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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Essa difícil vida fácil

Essa difícil vida fácil

Texto, foto e vídeo de Valéria del Cueto

Consegui! Cheguei na praia. Por incrível que pareça, a primeira de 2026. Antes, só caminhadas pela orla. Resultado: escassez de crônicas, incluindo as carnavalescas.

Agora não dá mais pra enrolar. O tempo melhorou e, como dizia Giovanne Improta, personagem de José Wilker, “O tempo ruge e a Sapucaí é grande”. Ruge e fica concentrado. Em três finais de semana teremos passagens das 12 escolas de samba do Grupo Especial pela pista três vezes.

Faz a conta comigo: dois com ensaios técnicos de todas as agremiações do Especial, incluindo testes de som e luz do sambódromo, mais o desfile oficial e a passagem das quinze escolas da Série Ouro, o grupo de acesso, de sexta a terça-feira do carnaval. Bota na lista o cortejo de lavagem da pista e parte do grupo das crianças.  

A outra parte desfila na sexta-feira, antes do Desfile das Campeãs, no sábado depois do carnaval, com as seis escolas melhores classificadas no Desfile Oficial. Contando com as Campeãs, teremos, então, mais um final de semana. Quatro no total!

Como dizia Vinícius de Morais, “é preciso peito de remador” para aguentar esse rojão e viver um grande amor...

Antigamente parte dessas atividades eram distribuídas em deliciosos finais de semana desde o dia Nacional do Samba, 2 de dezembro, até o carnaval. Agora, como tudo na vida, o calendário carnavalesco ficou compacto e extenuante. A resposta que dou a esse excesso de atividades é ficar seletiva, deixando de lado uma qualidade que parece extinta: a contemplação.

Falei em excesso de atividades? Então vamos acrescentar na nessa listinha, que parece uma corrida maluca iniciada com a abertura do Fan Fest Rio Capital do Carnaval no dia do padroeiro da Cidade Maravilhosa, São Sebastião, 20 de janeiro, o encontro de 1243 ritmistas na praia de Copacabana. A Super Bateria entrou para o Guinness, o livro dos recordes.


Foi apenas a abertura da programação que o Rio Carnaval preparou para mostrar o que é e como se prepara “o maior espetáculo da Terra”. Tudo gratuito, mediante a inscrição no aplicativo do evento.

Junto, foi dada a largada dos desfiles dos 462 blocos cadastrados na programação da prefeitura para se apresentarem no centro da cidade e em vários bairros cariocas. Fora aqueles que saem no susto, em desfiles paralelos, tipo flash mob, marcados em cima da hora!

A região do Saara, a 25 de março local, fervilha de foliões e turistas em busca de fantasias e acessórios carnavalescos. A novidade é uma tiara de cabelo feita com fios, adereço que parece uma touquinha com penduricalhos de enfeites.

As redes sociais estão lotadas de imagens e sugestões para a folia. Quem não curte carnaval está lascado! Muito mais do que quem não dá a mínima às estrepolias do BBB e fica aturando aquele monte de tolices entre os cortes dos ensaios de rua, discussões sobre enredos, sambas, barracões e os últimos preparativos dos desfiles.

Incluindo a chegada (pra lá de atrasada) dos recursos para finalizar os trabalhos das escolas de samba. A prefeitura só liberou a verba esse ano e o alcaide recebeu os sinceros (?) e públicos agradecimentos das agremiações contempladas. Como se o aperto dos trabalhadores fosse uma coisa normal! O campeão da maldade e maior patrocinador da festa, com R$ 40 milhões, foi o governo do estado.

Cláudio Castro, o governador, que é evangélico, fez o povo do samba pagar todos os seus pecados antes de liberar a verba para o evento que traz mais lucros para o poder público no calendário turístico anual com seus 6 milhões de visitantes e a previsão de vultuosos R$ 5,7 bilhões movimentando a economia.

A indústria do carnaval continua sendo tratada como produto de segunda categoria por quem não respeita nossos organogramas de desenvolvimento de projetos e cronogramas de pagamentos. O dindin estadual foi liberado 29 de janeiro, 14 dias antes do desfile.

Se está ruim para as grandes, imagina para as agremiações dos grupos inferiores.  As maiores escolas ainda têm fôlego para segurar a onda. Mas pensa nos grupos de acesso da Sapucaí e nos que desfilam na Intendente Magalhães. Um verdadeiro desastre na organização das entidades é provocado, ano a ano, pelo atraso na liberação dos repasses. Quanta maldade. E ninguém pode reclamar, é claro...

Parece que as forças superiores concordam comigo. Enquanto escrevia no quadrado que ocupo na canga esticada na areia de Ipanema, as nuvens chegaram correndo pelo céu, antes azul. O vento agita as folhas do caderninho.

Nem me mexo, a chuva que virá será um treino para os dilúvios que ano sim e outro também (com raras exceções), costumamos enfrentar na Sapucaí. Estou apenas preparando minha imunidade corporal.

