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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A quem interessa?


A quem interessa?

Que covardia! Véspera da COP 30, a cúpula do clima, em Belém do Pará.
O Rio é uma das principais portas de entrada do país. A quem interessa jogar os holofotes do mundo na falta de segurança da cidade?
Quais as consequências da violência, começando pela overdose de imagens, algumas impublicáveis, circulando pelas redes sociais?
Que forma torpe de tentar virar a maré.
Claudio Castro enterrou as expectativas da temporada turística carioca.
A quem interessa?


Studio na Colab55

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Tempo, tempo

Tempo, tempo

Texto e foto  Valéria del Cueto

Nem o tempo do tempo anda com tempo, acredita cara amiga cronista?

O que dirá euzinho, extraterrestre enleado nessa gravidade que me aprisiona e impede maiores voos, graças a essa atração da camada de ozônio mal cuidada.

Estou como sempre, mas não a toda hora, de passagem pelo raio de luar que se projeta entre as barras da janela de sua cela, voluntariamente ocupada do outro lado do túnel.

As notícias de lado de cá se acumulam desde a última mensagem enviada já faz um tempo (olha ele).

Sigo plucplateando por esse mundão tentando me desviar dos inúmeros artefatos mortais lançados por todos os lados nas constantes batalhas em que os povos se digladiam mundão a fora.

São bombas pra cá, mísseis pra lá, drones pra todos os lados. E vidas, muitas vidas perdidas.

Eu? Desvio, rebolo e pipoco tentando acompanhar os eventos que se multiplicam a torto e a direito.

Sinceramente, cronista? Quero paz.

Mesmo que seja na perda de tempo que, avisam os cientistas estarrecidos, está encolhendo em vários dias nos próximos dois meses.

Não, cara amiga. Não é papo de maluco. É observação científica na veia e com datas marcadas. A saber: 9, 22 de julho e 5 de agosto.

Nesses dias, afirmam os especialistas, os dias terão menos que as 24 horas de praxe. De novo...

O porquê? Nem eles sabem.

Sabem que isso já aconteceu antes e que o ano de maior aceleração foi 2024. No dia 5 de julho o tempo encurtou 1,66 milissegundos!

As causas que provocam alterações na velocidade de rotação são mudanças no nível do mar, deslocamentos da Terra ou afastamento da Lua da Terra. Eventos como terremotos também aceleram a rotação.

O X da questão é que, apesar de serem capazes de cravar os milissegundos perdidos em cada anomalia desse ano, 1,30 no dia 9, 1,38 22 de julho e 1,51 em 5 de agosto, conforme previu o astrofísico Graham Jones, da Universidade de Londres, os especialistas não têm explicações para a taquicardia do tempo.

“Baseada nos modelos oceânicos e atmosféricos, que não apresentam alterações significativas para a aceleração, a maioria dos cientistas acredita que seja algo de dentro da Terra”, disse Leonid Zostov, da Universidade de Moscou ao timedate.com.

“Está bem, Pluct Plact, mas e eu com isso?”, sei que você está se perguntando, cronista.

Com você, aí na sua clausura analógica, absolutamente nadica de nada. Mas com os GPSs e sistemas de precisão, sim.

Aqueles, que controlam, por exemplo, as máquinas de guerra que vomitam seus petardos mortais mundo a fora. Sabe o que significa 1,51 milissegundos na hora de mirar um alvo?  

Pode parecer um trisco, porém, assim como na vida, o tempo deverá ser recalibrado e, espero, as mensagens contidas nesses soluços, sejam captadas por quem de direito.

Porque elas estão aí, para quem quiser interpretá-las. Dizem que até na Bíblia!

Segundo Mateus 24:22 “Se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados”.

Detalhe: os versículos seguintes trazem o alerta. 

Diz Mateus 24:23 “Se, então, alguém disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo’ ou: ‘Aqui está ele!’, não acreditem”. 

E segue em Mateus 24:24 “Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar os eleitos.  

E por aí vai...

Perdoe, por favor, seu amigo interplanetário. Demoro e, quando passo, procuro trazer apenas notícias extraordinárias, mesmo as que não influenciarão, espero, sua reclusão voluntária.

Quanto ao dia a dia, segue na mesma levada alucinante e muito mais claustrofóbica que sua cela.

É pedra cantada, sem direito a retruco. Como nas BETs da vida...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Fábulas fabulosas” e do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

ATUALIZAÇÃO:

Querida cronista. Atualizando "Tempo, tempo". Notícia publicada, dia 15 de julho, em A Tarde:

" Igreja evangélica faz tatuagem em fiéis"

O versículo tatuado é Mateus 24:14 que diz: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim."

