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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dançando nos campos do senhor

Protesto 1406023 087 Moradores de rua dançando fan fest

Texto e foto de Valéria del Cueto

É como se não houvesse amanhã. Todo mundo acordando ao som de um assobio. O que vem depois? A explosão! Tem dias que pode, sem estranhamento ou preocupação. Ninguém se espanta com o barulho porque sabe sua origem: o futebol.

Aqui no Rio, pelo menos uma vez por ano, isso é muito normal, então, de 4 em 4 anos, ninguém estranha o fato. Todo o santo dia 31 de dezembro, na medida em que as horas vão passando, o ruído aumenta até o festival de fogos da meia noite  no famoso réveillon em Copacabana.

Dia de jogo do Brasil muda um pouco o timing, mas a essência foguetória é a mesma. E olha que nem somos chineses, os inventores do brinquedinho de artifício. São os fogos que vão marcando a crescente excitação popular que vai tomando conta do ar que todos nós respiramos aqui na Ponta do Leme e, creio que no país inteiro, nos dias de partidas brasileiras na Copa do Mundo. É como se a vida se limitasse aos degraus necessários para a conquista do almejado título esportivo. Uma loucura.

E já que estamos nela, bem do ladinho, só resta observar os efeitos imediatos e de primeiro grau que essa paixão nacional causa no entorno.

Agora, depois de três semanas de eventos na praia de Copacabana já dá para fazer uma análise mais detalhada do que rola no pedaço e das tribos presentes na festa no ensaio fotográfico que sigo fazendo, o #justnow

A muvuca é geral, mas digamos que as comunidades podem ser distinguidas mais claramente: os que fazem da orla sua casa, os que vêm pra “presepar” e aparecer nas telas do mundo, quem está fazendo negócios (e aí tem diversos tipos e as mais variadas possibilidades), quem passa só pra dar uma olhada no espetáculo, quem vem ver o futebol e consumir o espetáculo e seus produtos. Foi preciso um tempo de adaptação para decodificar tanta diversidade. Hoje, já dá para escolher com mais objetividade a melhor hora para fazer as fotos, para passear ou ir á praia.

Nesse período, algumas curiosidades. Como nos dias de sol a preocupação dos branquelos com suas orelhas, esquecidas no primeiro contato com o sol carioca até tostarem inadvertidamente pela falta de uma distribuição adequada de protetor solar.

Outra atração são os dreadlocks, aqueles cabelos longos e embaraçadíssimos a la Bob Marley. Quem disse que só turista abonado ia ter visto para chegar ao coração da Copa? Os mochileiros são muitos! Extirparam os mendigos e da paisagem, mas não contaram com os andarilhos que, com ou sem suas casas nas costas, dormem em qualquer lugar, inclusive nas areias da praia.

Quanto mais afunila a competição, mais viramos a meca e objeto de desejo dos estrangeiros de qualquer condição social! Primeiro foram os motorhomes que, depois de invadirem o Leme e ocuparem a orla e as ruas do bairro, foram remanejados para o Sambódromo e o Terreirão do Samba. Dizem que lá virou uma espécie de Cidade de Lona informal como as da lendária Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul. Ainda não tive chance de checar o movimento por lá, mas li uma notícia contando que, para fugir dos preços turísticos extorsivos cariocas, levas de turistas estão frequentando o Restaurante Popular, feito para oferecer comida a R$ 1 (hum real) para os menos favorecidos da cidade.

Enfim, dentro do grande e milionário evento, há espaço (tomado a muque) para quem acha que ver uma Copa do Mundo não tem preço e qualquer sacrifício é válido para viver essa emoção, incluindo nossos mendigos…

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Embarcando nessa...


Embarcando nessa...

