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domingo, 26 de junho de 2022

No Tempo


O tempo perguntou pro tempo...

Resposta: [s i l ê n c i o ] só barulho do mar.

Então, o tempo mostrou pro tempo.

A bruma que o tempo traz.

O tempo? Como maresia. Passou.


Vagabinha meteorológica de Valéria del Cueto


@delcueto.studio na Colab55

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Lamento ao pé da serra

Preciso ir pro sol.
Enxugar minha alma.
Antes que as lágrimas transbordem.
E inundem, também, meu olhar.
Já o peito, esse, não tem salvação.
Pesa.
Como uma vida afogada,
um tsunami inesperado.
Dói...

Vagabinha muito sentida pro Fernando Pace
@delcueto.studio na Colab55

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Diagnóstico


Caí, levantei.
Sangrou, coagulou. Vai grudar.
Doeu, doerá. Como tatuagem.
Até cicatrizar…

Vagabinha dolorida após o tombo no asfalto mal conservado de Ipanema.

PS: Escapei da subida e “bordagem” na pista de skate no alto do Parque Garota de Ipanema pra me estabacar na Farme com Visconde. Perdas: joelho e mão esquerda mais ralada que tatuagem feita no dia, cotovelo direito também. Nada que uma boa arnica não resolva. Ela só não faz efeito na dignidade da pessoas. Ó, dor…

#coisadorio
#valerio2021

@delcueto.studio na Colab55

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Índios


Soa à toa
Ecos recorrentes de pungentes lamentos.
Atento aos murmúrios da floresta?
Choram a dor de perdas permanentes,
insurgentes resíduos recicláveis.
Macerados a cada avanço,
triturados ao som de cantos, dons e saberes.
A mata reclama a presença de seus protetores.
Os Deuses não estão por perto.
Quem pode ajudar?
Persiste a batalha interminável.
Cobiça, (in)justiça, realidade.
Soa à toa,
Vem garimpo, passa boiada,
Trator e corrente.
Ninguém escuta a pergunta.
Resposta vazia.
Soa à toa.
No tranco, na luta, caem os guardiões.
Gritos estrangulados.
Não sobrou ninguém.
Índios?
Eu, heim?

Vagabinha compridinha de Valéria del Cueto, para a série Parador Cuiabano

domingo, 3 de junho de 2018

Não é não...


Não é não...

Pensa que é fácil?
Esperar o mar, aguardar a luz,
captar a essência
do momento, passageiro?
Tenta!

Vagabinha tuiteira e foto de Valéria del Cueto a espera de uma foto @no_rumo do SEM FIM

O garimpo é longo e, na bateia, não apenas fotos (as melhores estão no Getty Images) mas, também, os vídeos do playlist MAR.