Vem carnaval, mas sem areia, por favor...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Nunca igual no planeta Carnaval



Nunca igual no planeta carnaval

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Já troquei três vezes de lugar tentando abrir o caderninho para escrever o último texto de 2025. No jardim, na rede e no gramado busco um ambiente ideal para a escrevinhação.

Sem sol, com chuva e frio, preciso reconfigurar os gatilhos que utilizo para encontrar os traços da inspiração quase natalina em meio a conflitos e quizilas locais e internacionais que desviam a atenção e exigem reflexão.

Pra não cair no velho e recorrente tema das retrospectivas, prefiro olhar pra frente, mirar no futuro sem apelar às previsões.

E, vamos concordar, querido leitor, o futuro é logo ali.

Adivinha onde? No carnaval!

Nesse quesito estou em casa... voltei do Centro-Oeste e caí no mini desfile do Dia Nacional do Samba no início de dezembro.

Três dias na pista da Cidade do Samba com direito a prévia, em pequena escala, do que serão as apresentações no carnaval da Passarela sem os tradicionais carros de som. Os que eram o coração do som das escolas na pista da Sapucaí. Agora, tudo será digital e sem fios!


As noites foram recheadas por teasers do que as escolas apresentarão em seus enredos no desfile de 2026.

Como sempre, o carnaval na Sapucaí não será igual ao do ano que passou.

Depois da nova iluminação cenográfica, consolidada no último carnaval, o incremento no sistema de som digital responde a uma demanda crítica e antiga num setor essencial para o espetáculo.

Os testes em larga escala no sambódromo serão nos ensaios técnicos programados para os dois finais de semana que antecedem o desfile oficial, que acontecerá no meio de fevereiro.

Pra quem ainda não abriu o calendário 2026, os desfiles do Grupo Especial do Carnaval Carioca acontecerão de domingo a terça-feira nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. Como esse ano, serão 4 escolas por noite.

Mas a agitação começa antes e não inclui apenas o povo do samba, que produz o espetáculo.

Dia 20 de janeiro, anote aí, uma terça-feira, é feriado no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro da Cidade Maravilhosa. Também será a abertura do projeto Rio Capital do Carnaval.

Os tambores vão batucar num novo espaço das escolas de samba, na ativação (a palavra está na moda) do Carnaval Fan Fest nas areias da praia de Copacabana, altura do Posto 3, na Rua República do Peru.

Durante um mês, a programação trará a festa carioca até a praia mais famosa do planeta, com apresentações das escolas, shows que promoverão encontros entre sambistas e astros da MPB e oficinas às sextas, sábados e domingos.

Os telões do espaço também transmitirão os ensaios técnicos e, claro, os desfiles carnavalescos nos dias da folia.


A festa começa com o desafio de juntar 1.200 ritmistas no espaço para uma performance candidata ao Guinness Book.

Será o registro da maior bateria do mundo com a participação de mestres das baterias e personalidades das agremiações.

Com a iniciativa do projeto Rio Capital do Carnaval a Liesa - Liga Independente das Escolas de Samba expande sua atuação geográfica do Sambódromo e da Cidade do Samba e ocupa o coração turístico da cidade no auge da temporada de verão.

Toda a programação, que se estende até o sábado das Campeãs, na semana seguinte ao carnaval, será gratuita e contará com shows que promovem grandes encontros musicais, como o de Neguinho da Beija-flor e Belo, Pretinho da Serrinha e Marcelo D2 e Jorge Aragão e Gilsons e será anunciada nos próximos dias.

“Inovador, inclusivo e 100% carioca”, segundo define o presidente de Liesa, Gabriel David, o conceito “Sinta o carnaval” do projeto pretende trazer ao público a experiência das etapas de produção dos desfiles por meio das oficinas carnavalescas e promete mais: um cortejo carnavalesco ao pôr do sol de Copacabana. “Estamos quebrando as barreiras entre o público e a festa”, comemora.

Haja coração, prepare as pernas, capriche na resistência! Amplie o fôlego, folião, pois sambar na areia não é pra qualquer um e serão muitas emoções...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É Carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



 Studio na Colab55

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

No princípio (também) era a roda

No princípio (também) era a roda

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Um réveillon sem o espocar das rolhas de champagne e espumantes na virada do ano em Copacabana. O som só será ouvido se levarem gravações do pipocar característico das comemorações da entrada do ano junto a Rainha do Mar, Iemanjá. Vidros estão proibidos e confiscados nas barreiras de acesso a praia.

Comecei pelo final e volto ao início.

Nele, as famílias e amigos dos moradores de Copacabana iam até a orla observar a celebração dos terreiros que, em rodas espalhadas pela areia, faziam seus rituais para homenagear Iemanjá e outros orixás na virada do ano.

De branco, com suas vestes características, dançavam ao som de atabaques e berimbaus iluminados pelas velas cercadas de oferendas depois lançadas ao mar junto com muitas flores. A energia do axé podia ser sentida e partilhada por iniciados e curiosos que passeavam entre as rodas recebendo bençãos generosas.



