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domingo, 20 de setembro de 2009

Ver não é olhar

Ver não é olhar


Texto e foto de Valéria del Cueto

Sei que um lugar está em mim quando consigo me locomover em seu espaço com meus próprios olhos, sem as lentes de contato ou os óculos que corrigem minha deficiência visual, que não é pouca. Então, quando me pego guiada pelos meus registros pessoais, sei que estou quase em casa.

Alguns lugares, e nestes me sinto realmente em casa, sou capaz de percorrê-los até voando, tão nítidos estão dentro de mim. Voando nas asas da minha imaginação, fique bem claro, o que na verdade, não está. Pois o que vejo pensando não é imaginação, algo fantasioso. É totalmente real, à beira do palpável.

O apartamento em que nasci, no Leme (nasci numa clínica em Botafogo, mas só fui parida lá, acho que acordei pro mundo no Montese, a casa dos meus avós, na Gustavo Sampaio), é um desse lugares.

Outro lugar assim, mas um pouco mais difícil por que muda muito sua geografia, é a ilha do Brandão, em Angra dos Reis. Lá, tive uma casa grande, cercada de outras menores, todas com nomes como Ametista, Samasati... Andava pelos meus domínios, cheios de escadas, subidas, rampas e muito limo, com uma desenvoltura surpreendente. Ia da casa principal até a beira do deck, depois quebrava em direção ao cais, onde mergulhava, ainda muito sonolenta, pra dar bom dia para Josefina, a tartaruga e um alô para o Bodião antes do café. As lentes de contato ainda repousando no líquido reparador em seu estojo apropriado.

A gente aprende a ouvir o lugar. Esse é o primeiro segredo para conseguir enxergá-lo, os sons e também o tato ganham uma importância incrível. No mais, sombras, manchas e borrões, totalmente nítidos (?).

A memória também passa a ser um sentido. Faz com que descubramos áreas insuspeitas no nosso HD interno. E, outra coisa que já observei: essa mesma memória pode ser acabado de acontecer. Um exemplo?

Vamos lá. Outro lugar. A casa da minha tia, em Uruguaiana, onde passei algumas férias e morei antes de me casar. Voltei trinta anos depois, no carnaval deste ano, 2009. Uma noite, acordei com sede e, quando vi, lá estava eu com todas as luzes da casa apagadas, andando tranquilamente no escuro pela cozinha, após passar pelo corredor e a sala, com se aquilo fosse uma coisa que fizesse todas as noites dos tantos anos que passei fora...

Hoje longe, muito longe, de Uruguaiana e do meu Leme, me vejo tendo o mesmo tipo de atitude totalmente à vontade num novo espaço, recém incorporado na minha geografia. 

Me peguei andando pela casa da rua da Piscina, sem número, numa tranqüilidade assustadora, daquelas que indicam que ali, já é um meu lugar. Ainda palmilhável e explorável, já que muito recente. Mas de lá já registrei parte do caminho no meu GPS residencial, incluindo a escada de barco, obstáculo perigosíssimo para que eu alcance a geladeira quando, meio zumbi, vou em busca de um copo de água na escuridão noturna do chalé da Chapada dos Guimarães, centro oeste brasileiro.

Ver, definitivamente, nem sempre é apenas uma questão de olhar...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Artigo da série Ponta do Leme



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A onda que leva, traz


A onda que leva, traz

Texto e foto de Valéria del Cueto

 Segunda feira, 2 da tarde. Estou na Ponta. Ainda. Usando o meu biquíni mais antigo. Aquele que de topo de linha de alguns anos atrás virou diário, até ser substituído por outros que vinham na fila. Verdade seja dita, fui em busca desta peça antiga por razões totalmente justificáveis.

Quero me sentir em casa. No meu canto. Íntima. Usual, contumaz, tipo mobiliário permanente. Mesmo que, vez por outra, como agora, precise me ausentar.

A raposa que me habita palpita: “É, está ficando mais frio, o inverno está chegando”, me diz, tentando o quase impossível: transformar essa luz perfeita, este espaço aberto e o murmúrio do mar nas uvas verdes de La Fontaine.

Não cola. Quando estou quase convencida o barulho das bandeiras dos clubes, penduradas nas armações de lona dos barraqueiros, acrescenta um novo elemento aos sons - que penso conhecer de cor e salteado -  da minha ponta de mundo. Se junta ao bater das asas de alguns pombos que se esforçam para alçar voo, embalados pelo mesmo vento que cutuca as bandeiras.

Lá vai minha concentração - e quase concordância - no argumento do lado raposa, esmagada pela paisagem que me circula e o gemido do mar, acrescido dos elementos sonoros acima expostos.

Tá muito mar. Alto, mexido, cheio de valas e correntezas. Um surfista solitário espreita além da linha de espuma suja por causa da maré, trazida do outro lado da Pedra do Leme. Isso não é novidade.

