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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Que seja breve e nos leve...


Que seja breve e nos leve...

Texto e foto de Valéria del Cueto

Existem lugares por onde passo que preciso (d)escrever logo para não deixar escapar as sensações que provocam. Outros que sei, mesmo que demore a trazê-los para o papel, o farei de forma absolutamente fiel, já que a passagem por eles é inesquecível. O interessante é que esses últimos, costumam surgir quando a gente menos espera. A região da Colonia Nueva Independencia, no município de Zanja-Pyta, departamento de Amambay, fronteira do Paraguay com o Brasil, é um deles.

O ponto de partida dessa aventura de descobrimento de novas paragens foi Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Os companheiros de estrada a Kiki, amiga de infância que reencontrei nessa viagem, e Gilson, nosso guia e personagem de destaque dessa crônica. “Partimos pela MS 165, a estrada margeia a fronteira”, explicou Gilson. Criado palmilhando aquelas bandas nas antigas comitivas de gado, ele apontava os postes de energia  que seguiam paralelos, indicado a ruta sem asfalto do país vizinho. A paisagem, um tédio só, na região de Aral Moreira, é soja e só soja. Estávamos no alto de um planalto e a cultura sustenta o município, distrito de Ponta Porã até 1976.

Por mais que olhasse o entorno, confesso, não via grandes expectativas em relação as possibilidades de alcançarmos em pouco tempo as paisagens que ele mencionou quando lhe disse que procurava lugares especiais e desconhecidos da fronteira, na conversa numa tarde gelada na Jacarecanga, o lugar mágico em que Kiki mora, uma chácara próxima a Ponta Porã.

Em um pouco mais de uma hora chegamos a Aral Moreira e, dobrando numa rótula, mudamos de rumo em direção ao país vizinho. O posto aduaneiro paraguaio parecia cenário de um filme de Roberto Rodriguez, tipo “Desperado”, com Antonio Banderas. A construção era ladeada por uma cancela de madeira. Sentado na frente da guarita um policial acenou respondendo ao nosso cumprimento liberando a passagem sob o olhar sonolento do vira-latas deitado a seus pés. Certamente, por ali, todo mundo se conhecia.

Uma centena de metros percorridos serviu para comprovar que a promessa de Gilson de nos apresentar a um paraíso seria paga e com sobras. A estrada de terra seguia pelo topo de uma cordilheira de onde se descortinavam paisagens belíssimas. Quando pedi uma parada para fotografar ele avisou que era apenas o começo da festa e ficaria ainda mais sensacional quando avistássemos o Cerro 21. Sábias palavras! Insuficientes para descrever o que nos esperava na descida em direção as terras de Seo Orlando, seu pai.

No caminho que serpenteava a cordilheira mais fotos, inclusive da capelinha que sua avó, uma das primeiras moradoras das antigas terras devolutas paraguaias, mandou construir em pagamento a uma promessa feita para São Silvestre. Já no pé da capelinha, projetada no meio do contraforte, o próximo desafio foi mais complicado, porém altamente compensador. Gilson perguntou como andava nossa “forma física” e, dando um “changüí”, carregou a mochila do equipamento fotográfico na subida por uma suposta trilha na encosta em direção a pequena construção de pedras.

Valeu a pena, apesar de algumas paradas para recuperar o fôlego abraçando as árvores centenárias para disfarçar o cansaço em meio ao “não” caminho. Que vista, que paz! Do platô onde a capela foi construída se descortinam 300 graus de grandiosa beleza natural comparável, talvez, ao visual do Morro do Paxixi, na Serra de Maracaju, em Mato Grosso do Sul.

De lá descemos para a fazenda onde Seo Orlando e Bernadete, sua mulher, nos esperavam com um tereré e um chimarrão caprichados. Cada um preferia um tipo de preparo para a mesma erva-mate, típica da região.

E, se o visual do fim de tarde entre os potreiros e os recortes dos desenhos que se formavam nos paredões não fossem suficientes, a prosa de Seo Orlando fechou com chave de ouro esse dia inesquecível. Ele havia sido garimpeiro e, em busca de riqueza, palmilhado o Centro Oeste esquadrinhando Mato Grosso com as levas de garimpeiros nas corridas do ouro entre as décadas de 1970 e 1990. Entramos proseando noite adentro enquanto Gilson preparava um carreteiro daqueles que a gente come de joelhos.

