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terça-feira, 5 de maio de 2009

Pra fora - Flores, nada mais

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Pra fora - Flores, nada mais

Dos pampas de Uruguaiana,
flores do jardim de fora.
Algumas, do refúgio.
Outras, abusadamente exuberantes,
mesmo no meio da seca de fim de verão.

Fotos de Valéria del Cueto, para a série Fronteira Oeste do Sul, SEM FIM... Feitas depois de uma costela assada, "lá fora" com a Juca e o Nilson. Assim, quem não ia se inspirar...
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Escola do Cachorro Sambista

Category:   Books




Sambista:

uma aventura
legal pra cachorro


Texto de Valéria del Cueto


O tempo que levei para escrever sobre o livro A Escola do Cachorro Sambista, de Felipe Ferreira, com ilustrações de Marina Massarani, da editora Ática pode servir como ponto favorável na avaliação da publicação.

O livro foi lançado antes do carnaval, numa livraria do Leblon e, como no dia do evento não tive como comparecer, enviei uma embaixada infanto-juvenil para me representar e trazer meu exemplar autografado pelos autores.

Isso foi antes da temporada de folia. De lá para cá, férias, viagens, volta às aulas e muitos outros eventos impediram que Sambista e sua escola de samba chegasse ás mãos sua legítima dona, no caso, esta que vos escreve. A verdade é que foram necessárias várias “intimadas” até que o resgate da obra se concretizasse.

 Nesse tempo o assunto nunca caiu no esquecimento por uma razão bastante prosaica. Nos carnavais por onde andei no Rio e em Uruguaiana, sempre havia um componente da ala dos cachorros sambistas abanando o rabo e fazendo pose para me lembrar da operação “cadê o meu livro?”

 Água mole em pedra dura, uma ameaça aqui, uma promessa de um fim de semana na casa da tia acolá, e eis que consegui, finalmente, botar a mão no objeto do meu desejo.

Enquanto o final de semana movido a vídeos pipoca e miojo não terminou, Natália, minha sobrinha pré adolescente, não passou a bola. Principalmente depois que chamei a atenção para a riqueza dos detalhes das ilustrações que contam “outras histórias” dentro da estória narrada por Felipe Ferreira.

 Foi essa atitude que me fez perguntar á Luisa, representante oficial da faixa infantil, por que não havia se interessado tanto quanto a irmã mais velha pelo livro. Ela me disse que era por que não tinha estória, como ela gostava. 

“Tia, o livro mostra um lugar, mas não tem estória acontecendo ali”, sentenciou. “Eu li rápido por que foi só um passeio. Quando tiver uma estória que aconteça ali eu vou gostar mais ainda. Diz para seu amigo escrever uma estória com Sambista que aconteça naquele lugar. Que, agora, eu já conheço...”

Bom, acho que o recado está dado. E a tarefa dos autores, cumprida numa primeira etapa, está apenas começando...

De minha parte, quero comemorar a descoberta de um grande filão para a literatura infanto-juvenil, assim como parabenizar a dupla pela sacação de fazer do carnaval literário uma arte visual, uma literatura de imagens, como ele.

Também acho que os textos laterais, com informações sobre personalidades e acontecimentos do mundo carnavalesco poderiam ter um visual mais apurado. As fotos ficaram muito pequenas e escuras. Por isso, perdem como atrativo diante das cores vibrantes do restante do espaço nas respectivas páginas.

 Mas esses são apenas pequenos detalhes a serem observados (ou não) nas próximas aventuras do Cachorro Sambista que Natália, Luisa e eu esperamos para muito breve.

 



Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e senhora do Sem Fim...

delcueto.cia@gmail.com

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Carnaval 2009 - Alas dos Sambistas


A Escola do Cachorro Sambista é o livro de Felipe Ferreira e Mariana Massari, lançado antes do carnaval 2009. Eles, cachorros, estão representados em vários carnavais. São componentes das avenidas do Rio de Janeiro e de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Fotos de Valéria del Cueto para a série Carnaval 2009


domingo, 19 de abril de 2009

Vidro


Da janela do ônibus no caminho entre Porto Alegre e Uruguaiana vi, depois de muitos anos de ausência, o por do sol nos pampas. É uma visão de muitos significados e lembranças.

