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segunda-feira, 27 de abril de 2026

A vez de um até logo, Mato Grosso


A vez de um até logo, Mato Grosso (espero)

Texto e foto de Valéria del Cueto

“Prometer e não cumprir é pior do que mentir”. O verso que abria o jingle da campanha de Roberto França à prefeitura de Cuiabá, em 1988, entranhou na minha mente e virou lema nas andanças da vida.

Aprendi a não fazer promessas vãs e descobri que as piores promessas não cumpridas são as que fazemos a nós mesmos.

É para não cair de forma irrevogável no quesito missão não realizada que deixei de lado as comemorações do dia do Santo Guerreiro, São Jorge da Capadócia.

Vim correr atrás das palavras que compõem o último texto antes da pausa da Revista Ruído Manifesto, prevista para começar no mês de maio. Não há prazo definido de quando a aventura, idealizada pelo jornalista e escritor Rodivaldo Ribeiro, deixará de ser uma “já teve” e voltará para quem sabe, ser uma surpreendente “voltamos a ter” em Cuiabá.

Aprendi a teoria do “já teve” com a crítica de artes Aline Figueiredo. Ela me ensinou ser esta uma particularidade da capital de Mato Grosso que já teve de um tudo! “Já teve e, agora, não tem mais...” complementava com uma enxurrada de exemplos irrefutáveis nossa maior expressão em análise e reconhecimento do que há de mais relevante nas artes plásticas no centro-oeste e no país.

Se o assunto é literatura, a expressão também se aplica e se replica de forma acelerada.

Quando soube da parada da Ruído Manifesto, gentilmente alertada pelo editor da coluna Crônicas do Sem Fim, Wuldson Marcelo, caiu a ficha da perda de importantes disseminadores da cultura local nos últimos tempos.

A incrível iniciativa de Rodivaldo foi para o mesmo patamar do Tyrannus Melancholicus, capitaneada pelo imortal da Academia de Letras Mato-grossense, Lorenzo Falcão, contabilizei chorosa. Ao que Wuldson acrescentou o Cidadão Cultura e a Revista Pixé, pilotada por outro imortal, Eduardo Mahon.

Quer saber, leitor amigo? Está doendo. No meu caso lá se vão duas fontes de distribuição do material do Sem Fim. Textos, fotos, vídeos... Fiquei sem o piado do passarinho e espero que, momentaneamente, sem a Ruído. Teimosa, sigo me manifestando!

Como sou otimista por natureza, enquanto espero que a pausa sonora seja apenas uma pausa, tento racionalizar. Avalio (chutando) que esse sumiço das publicações culturais seja apenas uma mudança de formato da maneira de disseminar a criatividade, as ações e nosso conjunto alegórico cultural.

O que virá agora? Essa é a pergunta que não quer calar e, claro, não sei responder enquanto converso, do outro lado do universo com o responsável, depois de um embate de gigantes, pela criação da coluna Crônicas do Sem Fim, Rodivaldo Ribeiro.

Repito de novo o que já contei em outro texto, mas faço questão de registrar na crônica pré-pausa: eu, correspondente do Diário de Cuiabá para assuntos carnavalescos cariocas; Rodivaldo, editor do caderno Ilustrado. Véspera de carnaval, texto e fotos enviados ao jornal e um passarinho me conta que os planos do responsável pelo caderno eram que a capa do caderno fosse um festival de rock!

Tomei uma atitude que normalmente não faz parte do meu repertório. Apelei às instâncias superiores. Afinal, meses de trabalho produzindo fotos, acompanhando os ensaios técnicos na Sapucaí, não poderiam ser desperdiçados assim.

Capa realinhada, expliquei os meus motivos ao editor do caderno, certa de que ele não perdoaria a interferência. Lêdo engano... Rodivaldo deixou o Diário um tempo depois. Foi para outro veículo e, mais tarde, lançou seu projeto, tão especial, a Ruído Manifesto.

Qual não foi minha surpresa ao receber sua ligação com o convite para publicar meu material na revista eletrônica? E mais: para manter uma coluna, a qual ele deu o nome de Crônicas do Sem Fim, seguindo a linha inicial das águas que percorro.

Fizemos planos, muitos planos que se perderam subitamente quando ele partiu. Ângela Coradini primeiro e, depois, Wuldson Marcelo passaram a fazer a ponte editorial da coluna.

