Mostrando postagens com marcador valériadelcueto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador valériadelcueto. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de dezembro de 2016

Chinelos do Studio @delcueto



Hora de garantir seu conforto para as férias. Os chinelos do Studio @delcueto te levarão a todos os lugares com estilo e exclusividade.

Você pode escolher as cores e o estilo (tradicional ou slim) das tiras dos seus chinelos!

São acessórios essenciais para o verão! Combinam com camisetas, chinelos, carteiras e e outros adereços das coleções criadas a partir do trabalho da fotógrafa Valéria del Cueto

Studio na Colab55

Está pouco?
Quem procura acha
Studio na Colab55

domingo, 15 de julho de 2012

Quem faz nem se sacode, mesmo quando não pode













Quem faz nem se sacode, mesmo quando não pode

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Em cima do laço, tento manter o traço e faço de meu compasso medida para decidir. É tempo de olhar, apreciar e analisar, para DEPOIS... votar!

Sou do bem e estou de mal com quem só quer o que é mau. Rebelde e guerreira que sempre fui, achava que essa força se esvairia com o tempo. Qual o quê. Sigo implacável. Não tenho um pingo de piedade com quem não faz direito seu papel, insiste em jogar pra torcida e comete todos os tipos de jogadas proibidas achando que está abafando. Entrou em campo? Conhece as regras? Então trate de segui-las. Não apenas por obrigação, mas para mostrar sua convicção em relação ao que é certo ou errado. Isso é sinal de respeito com seus opositores e quem assiste de arquibancada a partida.

Ética, a ética. Conhece essa palavra? Sabe o que significa e implica? Se não sabe, sai da reta, pega o rumo, pica a mula ou passa longe, por que não tenho mais paciência para aguentar mentirosos e embromadores capazes de qualquer coisa por um pouco mais do mesmo cesto podre: o poder! Peguei pesado? Eu não! Eles que já botaram suas garras de fora mesmo antes do tempo regulamentar e que, quando adentraram o gramado saíram cometendo infrações a torto e a direito, sem medo de serem verdadeiramente punidos!

Fez uma, duas, três? Sai de campo, meu irmão. Está provado que não há respeito ao próprio pleito. Tá, te dou uma moral: em vez da decisão ficar restrita ao apito do juiz, vamos usar também o recurso de replay. Ele não mente jamais!

Nessa eleição a farra é nacional, mas está fragmentada: não há informações gerais, por assim dizer. Então a festa come solta! Por isso sugiro que o TSE produza um mapa nacional das irregularidades para que o país possa ver como a banda vai tocar seus vários instrumentos: de sopro, percussão e as cordas. Vai ser uma cacofonia! Com a pesquisa teríamos um ranking partidário, do quesito “quem faz mais merda” e, portanto, já demonstra sua intenção de enganar o eleitor. Sim, por que quem faz para se eleger, imagina do que é capaz depois de eleito. Imagina não. Dá muito trabalho e precisa puxar pela cabeça. Abre os jornais que está tudo lá!

Seria apenas uma questão de sistematizar as decisões na medida em que fossem saindo e jogá-las num banco de dados único para nossa gente bronzeada poder ver quem está no topo da parada dura das irregularidades eleitorais. Primeiro foram Haddad e Lula, depois Serra. Todos ainda antes de começar a campanha. Se a multa é tão ridícula e ainda pode ser paga por terceiros, vale a pena errar, inclusive desumanamente, repetidamente.

O atual prefeito do Rio de Janeiro é um que pegou a manha e está com bico para exercitar seu direito(?) de ser punido. Em poucos dias de campanha já chutou várias vezes a gol: deu a largada participando de várias inaugurações Dilmisticas, inclusive de um projeto apenas 10% concluído. Vaia neles que eles merecem! Na sequência, um final de semana, fomos brindados com gravações telefônicas pedindo votos pro cara. A compra de banco de dados é proibida. Infernizar a vida alheia não. Ele deve ter usado sua vastíssima agenda pessoal. Adentrando o gramado da apelação pura e simples, o  vascaíno Eduardo Paes pegou carona na chegada ao Botafogo do jogador holandês Seedorf. O recebeu com o presidente do clube, filiado ao PMDB, no Palácio da Cidade. Cumprimentar o alcaide é praxe para todos os que aqui chegam! Tente ir lá. Ou, se for funcionário, aguarde notícias por que anexado ao contracheque de junho veio um panfleto falando dos feitos realizados. Crime eleitoral...

Enfim, se abriram as porteiras do universo da ilegalidade e pipocam irregularidades. Elas são muitas e, infelizmente, ficam voando por aí sem punição espalhadas em baixo dos tapetes processuais dos tribunais eleitorais locais, sem que possamos ter um quadro aproximado e atualizado do conjunto da obra no período em que é criada. Mais tarde, a gente sabe, Inês é morta, eles  eleitos e nós? Continuaremos fazendo papel de idiotas, pelos próximos 4 anos.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 8 de julho de 2012

Caixote

Caixote

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Ai meu santo caderninho dos registros improváveis. Valei-me!