Enquanto tirava as fotos, filosofava sobre o paradoxo de estar imóvel dentro do ônibus, ao mesmo tempo em que me movia de forma tão rápida que não podia ver e fotografar. Tinha que fotografar o que via. Por que se olhasse primeiro para fotografar depois, já não poderia mais registrar o que havia visto.

Viajar horas num ônibus leva a gente a ter tempo para pensar. A luz especial do final do dia inspira o exercício mental e o pensamento foi para outra questão que fazia toda a diferença naquele instante. Sentia fome.

Nem que fosse da minha comida que não é lá essas coisas, mas tem seus bons momentos. A conclusão foi consequência. "O pouco que cozinho, é com o por do sol. Nunca haverá outro igual..."

Ainda restavam algumas horas de viagem, em que tive de me alimentar de por do sol gaúcho. Comida mesmo só veria em Uruguaiana na hora do jantar. Não, mais longe ainda, só na Argentina. Nesta noite fui jantar com os jornalistas Fred Marcovici e Rubens Montardo, em Passo de Los Libres. Era o início do meu reencontro com o Pampa e seu povo...

Texto e fotos de Valéria del Cueto
da série Fronteira Oeste do Sul para o SEM FIM...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Vida de artista

Na segunda feira, dia 13, publiquei uma notinha no Papo de Boteco, intitulada Tupi or not Tupi. Era sobre o passeio que o presidente Lula fará ao Campo de Tupi, na bacia de Santos, no Dia do Trabalhador. Falava da entourage al mare às custas do contribuinte, com direito a pernoite no navio.

No dia seguinte, passando em frente ao Copacabana Palace, na Avenida Atlântica, Rio de Janeiro, eis que o cavalo passou encilhado, pronto para ser fotografado pela minha Lumix de bolsa. A comitiva estava lá. Fotografei.

Guardei as fotos e guardadas teriam ficado se não tivesse ouvido um parlamentar federal na televisão usando o seguinte argumento "O presidente viaja, carrega a esposa. Os ministros viajam carregam a esposa, por que não eu?"

Tirei as fotos do arquivo e ei-las aqui, assim como a(s) pergunta(s) que não quer(em) calar: como "choque de ordem" vai ter moral na cidade se um cartão de trânsito livre no para-brisa do carro permite se achar no direito não só de transitar, mas ocupar livremente as calçadas tombadas (é...) desenhadas por Burle Max na orla carioca?

Como exigir do cidadão comum que cumpra o que os representantes maiores do país não cumprem?

Detalhe: em frente ao hotel havia várias vagas livres, onde o estacionamento é permitido. Custa um trocado, mas é liberado...

Texto e fotos de Valéria del Cueto

quarta-feira, 25 de março de 2009

Bom dia, Uruguaiana

Bom dia, Uruguaiana

Texto Valéria del Cueto
Continuo por aqui, raptada por minhas primas e hospedada na casa de seus pais, meus tios. O carnaval passou, a Ilha do Marduque é bi-campeã, a vida está voltando ao normal e eu me divertindo horrores!
Da folia restam: a edição do Tribuna (que encontro por onde passo) com fotos da avenida e os anúncios das vendas do DVD do desfile (estes, ouço cada vez que transito na frente do Banco do Brasil, na esquina da praça, quando vou ao cybercafé onde estou organizando as meus registros carnavalescos.
No mais, é só diversão e reencontros, emocionantes e saudosos. Ah, registro que têm sido momentos perfeitos para tentar readquirir os quilos que perdi andando de baixo pra cima na pista da passarela do samba local com muita comida boa e, cá pra nós, isso não falta por aqui.
No momento, estou " pra fora" com a Juca, fiscalizando os trabalhos do Nilson, seu marido, que rala enquanto a gente joga conversa fora. E olha que parece que nosso assunto não tem fim!
Chegamos ontem de tardinha, fotografei (pra variar) o por do sol, na noite degustamos um ótimo vinho e, agora, cá estou eu, aproveitando a manhazita enquanto minha parceira ainda dorme, pra escrever esta crônica, narrativa, coluna, (chame do que você quiser), na varanda. Enquanto isso, um cusco exibido saltita agitadíssimo a minha volta, tentando chamar a atenção.
O que, quem consegue fazer, é o barulho do vento, a passarada que faz a festa e um bando de caturritas tagarelas. Elas, conversam no alto das árvores em seus ninhos. Eles, são tantos que parecem condomínios pendurados no eucalipto que ladeia a casa principal.
Combinamos de acordar de madrugada pra ver a lida. Madrugada seria, tal a calmaria que reina e os indicadores do meu relógio biológico, se o celular que pega muito bem por aqui, não me avisasse que são quase 10 da manhã.
Que diferença faz, se tenho como anfitriã alguém tão pouco preocupada, como eu, com o diacho do tempo real? Se ele fosse relevante, certamente pesariam os muito anos que passei ausente, por exemplo.
E, quer saber? Até ele é relativo. Tanto pra mim, como para os vários e queridos amigos e parentes, que tenho encontrado ao longo da última semana. É como se o que nos separou fosse apenas uma temporada em que eu tivesse ido veranear no Rio de Janeiro.
Estou adorando esta sensação e agradeço às gurias e aos guris que me fazem sentir assim. Por isso, desejo a todos e não paro de repetir: Bom dia, Uruguaiana.
PS: Vale registrar os elogios que o carnaval local recebeu de vários integrantes da lista de discussão Rio-Carnaval, capitaneada por Felipe Ferreira. Sei que a movimentação para a próxima edição da festa já começou, o que mostra a seriedade e a motivação dos uruguaianenses. Trabalho sério e planejamento são ingredientes que farão a festa melhorar a cada ano.