Graças a Ruído Manifesto, os textos, fotos e vídeos que compõem o universo do Sem Fim se expandiram chegando onde a revista fez barulho até agora. E foi longe! Tanto no Brasil como no exterior.

AS boas notícias foram as de que “é uma pausa” e que o site continuará ativo, com a íntegra do material publicado por todos nós que fizemos parte do sonho de expandir a cultura brasileira para o mundo, partindo, (que ousadia1) de Cuiabá, Mato Grosso...

A Ruído Manifesto, pausa, mas não se cala. Seus participantes seguem o fluxo das águas, unidos pelos fios tramados nos últimos 9 anos na rede idealizada com tanto amor e realizada por tantas mãos.

No meu caso, sigo no rumo do Sem Fim, acumulando afetos, textos e imagens publicadas em outros veículos parceiros enquanto, como tantos, aguardo de novo o chamado da Ruído, sempre manifesto...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

 



Studio na Colab55



quinta-feira, 26 de março de 2026

Nuvem passageira

Nuvem passageira

Texto e foto de Valéria del Cueto

Estou igual as nuvens que costumam viajar pelo céu.

Uma hora deixo o sol entrar e aquecer a paisagem no meio do mundo em que me encontro entre uma chuvarada e outra das águas de março. Logo em seguida escondo a luz solar. O que, na pior e mais frequente das hipóteses, ativa a ação do inclemente e coçante do mosquital.

Os danados só dão folga quando o sol brilha num céu de brigadeiro. Estão animadíssimos com esses tempos úmidos de tantos temporais.

Nada a reclamar. Nem de minha parte, nem do lado da terra que andava esturricada e sedenta. Tudo cresce, a natureza explode e transforma a paisagem da Mata Atlântica que me cerca.

Se me equiparo às nuvens, sei que não mando em meu formato ou na velocidade que se alteram nos caminhos que percorro quando elas incrementam a paisagem natural como adereços da alegoria celestial.

Também não comando minhas qualidades e defeitos. Sou guiada por outros fatores. Pensando bem, por vários! Inclusive alguns, como contei no último texto “Ainda é cedo”, que podem me paralisar.

Hoje, o objetivo é sugerir uma forma de fugir desse colapso físico e mental, essa exaustão...

Ela que me deixou, inclusive, sem a menor vontade de fazer o que mais desejo de todo o coração: editar as fotos do carnaval 2026.

O conselho inicial é não forçar a barra. Tentar se dedicar, quando seu corpo pedir, a primeiro, fazer o mínimo.

Num dia qualquer acordar e escolher uma pequena tarefa para recomeçar a vida. Esqueça aquela enorme lista de pendências e objetivos pendurados na sua mente cansada.

Concentre-se, por exemplo, em retirar as ervas daninhas de um canto, só um cantinho, do jardim. E comemore a pequena vitória conquistada sem desviar o olhar para o latifúndio restante necessitando de atenção.

Fique feliz e se empenhe com afinco na produção super fácil de batatas rústicas do seu vasto(?) repertório culinário.

Afinal, foi o prato que abriu o apetite depois de semanas apenas esquentando as delícias produzidas pela Neuza e trazidas para consumo no pé da serra.

Se der vontade de passar aspirador (mesmo que seja véspera do dia da vinda da faxineira), mete bronca. Esconda seus pensamentos sob o ruído invasivo do motor do aparelho.

Ou... Se dê tempo para se reconectar com os sons da natureza como o das águas correndo entre as pedras do rio, as conversas dos passarinhos no final da tarde, e o ciciar das cigarras anunciando dias de sol. Procure vagalumes na escuridão!

Repito: não se cobre(muito) ou tente fazer tudo de uma vez só. Um dia, é a vontade de escrever que volta. Pode ser que duas semanas depois, prazo regulamentar entre as crônicas, ela permaneça.

De vez em quando passe pelo seu objeto final de desejo. No caso, as milhares de fotos esperando para serem editadas. Se não der liga, continue em frente. Vá assistir a uma série tcheca no streaming!

Não esqueça. Nunca perca a fé em retornar à sua escolha de difícil finalização. É o preço por optar por não usar flash, levantar o ISO e subir a velocidade na captação das imagens.

Tudo é empecilho. São tantas as dúvidas sobre a ordem de edição. A prioridade são as baterias?

