Mostrando postagens com marcador pampa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pampa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de abril de 2025

Mangrulho


Mangrulho  

Texto e foto  Valéria del Cueto

Você sabe, caro leitor, o que é um mangrulho? De acordo com o dicionário a palavra tem dois significados:

1- Posto de observação, em lugar elevado, feito de madeiras toscas.

2 -Armação metálica ou de madeira sobre a qual se fixa uma luz, farolete ou bandeira, que serve para orientar a navegação.

Fui apresentada a palavra na primeira Califórnia da Canção que assisti ao vivo em Uruguaiana, a décima edição do mais importante festival de música nativista do Rio Grande do Sul. “O Mangrulho” é título e mote da composição defendida por Jorge André e os Uruchês, em 1980. Seus autores, Knelmo Alves e Marco Aurélio Vasconcellos.

Já conhecia a produção musical do evento pelos registros em LP das edições anteriores, onde mergulhava em termos gauchescos e estar ali, na terra de parte de minha família, foi uma experiência tão marcante que acabei ancorando por lá durante alguns anos.

Como jornalista, repórter e diretora da TV Uruguaiana, do Grupo RBS, faria a cobertura de algumas edições da Califórnia, festival idealizado por Colmar Duarte. Aprendi muito nesse período profissional que se encerrou quando fui avisada que era persona non grata na Argentina por causa das matérias que produzi durante a Guerra das Malvinas...

A aventura na fronteira oeste do Rio Grande do Sul perdeu parte do seu encanto com o impedimento de circular no país vizinho e acabei puxando o carro. Primeiro para o Rio de Janeiro e, depois, em direção a Mato Grosso, onde os sulistas já estavam chegando. Décadas depois, voltaria em outras edições para mergulhar na cultura gauchesca e festejar minhas origens familiares.

Hoje observo o mundo de um mangrulho moderno, que não é de madeira, mas de concreto. Meu posto de observação primário está localizado no pé da serra fluminense, sobre um riozinho. Usando a tecnologia moderna tomo conhecimento não apenas do que a vista alcança, mas de qualquer lugar do mundo, graças a internet. É daqui que, na maior parte do ano, acompanho a evolução dos acontecimentos que sacodem a humanidade.

Gosto do som da palavra mangrulho. Ela me lembra mergulho. A troca da vogal e o empurrão do R para depois do G para que o N tome seu lugar me dá uma sensação contraditória de distância e envolvimento, de estar atenta, positiva e operante.

Todos os anos troco o mangrulho do pé da serra por outro, que já foi de concreto e hoje é de ferro.

Falo da estrutura da torre de transmissão da Marquês de Sapucaí onde fico empoleirada durante parte dos desfiles das escolas de samba do carnaval carioca. De lá tenho uma visão especial da pista, das arquibancadas e da Apoteose.

Já contei, inclusive, em outra crônica chamada A torre (ou quem bejô, bejô), a aventura que foi para conquista-la, missão impossível para quem tem medo de altura, o que não é meu caso.

Tão difícil como chegar lá e ter forma física para o sobe, desce, corre pra pista. Por normas estabelecidas pela organização do espetáculo o caminho ficou muito mais longo, já que agora só dá para acessá-la pela armação ou pela dispersão. As passagens intermediárias, como pelo segundo recuo da bateria, foram fechadas. Haja perna, haja fôlego! A opção seria permanecer o tempo todo por lá, o que, é claro, não consigo fazer.

Esse ano o trajeto ficou ainda mais complicado. O corredor que dava acesso à estrutura pela parte de trás de circulação do sambódromo foi “incorporado” por um camarote. Agora, além do longo percurso, é preciso mergulhar num mar de gente que disputa o melhor lugar para assistir aos desfiles.

Chegar ao mangrulho de ferro requer mais prática, paciência e muitas amizades, especialmente dos seguranças e coordenadores que ajudam a abrir o caminho entre os animados frequentadores do espaço.

As imagens captadas da torre de transmissão valem o esforço!