Aí, surgiu a cascata de fogos do Hotel Méridien que escorria pelo prédio. Depois os fogos na areia. (Terá sido em ordem inversa?). A passagem de ano em Copacabana virou atração turística...

Os primeiros expulsos foram os que criaram a fresta com seus deuses. A multidão crescia ano a ano e passou a ter donos. Áreas começaram a serem delimitadas. Dos shows, seus palcos, backstages, áreas vips; dos quiosques, cercadinhos...

Um acidente com os fogos na areia provocou o deslocamento dos efeitos especiais para o mar com o uso de balsas para seu lançamento no cenário cinematográfico da Princesinha do Mar. A competição com outros pontos turísticos do globo se acirrou: maior público, poder pirotécnico...

E, claro, o espírito inicial da festa religiosa a beira mar se perdeu, engolido pela multidão e pela fome de lucro. Com o tempo os moradores do bairro ficaram reféns da organização do maior réveillon carioca. Trânsito interrompido, metro superlotado, insegurança e sujeira, apesar dos esforços sobre-humanos dos garis, heróis urbanos invisíveis.

Durante anos deu para driblar esse “avanço civilizatório”. O Leme sempre foi o paraíso que incluía uma imagem única do Caminho dos Pescadores onde eles, os próprios, se reuniam no final e faziam uma comemoração especial para saudar o novo ano. De lá o registro de Copacabana a meia noite é especial. Não vou contar o porquê. Se quiser conferir procure nos àlbuns dos réveillons que passei por lá.

Foi nesse período que dividi a meia noite em duas etapas, nos tempos do horário de verão. Nos fogos fotografava e gravava, no horário do fuso de Cuiabá brindava, fazia meus pedidos e comia as uvas verdes, uma para cada mês do ano vindouro.

Um dia, quando fui em direção ao Caminho do Pescadores um tempinho antes da meia noite para pegar um bom lugar na mureta, uma multidão atrapalhou os planos. O quiosque no canto da Pedra havia sido turbinado. O resto não preciso explicar. Nem só o mar dos surfistas fica crowded.

Saí do Leme que não saiu de mim, mas ficou muito longe para ser alcançado na movimentada noite da virada. Cruzar a praia da ponta do Forte Copacabana até o Leme ficou impossível. Ainda mais na volta, sem transporte. Todos os anos quando vejo as luzes da minha ponta, de onde estiver em Copacabana ou fora dela, fecho os olhos e me transporto para as areias de onde sou cria comemorando o privilégio dos maravilhosos réveillons que lá passei.

Esse ano vai ser diferente. Não sentirei a distância. Nada, eu disse, nada me faria almejar a programação gospel do palco do Leme, que, em anos anteriores, foi o palco do samba! O prefeito Eduardo Paes fica devendo essa escolha equivocada aos moradores do Leme. É só mais uma de muitas. Só não vê quem não tem memória.

Vamos ver como reage Iemanjá a ausência do axé do espocar das champagnes em sua homenagem na hora da virada. Pode ser que nem note no alarido da multidão de milhões de pessoas. Pode ser...

PS: “No princípio era a roda – um estudo sobre o samba, partido alto e outros pagodes” é o título do livro essencial sobre o assunto de Roberto Moura.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Ponta do Leme” do SEM FIM ... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Pode ser...

Pode ser



Texto e fotos de Valéria del Cueto

Novos ares!

E não apenas pela mudança previsível do ciclo anual. Depois de um longo e nebuloso dezembro no primeiro dia do ano parece que mudou a chave e tudo que era cinzento e molhado se acendeu.

Como cria carioca fiquei mais tranquila quando vi, no último minuto do segundo tempo, quase no final da partida que arrastaria o mau tempo noite da virada a dentro, que a produção do mega espetáculo se rendeu ao charme de uma mandinga sempre usada em outros episódios que que a chuva estragaria a festa.



Mais uma vez, foi contratada a Fundação Cacique Cobra Coral para segurar as nuvens, limpar o horizonte e encerrar a prolongada e detalhada lavagem celestial que se arrastava há semanas, mudando as tonalidades do cenário da Cidade Maravilhosa. Pedido devidamente feito, desejo de todos atendido. Foi justamente a ausência total da mais leve brisa que escondeu parte dos fogos das 10 balsas posicionadas em Copacabana atrás de uma quase sólida barreira de fumaça.

Atrapalhou? Um pouco da segunda parte dos 12 minutos do espetáculo. O “defeito” climático logo foi esquecido pelo astral de Zeca Pagodinho e da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, com os axés do samba enredo 2023, que homenageia justamente o querido cantor de Xerém, (distrito de Duque de Caxias, comunidade da agremiação), e de Exu. O orixá que regerá 2023, junto com Oxum, Iansã e Iemanjá.