O Lukumi da escola de samba Paraíso do Tuiuti ganha o primeiro lugar da fila de prioridades. A responsabilidade é do Pixulé e sua incrível interpretação do samba enredo.

“Derruba o muro, quem sabe asfaltar. Caminhos abertos nas mãos do Ifá. Que o mundo entenda o Ebó vence a dor sentado à esteira de um Babalaô”. É na mensagem explícita de Luiz Antônio Simas, Cláudio Russo e Gustavo Clarão, os autores da obra, que me apego.

Aproveito, nuvem que sou, os ventos me levarem. Sempre indo. Ou sumindo como no caso da imagem que ilustra esse texto. Na hora do registro, cadê elas? Onde fomos parar? Clareou, ou melhor, azulou geral!

Depois ressurgimos. Uns dias mais rápidas, outros mais lentas. Até que, por força dos deuses, viremos toró de chuvas ou de registros editados. Que encham de imagens o universo de quem capturei os movimentos no desfile de carnaval de 2026.

No momento, devagarzinho, informo mais uma conquista. Na edição saí da concentração do Tuiuti do lado dos Correios e consegui avançar até o Setor 1 da Marquês de Sapucaí junto a bateria Super Som de mestre Marcão.

Quebrei, sim, a maldição do colapso imagético que me dominava. Mas, confesso, foi difícil...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da séries “Não sei onde enquadrar” e “É carnaval”  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com




Studio na Colab55

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Paraíso do Tuiuti no mini desfile do Dia Nacional do Samba 2025

Clique no LINK para acessar o álbum do acervo carnevalerio.com

(C)2025 Valeria del Cueto, all rights reserved. Protegido pela lei 9610/1998.

O Paraíso do Tuiuti trouxe para o mini desfile do Dia Nacional do Samba de 2025 elementos apresentados pelos segmentos da escola de samba de seu enredo para o carnaval 2026, "Lonã Ifá Lukumí", do carnavalesco Jack Vasconcelos.


Clique no LINK para acessar o álbum do acervo carnevalerio.com

Agradecimentos ao Presidente Thor, Renatinho Marins, à Super Som, Mestre Marcão, Markinhos, aos componentes do Paraíso do Tuiuti, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim…

@delcueto para CarnevaleRio.com

LINK dos vídeos do acervo carnevalerio.com do Paraíso do Tuiuti no mini desfile do Dia Nacional do Samba, 2025.

Faça sua inscrição nos canais del Cueto no Youtube e no TikTok - desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca.

Aqui tem mais pra você:
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Experimenta!
Você encontrará o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e também links para objetos e desejos produzidos no @delcueto.studio
Ideias e designs disponíveis nas plataformas:
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Clique no LINK para acessar o álbum do acervo carnevalerio.com

terça-feira, 15 de abril de 2025

Bizoiando


Bizoiando  

Texto e fotos  Valéria del Cueto

Rápido, rasteiro e avassalador. Querida cronista voluntariamente clausurada do outro lado do túnel, estes são os adjetivos que descrevem os rumos do planeta ao qual você, sabiamente, resolveu virar as costas novamente depois de sua escapulida no carnaval. 

Sim, cronista, assim como o Grande Irmão que vigia o cotidiano dos habitantes do planeta Terra em todos os seus movimentos, também conseguimos nós, os extraterrestres visitantes, jogar nossa mira telescópica sobre os indivíduos cujas rotinas nos interessam observar. No seu caso, o fiz pelo mais genuíno interesse: a amizade que tenho por quem me introduziu nos meandros humanos. Você!

Nesse período em particular, por nada nesse universo de dados circulantes, deixaria de “bizoiar” suas atividades quase secretas carnavalescas. 

Acompanhei a tensão nas inúmeras etapas para obter os credenciamentos dos ensaios técnicos, mais acessível, e o dos desfiles oficiais, na maratona de todos os anos e suas variantes.

Vi seu esforço para tentar o quase impossível: cobrir todas as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial.

Senti na minha epiderme protetora (quem aguenta o calor daqui?), sua frustração por não conseguir fotografar parte das escolas que almejavam chegar na elite do carnaval carioca, incluindo aí a Acadêmicos de Niterói que alcançou esse direito. Imagino a sua decepção por não ter o material para incorporar no acervo carnevalerio.com

Vi a emoção brotar explicitada nas fotos e vídeos do ensaio técnico do Império Serrano, por exemplo, após o fogo que lambeu atelier e ceifou a vida de artesãos no espaço incendiado em Madureira.