Parece que o carnaval é o assunto desse texto, mas não.

O tema é o mangrulho, palavra antiga, quase perdida na imensidão dos pampas que serve de alerta aos cuiabanos, preocupados com a extinção de seu peculiar linguajar tradicional.

Sem que haja resistência e disseminação cotidiana, a preservação das raízes linguísticas acabará se perdendo, imergirá num mergulho sem volta nos novos maneirismos que hoje suplantam e suprimem os antigos costumes seculares da baixada cuiabana.

O Muxirum Cuiabano é um mangrulho que alerta à necessidade de registro e manutenção das tradições. Preserva, até em seu nome, não apenas relíquias arquitetônicas, mas também da língua e dos costumes dos que habitam a antiga Cidade Verde e a baixada cuiabana.   

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Das séries “Fronteira Oeste do Sul”, “Parador Cuiabano” e “É carnaval” (ponto triplo) do SEM FIM...  delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Estância São Lucas 2017, por Valéria del Cueto


Estância São Lucas, Uruguaiana, Rio Grande do Sul, é uma criadora de gado Braford, com anos de tradição no segmento. Estive por lá nos dias  30 e 31 de março de 2017 para fazer um registro da pesagem, avaliação do desmame para o PROMEBO animais Braford nascidos em 2016.

As impressões literárias da visita estão na crônica "A lo largo", publicada aqui @no_rumo do Sem Fim

Agora, é a hora de conhecer as coleções feitas por lá.

Primeiro, a do trabalho em si.
Estancia São Lucas 2017 - Pesagem, avaliação do desmame braford 2017<script>

E, agora, a das fotos do entorno e do clima do lugar tão especial do lugar.
Estancia São Lucas, entorno e viagens fotográficas 2017<script>

Agradecimentos aos anfitriões Nilson Faria Correa e Judith Faria Correa assim como a paciência dos peões que me viram rondando o trabalho da estância.


Ensaio fotográfico de Valéria del Cueto

@no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com
@delcueto convida: passeie pelo o Studio @delcueto

Studio na Colab55

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Texto e foto de Valéria del Cueto

É muito bom ser geminiana e gostar de ter diversas vidas. Isso faz que seja uma metamorfose tranquila trocar de ares como quem muda de roupa. Depois do carnaval de Uruguaiana é a hora de reacender as raízes pampianas. Para isso, nada melhor que um mergulho no silêncio das suaves colinas da fronteira oeste, na Estância São Lucas.

Tudo programado e preparado “au grand complet” com uma passagem na La Bodeguita pra providenciar um rancho a altura do cenário: queijo e salame da colônia, costelinhas de bovino, cebola para assar, bala de goma e alfajores para sobremesa e, vindo do outro lado da fronteira, no caso do Uruguai, algumas garrafas de vinho  a serem degustadas enquanto o fogo é feito, a carne fica no ponto e  um picado engana a fome que só aumenta enquanto ouvimos o trepidar do carvão em brasa. Vida mansa no final do dia.

Na chegada na estância no meio da tarde damos passagem ao gado da raça braford que vai sendo recolhido à mangueira. No dia seguinte os animais serão apartados pelos peões pilchados a cavalo para trabalharem o rebanho. Ali já dá para saber que o tão almejado silencio noturno será substituído pelo coro de mugidos  que ponteará madrugada afora, como uma sinfonia.

A imagem, impressionante para quem nunca viu a movimentação, é um colírio aos olhos saudosos que ficaram mais de um ano longe da lida campeira. Ao final do dia, uma mateada e algumas fotos dos gaúchos reunidos no galpão proseando ao cair da tarde.

A luz é muito especial. As sobras se alongam fazendo desenhos no campo, delineando o relevo das árvores contra as cores impressionantes do entardecer outonal.

