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quarta-feira, 5 de junho de 2024

Notícia urgente

Notícia urgente

Texto e foto de Valéria del Cueto

Vai um tempo que não invado sua cela, cronista voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel. Tenho meus motivos, amiga querida. Meus e seus...

De minha parte, como um extraterrestre impedido de ultrapassar essa camada magnética (há quanto tempo digo que esse é o problema, só agora anunciado aos 4 ventos pelos cientistas?), com as forças exauridas dessa já obsoleta nave interplanetária, resolvi me dedicar a tentar melhorar a visão humana sobre nós seres de outras galáxias que circulamos por aqui. É praticamente impossível assumir a tarefa hercúlea de mudar a opinião pública.

Essa, que hoje coloca os alienígenas no mesmo patamar das bruxas, exus, diabos e afins no imaginário popular. Pra maioria, assim como eles, estamos destinados às fogueiras. Eternas, segundo os apegados a algumas nefastas seitas religiosas, e reais se, possíveis fossem.

Ser diferente nesse mundo negacionista adepto da terra plana não provoca curiosidade. Gera medo e violência alimentadas em nome da “liberdade de expressão”. Aquela, que antigamente terminava onde começava a do outro, não tem limites nem barreiras.

Considerando a situação que me impede de picar a mula pra outros mundos, limitado que ainda estou a pluctplactear apenas entre pontos diferentes da Terra, me empenho em tentar mostrar as funcionalidades básicas dos seres extraterrestres infiltrado nas estruturas neurais das inteligências artificias, as AIs. Captou a porta aberta?

Estamos e ficaremos em voga! Anunciaram pelas onipresentes mídias sociais a existência de instalações planetárias de alienígenas numa galáxia vizinha. É pegar ou partir pra ignorância em relação ao que você, na sua reclusão, está cansada de saber. Não somos deuses nem diabos, somos astronautas incapazes de interferir no livre arbítrio que leva o mundo à sua condição atual, portadores dos alertas que advertem que o pior ainda está por vir, infelizmente.

Aí, chego aos seus motivos para nossa comunicação rateante. Cheguei a uma conclusão interesseira: mais vale um nocaute informativo que o sofrimento de más notícias em doses homeopáticas. Então, espero uma novidade boa para invadir sua janela pelo raio de luar. Essa janela quase se abriu no início de maio pra contar o que era a multidão que invadiu suas praias com o show da Madonna em Copacabana. Perdeu força quando vasculhei seus arquivos e encontrei registros do efeito Rolling Stones no mesmo local.

Considerei que teria de informar que o ano que vem seu esforço na fuga anual para fotografar o carnaval na Sapucaí terá que ser maior. Já vai pensando em como dar o perdido na vigilância por mais um dia. Agora, serão 3 noites de desfiles! Essa nem pode ser considerada uma má notícia. É apenas a novidade a qual você e muitos outros, como a freira carmelita que foge do convento em Santa Teresa pra brincar o carnaval carioca, terão que se adaptar.

O pior, que fez a balança pender e muito para o silêncio do seu amigo Pluct Plact, foi o que era pedra cantada, piorou durante dias seguidos de maio e está longe de acabar. Não vou fazer suspense e já adianto que informando que os seus estão todos bem! Dito isso, informo que o Rio Grande do Sul colapsou.

Não foi por falta de aviso, mas por omissão e ausência de prevenção. Chuvas torrenciais provocaram enchentes que arrasaram cidades. Tanto do lado leste do estado, com as piores consequências possíveis, quanto do lado oeste. Na bacia do Uruguai os danos foram mais controlados. Fizera melhor a lição. No caso de Uruguaiana, escolados nas enchentes de 1983. Você estava por lá, lembra?

Todo o país, quer dizer, parte dele, está se desdobrando para ajudar o povo gaúcho. Outra parte, essa nefasta, se dedica a gerar e distribuir fake News sobre a tragédia.

O resto você já sabe. O mundo quer brincar de guerra. Ucrânia e Palestina ampliam o tempo de seus conflitos globais enquanto pipocam outras rusgas aqui e acolá.

Chega, não é? Então vamos à novidade que desequilibrou de vez a balança e me fez enviar essa notícia urgente. O seu Flamengo goleou o sempre freguês Vasco da Gama no Maraca por 6 X 1. O maior placar dos confrontos entre os dois times!

Fala sério, não é uma boa razão para uma cartinha?

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

PS: Um brinde do acervo da cronista. 