Texto e foto de Valéria del Cueto
Surreal e muito mal. Esta é a experiência de voar de Floripa para o Rio pela Jet, a Web. Aos todos nada!
Antes, você entrava no aeroporto, ia ao balcão onde fazia o checkin e despachava sua bagagem. Agora já começa escravo tendo que, numa maquininha com espaço para meia pessoa e nenhuma bagagem (ela fica ali ao lado, dando sopa) digitar seu localizador, prestar informações pessoais, ler e concordar, saber o que pode e não pode, fazer a escolha da poltrona.
Operação habilmente realizada com malas bolsa, casaco, etc, etc, tudo (des)equilibrado no nada por que se não há apoio previsto para você, imagine para suas múltiplas e inseparáveis tralhas. Não é um digitador? Danou-se, cate milho ou cisque em volta. Pode ser, talvez, quem sabe, exista um simpático sorriso da companhia parecido com aqueles que ficam nos terminais de banco no dia do pagamento dos aposentados, recitando a ladainha com ar de tédio e olhando como se você fosse um idiota e/ou incapaz.
Acabou? Trabalhou direitinho para a companhia? Já viu quem dá as ordens no pedaço? Então vá para o antigo princípio despachar sua bagagem. Precisa de tudo que precisava antes. Documento de identidade, os dois papelitos cuspidos pela máquina inicial... Coube tudo na sua mão? Na minha não. Mas só guarde a bagulhada depois de, tendo excesso de bagagem, se dirigir ao guichê da companhia e juntar aos apetrechos seu cartão de crédito para pagar o devido e reconhecido débito.
Com mais um papel na mão dê meia volta, retorne ao primeiro balcão para receber de novo, agora com o ticket da bagagem colado atrás os dois papeizinhos tipo folhinha amarela de comprovante bancário aquela que empalidece irremediavelmente com o tempo, que lhe garantem o passaporte para a aeronave.
No caso de Floripa não se assuste se, ao olhar para o painel de voos, o seu estiver piscando (já?) embarque/boarding, mesmo muito antes do horário a que se refere o ato. Eu corro, tu corres, todos corremos em direção a sala de embarque para a longa fila do o Raio de um só X, por que o outro equipamento existente ri da sua cara e dos demais enfileirados ao seu lado... desligado e tranquilo.
Passada a inspeção a pilha continua. Em frente ao portão indicado no painel com boarding/embarque, ninguém. Vai ver é noutro portão. Não é não. Lá é o voo para São Paulo, avisa aborrecido o último da fila para embarque, cabe ao felizardo que viaja para a terra da garoa esclarecer os desorientados em busca do sol carioca.
Outra olhada e muda o alerta para now boarding/embarque imediato. Só se for por abdução. Por que, além de fechado,  não há nem sinal de alguém da companhia. Aliás, nem companhia, por que no portão 3 há apenas a bancada da TAM. Dois portões adiante está o da jegue, quer dizer, Web
Mas é melhor nem chegar lá por que a voz simpática anuncia que passageiros das poltronas de número baixos devem ir para a porta da frente e das altas pra trás pela porta de trás da aeronave. Ao mesmo tempo em que o painel apressadinho pisca o alerta de ultima chamada do embarque que ainda não começou... Sorte que não está chovendo. Depois de caminhar livre leve e solto pela pista do aeroporto só os privilegiados da porte da frente tem direito a cobertura na escada que leva a aeronave. O povo da porta dos fundos sobe na chuva mesmo...
Já pensaram como será isso na copa? Melhor pular a sub-sede das delícias. Se experientes experimentados em todos os tipos de voo dos teco-tecos aos superaviões internacionais se confundem, imaginem os turistas que virão? É confusão!
Como o espaço é restrito pelos meus carrascos editores Lorenzo Falcão e Fred Marcovici, vou parando por aqui, antes de subir aos céus, onde aventuras incríveis nos esperam, incluindo as possibilidades insanas da viagem. Curioso? Aguarde o próximo capítulo...
*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

domingo, 31 de maio de 2009

O Brasil vai saber o que é VÔTE!



O Brasil vai saber o que é VÔTE!

Estamos iniciando uma nova etapa na história de Cuiabá. Não uma nova história, por que mais de 270 anos nos levaram a sermos o que somos hoje. Mas, sem dúvida, a capital de Mato Grosso não será mais a mesma após sua escolha como uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014.

Fui para o Chopão, (local mais emblemático, impossível) um dos pontos de concentração das comemorações, antes do resultado ser anunciado. E, ali, registrei a emoção dessa matriz cultural que tanto admiro e faço questão de divulgar e louvar.

As fotos a seguir são as primeiras das muitas que produzirei na série Parador Cuyabano que retomo, em sua versão 2009. Nada melhor do que uma grande festa cuiabana para abrir os trabalhos. Foi nele, no pessoal da terra, que "mirei" minha câmera durante os momentos que antecederam o anúncio da cidades onde acontecerão as partidas entre as seleções.

Parabéns ao povo de Cuiabá e de Mato Grosso pela conquista!

Texto e fotos de Valéria del Cueto para a série Parador Cuyabano. Uma produção del Cueto - assessoria e produção para o SEM FIM...