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Material produzido para a série Sem Fim... no carnaval 2009
PS 2020 - Também incluído na série Fronteira Oeste do Sul

Uruguaiana, és tu!

Uruguaiana, és tu

 Texto de Valéria del Cueto
A memória da gente é uma coisa muito engraçada. Tá lá, dormindinha. Mas basta uma faísca para ser detonada e aí, vira um turbilhão. Então, imagina quando a gente cai dentro de um lugar que conhece muito bem, mas não frequenta há quase 30 anos. Pode falar, eu sei que estou trazendo a público minha vasta experiência de vida mas, nesse caso específico, além de não me incomodar, ainda sinto um baita orgulho das minhas peripécias sul-riograndenses.

Bem, voltando às tais memórias. Na minha viagem pra cá, havia feito um joguinho, pra passar o tempo, revisando as coisas que me lembrava dos pagos. E eram muitas! Mas diante do que estava por vir, elas, as lembranças, naquele momento, eram apenas uma marolinha. Não imaginava o tsunami que estava para acontecer. (não sei onde ouvi esta comparação)

Claro que reencontrar parentes e amigos poderia ter sido a faísca para acender o rastilho do paiol da caixa de Pandora que explodiria. Amigos fiquem sabendo: o que provocou a hecatombe foi a pista de desfile.

Já contei pra vocês, acho que no primeiro artigo que publiquei aqui no Tribuna que narrei um desfile de carnaval para a Rádio Charrua na década de 80. Pois voltar a mesma bat situação, e sentir o mesmo bat arrepio, diante da expectativa da entrada das escolas de samba uruguaianenses, foi muito, muito emocionante.

Na minha cabeça, passou um filminho muito veloz cujo som ambiente eram os aplausos à escola que se apresentava na hora. As duas situações se juntaram e foi como se não houvesse se passado trinta anos. Senti como se tivesse, no máximo, perdido um ou dois carnavais...

Sabem onde quero chegar como essa looonga introdução? Numa constatação que parece estar passando batida nesses tempos de exaltação ao carnaval de Uruguaiana.  

Ele não nasceu ontem, não se fez nos últimos anos. Já era grande. E se fez grande pela participação efetiva e apaixonada de um elemento essencial: a população da cidade. Ela é o componente mais importante da festa. Sua paixão, quer dizer, suas paixões pelas escolas, transcende o tempo e ultrapassa, agora, as fronteiras do estado. São as famílias uruguaianenses e o amor que dedicam à Cova, Rouxinóis, Marduque e às outras escolas que fazem pulsar os corações. Basta andar pela pista para ser energizada por esta força apaixonada.

Gente de fora? Atrações vips? Tudo bem, o quesito pode ser importante nos tempos atuais. Mas não é definitivo, conclusivo, nem eterno. Quem sabe se, daqui a muitos anos, os critérios de excelência de consumo não serão outros? A transmissão ao vivo uma coisa tão antiga quanto o telex (você, lembra dele?) que usávamos para mandar as notícias para Porto Alegre e o mundo, nos tempos que tínhamos linhas transportando as informações.

