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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

A folia sempre alcança


A folia sempre alcança

Texto e foto de Valéria del Cueto

O ar está bem pesado e já se escuta o barulho da chuva. Primeiro foram as trovoadas que chegaram anunciando o que virá daqui a pouco.

Melhor assim, ninguém se lembrará, nem tentará me mover enquanto o céu estiver caindo e as prioridades forem outras. Como os alagamentos que sempre acontecem ali pros lados do Maracanã, por exemplo.

Fico aqui aos seus pés, onde passei desapercebido até uma twittada entregar, com direito a prova documental fotográfica, minha permanência na praça. A despretensiosa postagem na rede social continha a imagem em que grades e tapumes, sabedores e cúmplices da minha ventura, tentavam camuflar meu disfarce alegórico quase abraçado a Apoteose. Ela chamou a atenção do mundo (pelo menos o do samba) para minha localização inusitada.

Sem querer ofender (pelo contrário), o ilustre responsável pelo conteúdo maravilhoso da plataforma Ouro de Tolo, acho que rolou uma certa invejinha boa.

Não pude acreditar quando eu, um chassi apaixonado pelo carnaval, cujo nirvana para o povo do samba é chegar a Apoteose, fui dirigido a esse local icônico após o hiato do calendário carnavalesco provocado pela pandemia.

Quer saber? Pode chamar de paixão, classificar como doença ou dizer que é um vício irrecuperável. Arrio todos os meus pneus pela emoção de cruzar aquela Sapucaí de ponta a ponta. Topo tudo! A imobilidade exasperante e os maus tratos na preparação da alegoria do ano, o peso insuportável dos ferros, madeiras, forrações, esculturas, traquitanas, badulaques. O remelexo extra nos meus já cansados amortecedores das composições e destaques que sacolejam no percurso da pista nos desfiles das agremiações carnavalescas.

Ultimamente atravessava a avenida apenas uma vez por ano, no Grupo Ouro. Mas já reinei imponente numa escola do Especial! Daquelas que além do desfile oficial têm vaga cativa no sábado das campeãs. O esforço de minha robusta estrutura de ferro era reconhecido e saudado pelo concreto armado dos arcos da Apoteose. Sempre gentil e incentivadora dos que se aproximavam. Corações palpitantes, corpos suados, mentes em êxtase no caso dos componentes das agremiações. Sempre dedicou um cumprimento estimulante às estruturas inumanas incorporadas a procissão profana.

Assim nasceu nosso querer. Nos aproximamos num momento em que os acessórios anteriormente descritos, aliado ao calor insuportável da iluminação e parte elétrica da alegoria quase fizeram com que me rendesse ao mau humor recorrente da torre traiçoeira que desejava uma pane nas engrenagens acopladas para travar a maravilhosa apresentação que a escola fazia. Foi o estímulo revigorante da visão dos arcos da Apoteose e sua energia que geraram o esforço extra necessário para impedir o colapso eminente e me fizeram deslizar para o aconchego do seu abraço.

Quando o desgaste natural fez com que fosse substituído por um equipamento mais novo, agradeci ao deus do carnaval por ter sido doado a uma afilhada do grupo de acesso. Pelo menos uma vez por ano podia cair nos braços da Apoteose e, felicidade das felicidades, conseguia avistá-la do barracão situado no bairro do Estácio, nas proximidades da Sapucaí!

Até que a pandemia chegou. Diante do estado deteriorado em que me encontro temi nunca mais voltar ao abraço da icônica escultura de Oscar Niemeyer. Foi quando o milagre aconteceu. Fui acionado e movimentado para a Sapucaí. Meus Deus! E, em vez de uma passagem cronometrada deixado bem ali embalado no berço do samba. Aos pés dos guias, os arcos, e da mítica de minha paixão carnavalesca, a Apoteose.

Até Pedro Migão me notar, registrar e postar.

Não guardo mágoas nem rancor. Se tiver que partir tive o que, talvez, outros não tenham. A oportunidade de matar essa saudade doída ritmada pelos sons distantes que chegam a você, Apoteose, e a mim, chassi véio de guerra, das quadras que começam seus ensaios para o carnaval. Sou pura esperança. Daquele que podemos não saber quando, mas certamente virá.

Como a espera, a folia sempre alcança.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “É carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

@delcueto.studio na Colab55

quarta-feira, 16 de maio de 2012

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Carnaval 2009 - Alas dos Sambistas


A Escola do Cachorro Sambista é o livro de Felipe Ferreira e Mariana Massari, lançado antes do carnaval 2009. Eles, cachorros, estão representados em vários carnavais. São componentes das avenidas do Rio de Janeiro e de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Fotos de Valéria del Cueto para a série Carnaval 2009


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Carnaval 2009 - apoio e controle


 Todos os anos, mais de 4 mil pessoas são contratadas para trabalhar na Sapucaí. Com algumas tenho contato mais direto, já que são elas que controlam a pista do sambódromo, onde transito centenas de vezes.

A linha de frente que abre caminho para as escolas é um clássico no desfile, pelo menos pra mim que dependo da boa vontade da rapaziada na hora de fotografar as agremiações.

A primeira impressão é de que os caras são muito brabos. Mas é só impressão. Na verdade, se gentileza gera gentileza, é isso que tenho recebido deles, tanto na linha de frente quanto ao lado do recuo de bateria, onde costumo estacionar para gravar os áudios dos esquentas.

Este ano, conformo contei na matéria Céu de brigadeiro, tempo bom no carnaval do Rio de Janeiro. Pra rimar, deu... Salgueiro! Tive a necessidade de experimentar outros setores de serviços da Sapucaí. A saber: os bombeiros e o departamento médico. As fotos dos responsáveis pelo meu atendimento estão aqui no álbum.

Carnaval na Sapucaí controle e seviço

Pra finalizar, minha homenagem de sempre aos garis da Comlurb. Normalmente eles representados no meu acervo pelo queridíssimo Renato Sorriso, como agora Renato é vip e famoso, foi substituído por representante da categoria.

*Fotos de Valéria del Cueto para o projeto SEM FIM... carnaval 2009, da del Cueto - assessoria e produção.