Cá estou de volta depois de várias publicações redigidas nas frias teclas do computador. Não por minha livre e espontânea vontade. E, sim, por pura e simples necessidade. Provocada por fatores variados e complexos como o tempo ruim, a falta de agenda, a pressa... Todos indignos da minha devoção!

É, por que o caderninho demanda uma posição geográfica nem sempre específica, porém, desejável. Quem acompanha meus escritos sabe do que falo: refiro-me a Ponta do meu Leme. Preferencialmente. Ao lugar que abriga o paraíso na terra que Deus me deu.

É nele que me encontro. São 2 horas de uma quinta feira de sol e o que poderia parecer um privilégio é uma necessidade urgente. Tão essencial como respirar e andar. Tão emergencial a ponto de antecipar em um dia a produção semanal dessa crônica.

Era urgente olhar o mundo pelo filtro divino que só o sol, a luz, o mar e seu murmúrio podem conjurar para me proteger.

Por que o trem está feio, aqui e acolá. É nessas horas que me apego ao imutável, mesmo que, ao aportar no meu chão de areia testemunhe que a redoma também tem suas contendas, por mais estranha que elas pareçam.

No caso, me pego matutando sobre a bronca do vendedor que grita com os possíveis ex futuros clientes esbravejando pelo fato deles reclamarem dos preços praticados. “Não existe nada de dois reais. O biscoito Globo é três desde 2010”, reclama ele, exaltadíssimo com a desatualização dos fregueses estupefatos.

Se a coisa está assim aqui, imagina lá fora...

Esfrego os pés na areia e deixo o sol explodir nas minhas costas enquanto com o corpo produzo a sombra que me permite escrever no caderninho apoiado nos joelhos.

É grave a crise, eu já sei. Mas daí a minha Lumix acusar falta de carga, apesar de haver trocado as baterias minutos antes de sair e, numa concessão praticamente inaceitável, ter lançado mão de pares do kit do flash da Nikon com que trabalho...

Ia - do verbo não vou mais - fazer a foto da cena que descrevi para que você tivesse parâmetros para julgar minha capacidade descritiva. Citando Paulinho da Viola “Não sou em quem me navego, quem me navega é o mar...”

A mim resta apenas o bom e velho exercício de jogar o “Jogo do Contente”, que aprendi com Poliana, e agradecer a quem de direito o fato das baterias não falharem durante um trabalho a vera, em plena função profissional.

Até por que, esse mesmo ser de luz, só deixou as baterias arriarem depois de vários cliques anteriores do paraíso com os quais ilustrarei estes riscados.

Sinto que o texto está chegando ao fim, o que lamento como nunca o fiz antes. Por mim ia assim seguindo página após página. Parando o mundo aqui no meu recanto para contar da maneira mais honesta possível minhas tentativas de sobreviver a esses tempos difíceis. E, mais importante, falando das lições que estou aprendendo e me permitem saber “ler” o entorno pressentindo e aproveitando (como der) os sinais de esperança enviados através do céu, da terra e do ar que me cercam e agasalham.

Por menores em mais sutis que sejam eles estão aí. Para serem captados, absorvidos, multiplicados e reenviados para quem precisar...

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pinguim passeia na Ponta




O menino chamou,
ele sentiu a vibração.
Passou devagarinho
e perto do coração.

*fotos e vagabíssima de Valéria del Cueto para a série Ponta do Leme do Sem Fim...

domingo, 1 de julho de 2012

Fleurs du mal

Fleurs du mal

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Estava assim, quase meio...
Pedi uma luz, ganhei o céu.
Com o que tinha direito:  

lua, gaivota - um bando inteiro.
Nas nuvens, o sinal.
A seta que aponta
pro rumo, meu prumo!
*Vagabinha dadaista do Sem Fim...

E lá vinha eu, repleta da minha pobre poesia, olhando o mundo derramando por suas bordas inspiração para minhas rimas pobres provocadas por uma avalanche de imagens que se atiraram em cima de mim vindas diretamente do meu céu da Ponta do Leme.

Não havia como fazer de conta que o recado não era direcionado, endereçado e precisava ser devidamente capturado. Afinal, tinha minha “arma” nas mãos, um pedido no coração e os olhos voltados para o entorno que se estendia até onde minha vista podia alcançar.

Só me restou uma possibilidade. Entregar-me ao momento e mergulhar nos elementos que me cercavam. Não vou repeti-los citados que estão na vagabinha ilustrativa acima reproduzida.

Parei o mundo e não foi para descer! Me senti tomada pela força da mensagem implícita nas imagens cinematograficamente fotografadas que registrei.