A conversa ia longe! Nossa “viagem” nas lembranças nos fez recordar os caminhos do ouro, tanto pela região oeste de Mato Grosso, quanto subindo a BR 163 em direção ao garimpo Castelo dos Sonhos, no Pará. Suas aventuras aconteceram no período em que vagueei pelo  estado como repórter acompanhando algumas histórias da formação e desenvolvimento estadual. Uma daquelas coincidências que atiçam a prosa e fazem brotar recordações de muitas vidas e caminhos.

Nos despedimos com a certeza de um reencontro na próxima vez que voltar à fronteira onde passei minha infância. Ainda há muitos capítulos dessas verdadeiras sagas e experiências a serem lembradas e registradas! Que seja em breve...

* Changüí – Vantagem que se concede a uma pessoa ou a um grupo, especialmente no jogo ou no esporte.

** Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com
 
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Balança do tempo

Balança do tempo 

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Bora lá que está enrolado fazer esse texto. De vez em quando é assim. Algumas vezes falta assunto. Mas, no caso, o problema é outro. Excesso de possibilidades. A coisa se complica quando houve uma promessa de ir numa linha e a vida te leva para outro lado.

Esquece a política bombada e reverberada na véspera da eleição. Em que o tudo ou nada vira um vale tudo insuportável de estratégias, abordagens e ataques milagrosos prometendo garantir o resultado que, nessas alturas do campeonato, ninguém pode prever.

Nada de comentar as escolhas dos sambas enredos, especialmente a da Mangueira e o reencontro com ritmistas e a diretoria da bateria. Primeiro, no sábado da última eliminatória. Depois, no ensaio das composições que chegaram a semifinal e o cantor oficial da verde e rosa, Marquinho Art’Samba.

Fotos, muitas fotos e alguns vídeos(zinhos) que farão a alegria de quem gosta de estudar o ritmo, suas bossas e viradas. Sai de mim, tentação!

Prometi e vou cumprir! Sigo passeando por Mato Grosso do Sul, procurando assuntos e imagens que interessem a você, leitor querido. E lembro que estamos só no início da jornada...

Falemos de mala. E de como sobreviver em uma viagem de menos de um mês com alterações de temperatura inimagináveis. De 01 (zero um) a 40 (quarenta) graus, rolou de tudo. Inclusive um vento constante para diminuir ainda mais a sensação térmica. Quanto mais para o sul, mais baixa a temperatura.

Ponta Porã foi recorde. E, no dia mais frio, para coroar fui para uma chácara fora da cidade. Com um nevoeiro clássico proporcionando uma imagem representativa do alcance visual da tarde da visita. Registrei da frente da casa, um pouco além da varanda. Foi o máximo que consegui chegar. Voltei correndo pro pé do fogão a lenha que aquecia a sopa deliciosa feita por Anapaula Pissini. Querem fotos da delícia? Leiam a crônica anterior, “Medidas compensatórias”. Ela explica por que não tem. Sopa, gente! Esfria...

Deu pra sentir o guarda-roupa necessário para enfrentar essa “friaca”? Sobre pele, camisa de malha, camisa de flanela, blusão quentão com capuz e cachecol enrolado por dentro. Meias, jeans e botas de cano longo. Bota na mala.

Pensar que uma semana antes ainda em Campo Grande e morrendo de vontade de sentir o ar campeiro, desembarquei direto na Acrissul, para ver uns exercícios da Escola de Equitação Montana.

Um fim de tarde dedicado a afinar o olhar mirando nos alunos que treinavam movimentos com seus animais, sob as orientações de Camila e muitos tererés para refrescar o calor que fazia na capital de Mato Grosso do Sul. Para quem saiu do Rio em busca de temperaturas amenas. Errei feio...

Dias depois fui conhecer a Fazenda Santa Anita, perto de Campo Grande, em busca do cenário perfeito para a gravação das imagens do DVD da dupla “Maria Clara e Camila”. Mais tereré num ambiente rural, apreciando o por do sol e ouvindo a sinfonia de passarinhos conversando entre as árvores que emolduram a paisagem vista da casa principal.

