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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O Milagre do Santo na Bateria da Mangueira

O Milagre do Santo na Bateria da Mangueira

No desfile da Mangueira, na segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017, com o enredo "Só com a Ajuda do Santo", do carnavalesco Leandro Vieira, caí dentro da escola fotografando antes, durante e depois da passagem pela Passarela do Samba Darcy Ribeiro, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Logo depois do carnaval de 2017 publiquei as fotos do desfile e da dispersão, na Praça da Apoteose, e guardei, cheia de ciúmes, o material da concentração do desfile de segunda-feira. Quando abri os arquivos, vi que ali havia uma história sendo contada. Avaliei que ele merecia ser destacado do restante do (enorme, diga-se de passagem) material da verde e rosa do desfile oficial e do sábado das Campeãs.

O Milagre do Santo

A preparação da escola foi especial. Focada na Bateria da Mangueira e na "montagem" dos instrumentos e o trabalho dos Mestres, diretores, coordenadores e ritmistas.

Acho que é o trabalho mais completo que já fiz dentro da proposta de "destrinchar" e sentir o que é a emoção de fazer parte desse grupo tão especial.

Boa parte das fotos  foi feita com uma lente 50mm. Registram a transformação dos ritmistas da Mangueira em monges franciscanos batuqueiros. De meninos do morro, crias da Mangueira, a anjos...
Aí foi ficando...

Até que hoje, aniversário do ritmista Marlon Gaia, mais uma vez, ele me cobrou (com toda a razão) suas fotos de "anjinho". Quando fui procurar, voltei no tempo ao ver essas fotos guardadas. Só para mim, enquanto esperava uma oportunidade para mostrá-las que nunca veio...

Não achei justo! Por isso, pedindo desculpas aos amigos de quem privei essa emoção até agora, apresento um dos trabalhos que mais gostei de produzir. Com e para vocês "O Milagre do Santo na Bateria da Mangueira"

Clique AQUI ou na foto  para ver o álbum do FLICKR Mangueira carnaval 2017 - concentração "O milagre do santo na Bateria da Mangueira

Quer mais Mangueira?

Clique AQUI para a coleção completa das fotos do Desfile de sábado das Campeãs. E AQUI para acessar o álbum do desfile oficial, na  segunda-feira, 27 de fevereiro.

Agradecimentos aos Meninos da Mangueira, ritmistas, diretores e mestres que, junto com Rafaela Bastos, constroem essa linda história a cada encontro ou evento registrado.

O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa

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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Pronto para a praia? Toalhas de banho e rosto do Studio@delcueto

Mais um item para o seu kit de verão no Studio @delcueto. Chegaram as toalhas de banho e de rosto das nossas coleções. Felpudinhas e macias com impressão digital de alta qualidade
Elas combinam com chinelos, carteiras e e outros adereços das coleções criadas a partir do trabalho da fotógrafa Valéria del Cueto

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A maior lição da 40º Califórnia da Canção: menos vale mais!

A maior lição da 40º Califórnia da Canção: menos vale mais!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Num fim noite de domingo do mês de dezembro em 2017, três cidades gaúchas premiavam simultaneamente ganhadores de festivais de músicas nativistas: a XX Seara da Canção, em Carazinho, o XI Canto Sem Fronteira, em Bagé, e o mais antigo festival do Rio Grande do Sul, a 40º Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana.

Escolhida entre as 20 concorrentes (selecionadas entre 571 inscritas), a canção de Silvio Genro, “Um homem, um cavalo e um cachorro”, vencedora da Linha Manifestação Rio-Grandense, levou o troféu Calhandra de Ouro disputado com os ganhadores das Linhas Livre, a milonga “Aprendendo a morrer”, de Mauro Ferreira e Luis Carlos Borges, e a Campeira, com a chamarra “Sobra de baile”, de Anomar Danubio Ferreira e Juliano Gomes.

Um homem, um cavalo e um cachorro, a campeã. Intérpretes pilchados Luiz Fernando Baldez e Ricardo Tubino. Silvio Genro: passeio completo
As mulheres, sempre número reduzido nos certames nativistas, se destacaram levando os prêmios de melhor intérprete, para Shana Muller defendendo a milonga “Amor em Trova de Lua”, de Gujo Teixeiras e Sérgio Rojas, e de melhor arranjo, da maestrina Dunia Elias, na linda toada “Tatuagens”, de Gilberto Carvalho e Lenin Nuñez.

Shana Muller, melhor intérprete, e Sérgio Rojas em "Amor em trova de lua"
Realizado em meio a crise econômica que afeta todos os setores locais, estaduais e do país, o evento literalmente quente e com preços salgados (250,210 e 150 reais as permanentes para os três dias), não conseguiu lotar, como nas primeiras edições, o Teatro Municipal Rosalinda Pandolfo. O que, por um lado, foi providencial, já que o sistema de ar condicionado da sala, não funcionou a contento.

Iluminação frenética - A plateia, composta em sua maioria por pessoas de mais idade, além do calor comum na região nessa época do ano, teve que suportar o uso excessivo de fumaça cenográfica e o cheiro característico do efeito, e especialmente no primeiro dia, da insuportável luz estroboscópica usada em demasia cegando os assistentes. Se a situação era ruim na plateia inferior imagine no mezanino onde o valor dos ingressos era mais em conta e a ausência de ventilação  concentrava a fumaceira.