Acho que isso não é um fato isolado, nem sou a única capaz de chafurdar e me lambuzar no meu entorno e, se possível, fazer algo para torná-lo ainda melhor.

Essa semana, uma notícia me intrigou. Um sinal dos tempos e das forças que nos governam. A de um grupo de traficantes que decidiu que o crack não fazia bem para os negócios e “diz que” ordenou a suspensão da venda do produto “após o final dos estoques existentes”. Até o momento, apenas a favela do Jacarezinho, no Jacaré, subúrbio carioca, onde está situada uma das maiores cracolândias da cidade, acatou a ordem que, segundo a inteligência da polícia, teria vindo de dentro dos presídios cariocas.

Para a minha xará, a delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia de Combate às Drogas, a ação dos traficantes poderia ser “uma jogada de marketing”.

O que chamou minha atenção foi a preocupação com a possibilidade dos usuários se “espalharem” e “infestarem” por outros pontos da cidade, demonstrada, inclusive, em manifestações na zona sul da cidade.

Me peguei, mais uma vez, pensando nesse mal que nossa presidente(A) Dilma em sua campanha política jurou combater com afinco, denodo e fé para se eleger. Principalmente no segundo turno, apelando para a trágica situação das famílias envolvidas nesse flagelo e na esperança (vã) de extirpá-lo pelas vias governamentais republicanas.

Incrível verificar que contra ele de forma eficaz e – espero – definitiva quem está agindo são os traficantes. Mais incrível é a tentativa de menosprezar e duvidar da eficácia da decisão da bandidagem. Quem faz marketing impunemente são os políticos que prometem, manipulam e não cumprem seus compromissos depois de eleitos.

Para falar a verdade, minha experiência de vida me diz que entre a palavra de um bandido e a de um político, a primeira, sem dúvida, vale muito mais, ao contrário do que supõe e expõe minha xará policial.

Mais uma verdade: não importa quem vai levar os méritos. O que interessa para o povo é que essa sangria humana e familiar tenha fim. Venha ele das autoridades constituídas (não fariam mais que a obrigação) ou dos bandidos empresários, preocupados com sua imagem e/ou clientela.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Luz do céu




Estava assim, quase meio...
Pedi uma luz,
ganhei o céu.
Com o que tinha direito:
Lua,
gaivota.
Um bando inteiro.
Nas nuvens,
o sinal.
A seta
que aponta
pro rumo, meu prumo!

*fotos e vagabinha dadaista de Valéria del Cueto, para a série "Ponta do Leme"do Sem Fim...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mangueira, a do Chapéu




É lá de cima, do alto do Chapéu Mangueira que se tem essa vista espetacular.

O gato, de olho, vasculha o horizonte, vendo os tons delicados da luz ir se alterando quando a tarde de outono cai...

* fotos de Valéria del Cueto, para o Sem Fim...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A voz de Deus


A voz de Deus

Texto e foto de Valéria del Cueto

"Será que amanhã vai ser novamente como era antes?" Pensava ontem antes de dormir já antecipando acordar como havia acontecido de manhã pela voz maravilhosa da Fátima, uma ex-moradora da comunidade da Babilônia.

Antes, era o tempo em que na casa da minha avó aqui no Leme, despertava ao som das cantorias religiosas (nada é perfeito, não é?) da ambulante livreira do bairro descendo pela escadaria do morro que dá na Gustavo Sampaio para ir trabalhar.

Quando me mudei para o Rio tive a sorte de alugar um apartamento justamente por onde ela passava. E seu canto foi uma espécie de reconhecimento de que estava no meu lugar, no meu Leme.

Sempre fui freguesa da “livraria” e, com o tempo, Fátima passou a me contar um pouco dos seus perrengues, sonhos e do cotidiano no morro. Sua banca era múltipla. Começou vendendo discos (LPs) e passou para  os CDs.

Na medida em que o vácuo provocado pela inexistência de livrarias no bairro cresceu, junto com ele se expandiu o negócio ajudado pelos moradores intelectuais do canto do Leme. Eles passaram a abastecê-la com os volumes que não cabiam mais em seus apartamentos. Dela, comprei excelentes livros, alguns mais velhos e outros visivelmente nunca manuseados.

É claro que quando me mudei foi no seu “sebo” que foram parar meus amados companheiros que não tinham mais lugar nas estantes da nova casinha. Sabia que eles estavam em boas mãos.

Vou resumir a importância da banquinha lembrando que foi a ela que um músico instrumentista entregou para serem passados adiante seus violino e violão. Fátima vendeu o violino. Mas quis ficar com o violão interessada em aprender a tocá-lo. Com aquela voz divina e poderosa, nada mais justo.