Mas já, naquela época, transmitíamos o desfile "ao vivo" pela TV Uruguaiana e quase apanhávamos dos torcedores, caso houvesse um pingo de tendência em nossos comentários. Se estes fossem equilibrados, então o risco então vinha de todos os lados. Muita gente está aí pra contar essas histórias. Profissionais que tive o prazer de reencontrar nos últimos dias.

Enfim, plagiando a escola campeã do Rio de Janeiro, o Salgueiro, meu recado é o seguinte: o carnaval de Uruguaiana não tem que ser o maior nem o melhor do interior do país. Apenas diferente, U R U G U A I A N E N S E !

PS: Não posso deixar de registrar aqui, que ALGUÉM é responsável por este artigo e o prazer que sinto em poder estar aqui todos vocês. A culpa é do Fred. Qualquer coisa, se alguém tiver algum reparo às minhas palavras emocionadas e muitos gratas, cobre dele!  

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval

Material produzido para a série do Sem Fim... Fronteira Oeste do Sul

http://delcueto.multiply.com

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Carnaval 2009 - apoio e controle


 Todos os anos, mais de 4 mil pessoas são contratadas para trabalhar na Sapucaí. Com algumas tenho contato mais direto, já que são elas que controlam a pista do sambódromo, onde transito centenas de vezes.

A linha de frente que abre caminho para as escolas é um clássico no desfile, pelo menos pra mim que dependo da boa vontade da rapaziada na hora de fotografar as agremiações.

A primeira impressão é de que os caras são muito brabos. Mas é só impressão. Na verdade, se gentileza gera gentileza, é isso que tenho recebido deles, tanto na linha de frente quanto ao lado do recuo de bateria, onde costumo estacionar para gravar os áudios dos esquentas.

Este ano, conformo contei na matéria Céu de brigadeiro, tempo bom no carnaval do Rio de Janeiro. Pra rimar, deu... Salgueiro! Tive a necessidade de experimentar outros setores de serviços da Sapucaí. A saber: os bombeiros e o departamento médico. As fotos dos responsáveis pelo meu atendimento estão aqui no álbum.

Carnaval na Sapucaí controle e seviço

Pra finalizar, minha homenagem de sempre aos garis da Comlurb. Normalmente eles representados no meu acervo pelo queridíssimo Renato Sorriso, como agora Renato é vip e famoso, foi substituído por representante da categoria.

*Fotos de Valéria del Cueto para o projeto SEM FIM... carnaval 2009, da del Cueto - assessoria e produção.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

SEM FIM... Carnaval 2009



Aqui tem...
Podcast do SEM FIM... no carnaval 2009.
Áudios e links para os vídeos, textos e fotos de Valéria del Cueto captados e registrados na Marquês de Sapucaí, em ensaios técnicos e nos desfiles dos Grupos de Acesso e Especial, e no desfile das campeãs.

* O SEM FIM... no Carnaval 2009 é um projeto da del Cueto - assessoria e produção.

Pra começar...

No player o esquenta da escola de samba campeã do Grupo Especial do Carnaval Carioca 2009, o Salgueiro.

O samba enredo é puxado por Quinho e desenhado pela Furiosa, bateria comandada por Mestre Marcão. O enredo é "Tambor", do carnavalesco Renato Lage. O último carro alegórico homenageia, com a presença de vários mestres, Mestre Louro, comandante da Furiosa, que morreu ano passado.

* Material captado por Valéria del Cueto, para o projeto SEM FIM... Carnaval 2009, da del cueto - assessoria e produção.

Céu de brigadeiro, tempo bom no carnaval do Rio de Janeiro


Texto de Valéria del Cueto

Advertência: como ano passado, aviso aos navegantes: o que vocês lerão não é uma visão global do que rolou na Sapucaí. Mesmo andando por quase toda a extensão da pista, com o apoio técnico da equipe irreparável da LIESA e da Riotur, para cumprir a maratona que me propus. Sem a colaboração de Marília, Paulão, Bento, Claudio, Raimundo, Antônio Carlos, Vicente, Renato e tantos outros não teria como produzir a quantidade de material que registrei. Este ano, involuntariamente, tive a chance de ampliar ainda mais a gama de “serviços” utilizados. Vocês verão por que...