Em dezembro de 2009...


https://www.youtube.com/watch?v=06IgtUKvRqQ


Studio na Colab55

segunda-feira, 16 de abril de 2012

BR - 290 com a 50mm




De Porto Alegre a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, são 631 quilômetros Pampa a dentro, numa viagem de mais de 7 horas, no caso, pela BR - 290.

Velocidade alta (da câmera) para, num jogo de janela de carro, ir registrando o entorno com a lente 50mm.

É claro que o tempo ajudou e as nuvens fizeram pose. Havia começado a chover dias antes e a natureza estava em festa. De cores e desenhos. Que paisagem!

Agradecimentos à Juca e o Nilson Faria Corrêa, o motorista. Companhias ideais para esquadrinhar a querência.

* fotos de Valéria del Cueto, para a série Fronteira Oeste do Sul, do Sem Fim... http://delcueto.multiply.com

domingo, 1 de abril de 2012

Pela ordem: captação, edição e divulgação!







Pela ordem: captação, edição e divulgação!


Texto e foto de Valéria del Cueto

Cheguei em casa depois de um mês na estrada. Mal findou o carnaval no Rio tomei o rumo de Uruguaiana, para fazer a cobertura dos desfiles fora de época das escolas de samba de lá.

Como sempre, fazer as fotos é demais. Mas representa pouco perto da tarefa de editá-las para serem publicas em duas edições consecutivas do jornal Tribuna de Uruguaiana, sob as orientações do editor Fred Marcovici. Trabalho triplo: a primeira edição é das mulheres e crianças, a segunda dos “camarotes fora de época” e ficam no HD portátil as que mais gosto - sem desmerecer as duas primeiras. As fotos que faço do povo do samba de lá.Mas essas precisam esperar na, agora imensa, fila de edição, junto com as fotos da jornada completa. Isso, por que a fila demora, mas, de espacito, caminha.

A mesma que andará célere no mês de abril quando ficarei de castigo aqui na Ponta do Leme, cuidando de uma obra inevitável no apartamento térreo que habito, na Gustavo Sampaio.

Primeiro virá a edição das fotos do Carnaval Carioca: Mangueira, Mocidade, amigos e conhecidos.

Daí seguirei pela ordem: a viagem para Uruguaiana, treinando com a lente 50mm e a São Lucas, estância tipicamente gaúcha em que tive por “modelos” um mega sapo, um zurrilho e os exemplares Braford desfilando pela mangueira, numa verificação técnica, seguida de um banho com carpaticida, além do cenário perfeito de um por do sol regado a chimarrão, churrasco e vinho.

Ficou faltando conhecer o ratão de banhado que, impulsivo na véspera, resolveu se refrescar na solução do gado e ficou doentinho. Disse-me o Nilson, meu primo criador gado, que o animalzinho já está recuperado pronto para dar um corridão no Rodrigo, seu ex-amigo que faz agronomia em Santa Maria, e de quem o ratão agora tem ciúmes, aparentemente provocado pela ausência e as novas companhias do “guri”.

Na fila que, espero ande rápido, também tem a viagem  pelo Paraguay com direito a tudo e mais um pouco: a ruta de Encarnacíon até a capital do país; o centro de Asuncíon, sua parte antiga e os trabalhos artesanais na Plaza de Los Heróis; Mariachis num cumpleaños; a cerâmica de Areguá, os bordados de Itauguá.

Está achando pouco? Acabou não. Do Uruguay vem registros de Artigas, cidade vizinha da gaúcha Quaraí. do. Esse trabalho do Sem Fim... é uma diversão!

A culpa de tanto é de três fotógrafos amigos meus. Um, o Rai Reis, de Cuiabá, que me fez investir numa lente 50mm. A mesma que ficou meio encostada, por que a achei muito “arisca”.

Minha primeira experiência real com ela foi no lançamento da exposição “Retratos e Relatos”, de José Medeiros. Acho que já contei o fato, mas não custa repetir: quando cheguei à vernissage ele botou uma Cannon, com a lentezinha em questão na minha mão e mandou que eu registrasse o evento, com direito a apresentação dos Mascarados de Poconé todinhos pra mim e pra quem mais se habilitou. Parei por aí, ainda temendo não dominar o manuseio da potranca. Até que outro profissional, o carioca Ricardo Almeida, apresentou nas redes sociais uma série de fotos de Paraty produzidas com a lente em questão. Não satisfeito me chamou de “velha” quando eu disse que era necessária muita agilidade para trabalhar com uma lente fixa, como esta.