Novidade vai ser o que a moça a minha frente vai sentir, quando descobrir, provavelmente num quarto de hotel, o estado lastimável das suas costas. Antes, branquinhas, agora, rosadas e mais tarde, num tom definitivamente vermelho.

Assim é a vida, uma troca de pele constante. Ás vezes traumática, como é o caso da moça. Outras, nem sequer sentimos. Mas elas, nossas camadas epiteliais, de uma forma ou de outra, se vão. Eu prefiro fazer minhas trocas de uma maneira intermediária, sem muito sofrimento, mas não de maneira que eu não note essa renovação.

Chico Amorim me ensinou a reconhecer o tempo da seca em Cuiabá observando nossas mãos descascar, sempre na mesma época do ano. Depois, a secura piorava castigando nossa nova epiderme e deixando ela no ponto para o tempo das águas... Mais ou menos como as pichações na Pedra do Leme, normalmente apagadas a cada início de ano para dar lugar... às novas expressões de uma, digamos arte, impressa no concreto do Caminho dos pescadores e adjacências.

Tudo isso, pra dizer que estou de partida. Outra vez. Um pouco mais tarde esse ano, porém, o tempo de ir apresentou-se.

E é de biquíni velho, alma lavada pela gratidão de aqui estar, que saboreio esse momento (que se repete muitas vezes na minha vida muito tempo), aquele em que digo a mim e a minha raposa: “A melhor coisa de ir, é poder voltar”

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte da série Ponta do Leme, do SEM FIM http://delcueto.wordpress.com

domingo, 6 de setembro de 2009

Independencia!

Start:     Sep 7, '09 7:00p
Location:     Margens do Ipiranga
"Independencia... ou trote", 
disse o cavalheiro cansado de andar a passo, 
perto do riacho do Ipiranga...
O seu amigo respondeu:
Ïndependencia? Que sorte!
E deu no que deu...

Vagabinha de Valéria del Cueto

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sempre as pipas

Clique no LINK para acessar o ensaio das pipas no FLICKR
Sempre as pipas

Brincadeirinhas chapadensenses, exercício vagabinha para o material publicado no Pipas pra que(m) te quero

A loja abriga as pipas pra quem te quero.
A faca, o corte,
no vento que venta lá.

Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto para a crônica acima citada e linkada

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Esquinas do mundo


Esquinas do mundo

Texto e foto de Valéria del Cueto

Cada mundo é uma esquina, ou cada esquina é um mundo? É o que me pergunto, enquanto espero alguém atrasado numa delas.

Vejo a senhora gorda passeando vagarosamente com seu par apoiado numa bengala, o vendedor da loja de roupas masculinas jogando a guimba de cigarros no meio fio sem nenhum pudor ou vergonha, observado por uma criança que agarrada em sua mãe espera o sinal abrir e pergunta, inocentemente por que o homem suja seu próprio “entorno”.

Foi esse mesmo o termo usado pelo menino, de seus 9 anos. Ele deve ter guardado a palavra para usá-la no momento apropriado. A mãe arregala os olhos, pensando no que dizer para uma pergunta que só tem uma resposta: falta de educação.

Mas esta característica não é exclusiva do vendedor, que volta para o interior da loja pronto e revigorado para atender mais alguns possíveis clientes com suas mão cheirando a nicotina: o ônibus escolar dá seta para dobrar na avenida e segue em frente, quase pegando o ciclista entregador que, confiando na sinalização do veículo, cruza na frente dele, furando o sinal vermelho.

Na calçada a madame, com seu cachorrinho no colo, espera pacientemente sua hora de atravessar a rua movimentada. O cachorro usa sapatinhos coloridos para não sujar as patinhas e, posteriormente a casa de sua dona.

Em baixo da marquise, dorme um menino de rua, sujinho, sujinho, sem notar o rebuliço em volta, exausto por suas atividades noturnas, embaladas a cola, correria e pedidos de esmola. Está coberto por um lençol imundo e protegido por um papelão velho. É fácil conhecer sua história pelo "entorno", citado pelo menininho.

O sol aparece entre as nuvens, mudando o colorido local. Eu sigo esperando na esquina do mundo. Chegando de viagem e sem saber muito bem onde estou: Rio, Uruguaiana, Cuiabá? Só sei que não é nem Brasília, que não tem esquina, nem na Chapada dos Guimarães, onde as esquinas dormem o dia inteiro, menos as da praça central.

Não faz diferença. O mundo passa por mim e eu olho pra ele sempre interessada, sempre pronta para descobri-lo e, ao fazê-lo, me descobrir mais um pouco.

Quem me fazia esperar se aproxima, com um sorriso de desculpas pelo atraso iluminando o rosto. Digo que não me importo com o fato, porque aproveitei o tempo para observar o mundo daquela esquina. A pessoa me olha com estranheza. Não reajo, nem estico minhas explicações. Não é qualquer um que acha graça numa esquina.