Basta percorrer a cerca que protege a casa principal até a porteira para captar várias configurações da paisagem. O sol vai se pondo, ora no meio do arvoredo, ora no contorno suave da planície, dependendo do ponto de vista. O lusco fusco avermelha o horizonte e cria outras imagens dramáticas quando se acrescentam os contornos das porteiras e cercas dos bretes.

Quando resta penas um fiapo de luminosidade mais uma surpresa. A lua nova que dá as caras fininha, obriga a uma rápida mudança nos parâmetros da câmera fotográfica para que o sorrido do gato de Alice (a do País das Maravilhas) imprima nos sensores. Todo esse movimento acontece sem trégua. Deixa uma sensação de urgência para que tudo seja devidamente registrado. Mal comparando, é como uma escola de samba que passa na sua frente. A gente sabe que não pode perder nenhuma ação pois ela não se repetirá novamente. É hoje só, amanhã não tem mais, pelo menos daquela maneira exata.

O próximo ato é cair de boca no churrasco ao som de um programa de música nativa dos Pampas. Uma vingança à Carne Fraca que habita o cotidiano dos brasileiros em geral. E que se dane o colesterol, porque a gordurinha tostada é irresistível e o vinho dilui as incertezas futuras.

Coragem mesmo é mudar o fuso horário e, em busca da imagem perfeita, sair da cama por volta das 6 da matina, enfrentar o friozinho da madrugada partindo, de pilcha e botinas, em busca de ângulos que valorizem o prateado do orvalho que – ainda - molha os campos. O trabalho com o gado sendo apartado para a pesagem e a avalição rende registros de um estilo de vida fatigante, normalmente narrado de forma poética. Não é fácil a vida campeira. Essa conclusão se fortalece a medida em que o dia vai “adelante” e o calor castiga os animais e quem labuta na terra.

A poeira levantada pelas patas dos animais poderia ser apenas um filtro que deixa as imagens mais “doces” se não impregnasse a roupa, as peles suadas dos animais, de quem se dedica ao trabalho da pecuária e – ai de mim -, o delicado equipamento fotográfico.

Nada que não valha a pena quando o resultado do dia no campo ficar guardado, não apenas na memória de quem estava na lida, mas ao alcance dos que, sem passarem por todas as etapas aqui narradas, puderem viver esses momentos visitando os registros que trago de lá...   
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Fronteira oeste do Sul”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

terça-feira, 5 de maio de 2009

Pra fora - Flores, nada mais

 Clique no LINK para acessar o ensaio no FLICKR

Pra fora - Flores, nada mais

Dos pampas de Uruguaiana,
flores do jardim de fora.
Algumas, do refúgio.
Outras, abusadamente exuberantes,
mesmo no meio da seca de fim de verão.

Fotos de Valéria del Cueto, para a série Fronteira Oeste do Sul, SEM FIM... Feitas depois de uma costela assada, "lá fora" com a Juca e o Nilson. Assim, quem não ia se inspirar...
 Clique no LINK para acessar o ensaio no FLICKR

domingo, 19 de abril de 2009

Vidro


Da janela do ônibus no caminho entre Porto Alegre e Uruguaiana vi, depois de muitos anos de ausência, o por do sol nos pampas. É uma visão de muitos significados e lembranças.

Enquanto tirava as fotos, filosofava sobre o paradoxo de estar imóvel dentro do ônibus, ao mesmo tempo em que me movia de forma tão rápida que não podia ver e fotografar. Tinha que fotografar o que via. Por que se olhasse primeiro para fotografar depois, já não poderia mais registrar o que havia visto.

Viajar horas num ônibus leva a gente a ter tempo para pensar. A luz especial do final do dia inspira o exercício mental e o pensamento foi para outra questão que fazia toda a diferença naquele instante. Sentia fome.

Nem que fosse da minha comida que não é lá essas coisas, mas tem seus bons momentos. A conclusão foi consequência. "O pouco que cozinho, é com o por do sol. Nunca haverá outro igual..."

