Mostrando postagens com marcador pipa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pipa. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Natal / Pipa, caminhos

rnpipa-160826-075-rn-caminho-pipa-natal-rn-003-meninos-nos-jeguesNatal / Pipa, caminhos

As estradas que levam ao paraíso. Fotos captadas na estrada entre Natal e Pipa, município de Tibau do Sul, Rio Grande do Norte,  e produzidas para "Quem procura, acha", da série Nordeste, em julho de 2016, por Valéria del Cueto.


Quer ver mais da região? Desbrave a série Nordeste.  As fotos também fazem parte da série "Caminhos". Entre eles, está a Estrada da vida – Rio/Paraty/Rio que tal dar uma volta por lá?

@no_rumo do Sem Fim… por @delcueto
Studio na Colab55

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sempre as pipas

Clique no LINK para acessar o ensaio das pipas no FLICKR
Sempre as pipas

Brincadeirinhas chapadensenses, exercício vagabinha para o material publicado no Pipas pra que(m) te quero

A loja abriga as pipas pra quem te quero.
A faca, o corte,
no vento que venta lá.

Vagabinha e fotos de Valéria del Cueto para a crônica acima citada e linkada

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pipas, pra que(m) te quero?

Pipas, pra que(m) te quero?

Texto e fotos de Valeria del Cueto

Leves, alegres, saltitantes, preguiçosas, tensas, persuasivas, suaves, nervosas, agitadas, mansas, fugitivas, alegóricas, coloridas... Pipa  é  um substantivo capaz de comportar uma penca de adjetivos para definir seu espírito vigente, de acordo com o vento que a sustenta. Venho de um lugar de muitas pipas que, assim como as ondas do mar  deste local, são originais, fugazes e perenemente inéditas a cada movimento.

Chame do nome que quiser: pipa, papagaio pandorga... Elas são para quem te quero.  Mensageiras do amor e da dor. Para isso nasceram. Da dor quando servem de sinalização para o movimento das bocas e bandos. Do amor quando sobre a céu as milhares,  como aconteceu na Faixa de Gaza há poucos dias. Um objeto tão simples, tão frágil representando tanto. Poderoso e expressivo, como a paloma de Picasso há tantos anos atrás.

Bambu, seda, farinha, água e a linha. O milagre está feito. E se repete, numa resistência silenciosa pelos  “aís” onde passo. Uruguaiana tem o Julinho das Pipas que, entre um conserto de bicicleta e outro (olha a bicicletaria aí, gente!), encanta a garotada e transmite seu saber às gerações.  O Tribuna de Uruguaiana publicou uma matéria sobre ele, o que me fez enredar essas narrativas.  

Cuiabá tem o professor Ditinho que da UFMT expande seus conhecimentos pipeiros. Morador da Chapada dos Guimarães, lá estava ele no Festival de Inverno com sua oficina.  Tentei inscrever-me, mas acabei perdida, sem saber direito os horários. Conversando com uma organizadora das atividades soube que a oficina aconteceu num bairro periférico. Adorei a razão do desencontro.

Vamos espalhar pipas pela cidade, pensava eu. Colorir o céu da charmosa localidade com pandorgas “made” in Chapada, como um plus a mais para a Copa de 2014.  Ela vai acontecer na época dos melhores ventos, me contaram. 

Gente  que entende do assunto, freqüentadores da loja de pipas e infláveis que ilustra esse texto. Fica na mesma rua da bicicletaria, na Chapada. Lá se vende pipas, acessórios e se faz consertos. Quer um lugar mais adequado para uma piparada no mega evento?

É um programa bom, bonito e barato. E, muito importante, a bula deste produto não contém contra-indicações.  É politicamente correta e ambientalmente irrepreensível. Não causa danos nem efeitos colaterais.

