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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Essa difícil vida fácil

Essa difícil vida fácil

Texto, foto e vídeo de Valéria del Cueto

Consegui! Cheguei na praia. Por incrível que pareça, a primeira de 2026. Antes, só caminhadas pela orla. Resultado: escassez de crônicas, incluindo as carnavalescas.

Agora não dá mais pra enrolar. O tempo melhorou e, como dizia Giovanne Improta, personagem de José Wilker, “O tempo ruge e a Sapucaí é grande”. Ruge e fica concentrado. Em três finais de semana teremos passagens das 12 escolas de samba do Grupo Especial pela pista três vezes.

Faz a conta comigo: dois com ensaios técnicos de todas as agremiações do Especial, incluindo testes de som e luz do sambódromo, mais o desfile oficial e a passagem das quinze escolas da Série Ouro, o grupo de acesso, de sexta a terça-feira do carnaval. Bota na lista o cortejo de lavagem da pista e parte do grupo das crianças.  

A outra parte desfila na sexta-feira, antes do Desfile das Campeãs, no sábado depois do carnaval, com as seis escolas melhores classificadas no Desfile Oficial. Contando com as Campeãs, teremos, então, mais um final de semana. Quatro no total!

Como dizia Vinícius de Morais, “é preciso peito de remador” para aguentar esse rojão e viver um grande amor...

Antigamente parte dessas atividades eram distribuídas em deliciosos finais de semana desde o dia Nacional do Samba, 2 de dezembro, até o carnaval. Agora, como tudo na vida, o calendário carnavalesco ficou compacto e extenuante. A resposta que dou a esse excesso de atividades é ficar seletiva, deixando de lado uma qualidade que parece extinta: a contemplação.

Falei em excesso de atividades? Então vamos acrescentar na nessa listinha, que parece uma corrida maluca iniciada com a abertura do Fan Fest Rio Capital do Carnaval no dia do padroeiro da Cidade Maravilhosa, São Sebastião, 20 de janeiro, o encontro de 1243 ritmistas na praia de Copacabana. A Super Bateria entrou para o Guinness, o livro dos recordes.


Foi apenas a abertura da programação que o Rio Carnaval preparou para mostrar o que é e como se prepara “o maior espetáculo da Terra”. Tudo gratuito, mediante a inscrição no aplicativo do evento.

Junto, foi dada a largada dos desfiles dos 462 blocos cadastrados na programação da prefeitura para se apresentarem no centro da cidade e em vários bairros cariocas. Fora aqueles que saem no susto, em desfiles paralelos, tipo flash mob, marcados em cima da hora!

A região do Saara, a 25 de março local, fervilha de foliões e turistas em busca de fantasias e acessórios carnavalescos. A novidade é uma tiara de cabelo feita com fios, adereço que parece uma touquinha com penduricalhos de enfeites.

As redes sociais estão lotadas de imagens e sugestões para a folia. Quem não curte carnaval está lascado! Muito mais do que quem não dá a mínima às estrepolias do BBB e fica aturando aquele monte de tolices entre os cortes dos ensaios de rua, discussões sobre enredos, sambas, barracões e os últimos preparativos dos desfiles.

Incluindo a chegada (pra lá de atrasada) dos recursos para finalizar os trabalhos das escolas de samba. A prefeitura só liberou a verba esse ano e o alcaide recebeu os sinceros (?) e públicos agradecimentos das agremiações contempladas. Como se o aperto dos trabalhadores fosse uma coisa normal! O campeão da maldade e maior patrocinador da festa, com R$ 40 milhões, foi o governo do estado.

Cláudio Castro, o governador, que é evangélico, fez o povo do samba pagar todos os seus pecados antes de liberar a verba para o evento que traz mais lucros para o poder público no calendário turístico anual com seus 6 milhões de visitantes e a previsão de vultuosos R$ 5,7 bilhões movimentando a economia.

A indústria do carnaval continua sendo tratada como produto de segunda categoria por quem não respeita nossos organogramas de desenvolvimento de projetos e cronogramas de pagamentos. O dindin estadual foi liberado 29 de janeiro, 14 dias antes do desfile.

Se está ruim para as grandes, imagina para as agremiações dos grupos inferiores.  As maiores escolas ainda têm fôlego para segurar a onda. Mas pensa nos grupos de acesso da Sapucaí e nos que desfilam na Intendente Magalhães. Um verdadeiro desastre na organização das entidades é provocado, ano a ano, pelo atraso na liberação dos repasses. Quanta maldade. E ninguém pode reclamar, é claro...