Quando o mundo daquela esquina não pode ser visto, ela é apenas o que meu acompanhante vê. Uma esquina. E não um mundo...

Valéria del Cueto, para série Ponta do Leme, do SEM FIM...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quem tece teias, encera a vida


Quem tece teias, encera a vida

Texto e foto de Valéria del Cueto

Quando você ler esta narrativa, o que agora escrevo e descrevo, estarei a milhares de quilômetros da minha realidade atual: uma canga (sempre ela) estendida no gramado dos fundos do chalé onde descanso do trabalho, nos finais de semana.

O vento balançando a gigantesca mangueira em plena floração, enche o espaço de micro florezinhas. Este perímetro, aí incluindo meus cabelos  já salpicado de florinhas, é todo delas que também se abrigam na costura do caderno onde escrevo agora (e quase sempre) e até na a teia de aranha, construída na grade verde que protege a porta da cozinha.

Há alguns finais de semana que acompanho a construção dessa teia, torcendo para que dona Elza não passe por aqui com sua vassoura, o que agora, com a quantidade de florezinhas presas nas garras da aranha-mor, não vai demorar para acontecer. Na verdade, a teia só sobreviveu a faxina semanal por que vim mais cedo pra Chapada dos Guimarães essa semana e atrapalhei a concentração de Dona Elza jogando conversa fora, pra variar. Assunto entre nós é o que não falta.

Desembarcamos na casa da beira da piscina mais ou menos ao mesmo tempo. E, desde então, ela tem sido uma guerreira no combate as formigas que, se achando as donas do pedaço, se abrigavam em lugares tão incríveis quantos o piso de madeira da sala, o canto do sofá, o estrado da cama de casal e, pasmem, dentro da esquadria de metal da porta principal.

Uma loucura. A casa estava fechada e, pelo sim, pelo não, por que não ocupa-la, como a tudo em volta? As formigas da Chapada são cascudas. Poderosas. E é aí, no quesito “caçadora de formigas”, que dona Elza faz o maior sucesso. Sua especialidade é acabar com a mordomia das meninas, garantindo um espaço pra mim no mundo maravilhoso da casa da rua da Piscina, sem número.

Sei que ganhei uma amiga e cúmplice no longo trabalho de cuidar não só da casa, mas de todo o terreno que me cabe no meu reino de final de semana. E não vai ser pouco o trabalho já que eu adoro brincar de casinha e dona Elza já me confessou que se apaixona pelas casas que cuida, mais que pelos moradores. E não é que após dois meses a diferença já é gritante?

O todo esse esmero me remete para minha infância. Acontece que parte do piso da sala e do espaço onde vejo vídeo e escuto música é de madeira. Quando assumimos os trabalhos no local, essa parte estava bem castigada. Os olhos de Dona Elza brilharam quando viu o tal piso e ela logo me disse que ia deixá-lo impecável. Não demorou muito. Quando abro a porta, na sexta feira, no final da tarde, sempre reparo no capricho do lustre, fruto de muita cera e esfregação. Igualzinho a casa onde fui criada, no Leme. Só que em proporções reduzidas, é claro.

E aí, volto no tempo. Lembro de Dona Ena, minha avó, dando altas broncas, por que a criançada corria pelas salas e corredores, detonando com os sapatos o latifúndio, arranhando os tacos recém encerrados. Era uma enxugação de gelo danada, querendo que nós, as três pestinhas de plantão, resistíssemos a correr – e muito – pela vida da família que habitava o apartamento do Leme.

O bom é que minha avó dava as broncas e procurava sempre um meio de “solucionar” o problema. No caso, ela acabou criando uma nova modalidade de brincadeira para dias de sol e chuva. Tirou de um armário um antigo vestido de não me lembro quem, que tinha camadas um tule cor-de-rosa na saia e fez uns sapatos, ou botas, de acordo com a preferência de cada neto, pra gente.... patinar pelo apartamento. Resultado: a brincadeira pegou, e o piso ficava um brinco. Brilhando como nunca pelo nosso efeito enceradeira.

Pois agora, anos luzes depois, quando entro na casa da Chapada e vejo o brilho do piso, sou atirada no túnel do tempo. Aliás, o zelo com o tal piso faz com que cada vez que chego dos passeios de bicicleta pelas redondezas e penso em atravessar este espaço, tão bem cuidado, para recolher meu imóvel andante, eu acabe chegando ao cúmulo de carregar a bicicleta para que suas rodas, cheias de lama ou de terra, não deixem seu rastro no piso de tábua corrida. Vai que Dona Elza seja tão boa de bronca como minha avó!

Pois é por causa de tantas e tão boas lembranças que informei lá em cima que quando estiver lendo esse texto, estarei tão longe. Vou ao encontro das minhas melhores recordações e motivações, rever o que me faz ser mulher o bastante para partir pra qualquer desafio. Meu ponto de referência, meu porto seguro.