Siga o canal  del Cueto no youtube


Studio na Colab55

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

sábado, 2 de maio de 2015

Canto oculto

Arpoador 150322 032 gaivotas cruzadas mais
Canto oculto
Tem um pássaro piando. O som de seu lamento entra pela janela. Nada anormal, não fosse agora 22 horas de uma quarta-feira. Dia de futebol na TV e metade da semana que só foi até quinta. Na sexta os trabalhadores descansaram. Era o seu dia. Feriado.
E o pássaro piando no quadrado cercado de janelas de mais de 12 andares. Não dá para identificar onde ele está.  Piando.
Pau-sa-da-men-te.
Intermitentemente.
Periodicamente.
É o som da vida insistente ecoando entre cimento, pastilhas,  vidro, alumínio e poucas plantas. Espalhadas em alguns parapeitos procuram os raios solares que, dependendo da época do ano, passeiam fazendo desenhos nas paredes e diversificando a intensidade e a tonalidade da luz que ilumina os dias. Pela janela.
Assim como chamou a atenção de um, certamente, o piado irritará a outros. Considerarão um incômodo o som persistente.
Bonito, pungente e, por que dá essa impressão, doído.
“Será que não dá para fazer esse barulho parar? Está me irritando. É pior que o bebe chorando ou o cachorro latindo. Com esses a gente já se acostumou. Mas só durante o dia.”
Parte dos ocupantes adjacentes nem o notará, abafado pelos motores dos ares condicionados e filtrado pelos vidros das janelas fechadas. Elas isolam o ar fresco que teima em encanar pelo alto, vindo do céu.
O que se vê é um buraco escuro desenhado pelo recorte das quinas dos edifícios colados em desalinho.
Até agora a lua não deu o ar de sua graça cruzando o exíguo espaço. O que pode ou não acontecer, de acordo com o traçado do satélite em seu percurso anual.
Será necessário um longo tempo para acompanhar esse possível movimento lunar. Ele ampliaria os elementos cenográficos da paisagem que compõe o visual.
Um fator a ser observado e acompanhado. Na torcida para que ocorra a noite quando poderá ser mais notado do que durante o dia.
Paciência é a alma da compreensão do quadrado com piso de concreto de passagem para a garagem.
Até nesse horizonte limitado há poesia.
O piado do pássaro.
Que agora passou.
O dono cobriu sua gaiola.
Simples assim.
Parou.
Resta o silêncio. O rugido dos aparelhos de ar condicionado. O som de algumas TVs bem lá no fundo. Fazendo a noite cair na sua monótona rotina.
Como acontecerá depois do final de semana, quando retornar o dia-a-dia após mais um feriado prolongado. Um dia, um novo dia, um pio mais pios e o silêncio, bastando cobrir a gaiola. A vida seguindo em frente pelo quadrado de céu.
Gaivotas cruzam em bando espaço exíguo de fim de tarde, já cinzento. Seguem na mesma direção. Algumas voam mais baixo, outras, mais alto. Vão rumo sul. Livres, velozes e soberanas.
Abaixo, o silêncio do pássaro só é notado por quem dias antes, o escutou cantar seu lamento.
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM… delcueto.wordpress.com
 E3- ILUSTRADO - SEXTA 01-05-2015
Edição Enock Cavalcanti
Diagramação Nei Ferraz Melo 
GRAVATA 
Paciência é a alma da compreensão do quadrado com piso de concreto, passagem à garagem. No horizonte limitado há poesia.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Não tem importância
Nada tem
por que o que vem, vai
Enfim, também…

*vagabinha e foto de Valéria del Cueto

sábado, 4 de agosto de 2012

Esse babado é bico




Sabe céu assim quase que só pra mim?
Foi só uma passadinha.
É céu de sianinha...

*fotos, montagem e vagabinha de Valéria del Cueto, para o Sem Fim...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pinguim passeia na Ponta




O menino chamou,
ele sentiu a vibração.
Passou devagarinho
e perto do coração.

*fotos e vagabíssima de Valéria del Cueto para a série Ponta do Leme do Sem Fim...

domingo, 1 de julho de 2012

Fleurs du mal

Fleurs du mal

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Estava assim, quase meio...
Pedi uma luz, ganhei o céu.
Com o que tinha direito:  

lua, gaivota - um bando inteiro.
Nas nuvens, o sinal.
A seta que aponta
pro rumo, meu prumo!
*Vagabinha dadaista do Sem Fim...

E lá vinha eu, repleta da minha pobre poesia, olhando o mundo derramando por suas bordas inspiração para minhas rimas pobres provocadas por uma avalanche de imagens que se atiraram em cima de mim vindas diretamente do meu céu da Ponta do Leme.

Não havia como fazer de conta que o recado não era direcionado, endereçado e precisava ser devidamente capturado. Afinal, tinha minha “arma” nas mãos, um pedido no coração e os olhos voltados para o entorno que se estendia até onde minha vista podia alcançar.

Só me restou uma possibilidade. Entregar-me ao momento e mergulhar nos elementos que me cercavam. Não vou repeti-los citados que estão na vagabinha ilustrativa acima reproduzida.

Parei o mundo e não foi para descer! Me senti tomada pela força da mensagem implícita nas imagens cinematograficamente fotografadas que registrei.

Acho que isso não é um fato isolado, nem sou a única capaz de chafurdar e me lambuzar no meu entorno e, se possível, fazer algo para torná-lo ainda melhor.

Essa semana, uma notícia me intrigou. Um sinal dos tempos e das forças que nos governam. A de um grupo de traficantes que decidiu que o crack não fazia bem para os negócios e “diz que” ordenou a suspensão da venda do produto “após o final dos estoques existentes”. Até o momento, apenas a favela do Jacarezinho, no Jacaré, subúrbio carioca, onde está situada uma das maiores cracolândias da cidade, acatou a ordem que, segundo a inteligência da polícia, teria vindo de dentro dos presídios cariocas.