Falo daquele episódio que parece fazer parte, apenas, de um carnaval que passou. Sem trazer maiores providências para evitar novas tragédias no processo de produção e desenvolvimento das escolas de samba, especialmente as dos grupos inferiores, que desenvolvem seus desfiles em condições tão precárias. Vi tudo e muito bem!

A parte boa é que não faltam imagens para serem editadas e indexadas nos próximos meses em sua reclusão voluntária.

Elas são representativas da paixão inebriante que move a maior festa popular do planeta. Aquela que não se restringe ao berço das escolas de samba, o Rio de Janeiro, mas se expande e prolifera por muitas cidades do Brasil, e até do mundo, em ritmo de samba.

Tudo isso, cronista, é muito bom para garantir sua sanidade. Afasta-a da realidade cruel que movimenta esse planeta Terra que não é mais aquele. 

Foi-se o tempo da delicadeza, da gentileza. Uma nova velha geração, no momento, testa as barreiras da intolerância e da brutalidade. Guerras e disputas se retro alimentam apesar dos alertas de quem sabe aonde isso vai dar. São muitos esses avisos. Porém, inócuos.

Não há mais conversas, diálogos, trocas de ideias. Tudo é confronto e, sim, sem regras ou protocolos. No popular: é porrada e bomba. Nada de argumentação.

Não vou particularizar os atos que incluem do desequilíbrio comercial mundial à rapinagem pura e simples. Nesse quesito o status quo foi destroçado.

O pau continua quebrando para enriquecer os senhores das guerras em vários cantos desse mundão. Não há limites para destruição, nem para a exterminação de populações inteiras.

O mais incrível é que eles não aprenderam nada! 

Quase ninguém parece se importar com o que estão ensinando à nepobaby Inteligência Regenerativa, aquela que deixou de ser artificial para se (con)fundir com os hábitos, rotinas e o cotidiano da humanidade.

A impressão que dá é que, sabedor de que o próximo passo é ser dominado por ela, o ser humano capricha em incutir no “modelo” seus piores e mais tenebrosos instintos. Aguardem o tratamento que receberão depois. Cansamos de avisar! 

Está entendendo, cronista? Por isso tornei espaçada nossa correspondência pela luz da lua que invade sua cela. Prefiro deixá-la às voltas com as imagens capturadas em sua incrível fuga carnavalesca. Estive lá. Disfarçado. Adivinha onde?

Tal qual a freirinha carmelita, que pula o muro do convento de Santa Teresa para se acabar no bloco que leva seu nome, seu objetivo é louvável: cair dentro da folia para fugir da realidade inexorável. É a fresta da festa. A fresta, não a janela panorâmica que a vida deveria ser...

PS: Não mencionei o tombo porque você ensinou a mim, PLuct Plact, o extraterrestre, a ser discreto.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Das séries “Fábulas Fabulosas” e “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Tem Xirê na Sapucaí, o couro vai comer na passarela

Xirê na Sapucaí: o couro vai comer na passarela

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Se os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro, transmitidos para o mundo inteiro, são caixas de ressonância que fazem ecoar as questões abordadas nos enredos, por que não cantar a ancestralidade, suas epopeias mitológicas e as influências no modo de vida material e espiritual de quem produz e protagoniza o espetáculo?

Tem gira na pista e em dez dos doze enredos das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca 2025. Os temas valorizam nossas raízes africanas alertando sobre o crescente e alarmante aumento da intolerância no país.

A vida como ela é - Nada de novo no universo das comunidades do samba. São compostas pelo povo preto periférico que sofre com a dura realidade e arbitrariedades em seu cotidiano.

Um exemplo são os terreiros proibidos de funcionarem em áreas dominadas por evangélico/traficantes. O Complexo de Israel tem até bandeira daquele país hasteada, na zona norte do Rio.

É uma hipótese para a predominância, no maior espetáculo popular do planeta, de enredos sobre as tradições afro-indígenas religiosas. As exceções são a Mocidade Independente e a Vila Isabel.