E, na Ponta do Leme, ouvindo o barulho do mar batendo no Caminho dos Pescadores estarei lendo, como você, a história que, ao narrar, perpetuo.    Afinal, cada um, assim como a aranha que habita a grade da porta, tece a teia que pode e merece. A questão é saber o que vamos recolher nela:  alimento e nutrição, ou simplesmente florezinhas intrometidas de uma mangueira abusada, sacudia pela ventania, numa tarde amena do centro oeste. Bom dia pra você!

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte de uma série do SEM FIM 


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pipas, pra que(m) te quero?

Pipas, pra que(m) te quero?

Texto e fotos de Valeria del Cueto

Leves, alegres, saltitantes, preguiçosas, tensas, persuasivas, suaves, nervosas, agitadas, mansas, fugitivas, alegóricas, coloridas... Pipa  é  um substantivo capaz de comportar uma penca de adjetivos para definir seu espírito vigente, de acordo com o vento que a sustenta. Venho de um lugar de muitas pipas que, assim como as ondas do mar  deste local, são originais, fugazes e perenemente inéditas a cada movimento.

Chame do nome que quiser: pipa, papagaio pandorga... Elas são para quem te quero.  Mensageiras do amor e da dor. Para isso nasceram. Da dor quando servem de sinalização para o movimento das bocas e bandos. Do amor quando sobre a céu as milhares,  como aconteceu na Faixa de Gaza há poucos dias. Um objeto tão simples, tão frágil representando tanto. Poderoso e expressivo, como a paloma de Picasso há tantos anos atrás.

Bambu, seda, farinha, água e a linha. O milagre está feito. E se repete, numa resistência silenciosa pelos  “aís” onde passo. Uruguaiana tem o Julinho das Pipas que, entre um conserto de bicicleta e outro (olha a bicicletaria aí, gente!), encanta a garotada e transmite seu saber às gerações.  O Tribuna de Uruguaiana publicou uma matéria sobre ele, o que me fez enredar essas narrativas.  

Cuiabá tem o professor Ditinho que da UFMT expande seus conhecimentos pipeiros. Morador da Chapada dos Guimarães, lá estava ele no Festival de Inverno com sua oficina.  Tentei inscrever-me, mas acabei perdida, sem saber direito os horários. Conversando com uma organizadora das atividades soube que a oficina aconteceu num bairro periférico. Adorei a razão do desencontro.

Vamos espalhar pipas pela cidade, pensava eu. Colorir o céu da charmosa localidade com pandorgas “made” in Chapada, como um plus a mais para a Copa de 2014.  Ela vai acontecer na época dos melhores ventos, me contaram. 

Gente  que entende do assunto, freqüentadores da loja de pipas e infláveis que ilustra esse texto. Fica na mesma rua da bicicletaria, na Chapada. Lá se vende pipas, acessórios e se faz consertos. Quer um lugar mais adequado para uma piparada no mega evento?

É um programa bom, bonito e barato. E, muito importante, a bula deste produto não contém contra-indicações.  É politicamente correta e ambientalmente irrepreensível. Não causa danos nem efeitos colaterais.

Estaríamos fazendo nossa interpretação de uma arte difundida pelo mundo inteiro. Pipas chinesas são famosíssimas , o caçador de pipas corria atrás da sua pelas ruas de Cabul, a Faixa de Gaza levanta 3.000 papagaios e a Chapada dos Guimarães dialoga com o mundo através dos ventos que sopram nos paredões do centro geodésico.

Confesso a vocês que tenho uma frustração quando o assunto é pipa. Almejei, um dia, uma pipa. Essa, não era para voar. Trata-se de um exemplar (qualquer um serviria) da série feita pelo artista plástico mato-grossense Gervani de Paula. Vi os objetos do meu desejo numa exposição, na década de 80, e na ocasião não tive numerário para adquirir uma das peças. Anos depois, tentei descobrir o destino das pipas do Gervani. Estavam em coleções e eram intocáveis. Como seria a minha, se a tivesse...

O desejo teve que passar e, meu lado Poliana, me convenceu que pipas são assim. Dificilmente vêm pra ficar. Temos as nossas, podemos admirar as alheias  mas, ambas, dificilmente voltarão a se encontrar no mesmo céu. Seja ele qual for...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte de uma série do SEM FIM delcueto.wordpress.com.

 **Mais pipas na vida da autora no artigo "A pipa", publicado em maio de 2005. 

*** Se der uma busca no Sem Fim... encontra outros textos sobre pipas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Raios, aros e quintais

Clique no LINK para acessar o ensaio fotográfico no FLICKR

Raios, aros e quintais

Um ensaio na bicibletaria do Renato, na Chapada dos Guimarães.
O texto está no SEM FIM..., se chama Paso Doble.
* texto e fotos de Valéria del Cueto

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Paso doble


Paso doble

Texto e foto(s) de Valéria del Cueto

Sempre que posso cumpro minhas promessas. Agora é uma dessas ocasiões. Pra falar a verdade, aproveito para fazê-lo em dose dupla.