Águas pra quem te quero: Banho na Beija Flor, os mistérios do mar no Império
Muita água rolou na Sapucaí, Rio de Janeiro. Graças a Deus não foi dos céus! O Império Serrano abriu o carnaval. Com os agogôs desenhando a cadência da bateria de mestre Átila e comanda por Quitéria, sua  rainha, ela deu o ritmo para que as arquibancadas integrassem o coro que cantava a “Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar”. Marcia  Lage seguiu a linha de leveza estética que trouxe do Grupo Acesso para seu devido lugar na elite do carnaval, o Especial. As fantasias  sambantes explicam por que foram elas as primeiras a se esgotarem semanas antes do carnaval. A escola brincou na avenida livre, leve e solta, com seu estandarte nas mãos da porta bandeira Jacqueline e do mestre sala Diego, um garoto de apenas 17 anos. 
A Grande Rio juntou a fome com a vontade de aparecer. A escola usou e abusou do requinte para falar de um ícone do assunto: a França. Veio cheia de ouro e entupida de celebridades Uma delas, pensava ser o alvo dos fotógrafos, que tentavam “tirar” o cara de plano para registrar a comissão de frente e o abre-alas. Teve que ser alertado para sair da reta. Isso acontece em várias escolas. A diferença é que normalmente os diretores estão de costas para nós, olhando, sim, para o seu e o nosso objeto de desejo: sua agremiação brilhando na avenida. Esses, eu entendo, aquele? Bom, deixa pra lá. Na minha foto não entra!
Na frente da terceira escola a desfilar, vinha Martinho da sua Vila Isabel, personificando João do Rio que apresentava enredo sobre o centenário de Theatro Municipal. A escola fluiu na Sapucaí. Adorei o carro que o Theatro Municipal se constrói na avenida. Dá-lhe Paulo Barros, viva Alexandre Louzada e se prepare pro ano que vem. A Vila cantará Noel Rosa.

Visita a jato setores de apoio
Uma das coisas que procuro registrar, durante os desfiles são os meus colegas de turma do curso de Gestão de Carnaval. Morro de orgulho de nossa participação, analiso nossa capilaridade pelas escolas. Pois foi depois de fotografar o José Antônio e outros integrantes do “Plumas e Paetês”, quando tentava achar no alto de um carro da Mocidade Independente de Padre Miguel o destaque principal, Maurício de Paula, que Machado me agrediu. É isso mesmo, o enredo literário apresentava um boneco articulado gigante de Machado de Assis, que deu uma mãozada, direto na minha cabeça. Antes que começasse a ver estrelas consegui chegar na lateral da pista.
Tive a chance de conhecer outros setores da incrível infraestrutura da Sapucaí. Um controlador de pista me acudiu, os bombeiros me atenderam, avaliando o galo enorme que crescia. Eu, pedia gelo. Quem apareceu do nada foi o cuiabano Marco Jorge Bastos, meu grande amigo (e salvador). Quando viram que havia sangue no meu cabelo fui enviada diretamente para o serviço médico. Uma limpeza, mercúrio cromo e um analgésico resolveram a situação. Voltei a tempo de ver a Thatiana Pagung, talentosa rainha da bateria com o adereço da vez: uma pequena cartolinha. Com acabamentos diversos o delicado acessório bateu ponto com Adriana Galisteu no Império da Tijuca, no Acesso, e na linha de frente feminina de famosos da Grande Rio.
Bom, aí veio o banho nilopolitano. Antes de entrar na avenida, Neguinho da Beija Flor se casou  no primeiro recuo de bateria. Não cheguei nem perto e preferi assistir a cerimônia pelo telão. Pra variar a escola veio linda. Cheia de gente bonita. Nilópolis é, sem dúvida, um celeiro do carnaval do Rio. Dá-lhe Laíla! A conferir.
Foi em frente a uma cabine que vi a Unidos da Tijuca abrir um buraco na enorme na pista. Corpos pintados e esculturas humanas tentavam representar os detalhes do enredo sobre o espaço. A escola foi prejudicada pelo estado da pista, toda molhada, depois da passagem do banho da atual campeã.