Ainda restavam algumas horas de viagem, em que tive de me alimentar de por do sol gaúcho. Comida mesmo só veria em Uruguaiana na hora do jantar. Não, mais longe ainda, só na Argentina. Nesta noite fui jantar com os jornalistas Fred Marcovici e Rubens Montardo, em Passo de Los Libres. Era o início do meu reencontro com o Pampa e seu povo...

Texto e fotos de Valéria del Cueto
da série Fronteira Oeste do Sul para o SEM FIM...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Passarinho não passará






PASSARINHO
NÃO PASSARÁ

Texto de Valéria del Cueto




Valéria
Sempre fui de poucas palavras, muitas sequer de minha de minha autoria, mas aproveito esse descuido do  Senhor de Todos os Campos, no dia dos 60 anos do meu nascimento, pra te dirigir algumas delas.

Sei que andas aí, por Uruguaiana, tentando reunir lembranças e registros de minha trajetória e te sentes meio órfã de meus dizeres e queres. Por isso, e por saber que, acima de tudo, crês nessa sintonia transcendente é que te escrevo.
 
Não procures ter mais de mim do que sou no teu coração, o que não é pouco, (o sei por que daqui o sinto), já que ajudastes a continuar sendo o que fui.

Não te lembras? Sei que sim... Foi há quase trinta anos. Te convocaram para fazer a que poderia ser a derradeira entrevista do amigo que vos fala, num leito da enfermaria da Santa Casa quando, lá estava eu, querendo que a vida me deixasse em paz, durante uma crise que minha mãe Eloy te disse ser de pneumonia.  “O problema”, ela decifrou com seu sentimento maternal, “é que ele não quer mais viver, acha que não tem por que...”

Quando chegastes junto ao meu leito, ainda me lembro, com um ar revoltado e indignado, dissestes sem rodeio. “ Vim por que me mandaram fazer a última entrevista contigo, mas não quero acreditar que isso seja verdade”. Pra tua decepção e tristeza, sem olhar nos teus olhos, virei pro lado sem reagir e meu silêncio apenas confirmou o que te recusavas a aceitar.

Seguistes falando e me interrogando, que esse é um dom que sempre tivestes, assim como o meu sempre foi o de cantar. E, pelas tantas, com a câmera gravando, me perguntastes: “Afinal, o que te faz sentir, do que tens saudades?”. Parei para pensar, (fisgastes, danada,  minha atenção), e te respondi: “Os aplausos”.

“Então fecha os olhos e imagina que acabastes de cantar no palco da Califórnia. Não queres mais ter essa sensação?”, e continuastes: “Passarinho, te aplaudem por que reconhecem teu cantar. Cante! Os aplausos sempre virão, por que são eles a reação natural ao teu dom” Ri fracamente e argumentei: “ Cantar. aqui?”.

“Por que não?”, me desafiastes petulantezinha e provocadora. “ Tua voz tem o poder de reanimar os que sofrem, assim como os aplausos farão o mesmo por ti”. E eu cantei. A princípio, fracamente. Até que ouvi o primeiro aplauso, vindo do leito vizinho. E ele aumentava e crescia pela enfermaria e os corredores do hospital. Ao teu lado, as lágrimas corriam pelo rosto da minha mãe, que via ainda não era daquela vez que seu filho partiria. Muitas coisas ainda aconteceriam antes desse dia....

Amiga, o que são as palavras e fotos e imagens que procuras, diante da força descomunal de tuas lembranças? Tens a elas e a meu canto que, bem sabes, sempre foi só emoção. Tens momentos, como a primeira Califórnia em que me vistes, menina de tranças e boina vibrando na platéia do Cine Pampa. Tens os cafés da manhã que tomamos juntos. Eu, emergindo de mais uma noitada e tu, começando teu dia na TV Uruguaiana.

Sabemos que fizestes o possível para que, além do meu canto,  houvesse registros do meu ser e viver e que te entristece descobri-los perdidos. Mas e daí? Estou em ti. Sou teu aplauso. E meu canto sempre vai te acompanhar, te consolar, já me dizias naquele tempo.  Somos outono e opostos. Eu do segundo dia e tu do penúltimo. Não mulher, nada de chorar!