Ora vejamos:  Ontem conheci o Renato, o Chiquinho e Agata (vou chamá-la assim por que me esqueci de perguntar seu nome). A gata segue Renato onde quer que ele vá. É, digamos assim, a administradora/ guardiã do estabelecimento, competentíssima.

Renato é o proprietário e, como vocês podem ver, adora o que faz. Consertar bicicletas. Esperando a  troca de um guidon, fuçando no depósito, descobri ser ali, no fundo da bicicletaria, uma das primeiras casas da localidade. A câmera digital entrou em  ação.

Enquanto fotografava ouvia a conversa do Léo, meu amigo consultor para assuntos bicicletários (me considerar uma ciclista é muita ousadia, ou falta de noção, como vocês preferirem). Ele tem por esporte subir e descer os morros vizinhos numa bike possuída e por profissão ser um músico instrumentista. Um tremendo paradoxo existencial.

Leo conversava com o terceiro personagem citado lá em cima, o Chiquinho, encarregado de arrumar minha bicicleta. Além de bicicleteiro, Chiquinho é baterista e, no momento, está tendo aulas com o instrumentista/montainbikero de viola caipira.

Ligando as imagens  a pessoa, lembrei-me dele na banda (antigamente era conjunto) que acompanhava os concorrentes no festival de música que havia assistido dias antes. Pois paralelamente aos ajustes que fazia nas marchas da bicicleta, me contou como trilhou o caminho da música.

Desperto para o assunto, foi na igreja que descobriu seu dom. Tocou pandeiro e outros instrumentos de percussão. Incutiu que queria tocar bateria. Ouvia CDS e reproduzia as batidas e viradas. Não perguntei que tipo de música havia sido seu guia. Ele não deu tempo. O assunto ia longe. Disse que o povo achava uma loucura a idéia de comprar uma bateria, que aquilo não dava futuro. O investimento seria perdido. O pai resolveu ajudá-lo. “Me botou para trabalhar com ele.Paguei minha bateria fazendo 12 currais. Moirão a moirão. Cada um enterrado um metro e meio. Ela custou 4 mil reais. Paguei à vista.” Relembra cheio de orgulho e com razão.

As primeiras noções de harmonia estão vindo agora. Juntas com os livros de acordes e uma mudança ambiciosa e radical: passar da percussão para as cordas, e por que não? A viola já tem. É  de família.

Renato ouve a conversa e ajusta uma bike. A oficina é super organizada. Dois garotos circulam. Olhos compridos, aprendendo os macetes da arte de bicicletar. A luz muda, a tarde cai...

Eu, cá, comemoro as promessas cumpridas. Publicar texto e fotos dos acontecimentos do  final de sexta feira  que  ora apresento e, na mesma tacada, (touché)  encontrar uma forma de contar histórias e agradar meus exigentes editores concomitantemente. Troquei o foco,  amigos. Cada lugar é um lugar, mas personagens como Renato e Chiquinho e Agata, a gata, existem em toda parte. Bicicletarias, também.

* Valéria del Cueto é jornalista, gestora de carnaval. Este artigo faz parte de uma série do SEM FIM   cabe a você, leitor , escolher qual delas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mais um, de novo


Mais um, de novo

Texto e foto(s) de Valéria del Cueto

Como satisfazer meus leitores espalhados por tantos brasis diferentes? É o que me indago, dividida entre o sul, o mar e o centro oeste. Atolada em registros inéditos dos caminhos que andeio, louca para publicá-los, mas pressionada pelas exigências dos  editores e meu ritmo inconstante de produção.

Que não me proponho a cumprir a agenda factual em tempo real, eles, os editores Fred Marcovici, do Tribuna de Uruguaiana, e Lorenzo Falcão, do caderno Ilustrado do Diário de Cuiabá, já perceberam (exceção feita ao carnaval do Rio, um compromisso com meu papel de gestora carnavalesca).

Mas quando o tema é a geografia do assunto, é uma puxação de brasa, cada qual para seu rio, do peixe que publicarão.  Tudo da mesma bacia, desaguam no mesmo mar, mas diferentes em suas especificações e características pertinentes.

A Ponta do Leme não precisa de editor, nem  de campanha a favor dela. Está sempre aqui, é o farol, a estrela guia para os bons e maus momentos.  Então, por estar tão encruada em mim, exibida que é, vive saltando para meus escritos sem a menor cerimônia.

Mas voltemos aos editores, para fechar o ciclo das minhas obrigatoriedades jornalístico-literárias.