Cenografia equivocada - Os recursos serviram para tentar camuflar o cenário precário composto por um gigantesco banner de fundo, com a imagem dos “tartarugas ninjas” pampeiros (definição dada por um seguidor de muitas Califórnias) do cartaz oficial, com marcas das dobras do plástico brilhante.

 Tartaruga Ninja Pampeira no cartaz da Califórnia da Canção
O cuidado com a ambientação cenográfica inexistiu. As cadeiras utilizadas pelos músicos, por exemplo, eram as do Centro Cultural. De plástico azul turquesa, combinavam apenas com a bermuda da mesma cor do assistente de palco inapropriadamente paramentado de “show de praia” para a ocasião. Ficou a cargo dos participantes, concorrentes e convidados, com suas pilchas e instrumentos, criarem o clima que remetia ao motivo da festa. E eles não se fizeram de rogados.

A sonorização - Talvez funcionasse a contento na mesa de som para o registro sonoro do espetáculo, mas estava precária dentro do teatro onde estavam os pagantes. Um detalhe: não apenas uma, mas duas vezes, as apresentações foram interrompidas por problemas técnicos. Nunca, antes, na história da Califórnia tal fato aconteceu.

Os shows - Nos dias que antecederam o início da Califórnia foram anunciadas substituições no “grid” dos shows. No lugar da Camerata Pampeana se apresentou Luis Carlos Borges. No de Ivan Lins, João Almeida Neto, que dividiria o palco com Mauro Moraes na abertura da 3º noite, foi remanejado para o encerramento. Quem ganhou foi o público. Se o nível da disputa foi bom, considerando o número de festivais nativistas existentes no estado, os shows foram melhores ainda!

Mano Lima encerrou a primeira noite, infelizmente com um público aquém do desejado, envolvendo a pequena plateia com seu espírito missioneiro. Na etapa seguinte, a dupla Mario Barbará e Chico Saratt, levantou pela primeira vez a plateia apresentando seu mais recente trabalho “Os Desgarrados”. Uruguaiana aplaudiu de pé! Enquanto se aguardava o resultado do júri foi a vez de João Almeida Neto passear pelos corredores do Teatro Municipal e por seu vasto repertório regional segurando a ansiedade do público ele fechou a 40º Califórnia da Canção com clássicos de Nelson Gonçalves.

A mais - Uma constatação elementar é o fato de que basta uma apresentação por noite. Com o início por volta das 22h, os shows de abertura – “Os Uruguaianenses Cantam sua Terra” (com enxerto excessivo de convidados), Luiz Carlos Borges e Mauro Moraes -, as eliminatórias/final, além dos espetáculos de encerramento, a maratona se estendia até as 2:30h, em plena madrugada. Cadê tempo para acompanhar as Tertúlias que aconteciam na praça em frente ao teatro? O tradicional e aguardado encontro musical funcionou.

Contrapartida - Esse extenso roteiro foi um dos motivos para inviabilizar a utilização, por parte das escolas, dos ingressos doados como contrapartida pelos benefícios da LIC - Lei de Incentivo de Cultura do RS. Distribuídos para unidades que mantém trabalhos “campeiros”, não foi providenciado transporte para o acesso dos alunos ao teatro no centro da cidade. Como retornar às suas casas num horário tardio, em que as linhas de ônibus não funcionam?

Excessos - A distribuição de comendas e a participação (e/ou ausência) de autoridades também provocou atrasos, especialmente com discursos de cunho político e repetitivos. Outro ponto que não passou desapercebido foi a proibição para o público de consumo de bebidas e alimentos no interior do teatro. Devido ao calor, a água foi liberada a partir do segundo dia. Mas a regra só valeu para o público...

Bebida e comida na plateia: proibida para o público, mas o prefeito Ronnie Mello manda ver...
Que venha a próxima - Sem a presença no palco na hora do anúncio dos resultados de ninguém mais além dos premiados, objetos e motivos da festa. O que se viu nessa edição foram caroneiros que não fazem parte contexto tirando uma casquinha e atrapalhando o registro final dos protagonistas do mais expressivo movimento musical criado para valorizar e representar o verdadeiro nativismo gaúcho.

Calhandra de Ouro, a foto oficial: eles e outros. Carona na fama
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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Pega leve

Pega leve

Texto e foto de Valéria del Cueto
Perdi a lua mas continuo na sua, cara cronista voluntariamente encastelada, quer dizer, enclausurada do outro lado do túnel em terras cariocas.

É que o tempo anda tão sem tempo quanto nós, ou melhor, vocês pobres mortais. (Se não o sou, ajo como tal e já incorporei o “physique du rôle”). Não fossem por certas peculiaridades que tão bem conhecemos, como poder visita-la num raio de lua, poderia facilmente passar por mais um perdido nesse baile da vida.

São tantas informações e acontecimentos que é impossível um registro ordenado e sistemático dos eventos. Imagine se ainda dá tempo para qualquer tipo de análise – por mais rasteira e superficial que seja – de suas causas e consequências.

Nem o supercérebro de minha nave espacial está dando contado recado. Especialmente agora que incorporou certos parâmetros terráqueos inexistentes em seu sistema original. Coisas como “dá um tempo”, “volto já” e “senha esgotada”. Quando a trucagem não é mais direta e objetiva com o emblemático “estamos atualizando os nossos sistemas”. Não tenho nem como argumentar, querida amiga. Lembre-se que não vim para esse mundo a passeio, mas com uma missão que, agora, sei impossível.