Como dá para ver, nossa amizade é antiga e, com isso, venho acompanhando suas agruras pessoais. Nascida e criada na comunidade foi uma das “contempladas” com uma merreca quando sua casa foi desapropriada. Como o valor irrisório que não lhe permitiu comprar nada no Chapéu Mangueira, nem na Babilônia, acabou sendo “removida” para uma periferia distante.

Manteve a banca. Seu mundo é o Leme. Mas, para minha tristeza, já não cantava feliz todas as manhãs louvando o dia e a Deus pelo que não era mais seu caminho de vida. Vi Fátima ficar triste e doente. Vi moradores tentando ajudá-la. Vi sua música emocionante deixando nossos despertares, assim como ela havia sido obrigada a deixar seu lar.  Vi e ainda a vejo lutando para sobreviver com sua banca na esquina.

O tempo passou. Anos, na verdade. Acabei me mudando também. Graças a Deus ainda para a minha Ponta Leme. Vim morar ao lado da ladeira, a outra entrada da comunidade. Passei a ver e ouvir a vida do meu bairro por outro ângulo. E, por saber que o que estou vivendo, graças as obras de saneamento que muda nossa rotina com o vai e vem de máquinas e trabalhadores “estrangeiros”, é um momento longo, porém passageiro, acompanho e registro com muito interesse os acontecimentos da vizinhança.

Pois não é que ontem, fui despertada pela voz de anjo poderoso da Fátima descendo pela ladeira? Sabia que aquilo era o prenúncio de um bom dia! Sonhei que hoje e sempre voltou a ser assim. Mas foi só ontem...

Hoje amanheci - e permaneço enquanto escrevo - envolvida pelo zumbido ensurdecedor do superdesentupidor de esgotos que tenta limpar mais uma barbeiragem da obra.

Isso poderia contaminar minha crônica. Não fosse esta dedicada aos justos, aos mansos e àqueles que, como eu, tinham e de vez em quando ainda têm, o privilégio de escutar a voz de Deus ao ouvir  Fátima cantando a plenos pulmões pela vida a fora!

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM

domingo, 10 de junho de 2012

Régua, esquadro e compasso

Régua, esquadro e compasso

Texto e foto de Valéria del Cueto

Não tem jeito. É com régua, esquadro e compasso que se calcula o espaço. “Pode usar o GPS e simplificar tudo”, diz uma vozinha interna matreira querendo confusão logo no primeiro parágrafo da crônica, ainda engatinhante. E só pra soprar besteira: GPS apenas digitaliza a sistemática. Não mudou o principio espacial/matemático. Trocou o plástico/madeira da régua e do esquadro, e o metal do compasso por uns chips e circuitos, mas manteve os fundamentos. Captou?

Saí de uma obra e caí na mesma uma rua para trás, acredita? No último ano, a rua onde morava passou por uma série de obras de infraestrutura para resolver de vez o problema da rede de esgoto do bairro. “Quem bonzinhos”, pensa você, “que governo”! Coisa nenhuma, a intervenção deve-se aos planos de megaempresários e – sempre eles - políticos cariocas de “elitização” das favelas e, no caso do Leme, fazer um upgrade nas moradias do Chapéu Mangueira e Babilônia, inclusive com a construção – pasmem – de prédios. Para viabilizar a heresia precisavam solucionar os problemas de esgotamento sanitário, facilitando – e valorizando - o “avanço” morro acima. As obras começaram na rua da frente, passaram para a de trás e subiram a ladeira Ari Barroso, causando uma incrível alteração na rotina dos moradores. Onde há obra interrompe-se o tráfego. Lá em cima só tem uma rua para subir e para descer. Imaginaram o transtorno?

Meu sacolejo me colocou justamente na quina. Num andar perfeito para observar a movimentação do pé da ladeira. Com vista para a rua e a subida, até a primeira curva. Quando me mudei, conversando com um encarregado da obra, perguntei se os prazos previstos seriam cumpridos, já que eu estava “acompanhando” os trabalhos e, claro, saturada das britadeiras, apitos e motores desde a antiga rua. Lá, havia sido quase um ano de bagunça. Ele me surpreendeu prevendo que o fim do sofrimento seria antecipado para meados de junho. Havia uma “ordem” para que a UPP do Leme fosse umas das visitadas durante a Rio+20. Resumindo, o prazo para a entrega do pacote é essa semana!

Quando soube a façanha que tentariam fazer passei, com a ajuda de um olheiro cuiabano, o jornalista e quase arquiteto Cacá de Souza, a monitorar os trabalhos. Nunca pensei que minha janela pudesse proporcionar tantas emoções e provocar tamanho interesse! Depois, compreendi que esse é um filme que, diz a lenda, vai terminar muito em breve por aqui. Mas, no caso da sede da Copa do Pantanal, “mal e má” começou. Pois faço questão de deixar meu testemunho desta experiência.