Falta minha “desobrigação editorial”.  O caboclo que me lançou nessa vida dividida, porém inspiradora, jogando a isca da liberdade total para escolher tema, local ou assunto. Ela, que fisgou a verve literária que nem eu sabia existir ser tão profícua no campo das crônicas e da fotografia. Falo do  Vila, para os não íntimos, o jornalista Marco Antônio Moreira, proprietário e mentor do Supersitegood.

Agora, mais recentemente, vejo o  Vila repetir do feito com o Dr. Gabriel Novis Neves, pescando mais um para o metier.  Cito o Novis Neves por que medicina nunca foi meu forte, apesar de ter em Gisela, minha irmã, um “espécime” competente e responsável. Foi isso que aguçou minha curiosidade para a sua participação no time de colunistas do Supersitegood.

Pois não é que descobri, nos escritos do médico cuiabano, uma nova forma de medicar? Outro dia, mandei o link dos artigos publicados por ele para Gisela. A danada escreve bem e acho que o material pode inspirá-la, já que ela anda fazendo umas entrevistas para o site da sociedade médica de sua especialidade. 

Bom mas isso já é outra história. O que tenho a acrescentar  é que acho que descobri um jeito de agradar a gaúchos, cariocas e pantaneiro-cuiabanos. Como? Meu espaço se esgotou! Aguardem a próxima expedição literária do Sem fim para saber... Até lá!

PS: Os artigos de Gabriel Novis Neves podem ser lidos no link: https://bar-do-bugre.blogspot.com/

Valéria del Cueto é jornalista, gestora de carnaval 

Este artigo faz parte de uma série do SEM FIM... cabe a você, leitor , escolher qual delas.

O Sem Fim está no twitter: http://twitter.com/delcueto


Os links dos jornais citados  são:

- Tribuna de Uruguaiana  http://tribunadeuruguaiana.blogspot.com

- Diário de Cuiabá http://www.diariodecuiaba.com.br

- Supersitegood http://supersitegood.com

sexta-feira, 10 de julho de 2009

É tudo contigo!





É tudo contigo!
Texto e foto de Valéria del Cueto

Tão longe, de ti distante. Porém sempre guardando referências, Uruguaiana. Mas é fácil ser lembrada de lembrar. Aqui, em terras mato-grossenses,  tem Cargnelutis e Furlans. Por estas plagas cuiabanas já passaram Fitipaldis, por exemplo. E olhe, caro leitor, que falo apenas da capital. Se a gente der uma olhada no restante do estado de Mato Grosso quantas outras semelhanças e parentescos encontraremos?

Não sou mulher de abandonar minhas gauchices. Assim como também não dispenso a minha carioquice do Leme ou minhas referências belavistenses. Sempre gostei de gostar dos lugares onde moro. Cada um com suas características, muitas delas totalmente contraditórias (norte/sul, calor/frio, mar/cerrado/pampa/ pantanal). Reconheço os méritos e qualidades  pessoais e intransferíveis dos rincões que percorro e onde ancoro por temporadas e,  seguindo essa linha de raciocínio, posso usufruir do melhor de cada mundo.

Sou múltipla, facetada e complicada. Misturo tango com rock, rasqueado com blues, danço conforme a música. De preferência de outro lugar: agora, por exemplo, ouço tango eletrônico numa janela cuiabana, mas nem tanto assim, por que é no segundo andar de um prédio de quase vinte pavimentos. Moderno a bessa! Se eles podem, por que não eu?

 Essa mescla atinge vários pontos da minha vida. Usos sempre peças de roupa características destas diferentes latitudes e longitudes. É uma faixa paraguaia aqui, uma bombacha ou alpargata ali, no meio dos jeans e camisetas que me aquecem ou esfriam, dependendo do ar condicionado e/ou d a (in)clemência do sol a pino que castiga o fundo da panela onde está localizada a futura sub-sede da Copa do Pantanal .

 O biquini e a canga carioca fazem uma dobradinha constante. Uma exceção, já que o segredo dessa mistureba pouco fashion e muito confortável é não abusar dos elementos típicos.  Um de cada vez…

Onde eu estava mesmo? Dizendo que é impossível esquecer o que faz parte da gente. Por dentro ou por fora. O truque é sempre estar onde suas referências te levam e levá-las para onde for.

Sei que parece muita profundidade para pouco espaço. Esta é a vantagem de ser a dona, não apenas do seu nariz e do seu texto, além de amiga dos editores dos espaços que publicam as séries do Sem Fim: Ponta do Leme, Parador Cuiabano e  Fronteira Oeste do Sul.

Falo o que penso e penso o que posso a cada semana, procurando pontos de contato entre as diversas realidades que me habitam. Não sei direito como elas conseguem co-habitar em meu interior. Só sei que faço delas o que é possível para, sem dividir meu coração, deixar que cada uma tenha um longo reinado no imaginário que alimenta meus escritos.

Isso, enquanto você leitor, se dispuser a me acompanhar nessa e tantas outras viagens. Até a próxima, até talvez, só Ele sabe!