Réveillon 2023 em Copacabana

Tirando esse porém, a festa no Palco Copacabana foi de muita alegria. Um astral contagiante, já alcançado no show de Alexandre Pires, a quem coube homenagear o Rei Pelé, antes da meia noite.

A edição desse ano entra na lista dos réveillons inesquecíveis, parte da história da cidade e da memória de milhões de visitantes. Os números, como sempre, impressionam. Perigos? Sim. O que esperar de uma multidão de mais de 2 milhões de pessoas. Típica situação em que vale a regra três, “onde menos vale mais”, imortalizada por Vinícius de Moraes e Toquinho.

A melhor medida para a sintonia que rolou nas míticas areias de Copacabana? O espírito e a energia que nortearam a festa da virada, inspirados por uma iluminação caprichada e pelas sensacionais imagens projetadas no fundo do palco emoldurado pelas luzes da Princesinha do Mar.

Demorei um dia para voltar ao Rio. Como grande parte dos brasileiros passei o primeiro de janeiro sintonizada em Brasília na terceira e, acho que mais emocionante, posse do presidente Lula.

Imagina a vontade de fazer do fim de tarde do dia 2 de janeiro, uma segundona, um “modelo” para as mais de 50 aberturas de semana de 2023...

O destino foi a entrada do Arpoador onde, com milhares (sim eu disse milhares, a praia estava lo-ta-da) de turistas, lagarteei ao sol de fim de tarde sentada na mureta aos pés de Tom Jobim.

Não, nada de mar ou areia que é para deixar Iemanjá complementar o incrível trabalho dos garis cariocas, tendo tempo de limpar a carga deixada em seus domínios na noite da virada. Pés na areia e mergulho no mar, aquele primeiro do ano, só depois de uma virada da maré.

Enquanto isso, cedo o espaço aos visitantes que lotam um dos mais lindos cartões postais brasileiros (para ser modesta), me deliciando com o som feito por um músico de rua e seu violão amplificado.

Pôr do Sol no Arpoador 2023

Pode ser que, como acontece a cada verão, o novo ano venha cheio de esperanças e desejos que, nem sempre, se realizam. Pode ser. Mas agora, nesse momento, como grande parte dos brasileiros, mentalizo as melhores vibrações.

Desejo a todas as pessoas de bem e, claro que a você, leitor que me acompanha, apenas que nossos sentidos se abram para receber as energias positivas que emanam dessa incrível passagem de ciclo, promessa de novos desafios e realizações.



*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Quase lá, réveillon, corre que o carnaval vem aí!



Quase lá, réveillon, corre que o carnaval vem aí!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Depois da Copa do Mundo de Futebol vem o quê? Natal, réveillon e... é quase carnaval!

Que ano estranho. O fôlego do sambista teve que ser amplificado e fortalecido com a redução do tempo de preparação dos trabalhos que, normalmente, acontecem num ciclo anual. O último desfile foi quase ontem, em abril de 2022, lembra? Ali, um pouco antes do épico e prolongado período eleitoral.

O calendário carnavalesco todo foi encurtado. Da criação, desenvolvimento à gigantesca e meticulosa produção do evento. O carro chefe do turismo carioca acontecerá em 2023, novamente, na sua data correta, dias 17 e 18 de fevereiro. Natal, réveillon, janeiro... O tempo é curto.

Em dezembro, Mini Desfiles e pré réveillons

No meio das emoções da Copa do Mundo de Futebol e antes do réveillon que abre o verão no Rio de Janeiro, a cidade já teve um gostinho da folia durante o 2 Mini Desfile do Grupo Especial na Cidade do Samba, promoção Rio Carnaval, braço de marketing da Liesa. 

O evento abriu o último mês do ano emendado no final de semana de comemoração do Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. O espaço lotou nos dois dias, sábado e domingo, em que as escolas de samba se apresentaram na pista do espaço da Zona Portuária, onde são produzidos carros e fantasias do carnaval do grupo de elite do Rio de Janeiro. 

Os principais segmentos das agremiações do Especial desfilaram na mesma ordem em que passarão na Marquês da Sapucaí em fevereiro, no carnaval 2023.  O formato também foi utilizado, na semana seguinte, no lançamento do CD do Grupo de Acesso, a Série Ouro.

A folia já vinha embalada nos ensaios de rua e nas quadras. Será nelas que fecharão o final de dezembro. Dia 30, várias escolas de samba fazem festas. Na Mangueira o já tradicional pré réveillon é a “Noite do Branco”, com a participação do Cordão do Bola Preta. A Portela festeja com o Cacique de Ramos. O Salgueiro faz a “Roda do Sal”, com Arlindinho e Pretinho da Serrinha, entre outros bambas. É só escolher!

O carnaval da virada

O pensamento no bem-estar das gerações futuras é a mensagem carioca no retorno do maior réveillon do mundo, o da praia de Copacabana. Baseado na tecnologia e na sustentabilidade a festa terá, novamente, carbono neutro. Repete os cuidados do ano anterior em que o evento ganhou o selo Sustentabilidade Tesouro Verde, um atestado de ética ambiental.