Tambor é Salgueiro, Ramos tem Cacique
 A curiosidade, tema da Porto da Pedra foi explorada pelo carnavalesco Max Lopes, ex- da Mangueira. Problemas com carros que desacoplaram podem representar a perda de preciosos décimos para a escola de São Gonçalo.
O Salgueiro foi recebido na Sapucaí pelos gritos de “É Campeã” vindos do Setor 1 e entrou arrasando. A intenção era explícita desde o primeiro carro repleto de tambores “tocados” pela Intrépida Trupe. A “Furiosa” de mestre Marcão, sustentou um enredo que é cara da escola. No último carro, mestres das baterias das agremiações homenagearam mestre Louro, uma idéia muito feliz do carnavalesco Renato Lage.
A Imperatriz Leopoldinense passeou pela história da escola, relembrando seus grandes carnavais e vitórias. Na avenida, muitas referências a antigos enredos que deixaram saudades e trouxeram títulos. Luiza Brunet teve o carinho dos componentes da bateria e das arquibancadas. Nesta altura, o cachorro sambista muito tranqüilo e interessado acompanhava a evolução de uma ala de baianinhas arrancando aplausos. O carro do Cacique de Ramos representava a glória de cantores e compositores que beberam na fonte, com Beth Carvalho e o Grupo Fundo de Quintal. Fantasiado de Cacique, o cantor Elimar Santos. 
Sua águia, este ano dourada, apresentava a Portela falando de amor. Na comissão de frente O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. O gari Renato Sorriso trocou seu uniforme laranja pelo azul e branco de seu coração (olha o amor aí!) e veio como destaque de chão. As muitas formas de amor apresentadas, se resumiam no carro da velha guarda da escola do coração de portelenses como Paulinho da Vila. Luma reinava a frente da bateria de mestre Nilo.  Animada desde o Salgueiro, na Portela acompanhei o caminhão de som e os puxadores e autores do samba deste ano, inclusive Diogo Nogueira, até o segundo recuo de bateria.
Lá, tive que dar meia volta, sob o risco de perder a entrada da Mangueira na avenida.
Com um ótimo samba, os componentes, entre eles, Guesinha, filha de Dona Neuma, se esforçavam para superar as sérias dificuldades que a escola enfrentou para botar seu carnaval na Sapucaí falando do povo brasileiro, sob o enfoque de Darcy Ribeiro. Estes problemas eram visíveis, por exemplo, no acabamento dos carros.
A noite se encerrou com a Viradouro pedindo Axé e falando da Bahia e de biocombustíveis. Seu desfile foi uma grata surpresa, desde a plástica do abre alas. Milton Cunha soube aproveitar a mudança de luz, já que a escola de Niterói desfilou no alvorecer. As cores quentes dos últimos carros se destacavam no fundo azulado, que anunciava o fim de mais uma disputa do Grupo Especial.
É, por que o carnaval, mesmo, ainda não acabou. No próximo sábado, certamente retornarei a Marques de Sapucaí para o desfile das campeãs. Até lá!
Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Material produzido para a série Sem Fim... no carnaval 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

(Sobre) viver pra ver

(Sobre) viver pra ver!

