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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Quase lá, réveillon, corre que o carnaval vem aí!



Quase lá, réveillon, corre que o carnaval vem aí!

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Depois da Copa do Mundo de Futebol vem o quê? Natal, réveillon e... é quase carnaval!

Que ano estranho. O fôlego do sambista teve que ser amplificado e fortalecido com a redução do tempo de preparação dos trabalhos que, normalmente, acontecem num ciclo anual. O último desfile foi quase ontem, em abril de 2022, lembra? Ali, um pouco antes do épico e prolongado período eleitoral.

O calendário carnavalesco todo foi encurtado. Da criação, desenvolvimento à gigantesca e meticulosa produção do evento. O carro chefe do turismo carioca acontecerá em 2023, novamente, na sua data correta, dias 17 e 18 de fevereiro. Natal, réveillon, janeiro... O tempo é curto.

Em dezembro, Mini Desfiles e pré réveillons

No meio das emoções da Copa do Mundo de Futebol e antes do réveillon que abre o verão no Rio de Janeiro, a cidade já teve um gostinho da folia durante o 2 Mini Desfile do Grupo Especial na Cidade do Samba, promoção Rio Carnaval, braço de marketing da Liesa. 

O evento abriu o último mês do ano emendado no final de semana de comemoração do Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. O espaço lotou nos dois dias, sábado e domingo, em que as escolas de samba se apresentaram na pista do espaço da Zona Portuária, onde são produzidos carros e fantasias do carnaval do grupo de elite do Rio de Janeiro. 

Os principais segmentos das agremiações do Especial desfilaram na mesma ordem em que passarão na Marquês da Sapucaí em fevereiro, no carnaval 2023.  O formato também foi utilizado, na semana seguinte, no lançamento do CD do Grupo de Acesso, a Série Ouro.

A folia já vinha embalada nos ensaios de rua e nas quadras. Será nelas que fecharão o final de dezembro. Dia 30, várias escolas de samba fazem festas. Na Mangueira o já tradicional pré réveillon é a “Noite do Branco”, com a participação do Cordão do Bola Preta. A Portela festeja com o Cacique de Ramos. O Salgueiro faz a “Roda do Sal”, com Arlindinho e Pretinho da Serrinha, entre outros bambas. É só escolher!

O carnaval da virada

O pensamento no bem-estar das gerações futuras é a mensagem carioca no retorno do maior réveillon do mundo, o da praia de Copacabana. Baseado na tecnologia e na sustentabilidade a festa terá, novamente, carbono neutro. Repete os cuidados do ano anterior em que o evento ganhou o selo Sustentabilidade Tesouro Verde, um atestado de ética ambiental.

Também na virada, a programação da Prefeitura do Rio de Janeiro traz o samba e o carnaval para os palcos espalhados pela cidade.  Em Copacabana serão dois.

No principal, na altura do Copacabana Palace, a festa é com Zeca Pagodinho (enredo da Grande Rio em 2023), Iza, Alexandre Pires e a bateria da campeã do carnaval.

A escola de Duque de Caxias, homenageando Exú, orixá que abre os caminhos, chegou ao primeiro título de sua história em 2022. Boas vibrações pra virada. Caminhos abertos, repletos de esperanças para o novo ano que, dizem os guias, será regido por ele, o orixá da comunicação, e Oxum, a dos rios.

O segundo palco, o Carioca, na Santa Clara, tem Mart´nália, Preta Gil, Gilsons, Bala Desejo e os ritmistas da Beija-Flor.

Momento emblemático da noite, os fogos da passagem do ano, “piromusicados” (palavra nova), terão 12 minutos e, como em todos as edições, a tecnologia acrescenta novidades ao espetáculo dirigido há 14 anos por Abel Gomes. Controlados por GPS, os fogos serão lançados por 10 balsas em frente a Princesinha do Mar.

A novidade é que a íntegra da festa do palco Copacabana será transmitida em tempo real pelo canal do Youtube da Riotur, http://youtube.com/@Rioturoficial

Acabou? Não, está só começando...

O verão carioca se consolida com muita praia e os finais de semana cheios de programas para os foliões por toda a cidade. Pelas ruas, quadras, blocos e festas. Sem esquecer os aguardados ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, passagens obrigatórias para os amantes da folia, entre 15 de janeiro e 12 de fevereiro.

Depois? É carnaval...    

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto da série “É Carnaval” do SEM FIM... @delcueto.studio na Colab55


terça-feira, 11 de outubro de 2022

Horizonte


Horizonte

Texto e foto de Valéria del Cueto

Se não for no tranco é barranco. Não estava nos planos uma carta na manga no meio do caminho que era para ter terminado ali atrás. Não sei aí, querida cronista, mas por aqui é hora de sair da inércia.

Há muito em jogo! No momento, na mão de poucos. Isso, se compararmos com o total impactado pela decisão das urnas no Brasil. Falo dos que agora escolherão seu presidente migrando de outras opções, dos candidatos derrotados, votos nulos, brancos, abstenções. E, quer saber? Amiga isolada do outro lado do túnel, introjetei o espírito desse eleitor e já tenho lado.