Principalmente por seu tempo (olha ele aí) indeterminado de duração. Culpa daquela circunstância imprevisível de não conseguir partir desse mundo para outros melhores. Graças a incapacidade da nave mãe de ultrapassar a camada de poluição que recobre a atmosfera local. E só piora. Arde o cerrado na Chapada dos Veadeiros, Mato Grosso é megacampeão de queimadas na Amazônia no mês de setembro!

Situação: todo (eu disse todo) o sistema de armazenamento está em colapso. Esgotamento total. É muita informação. Não param de chegar. Com um detalhe: juntando o que dá, a conclusão é catastrófica.

Mal comparando, sabe aqueles dias nublados e sem graça que por falta de estímulo físico, financeiro e mental, o destino óbvio é a praia? Imagine no final da tarde quando banhistas voltam para a casa tonalizados. Falo de matizes variadas, nas cores das cascas de camarões e lagostas. De rosa bebê ao pink punk. Com aquele bronzeado que será lembrado por dias seguidos a cada virada noturna, abraço ou tapinha nas costas.

Essa é uma imagem alegórica, reparou? (Me orgulho dessa capacidade de metaforicamente explicar uma situação. Aprendi e desenvolvi aqui entre os humanos). Só assim para entender que um dia como esse que parece um pouco triste e modorrento possa encobrir um mormaço torturante, como a vida aqui fora.

Enquanto assistimos cenas de violência explícita nas ruas; de escárnio, desrespeito e deboche nas mais altas “câmaras” governamentais; de intolerância e incompreensão entre iguais que querem para si direitos excepcionais e privilégios, mas não se unem para reivindicar o básico, tentamos (estou na vibe  por me sentir 100% humano nesse roldão de eventos desgovernados) procurar bons motivos e melhores razões para seguir em frente.

“Pega leve e abstrai”, me aconselha o cérebro da nave mãe. A mim, o viajante que não acredita no que vive e vê...

O problema é que somente quando saímos (o que é cada vez mais difícil) do centro desse turbilhão conseguimos ter uma visão mais abrangente do mal que está sendo feito a corpos, mentes e, o que é pior, ao planeta em que habitamos (me incluo nessa evidentemente e involuntariamente). E não temos ideia do que será o “aloe vera” ou Caladril (santos remédios que diminuem os sintomas do excesso de calor acumulado no mormaço) que aliviará nossas dores e acalmará nossos pensamentos.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa matéria faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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Origem: Pantanal

A imagem original foi feita no na região de Mimoso, Mato Grosso, Brasil. No coração do Alto Pantanal, numa visita a Pousada Pantanero, na beira do rio Mutum, em junho de 2017.

Concepção

O pássaro foi recortado e duas cores básicas, em tons de vermelho e azul, foram definidas como fundo para as peças que oferecem apenas uma opção de "background".  Já a linha streetwear oferece várias opções de cores e modelos. Para criar um diferencial e aumentar as opções Solo foi aplicado em posições diferentes em cada linha.
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sábado, 21 de outubro de 2017

Mangueira 2018 gravação do samba

Mangueira 2018 gravação do samba de Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal para o enredo do carnaval 2018, "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco", do carnavalesco Leandro Vieira.

Noite de quinta-feira, 19 de outubro de 2017, na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio de Janeiro.
Agora vai tudo de uma vez. Por princípio, a prioridade são as fotos mas sempre dá para fazer uns registros descompromissados de vídeo. Planos sequências jogados sem edição para o canal do youtube.

Mangueira 2018 gravação do samba - as fotos

Primeiro a Bateria da Mangueira gravou a base com seus ritmistas dirigidos pelos mestres Rodrigo Explosão e Vitor Art. Depois foi a vez da comunidade verde e rosa reunir seus componentes de todos os segmentos para registrar o coro do samba.

Aproveitei para começar a fazer um "recorte fotográfico" de personalidades mangueirenses que estão participando do nonagésimo ano da escola.

Ainda não defini totalmente a linha do trabalho, mas haverá retratos e os personagens inseridos em suas funções...

(passe o mouse na foto abaixo para ver o ensaio ou clique aqui)
Mangueira 2018, gravação do samba

Mangueira 2018 gravação do samba - os vídeos

Aqui o playlist dos vídeos publicados no canal del Cueto, no youtube produzidos por Valéria del Cueto para carnevalerio.com



Agradecimentos aos Meninos da Mangueira, ritmistas, diretores e mestres que, junto com Rafaela Bastos, constroem essa linda história a cada encontro ou evento registrado.

O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Como no quartel

Como antes no quartel

Dúvida cruel, o que e para onde?

Série Arpoador para falar do Rio de Janeiro e da guerra do tráfico que recrudesce na Zona Sul e colapsa boa parte da cidade. Isso não quer dizer que o bicho começou a pegar agora, asi no más.
Nada disso. Os sinais de que, mais dia menos dia, o que já estava fora do controle em outras áreas urbanas explodiria na maior favela carioca, a Rocinha, estavam visíveis.

Para coroar a levada hard core a violência explodiu no meio do caminho para o festival de música que pretendia ser o ponta pé inicial de uma “retomada” turística do Rio. É puro rock and roll! Com direito a muitos coros de “fora Temer” e protestos contra a classe política, a cura gay, pela demarcação das terras indígenas, a proteção da Amazônia e por aí a fora Temer de novo.