Nas últimas semanas, lá em cima, no meio das obras, um poste caiu abalado pelas máquinas. Acabou a luz em parte das moradias e outra também ficou sem água. Estourou um cano. Os bueiros aqui da esquina se encheram de água e a terra das obras desceu, entupindo-os (enquanto tentavam recuperar o cronograma perdido, vi subindo as partes do palanque ou da UPP que será montado(a) na favela). A terra, que desceu se esparramou na rua, secou e os protestos obrigaram os responsáveis pela obra a molharem o asfalto, por causa da poeira que invadia os apartamentos. Quando a situação foi resolvida o tempo virou. Uma tempestade de horas transformou a ladeira numa cachoeira (ops!) e, é claro, os bueiros não deram vazão. O buraco aberto sem proteção dentro do qual passa toda a fiação subterrânea da rua, (que não tem fios aparentes nos postes) primeiro encheu de água, depois recebeu uma incrível quantidade de terra. Aquela que os caminhões caçambas passaram a semana toda subindo. Buraco, canos e tubos, tudo soterrado! Sentiu a responsabilidade?

Não sei como será o dia D, mas sei que o atropelo é inevitável com régua, esquadro e compasso, ou GPS. Isso diz alguma coisa pra quem adiou, por causa da chuva, o início das obras viárias em Cuiabá?

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ele, o Leme




Umas básicas para registrar a luz outonal, outras nem tanto.
A Ponta e Copacabana na mira.

* fotos de Valéria del Cuetohttp://images.multiply.com/multiply/icons/clean/24x24/x.png, para o Sem Fim...

Tria




Linhas que indicam no meio, por fim.

* fotos e vagabinha de Valéria del Cueto

domingo, 3 de junho de 2012

Tiro e queda

Tiro e queda

Texto e foto de Valéria del Cueto

Na dúvida, quase dancei. Perdi a hora, por que não sei o rumo e o tempo não ajuda. Faz calor, mas chove e minha praia está instável. O tempo nublado cinzentão me impede de ver o céu. Nada de sol, lua ou estrelas. Imagino a situação dos navegantes que se guiavam pelos astros para alcançarem territórios inexplorados. Não é fácil essa vida de tempo ruim astronômico. Ai, tudo fica assim, meio não sei não.

Aproveito para resolver as pendengas que pululam  influindo severamente no meu entorno: instalar  o depurador de ar (chique, não é? Que nada. A cozinha não tem janela, nem respiro. Dá pra acreditar? Fritar um bife, nem pensar. Fazer feijão, uma aventura cujo aroma se estende aos quartos e a sala e por ali permanece...), dar um jeito nas carrapetas do chuveiro, ressuscitar a velha TV, por que não quero comprar uma nova e ela resolveu, além de calar a boca, ficar sem imagem também. Uma seleção de pequenuras pelas quais - espante-se – agradeço.

A vida lá fora não está fácil. Quente, molhada, nebulosa e violenta. Tanto é verdade que a dúvida quase derrubou minha rotina semanal. Explico: tenho saudades e quero voltar a escrever no meu caderninho. Nele e seus antecessores sei que estão registrados, escritos à mão, meus melhores devaneios.  Lá, jurei deixar guardada uma visão (míope e astigmática, confesso, ainda que não me sinta responsável por um defeito de fabricação sobre o qual não tive chance de optar) do que vivi na passagem por esse mundão, na virada do milênio.

Ultimamente, reconheço que o tenho evitado por não querer contaminar esses relatos com assuntos triviais e asquerosos da vida sociopolítica que se desenrola diante dos olhares estupefatos de todos nós. Toda semana juro que vou voltar à antiga prática e, portanto ao meu meio preferencial de registro. Mas, quando vai chegando a hora de sentar e escrever, descubro que, como cidadã não há como calar-me diante dos acontecimentos que me cercam. Aí, lá se vai para o fundo da gaveta, (quer dizer, da bolsa de praia) o caderninho não afeito a assuntos menores, mas necessários de serem abordados.

E, na dúvida, procurando uma maneira de voltar à prática salutar, vou deixando para o fim do prazo a entrega da crônica semanal esperando, até o último minuto, que o tempo abra, o sol apareça e um fato novo positivo suplante minha indignação com o que vi no decorrer da semana. O tempo, inexorável voa em direção ao meio da tarde, assim como, num determinado momento, depois de me render ao teclado insensível do notebook, meus dedos tentam se entender com as teclas, obedecendo meu cérebro tão truncado quanto a vida.