O que não faz do seu amigo Pluct Plact, esse extraterrestre extraviado, um ser incapaz de ouvir os opositores. Ouvir, tentar entender e, confesso, não compreender como tantos se revelam (e como o fazem) diante das opções disponíveis. Que os incautos caiam na ladainha da família ameaçada, da liberrrrdade sem reciprocidade, da fé sendo testada nas colinhas obrigatórias, até entendo.  Mas tenho visto coisas que até Deus duvida quando o assunto é respeito e sensibilidade social.

Transformar a religião em arma de guerra é pecado. Quanta iniquidade é violentar a fé, armar o credo. Tirar de Jesus o manto do amor, da bondade, o estender as mãos aos desvalidos, senão vira... comunista! Como sabe quem, querida amiga? O pop Papa Francisco.

Os próximos dias serão de provação nessa terra, que ironia, abençoada por Deus. Enquanto alguns jejuam por um deus impiedoso da guerra, outros o fazem por necessidade, falta de opção. Não há trégua no avanço do obscurantismo, falsamente intitulado de conservadorismo, dessa extrema-direita com embalagem Nutella.

Eu, graças a vasta experiência no tempo sideral e espaço interplanetário, não coaduno com quem quer calar os oponentes, transformar os que discordam em inimigos. O que não deu certo em outras galáxias, também vai dar ruim aqui, lamento informá-la.

Isso não é política. É a semente maléfica da ditadura, daquele mesmo mal que volta e meia ameaça a evolução. Esse modelo nefasto de governo que você já viu quando era criança e sei, não quer ver nunca mais.

Entendo porque não faz parte do seu perfil ser a favor da tortura, do desrespeito os poderes constituídos. Justo você. Raiz, tronco, galho, folha, flor, fruto e semente da Constituição de 1988.

Os próximos dias, como tantos em outras eleições em que você participou, como me contou, serão de convencimento, conversa e disputa por cada voto a ser depositado nas urnas.

Em nossos encontros pelo raio de luar que invade a cela onde voluntariamente você está recolhida do mundo, convivi com seus sonhos. Ouvi desejos de paz, do equilíbrio e da harmonia por um país em que todos tenham oportunidades iguais e um governo que provenha e acolha a população. As vibrações que recebo, dessa massa de centenas de milhões de pessoas por onde me embrenho, traz o mesmo desejo de educação, saúde, segurança e uma vida digna.

Não é hora de esmorecer, nem se deixar vencer pelo cansaço de lidar com tantos ataques mentirosos, fake news calcadas em sandices histéricas. Que as diferenças sejam respeitadas, as religiões livres em seus direitos de manifestação. Todas!

Não acho que essas eleições sejam uma cruzada do bem contra o mal, nem que um lado deva aniquilar o oponente, como tentam maldosa e criminosamente insuflar. Sem uma ponte para o diálogo não há política. Prática que, para ser salutar, tem que ser plural.

Se você cronista, (como eu, Pluct Plact, imagino), está entre os votos que decidirão as eleições, pense, antes de tudo, em quem lhe dará o sagrado direito de discordar.

Prepare-se! Saia da toca e se jogue na cabine eleitoral, lugar de todos os brasileiros que (ainda) têm o direito de optar pelo que acham melhor para o país. Você tem duas semanas para se decidir. O horizonte lhe aguarda, pronto para ser vislumbrado.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

@delcueto.studio na Colab55

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Se não por mim

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Subi a rua desenhando a crônica e mapeando as orquídeas penduradas nas árvores que começam a florir.

Esses sinais multicores iniciaram o movimento de renascimento da fênix. “Se elas podem, por que eu não?” Parece fácil falar, mas daí a execução da tarefa há um longo caminho a ser percorrido.

Tomei uma invertida no meio do ano e desabei. Minha redoma protetora ficou mais estilhaçada que as paredes de vidros metralhados da torre do Nakatomi Plaza no filme Duro de Matar. Como o John McClane, de Bruce Willis, não conseguia me mover sem sangrar. No meu caso, não os pés, mas o coração.

Sem a redoma, fiquei sincera. O que é péssimo esses tempos em que a arte de ser falsa fingida está em alta. Para não espanar geral me recolhi e auto dediquei à minha persona a acuidade da sinceridade intrínseca.

O universo resolveu colaborar com a desconstrução desconfigurando o hub do Sem Fim de forma, até o momento, irreversível. Está tudo lá, mas nem a busca funciona. Um retrato cruel da própria autora. No caso, euzinha.  Não sucumbi às adversidades. Já tentei vários restarts. Cortei os cabelos, mudei o percurso…

Mas é a vida que manda e foi ela que me derrubou, por exemplo, no dia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Festa linda na Cidade das Artes que assisti pelo Canal Brasil. Na véspera fui pega no contrapé de uma gripe alérgica turbinada pelas obras do sétimo e do quarto andares.  

Ensanduichada pela falta de civilidade das empresas contratadas para botarem abaixo os dois imóveis, o que me resta é apelar para quem não está nem aí diante dos problemas dos outros. Barulho, makita, poeira, sujeira, etc.

O que, como já disse, também não é suficiente para mover a inabalável vontade que sinto de virar esse jogo. A reação tem que acontecer, respeitados os sinais.