Enquanto isso Pezão, o governador estado, declarou ter “afinado a viola” depois de “discutir a relação” com o Ministro da Defesa, Raul Jungmann. Ele disse, no primeiro dia de ocupação do Exército, que a Rocinha “estava pacificada”. Como esqueceu de avisar “aos alemães”, o pipoco continua comendo solto.

A segunda possibilidade literária é partir para a série Parador Cuyabano abordando os últimos acontecimentos em Mato Grosso. Como a delação da delação do ex-chefe de gabinete do também delator ex-governador Silval Barbosa, que garantiu à nossa terra mais um título de primeiro lugar, dessa vez na categoria “dedo-duro escorpião”, o que morre com o próprio veneno. Aperfeiçoando o modus operandi estreado pela dupla sertaneja da J&S, Joesley e Ricardo, a que involuntariamente se auto gravou, Sílvio César se deixou levar pela falsa impressão que seria o único a ter a brilhante ideia de gravar colóquios comprometedores. Morreu pela boca. Existirá peixe-escorpião?

Enquanto alguns dormem com um pijaminha social (para o caso de precisar descer para vistoriar obras de emendas parlamentares em Várzea Grande), outros perdem o sono sem saber quando receberão a dádiva do despertar ao doce toque madrugador da campainha acionada pelos homens da valorosa Polícia Federal.

Aí, me pego pensando e desafio você, leitor, a exercitar sua imaginação e responder:

1) O que faria se soubesse que estava na mira dos tiras e que, mais cedo ou mais tarde, veria o sol nascer quadrado?

2) Como viver como se não houvesse amanhã, sem saber em que amanhã a vida boa acabaria?

3) O que você comeria e beberia se soubesse que o amanhã lhe reserva o direito garantido de uma marmita carcerária?

Voltando à realidade (só pode ser ironia), ainda há uma terceira opção para a crônica, a série Fábulas Fabulosas. Não fosse o detalhe que a última escrevinhação foi Senta no Toco, protagonizada pelo extraterrestre Pluct, Plact. Repeteco não dá, né?

Enquanto a dúvida persiste cruel impedindo o desenvolvimento adequado do texto, daqui da TV ao lado ouço a canção: “Só uso necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Martelo batido! Definida a ambientação do restante da crônica em construção. “Mogli, o Menino Lobo”, mata a charada!

É lá na floresta (aquela onde a anta perdeu o cargo de presidente para o morcegão sugador do sangue da fauna local e as hienas continuam rondando a carniça governamental), que se desenrola o que sobra do espaço semanal que me pertence.

Acontece que, mais uma vez, as raposas foram convocadas para tomar conta do galinheiro da denúncia de que o morcegão e várias hienas parceiras andaram sugando sangue e comendo as beiras e o miolo da “ceva” florestal.

Apesar da revolta geral da bicharada, sibilam as cobras, coaxa a saparada em sintonia, uivam os lobos a luz da lua que, garantido mesmo, nesse caso, há apenas um direito: o “jus esperniandi” para engambelar a fauna torcedora. Por enquanto, fica tudo como antes no quartel de Abrantes.

Até quando?

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Almofadas do Studio@delcueto



*Coleção Amendoim

Dois tamanhos e duas opções para você decorar sua casa com as almofadas em estampas exclusivas e material de qualidade: quadrada ou retangular, só a capa ou com o enchimento.

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Tudo para levar um produto com estilo e de personalidade aos fãs do Studio @delcueto.
Esses e outros objetos de decoração criados a partir do trabalho da fotógrafa Valéria del Cueto
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domingo, 6 de agosto de 2017

É fria, a frente

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Querida amiga reclusa.

Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas pela ausência. Não consegui chegar em tempo hábil na última lua cheia para, usando seus raios, alcançar a fresta da janela e “invadir” sua cela no retiro voluntário.

Andava “pluct placteando” e perdi o bonde da carona lunática espectral. Falha minha envolvido que andei acompanhando os inenarráveis movimentos para o desenlace pós recesso no país. Fim de férias para várias pendências nacionais, estaduais e municipais. Para não ampliarmos excessivamente nosso raio de observação científica.

Pulei de galho em galho, tal e qual macaca de auditório acompanha shows dos ídolos décadas atrás do milênio passado.

Sim, sei que você vai me repreender por usar o termo animal, em vez do simpático e politicamente correto tiete. Culpa dos sofisticados sistemas de minha moderníssima aeronave. Aquela que não consegue ultrapassar a atmosfera e me cuspir para além da estratosfera. Seguiria tranquilo minha viagem intergaláctica. Tomamos embalo. Ela, a nave mãe, comigo dentro, mas acabamos ping pongueando sem furar o bloqueio celestial.

Diante disso, só me resta passar para o plano B da viagem interestelar e continuar por aqui recolhendo dados do declínio inexorável dessa civilização que tantas maravilhas já revelou ao universo. É muita informação para ser armazenada. Dessa missão até tenho dado conta. Quem não está conseguindo acompanhar e decodificar os eventos é a máquina na cabine de comando da nave que habito.

Não, não vou entrar em detalhes para evitar traumas e choques na sua lenta – e frágil – recuperação. Acontecerá com você, amiga, o mesmo que ocorre com o computador de bordo. Chamará tiete de macaca de auditório e político de ladrão e sem vergonha. Assim mesmo. Generalizando que é para colocar toda a farinha no mesmo saco. De preferência cm uns corózinhos, aqueles bichinhos, que é para inutilizar de vez o fardo inteiro. Tudo podre.