Também na virada, a programação da Prefeitura do Rio de Janeiro traz o samba e o carnaval para os palcos espalhados pela cidade.  Em Copacabana serão dois.

No principal, na altura do Copacabana Palace, a festa é com Zeca Pagodinho (enredo da Grande Rio em 2023), Iza, Alexandre Pires e a bateria da campeã do carnaval.

A escola de Duque de Caxias, homenageando Exú, orixá que abre os caminhos, chegou ao primeiro título de sua história em 2022. Boas vibrações pra virada. Caminhos abertos, repletos de esperanças para o novo ano que, dizem os guias, será regido por ele, o orixá da comunicação, e Oxum, a dos rios.

O segundo palco, o Carioca, na Santa Clara, tem Mart´nália, Preta Gil, Gilsons, Bala Desejo e os ritmistas da Beija-Flor.

Momento emblemático da noite, os fogos da passagem do ano, “piromusicados” (palavra nova), terão 12 minutos e, como em todos as edições, a tecnologia acrescenta novidades ao espetáculo dirigido há 14 anos por Abel Gomes. Controlados por GPS, os fogos serão lançados por 10 balsas em frente a Princesinha do Mar.

A novidade é que a íntegra da festa do palco Copacabana será transmitida em tempo real pelo canal do Youtube da Riotur, http://youtube.com/@Rioturoficial

Acabou? Não, está só começando...

O verão carioca se consolida com muita praia e os finais de semana cheios de programas para os foliões por toda a cidade. Pelas ruas, quadras, blocos e festas. Sem esquecer os aguardados ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, passagens obrigatórias para os amantes da folia, entre 15 de janeiro e 12 de fevereiro.

Depois? É carnaval...    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto da série “É Carnaval” do SEM FIM... @delcueto.studio na Colab55


quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Se não por mim

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Subi a rua desenhando a crônica e mapeando as orquídeas penduradas nas árvores que começam a florir.

Esses sinais multicores iniciaram o movimento de renascimento da fênix. “Se elas podem, por que eu não?” Parece fácil falar, mas daí a execução da tarefa há um longo caminho a ser percorrido.

Tomei uma invertida no meio do ano e desabei. Minha redoma protetora ficou mais estilhaçada que as paredes de vidros metralhados da torre do Nakatomi Plaza no filme Duro de Matar. Como o John McClane, de Bruce Willis, não conseguia me mover sem sangrar. No meu caso, não os pés, mas o coração.

Sem a redoma, fiquei sincera. O que é péssimo esses tempos em que a arte de ser falsa fingida está em alta. Para não espanar geral me recolhi e auto dediquei à minha persona a acuidade da sinceridade intrínseca.

O universo resolveu colaborar com a desconstrução desconfigurando o hub do Sem Fim de forma, até o momento, irreversível. Está tudo lá, mas nem a busca funciona. Um retrato cruel da própria autora. No caso, euzinha.  Não sucumbi às adversidades. Já tentei vários restarts. Cortei os cabelos, mudei o percurso…

Mas é a vida que manda e foi ela que me derrubou, por exemplo, no dia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Festa linda na Cidade das Artes que assisti pelo Canal Brasil. Na véspera fui pega no contrapé de uma gripe alérgica turbinada pelas obras do sétimo e do quarto andares.  

Ensanduichada pela falta de civilidade das empresas contratadas para botarem abaixo os dois imóveis, o que me resta é apelar para quem não está nem aí diante dos problemas dos outros. Barulho, makita, poeira, sujeira, etc.

O que, como já disse, também não é suficiente para mover a inabalável vontade que sinto de virar esse jogo. A reação tem que acontecer, respeitados os sinais.

Pois foi assim, ainda me recuperando, que cheguei na praia em Copacabana para registrar a ressaca que chupou a areia da ponta o Forte de Copacabana.

Estava sentada num banco gravando o mar entre Drummond e Dorival Caymmi quando a meus pés a PM cercou quatro “elementos” e começa a revista-los. Um monte de gente vazou de perto. Não me movi. Não era o caso. Os rapazes tinham apenas duas bolsas pequenas, essas que estão na moda. Fiquei ali com a câmera na mão.

O que me fez sair da inércia foi ver o quadriciclo em que dois policiais vieram pela água se movendo com a força das ondas na subida da maré. Achei por bem avisar a um deles e cair fora. Dura a gente vê a toda hora, só não queria testemunhar a navegada do veículo militar. Saí batida e cortei pra Ponta chegando na bateria final do Arpoador Classic 2022.

Aí, a maré virou a meu favor. Na água, disputando com Leandro Bastos, o locutor anunciou Pikachu. Cria do Pavão/Pavãozinho/Cantagalo, o PPG, o surfista é um dos fenômenos da geração Arpoador.  Há alguns anos fiz umas fotos de um garoto voando no pedaço. É o mesmo!