Valéria del Cueto é jornalista, gestora de carnaval. Este artigo faz parte de uma das séries do SEM FIM e cabe a você, leitor , escolher qual delas.


terça-feira, 7 de julho de 2009

Noite de Gala no Cine Teatro Cuiaba


Clique no LINK para acessar o ensaio @no_rumo do Sem Fim... no FLICKR

Noite de Gala no Cine Teatro Cuiaba

Pois não é que cheguei na capital de Mato Grosso na véspera da reabertura do Cine Teatro Cuiabà?

Descendo a Getúlio Vargas, ao cair da noite calorenta, em direção ao epicentro cultural da temporada, vi por que a obra demorou tanto. Isso, pensava eu com meus cordôes, observando o esforco para estender o tapete vermelho que "ornou" o asfalto em frente ao antigo prédio, contruído por Julio Muller, para a passagem do governador e a primeira dama. Em vez de deixarem o bichão rolar avenida abaixo, foi no muque que ele foi estendido, por diligentes funcionários, rua acima...

A noite mal comecava.

De longe, cuiabanos como Gloria Albues, Luis Borges e outros descolados, distantes do tumulto, viram as cortinas se abrindo para desnudarem a fachada do Cine Teatro, antes do pipocar dos fogos lancados do alto do edifício em frente.

Tanto esperamos, que acabamos no balcão do mezanino, observando e comentando a falação lá em baixo, no palco. Na hora de descerrar a placa, foi que deu pra observar o coletivo da obra. Isso depois de ouvirmos a explicação, dada pelo governador, para o tal tapete estendido para receber de volta D. Teresinha, que havia andado adoentada. Não posso deixar de reconhecer que a atitude foi fofa e cavalheiresca.

Depois, mais uma surpresa: a Orquestra de Mato Grosso, que tocou direitinho, quando o maestro Leandro Carvalho deixou. Segundo um cuiabano presente ele, o regente, "fala mais do que padre em dia de casamento de filha de maçon".

Com essa descrição, tão d'accord, sabia que estava chegando em casa... e em noite de festa!

PS: Sei que minha agilidade para publicar estas e outras materias que virão, falhou. Mas, diante do tempo que levou a obra do Cine Teatro, quem poderá me criticar? Essa coisa pega....

Texto e fotos de Valéria del Cueto para a série Parador Cuyabano 2009, do Sem Fim...

domingo, 31 de maio de 2009

O Brasil vai saber o que é VÔTE!



O Brasil vai saber o que é VÔTE!

Estamos iniciando uma nova etapa na história de Cuiabá. Não uma nova história, por que mais de 270 anos nos levaram a sermos o que somos hoje. Mas, sem dúvida, a capital de Mato Grosso não será mais a mesma após sua escolha como uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014.

Fui para o Chopão, (local mais emblemático, impossível) um dos pontos de concentração das comemorações, antes do resultado ser anunciado. E, ali, registrei a emoção dessa matriz cultural que tanto admiro e faço questão de divulgar e louvar.

As fotos a seguir são as primeiras das muitas que produzirei na série Parador Cuyabano que retomo, em sua versão 2009. Nada melhor do que uma grande festa cuiabana para abrir os trabalhos. Foi nele, no pessoal da terra, que "mirei" minha câmera durante os momentos que antecederam o anúncio da cidades onde acontecerão as partidas entre as seleções.

Parabéns ao povo de Cuiabá e de Mato Grosso pela conquista!

Texto e fotos de Valéria del Cueto para a série Parador Cuyabano. Uma produção del Cueto - assessoria e produção para o SEM FIM...


terça-feira, 26 de maio de 2009

Flor da Casa


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Flor da Casa


A fábula do belo:
Demora a chegar,
encanta o olhar.
Só dura um piscar.

Do meu jardim,
pra o Sem Fim,
que está em mim.

E fim!

Fotos de Valéria del Cueto

terça-feira, 5 de maio de 2009

Pra fora - Flores, nada mais

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Pra fora - Flores, nada mais

Dos pampas de Uruguaiana,
flores do jardim de fora.
Algumas, do refúgio.
Outras, abusadamente exuberantes,
mesmo no meio da seca de fim de verão.

Fotos de Valéria del Cueto, para a série Fronteira Oeste do Sul, SEM FIM... Feitas depois de uma costela assada, "lá fora" com a Juca e o Nilson. Assim, quem não ia se inspirar...
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domingo, 3 de maio de 2009

Roxy

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ROXI

Galeria faz tempo,
engraxate com tempo,
grade no tempo,
local do tempo,
profissao sem tempo,
gaveta sob o tempo,
folhinha pro tempo,
do tempo, tempo, tempo, tempo....