Pois foi assim, ainda me recuperando, que cheguei na praia em Copacabana para registrar a ressaca que chupou a areia da ponta o Forte de Copacabana.

Estava sentada num banco gravando o mar entre Drummond e Dorival Caymmi quando a meus pés a PM cercou quatro “elementos” e começa a revista-los. Um monte de gente vazou de perto. Não me movi. Não era o caso. Os rapazes tinham apenas duas bolsas pequenas, essas que estão na moda. Fiquei ali com a câmera na mão.

O que me fez sair da inércia foi ver o quadriciclo em que dois policiais vieram pela água se movendo com a força das ondas na subida da maré. Achei por bem avisar a um deles e cair fora. Dura a gente vê a toda hora, só não queria testemunhar a navegada do veículo militar. Saí batida e cortei pra Ponta chegando na bateria final do Arpoador Classic 2022.

Aí, a maré virou a meu favor. Na água, disputando com Leandro Bastos, o locutor anunciou Pikachu. Cria do Pavão/Pavãozinho/Cantagalo, o PPG, o surfista é um dos fenômenos da geração Arpoador.  Há alguns anos fiz umas fotos de um garoto voando no pedaço. É o mesmo!

Já contei numa crônica do Sem Fim que fotografar ondas e surfistas é um ótimo treino de meio de ano. Afina o foco e a mira para os desfiles da Sapucaí, né? Desprezei a poderosa para brincar com o zoom da câmera compacta.

Foi dela que saíram poucos registros do Arpoador Classic 2022, onde a janela da minha alma se abriu pra mostrar o talento de Anderson Pikachu e me juntar, como posso, a torcida do vizinho que, aos 22 anos, busca seu espaço entre os feras do surf profissional brasileiro.  

Quando fui marcar o perfil @pikachu_anderson97 no Instagram estava lá a campanha em busca de apoiadores e de um patrocinador master. Quer saber, leitor? Foi por isso que essa crônica nasceu. Pra juntar esforços na busca de recursos pro surfista. Que não levou essa, mas levará muitas com seu talento.

A vida é assim, se não por mim, por quem tenta fazer da sua própria história, um SEM FIM…

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Arpoador” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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sexta-feira, 17 de junho de 2022

Chega de Saudades


É uma proteção afetiva imaginá-los, não saindo daqui, chegando por lá. Aplaca a tristeza projetá-los num lugar melhor, com pessoas que amam. 

Não admito reduzir vidas repletas de realizações a currículos protocolares em que só os cargos contam. 

Com a crônica chuleio pedaços de histórias, costuro sonhos e esperanças vividas, ou não. É assim que tatuo saudades no Sem Fim... Solidificando sentimentos em palavras.

V.

Chega de Saudade

Texto e foto (acervo) de Valéria del Cueto

Querida amiga.

Cartinhas sinceras andam em alta por aí. Então, é por meio desta que dou notícias para lhe dar algum conforto e, se possível, deixá-la um pouquinho feliz.

Consegui essa autorização porque é véspera do seu aniversário e, depois de muito argumentar aqui nas camadas celestiais, venceu meu argumento de que se Mato Grosso não deveria perder Luiz Soares, você, menos ainda, merece carregar essa tristeza. Justamente agora. Foram dois anos de pandemia. O que impediu, inclusive, uma comemoração digna da virada dos seus sessenta anos...

Resumindo: aqui é Fátima Sonoda trazendo com exclusividade (como você gosta) notícias da chegada do Cabeção nas bandas do Além. Pensa que foi suave na nave?

A demanda começou quando avisaram que ele era a bola da vez. A mai-or disputa para definir que iria recebe-lo. Fila, Valéria. Foi no voto que escolheram o portador da novidade para um espantado Luizinho, com trilha musical e tudo! Imagina quando ele deu de cara com Tancredo Neves dando as boas-vindas.

Foi o eleito ao jogar na mesa o fato de que Luizinho era o secretário geral do diretório do MDB de Mato Grosso. O que fez a indicação do seu nome para concorrer nas eleições indiretas de 1984 depois da derrota da emenda das Diretas Já. Dante de Oliveira tentou entrar na disputa, mas Ulisses Guimarães e Dona Mora pesaram da escolha.

Na discussão aproveitei para lembrar da ida a Brasília para acompanhar a votação da Emenda das Diretas quando foi detido nas barreiras rodoviárias! Luizinho apresentava sua carteira de deputado estadual e todos olhavam para aquele garoto de 24 anos, sem acreditar que era um parlamentar! Na época, o mais novo do país.

Sabe quem coordenava a comissão do “senadinho” para recepção aqui do outro lado? A escolha ficou entre referências políticas de Luiz Soares como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta... Guaraci Almeida e Paulo Ronan nas articulações.

Não sobrou pra ninguém. Deu Jorge Bastos Moreno na cabeça. Também, ele apelou para Durval, do dormitório de Santo Antônio de Leverger. Aquele pacú recheado com farofa de couve... a cocada de sobremesa. Feitos na lenha, que aqui não falta no andar de baixo. O primeiro a votar foi Ulisses Guimarães, que adora as iguarias.

Moreno, amigo de infância de Luizinho, nem precisou apelar a todos os seus infinitos argumentos, checados e confirmados com as fontes mais quentes do céu, purgatório e, por que não, do inferno...