Texto e foto de Valéria del Cueto
E lá vamos nós! Deixe a crise pra lá e traga a alegria pra cá. Chegou mais um carnaval. Mais um? Que nada! A cada ano algumas coisas se repetem, mas se olharmos bem, outras tantas se modificam, mudando a cara da festa.
Para cada lado que lanço meu olhar de observadora da folia vejo essas modificações. Sutis, algumas vezes, escancaradas em outras.
Hoje, minha atenção está se divide em três pontos do país:Uruguaiana/RS,  Cuiabá/MT e, claro o Rio de Janeiro que, afinal é a origem do meu amor pela folia e suas formas de manifestação.
Esse amor é tão grande que realizou o milagre de me fazer, finalmente, terminar um curso superior. Comecei com a primeira turma e terminei com a segunda (só consegui pegar meu certificado um ano depois), o que faz de mim, oficialmente, uma Gestora de Carnaval. E é o que parece uma piada ou diversão para alguns que me faz ter hoje, esse triplo olhar sobre a festa e seus variados aspectos.
SUL
Em Uruguaiana, sou testemunha de um fenômeno cultural da cidade: um desfile tardio, realizado duas semanas depois do carnaval oficial. É aí que estarei para ver no que virou o a festa que vi se transformar, por razões involuntárias, há mais de 20 anos atrás. Nessa época, por anos seguidos, a chuva, a falta de energia e outras intempéries fizeram com que o carnaval “atrasasse”. Um dia alguém se tocou que este “delay” era a chave para o sucesso do evento que hoje reúne mais de 25 mil pessoas.
LESTE
Aqui no Rio o fenômeno carnavalesco se renova a cada ano. E se (hipótese implausível) nada de novo acontecer no período momesco, ainda assim o Rio já terá dado sua cota de reinvenção na pré-temporada de verão.
A encolha das noites memoráveis nas semanas que antecediam a festa, nos shows do Terreirão do Samba, (que agora acontecem só no carnaval), foi inversamente proporcional ao crescimento e ao sucesso dos ensaios técnicos das escolas de samba, realizados desde dezembro na Sapucaí.
A diversão gratuita caiu no gosto dos cariocas que, pelo menos no mês de janeiro, lotaram as arquibancadas do sambódromo para ver as grandes agremiações “afinarem” a performance para a disputa do título.
No início eram apenas ensaios. Com o passar dos anos evoluíram para uma diversão popular e descontraída, sob o olhar atento da LIESA. As alas passaram a usar camisetas, estas foram customizadas, personalizadas e ganharam ares de fantasias.
Hoje temos uma festa cheia de atrativos para o público, que não enfrenta a maratona de seis escolas por noite ( nunca são mais de 3 por ensaio), e ainda pode se acabar de sambar na arquibancada. Isso, se não rolar uma camiseta de uma ala, o que costuma acontecer. Muitos componentes do desfile oficial são de fora.. Virou praxe democratizar a diversão e convidar os chegados pra fazer número no desfile de mentirinha.
Como o Deus do carnaval não é chegado numa mesmice, as novidades (que já não são tantas no desfile oficial), se multiplicam nos ensaios técnicos.  O show da Viradouro, com toques de atabaques anunciando o Exu incorporado pelo carnavalesco da escola é um exemplo. Milton Cunha, responsável pelo show “Forças da natureza”, da Cidade do Samba (complexo onde estão reunidos os barracões do Grupo especial), extrapolou o enorme palco do local e levou para a avenida uma abertura de ensaio sui generis. Vai haver, daqui pra frente muitas luzes no final do túnel que ele acaba de transpor tateando, ainda na escuridão.
A segunda novidade também diz respeito a entrada na avenida de uma escola. Desta vez a Imperatriz Leopoldinense, considerada uma escola certinha, burocrática demais. Pois esta pecha cai por terra quando, devido a seu enredo “Imperatriz, só quer mostrar que faz samba também”, ela substitui seu repertório antigos sambas de enredo campeões, cantando no lugar sambas como Tristeza ( por favor vá embora...) de Niltinho Tristeza, Vou Festejar, de Neoci, Dida e Jorge Aragão. E pra gente se acabar de brincar ( é eu disse brincar) carnaval, um clássico do Cacique de Ramos, de Amauri, Noca da Portela e Valmir. Depois vem o samba enredo deste ano, que segue no mesmo embalo.
Tu brincastes ele brincou, nós brincamos. A Imperatriz foi o verbo transitivo, intransitivo dos esquentas das escolas nos ensaios técnicos. Resta saber como ela se sairá na hora do da onça beber água.
CENTRO OESTE
Vamos ao  último vértice do meu triângulo. Em Cuiabá, Mato Grosso, me chamou à atenção a proposta de reestruturação da festa, decadente nas últimas décadas. A descentralização e a iniciativa de utilizar apenas gente local para animar os foliões são etapas de um processo muito interessante de revitalização dos festejos. Pretendo participar ativamente deste processo, com a realização das oficinas Plumas e Paetês,  uma série de work shops sobre o fazer carnavalesco.  A intenção é deixar aflorar as características do carnaval local.
Você vai dizer que é muito chão para poucos dias, mas o que posso fazer se ainda não descobrimos um jeito de fazer carnaval o ano inteiro? Vamos chegar lá! Quem (sobre) viver verá...
 Valeria del Cueto e jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido credito

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Viradouro - ensaio técnico carnaval 2009


O ensaio técnico da Viradouro, que vem este ano com o enredo " Vira, Bahia, pura energia" teve o carnavalesco Milton Cunha, desempenhando um papel especial: ele trouxe para a Sapucaí, ao som de toques de atabaques, Exú. Não vou descrever o que aconteceu na avenida.
Veja na matéria A interação entre religião e carnaval do Carnavalesco
Pra sentir o clima do espetáculo, assista o vídeo aqui no SEM FIM....


* fotos, textos e registro audiovisual de Valéria del Cueto
https://www.flickr.com/photos/delcueto/albums/72157634742197044/with/9337344593/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Imperatriz Leopoldinense - Esquenta do ultimo ensaio técnico da escola para o carnaval 2009


http://valeria-delcueto.podomatic.com/entry/eg/2009-02-15T12_51_16-08_00
"Imperatriz... Só quer mostrar que faz samba também", é o enredo da Imperatriz Leopoldinense, escola de Ramos, para o carnaval 2009.

