para os que reclamam do vice eleito e atual presidente do país. Sim, somos responsáveis pelos penduricalhos que indiretamente elegemos.  A caricatura que hoje ocupa uma das vagas de Mato Grosso no Senado Federal não me representa e sei exatamente a quem devo responsabilizar pela atuação vexaminosa que acompanho a cada sessão.

Meu voto em 2018 será ainda mais seletivo. Se o candidato não tiver um substituto à altura vai ser em branco. Mais mentiras não me iludirão. Outro tombo não levarei. Posso não saber em quem votar, mas sei que mais um nome entrou na lista dos que nunca mais terão meu voto: Pedro Taques.

Sou como José Régio em Cântico Negro: “Não sei por onde vou. Não sei para onde vou. Sei que não vou por aí!   

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

Aqui conheci Cântico Negro, de José Regio. 



Studio na Colab55

domingo, 11 de dezembro de 2016

Recado poético

Recado poético

Texto e foto de Valéria del Cueto

Todos os requisitos necessários para o bom andamento dessa fábula fabulosa estão aqui representados. O checklist de Pluct, Plact, o Mercúrio extraterrestre, mensageiro da cronista voluntariamente enclausurada, está completo. Divide-se em itens básicos, circunstanciais e os "extraplus", aqueles especiais.

Vamos ao básico: um sol de verão na primavera e vista paradisíaca com amplo horizonte marítimo. Não o ideal, porque só Ponta do Leme só existe uma. Mas o Arpoador disponível no momento, diante das circunstâncias, é mais do que aceitável. Um mar verde esmeralda hoje quase sem ondas e temperatura tépida. A praia praticamente vazia, onde predominam o barulho das ondas e os pregões dos vendedores ambulantes que circulam entre os frequentadores (tem bastante turistas) oferecendo queijo coalho, caipirinha, cangas, bronzeador, Mate Leão, limonada, óculos de sol, Biscoito Globo... 

Esses são aspectos do relatório que introduzem e ambientam a narrativa, aproximando a cronista rebelde de seu visitante interplanetário. Não que ele não tenha tentado inverter a ordem dos fatores, mas claramente, nesse caso, ele alteraria a o produto como você verá na sequência.

O segundo grupo é o de requisitos circunstanciais. Nele estão englobados os temas que mantém a amiga, isolada na cela do outro lado do túnel, enquadrada no contexto da loucura contemporânea. Inclui a tentativa na calada da noite do presidente do Senado de tornar urgente a tramitação da lei de abuso de autoridade. A liminar do ministro do STF Marco Aurélio afastando o réu da presidência do Senado. Sua conduta ao desafiar a justiça dando perdidos sucessivos no oficial da justiça! O espetáculo deplorável de assistir a suprema corte brasileira, mais uma vez, só botando a cabecinha. Técnica já apresentada na condução da sessão que tirou Dilma do poder, sem fazê-la perder seus direitos políticos. 

Pois dessa vez o puxadinho impede o réu de assumir a presidência da república, mas não o impede de “comandar” o poder cujo presidente, por determinação constitucional deveria ser, no momento, o segundo nome na linha de sucessão.

Nessa altura, a musa inspiradora de tantas fábulas fabulosas, estará olhando o infinito com olhos lassos. E há nos seus olhos ironia e cansaço, quase a dizer que não vai por ali. Pluct,Plact teme que ela se feche naquele mundo só visto pela fresta da janela, em que não há espaço para nada! Só cabe a lua. Que é dela...

Aí o ser, repleto de sabedoria universal, lança mão do “extraplus”, seu recurso derradeiro para trazê-la de volta. Conta que a presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia, manteve sua louvável linha pop de citações literárias na histórica sessão. Mas, infelizmente, dessa vez errou a rima ao citar, (tirando de seu recém merecido repouso no mausoléu da Academia Brasileira de Letras), o poeta Ferreira Gullar! Isso ao proferir seu voto pela posição da maioria: a de deixar Renan na presidência do Senado...

É com esse estímulo que Pluct,Plact encerra a visita. Sai certo de que isolada, sim. Desconectada? Nunca estará quem recita poderosa a resposta do poeta à “afronta” literária.

Subversiva (de Ferreira Gullar)
A poesia
Quando chega
Não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha
Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.
E promete incendiar o país.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Fábulas fabulosas” do Sem Fim...
Studio na Colab55

sábado, 22 de outubro de 2016

Brechó ou...

aquidsela-160616-043-selaria-renascer-brecho-placa-roupas-novas-e-usadasBrechó 

(7 tópicos e asterisco numa quase fábula fabulosa)

Texto e foto de Valéria del Cueto

Falta tudo, inclusive tempo. Só não falta assunto... Então, vamos por itens. Tipo rascunho dos temas que o extraterrestre Pluct, Plact encaminhará para sua querida cronista enclausurada voluntariamente (ou não? Onde já se viu bate-papo com ser interplanetário?). Não captou? Então vamos por partes, como diria o esquartejador.

1 - A recém empossada presidente do STF, o Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmem Lúcia, valoriza, a cada pronunciamento ou declaração, a cultura brasileira.

Na sua posse, entre outras citações, falou do filme de Adriana Dutra, “Quanto tempo tem o tempo” produzido pela Infinitto, da cuiabana Viviane Spinelli. Essa semana foi a vez de “Deixa o Alfredo falar”, título de crônica e livro do escritor Fernando Sabino.

Pelo menos, seguindo suas dicas, vai ter gente tendo que se ligar na genuína cultura "popular" brasileira. E não apenas na erudição do “juridiquês”!

2 - Prenderam o Eduardo Cunha. Vai delatar ou não vai?