Olha, Valéria, claro que houve o susto que todos sentem na passagem. Mas é só até chegar à conclusão de que, tirando as exceções previstas, o ditado “partir dessa para melhor” é mais que uma simples expressão.  Trata-se uma constatação científica que alguma alma rebelde, porém bem intencionada, enviou numa mensagem para ser disseminada no plano terrestre.

Luizinho, por exemplo, já chegou com sua estrutura montada. D. Sueli cuidando do gabinete, Nélson Ribeiro na assessoria de imprensa, Guaraci articulando vibrações para parques nacionais, mananciais e povos indígenas. Não precisa dizer que aí tem minha sabedoria oriental para conduzir esse processo fazendo a ponte com o gordo...

Amiga, pensa em Dindinha e Vó Mita tecendo um manto de amor. Sem mencionar a família. Começando com Dona Filhinha e seo Oscar Soares. Ele, enviando fachos energéticos de orgulhosa aprovação pelo filho que Luiz sempre foi. Trocava recuerdos celestiais com Lindberg Nunes Rocha sobre Poxoréo e Alto Garças.

Lembraram da primeira lei de acessibilidade de Mato Grosso, da primeira CPI proposta contra um governador no Brasil, da relatoria da Constituinte que, com um substitutivo integral, seria uma das mais modernas Constituições Estaduais do país.

Todos o receberam muito bem se dividindo para criar vibrações positivas para sua passagem. Dei alguns palpites. Você me conhece, né? Um em especial. A trilha sonora de sua chegada. Ninguém entendeu nada. João Gilberto, seu ídolo, sem ninguém pedir já sentado no banquinho aqui em cima afinava o violão esperando o silêncio absoluto pós Nina Hagen que abriu o percurso. A gente sabe a diversidade do gosto musical que ilumina aquela alma eclética...

Na literatura, aqui tem de tudo. Um mundo para ele. Mas tive que procurar no fundo da biblioteca a coleção de Tex Willer, verificando se não eram os exemplares que Lorenzo Falcão, pra implicar quando ele estava acidentado na adolescência, arrancava as últimas páginas e deixava sem final.

O ritual de passagem não poderia estar completo sem nossos abraços apertados. Os de João Canrobert, Chico Amorim e o meu! Ciceroneamos Luizinho até a parte esportiva do complexo. O deixamos nas mãos de João Batista Jaudy prometendo voltar assim que sua forma estivesse adaptada a essas novas paragens. O que esperamos, seja em breve. Temos muitas descobertas para apresentar a ele.

Vou terminar por aqui que o papel de carta é limitado. Deixo lembranças, meu apelo e incentivo para que você, e tantos outros que têm em Luizinho um exemplo, não desistam das lutas que travam por aí. Especialmente pela saúde e o SUS, meio ambiente (ela é bióloga!) e a democracia.

Vocês perderam um guerreiro. Ainda têm um exemplo a ser seguido, admirado e sempre lembrado. Uma inspiração nesses momentos tão difíceis.

Um sopro de beijo e um cheiro de terra molhada do cerrado no ar pra você e Lorenzo.

PS: Esqueci do recado. Avisar à Lídia que Charles está bem... 

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

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sexta-feira, 3 de junho de 2022

Império da Tijuca é Samba de Quilombo no carnaval 2022


Olhei com carinho especial a Império da Tijuca, escola de samba que desfila no Grupo Ouro, esse ano por dois motivos.

O primeiro, o enredo desenvolvido pelo carnavalesco Gui Estevão: "Samba de Quilombo: a Resistência pela Raiz". Foi no Granes Quilombo, de Candeia e outros bambas, que desfilei pela primeira vez numa escola da samba, na Ala dos Malês, coordenada por Lélia Gonzalez.  

A segunda razão foi para fazer, mais uma vez, o making of da montagem do mestre-sala Renan Oliveira, dessa vez acompanhado pela porta-bandeira Laís Lúcia. 

O ensaio técnico da comunidade do Morro da Formiga foi sábado, 19 de março de 2022.

(C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Para acessar o álbum de fotos Império da Tijuca carnaval 2022 ensaio técnico no acervo carnevalerio.com no Flickr clique na imagem ou aqui

Na quinta-feira, 21 de abril de 2022, a escola de samba Império da Tijuca foi a penúltima agremiação a se apresentar. Para fazer as imagens do casal de mestre-sala e porta-bandeira Renan Oliveira e Laís Lúcia, tive que "sacrificar" a atenção a escola que antecedeu a do Morro da Formiga, a Vigário Geral. Enquanto ela se apresentava acompanhei na concentração a montagem do casal.


Para acessar o álbum de fotos Império da Tijuca carnaval 2022 ensaio técnico no acervo carnevalerio.com no Flickr clique na imagem ou aqui

De lá, corri para o segundo módulo de julgadores, onde fiz a Comissão de Frente e a apresentação do casal.

Me adiantando pela lateral da pista explorei um outro ângulo enquanto ia para a torre de transmissão para registar em fotos a cabeça da escola e, em vídeo, a dança do casal com o pavilhão. Entrando pela dispersão voei para o final da pista a tempo de fazer, por outro ângulo novamente, a Comissão de Frente e a chegada de Renan e Laís. A partir daí voltei pela Sapucaí fazendo novas fotos das alas, setores e carros da escola...