Já contei numa crônica do Sem Fim que fotografar ondas e surfistas é um ótimo treino de meio de ano. Afina o foco e a mira para os desfiles da Sapucaí, né? Desprezei a poderosa para brincar com o zoom da câmera compacta.

Foi dela que saíram poucos registros do Arpoador Classic 2022, onde a janela da minha alma se abriu pra mostrar o talento de Anderson Pikachu e me juntar, como posso, a torcida do vizinho que, aos 22 anos, busca seu espaço entre os feras do surf profissional brasileiro.  

Quando fui marcar o perfil @pikachu_anderson97 no Instagram estava lá a campanha em busca de apoiadores e de um patrocinador master. Quer saber, leitor? Foi por isso que essa crônica nasceu. Pra juntar esforços na busca de recursos pro surfista. Que não levou essa, mas levará muitas com seu talento.

A vida é assim, se não por mim, por quem tenta fazer da sua própria história, um SEM FIM…

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Arpoador” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

Ipanema 220813 080  Surf Legends Arpoador 2022 final surfista prancha Pikachu
@delcueto.studio na Colab55

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Quer comprar?

Quer comprar?

Texto, fotos e vídeos de Valéria del Cueto

Dobrou a esquina procurando espaço aberto em direção à praia. Mas não chegou a atravessar as pistas. Justo naquela rua não havia sinal nem faixa de pedestres que permitisse a passagem segura para a orla.

Pegou o calçadão caminhando no desenho das pedras portuguesas, um dos patrimônios paisagísticos de Burle Marx na cidade maravilhosa, cartão postal do Rio de Janeiro.

Naquele trecho não havia bancos para descansar contemplando a vista, somente as árvores que se esparramavam em desenhos inesperados correndo atrás da luz do sol, derramadas sobre a calçada.

Era um dia que ficou azul. Começou cinzento. O vento afastou a bruma e mudou o humor das nuvens, reverberando o contraste do caminho. De um lado a natureza, céu, mar, areia, praia. Do outro, concreto e a mão do homem, no trabalho maravilhoso do paisagista sob os pés da muralha de prédios da Avenida Atlântica, em Copacabana.

Carros estacionados, ao longe moradores. Os de rua perambulando, os dos prédios passeando seus cachorros, turistas... tudo igual naquela quarta-feira, início de março.

O olhar que vagava na mesmice do verão pós carnaval foi atraído por um conjunto de elementos incomuns na paisagem. Vários elementos.


Ter caçambas recolhendo material das obras em apartamentos da orla não era incomum. Cercada de catadores que nos containers garimpavam tesouros, inclusive. Mas aquela espécie de burro sem brabo malocado no emaranhado de troncos distorcidos entre um grupo de árvores era incomum.

No carrinho de ferro uma pilha de pedaços de corpos rígidos, brancos e cores da pele. Pernas, braços troncos e nádegas amontoadas. Tudo, menos as cabeças. O brilho da superfície fria dos manequins contrastando com o formato orgânico, caótico dos troncos e o corte irregular das pedras portuguesas.
Enquanto explorava os objetos, rodeando a “instalação”, uma imagem delirante de sobrepõe. Os corpos passaram a serem reais, ali amontoados!

Buscou avidamente alguém no entorno. Procurava explicação para o conjunto ali exposto. Não viu ninguém. É como se o mundo tivesse parado, esvaziado.

Para se convencer de que a visão dos corpos reais era apenas ilusória, talvez efeito do vinho consumido no almoço na Trattoria, ali atrás, racionalizou. Raciocinando, não podia ser real o seu delírio porque faltava sangue! Duas piscadas depois os corpos desnudos voltaram a ser apenas bonecos inanimados. Sem cabeças.

Mais uma vez deixou o olhar vagar procurando quem explicasse os adereços surreais naquele lugar.

https://youtu.be/jQhpIfMa-3w
Uma mulher se aproximou observando a pilha de corpos imóveis inquirindo. “Serão de quem?” perguntou, observando os corpos em vários ângulos antes de explicar. “Se tivessem cabeça até me interessava”.

“Quer comprar?” A voz vinha do nada. Tirando o cachorro que arrastava o dono que dobrava a esquina ao longe não havia viva alma no calçadão. Depois de hesitar, a mulher conversou com o vazio perguntando a origem dos corpos mutilados. “Preciso de cabeças, por acaso não tinha por lá?”
Do alto dos galhos das árvores a resposta veio ligeira. “A Gente pegou o que tinha. Era tudo isso aí. Que comprar? “Só queria as cabeças”, respondeu a interessada. Como não tinha, seguiu solitária pelo calçadão enquanto o observador silencioso rodeava o grupo das árvores em busca de ângulos inusitados dos objetos em cima do burro sem rabo.

Da galharia novamente a oferta. Dessa vez para o dono do cachorro que veio chegando. Puxava o “chefe” pela coleira. Se aproximou para farejar as rodas do carrinho. Não foi só a ele que a visão causou uma sensação estranha.