Ass. Pluct Plact, nas Fábulas Fabulosas


Studio na Colab55

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

No princípio (também) era a roda

No princípio (também) era a roda

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Um réveillon sem o espocar das rolhas de champagne e espumantes na virada do ano em Copacabana. O som só será ouvido se levarem gravações do pipocar característico das comemorações da entrada do ano junto a Rainha do Mar, Iemanjá. Vidros estão proibidos e confiscados nas barreiras de acesso a praia.

Comecei pelo final e volto ao início.

Nele, as famílias e amigos dos moradores de Copacabana iam até a orla observar a celebração dos terreiros que, em rodas espalhadas pela areia, faziam seus rituais para homenagear Iemanjá e outros orixás na virada do ano.

De branco, com suas vestes características, dançavam ao som de atabaques e berimbaus iluminados pelas velas cercadas de oferendas depois lançadas ao mar junto com muitas flores. A energia do axé podia ser sentida e partilhada por iniciados e curiosos que passeavam entre as rodas recebendo bençãos generosas.



Aí, surgiu a cascata de fogos do Hotel Méridien que escorria pelo prédio. Depois os fogos na areia. (Terá sido em ordem inversa?). A passagem de ano em Copacabana virou atração turística...

Os primeiros expulsos foram os que criaram a fresta com seus deuses. A multidão crescia ano a ano e passou a ter donos. Áreas começaram a serem delimitadas. Dos shows, seus palcos, backstages, áreas vips; dos quiosques, cercadinhos...

Um acidente com os fogos na areia provocou o deslocamento dos efeitos especiais para o mar com o uso de balsas para seu lançamento no cenário cinematográfico da Princesinha do Mar. A competição com outros pontos turísticos do globo se acirrou: maior público, poder pirotécnico...

E, claro, o espírito inicial da festa religiosa a beira mar se perdeu, engolido pela multidão e pela fome de lucro. Com o tempo os moradores do bairro ficaram reféns da organização do maior réveillon carioca. Trânsito interrompido, metro superlotado, insegurança e sujeira, apesar dos esforços sobre-humanos dos garis, heróis urbanos invisíveis.

Durante anos deu para driblar esse “avanço civilizatório”. O Leme sempre foi o paraíso que incluía uma imagem única do Caminho dos Pescadores onde eles, os próprios, se reuniam no final e faziam uma comemoração especial para saudar o novo ano. De lá o registro de Copacabana a meia noite é especial. Não vou contar o porquê. Se quiser conferir procure nos àlbuns dos réveillons que passei por lá.

Foi nesse período que dividi a meia noite em duas etapas, nos tempos do horário de verão. Nos fogos fotografava e gravava, no horário do fuso de Cuiabá brindava, fazia meus pedidos e comia as uvas verdes, uma para cada mês do ano vindouro.

Um dia, quando fui em direção ao Caminho do Pescadores um tempinho antes da meia noite para pegar um bom lugar na mureta, uma multidão atrapalhou os planos. O quiosque no canto da Pedra havia sido turbinado. O resto não preciso explicar. Nem só o mar dos surfistas fica crowded.

Saí do Leme que não saiu de mim, mas ficou muito longe para ser alcançado na movimentada noite da virada. Cruzar a praia da ponta do Forte Copacabana até o Leme ficou impossível. Ainda mais na volta, sem transporte. Todos os anos quando vejo as luzes da minha ponta, de onde estiver em Copacabana ou fora dela, fecho os olhos e me transporto para as areias de onde sou cria comemorando o privilégio dos maravilhosos réveillons que lá passei.

Esse ano vai ser diferente. Não sentirei a distância. Nada, eu disse, nada me faria almejar a programação gospel do palco do Leme, que, em anos anteriores, foi o palco do samba! O prefeito Eduardo Paes fica devendo essa escolha equivocada aos moradores do Leme. É só mais uma de muitas. Só não vê quem não tem memória.

Vamos ver como reage Iemanjá a ausência do axé do espocar das champagnes em sua homenagem na hora da virada. Pode ser que nem note no alarido da multidão de milhões de pessoas. Pode ser...

PS: “No princípio era a roda – um estudo sobre o samba, partido alto e outros pagodes” é o título do livro essencial sobre o assunto de Roberto Moura.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Ponta do Leme” do SEM FIM ... delcueto.wordpress.com

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