Mudanças estruturais – Há novidades na dinâmica do espetáculo promovido pela Liesa, a Liga das Escolas de Samba. Serão três noites de disputa. De domingo a terça de carnaval quatro escolas passarão pela Sapucaí seguidas de rodas de samba na praça da Apoteose.

Haverá alteração no número de cabines de jurados. Voltam a ser quatro. Duas de cada lado, distribuídas ao longo da pista. O julgamento também foi modificado. As notas não serão fechadas ao final de todas as apresentações, mas após cada noite de desfile. Que diferença o novo formato faz? Veremos. Só saberemos o resultado das mudanças após a abertura dos envelopes na apuração.

De arquibancada - Essas e outras questões estiveram na boca do povo do samba que bateu ponto na Sapucaí nos ensaios técnicos gratuitos, em 2025. Atire a primeira serpentina quem não deu pitaco sobre a iluminação cenográfica. A que transforma o visual das apresentações e acrescenta novos desafios estéticos à concepção do espetáculo.

Os desenhos de luz se refletirão na avaliação dos quesitos? Como julgar, por exemplo, o acabamento de fantasias e alegorias em meio ao pisca-pisca psicodélico que esconde os detalhes das peças elaboradas pelos artesãos do carnaval?

Para aprimorar - As soluções de problemas estruturais como o som da avenida, a segurança dos foliões no entorno do sambódromo e a melhoria das condições de trabalho na indústria do carnaval seguem em construção, apesar da urgência e relevância das demandas.

Mas, como já dizia o samba consagrado, “o show tem que continuar”. E, como “ainda estamos aqui”, a disputa pelo campeonato vai ser boa. Terá um tempero especial: domingo tem Oscar, com Fernanda Torres e o filme sobre Rubens Paiva concorrendo em três categorias. Vamos firmar o Xirê (roda ou dança utilizada para evocação dos Orixás) e chamar os orixás! A vida presta e o carnaval contagia...

Domingo, 02 de março

Unidos de Padre Miguel, campeã da Série Ouro em 2024, começa a gira com o enredo "Egbé Iya Nassô" dos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato. Canta o mais antigo terreiro de candomblé do Brasil, em Salvador. A escola da Zona Oeste abre os caminhos e pede passagem: “Vila Vintém é terra de macumbeiro. No meu Egbé, governado por mulher, Iyá Nasso é rainha do candomblé”

Após décadas sem enredos afros, a Imperatriz Leopondinense, atual vice-campeã, embarca na proposta de Leandro Vieira: “Ómi Tútu ao Olúfon - Água fresca para o senhor de Ifón”, um itan (lenda) sobre as peripécias da viagem de Oxalá ao reino de Xangô. “Vai começar o itan de Oxalá, segue o cortejo funfun...”

Viradouro, de Niterói, tenta o bi com “Malunguinho, o mensageiro de três mundos”. A mata, os mistérios da jurema e da encruzilhada compõem o enredo afro-indígena de Tarcísio Zanon. Ele apresenta a entidade que é “O rei da mata que mata quem mata o Brasil”.

Mangueira trouxe de São Paulo o carnavalesco Sidnei França para exaltar seus crias e a influência do povo banto na cultura carioca e brasileira. “À Flor da Terra - No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões” projeta no contexto atual os saberes da negritude: “O povo banto que floresce nas vielas, orgulho de ser favela”.

Segunda, 03 de março

Na Unidos da Tijuca o samba conta com pesos pesados na parceria encabeçada pela cantora Anitta. Desenvolvido por Edson Pereira, “Logun-Edé: Santo Menino Que Velho Respeita”, homenageia o orixá filho de Oxum e Oxóssi. “Eu não descanso depois da missão cumprida, a minha sina é recomeçar...

Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, de João Vitor Araújo, chama à Sapucaí, mais uma vez, o lendário sambista, carnavalesco e produtor musical autodidata, peça fundamental em vários campeonatos da Beija-flor. A nação nilopolitana se despede de Neguinho da Beija-flor, que se aposenta, e roga ao homenageado: “Volta e me dá os caminhos, conduz outra vez meu destino...”

Macumbeiro, mandingueiro, batizado no gongá, quem tem medo de quiumba não nasceu pra demandar. Meu terreiro é a casa da mandinga, quem se mete com Salgueiro acerta as contas na curimba”. A parceria de Xande de Pilares embala Salgueiro de corpo fechado”, proposta do carnavalesco Jorge Silveira. Recado dado...