Poetei, mas não escapei de chegar ao motivo desta crônica não estar no meu panteão escrito à mão. Lutei e rodeei até encontrar, pelo menos, uma abordagem positiva para o triste e lamentável assunto em pauta, a falência do que chamam Estado de Direito no país. Se os três poderes constituídos já não cumprem suas funções: o Judiciário não julga PRA O POVO ( trabalha de forma corporativa, defendendo outros e seus interesses), o Legislativo não legisla PARA O POVO (faz lobby e leis  em seu próprio benefício e dos que o bancam)  e o Executivo não executa PARA O POVO (e isso inclui não apenas uma classe, mas todas as que compõe nossa sociedade civil), isso é sinal de que não há mais, a rigor, um estado constitucional estabelecido e atuante.

Aí, chego ao lado bom. Os votos que nós milhares de mato-grossense demos, nas últimas eleições, ao senador Pedro Taques. Votos que o permitiram impedir o prosseguimento de mais uma agressão a uma norma constitucional: o direito ao silêncio, exercido por Demóstemes Torres, na CPI do Cachoeira.

Poucas vezes me senti tão bem representada politicamente como ali. O resto dos acontecimentos foi uma decorrência do Estado desordenado que citei acima. Onde a ignorância quer vencer a razão no grito e  interpretações superam os fatos reais tentando – espero que em vão - mudar seu significado.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 27 de maio de 2012

Mil e quantas mais

Mil e quantas mais

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vou começar, antes que acabe. É isso mesmo. Acabe o tempo para entregar ao diagramador mais uma crônica, ainda da Ponta do Leme (sentiu o quase movimento?).

Hoje é sexta feira, mas cá entre nós não parece! O tempinho chinfrim que se espalhou pelo Brasil chegou a minha beira mar, deixando um céu chumbento, sem atrativos com um ventinho vagaba e implicante. Ele não para de despentear meus cabelos que se encarregam de fazerem cócegas na ponta do meu nariz alérgico da mudança. Já deu pra avaliar o nível de concentração do início da tarde. Zero.

O mar baixou um pouco, mas ainda está mexido reflexo da última ressaca que, entre outras coisas, carregou dois viventes imprudentes e desprevenidos do Caminho dos Pescadores, na Pedra do Leme.  Foram fisgados de volta à terra firme, machucados e molhados, pelo Corpo de Bombeiros. Aqueles heróis de sempre, no lugar certo como sempre, mal pagos sempre.

Quando fincaram a placa avisando que a correnteza estava perigosa, ainda havia ele - o sol - e o céu estava azul, mais que a cor do mar. Mas isso foi antes.  

Agora, tá tudo cinza, com ou sem você. Nada animador. Ou melhor, muito inspirador pra gente ficar na caminha  lendo um bom livro, vendo um filme e, por decorrência, comendo pipoca enroladim num edredon.

Diz que pras bandas de Cuiabá a neblina tomou conta do entorno e invadiu até as almas mais poderosas. Pela foto que recebi do meu serviço particular de meteorologia local vai ser ruim o cuiabano  botar a cabeçinha pra fora da soleira de sua residência... Quem me manda as fotos diárias que me mantém informada e localizada na temperatura básica de Cuiabá é o mesmo ser bondoso que, esta semana, atingiu a marca das 1000 crônicas publicadas  nos jornais, blogs e sites espalhados pelo Brasil, o magnífico Gabriel Novis Neves.

Lembro quando ele começou a escrever. Certamente nunca lhe passou pela cabeça que seria uma Sherazade cuiabana e, em tão pouco tempo, alcançaria suas mil e uma histórias. Hoje responsáveis por manter, não um boi, mas uma boiada inteira de leitores atentos e interessados no que ele tem para dizer. Fantasia, ou não. E olha que a caixa de Pandora aberta nessas crônicas expos uma fresta da imensa cultura e dos variados interesses que movem o cronista em tela. Foi uma surpresa para muita gente.

Num primeiro momento, a novidade se espalhou e ele fisgou os aficionados pelo seu estilo literário direto e enxuto que, um dia me explicou, envolvia uma apresentação do assunto, a anamnese e, finalmente, um possível diagnóstico. Coisa de médico. Competente.

Com o passar do tempo, quem foi acompanhando o conjunto da obra, começou a reparar que os textos curtos poderiam ser ligados entre si e, aí, as histórias (que poderiam ser para boi dormir) passaram a ter um significado complexo e contundente. Alguns acharam que ele havia enlouquecido. Outros, que estava indo longe demais ao colocar na roda o que achava dos acontecimentos que agitam a comunidade em que vive... Não houve pressão que desestimulasse o autor. Ele prossegue cutucando, informando, questionando e procurando respostas para as questões que afligem, não apenas a ele, mas a sociedade como um todo.

Por isso, acredito que essas histórias ainda serão contadas por muitas e muitas crônicas. Daquelas que nos estimulam e fazem pensar no que somos e para onde vamos. Como essas são respostas ainda distantes de serem alcançadas, cabe a nós, não apenas buscá-las instigados pelo autor, mas na medida em que qualquer luz seja jogada sobre elas, fazer o possível para divulgá-las para o maior número de pessoas possível.