Como sabia o texto do diálogo que aconteceria e já esgotara as possibilidades fotográficas, seguiu o seu caminho em direção ao posto 6.

Carregado pela nuvem etílica que o embalava, esqueceu o material capturado e do estranho diálogo. Perdido num sonho delirante, uma miragem ilusória do último passeio antes do início do afastamento compulsório definido pelo vírus.

Duas ou três luas de isolamento provocado pelo flagelo da Covid-19, remexendo nos arquivos ressurgiram as imagens. Uma premonição visual do que acontecia na vida real.
Foi aí que veio à memória a pergunta que não deveria calar, o enunciado do enigma que desafiava a humanidade.

“Quer comprar?”


Clique aqui oou na foto para acessar a sequência de fotos que inspirou o texto no Flickr
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*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

domingo, 5 de janeiro de 2020

Mangueira 2020 Reveillon em Copacabana

Mangueira 2020 Reveillon em Copacabana

By  on 05/01/2020

A Estação Primeira de Mangueira, campeã do carnaval 2019, encerrou a festa do Réveillon de Copacabana em 2020. A queima de fogos da praia carioca é uma das mais esperadas na virada do ano. Milhões de pessoas acompanham ao vivo ou pela TV o show da virada, promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Embalados pela Bateria da Mangueira, sua rainha Evelyn Bastos, o cantor da escola de samba, Marquinho Art´Samba, baianas, passistas, o segundo casal de porta bandeira e mestre sala, Débora de Almeida e Renan Oliveira se apresentaram no palco principal do evento.

Clique AQUI para acessar o álbum fotográfico Réveillon 2020 apresentação da Mangueira em Copacabana



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Os vídeos

A escola de samba, introduzida por Milton Cunha e Bia, abriu os trabalhos com o esquenta da Primeira Ala, a Bateria da Mangueira. Mestre Wesley comandava os ritmistas.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=xVU7Kb97bK0?feature=oembed]

A entrada da bandeira da nação verde e rosa

A dança do segundo casal, o mestre sala Renan Oliveira e a porta bandeira Débora de Almeida, apresentou ao público o pavilhão verde e rosa
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=dy4ZKTfGTIM?feature=oembed]

Evelyn Bastos e o samba no pé do morro da Mangueira

Ela domina. Ela seduz. E representa a fina flor da comunidade. Ela é cria do morro e exemplo das novas gerações. Ela é a Rainha de Bateria, Evelyn Bastos.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0pI6KmEbHXU?feature=oembed]

Playlist completa

Pensa que acabou? AQUI o link da playlist com vídeos da participação da verde e rosa na festa da virada carioca. É ó clicar para acessar a queima de fogos na íntegra e as participações da ala das Baianas, dos passistas ao som de sambas como o campeão do ano passado e, especialmente, o hino que embalará a Mangueira no carnaval 2020, com direito a um lembrete muito importante do intérprete Marquinho Art´Samba. Veja lá…


[youtube https://www.youtube.com/watch?v=videoseries?list=PLNVGym3VNemBkyakmXjFWnP-MhcNk_j07]
O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa. Curta nossa página no Facebook e faça sua inscrição no Canal del Cueto no Youtube. Desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca.
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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Mosaico na escadaria


Mosaico na escadaria ao lado da Sala Baden Powell, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.
Sempre passo por ali quando almoço com del Cueto, o pai, às terças-feiras. É bem na quina da Copacabana com a Fernando Mendes, perto do Copacabana Palace.

Aquele canto meio escuro, que começa com teclas de piano e termina numa claridade ofuscante que não deixa ver o que há lá em cima fazia parte da lista de lugares que tinha curiosidade de explorar.

Até que numa dessas terças havia um movimento extra por ali. A primeira coisa que chamou minha atenção foi o desenho das teclas combinando com um pedaço da saia da moça que estava "derramada" no caminho.  Sinal de parada para fiscalizar o trabalho de composição e colagem de novas peças em outras partes do mosaico da escadaria.

Entre baldes, latas, pedaços de azulejos, espelhos, outros objetos decorativos, vários instrumentos de trabalho e uma bicicleta, lá estavam Júlio e Fiorella.

Tantas eram as possibilidades para explorar (com um certo cuidado, descobri rapidamente na primeira tentativa de recuar o quadro) no espaço de trabalho deles que, mais uma vez, não cheguei ao final da escadaria.

Parei na atividade do casal e procurei aproveitar a onda da garrafa de vinho que havia tomado no almoço na Trattoria para explorar as imagens que foram surgindo na tarde de 02 de abril de 2019.

Clique AQUI ou na foto para acessar o álbum Mosaico na escadaria

Mosaico na escadaria
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Algumas dessas fotos estão na coleção Getty Images de Valéria del Cueto, as demais fazem parte do acervo da fotógrafa em @no_rumo do Sem Fim

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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Réveilllon 2019 em Copacabana



Baby do Brasil com sua espada Jedy cortando o mal e rezando o Pai Nosso, Gilberto Gil e família e... Ludmila. Para fechar a festa a Beija Flor de Nilópolis.

