Que covardia! Véspera da COP 30, a cúpula do clima, em Belém do Pará. O Rio é uma das principais portas de entrada do país. A quem interessa jogar os holofotes do mundo na falta de segurança da cidade? Quais as consequências da violência, começando pela overdose de imagens, algumas impublicáveis, circulando pelas redes sociais? Que forma torpe de tentar virar a maré. Claudio Castro enterrou as expectativas da temporada turística carioca. A quem interessa?
Nem o tempo do tempo anda com tempo, acredita cara
amiga cronista?
O que dirá euzinho, extraterrestre enleado nessa
gravidade que me aprisiona e impede maiores voos, graças a essa atração da
camada de ozônio mal cuidada.
Estou como sempre, mas não a toda hora, de passagem
pelo raio de luar que se projeta entre as barras da janela de sua cela, voluntariamente
ocupada do outro lado do túnel.
As notícias de lado de cá se acumulam desde a última
mensagem enviada já faz um tempo (olha ele).
Sigo plucplateando por esse mundão tentando me
desviar dos inúmeros artefatos mortais lançados por todos os lados nas
constantes batalhas em que os povos se digladiam mundão a fora.
São bombas pra cá, mísseis pra lá, drones pra todos
os lados. E vidas, muitas vidas perdidas.
Eu? Desvio, rebolo e pipoco tentando acompanhar os
eventos que se multiplicam a torto e a direito.
Sinceramente, cronista? Quero paz.
Mesmo que seja na perda de tempo que, avisam os
cientistas estarrecidos, está encolhendo em vários dias nos próximos dois meses.
Não, cara amiga. Não é papo de maluco. É observação
científica na veia e com datas marcadas. A saber: 9, 22 de julho e 5 de agosto.
Nesses dias, afirmam os especialistas, os dias
terão menos que as 24 horas de praxe. De novo...
O porquê? Nem eles sabem.
Sabem que isso já aconteceu antes e que o ano de
maior aceleração foi 2024. No dia 5 de julho o tempo encurtou 1,66
milissegundos!
As causas que provocam alterações na velocidade de
rotação são mudanças no nível do mar, deslocamentos da Terra ou afastamento da Lua
da Terra. Eventos como terremotos também aceleram a rotação.
O X da questão é que, apesar de serem capazes de
cravar os milissegundos perdidos em cada anomalia desse ano, 1,30 no dia 9,
1,38 22 de julho e 1,51 em 5 de agosto, conforme previu o astrofísico Graham
Jones, da Universidade de Londres, os especialistas não têm explicações para a
taquicardia do tempo.
“Baseada nos modelos oceânicos e atmosféricos, que
não apresentam alterações significativas para a aceleração, a maioria dos
cientistas acredita que seja algo de dentro da Terra”, disse Leonid Zostov, da
Universidade de Moscou ao timedate.com.
“Está bem, Pluct Plact, mas e eu com isso?”, sei
que você está se perguntando, cronista.
Com você, aí na sua clausura analógica,
absolutamente nadica de nada. Mas com os GPSs e sistemas de precisão, sim.
Aqueles, que controlam, por exemplo, as máquinas de
guerra que vomitam seus petardos mortais mundo a fora. Sabe o que significa
1,51 milissegundos na hora de mirar um alvo?
Pode parecer um trisco, porém, assim como na vida,
o tempo deverá ser recalibrado e, espero, as mensagens contidas nesses soluços,
sejam captadas por quem de direito.
Porque elas estão aí, para quem quiser
interpretá-las. Dizem que até na Bíblia!
Segundo Mateus 24:22 “Se aqueles dias não fossem
abreviados, ninguém sobreviveria; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias
serão abreviados”.
Detalhe: os versículos seguintes trazem o alerta.
Diz
Mateus 24:23 “Se, então, alguém disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo’ ou: ‘Aqui
está ele!’, não acreditem”.
E segue em Mateus 24:24 “Pois aparecerão
falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas
para, se possível, enganar os eleitos.
E por aí vai...
Perdoe, por favor, seu amigo interplanetário. Demoro
e, quando passo, procuro trazer apenas notícias extraordinárias, mesmo as que
não influenciarão, espero, sua reclusão voluntária.
Quanto ao dia a dia, segue na mesma levada
alucinante e muito mais claustrofóbica que sua cela.