Parti pra dentro. Comecei aumentando horrores a velocidade das fotos, para poder usá-la no carro, quando ia de Porto Alegre a Uruguaiana. Devagarzinho, fui fazendo uns testes nos ensaios técnicos do carnaval de lá. Nos desfiles já estava alternado-a com a zoom que costumo trabalhar. Quando fui pro Paraguay adotei a lente como principal e, quando saí do país, depois de vários dias me amansando com ela, já estava usando o manual e mandando ver sem medo de ser feliz.

O resultado, vocês verão em breve e aos poucos...

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Fronteira Oeste do Sul” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 25 de março de 2012

Sonhos de quinta, realidade de segunda

Sonhos de quinta, realidade de segunda

Texto de Valéria del Cueto

Quase sempre é a mesma coisa. Escrever esta crônica semanal é uma aventura literária. Sexta, depois do encerramento da edição, após a entrega do material minha mente ferve de novos temas e enredos. Dialogo comigo mesma preparando os argumentos que usarei na próxima empreitada com um entusiasmo contagiante. Claro que não escrevo nem anoto nada.

Aí, vem o final de semana e o princípio da próxima. Só na quinta feira lembro-me que o dia seguinte é o dia D. Como sei que tenho estoque de assuntos pensados, começo a buscar no meu HD interno os arquivos que estão por lá, desordenados, porém registrados em alguma curva do cotidiano semanal. Essa procura vai até a noite quando, cansada de percorrer as vielas da memória, chego a conclusão que se nenhum dos temas me encantou a ponto de virar crônica é por que a fila andou e outras coisas mas urgentes e interessantes surgiram.

Na noite de quinta crio novos argumentos, construo frases inteligentes e imagens interessantes, dialogando com meu travesseiro e juro colocá-las no papel assim que acordar. O problema é que, com aqueles sonhos maravilhosos que costumam povoar minhas noites bem dormidas, ao acordar me dá um branco e não consigo lembrar nem das viagens pelo incrível mundo sem barreiras do inconsciente, nem o que escrevi mentalmente antes de embarcar no sono dos sonhos.

Aí, quando a giripoca está quase piando, anunciando a hora do deadeline editorial, parto pra ignorância: percorro as notícias buscando um fio que me leve a preencher as duas laudas  semanais. Sempre acabo deprimida diante das mazelas diárias dos jornais. Mortes, roubos, desamor e dor não são assuntos que se adequem a minha proposta literária!

Na minha busca, começo a avaliar as informações e da leve depressão passo ao espanto diante das mentiras e distorções sobre as conjunturas locais, estaduais, nacional e mundial. Impressionante a capacidade de uns e muitos de jogarem o jogo do faz de conta, deturpando números, tentando reescrever e reinterpretar o óbvio: não há crise, nem inflação, os problemas não estão se agravando, não estamos sendo assaltados por impostos abusivos e nunca destinados às necessidades básicas da população, como saúde, educação e segurança. Só para citar o básico...

Mas não termina aí. Minha revolta começa ao vermos aqueles que deveriam legislar e fiscalizar essa bandalheira toda destilando verborragia ao alertar em tom professoral que algo deve ser feito para contar tais absurdos. Os mesmos que eles apoiam e dos quais se beneficiam descaradamente. Lembrando que os Contos da Carochinha políticos aumentam exponencialmente em anos eleitorais, o que acontece de dois em dois anos.

E dá-lhe base sem vergonha, oposição inexistente, justiça de olho aberto, com sua balança adulterada pendendo para o lado que ali coloca umas nada reles moedas para fabricar decisões pra quem lhe interessar.

Se há luz no fim do túnel ela não virá dos faróis de xenon ofuscantes dos poderosos, mas das lanternas e isqueiros do povo que, de saco cheio de tanta palhaçada, se juntará para iluminar o próprio caminho.

Um bom exemplo vem da fronteira oeste do sul: cansados de se submeterem ao monopólio da empresa de ônibus que atende mal e caramente a região, depois de ações na justiça, protestos nos meios de comunicação e tudo o que podia ser feito pelos trâmites normais, alguém partiu para usar as armas das redes sociais: criou um grupo no Facebook dos incomodados que não têm direito a mudarem para outra companhia de transporte pela inexistência de qualquer opção. O tal grupo cresce a cada dia, assim como as assinaturas numa petição pública contra o monopólio dos transportes. Um bom exemplo a ser seguido por esse Brasil afora, aí incluindo meu querido Mato Grosso!