O enredo de Paulo Barros “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, na Vila Isabel, foge da temática afro-indígena na safra 2025. Sai a macumba e... “Solta o bicho, dá um baile de alegria. É o povo do samba virado na bruxaria

Terça, 04 de março

A Mocidade Independente de Padre Miguel abre a última noite de desfiles. O enredo da dupla Renato e Márcia Lage (que nos deixou no início do ano), Voltando para o futuro não há limites pra sonhar”, também foge da linha africana. “Quando o futuro voltar, a juventude vai crer que toda estrela pode renascer”.

Quem tem medo de Xica Manicongo?”, de Jack Vasconcelos, apresenta a primeira travesti do Brasil, fichada pelo Santo Ofício. O Paraíso do Tuiuti terá o reforço de personalidades como Eloína, pioneira no posto de rainha de bateria, e a deputada Erika Hilton. Somam-se num protesto contra a discriminação, a homofobia e violência no país que mais mata LGBTQIA+ no mundo. “Que o Brasil da terra plana, tenha consciência humana, Chica vive na fumaça

"Pororocas parawaras: as águas dos meus encantos nas contas dos curimbós". O samba da Grande Rio, da parceria de Mestre Damasceno, veio das eliminatórias realizadas em Belém. Leonardo Bora e Gabriel Haddad trazem do Pará a lenda de três princesas turcas e encantarias da Amazônia. Paolla Oliveira se despede do reinado na bateria de Mestre Fafá. “É força de Caboclo, Vodun e Orixá. Meu povo faz a curva como faz na gira...

Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol. Uma homenagem a Milton Nascimento”. Com o enredo de Antônio Gonzaga e André Rodrigues a Portela colocará o pé na estrada para encerrar a disputa do carnaval carioca de 2025... Iyá chamou Oxalá preto rei pra sambar. Anjo negro é o sol que faz a Portela cantar"

BOX

Ordem dos desfiles:

Domingo 02/03 – Unidos de Padre Miguel, Imperatriz, Viradouro e Mangueira

Segunda 03/03 – Tijuca, Beija-flor, Salgueiro e Vila Isabel

Terça 04/03 – Mocidade, Paraíso do Tuiuti, Grande Rio e Portela

Transmissão TV Globo e Globoplay às 22h. Dica de comentários: sintonize o áudio na Tupi.fm

 

...................................................

Gustavo e Edson

Mando várias fotos pra dar pra brincar com a diagramação. Claro que não consegui me decidir. Não é preciso usar todas, nem na ordem. Fica a critério do Edson...

Uma matéria só como fizemos ano passado.

A matéria é dividida em: introdução, domingo, segunda e o box com a ordem dos desfiles, se couber.

Fotos:

Foto 01 – Topo rasgada título na parte superior, no céu da Apoteose

ET Viradouro 250215 234 Ala da baianas componentes Apoteose boa

Título -  Xirê na Sapucaí

Sub-título – Tem gira na passarela do samba

 

Foto 2- ET Tuiuti 250201 153 Abre alas alegoria destaque leque fashion

Legenda – Tuiuti e o primeiro enredo LGBTQIA+ do Especial. Quem tem medo?

 

Foto 3 - ET G Rio 250201 098  Ala componentes adereços bamboles boa

Legenda – O colorido exuberante do carimbó na Grande Rio

 

Foto 4 – ET Mangueira 250201 071 CF componentes menino da Mangueira coroa boa

Legenda – Os crias, herdeiros do povo banto, reinam na Mangueira

 

Foto 5 – ET B Flor 250201 010 CF componentes Exu boa

Legenda – Exu garante caminhos abertos na Sapucaí

 

Foto 6 - ET Tuiuti 250201 142 torcida frisas boa

Legenda – Na torcida, o amor e paixão carnavalesca

 

Foto 7 - ET Imp Leo 250215 103 Ala componente boa adereço coroa cut

Legenda – O povo do samba reina no quilombo da alegria

 

Foto 8 - ET Vila 250208 204 Destaque boa

Legenda – Um assombro a musa da Vila Isabel

 

Foto 9 - ET Portela 250208 078 Abre alas Águia CF componentes pista geral boa

Legenda – Nas asas da águia portelense, a homenagem a Milton Nascimento

Foto 10 - ET Portela 250208 176 Ala componente boa

Legenda – Girasssóis da Portela no caminho de Bituca

 

Foto 11 - ET Viradouro 250215 122 Musa close boa

Legenda –Viradouro: em busca do bi


Tem Xirê na Sapucaí, o couro vai comer na passarela

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Se os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro, transmitidos para o mundo inteiro, são caixas de ressonância que fazem ecoar as questões abordadas nos enredos, por que não cantar a ancestralidade, suas epopeias mitológicas e as influências no modo de vida material e espiritual de quem produz e protagoniza o espetáculo?