E é aí que mora o perigo. Porque corre o risco da minha cronista preferida levar um “teje preso”. É fia, estamos nessa vibe. Com direito a projeto de lei proibindo “defamar” a categoria como um todo. De autoria renomada e apoiado por muitos dos que pregam crença que não creem nem moral que não praticam.

Sorte que a novidade não atingirá seres como eu, de outro planeta. Só que este não é o seu caso e a desculpa da insanidade não será considerada nas cortes judiciais do seu país.

Tatua o nome do seu amado no ombro? Tira a camisa numa cerimônia pública para exibir a obra de hena? Usa seu precioso tempo no seu ambiente de trabalho para pedir nudes pelo seu aplicativo? Votou sim? Não? Então não terá a menor chance de pedir imunidade para abusar da impunidade.

Insanidade pouca não anda fazendo verão por aqui. Foca, amiga querida. Contenção de gastos é a ordem geral. Excluindo para eles que continuam mandando ver em emendas, explodindo de cargos e, claro, levando algum por fora.

Por falar nisso, essa é a razão dessa missiva fora de lua. Ainda estamos a uma semana da lua que nos une por seu raio. Não tenho ideia de onde estas mal traçadas linhas irão encontra-la, minha enluarada.

Seu reduto do outro lado do túnel, o Pinel, está ameaçado, se já não foi esvaziado! Por isso, mando essas instruções por aquele enfermeiro gente boa.

Não se preocupe, vou busca-la onde estiver. Na próxima cheia nos encontramos na ponta do raio mais longo de luar. Até lá, É fria, a frente. Se cuida.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “Fábulas Fabulosas” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
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domingo, 30 de julho de 2017

Física Aplicada

Física aplicada

Texto e foto de Valéria del Cueto

Faz tempo que o caderninho anda no fundo da bolsa só fazendo número e peso nos ombros para cima e para baixo. A culpa não é dele. É da vida que, ultimamente, se não impede as boas intenções de serem intenções, provoca situações em que elas não podem se efetivar.

Foi assim na última vez em que, cheia de empolgação, largou as vicissitudes da vida, chutou o balde das aflições e rumou para a praia mais próxima pronta para rasgar o verbo sob o sol de inverno carioca. O ímpeto inspirador voltou ao nível 0 (zero) quando descobriu que havia caderninho na bolsa como sempre, mas faltava... a caneta!

De tão revoltada pulou aquela semana e, tal e qual Sherazade não pode fazer para o seu sultão em nenhuma das mil e uma noites, não mandou a crônica semanal.

Pior. Não apenas falhou, o que já havia acontecido antes, como não deu a menor satisfação nem mesmo para seu editor carrasco mais exigente.

Sabem o que aconteceu? NADA! Ninguém reclamou nem reparou na ausência das suas palavras.
E, como já provado pela terceira lei de Newton, a que diz que “a toda ação há sempre uma reação oposta de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”, dessa vez não teve conversa. A crônica está saindo como devia antes que, além de ignorada, ainda perca seu espaço nos jornais, sites e blogs. Afinal, são mais e 450 textos das séries de crônicas no rumo do Sem Fim fiados e bordados ao longo de anos.

Em plena quinta feira um sol de veranico de julho aquece a ponta do Arpoador numa tarde clássica. Como é férias tem muita gente na praia aproveitando o dia perfeito para uns, como os adeptos de stand up paddle, já que o mar está mais para liso.

As poucas e fracas ondas não atraem os Surfistas com S maiúsculo. Os poucos que arriscam um mergulho o fazem só por pura fé e com roupas de neoprene. Sim. Clara e numa tonalidade espetacular verde azulada esmeralda, a água está fria!

O que parece não fazer muita diferença para os insistentes atletas que, prestando bastante atenção, inclusive nas suas poucas habilidades, pode-se concluir serem alunos das escolinhas de surf. Elas atraem principalmente entusiasmados turistas, os que não resistem ao mar perfeito para iniciantes, mesmo que gelado. Tipo: “é hoje só amanhã não tem mais por que venho de um lugar frio pra caramba. Está bom demais!”

Felizinhos estão os vendedores ambulantes. Dias atrás gritavam seus bordões deles para eles mesmos. Agora têm para quem vender seus variados produtos: no abre-alas o Mate Leão e o Biscoito Globo. Cuscus, picolé, queijo coalho, amendoim, cangas e biquínis, camarão, óculos de sol, caipirinha, pau de selfie, bronzeador, esfirra, cerveja, água, empadas. Especificamente nessa (des)ordem.

Dois minutos depois tudo de novo. No sentido inverso e com a mesma intensidade, como a lei. Graças ao bate volta no fim da faixa de praia, poucos vendedores ultrapassam a Praça Millor Fernandes para alcançar a Praia do Diabo. A exígua clientela do local não vale o esforço...

Na semana que vem essa moleza acaba com a volta às aulas, o fim das férias. O veranico torcemos para permanecer por mais uns dias adiando ao máximo a entrada daquela frente fria que vira o tempo no litoral no início de agosto. A previsão meteorológica incerta diminui as chances de outras crônicas relax como essa.

Sem vento, com a maré subindo para morder as areias de Ipanema, anda na contramão dos apreciadores do pôr do sol no Arpoador. Iniciantes. Nessa época do ano, o astro rei desce no meio dos prédios. Bonito mesmo é no auge do verão, quando o sol cai no meio das ilhas...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM FIM...  delcueto.wordpress.comStudio na Colab55

sexta-feira, 21 de julho de 2017

#praele Dia dos Pais, no Studio@delcueto


Eles sempre pensam em nós assim...