Para dar o nome aos bois, a empresa se chama PLANALTO  e o link para se juntar aos descontentes é: https://www.facebook.com/groups/367650956601519/

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Fronteira Oeste do Sul” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 11 de março de 2012

Dos Pampas ao Chaco








Dos Pampas ao Chaco



Texto e foto de Valéria del Cueto

Para mim, viajar é um quase tudo. Seja uma viagem real ou virtual, me chama que eu vou! O chamado inicial que me tirou, mais uma vez, (oba!) da inércia pós-verão carioca carnavalesco (inércia é apenas imagem metafórica, claro), dessa vez, foi para voltar aos pagos e rever os pampas. Não apenas o gaúcho, mas, também, o argentino.

E, assim, retorno  à querência, campeando recuerdos como diz a música da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul. Meu pingo Saudade, mal pisa no chão e quando as rédeas do tempo me escapam da mão me pego, em meio às festas do carnaval fora de época de Uruguaiana, procurando um pouco do chão campeiro.

Já não o encontro nas trilhas musicais dos churrascos deliciosos e das mateadas para que me convidam. Os sons da gaita de oito baixos e das batidas dos bumbos legueiros foram substituídos por um produto comercial, em minha opinião (eu disse na minha opinião) de quinta categoria, um breganejo universitário, seja lá o que isso signifique. Acho um lixo, que me perdoem os aficionados.

A troca quase parou meu poético coração gaudério ao ferir meus ouvidos apurados que buscavam o mais puro nativismo gaúcho. E, o que é pior, virei quase uma piada entre a garotada que em cujos olhos via legendas do tipo: “ Mas bah, que carioca saudosista”. Para parar de reclamar, ganhei um CD de músicas baguais, tipo um “top teen” do mais ou menos. Uma coletânea  pasteurizada, nada comparada as dezenas de obras primas que tive o prazer de cantar e divulgar nos tempos áureos da Califórnia de Uruguaiana.

A tal da globalização engoliu as diferenças, em vez de sublimar as particularidades! Era de se esperar, por mais que focos de resistência tenham tentado preservar os ninchos poéticos e melodiosos da melhor produção nativista gaúcha. Que não me obriguem a ouvir essa porcaria vigente, de rima pobre e acordes fáceis. Não nasci para isso. Meu gosto musical não comporta “Quero te namo, quero te namo, quero te namorá”.

Em busca de algo mais puro e menos burro sigo me internando ainda mais nas entranhas sul-americanas e, pasmem, pretendo seguir para o Paraguay, cruzando Corrientes e seguindo Encarnacíon adentro, conhecendo novas antigas terras, graças a mais uma grata surpresa. Eu, que sempre tive o Paraguay no corazón, por haver morado na fronteira do então uno Mato Grosso, em Ponta Porã e Bela Vista e, tendo tentado inutilmente palmear de novo estas terras fronteiriças, partido de minha base cuiabana, após a decepção de descobrir que teria que ir a São Paulo para chegar na capital paraguaia de avião, acabo de abrir um mapa e “descobrir” que a distância que me separa de lá, partindo aqui de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, é de uns míseros 700 quilômetros!

Estou juntado os “peçuelos” (alforjes), carregando (literalmente) as baterias, tanto as minhas, ainda exauridas da maratona carnavalesca que se prolonga aqui na fronteira num carnaval fora de época, quanto as da câmera fotográfica, e botando os pés na estrada por caminhos que ainda desconheço. Que delícia!

Para não faltar um motivo prático me convenço que meu objetivo é conhecer o Museo del Barro, que a jornalista Justina Fiori disse ser interessantíssimo. Claro que há mais, muito, mais nessa viagem. Reencontrar amigos e rever gente que sempre morou no meu coração sem precisar pagar aluguel.

Como sou generosa e gosto de partilhar minhas andanças, comigo segue a Juca, minha prima, com quem tenho uma afinidade, digamos, específica. Ela também faz parte do seleto bloco “Me chama que eu vou”, aquele que agrega um tipo de gente que não refuga diante de uma viagem e tem sempre “o pé que é um leque”, pronto para sair andando por esse mundão de Deus. Mando notícias!

PS: A música pode estar assim, assim, mas quando o assunto é o churrasco, fico sem palavras. Aprendi quando criança que é feio falar de boca cheia!

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Fronteira Oeste do Sul”, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 8 de maio de 2011

Pagos




Entre o ir e o vir,
lugar que sempre está.
Ilha, caminho, distância...

Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul, do Sem Fim...

domingo, 24 de abril de 2011

Não importa!

Não importa!
Texto de Valéria del Cueto

Fazer o bem, a quem? Tem um ditado que diz pra não olhar. Nunca havia atinado no seu sentido. Até outro dia quando numa roda de café alguém comentando sobre a propriedade ou inadequação de um determinado projeto humanitário e defendeu, como outros, a tese de que era um absurdo com tantos alvos de caridade no entorno, dedicar tempo, energia e recursos a uma causa distante.


A indignação era feita de forma direta, baseada em variadas objeções e críticas indiretas. Pensei para argumentar. O interlocutor merecia uma resposta objetiva em contraponto à sua crítica.

Minha réplica partiu da premissa de que no entorno há uma grande quantidade de almas abastadas e caridosas capazes de estenderem suas mãos aos necessitados locais.

Mas, em algumas situações o cinturão de proteção social estava totalmente ausente. E estes precisavam de atenção tanto ou mais do que os que possuíam uma rede de proteção. Se não fossem os audaciosos e abnegados distantes quem poderia suprir as mais básicas necessidades destes abandonados? Foi aí que comecei um exercício filosófico sobre quem dá e quem recebe.

Minha opinião é de que não tem qualquer peso ou relevância a posição geográfica, social, cultural ou religiosa do objeto da generosidade.

O que vale é doar. Não interessa pra quem. O ato de estender as mãos não ganha maior nem menor valor de acordo com seu alvo. Ele vale apenas pelo quanto nos doamos, não importa a quem.

Por isso, reforço aqui o apelo do médico Raul Valls, de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Juntamente com o fotógrafo Justo Casal ele faz, neste momento, uma campanha apaixonada.

Quer levantar os recursos necessários a construção de uma escola em Lenkisem, comunidade massai de três mil habitantes no interior do Quênia, continente africano. O projeto se chama “De mãos dadas com a África”.

Raul conheceu a comunidade de pastores localizada próxima Parque Nacional de Ambroseli e ficou impressionado com o local onde as crianças se reuniam para estudar: embaixo de uma árvore, a mercê das intempéries. Elas pediram ajuda para construir uma escola e ele estendeu o pedido aos amigos e a quem mais puder colaborar aqui no Brasil.

A iniciativa é louvável e pode ser acompanhada pelo site http://www.discovering.com.br. Contribuições serão bem vindas. A diferença é que os agradecimentos serão na língua dos Massai!Feliz Páscoa para todos.

...

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e porta-estandarte do Saite Bão. Esta crônica faz parte da série Fronteira Oeste do Sul, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

sábado, 23 de abril de 2011

Casa Rosat - Santana do Livramento




O hall de entrada desta residência numa das esquinas da praça principal de Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, merece um destaque especial tanto pela entrada em si, de madeira e vidro, quanto pela placa de azulejos com os dizeres: "Ancienne famille du Pays d'en Haute citèe â Chateau-d'Oex des 1436".

Havia uma senhora varrendo a entrada quando estive em Santana do Livramento e perguntei se ela me autorizaria a fotografar os detalhes da entrada da casa. Ela me disse que precisaria de autorização dos donos.

Desisti e fui até a igreja, fazer uma foto do seu interior.

Quando voltei para a rua, a senhora, sorridente, me disse que havia perguntado e que eu poderia fotografar. Não me fiz de rogada...

*fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul, do Sem Fim

Janelas de Santana do Livramento




Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, sempre me atraiu por suas janelas.
Não me perguntem por que. Talvez algo na luz, no horário em que, em diversas épocas percorri o centro da cidade.
Nas primeiras idas por lá, no tempo em que morei em Uruguaiana, nem tinha ainda câmera fotográfica.
Em 1997, quando fiquei na cidade trabalhando por alguns meses, fiz alguns registros.
Nesta última visita, em março de 2011, caí "matando".
O que me chamou a atenção e despertou minha intenção foi a janela que é capa deste álbum. Singela, a velha janela conta, por si só, uma história de vida...

* fotos de Valéria del Cueto, para a série Fronteira Oeste do Sul, do Sem Fim.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sentinela abusada


Eram tantas flores que precisei entortar o quadro

Estive na década de 90 em Rivera, Uruguai, e fotografei esta árvore na esquina da Paysandu com...
Voltei agora e peguei o auge da sua floração.
Atenção a segunda foto, onde no quadro aparecem carros parados na beira da calçada. Por eles dá para se ter uma idéia do tamanho do bouquet!
* Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul, do Sem Fim

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sociedad Española de Socorros Mutuos de Santana y Rivera




O prédio em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, localizado no centro da cidade tem uma fachada muito bonita.
Infelizmente poluída por painéis das lojas alugadas no local. Um caso típico de desrespeito a preservação do patromônio arquitetônico dos municípios brasileiras. O emblema da Sociedad fica no alto do hall de entrada.