Ensaio fotográfico e vídeos de (C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Ficam os agradecimentos a todos os que me propiciaram a chance de fazer esses registros para o acervo carnevalerio.com . Obrigado!

@delcueto para CarnevaleRio.com

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domingo, 8 de maio de 2022

Mangueira carnaval 2022, o desfile de 22 de abril

C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Mangueira carnaval 2022, o desfile de 22 de abril

Que carnaval foi esse? Um perto longe que parecia não ter fim e só acabou no ensaio técnico da Mangueira quando reencontrei o povo da Mangueira. Pensei que não ia chegar nunca o desfile. E fui pra ele sabendo muito pouco do que ia acontecer na avenida.

E gostei do que vi. Reencontrar a alegria dos mangueirenses foi muito bom. Da concentração a dispersão foi uma festa surpresa de amigos queridos passando pelas lentes. E o que você verá é o que deu pra res-guardar para o futuro, quando falarem de Angenor, Laurindo & José, enredo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.

Caí na pista movida a sorrisos, olhares e todo o carinho que recebi de vocês. Espero que o resultado esteja a altura. Nem todas as fotos têm a qualidade técnica que o portfólio de um fotógrafo exige, mas todas fazer parte da rede de afetos que nos envolveu. Obrigado!

C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Para acessar o álbum de fotos no acervo carnevalerio.com no Flickr clique na imagem ou aqui

Também gravei três vídeos da Bateria da Mangueira: da preleção de Mestre Wesley na concentração , da entrada da Bateria no Setor 1, sua ida até o Setor 3 (lá registrei a bossa dos ritmistas da Mangueira se apresentando para o público), o retorno para o primeiro Recuo, o Espaço Jamelão, e pra finalizar, uma pala da saída da Bateria Tem que respeitar meu Tamborim na dispersão.

(C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved

Agradecimentos a todos os que abriram os caminhos para a realização dos registros do acervo carnevalerio.com nesse estranho e necessário carnaval de 2022.

Mestre Wesley, Evelyn Bastos, Márcio Neto, demais diretores e aos incríveis e insubstituíveis ritmistas da Bateria Tem que Respeitar Meu Tamborim, meus agradecimentos. Assim como ao Diário de Cuiabá, parceiros, Liesa, Riotur...

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no Canal del Cueto, no Youtube de (C)2022 Valéria del Cueto, all rights reserved
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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Enfim, o título da Grande Rio. Fala, Majeté!


Foi na encruza de Duque de Caxias que a esperança acendeu e firmou o ponto no carnaval 2022.

Enfim, o título da Grande Rio. Fala, Majeté!

“Fala Majeté! Sete Chaves de Exú” mostrou que o caminho para o título tão almejado nunca foi o do luxo e dos famosos que fazi am a fama da Grande Rio.

O pote de ouro no final do arco-íris estava bem ali, nas ruas, nas feiras, no carnaval, nas encruzilhadas, na história de Estamira, a catadora de lixo com problemas mentais, retratada no documentário de Marcos Prado, no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, que conversava com o orixá pelo telefone.

Confeccionado com restos de material do barracão, o carro da Grande Rio é uma obra de arte.

A façanha inédita era o objeto de desejo da comunidade de Duque de Caxias, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, desde que a Grande Rio ancorou definitivamente no Grupo Especial, em 1993.

Seu desfile seduziu o público presente no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Ficará na memória como um dos mais empolgantes do… século!

A forte mensagem do Salgueiro: Resistência!

Não foi exatamente um carnaval tranquilo. A começar pelos problemas de estrutura, o que é de se estranhar depois do período conturbado de Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio. Quem pensou que Eduardo Paes pegaria o trem na estação onde desembarcou no final de seus 8 anos de prefeitura perdeu feio a aposta.

Do credenciamento conturbado, passando pela falta de segurança no entorno e a precariedade do sistema de transporte, até chegar a estapafúrdia novidade, a iluminação milionária da pista, o que se viu foi uma sequência de erros e equívocos inaceitáveis para quem não era marinheiro de primeira viagem.

Mesmo assim, Dudu Boa Praça fez a fama e se sentiu à vontade pontificando em cada escola mostrando sua  intimidade com o povo do samba.

A nova iluminação da pista cantada em verso e prosa é, para dizer o mínimo, um desconforto para o público nos intervalos entre as apresentações. Ninguém via ninguém entre as idas e vindas erráticas dos fachos de luzes e a troca das cores performáticas do equipamento composto por 144 moving lights, 144 projetores de led, duas mesas de controle DMX, rede de controle, 24 quilômetros de fibra, etc, ao custo aproximado 16 milhões de reais.

Nos desfiles a luz fixa, mas irregular, dificultou os registros de vídeos e fotos e, com desenho luminoso antes e depois das escolas, se perdia a profundidade das imagens. Prejuízo geral. Especialmente para quem pagará a extravagância desnecessária gerada por meio de uma Parceria Público Privada: o povo carioca.   