Parece que as forças superiores concordam comigo. Enquanto escrevia no quadrado que ocupo na canga esticada na areia de Ipanema, as nuvens chegaram correndo pelo céu, antes azul. O vento agita as folhas do caderninho.

Nem me mexo, a chuva que virá será um treino para os dilúvios que ano sim e outro também (com raras exceções), costumamos enfrentar na Sapucaí. Estou apenas preparando minha imunidade corporal.

Vem carnaval, mas sem areia, por favor...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Nunca igual no planeta Carnaval



Nunca igual no planeta carnaval

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Já troquei três vezes de lugar tentando abrir o caderninho para escrever o último texto de 2025. No jardim, na rede e no gramado busco um ambiente ideal para a escrevinhação.

Sem sol, com chuva e frio, preciso reconfigurar os gatilhos que utilizo para encontrar os traços da inspiração quase natalina em meio a conflitos e quizilas locais e internacionais que desviam a atenção e exigem reflexão.

Pra não cair no velho e recorrente tema das retrospectivas, prefiro olhar pra frente, mirar no futuro sem apelar às previsões.

E, vamos concordar, querido leitor, o futuro é logo ali.

Adivinha onde? No carnaval!

Nesse quesito estou em casa... voltei do Centro-Oeste e caí no mini desfile do Dia Nacional do Samba no início de dezembro.

Três dias na pista da Cidade do Samba com direito a prévia, em pequena escala, do que serão as apresentações no carnaval da Passarela sem os tradicionais carros de som. Os que eram o coração do som das escolas na pista da Sapucaí. Agora, tudo será digital e sem fios!


As noites foram recheadas por teasers do que as escolas apresentarão em seus enredos no desfile de 2026.

Como sempre, o carnaval na Sapucaí não será igual ao do ano que passou.

Depois da nova iluminação cenográfica, consolidada no último carnaval, o incremento no sistema de som digital responde a uma demanda crítica e antiga num setor essencial para o espetáculo.

Os testes em larga escala no sambódromo serão nos ensaios técnicos programados para os dois finais de semana que antecedem o desfile oficial, que acontecerá no meio de fevereiro.

Pra quem ainda não abriu o calendário 2026, os desfiles do Grupo Especial do Carnaval Carioca acontecerão de domingo a terça-feira nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. Como esse ano, serão 4 escolas por noite.

Mas a agitação começa antes e não inclui apenas o povo do samba, que produz o espetáculo.

Dia 20 de janeiro, anote aí, uma terça-feira, é feriado no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro da Cidade Maravilhosa. Também será a abertura do projeto Rio Capital do Carnaval.

Os tambores vão batucar num novo espaço das escolas de samba, na ativação (a palavra está na moda) do Carnaval Fan Fest nas areias da praia de Copacabana, altura do Posto 3, na Rua República do Peru.

Durante um mês, a programação trará a festa carioca até a praia mais famosa do planeta, com apresentações das escolas, shows que promoverão encontros entre sambistas e astros da MPB e oficinas às sextas, sábados e domingos.

Os telões do espaço também transmitirão os ensaios técnicos e, claro, os desfiles carnavalescos nos dias da folia.


A festa começa com o desafio de juntar 1.200 ritmistas no espaço para uma performance candidata ao Guinness Book.

Será o registro da maior bateria do mundo com a participação de mestres das baterias e personalidades das agremiações.

Com a iniciativa do projeto Rio Capital do Carnaval a Liesa - Liga Independente das Escolas de Samba expande sua atuação geográfica do Sambódromo e da Cidade do Samba e ocupa o coração turístico da cidade no auge da temporada de verão.

Toda a programação, que se estende até o sábado das Campeãs, na semana seguinte ao carnaval, será gratuita e contará com shows que promovem grandes encontros musicais, como o de Neguinho da Beija-flor e Belo, Pretinho da Serrinha e Marcelo D2 e Jorge Aragão e Gilsons e será anunciada nos próximos dias.

“Inovador, inclusivo e 100% carioca”, segundo define o presidente de Liesa, Gabriel David, o conceito “Sinta o carnaval” do projeto pretende trazer ao público a experiência das etapas de produção dos desfiles por meio das oficinas carnavalescas e promete mais: um cortejo carnavalesco ao pôr do sol de Copacabana. “Estamos quebrando as barreiras entre o público e a festa”, comemora.

Haja coração, prepare as pernas, capriche na resistência! Amplie o fôlego, folião, pois sambar na areia não é pra qualquer um e serão muitas emoções...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É Carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



 Studio na Colab55