Admiro este percurso e procuro seguir este caminho  numa frequência exponencialmente menor. O que sempre o fará maior. Ser cronista aprendiz não é fácil...


*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 20 de maio de 2012

Amor explícito: você é nosso e nós somos teu!

Amor explícito: você é nosso e nós somos teu

Texto de Valéria del Cueto

Estou no trecho, mas um pouco fora de contexto. Explico: o sol brilha, o tempo corre e faria quase qualquer coisa para poder ir até a praia, na Ponta do Leme, escrever minha crônica semanal, só que... Como você sabe, fui exposta a uma mudança involuntária  e ainda estou fazendo os ajustes finais na nova morada: luz, telefone, móveis, operação joga fora no lixo, aquilo tudo e mais um pouco.

Algumas coisas ficaram para depois e vão surgindo na medida em que as necessidades se apresentam. Prementes e urgentes. É o caso do aquecedor de gás do apartamento. Ele funcionava “mal e má”. Meio instável, meio fresquinho, mas cumprindo seu papel de forma razoável. Até que o frio começou. Aí, senti o drama do banho morno e precisei tomar as devidas e, até então, adiadas providências...

Existem algumas coisas que são assim. Têm que ser resolvidas de imediato. Parto desse princípio, principalmente, quando lido com mão de obra terceirizada. Se você ligou pro cara do gás e ele disse que pode atender i-me-dia-ta-men-te, não discuta: agradeça aos deuses da água fervendo que você merece, e mande-o rumar pra sua unidade habitacional. Sabe lá quando ele terá outra “vaga” na sua agenda disputadíssima? Não vacile, não postergue, não adie. Abra as portas do seu lar e diga: “bem vindo, ó amado técnico!” Outro conselho: só deixe o cara sair de lá quando tudo estiver funcionando como deve ser...

Por essa razão, lá se foi a minha praia inspiradora, nesse dia meio nublado e com uma brisa fresquinha, quase invernal. Não posso reclamar. Mas você pode se achar que estou apenas enchendo linguiça, o que não verdade. A verdade nua e crua é que, pelo menos, posso escrever uma crônica melhor na semana que vem ou, ainda, encontrar um mote surpreendente para terminar essa de hoje.

Difícil é recuperar a credibilidade quando fazemos coisas que não podem ser mudadas nem explicadas por que, de tão óbvias, não têm justificativas plausíveis. Quase como desprezar a hora disponível pelo bombeiro gasista alegando que no horário bom pra ele haveria outro compromisso, mais importante ou urgente do que garantir a qualidade dos meus banhos pelo inverno próximo e outros vindouros.

Tipo a declaração de amor “...você é nosso e nós somos teu” do deputado petista Cândido Vacarenzza, num SMS apaixonado e apaixonante para o descobridor dos benefícios eikedeltísticos, Sérgio Cabral, o governador turista do Rio de Janeiro!

Ora, assim como a sorte de achar uma brecha na agenda do bombeiro, lá estava o cinegrafista do SBT no lugar e no momento certo, gravando imagens que acabariam percorrendo o mundo cibernético para mostrar o grau de companheirismo, amizade e cumpadreio que permeia as relações políticas dos envolvidos na CPI do Cachoeira!

Este é o típico caso em que a exceção faz a regra do ‘lavô, tá novo” existir! Não adiante vir com guaraná, por que a coisa toda tem cor de chocolate. Um chocolate na seriedade política nacional, um vareio inconteste e inquestionável no que deveria ser uma apuração severa (e, como a justiça, cega) dos que roubam deslavadamente os cofres públicos e achincalham a moral, a ética e política combalida do nosso país.

E que não me venha dizer que “aquilo era uma conversa particular” por que foi devido às particularidades surrupiantes, indevidas e comentadas em milhares de horas de gravações de mensagens e recados enviados pelos protagonistas desse espetáculo de quinta categoria que chegamos a essa vergonha.

Pelo certo, Vacarenzza deveria também ir para o banco dos réus da CPI por cumplicidade explícita. Pensou que era o bombeiro da vez e, agora, tenta “esquentar” sua atitude jogando a culpa no (bom) serviço alheio. Parabéns à reportagem que não deixa sombra de dúvida sobre de que lado está o ex-líder e petista: do lado contrário aos interesses do povo, achando que “lavô, tá novo” e quem é sério vai cair nessa de novo!

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mangueira 2013 - mães, filhos e avós




Como o dia era delas, um destaque especial...
........................
Uma comitiva composta por representantes do poder público municipal veio de Cuiabá para o lançamento, no Espaço Lagoon, do enredo 2013 da Mangueira, no Rio de Janeiro.

Figuras proeminentes dos diversos segmentos comunidade verde e rosa, compareceram a festa que aconteceu no domingo, dia 13 de maio.