Clique AQUI ou na foto e conheça as sugestões do Studio @delcueto para presentear quem te ama.

Quem procura acha as promoções da campanha do Dia dos Pais da Colab55.
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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Na moral

Na moral

Texto e foto de Valéria del Cueto
Deixar Mato Grosso depois de seis anos de ausência não foi fácil. Mil motivos para estender a permanência e apenas um para voltar. Difícil decisão...

O pouco tempo na Chapada dos Guimarães não serviu para tirar o gosto de quero mais. Pelos amigos queridos, a música maravilhosa (não tem preço se embalar numa rede na varanda da casa da fada do jardim ouvindo o violão que ecoa por todo o espaço. Se, como dizem, as plantas se desenvolvem melhor quando escutam música, isso explica a exuberância que gerou tantos registros num dia especialmente iluminado de exploração fotográfica pela paisagem), o passeio pela sede das Bordadeiras da Chapada, projeto regado mesmo de longe com olhar de amor e muita torcida para que continue crescendo fiel as suas origens, com a instigante convivência das participantes. A sugestão é ir com tempo para uma boa prosa se passar por lá para conhecer os trabalhos e explorar os detalhes do espaço. A proximidade da Festa do Divino em Cuiabá e a de Nossa Senhora de Santana, a quem é dedicada a matriz de Chapada dos Guimarães, prometia grande imagens e muitas emoções.

Ficou faltando mais banhos de rios, noites na varanda da Vivenda da Vovó Suely, encontros felizes com gente querida, reencontros mais alegres ainda. Poderia ter havido tempo para mais reconciliações e declarações de amores, carinhos e amizades que permanecem verdadeiras, apesar da distância. Também ainda havia espaço para muita comida cuiabana e pantaneira. Pacu recheado, farofa de banana, pintado, bolo de queijo, um furrundu de vez em quando...

Nem cheguei no São Gonçalo, para visitar Domingas! Teve arte e risadas aos montes no encontro especial com Aline Figueiredo e Cacá de Souza, num almoço pantaneiro comemorativo. Não poderia ter sido melhor. E ficou assunto pra depois...

Só que era hora de voltar. Havia um compromisso no Rio de Janeiro. Participar com outros 18 fotógrafos da Exposição Artistas do Carnaval – Múltiplos Olhares, durante a Carnavália SambaCon. Na sua quarta edição ela reúne a cadeia produtiva carnavalesca brasileira para apresentar produtos e serviços, além dialogar sobre política e produção da festa popular. Em tempos de crise e problemas no relacionamento com os gestores públicos imaginem o papel de um evento desse porte.

Três fotos de cada participante e a dúvida atroz. O que mandar? Como estava viajando fiz um recorte temporal: carnaval 2017. A intenção era uma foto do ensaio técnico, outras duas do desfile de segunda-feira, o oficial. O foco nos Meninos da Mangueira, parceiros de outros carnavais.

A marcação da virada do samba no ar pelos diretores de bateria verde e rosa foi pule 10. Especialmente porque faz tempo preparo um trabalho sobre os gestuais e comandos dos mestres de bateria.

A foto do fradinho ritmista Bruno Obrigado no contra da luz do dia nascendo com as arquibancadas populares ao fundo surgiu pela ausência de elementos, um certo “minimalismo” em meio ao caos entusiasmado da dispersão do desfile.


Foto de Moacyr Barreto
Para finalizar o beijo da sorte abençoado pelo Santo Antônio do “padre” diretor Wallace Tchoá e da noivinha passista, Jhéssyka  Santtos. Uma licença poética carnavalesca. Dessas que andam fazendo falta na folia. Um selão de alegria e irreverência num assunto sério que parece ter virado uma guerra. A intolerância generalizada que impede o diálogo e a convergência que deveriam nortear um momento de crise como o que atravessamos


Foi justamente dela que veio a surpresa. O convite da Nega Chic Elisa Santos para fornecer estampas que seriam modeladas para uma performance relâmpago nos corredores da Carnavália SambaCon. Sem maiores explicações, porque não dava tempo. Da Mostra CarnevaleRio foram resgatados alguns detalhes do barracão da Mocidade Independente de Padre Miguel, do enredo de Cid Carvalho “Parábola dos Divinos Semeadores”, de 2011. Deu no que deu a junção de parcerias. Foi tão legal que pediram bis! A passagem das modelos “tatuadas” e invocadas com a faixa “CARNAVAL MERECE RESPEITO” foi aplaudida pelos corredores momentos antes sorteio da Ordem dos Desfiles do Grupo Especial no Carnaval de 2018, um dos pontos altos do evento. Na moral...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “Parador Cuyabano” e “É carnaval”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
Studio na Colab55

sábado, 24 de junho de 2017

Minguante

Minguante

Texto e foto de Valéria del Cueto
Não sei quando liguei a lua minguante a hora da partida. Desde que me lembro foi assim. Acho que é nela que a nossa ligação com a terra enfraquece, o fio de prata fica mais tênue. Se a força da lua influencia as marés, as plantas e, dizem por aí, o nascimento dos bebês, por que não ser presente também na morte? Com o tempo passei a observar o “fenômeno” que se repete a ciclo lunar. Em maior ou menor intensidade, para mim, sempre está presente.