No quesito sonorização, em vez de excesso, houve ausência de qualquer melhoria no sistema. Esse, sim, um gargalo que a organização do carnaval não consegue solucionar, apesar de ser elemento essencial ao desempenho das agremiações e solicitação recorrente.

As deficiências foram minimizadas pelas saudades sentidas por milhares de componentes e o público, ávidos por sentirem, novamente, brotar a energia do amor incondicional que o Desfile das Escolas de Samba desperta em cada folião.

DESFILE DAS CAMPEÃS

A forte mensagem do Salgueiro: Resistência!

Foi por um décimo que o Salgueiro ficou entre as 6 escolas do desfile das campeãs. Desbancou a Mangueira, com o mesmo número de pontos da Mocidade, mas uma posição acima pelo critério de desempate. “Resistência”, o enredo de Alex de Souza, é um libelo à força da raça, à luta do povo negro e suas conquistas.

Lucinha Nobre e Marlon Lamar, o casal da Portela.

Resistência segue na fita da segunda escola a se apresentar, agora em sua forma orgânica, o Baobá. “Igi Osè Baobá”, enredo da Portela, fala do pilar que une o céu a terra, a árvore da vida, da… resistência. A porta-bandeira Lucinha Nobre, vencedora do Prêmio Estandarte de Ouro, desfalcará a escola de Madureira. Indo dar um beijo em seu irmão durante a passagem da escola que fechou a disputa do Grupo Especial, no sábado, Lucinha quebrou o pé.
Iaiá do Cais Dourado, do samba enredo de Martinho, representada pelas baianas da Vila.

Esse irmão é Dudu Nobre um dos autores do samba sobre Martinho da Vila que deu o quarto lugar à Vila Isabel num desfile pra lá de animado. Saudar a vida e a carreira do compositor só poderia ser dessa maneira. Uma festa familiar e popular na avenida.  
Eita família animada! Dandara Ventapane, porta-bandeira do Paraíso do Tuiuti, se diverte na homenagem a seu pai, Martinho da Vila.

Essa animação vai continuar com a Viradouro, a terceira colocada. Talvez, sem estar numa disputa, o delicioso samba da “carta sincera” possa ser levado em um andamento um pouco menos acelerado, o que tornará a passagem da escola de Niterói mais leve e solta.
Ludicidade na concepção visual da história de amor do Pierrô da Viradouro.

O quilombo nilopolitano ocupará a Sapucaí ao som inconfundível da voz de Neguinho da Beija-Flor impondo, mais uma vez, a força da comunidade que quase levou mais um título com o enredo de Alexandre Louzada “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”.
Recado do Quilombo Beija-Flor sobre racismo e democracia.

Conhecida como a escola dos globais e do glamour, foi com a chegada de dois carnavalescos que estreavam no grupo Especial, Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que a Grande Rio deu uma guinada na temática de seus enredos. Se voltou para o próprio universo, foi vice no último carnaval. Bateu, mais uma vez, na trave com o enredo sobre o famoso babalorixá Joãozinho da Goméia. O samba dizia: “Eu respeito seu amém, você respeita minha fé”.

Não por acaso o tema deste carnaval foi lançado no dia 13 de junho, dia do orixá Exu. A divindade é o senhor dos caminhos, a energia do movimento que a igreja sincretizou em demônio, em ser do mal. Desmistificar essa visão era um dos objetivos do enredo caxiense que levantou a Sapucaí. Levou o campeonato, o primeiro da Grande Rio.
Oxum é destaque na criação de Alexandre Louzada, carnavalesco da Beija-Flor.

O desfile das Campeãs do RJ será transmitido no sábado, pelo Multishow, a partir das 21:15h, horário de Brasília.

Ordem dos desfiles: Salgueiro, Portela, Vila Isabel, Viradouro, Beija-Flor e Grande Rio.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “É carnaval”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com

A pomba-gira e a sedução do povo de rua


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quinta-feira, 21 de abril de 2022

Valei-nos São Jorge! Um carnaval pra você

Fotos:

Foto 01 – Topo Bateria Mestre Ciça evolução Apoteose Boa

Título -  Valei-nos São Jorge! Um carnaval pra você.

Sub-título –
Tem desfile de Escolas de Samba no feriado dedicado a São Jorge e ao Choro, no Rio de Janeiro.

Foto 2 - Rainha Viviane Araújo boa

Legenda – Viviane Araújo, a rainha salgueirense anunciou a gravidez.

Foto 3 - ET BFlor 220327 015 CF componentes dourados mãos boa horizontal

Legenda – Beija- Flor e o trabalho de excelência da comissão de frente.

Foto 4 – Viradouro 220410 118 Ala destaque arlequim boa

Legenda – A carta sincera inspira a busca do Bi da Viradouro

Foto 5 - Ala destaque índia lança boa

Legenda – Waraná e a tribo Mawe, tema do enredo da Unidos da Tijuca

Foto 6 - Torcidas bandeiras Apoteose

Legenda – Torcidas reunidas para saudar as escolas

Foto 7 - Alas componentes sombrinhas boa

Legenda – Alegorias de mão e muita alegria no ensaio das alas

Foto 8 -  Baianas sorriso boa

Legenda – Pista liberada após a lavagem pelas baianas

Desfile de Escolas de Samba no feriado dedicado a São Jorge e ao Choro, no Rio de Janeiro.