Estes foram os destaques do palco da virada em Copacabana, point esse ano, segundo as informações da Riotur, de 2 milhões e meio de pessoas que vieram comemorar o ano novo e ver os tradicionais fogos de artifício que emolduram a Princesinha do Mar.

A festa se concentrou em um único palco que criava um novo elemento no cenário do Copacabana Palace, voltado para o lado do Leme, onde se via a maior concentração de animados visitantes. No restante da orla dava para passear tranquilamente, tanto antes da virada como depois das comemorações.

Em alguns pontos havia reuniões de grupos que curtiam o calor da noite carioca. Cada um com sua música e seu estilo, já que o som oficial não era ouvido apenas algumas quadras depois do palco.

Clique AQUI  para abrir o álbum Copacabana na virada


Não achou fotos dos fogos? Estão no vídeo abaixo as imagens no céu da virada. Normalmente faço vários trechos, para nos intervalos fotografar, mas acabei mudando a rotina para registrar integralmente a trilha sonora épica e apocalíptica de João Brasil nos 14 minutos de foguetório.


Agradecimentos à valorosa equipe da Riotur.

Material produzido por Valéria del Cueto para @no_rumo do Sem Fim...
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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Não fui eu nem ninguém...

Não fui eu nem ninguém...

Texto e foto de Valéria del Cueto

Mas bem que poderia ter sido, avalia Pluct Plact, o simpático extraterrestre. Empoleirado num banco da orla de Copacabana, Rio de Janeiro, na altura do Posto 5, ele ainda tenta realinhar as coordenadas e fazer uma leitura correta de sua latitude e longitude. Era por ali, mas mais para acolá.

Tudo começou com mais uma tentativa (frustrada) de partir desse para mundos melhores confiando na nesga temporal aberta (teoricamente) pelo final da Semana Santa.

Afinal, se esse é um tempo de renovação e ressurreição poderia, também, ser o contexto exato para ultrapassar a barreira formada pelo aumento imensurável do buraco na camada de ozônio. É ela que vem impedindo o retorno da nave de Pluct Plact ao curso natural de sua histórica trajetória intergaláctica.

Deu ruim, muito ruim. O impacto foi tão ampliado que reverberou centenas de quilômetros abaixo da crosta terrestre, na parte norte do meio do continente sul americano. Bem em baixo da Bolívia, quase tocando no Chaco paraguaio! E isso não foi nada, considerando que pelas bordas é que se sentiu o tremor provocado pela tentativa inglória da cuspida sideral.

Sendo assim, Pluct Plact não estranhou o que quase provocou pânico, por exemplo, no centro financeiro do país, quiçá da América do Sul.

A baixa de pressão, a tontura que pegou no contrapé, especialmente os frequentadores dos edifícios mais altos de um dos metros quadrados mais valorizados quando o assunto é status imobiliário, não foi nadica de nada. Apenas uma sensação de cosquinha no estômago e uma correria bem civilizada, por sinal, em direção a segurança da “terra firme” na calçada da fama paulistana.

E o sacode se espalhou por outras bordas brasileiras. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e até São João do Meriti, no Rio de Janeiro. Só não foi um strike no já altíssimo stress da esgarçada camada social local porque, graças a esse Deus que, dizem é brasileiro, não aconteceu nada de mais sério. Cá entre nós, valeu o aviso!

E aqui está Pluct Plact. Ainda meio variado pelo impacto do lançamento e consequente retorno “pinado”, procurando forças e vontade para encarar o que provocou sua última tentativa desesperada de picar sua  mula espacial.

Acontece que, em ficando, será necessário aproveitar a fresta da luz cheia para visitar uma certa cronista enclausurada (voluntariamente) do outro lado do túnel.

Ela (ainda) é sua melhor amiga e confidente e, por e para ela, ele relatou os últimos e não tão últimos acontecimentos do mundo exterior. A intenção sempre foi manter o interesse da cronista desiludida no incrível mundo que a cerca.

Só que Pluct Plact já não se considera dono de cem porcento da sua capacidade descritiva e analítica para poder narrar os fatos ocorridos na vida nacional com isenção.

É tanto vai e vem, tanto “diz que me disse, mas não fui eu que falei” que em determinado momento nem os computadores de última geração espacial conseguem captar, analisar e depurar o “quem é o que” dos últimos acontecimentos. Acrescente-se a essa gororoba as chamadas Fake News, seus mentores, os robôs distribuidores e os incautos disparadores involuntários. Virou uma “nhanha”.

Até aí, dava para segurar. O “xis” da questão é o que virá. Sacolejo físico é uma coisa, rebordosa do terremoto moral e social, outra bem diferente.

Não precisa ter bola de cristal ou consultar os astros (objetos de desejo para nossa testemunha involuntária) desse período - no mínimo, caótico-, para saber que se já está ruim, tudo sinaliza que ainda pode piorar, sim...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com


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