Fotos de Valéria del Cueto do engraxate que durante muitos anos movimentou o fundo da então elegante Galeria Roxy, em Copacabana para o SEM FIM...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sambista: uma aventura legal pra cachorro



Sambista: uma aventura legal pra cachorro

Texto de Valéria del Cueto


O tempo que levei para escrever sobre o livro A Escola do Cachorro Sambista, de Felipe Ferreira, com ilustrações de Marina Massarani, da editora Ática pode servir como ponto favorável na avaliação da publicação.

O livro foi lançado antes do carnaval, numa livraria do Leblon e, como no dia do evento não tive como comparecer, enviei uma embaixada infanto-juvenil para me representar e trazer meu exemplar autografado pelos autores.

Isso foi antes da temporada de folia. De lá para cá, férias, viagens, volta às aulas e muitos outros eventos impediram que Sambista e sua escola de samba chegasse ás mãos sua legítima dona, no caso, esta que vos escreve. A verdade é que foram necessárias várias “intimadas” até que o resgate da obra se concretizasse.

 Nesse tempo o assunto nunca caiu no esquecimento por uma razão bastante prosaica. Nos carnavais por onde andei no Rio e em Uruguaiana, sempre havia um componente da ala dos cachorros sambistas abanando o rabo e fazendo pose para me lembrar da operação “cadê o meu livro?”

 Água mole em pedra dura, uma ameaça aqui, uma promessa de um fim de semana na casa da tia acolá, e eis que consegui, finalmente, botar a mão no objeto do meu desejo.

Enquanto o final de semana movido a vídeos pipoca e miojo não terminou, Natália, minha sobrinha pré adolescente, não passou a bola. Principalmente depois que chamei a atenção para a riqueza dos detalhes das ilustrações que contam “outras histórias” dentro da estória narrada por Felipe Ferreira.

 Foi essa atitude que me fez perguntar á Luisa, representante oficial da faixa infantil, por que não havia se interessado tanto quanto a irmã mais velha pelo livro. Ela me disse que era por que não tinha estória, como ela gostava. 

“Tia, o livro mostra um lugar, mas não tem estória acontecendo ali”, sentenciou. “Eu li rápido por que foi só um passeio. Quando tiver uma estória que aconteça ali eu vou gostar mais ainda. Diz para seu amigo escrever uma estória com Sambista que aconteça naquele lugar. Que, agora, eu já conheço...”

Bom, acho que o recado está dado. E a tarefa dos autores, cumprida numa primeira etapa, está apenas começando...

De minha parte, quero comemorar a descoberta de um grande filão para a literatura infanto-juvenil, assim como parabenizar a dupla pela sacação de fazer do carnaval literário uma arte visual, uma literatura de imagens, como ele.

Também acho que os textos laterais, com informações sobre personalidades e acontecimentos do mundo carnavalesco poderiam ter um visual mais apurado. As fotos ficaram muito pequenas e escuras. Por isso, perdem como atrativo diante das cores vibrantes do restante do espaço nas respectivas páginas.

 Mas esses são apenas pequenos detalhes a serem observados (ou não) nas próximas aventuras do Cachorro Sambista que Natália, Luisa e eu esperamos para muito breve.

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e senhora do Sem Fim...

delcueto.cia@gmail.com

Carnaval 2009 - Alas dos Sambistas


A Escola do Cachorro Sambista é o livro de Felipe Ferreira e Mariana Massari, lançado antes do carnaval 2009. Eles, cachorros, estão representados em vários carnavais. São componentes das avenidas do Rio de Janeiro e de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Fotos de Valéria del Cueto para a série Carnaval 2009


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Vida de artista

Na segunda feira, dia 13, publiquei uma notinha no Papo de Boteco, intitulada Tupi or not Tupi. Era sobre o passeio que o presidente Lula fará ao Campo de Tupi, na bacia de Santos, no Dia do Trabalhador. Falava da entourage al mare às custas do contribuinte, com direito a pernoite no navio.

No dia seguinte, passando em frente ao Copacabana Palace, na Avenida Atlântica, Rio de Janeiro, eis que o cavalo passou encilhado, pronto para ser fotografado pela minha Lumix de bolsa. A comitiva estava lá. Fotografei.

Guardei as fotos e guardadas teriam ficado se não tivesse ouvido um parlamentar federal na televisão usando o seguinte argumento "O presidente viaja, carrega a esposa. Os ministros viajam carregam a esposa, por que não eu?"

Tirei as fotos do arquivo e ei-las aqui, assim como a(s) pergunta(s) que não quer(em) calar: como "choque de ordem" vai ter moral na cidade se um cartão de trânsito livre no para-brisa do carro permite se achar no direito não só de transitar, mas ocupar livremente as calçadas tombadas (é...) desenhadas por Burle Max na orla carioca?

Como exigir do cidadão comum que cumpra o que os representantes maiores do país não cumprem?

Detalhe: em frente ao hotel havia várias vagas livres, onde o estacionamento é permitido. Custa um trocado, mas é liberado...

Texto e fotos de Valéria del Cueto