Valei-nos São Jorge! Um carnaval pra você.

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Desfile de Escolas de Samba no feriado dedicado a São Jorge e ao Choro, no Rio de Janeiro.

Se alguém contasse, dariam risada da ideia (aparentemente) impossível... Após um ano e outro fevereiro perdido, a disputa carnavalesca carioca de 2022 se realiza nos dias 22 e 23 de abril. Vem depois do descobrimento do Brasil que passou em ritmo das apresentações do Grupo Ouro, o acesso, abrindo os trabalhos da pista do Sambódromo da Marquês de Sapucaí desde quarta-feira. 

Ensaio técnicos, o povo do samba na pista

O Desfile do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro já chega com mudanças significativas.  Depois da realização do mini desfile de lançamento na Cidade do Samba, em fevereiro, março entrou com a volta dos ensaios técnicos nos finais de semana no Sambódromo, como há anos não acontecia!

Os encontros coroaram o calendário prolongado por mais de 40 dias de preparação nos ensaios das quadras das escolas e ruas das comunidades. Ensaios de canto, bateria, dos segmentos. Como o casal de mestre-sala e porta-bandeira, a comissão de frente, as alas coreografadas. Carnaval não se faz da noite para o dia, o povo do samba trabalha o ano inteiro!

Pista? Sim. Rua, não...

Estão todos ansiosos para botar o bloco na rua. Quer dizer, as escolas na Sapucaí. Porque os primeiros, os blocos, oficialmente não ocuparão as ruas novamente, apesar dos apelos feitos ao prefeito Eduardo Paes. Ele justificou a negativa à realização da folia dizendo que “dá trabalho” montar a estrutura carioca. Fica a pergunta: quem nasceu primeiro, a festa ou a organização?  A resposta está nas ruas da cidade.

Luz, sim. Som? Não...

Também foram feitas mudanças por muitos carnavais adiadas, apesar de exigidas inclusive pelo Ministério Público, na área do Sambódromo. A pista da Marquês de Sapucaí foi recapeada, depois das obras de drenagem e saneamento, a estrutura reformada. A novidade mais chamativa é a nova iluminação cenográfica. Por enquanto os recursos serão usados nos intervalos das apresentações.

A maior reivindicação de todos os frequentadores da Sapucaí, no entanto, segue sem ser atendida. O som da avenida continua precário. Nele, deveriam ser aplicados os esforços para melhorar o espetáculo. Ele, sim, faz parte e interfere na qualidade da maior manifestação cultural do Brasil.

Enfim, era agora ou nunca, como desse, quem pudesse. E, cá pra nós, as escolas e suas comunidades estão ansiosas para ocuparem a pista!

Para quem quiser acompanhar os dois dias de maratona carnavalesca carioca serão transmitidos pela TV Globo, após o horário nobre, e pelo Globoplay a partir das 22 horas. A dica, como sempre, é ver pela TV ouvindo os comentários pelas rádios. A TupiFM - 96.5, por exemplo, segue as imagens com comentaristas como Fábio Fabato e João Gustavo Melo, do canal do youtube Boi com Abóbora, um fenômeno carnavalesco durante a pandemia. Veja no final do texto a ordem das apresentações. 

Pista liberada após a lavagem pelas baianas

Sexta-feira, 22 de abril

A primeira noite será aberta pela Imperatriz Leopoldinense, campeã do Grupo Ouro 2020. Voltando do acesso a verde e branco convocou Rosa Magalhães para lembrar os carnavais de Arlindo Rodrigues, os tempos áureos de escola de Ramos e seu patrono, Luizinho Drummond, com o enredo “Meninos eu vivi... Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva & Lamartine". Um diferencial é o samba ter um único autor, Gabriel Melo.

“Se a saudade é certeza / Um dia a tristeza será cicatriz / Eterna seja! Amada Imperatriz!”

Com “Angenor, José & Laurindo” Leandro Vieira também conduz os componentes da Mangueira, a segunda agremiação a se apresentar, a um mergulho na própria identidade abordando ícones da comunidade. Cartola, Jamelão e Delegado representam a poesia, a voz e o corpo em movimento verde e rosa. Esse é um dos sambas de Moacyr Luz que estarão na Sapucaí. Ele também está  na parceria do Paraíso do Tuiuti que abre o segundo dia de desfiles.  

“Mangueira… teu cenário é poesia / Liberdade e autonomia / Que o negro conquistou”

Viviane Araújo, a rainha salgueirense anunciou a gravidez.

O Salgueiro também se volta para seus pilares com o enredo de Alex de Souza “Resistência”. Viviane Araújo, rainha da bateria Furiosa, anunciou recentemente sua gravidez e personifica os versos do samba-enredo.

“Sambo pra resistir / Semba meus ancestrais / Samba pelos carnavais”

O comediante Paulo Gustavo é o homenageado da São Clemente em “Minha vida é uma peça!”. Desenvolvido por Tiago Martins o tema traz, acima de tudo, uma mensagem de esperança, otimismo e apoio à diversidade.