Os sons da cidade foram substituídos por uma variedade de pios e trinados enquanto o céu ganhava aquele tom laranja, se avermelhando e, finalmente, deixando a noite abraçar o horizonte, fazendo desaparecer as árvores que criavam o contraste com a circunferência flamejante do astro solar. Não havia ainda a camada de fumaça que “nublaria” Campo Grande quando passei lá no final da viagem.

E voltamos para a mala. Do frio ao calorão, com todos os apetrechos necessários para a aventura.

Com direito a compras (poucas, o dólar estava nas alturas) na fase mais “puxada” do frio. Afinal, de roupa de verão o Rio bate um bolão. Nunca ultrapassou o peso máximo do volume admitido pela companhia aérea. Mas, confesso: agora quando fico na dúvida entre uma peça e outra, me baseio no peso. A mais leve será a escolhida.

Assim como com os candidatos (que ainda não defini) nessa eleição. Do mais leve será o meu voto. Por isso, pela minha balança do tempo só tenho uma certeza... #ELENÃO

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fronteira oeste do Sul”, do SEM FIM...delcueto.wordpress.com
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Medidas compensatórias


Medidas compensatórias

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vivendo e aprendendo. Inclusive a não prometer o que não sei se vou poder cumprir.

Na última passada nesse espaço, com a crônica “Logo ali”, jurava que seria capaz de fazer você, leitor, acompanhar as etapas da viagem a Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguay e adjacências.

Cheia de boas intenções, pretendia enviar relatos semanais da entrada por Campo Grande, a descida até Ponta Porã, uma passada planejada em Bonito. Depois, dias em Aquidauana, antes de voltar para Campo Grande e para a rotina imprevisível da vida no Rio de Janeiro.

Quais as partes (observe o plural) que não foram cumpridas? Enquanto atravesso uma área de turbulência, já pertinho de São Paulo, tento fazer um balanço das semanas que inexisti no sentido literário de meu compromisso com você eleitor – ops, ato falho, leitor – e enviar para a publicação os textos e fotos.

E quer saber? Não me arrependo. Quase tudo deu certo e o que deixei de fazer foi substituído por experiências diversas e inesperadas. Um exemplo?

Para ele, me baseio numa teoria que acabo de criar e ando burilando. Imaginem um registro gastronômico. Você vai ao restaurante e, antes de abrir os trabalhos, para tudo. Faltou a foto ma-ra-vi-lho-sa do prato em questão. Ali, saboroso, com aroma e temperatura perfeitos. No mínimo, preciosos segundos de contemplação foram perdidos.

A comida esfria enquanto a gente dá uma ajeitada no entorno, acerta o plano, gira o prato para ficar ainda mais apetitoso, arruma os talheres. Tira as logos dos refrigerantes e da água do quadro. Claro, se houver um bom vinho, tem que acertar a posição do rótulo. Não frontal, displicentemente, quase lateral. Aproximar a taça devidamente preenchida até a altura adequada, dependendo do tipo da bebida.

E a comida? Linda na foto (que você já checou para ver se está no foco, no ângulo certo). Esfriouuu... Amado leitor. Sou muito chata para comer e, se o prato for irresistível, tenha certeza: lá se foi o registro perfeito para as redes sociais. E ainda tem antenados que fazem as postagens antes de cair de boca. Com direito a textinho, localização hashtag e marcar o estabelecimento e os amigos. Fora as “Stories”.

Estou. Fora. Se estava irresistível certamente não haverá registro. Assim como de outros momentos especiais na minha vidinha...

Agora, amplia isso para uma viagem inteira. Locais, encontros, aventuras. Espero ter explicado porque nos últimos 20 e poucos dias o máximo que consegui foi dar uma curtidinha nas fotos feitas por amigos que me pegaram de jeito com meu “sorriso gato da Alice”.

Todo mundo sabe que sou tímida, envergonhada e detesto ser fotografada. Essa é uma das razões que escolhi ficar do lado oposto da máquina fotográfica. Mas, como virou moda o registro incondicional de encontros e divertimentos, para não ser mal-educada e evitar muita zoação, desenvolvi essa técnica. O sorriso do gato, inspirado no bichano de “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll. Essa foi a maneira de saber por onde andei. Nos perfis amigos.