Numa das dependências estão expostas nas paredes várias fotos dos fundadores e membros da Sociedad Española de Socorros Mútuos de Santana y Rivera. Lá encontrei a foto do meu bisavô, Rafael del Cueto Iglesias.

* Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul, do Sem Fim.

domingo, 17 de abril de 2011

Estância São Lucas - Braford




Chegamos a mais uma faceta da São Lucas. A criação pecuária da raça Braford. As características dos animais são a cor da pelagem avermelhada e os oculares, ou seja, as manchas nos olhos dos animais.

Aqui, o gado é criado solto e, pra "negociar"a pose dos animais, é preciso ter uma forma pessoal de diálogo para que ele fiquem nas posições que valorizem seus atributos. Fiz as fotos com a Judith e o Nilson, e espero ter colaborado com o registro do plantel da Estância.

* Conheça a sede, a granja, silo, secadora e lavoura nos links indicados.

** Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira oeste do Sul, do Sem Fim.

Último gole

Último gole
Texto de Valéria del Cueto

Cheguei fá faz uns dias, mas não consegui me desligar das impressões da viagem. Algo me prende. O fio ainda está esticado.


Adoro viajar, conhecer, explorar e, também, voltar a alguns lugares e passagens anteriormente percorridos.

O reencontro pode ser tão estimulante quanto o descobrir. Especialmente se exploramos e interagimos com diversos aspectos locais.

Explico: no caso de um retorno, ao fazê-lo, há várias possibilidades de erros e acertos nos motivos que nos fazem, algumas vezes, deixar de lado tempo, grana e a disponibilidade pra conhecer novos lugares, usando esses recursos para voltarmos sobre nossos passos.

O segredo é sempre haver muitos passos para serem repisados. Artísticos, culturais, paisagísticos, sentimentais, familiares. Aqui não me refiro apenas às famílias consangüíneas e, sim àquelas com quem convivi, as que me adotaram e foram adotadas por mim. Gonçalves, Boabaide Yule, Vidal, Pedra, Rocha, Keller, Bermudes, da ilha (dessa a saudade dói) e tantas outras aqui representadas pelas já citadas. Gente de abrigo, acolhida e querer bem.

Elas são grandes razões para me fazerem querer voltar...

Claro que acontecem decepções, regressões e perdas. O risco é menor quando podemos diluí-las nas coisas boas que permanecem ou evoluem.

Estes caminhos são representados pelos fios da minha teia, criando e amarrados um a um em muitas direções desse mundão afora.

De vez em quando um deles se tenciona me chamando em sua direção. Sempre que posso atendo o mais rápido possível ao chamamento. Que pode ocorrer através de qualquer um dos sentidos.

Na viagem ao sul um gosto me acompanhou. O do refrigerante de “pomelo” (grapefruit) PASO DE LOS TOROS, o uruguaio.

Meu sábio pai teve a inspiração de levar uma caixa da garrafinha para Uruguaiana, de onde saímos para a viagem de volta com os dois últimos exemplares na mochila. Ele tomou todo o dele no ônibus para Porto Alegre. Eu cheguei ao Rio com meia garrafa muito bem fechada para não perder o gás.

Dois dias depois tinha a impressão de ainda não haver desembarcado. Faltava finalizar algo.
Abro a geladeira. Lá está o PASO DE LOS TOROS.

Não dá pra confiar que não perderá o gás e a mística se ficar mais tempo refrigerado. Despejo o líquido que faz cosquinha na garganta me despedindo da viagem, até então inacabada, apesar de estar em casa novamente.

Meu último gole. Respiro fundo. Acabou...

Bom, mais ou menos, descubro quando fecho a porta do refrigerador. No fundo da prateleira me olha a vaquinha em cima do nome LAPATAIA. Abaixo, no rotulo da caixa, a imagem da estância famosa pelo dulce de leche que ocupará minhas noites de vídeo com colheradas generosas de delícia...

...

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e porta-estandarte do Saite Bão. Esta crônica faz parte da série Fronteira Oeste do Sul, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estância São Lucas - granja, secadora, silo e lavoura




Aqui o astro é Rodrigo, especialista em embalar feno. A supervisão é do Nilson, que me levou por um passeio pelas máquinas que secam e debulham o arroz colhido na lavoura da São Lucas.

* Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira oeste do Sul

terça-feira, 12 de abril de 2011

Estância São Lucas - sede




Esta não é a primeira vez que visito e fotografo a São Lucas. A primeira vez foi ha dois anos atrás, quando também fiz a cobertura do carnaval pelo Tribuna de Uruguaiana.

Uma boa noite pra fora me recupera do cansaço do trabalho na pista. Quem me proporciona este reparo é o Nilson e Judith, meus primos queridos, a quem agradeço de coração o privilégio.

Nestas fotos, procuro não repetir registros dos mesmo planos de 2009. As fotos deste período estão nos albuns "Pra fora" na página 5 da pasta FOTOS do Sem Fim

Descanso, descalço
Enxada largada
Morada portão
Arvoredo
Energia açude
passagem cenário
retorno caminho
porteira atitude
Saudade.

Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul.

domingo, 10 de abril de 2011

Amém

Amém
Texto de Váleria del Cueto
“Buenas tardes”, cumprimenta ainda sob o impacto de retornar, após anos de ausência, ao estabelecimento comercial na Paysandu, uma das perpendiculares da agitadíssima Sarandi, artéria principal de Rivera, cidade Uruguaia.

Tudo igual. Espaço para atender em L começando com o caixa, a direita da porta, o balcão refrigerado de doces, espaço para entrega e embalagens das encomendas. Ao fundo os pães, croissants e outras deliçuras salgadas (recheadas ou não) que fizeram da Ripan uma miragem real e perfumada dos bons tempos em que morou em Santana do Livramento, fazendo um trabalho. De lá saíam os quitutes que costumavam servir de lanche noturno que servia de jantar.

“Boa tarde senhora. Estou procurando um produto que até hoje só encontrei neste local. Acho que se chamava frade, fradinho ou algo assim”, descreveu para a atendente do caixa.

“No ay”, diz a outra, sem dar nenhuma atenção.

“Talvez seja outro nome” insiste olhando em volta em busca de algo que pareça a iguaria. “Quem sabe franciscos”.

“No ay. O que tenemos esta exposto”.

“Não estou vendo as migas”, contradiz a antiga cliente. “Lembro que sempre comprava migas de queijo e presunto, junto com as gostosurinhas que estou procurando. Eram daqui. Folheados...” esclarece.

“Migas ay, frades, fradinhos ou franciscos, no. Mil hojas son estes”, interrompe a caixa impaciente enquanto aponta para a vitrine de doces.

Ela olha para a variedade exposta. Vê os mil folhas com dulce de leche. “Não, não são redondinhos, nem tão doces, senão não comeria no lanche” diz, vasculhando a memória em busca da imagem do seu objeto de desejo. “São compridinhos”, explica mostrando duas falanges do fura bolo,as do meio, sem desistir. “Há quanto tempo você trabalha aqui?”

“Uns quatro anos”, responde ela, sem entender a razão da pergunta.

“Então pode não conhecer o que procuro. Era de mil folhas, tinha glacê e um nome religioso”, tenta, novamente.

“A moça que recebe os pedidos é mais antiga”, a caixa, aliviada por se livrar do interrogatório, aponta para o meio do balcão, que ela percorre procurando algo parecido com seu objeto religioso.

“Ola, necesito ayuda. Busco algo de Ripan, pero no recuerdo su nombre”, tenta em español, e recita suas reminiscências novamente.

“O que buscas son los... jesuítas! Mil hojas, queso, jamón, com glacê arriba!” A senhora sorri, com ar de vencedora, por ter matado a charada.

“Jesuitas! É isso. Sabia que era um nome religioso. Jesuitas. Passei perto...”, exulta feliz.

“Pero no ay”.

Um balde de água fria acaba com a comemoração.

“Não fabricam mais?” pergunta desapontada, tão perto e tão longe de satisfazer seu desejo...

“Por encomienda, de um dia para el otro”, explica.

“Não tem problema! Quero meio cento, para amanhã de manhã.” Bate o martelo. Ao se despedir faz uma última pergunta: “Você me recomendaria um bom hotel na cidade?”

...

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e porta-estandarte do Saite Bão. Esta crônica faz parte da série Fronteira Oeste do Sul, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

domingo, 3 de abril de 2011

Oi, tchau!

Oi, tchau!