Essa lua foi daquelas que vai levando de roldão várias pessoas queridas. Depois de seis anos de ausência aportei em Cuiabá. Dias antes da virada da lua minguante para testemunhar em uma semana a cuiabania sofrer sucessivas perdas.

O jornalista Jorge Bastos Moreno abriu a lista dos que, espero, tenham ido dessa para muito melhor. “Grande coisa melhorar o que está péssimo”, diria ele resmungando se lhe fosse dado o direito de, já assim rapidinho, mandar notícias do outro do outro lado. “Uma twittada, por favor, São Pedro. Se deixar devolvo a chave...”

Também partiram Rômulo Vandoni, amigo das minhas idas ao Senadinho e fonte de vastas informações sobre Cuiabá e outras regiões de Mato Grosso. Sempre gentil e disposto a saciar minha sede de histórias e curiosidades daqui.  Foi colaborador valioso em diversas campanhas políticas em que atuei no estado.

Com o Aecim Tocantins, também personagem essencial da história cuiabana, não tive tanto contato. Mas senti a perda de outro baluarte da cultura local. Dois contadores de histórias e um personagem influente e querido por toda a comunidade.
E já estava de bom tamanho, pensei prestando atenção na data do final da lua minguante: 23 horas do dia 23. Que passasse logo essa fase e os fios que nos unem a terra se fortalecessem...

Mas não tinha acabado. Na madrugada final do reinado da minguante de junho, se foi Fatima Sonoda, minha bióloga preferida.

A conheci logo que cheguei por aqui na década de 80. Como uma boa e longa amizade, a nossa nunca foi linear. Havia amor e discordâncias. Ficávamos “de mal” e tínhamos um enorme prazer em fazer as pazes. Uma das brigas mais sérias foi quando ela estava grávida de Bibi. Essa durou. Até o dia em que, numa campanha de Luiz Soares, quando estava com Helinho Lopes gravando numa reunião num ginásio perto da Universidade Federal de Mato Grosso, um toco de gente cruzou o salão com aquele andar cambaleante de bebê e, inexplicavelmente, grudou nas minhas pernas. Fiquei ali, meio sem saber de onde viera o afago até Fátima chegar perto de mim e declarar: “Essa é Beatriz. Se ela gostou de você, também tenho que gostar, né?” As pazes estavam, finalmente, feitas. Bibi não sabe, mas sempre teve meu carinho especial por ter feito a reconciliação.

Como já disse, Fátima é bióloga. E como tal a reconheci em cada passo da sua vida. Fosse jogando Master e dando surras homéricas nos demais desafiantes (foi quando revoltada gritei o bordão que encerrava nossas demandas: “ Ela é biooooologa!”.  Fator incontestável diante do meu saber empírico, após essa constatação não havia mais discussão), fosse como especialista e defensora do meio ambiente. Luta árdua.
Técnica do melhor calibre e maior comprometimento, minha fonte de saber e inspiração nesse campo da ciência, batalhou corajosamente pelos biomas mato-grossenses. Virava onça! Especialmente quando falávamos de uma paixão imensurável que tínhamos em comum: o Pantanal.

Como aprendi com ela! Noves fora nossas paixões em comum: Nina Haggen, Lou Reed, Tom Waits, Laurie Anderson, Charles Bukowski e por aí vai... Tudo gauche na vida, como ela.

Então Fá se foi e nós ficamos. Com tremendas saudades! Mas certos que logo ali ela vai se enturmar. Boas companhias não faltarão para a amiga querida. E logo, logo, nos vemos por aí. Numa minguante qualquer...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
Studio na Colab55

domingo, 4 de junho de 2017

Vão de céu

Vão de céu

Texto e foto de Valéria del Cueto
Abriu as cortinas. Seu olhar escalou janelas e aberturas de serviço da babel arquitetônica de salas, quartos, cozinhas, elevadores e escadas. Ia em direção a cor do céu e o brilho dos raios solares rebatidos nos últimos andares do quadrado que emoldurava o vão. Azul profundo e amarelo alegre.

Tudo mais que perfeito para uma vibração praiana, sem o fog que havia baixado nos dias anteriores.
Caderninho na mão e mil ideias na cabeça lá se foi em direção ao mar. Camisa branca de mangas compridas e bermuda. Para não se enganar com o frescor no final da tarde que, já sabia, estava caindo cedo. Tudo, menos facilitar a chegada de um resfriado ou gripe.

Do arvoredo que sombreia a subida em direção ao Arpoador, atravessando o Parque Garota de Ipanema, é um pouco mais que um pulo grande. Similar a um despetalar de problemas, um aprumar de coluna vertebral, a respiração se aprofundando de acordo com o ritmo harmônico dos passos.

Primeiro com interrupções aleatórias nos sinais e esquinas, depois com a entrada nas alamedas da área verde. Tudo para o grand finalle. A passagem pelos portões em direção da praia, mar e o vasto horizonte.

Depois, é abrir o peito, respirar bem fundo e deixar a brisa marinha encher cada alvéolo pulmonar. Uma delícia interior que se adequa perfeitamente ao visual circundante. Circundante mesmo. Tipo 360 graus. Com opções para todos os gostos.

O ritual começa por uma fiscalizada nas condições da areia, seu relevo e extensão no canto do Arpoador. Há pouco espaço para ocupar junto a murada, com direito a falésia para alcançar a água. Dá para ver pedras faz pouco encobertas pela areia de uma maré distante.