É pedra cantada, sem direito a retruco. Como nas
BETs da vida...
O versículo tatuado é Mateus 24:14 que diz: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim."
Um
réveillon sem o espocar das rolhas de champagne e espumantes na virada do ano
em Copacabana. O som só será ouvido se levarem gravações do pipocar característico
das comemorações da entrada do ano junto a Rainha do Mar, Iemanjá. Vidros estão
proibidos e confiscados nas barreiras de acesso a praia.
Comecei
pelo final e volto ao início.
Nele,
as famílias e amigos dos moradores de Copacabana iam até a orla observar a
celebração dos terreiros que, em rodas espalhadas pela areia, faziam seus
rituais para homenagear Iemanjá e outros orixás na virada do ano.
De
branco, com suas vestes características, dançavam ao som de atabaques e
berimbaus iluminados pelas velas cercadas de oferendas depois lançadas ao mar
junto com muitas flores. A energia do axé podia ser sentida e partilhada por
iniciados e curiosos que passeavam entre as rodas recebendo bençãos generosas.
Aí,
surgiu a cascata de fogos do Hotel Méridien que escorria pelo prédio. Depois os
fogos na areia. (Terá sido em ordem inversa?). A passagem de ano em Copacabana
virou atração turística...
Os
primeiros expulsos foram os que criaram a fresta com seus deuses. A multidão
crescia ano a ano e passou a ter donos. Áreas começaram a serem delimitadas.
Dos shows, seus palcos, backstages, áreas vips; dos quiosques, cercadinhos...
Um
acidente com os fogos na areia provocou o deslocamento dos efeitos especiais para
o mar com o uso de balsas para seu lançamento no cenário cinematográfico da
Princesinha do Mar. A competição com outros pontos turísticos do globo se
acirrou: maior público, poder pirotécnico...
E,
claro, o espírito inicial da festa religiosa a beira mar se perdeu, engolido
pela multidão e pela fome de lucro. Com o tempo os moradores do bairro ficaram
reféns da organização do maior réveillon carioca. Trânsito interrompido, metro
superlotado, insegurança e sujeira, apesar dos esforços sobre-humanos dos
garis, heróis urbanos invisíveis.
Durante
anos deu para driblar esse “avanço civilizatório”. O Leme sempre foi o paraíso
que incluía uma imagem única do Caminho dos Pescadores onde eles, os próprios,
se reuniam no final e faziam uma comemoração especial para saudar o novo ano.
De lá o registro de Copacabana a meia noite é especial. Não vou contar o
porquê. Se quiser conferir procure nos àlbuns
dos réveillons que passei por lá.
Foi
nesse período que dividi a meia noite em duas etapas, nos tempos do horário de
verão. Nos fogos fotografava e gravava, no horário do fuso de Cuiabá brindava, fazia
meus pedidos e comia as uvas verdes, uma para cada mês do ano vindouro.
Um
dia, quando fui em direção ao Caminho do Pescadores um tempinho antes da meia
noite para pegar um bom lugar na mureta, uma multidão atrapalhou os planos. O
quiosque no canto da Pedra havia sido turbinado. O resto não preciso explicar.
Nem só o mar dos surfistas fica crowded.
Saí
do Leme que não saiu de mim, mas ficou muito longe para ser alcançado na
movimentada noite da virada. Cruzar a praia da ponta do Forte Copacabana até o
Leme ficou impossível. Ainda mais na volta, sem transporte. Todos os anos
quando vejo as luzes da minha ponta, de onde estiver em Copacabana ou fora
dela, fecho os olhos e me transporto para as areias de onde sou cria
comemorando o privilégio dos maravilhosos réveillons que lá passei.
Esse
ano vai ser diferente. Não sentirei a distância. Nada, eu disse, nada me faria
almejar a programação gospel do palco do Leme, que, em anos anteriores, foi o
palco do samba! O prefeito Eduardo Paes fica devendo essa escolha equivocada
aos moradores do Leme. É só mais uma de muitas. Só não vê quem não tem memória.
Vamos
ver como reage Iemanjá a ausência do axé do espocar das champagnes em sua
homenagem na hora da virada. Pode ser que nem note no alarido da multidão de
milhões de pessoas. Pode ser...
PS: “No
princípio era a roda – um estudo sobre o samba, partido alto e outros pagodes” é
o título do livro essencial sobre o assunto de Roberto Moura.