Texto e foto de Valéria del
Cueto
A gente rema, rema e morre na
praia! Escrevo ouvindo por um site de notícias a transmissão ao vivo da eleição
do novo presidente e da mesa diretora do Senado Federal.
Uso um site de notícias por que a
TV “Senada”, bancada por nós contribuintes, simplesmente não dá conta do
recado. Pagamos caro por um serviço que, assim como outros no país, é apenas
uma caricatura grotesca do que deveria ser. Transcrevo a resposta da própria
Agência Senado, via twitter ao meu apelo por um link que não dê numa página em
branco: “@delcueto aqui
funciona normalmente. Pode ser que a rede não esteja conseguindo atender ao
grande número de acessos”. Pode parecer irônico, mas não é. É vergonhoso.
Depois de acompanharmos o
julgamento do Mensalão pelo site do Supremo Tribunal Federal e pelo hangout GRATUITO do Google, é inaceitável que o Senado
não consiga fazer chegar ao povo brasileiro, democraticamente, as opiniões,
posições e motivos que levarão os senadores brasileiros a conduzir à
presidência da casa um membro que já renunciou a este mesmo cargo. Como disse o
líder do governo, senador Eduardo Braga, do Amazonas, “o maior partido do país
tem o direito de indicar o presidente da casa”.
A gente compreende a pequeneza do
maior partido brasileiro. Aceitar a imposição da imoralidade é outra história, contestada
pelas centenas de milhares de assinaturas de cidadãos brasileiros que pediram
que Renan não fosse o presidente do Senado Federal por meio de petições
públicas! Por que temos vergonha na cara, decência, moral e ética.
E, se os votantes escolhem um “camarada”
capaz de usar o dinheiro público para bancar com notas frias sua filha fora do
casamento, lamento, mas dane-se a maioria.
A denúncia do procurador-geral da
República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF) é clara: pelos
crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. Se
acatada, Calheiros passará da condição de investigado à de réu. Quanta honra, quanta dignidade...
Quem anda
no trilho é trem de ferro, sou água que
corre entre pedras: liberdade caça jeito....
Pedro Taques, o senador em que votei e honrosamente me representa, candidato da
oposição, cita Manoel de Barros e mais, um dos maiores brasileiros que tive a
honra de conhecer: Darci Ribeiro...
"Fracassei em tudo o que tentei na
vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".
Darci pode
ter fracassado em muitas coisas, mas sua memória é honrada no meu templo de trabalho.
Chama-se Sambódromo Darci Ribeiro, a passarela do Samba carioca. Obra feita por
ele e Leonel Brizola. Aquele, lembram?
Com o fim da
palhaçada,(desculpa ae, Tiritica, por usar em vão o termo que designa uma
categoria tão especial) vamos ao carnaval
que, afinal, é assunto sério!
*Valéria
del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte
da série “É Carnaval”, do SEM FIM...
delcueto.cia@gmail.com

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