O Instagram, companheiro e cumplice compreensivo, solidário com sua assinante, emburrou. Deu de travar, engasgar, e refugar em boa parte da viagem. Me explicaram que, coitadinho não é chegada no 3G, sofisticada e phyna...Essas foram algumas falhas imprevisíveis nas intenções iniciais da viagem.

Cabe registrar que a aventura gastronômica no paraíso também não aconteceu. Baixou o lendário nevoeiro em Ponta Porã. O frio veio junto. De rachar. Foi impossível o deslocamento para Bonito com a partida de Ponta Porã tendo que acontecer de madrugada num dos dias mais frios do ano...

Como já disse, as frustrações tiveram suas compensações. E essas, não prometo mas, pretendo, contar nos próximos textos sul mato-grossenses.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fronteira Oeste do Sul”, do SEM FIM...delcueto.wordpress.com

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sábado, 26 de agosto de 2017

Paisagens de Campo Grande, Mato Grosso do Sul


Campo Grande é a capital de Mato Grosso do Sul. Uma cidade hospitaleira e cheia de surpresas e ângulos interessantes, com seus parques e lagoas. Um lugar cenográfico é a Rotunda Ferroviária, da antiga Noroeste do Brasil que visitei com Del Witwytzky, numa tarde de expedição fotográfica que, claro, acabou em Chipa.

Mais informações nas impressões e histórias registradas nas crônicas de Mato Grosso do Sul, como Outras Memórias Pantaneiras..

Clique AQUI ou na foto para abrir a coleção no Flickr e boa viagem!

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Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image

Maio/junho de 2016, ensaio de Valéria del Cueto
@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com

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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Paxixi, Bela Vista e estrada para Campo Grande/MS


O Morro do Paxixi, na ponta da Serra de Maracaju, Mato Grosso do Sul. A vista do platô é cinematográfica, com o Pantanal se derramando ao longe. De Bela Vista, na fronteira, passando por Aquidauana e bordeando a serra a caminho de Campo Grande. Fotos feitas pelos caminhos da Fronteira Oeste do Sul

Impressões e histórias registradas nas crônicas de Aquidauana, como Morro do Paxixi.

Clique AQUI ou na foto para abrir a coleção no Flickr e boa viagem!

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Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image

Maio/junho de 2016, ensaio de Valéria del Cueto
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Aquidauana, Mato Griosso do Sul

Aquidauana, Mato Grosso do Sul.

Impressões e histórias registradas nas crônicas de Aquidauana, como Mala de Garupa.
Clique AQUI  ou na foto para abrir a coleção no Flickr e boa viagem!

Aquidauana, Mato Grosso do Sul

 Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image
Maio/junho de 2016, ensaio de Valéria del Cueto

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domingo, 20 de agosto de 2017

Selaria Renascer e Clube do Laço, Aquidaunana, Mato Grosso do Sul



Selaria Renascer e o Clube do Laço, espaços de Aquidauana interligados  pela lida pantaneira nos campos. Costumes e tradições expressos pelos objetos de uso diário, a maioria feita de forma artesanal com couro e ferro.

A visita a seo Jairo e as histórias que ele contou estão na crônica Mala de Garupa.

Clique AQUI ou na foto para acessar a coleção fotográfica no Flickr

Selaria Renascer e Clube do Laço

Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image

Maio/junho de 2016, ensaio de Valéria del Cueto
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sábado, 19 de agosto de 2017

Casa Candia em Anastácio, Mato Grosso do Sul

Anastácio se desmembrou de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, Brasil. Cada município e suas respectivas sedes ficam em uma margem do Rio Aquidauana.

A Casa Candia e sua proprietária, Dona Jandira, foram devidamente visitadas e esta história está nas crônicas Memórias Pantaneiras e Armazém, empório e mercearia.

Clique AQUI ou na foto para ver os registros de alguns locais da cidade e, feito com muito carinho e a ajuda de Fernando Pace, uma rápida história fotográfica da Casa Candia.