Me voy por que já falei demais  Estoy siempre a lo largo e os que, como tu, me tem, o sabem carregando os dizeres do meu canto.

Fica bem, por que aqui, é assim que me sinto ao comemorar meus 60 anos (quem diria) renascendo cada vez que alguém, como tu fazes, escuta minha voz, que sempre dissestes aveludada e cristalina, nos cantares desta ave que vos fala. Bati asas, mas permaneço em ti, já te disse e repito.

Teu amigo, Passarinho.

PS: Um beijo de amor aos meus (Eva e César). Diz a eles que aqui estou, com Deus...

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Material produzido para o Tribuna de Uruguaiana
da série Fronteira Oeste do Sul do Sem Fim...

Bom dia, Uruguaiana

Bom dia, Uruguaiana

Texto Valéria del Cueto
Continuo por aqui, raptada por minhas primas e hospedada na casa de seus pais, meus tios. O carnaval passou, a Ilha do Marduque é bi-campeã, a vida está voltando ao normal e eu me divertindo horrores!
Da folia restam: a edição do Tribuna (que encontro por onde passo) com fotos da avenida e os anúncios das vendas do DVD do desfile (estes, ouço cada vez que transito na frente do Banco do Brasil, na esquina da praça, quando vou ao cybercafé onde estou organizando as meus registros carnavalescos.
No mais, é só diversão e reencontros, emocionantes e saudosos. Ah, registro que têm sido momentos perfeitos para tentar readquirir os quilos que perdi andando de baixo pra cima na pista da passarela do samba local com muita comida boa e, cá pra nós, isso não falta por aqui.
No momento, estou " pra fora" com a Juca, fiscalizando os trabalhos do Nilson, seu marido, que rala enquanto a gente joga conversa fora. E olha que parece que nosso assunto não tem fim!
Chegamos ontem de tardinha, fotografei (pra variar) o por do sol, na noite degustamos um ótimo vinho e, agora, cá estou eu, aproveitando a manhazita enquanto minha parceira ainda dorme, pra escrever esta crônica, narrativa, coluna, (chame do que você quiser), na varanda. Enquanto isso, um cusco exibido saltita agitadíssimo a minha volta, tentando chamar a atenção.
O que, quem consegue fazer, é o barulho do vento, a passarada que faz a festa e um bando de caturritas tagarelas. Elas, conversam no alto das árvores em seus ninhos. Eles, são tantos que parecem condomínios pendurados no eucalipto que ladeia a casa principal.
Combinamos de acordar de madrugada pra ver a lida. Madrugada seria, tal a calmaria que reina e os indicadores do meu relógio biológico, se o celular que pega muito bem por aqui, não me avisasse que são quase 10 da manhã.
Que diferença faz, se tenho como anfitriã alguém tão pouco preocupada, como eu, com o diacho do tempo real? Se ele fosse relevante, certamente pesariam os muito anos que passei ausente, por exemplo.
E, quer saber? Até ele é relativo. Tanto pra mim, como para os vários e queridos amigos e parentes, que tenho encontrado ao longo da última semana. É como se o que nos separou fosse apenas uma temporada em que eu tivesse ido veranear no Rio de Janeiro.
Estou adorando esta sensação e agradeço às gurias e aos guris que me fazem sentir assim. Por isso, desejo a todos e não paro de repetir: Bom dia, Uruguaiana.
PS: Vale registrar os elogios que o carnaval local recebeu de vários integrantes da lista de discussão Rio-Carnaval, capitaneada por Felipe Ferreira. Sei que a movimentação para a próxima edição da festa já começou, o que mostra a seriedade e a motivação dos uruguaianenses. Trabalho sério e planejamento são ingredientes que farão a festa melhorar a cada ano.

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Material produzido para a série Sem Fim... no carnaval 2009
PS 2020 - Também incluído na série Fronteira Oeste do Sul