Não há surfistas no mar ali no canto. Muito baixo para grandes aventuras. Mas as bandeiras vermelhas se agitam em intervalos na areia. Só de olhar o movimento da água dá para ver que o mar está puxando, traiçoeiro.

O que leva a uma caminhada rumo a Praça Millor. Acesso à Praia do Diabo do outro lado da Ponta do Arpoador. Lá sim, mar alto e surfistas deslizando no topo das ondas. Nem pensar em se aventurar quem não é PHD nas manhas do pedaço. Só profissional para cair para os lados do Forte de Copacabana onde estão os melhores picos. Na também pouca areia do Diabo, os personagens de sempre. Jogadores de frescobol, o pessoal expert no slackline, vulgo corda bamba...

Sintonia, com alegria. Essa é a essência para aproveitar tanta beleza. Só que nem sempre ela chega de estalo. É preciso aguçar os sentidos, um a um.

Depois da respiração e de limpar a visão é hora de deixar o mantra do mar e do vento embalarem seu pensamento. Passo seguinte: se largar na areia e se entregar ao prazer do calor do sol sobre a pele.
Para isso, o ideal é estender a canga num ponto em que seja possível se perder em distrações como os albatrozes que passeiam pelo céu ou o reflexo que desenha uma sombra peculiar na fina lâmina da marola que se recolhe, retrocedendo para o mar.

É chegado o momento sublime de tirar o caderninho e traduzir em palavras a sensação de gratidão por – ainda – conseguir se despir do estado de alerta geral dominante e abrir o verbo para descrever o dia espetacular que embala nosso pequeno paraíso em meio a terra desolada.

Mergulha a mão na mochila em busca do único instrumento necessário para curar os males do seu mundo. Adia os planos quando descobre que, apesar de tanto tudo, lhe falta o essencial. Cadê a caneta???

Conta até três. Relaxa. E aproveita. Desiste da crônica escrita e se dedica a fotografar a vida. Se chegou até ali, foi para ampliar seu vão de céu...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com


Diagramação Luiz Márcio – Gênio
Studio na Colab55

quarta-feira, 31 de maio de 2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

sábado, 27 de maio de 2017

A Força

A Força

Texto e foto de Valéria del Cueto
Quero vagabundear. É isso que preciso fazer para encontrar um distanciamento adequado e precavido dos acontecimentos do entorno. Sério.

Olha para o chão e é a aventura de morar no Rio de Janeiro. Tá danado. É tiro para todo lado. Literalmente. Aqui, ali, lá e acolá.  

Olha para o céu e o que temos no horizonte? Esse imenso Brasil e suas inimagináveis e praticamente inenarráveis contradições.

Como driblar o estresse nosso de cada dia? Não, não dá mais para andar despreocupada, olhando a vida passar. Há perigo na esquina. Nessa mesmo. Na outra também.

Está na hora de vagar e bundear.

Na guerra, há que saber a hora de observar. A distância. Especialmente se os movimentos são tantos e tão inesperados que não há tempo hábil para uma análise aprofundada das causas e consequências dos fatos que se desenrolam aos borbotões.

Respirar fundo. Limpar o pensamento. Despir os pré-conceitos. Selecionar os ingredientes antes de picar, botar o conteúdo no liquidificador e tentar fazer algo saudável do mix incrementado. Tá difícil.

Tentei me mover para lá, não deu. Parti para outra opção. Está enrolado, amarrado. Mas vai sair.

Enquanto não sei para onde vou, nem quais das Valérias sairão para brincar por aí, a solução é ir mergulhando na sempre disponível (graças a Deus) imaginação. Sozinha ela já nos levava a qualquer lugar. Agora, com um computador e o mundo nas mãos, as possibilidades são infinitas.

Não que as coisas andem muito melhores nesse mundão de Deus. Com homem bomba se explodindo na entrada de show de cantora adolescente, precisa mais o que?

Botar a boca, como dizem os gaúchos. No mais claro sentido da expressão. E é isso que marca o calendário desse domingo carioca. Voltamos ao ponto de origem. Rio de Janeiro, cidade 40 graus...

A busca prossegue. Por favor, um vagabundear positivo, criativo para animar a crônica. E eis que do passado remoto (!) surge o fato redentor. Aquele que te tira do lugar e desloca para uma outra dimensão...  

Meninos eu vi. Morram de inveja. Passou diante dos meus olhos arregalados e sedentos das imagens futuristas que se desenrolavam na tela. Estive lá. Falo do lançamento de Star Wars há 40 anos atrás!

A vida vai passando e numa hora ou na outra as contas parecem ficar muito grandes. Sorte que sempre parece que foi ontem.

“Te conheço desde que cheguei em Cuiabá, fazendo uma matéria sobre garimpo!” Ops, de 1984 para hoje lá se vão uns 33 anos, a idade de Cristo! Jesus me abana.

“Quando assisti minha primeira Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, a décima...” Putz, foi em 1980. Aí meu nem tão santo César Passarinho!

Entre essa época e o agora tem um monte de décadas de eventos e aventuras que se aproximam quando a gente tem o poder de “chamar” a imaginação. Algumas coisas fazem isso acontecer mais facilmente, profundamente.

Um exemplo? A trilha sonora de Star Wars, de John Williams. Quem tem uma saga para acompanhar na vida, sabe, nas primeiras notas, que pode ter a Força. E que, sim, ela pode estar ao seu lado quando mais precisa e menos espera...

Eis o link para a viagem musical. Que a Força esteja com você!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador”, do SEM   FIM...  
Studio na Colab55