Para a minha xará, a delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia de Combate às Drogas, a ação dos traficantes poderia ser “uma jogada de marketing”.

O que chamou minha atenção foi a preocupação com a possibilidade dos usuários se “espalharem” e “infestarem” por outros pontos da cidade, demonstrada, inclusive, em manifestações na zona sul da cidade.

Me peguei, mais uma vez, pensando nesse mal que nossa presidente(A) Dilma em sua campanha política jurou combater com afinco, denodo e fé para se eleger. Principalmente no segundo turno, apelando para a trágica situação das famílias envolvidas nesse flagelo e na esperança (vã) de extirpá-lo pelas vias governamentais republicanas.

Incrível verificar que contra ele de forma eficaz e – espero – definitiva quem está agindo são os traficantes. Mais incrível é a tentativa de menosprezar e duvidar da eficácia da decisão da bandidagem. Quem faz marketing impunemente são os políticos que prometem, manipulam e não cumprem seus compromissos depois de eleitos.

Para falar a verdade, minha experiência de vida me diz que entre a palavra de um bandido e a de um político, a primeira, sem dúvida, vale muito mais, ao contrário do que supõe e expõe minha xará policial.

Mais uma verdade: não importa quem vai levar os méritos. O que interessa para o povo é que essa sangria humana e familiar tenha fim. Venha ele das autoridades constituídas (não fariam mais que a obrigação) ou dos bandidos empresários, preocupados com sua imagem e/ou clientela.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Luz do céu




Estava assim, quase meio...
Pedi uma luz,
ganhei o céu.
Com o que tinha direito:
Lua,
gaivota.
Um bando inteiro.
Nas nuvens,
o sinal.
A seta
que aponta
pro rumo, meu prumo!

*fotos e vagabinha dadaista de Valéria del Cueto, para a série "Ponta do Leme"do Sem Fim...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Leme




Na dele.
Sem interferência,
toda a paciência
para olhar o meu lugar.
Dar o tom,
ouvir o som,
sentir o sol,
lamber o sal.
E só.
2012

* fotos e vagabinha de Valéria del Cueto, para o Sem Fim...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nós por ela




O dia raiava.
Acordei
olhando ao longe
a cidade e o Maraca.
Niterói na asa
do sol nascer.

* Vabaginha e fotos de Valéria del Cueto sobre o Rio de Janeiro despertando


sábado, 7 de maio de 2011

LUFADA




LUFADA
Fome/poesia
Mesa vazia
Esca [la] da
Pa ciência...

Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto com as poucas e escolhidas do LUFA.


É só clicar no LUFA pra ver o evento completo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estância São Lucas - granja, secadora, silo e lavoura




Aqui o astro é Rodrigo, especialista em embalar feno. A supervisão é do Nilson, que me levou por um passeio pelas máquinas que secam e debulham o arroz colhido na lavoura da São Lucas.

* Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira oeste do Sul

terça-feira, 12 de abril de 2011

Estância São Lucas - sede




Esta não é a primeira vez que visito e fotografo a São Lucas. A primeira vez foi ha dois anos atrás, quando também fiz a cobertura do carnaval pelo Tribuna de Uruguaiana.

Uma boa noite pra fora me recupera do cansaço do trabalho na pista. Quem me proporciona este reparo é o Nilson e Judith, meus primos queridos, a quem agradeço de coração o privilégio.

Nestas fotos, procuro não repetir registros dos mesmo planos de 2009. As fotos deste período estão nos albuns "Pra fora" na página 5 da pasta FOTOS do Sem Fim

Descanso, descalço
Enxada largada
Morada portão
Arvoredo
Energia açude
passagem cenário
retorno caminho
porteira atitude
Saudade.

Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Na Lapa




Cena rio
Per so nagem
Pri são
Esc alada
Por tão
Escapa da

Vagabinha exploratória e fotos de Valéria del Cueto, para o SEM FIM

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Isto é só o começo. A terra arde!






Isto é só o começo. A terra arde!


Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto

V de vazio
Só li tá rio

Flor esta queima da
estrada-morro-fumaça

Pare dão galha ria
ponte rio Cachoeirinha
Estrada/Chapada

Onde há  f u  m   a    ç     a
Salga de ira

Aponta o sol
O sol na ponta

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Fotos da desolação e palavras de resignação diante do sufoco que apenas começava para a série Parador Cuyabano do Sem Fim....