Por conta do seu enredo, que fala da história do samba no bairro, a escola tem feito seu esquenta dos ensaios técnicos, não ao som de antigos sambas de enredo da agremiação, mas com sambas e marchas que literalmente têm sacudido a Sapucaí.

No ensaio técnico de sábado, 14 de fevereiro, foram 18 minutos carnaval como antigamente, nos tempos em se brincava carnaval. É isso que a escola tem conseguido fazer nos ensaio técnicos, para alegria dos frequentadores do Setor 1 e adjacências...

*A Imperatriz Leopoldinense será a terceira escola do Grupo Especial a desfilar na segunda feira de carnaval, na Marques de Sapucaí, Rio de Janeiro.

** Este registro foi feito por Valéria del Cueto para o SEM FIM..., da del cueto - assessoria e produção

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Viradouro 2009 - vídeo ensaio técnico Carnaval 2009


No Sem Fim... http://delcueto.wordpress.com
Trechos do ensaio técnico para o Carnaval 2009 da Viradouro, janeiro de 2009, Sambódromo, Rio de Janeiro.
Criação, captação e edição: Valéria del Cueto
Produção: del Cueto - assessoria e produção

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Delegado, autoridade mangueirense - crônicas carnavalescas




Lá estava eu, grudada na grade do Setor 1 da passarela do samba carioca, a Marques de Sapucaí.

E lá veio ele, olhando a apresentação da Viradouro, escola que fez seu ensaio técnico no mesmo dia que a Mangueira, em janeiro de 2009.

Claro que não resisti. Ao todo e aos detalhes. Chapéu, cordões de ouro, medalhas, apito, bastão e a maravilhosa camisa do mestres dos mestre salas.

Este é o estilo inconfundível de Delegado, um dos baluartes da verde e rosa e uma referência do carnaval carioca.

Fotos de Valéria del Cueto, para o SEM FIM...
Video do ensaio técnico da Mangueira - link

Mangueira - ensaio técnico 2009


São poucas, mas merecidas.
Ensaio técnico da Mangueira, na Sapucaí, janeiro de 2009
Fotos de Valéria del Cueto
Video do ensaio técnico da Mangueira - link

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mangueira - ensaio técnico carnaval 2009


No Sem Fim...
Trechos do ensaio técnico para o Carnaval 2009 da Mangueira, janeiro de 2009, Sambódromo, Rio de Janeiro / Brasil.
Criação, captação e edição: Valéria del Cueto
Produção: del Cueto - assessoria e produção

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Passagem, da Ponta




Bom, diante das circunstâncias resolvi não arriscar na passagem do ano, mas não resisti. Mudei o ângulo do espetáculo dos fogos em Copacabana novamente.

Já havia assistido e fotografado a meia noite do Caminho dos Pescadores há dois anos atrás. Agora queria aprimorar o manuseio dos equipamentos de captação de fotos e de víde o. Aqui está o resultado parcial da empreitada. Começa na tarde do dia 31, com um tempinho muito chato e sem direito a
um por do sol de despedida.

Perto da meia noite choveu, justo quando fui para o Caminho dos Pescadores, na Ponta do Leme. Quando acabei a produção para gravar as imagens, minutos antes dos fogos que anunciavam o ano novo, a chuva parou. Isto me fez passar a virada vestida de capa de chuva. Me senti super protegida pelo ano todo...

Depois aproveitei para ir fazendo algumas fotos de personagens típicos que fui encontrando. O material era farto, já que a Ponta virou o ponto de encontro de grupos de motociclistas para comemorarem o ano novo. No próximo reveillon, já conhecedora da programação especial, se tudo correr bem, vou chegar mais cedo e com autorização prévia registrar devidamente as comemorações da rapaziada.

Terminei esta virada no São Sebastião, onde resolvi homenagear o staff da casa que me recebe tão bem o ano todo. Pedrinho, o chef patron, desistiu do avental e aproveitou para se confraternizar com o Coutinho, do famoso bar que leva seu nome na fachada, mas tem uma placa que diz: Imperador
do Leme....

Texto e fotos de Valéria del Cueto, para Série Ponta do Leme, no Sem Fim...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008