As fotos do evento estão divididas pelos albuns abaixo:
Lançamento do enredo 2013
Social
Mães, filhos e avós
Delegado
Surdo Um e Renata Santos
Menino da Mangueira
Preferidas

* fotos de Valéria del Cueto para o Sem Fim...
** Agradeço aos retratados pela gentileza e a paciência.

Mangueira 2013 - Menino da Mangueira




Ele é uma festa aparte...
...............
Uma comitiva composta por representantes do poder público municipal veio de Cuiabá para o lançamento, no Espaço Lagoon, do enredo 2013 da Mangueira, no Rio de Janeiro.

Figuras proeminentes dos diversos segmentos comunidade verde e rosa, compareceram a festa que aconteceu no domingo, dia 13 de maio.

As fotos do evento estão divididas pelos albuns abaixo:
Lançamento do enredo 2013
Social
Mães, filhos e avós
Delegado
Surdo Um e Renata Santos
Menino da Mangueira
Preferidas

* fotos de Valéria del Cueto para o Sem Fim...
** Agradeço aos retratados pela gentileza e a paciência.

domingo, 13 de maio de 2012

Chacoalha e cai, levanta e vai





Chacoalha e cai, levanta e vai



Texto e foto de Valéria del Cueto

Antes de mais nada o essencial: hoje é sexta feira, são duas da tarde, o sol brilha, o vento sopra preguiçoso e eu estou no meu devido lugar, a praia da Ponta do Leme, fazendo o que mais gosto. Escrevendo uma crônica falando do meu paraíso.

A água está transparente e a maré baixa parece ter domado a força das ondas que ontem estavam mais para surfistas do que para os peixes.

Hoje, não há espaço nem altura para manobras radicais. No máximo, um jacarezinho de marola.

Parece que Abreu, o mês do chacoalha passou. Veio maio com o dia das Comunicações e aniversário de Cândido Rondon o pai da coisa toda, chegou a libertação dos escravos e as coisas parecem que vão dar uma aliviada providencial, diga-se de passagem.

Mudei sim, involuntariamente, mas tive a sorte de poder ficar no meu chão. A Ponta é meu limite. Continuo no lugar que pedi a Deus!

O problema agora, que não é bem um problema, mas dá trabalho, é romper as amarras e soltar o excesso de peso acumulado pelos 10 anos de quase imobilidade no mesmo endereço no carioca.

Digo quase por que, enquanto estive ancorada na Gustavo Sampaio, morei em, pelo menos, quatro outros endereços: dois em Cuiabá, um na Chapada dos Guimarães e outro em Brasília, não necessariamente nessa ordem.

Fiquei, no mínimo, cinco meses em cada um desses lugares trabalhando. Explico isso para justificar algumas muitas coisas que tenho em... dobro.

Por aí você pode tem uma ideia do tamanho do desapego necessário para me livrar do que sei, daqui a pouco, pode me fazer falta.

Para acrescentar uma pitada de tempero à aventura suicida da expedição joga fora no lixo pense em todo mofo acumulado com maresia que recobre parte substancial do conteúdo de dezenas de caixas e sacos de roupas, livros e objetos somente identificados pelas lembranças dos fatos passados com que tiveram alguma relação.

A esta equação acrescente a variante da poeira asfáltica entranhada por meses de obras nas ruas do bairro (que mais pareciam buracos de toupeiras) procurando a rede de esgoto em reforma sobre camadas e camadas de esparadrapos e remendos feitos durante anos a fio pelas vias do Leme.

É dose! E haja crise de alergia a mofo, fungo e ácaro para manusear quase meio século de reminiscências sentimentais e profissionais grudadas pelo ar marítimo que sempre invadiu a praia do meu lar.

Por isso estou aqui, nesse horário tão peculiar, entre uma crise  de rinite e uns quantos espirros, tentando desintoxicar meu corpo e explicar ao meu nazinhinho que tal esforço é pinto diante do fato de poder permanecer no meu chão arenoso, molhado pelas águas do oceana Atlântico que lambem  meus pés.

Sabendo que, ao voltar ao esforço concentrado de selecionar o que considero essencial para o resto de minhas lembranças, vou mergulhar novamente em histórias que já vivi, mas ainda não contei inteiras e, para fazê-lo, vou precisar de referências que posso estar desprezando no meu afã de aliviar o peso do lastro da minha embarcação.

Ela que, cheguei à conclusão, precisa ser mais leve e ágil para singrar o mar da vida e enfrentar as tempestades que (sempre) virão.

Em tempo: o bom tempo tem tempo para durar.

Em dois dias há previsão de viração e o mar, que hoje é calmaria, deve deixar seus cabelos de espumas sobre as ondas enormes despenteados a cada rajada do vento assobiador que está para chegar.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com