Texto de Valéria del Cueto

Muito legal esse negócio de escrever crônicas, artigos e relatos de viagens e aventuras. Menos quando estou no meio de uma viagem ou uma aventura.


No início era mais fácil, já que tudo virava novidade. Agora, com o número de depoimentos e impressões crescendo a cada ano, há que haver um novo cuidado. O de não me tornar repetitiva.

Um caso clássico é o carnaval. Um por ano. Ou melhor, quando a maré está favorável, vários a cada temporada. E dá-lhe ensaio técnico, barracão, grupo de acesso, infantil, especial, campeãs, carnaval fora de época no sul...

Pretendo expandir ainda mais meu metier incluindo no currículo, ano que vem, carnavais internacionais sul-americanos e, quem sabe, a festa de New Orleans.

Mas esses são planos e, quem me conhece, sabe que raramente eles acontecem como planejo. Tudo comigo é assim, meio no improviso, graças a Deus.
Por isso, no momento, depois de ralar pra caramba nas avenidas e Sapucaís que se estendem aos pés de milhares de animados foliões, só penso mesmo em descansar um pouco.

É. Já sei que muita gente pensa que vida de fotógrafo carnavalesco é só gandaia. Em parte. Também é muita esforço, suor, chuva e quilômetro rodado. E tente não fazer uma preparação física pra ver o que acontece...

E foco. É necessário muito foco e objetividade pra não se perder no mar de cores, corpos, formas e, por que não dizer, no canto das sereias que embalam as melodias das escolas. Concentração é o fator decisivo para o bom andamento dos takes registrados.

Concentração e muita sorte. Sendo que, esta última, definitivamente nem sempre está ao nosso lado. Cito um caso recente: numa noite longa de várias escolas desfilando senti que estava tão cansada que perdia o décimo de centésimo de antecipação necessário para fazer o registro preciso e inspirado que desejava.

Parar por que? Por que via, pelo visor da câmera, que deveria ter sido mais rápida, ágil e eficaz nos momentos de clicar.

Parar pra quê? Impossível fazê-lo, por que carnaval é assim: é hoje só! Amanhã, se tiver mais, serão outras escolas, enredos e personagens, não mais os que me desafiavam no momento de exaustão em que deixava de pegar o flagrante que via passar diante dos meus olhos mas não tinha agilidade para capturá-lo com as lentes da minha câmera.

Moral da história: pecar por excesso e jamais me omitir, mesmo que os resultados deixem a desejar. Tal e qual na vida que não espera que estejamos preparados para vivê-la.

A vantagem é que, depois de fotografar, podemos melhorar o material num editor de imagens, corrigindo as cores, o brilho, o contraste e enganando o foco doce. Ajustando o quadro e, na pior das hipóteses, criando um (d)efeito criativo.
Também é importante saber o momento de parar. Mais vale uma escola a menos do que 12 mal registradas.

Por isso, peço a bênção dos amigos e me despeço até segunda ordem. Meu corpo pede paz, uns dias no Uruguai e, pra finalizar, uma noite muito bem dormida lá fora, na estância, onde pretendo dormir ao som do repique dos grilos e acordar ouvindo a cacofonia da passarada, nem um pouco preocupada em levar a nota máxima dos jurados de harmonia, bateria, samba enredo e evolução dos exigentes jurados dos sambódromos da vida...

Fui!

...

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e porta-estandarte do Saite Bão. Este artigo faz parte da série Fronteira Oeste do Sul, do SEM FIM

terça-feira, 5 de maio de 2009

Pra fora - Flores, nada mais

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Pra fora - Flores, nada mais

Dos pampas de Uruguaiana,
flores do jardim de fora.
Algumas, do refúgio.
Outras, abusadamente exuberantes,
mesmo no meio da seca de fim de verão.

Fotos de Valéria del Cueto, para a série Fronteira Oeste do Sul, SEM FIM... Feitas depois de uma costela assada, "lá fora" com a Juca e o Nilson. Assim, quem não ia se inspirar...
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domingo, 26 de abril de 2009

Pra fora - Vivendas

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Pra fora - Vivendas

Cada um no seu lugar
em cada lugar, seu sonhar.
Pro sonhar de cada um.

Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul do SEM FIM... Feitas numa manhã preguicenta "lá fora" com a Juca.


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pra fora - Elos



Força.
Ferro, prisão.
Corrente da alma...

Fotos de Valéria del Cueto para a série Fronteira Oeste do Sul do SEM FIM... Feitas numa manhã preguicenta "lá fora" com a Juca.