Tem gira na pista e em dez dos doze enredos das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca 2025. Os temas valorizam nossas raízes africanas alertando sobre o crescente e alarmante aumento da intolerância no país.

A vida como ela é - Nada de novo no universo das comunidades do samba. São compostas pelo povo preto periférico que sofre com a dura realidade e arbitrariedades em seu cotidiano.

Um exemplo são os terreiros proibidos de funcionarem em áreas dominadas por evangélico/traficantes. O Complexo de Israel tem até bandeira daquele país hasteada, na zona norte do Rio.

É uma hipótese para a predominância, no maior espetáculo popular do planeta, de enredos sobre as tradições afro-indígenas religiosas. As exceções são a Mocidade Independente e a Vila Isabel.

Mudanças estruturais – Há novidades na dinâmica do espetáculo promovido pela Liesa, a Liga das Escolas de Samba. Serão três noites de disputa. De domingo a terça de carnaval quatro escolas passarão pela Sapucaí seguidas de rodas de samba na praça da Apoteose.

Haverá alteração no número de cabines de jurados. Voltam a ser quatro. Duas de cada lado, distribuídas ao longo da pista. O julgamento também foi modificado. As notas não serão fechadas ao final de todas as apresentações, mas após cada noite de desfile. Que diferença o novo formato faz? Veremos. Só saberemos o resultado das mudanças após a abertura dos envelopes na apuração.

Na torcida, o amor e paixão carnavalesca

De arquibancada - Essas e outras questões estiveram na boca do povo do samba que bateu ponto na Sapucaí nos ensaios técnicos gratuitos, em 2025. Atire a primeira serpentina quem não deu pitaco sobre a iluminação cenográfica. A que transforma o visual das apresentações e acrescenta novos desafios estéticos à concepção do espetáculo.

Os desenhos de luz se refletirão na avaliação dos quesitos? Como julgar, por exemplo, o acabamento de fantasias e alegorias em meio ao pisca-pisca psicodélico que esconde os detalhes das peças elaboradas pelos artesãos do carnaval?

Nas asas da águia portelense, a homenagem a Milton Nascimento

Para aprimorar - As soluções de problemas estruturais como o som da avenida, a segurança dos foliões no entorno do sambódromo e a melhoria das condições de trabalho na indústria do carnaval seguem em construção, apesar da urgência e relevância das demandas.

Mas, como já dizia o samba consagrado, “o show tem que continuar”. E, como “ainda estamos aqui”, a disputa pelo campeonato vai ser boa. Terá um tempero especial: domingo tem Oscar, com Fernanda Torres e o filme sobre Rubens Paiva concorrendo em três categorias. Vamos firmar o Xirê (roda ou dança utilizada para evocação dos Orixás) e chamar os orixás! A vida presta e o carnaval contagia...

Domingo, 02 de março

Unidos de Padre Miguel, campeã da Série Ouro em 2024, começa a gira com o enredo "Egbé Iya Nassô" dos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato. Canta o mais antigo terreiro de candomblé do Brasil, em Salvador. A escola da Zona Oeste abre os caminhos e pede passagem: “Vila Vintém é terra de macumbeiro. No meu Egbé, governado por mulher, Iyá Nasso é rainha do candomblé”

O povo do samba reina no quilombo da alegria

Após décadas sem enredos afros, a Imperatriz Leopondinense, atual vice-campeã, embarca na proposta de Leandro Vieira: “Ómi Tútu ao Olúfon - Água fresca para o senhor de Ifón”, um itan (lenda) sobre as peripécias da viagem de Oxalá ao reino de Xangô. “Vai começar o itan de Oxalá, segue o cortejo funfun...”