Estaríamos fazendo nossa interpretação de uma arte difundida pelo mundo inteiro. Pipas chinesas são famosíssimas , o caçador de pipas corria atrás da sua pelas ruas de Cabul, a Faixa de Gaza levanta 3.000 papagaios e a Chapada dos Guimarães dialoga com o mundo através dos ventos que sopram nos paredões do centro geodésico.

Confesso a vocês que tenho uma frustração quando o assunto é pipa. Almejei, um dia, uma pipa. Essa, não era para voar. Trata-se de um exemplar (qualquer um serviria) da série feita pelo artista plástico mato-grossense Gervani de Paula. Vi os objetos do meu desejo numa exposição, na década de 80, e na ocasião não tive numerário para adquirir uma das peças. Anos depois, tentei descobrir o destino das pipas do Gervani. Estavam em coleções e eram intocáveis. Como seria a minha, se a tivesse...

O desejo teve que passar e, meu lado Poliana, me convenceu que pipas são assim. Dificilmente vêm pra ficar. Temos as nossas, podemos admirar as alheias  mas, ambas, dificilmente voltarão a se encontrar no mesmo céu. Seja ele qual for...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte de uma série do SEM FIM delcueto.wordpress.com.

 **Mais pipas na vida da autora no artigo "A pipa", publicado em maio de 2005. 

*** Se der uma busca no Sem Fim... encontra outros textos sobre pipas.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

CEROL


Texto e foto de Valeria del Cueto
fevereiro 2007

Estou precisando disso aqui. Sedenta de calor, do barulho do vento, do mar resmunguento depois do pico de uma ressaca.

Na minha frente a placa anuncia: PERIGO – CORRENTEZA, como se dissesse alguma novidade. Mais além está ele: revolto, nervoso e traiçoeiro. Se esborrachando contra a pedra do Leme, como se tivesse força para move-la. O mar encarpelado é um rebanho de carneirinhos.

É a boa e velha ressaca de carnaval que bate ponto pra dizer que ainda há regras, mesmo que tudo pareça exceção.

Na praia quase deserta um menino solta pipa. Sigo a linha, até encontra-la no céu.Deixo o balé me distrair. Me sinto a própria. Voando alto, solitária.

Nem tanto assim, descubro, ouvindo o diálogo que se desenrola acima do barulho das ondas: “Tá com cerol” Protesta o garoto em tom preocupado, pedindo sem esperança: “Deixa eu brincar...” O outro nem responde, parecendo o regente de uma orquestra, com seus gestos dramáticos, para aproximar a intrusa. Os golpes são certeiros, o ataque eminente. Não vai haver misericórdia como, acho, não há na vida.

A pipa guerreira está mais baixa, mas fácil de controlar. As linhas se cruzam, o maestro paralisa os braços, esperando que a sua alcance a posição ideal. Depois, é só um safanão certeiro. Os fios atritam, o cerol desliza, vira lâmina, arma branca. Lá no alto, a pipa se descontrola sem a tensão necessária e plana, perdida, sem direção. O garoto ao meu lado, derrotado conclui: “eu disse que tinha cerol”, olhando o brinquedo que se vai.

Pensando bem, volta e meia sou pipa. Gosto de voar, de sentir o vento. Mas, verdade seja dita, não tenho a menor chance de sobreviver no combate dos céus. Não passaram
cerol na minha linha.

Vôo, mas não sei me defender. Danço, mas não consigo cortar. Pena que na vida, outras pipas não saibam disso...

Volto ao chão, ao calor da minha praia. Nela, pelo menos, sei que não há tombo que possa me machucar de verdade. Aqui, sempre serei aconchegada pela Ponta, pela Pedra, pelo Leme e pelo mar que me consola. Ele explode, brada e companheiro, resmunga e se agita diante das ameaças passageiras que ousam perturbar minha a paz. Ela que sempre voltará a reinar, afinal, aqui é o meu lugar.

Valéria del Cueto e jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido credito
esta crônica faz parte da série "Ponta do Leme"