3 - O anel que tu me destes não era de vidro, nem se quebrou. Mas, diz a lenda, foi devolvido! Custou R$ 800 mil o mimo que o delator Fernando Cavedish, da boa, velha e mal falada empreiteira Delta, bancou para Sérgio Cabral Filho - ex-governador que deu uma contribuição e$$encial para a falência do estado do Rio de Janeiro - presentear sua mulher Adriana, na comemoração de seu aniversário em Mônaco. (A pesquisar se foi na ocasião da singela festinha o famoso evento dos guardanapos na cabeça).

4 - Verba e estrutura do Congresso Nacional usadas para fazer varreduras senatoriais visando evitar investigações de anti inteligência (como se escreve esse “fiz que fui e acabei fondo”, como diria Nunes, jogador do Flamengo, em priscas eras?*) para descobrir grampos, inclusive os autorizados pela justiça. Pela Lava-Jato, por exemplo. Com direito a varreduras nas residências nos estados. Senadores citados: José Sarney, Fernando Collor e Edison Lobão. Mais uma delação premiada e temos a Polícia Federal indo atrás do Chefe de Polícia e outros funcionários da... Polícia Legislativa do Congresso Federal.

5 - Por falar na família Sarney: Governadores de Mato Grosso, Pedro Taques, e de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, com a presença do Ministro José Sarney Filho, do Meio Ambiente, assinaram a Carta de Caiman. Um termo de compromisso que estabelece políticas comuns para o Pantanal considerando seus aspectos ambientais e culturais semelhantes. Também prevê uma legislação única para regulamentar e proteger o sistema garantindo seu uso sustentável. A carta define o prazo de um ano para a definição de uma área de interesse para o econegócio, contemplando o planalto e a planície pantaneira.

6 - ECONEGÓCIO PANTANEIRO. Você ainda vai ouvir falar muito nesse termo. Beeeem diferente do agronegócio de sempre. Aquele...

7 - Uma rápida pesquisa no site do Senado Federal informa que o relator da PLS 750/2011, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal, de autoria do atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é nada mais nada menos que o suplente do dito cujo, Cidinho dos Santos.

A relatoria da PLS na Comissão já foi do candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que passou para seu suplente quando assumiu o Ministério da Pesca, Eduardo Lopes. Coube a ele a apresentação de um substitutivo integral ao texto, depois retirado. Aí, Crivella trocou com ele. Reassumiu sua cadeira no Senado e Eduardo Lopes virou Ministro da Pesca.

O processo voltou para o homem do Bispo que se esqueceu dele. Com sua saída para ser candidato foi redistribuído pelo presidente da Comissão, Waldir Maranhão. Em julho desse ano, quem diria, que coincidência fortuita, foi cair no colo justamente do suplente do autor da proposta, conhecido mundialmente pelo singelo prêmio recebido, o “Motosserra de Ouro”...

* Não esquecer de falar do Maracanã/estúdio com os ingressos lotados dias antes do jogo de domingo do Flamengo e Corinthians. Depois de um longo jejum do rubro-negro jogando fora de casa!!!

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim...


ILUSTRADO SEGUNDA A SÁBADO 2016.indd
Studio na Colab55

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Só dá Lalá(u)



Texto e foto de Valéria del Cueto
A gente rema, rema e morre na praia! Escrevo ouvindo por um site de notícias a transmissão ao vivo da eleição do novo presidente e da mesa diretora do Senado Federal.

Uso um site de notícias por que a TV “Senada”, bancada por nós contribuintes, simplesmente não dá conta do recado. Pagamos caro por um serviço que, assim como outros no país, é apenas uma caricatura grotesca do que deveria ser. Transcrevo a resposta da própria Agência Senado, via twitter ao meu apelo por um link que não dê numa página em branco: “@delcueto aqui funciona normalmente. Pode ser que a rede não esteja conseguindo atender ao grande número de acessos”. Pode parecer irônico, mas não é. É vergonhoso.

Depois de acompanharmos o julgamento do Mensalão pelo site do Supremo Tribunal Federal e pelo hangout  GRATUITO do Google, é inaceitável que o Senado não consiga fazer chegar ao povo brasileiro, democraticamente, as opiniões, posições e motivos que levarão os senadores brasileiros a conduzir à presidência da casa um membro que já renunciou a este mesmo cargo. Como disse o líder do governo, senador Eduardo Braga, do Amazonas, “o maior partido do país tem o direito de indicar o presidente da casa”.

A gente compreende a pequeneza do maior partido brasileiro. Aceitar a imposição da imoralidade é outra história, contestada pelas centenas de milhares de assinaturas de cidadãos brasileiros que pediram que Renan não fosse o presidente do Senado Federal por meio de petições públicas! Por que temos vergonha na cara, decência, moral e ética.

E, se os votantes escolhem um “camarada” capaz de usar o dinheiro público para bancar com notas frias sua filha fora do casamento, lamento, mas dane-se a maioria.

A denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF) é clara: pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. Se acatada, Calheiros passará da condição de investigado à de réu. Quanta honra, quanta dignidade...

Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.... Pedro Taques, o senador em que votei e honrosamente me representa, candidato da oposição, cita Manoel de Barros e mais, um dos maiores brasileiros que tive a honra de conhecer: Darci Ribeiro...
"Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".
Darci pode ter fracassado em muitas coisas, mas sua memória é honrada no meu templo de trabalho. Chama-se Sambódromo Darci Ribeiro, a passarela do Samba carioca. Obra feita por ele e Leonel Brizola. Aquele, lembram?
Com o fim da palhaçada,(desculpa ae, Tiritica, por usar em vão o termo que designa uma categoria tão especial)  vamos ao carnaval que, afinal, é assunto sério!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “É Carnaval”,  do SEM FIM... delcueto.cia@gmail.com