“Rir é resistir, seguir em frente / Paulo Gustavo pra sempre”

Campeã do último carnaval, a Viradouro foi uma das primeiras escolas a anunciar seu enredo logo depois do início da pandemia. “Não há tristeza que possa suportar tanta Alegria”,deMarcus Ferreira e Tarcísio Zanon, aborda o carnaval de 1919, o primeiro após a epidemia da gripe espanhola.

O samba causou polêmica nos meios carnavalescos por ser em forma de... carta! O cantor Zé Paulo Sierra e Mestre Ciça estão se preparando para tentar o bi-campeonato apoiados pela comunidade niteroiense, a que bancou a ousadia para declarar o amor do pierrô à sua colombina e à folia.

Encostei os lábios suavemente / E te beijei na alegria sem fim / Carnaval, te amo, na vida és tudo pra mim

A carta sincera inspira a busca do Bi da Viradouro

Alexandre Louzada, carnavalesco da Beija-flor, avisa no texto de apresentação que “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, “é de autoria coletiva. Foi escrito pelas mãos, vozes e memórias de cada componente da nossa comunidade”. Emicida também é citado. Neguinho da Beija-Flor como sempre, brilha no samba nilopolitano que fecha a primeira noite de desfiles. Veja o recado:

Cada corpo um orixá! Cada pele um atabaque / Arte negra em contra-ataque

Beija- Flor e o trabalho de excelência da comissão de frente.

Sábado, 23 de abril

Dia de São Jorge e, portanto, de Ogum. Dia de incorporar conhecimentos, cantar em línguas ancestrais, dar passagem às entidades de rua. Se a primeira noite foi de reverência, essa é de referência. São nelas, as referências, que o povo do samba se apegou para navegar na rebarba do tsunami pandêmico que passou por aqui nos últimos dois anos.

O carnavalesco Paulo Barros se volta para a comunidade do Paraíso do Tuiuti em “Ka ríba tí ÿe - Que nossos caminhos se abram”. O samba usa uma palavra recorrente em outros concorrentes: RESISTÊNCIA. É uma das escolas que homenageia Mercedes Batista, a bailarina negra, por seu centenário, assim como a Beija-flor, a Grande Rio, o Salgueiro...

“Tem sangue nobre de Mandela e de Zumbi / Nas veias do povo preto do meu Tuiuti”

Renato Lage e Márcia Lage, na Portela, também retornam às origens com “Igi Osè Baobá”, falando do Baobá, árvore que tem um significado especial na cosmologia africana. É a árvore da resistência, palavra, mais uma vez, citada na letra do baobá musical, o samba.

Quem tenta acorrentar um sentimento / “Esquece” que ser livre é fundamento / Matiz suburbano, herança de preto / Coragem no medo!

A Mocidade Independente de Padre Miguel, criou até gíria. O carnavalesco Fábio Ricardo vem “areretizando”. Desenvolve o enredo “Batuque ao Caçador” fazendo a conexão entre o toque para o santo da escola, Oxóssi, e os herdeiros do lendário Mestre André. O da famosa paradinha da bateria “Não Existe Mais Quente”. Entre os autores da composição está Carlinhos Brown.

“Arerê, Arerê, Komorodé / Todo Ogã da Mocidade é cria de Mestre André”

Waranã e a tribo Mawe, tema do enredo da Unidos da Tijuca

Foi mais ano de um período crítico para as etnias e reservas indígenas brasileiras. Ameaçadas por garimpeiros e invasores amparados pelo descaso das autoridades responsáveis e a desconstrução da rede de proteção legislativa que garante seus direitos, inclusive os constitucionais. Coube ao carnavalesco Jack Vasconcelos, na Unidos da Tijuca, abordar a temática dos primeiros habitantes locais contando a história do guaraná em “Waranã – A Reexistência Vermelha”.

“E se a cobiça e o fogo chegarem na aldeia / Deixa a força Mawé ressurgir”

O povo de rua vai passar pela pista da Marquês de Sapucaí em “Fala Majeté! Sete Chaves de Exú”, enredo de Leonardo Bora e Gabriel Haddad. A representante de Duque de Caxias deu uma guinada na temática de seus carnavais e ficou com o vice-campeonato em 2020 falando de Joãozinho da Goméia. Esse ano, mergulha mais fundo no universo das religiões afro-brasileiras em busca do título inédito.

“Boa noite, moça, boa noite, moço... / Aqui na terra é o nosso templo de fé”

Alegorias de mão e muita alegria no ensaio das alas

A noite se encerra com uma celebração. O homenageado da Vila Isabel é da casa e de casa. O carnavalesco Edson Pereira faz azul e branco abraçar Martinho da Vila. É festa do povo do samba no enredo “Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho”.

“Em cada verso, mais uma obra-prima / Ousar, mudar e fazer sem rima”

BOX

Desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

Transmissão pela TV Globo, depois do horário nobre e o G1 a partir das 22h.

Sexta-feira 22/04

Imperatriz Leopoldinense

Mangueira

Salgueiro

São Clemente

Viradouro

Beija-Flor

Sábado 23/04 

Paraíso do Tuiuti

Portela

Mocidade Independente

Unidos da Tijuca

Grande Rio

Vila Isabel

Torcidas reunidas para saudar as escolas

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