Viradouro, de Niterói,tenta o bi com “Malunguinho, o mensageiro de três mundos”. A mata, os mistérios da jurema e da encruzilhada compõem o enredo afro-indígena de Tarcísio Zanon. Ele apresenta a entidade que é “O rei da mata que mata quem mata o Brasil”.

Viradouro: em busca do bi

Mangueira trouxe de São Paulo o carnavalesco Sidnei França para exaltar seus crias e a influência do povo banto na cultura carioca e brasileira. “À Flor da Terra - No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões” projeta no contexto atual os saberes da negritude: “O povo banto que floresce nas vielas, orgulho de ser favela”.


Os crias, herdeiros do povo banto, reinam na Mangueira

Segunda, 03 de março

Na Unidos da Tijuca o samba conta com pesos pesados na parceria encabeçada pela cantora Anitta. Desenvolvido por Edson Pereira, “Logun-Edé: Santo Menino Que Velho Respeita”, homenageia o orixá filho de Oxum e Oxóssi. “Eu não descanso depois da missão cumprida, a minha sina é recomeçar...

Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, de João Vitor Araújo, chama à Sapucaí, mais uma vez, o lendário sambista, carnavalesco e produtor musical autodidata, peça fundamental em vários campeonatos da Beija-flor. A nação nilopolitana se despede de Neguinho da Beija-flor, que se aposenta, e roga ao homenageado: “Volta e me dá os caminhos, conduz outra vez meu destino...”

Exu garante caminhos abertos na Sapucaí

Macumbeiro, mandingueiro, batizado no gongá, quem tem medo de quiumba não nasceu pra demandar. Meu terreiro é a casa da mandinga, quem se mete com Salgueiro acerta as contas na curimba”. A parceria de Xande de Pilares embala “Salgueiro de corpo fechado”, proposta do carnavalesco Jorge Silveira. Recado dado...

O enredo de Paulo Barros “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, na Vila Isabel, foge da temática afro-indígena na safra 2025. Sai a macumba e... “Solta o bicho, dá um baile de alegria. É o povo do samba virado na bruxaria

Um assombro a musa da Vila Isabel

Terça, 04 de março

A Mocidade Independente de Padre Miguel abre a última noite de desfiles. O enredo da dupla Renato e Márcia Lage (que nos deixou no início do ano), “Voltando para o futuro não há limites pra sonhar”, também foge da linha africana. “Quando o futuro voltar, a juventude vai crer que toda estrela pode renascer”.

Tuiuti e o primeiro enredo LGBTQIA+ do Especial. Quem tem medo?

Quem tem medo de Xica Manicongo?”, de Jack Vasconcelos, apresenta a primeira travesti do Brasil, fichada pelo Santo Ofício. O Paraíso do Tuiuti terá o reforço de personalidades como Eloína, pioneira no posto de rainha de bateria, e a deputada Erika Hilton. Somam-se num protesto contra a discriminação, a homofobia e violência no país que mais mata LGBTQIA+ no mundo. “Que o Brasil da terra plana, tenha consciência humana, Chica vive na fumaça

O colorido exuberante do carimbó na Grande Rio

"Pororocas parawaras: as águas dos meus encantos nas contas dos curimbós". O samba da Grande Rio, da parceria de Mestre Damasceno, veio das eliminatórias realizadas em Belém. Leonardo Bora e Gabriel Haddad trazem do Pará a lenda de três princesas turcas e encantarias da Amazônia. Paolla Oliveira se despede do reinado na bateria de Mestre Fafá. “É força de Caboclo, Vodun e Orixá. Meu povo faz a curva como faz na gira...

Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol. Uma homenagem a Milton Nascimento”. Com o enredo de Antônio Gonzaga e André Rodrigues a Portela colocará o pé na estrada para encerrar a disputa do carnaval carioca de 2025... “Iyá chamou Oxalá preto rei pra sambar. Anjo negro é o sol que faz a Portela cantar"

Girasssóis da Portela no caminho de Bituca

BOX

Ordem dos desfiles:

Domingo 02/03 – Unidos de Padre Miguel, Imperatriz, Viradouro e Mangueira

Segunda 03/03 – Tijuca, Beija-flor, Salgueiro e Vila Isabel

Terça 04/03 – Mocidade, Paraíso do Tuiuti, Grande Rio e Portela

Transmissão TV Globo e Globoplay às 22h. Dica de comentários: sintonize o áudio na Tupi.fm



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