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Algumas dessas fotos estão na coleção Sem Fim, do Getty Image
Maio/junho de 2016
Ensaio de Valéria del Cueto
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sábado, 22 de outubro de 2016

Brechó ou...

aquidsela-160616-043-selaria-renascer-brecho-placa-roupas-novas-e-usadasBrechó 

(7 tópicos e asterisco numa quase fábula fabulosa)

Texto e foto de Valéria del Cueto

Falta tudo, inclusive tempo. Só não falta assunto... Então, vamos por itens. Tipo rascunho dos temas que o extraterrestre Pluct, Plact encaminhará para sua querida cronista enclausurada voluntariamente (ou não? Onde já se viu bate-papo com ser interplanetário?). Não captou? Então vamos por partes, como diria o esquartejador.

1 - A recém empossada presidente do STF, o Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmem Lúcia, valoriza, a cada pronunciamento ou declaração, a cultura brasileira.

Na sua posse, entre outras citações, falou do filme de Adriana Dutra, “Quanto tempo tem o tempo” produzido pela Infinitto, da cuiabana Viviane Spinelli. Essa semana foi a vez de “Deixa o Alfredo falar”, título de crônica e livro do escritor Fernando Sabino.

Pelo menos, seguindo suas dicas, vai ter gente tendo que se ligar na genuína cultura "popular" brasileira. E não apenas na erudição do “juridiquês”!

2 - Prenderam o Eduardo Cunha. Vai delatar ou não vai?

3 - O anel que tu me destes não era de vidro, nem se quebrou. Mas, diz a lenda, foi devolvido! Custou R$ 800 mil o mimo que o delator Fernando Cavedish, da boa, velha e mal falada empreiteira Delta, bancou para Sérgio Cabral Filho - ex-governador que deu uma contribuição e$$encial para a falência do estado do Rio de Janeiro - presentear sua mulher Adriana, na comemoração de seu aniversário em Mônaco. (A pesquisar se foi na ocasião da singela festinha o famoso evento dos guardanapos na cabeça).

4 - Verba e estrutura do Congresso Nacional usadas para fazer varreduras senatoriais visando evitar investigações de anti inteligência (como se escreve esse “fiz que fui e acabei fondo”, como diria Nunes, jogador do Flamengo, em priscas eras?*) para descobrir grampos, inclusive os autorizados pela justiça. Pela Lava-Jato, por exemplo. Com direito a varreduras nas residências nos estados. Senadores citados: José Sarney, Fernando Collor e Edison Lobão. Mais uma delação premiada e temos a Polícia Federal indo atrás do Chefe de Polícia e outros funcionários da... Polícia Legislativa do Congresso Federal.

5 - Por falar na família Sarney: Governadores de Mato Grosso, Pedro Taques, e de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, com a presença do Ministro José Sarney Filho, do Meio Ambiente, assinaram a Carta de Caiman. Um termo de compromisso que estabelece políticas comuns para o Pantanal considerando seus aspectos ambientais e culturais semelhantes. Também prevê uma legislação única para regulamentar e proteger o sistema garantindo seu uso sustentável. A carta define o prazo de um ano para a definição de uma área de interesse para o econegócio, contemplando o planalto e a planície pantaneira.

6 - ECONEGÓCIO PANTANEIRO. Você ainda vai ouvir falar muito nesse termo. Beeeem diferente do agronegócio de sempre. Aquele...

7 - Uma rápida pesquisa no site do Senado Federal informa que o relator da PLS 750/2011, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal, de autoria do atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é nada mais nada menos que o suplente do dito cujo, Cidinho dos Santos.

A relatoria da PLS na Comissão já foi do candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que passou para seu suplente quando assumiu o Ministério da Pesca, Eduardo Lopes. Coube a ele a apresentação de um substitutivo integral ao texto, depois retirado. Aí, Crivella trocou com ele. Reassumiu sua cadeira no Senado e Eduardo Lopes virou Ministro da Pesca.

O processo voltou para o homem do Bispo que se esqueceu dele. Com sua saída para ser candidato foi redistribuído pelo presidente da Comissão, Waldir Maranhão. Em julho desse ano, quem diria, que coincidência fortuita, foi cair no colo justamente do suplente do autor da proposta, conhecido mundialmente pelo singelo prêmio recebido, o “Motosserra de Ouro”...

* Não esquecer de falar do Maracanã/estúdio com os ingressos lotados dias antes do jogo de domingo do Flamengo e Corinthians. Depois de um longo jejum do rubro-negro jogando fora de casa!!!

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim...


ILUSTRADO SEGUNDA A SÁBADO 2016.indd
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domingo, 28 de abril de 2013

Se não agora, será quando?

Texto e foto de Valéria del Cueto
De novo, no laço. Seja como for, tipo sem régua, esquece o compasso.
A culpa é do que me tirou do caminho que faço para trazer a você, leitor, a crônica nossa de todas as semanas. Já disse e repito: não é fácil, haja assunto e motivação.
Foi em busca de tudo isso e mais um pouco que abandonei a Ponta de Leme e rumei para São Paulo. Um grande evento de turismo, a Word Travel Market Latin América, atraiu minha atenção.
Um ano e pouco antes da Copa do Mundo achei que seria uma boa oportunidade para ver o que o Brasil e o mundo tinham para mostrar no setor.
Ali estavam reunidos representantes do segmento do mundo inteiro. Isso imaginava eu ao adentrar o Transamérica Expo Center onde 1.245 expositores vendiam seu peixe.
Eram tantas opções que, antes de começar uma exploração mais detalhada, preferi me refugiar na sala de imprensa para organizar o que faria durante os três dias do evento que também incluía o 39º Encontro da Braztoa - Associação Brasileira de Operadoras de Turismo. Havia atividades para qualquer modalidade: conferências, seminários, rodadas de negócios, etc, etc...
Decidi ser racional e objetiva diante de tantas opções. Eleger minhas prioridades.
A primeira, pouco profissional e mais emocional, era  verificar como estava o material de divulgação da sede pantaneira da Copa do Mundo de 2014.
Explico o porquê da minha curiosidade: em outubro do ano passado havia ido ao encontro anual da ABAV, Associação Brasileira de Agentes de Viagem, no Riocentro, Rio de Janeiro. E, diante de uma acanhada e mal localizada bancadinha lateral do stand conjugado com Brasília e Goiás, fiquei chocada e   decepcionada com a folheteria que tinha a vã pretensão de apresentar à indústria turística as exuberantes atrações dos três ecossistemas que compõe Mato Grosso.
Lá, disseram-me que aquela participação pífia se devia ao fato de que uma nova campanha seria lançada visando atingir os promotores do setor para vender Mato Grosso para a Copa do Mundo.
Tolinha que sou, acreditei...
Ainda na entrada da WTM no setor que reunia os estados brasileiros um enorme stand plotado com as belezas do pantanal atraiu minha atenção.
A medida que me aproximava aparecia em letras garrafais o nome do estado. M+A=MA, T+O=TO, G+R+O=GRO, S+S+O=SSO. Mato Grosso! Exultei. Só que as letras não terminavam por aí. Havia mais. D+O=DO S+U+L=SUL. Mato Grosso do Sul...
Ao passar foi que resolvi subir para a sala de imprensa, guardando o gostinho de ver o que a gente bronzeada de Mato Grosso havia preparado para o megaevento para depois  deixando a cereja do bolo por último, pra ficar com seu bouquet como uma recordação nas papilas gustativas.
Já no press room, nas estantes repletas de informações, brindes e panfletos, procurando nossa nova campanha, de longe vi uma belíssima pasta com uma foto maravilhosa na capa de algo que parecia uma aérea do Pantanal. Meu coração bateu mais forte! Seria esse nosso material?
Quando me aproximei, descobri que era um material de Botswana. Já ouviram falar?
Pois até este pequeno país africano estava lá. Impecável, irresistível, encantador, com seus alagados, animais exóticos e maravilhosos resorts.
Do meu estado querido tive o prazer de reencontrar o Seiji e a Nizilda, amigos queridos... e nada mais!
Por isso, sofismando, se o ditado que diz “onde há fumaça há fogo” é verdadeiro, onde haverá Copa do Mundo há divulgação intensa. O que não acontece nem com Cuiabá nem com Mato Grosso...
Espero, sinceramente, ter entendido mal o recado claríssimo dado por nossa inacreditável ausência na WTM.
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com