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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Mais dia, menos dias

Mais dia, menos dias

Texto e foto de Valéria del Cueto

Já que (re)começaram as crônicas fico na função de tentar manter o embalo. Aproveito as frestas de dias de sol que surgem entre as nuvens pesadas das chuvas que, volta e meia, despencam por aqui.

Andamos assim nesse início de dezembro e quem disser que está estranhando é por mero desconhecimento básico de causa. Dezembro sempre começa com chuvas e trovoadas.

É Iansã para uns, Santa Bárbara para outros, dizendo a que veio. Dia 4 foi dia do orixá dos raios e trovoadas. Logo amenizadas pela vinda de Oxum, ou Nossa Senhora da Conceição no Rio de Janeiro (Iemanjá em alguns lugares do nordeste) saudadas e reverenciadas no 8 de dezembro.

As diferenças do sincretismo afro-brasileiro, Oxum e/ou Iemanjá, são fáceis de explicar. Assim como lá São Jorge é Oxóssi e aqui é Ogum. No Rio Oxóssi é São Sebastião, padroeiro da nossa sofrida cidade maravilhosa. Pelo sim, pelo não, sejam quais orixás correspondam aos santos da igreja católica, os ventos, chuvas, raios, trovões e tempestades correspondem ao fim da primavera e início de verão.

No momento, os ecos no entorno são dos felizes alunos que chegam ao fim de mais um ano letivo ou conseguem passar nos exames escolares. Uma deliciosa comemoração ainda em princípio de ciclo. Por isso, pouco notada nos espaços que frequento.

A minha praia ainda está viável nesses dias de muitos planos e expectativas de final de ano. Ainda é possível circular tranquilamente pelas areias do Arpoador e Ipanema.

O que mais se ouve por aqui são conversas em espanhol. Mais de duplas ou grupos de amigos do que de famílias. As férias ainda não chegaram. Lembra? O que mais se vê por aqui são as garrafas térmicas, cuias e bombas. O básico do preparo necessário para os adeptos do chimarrão e do tereré.

Essa é uma das melhores épocas para circular pelo Rio e eles descobriram isso...

Aquele momento em que a cidade se anima e se prepara para receber os visitantes. Antes de ficar entupida na semana do Réveillon.

Até o Natal a gente sobrevive, é mais festa local, em família. Sentida especialmente pelos engarrafamentos na Lagoa Rodrigo de Freitas provocados pela “Árvore de Natal” esse ano com a tag #brilhario.

Mas daí pra frente é um Deus nos acuda! Depois vem as crônicas da perplexidade. Quando parece que não caberá tanta gente assim em nosso cobiçado paraíso do caos urbano.

Paraíso até por ali, diga-se de passagem. Porque, lamentavelmente, o Rio não está nos seus melhores dias. Não dá pra ignorar esse fato e só falar maravilhas de um lugar que não anda tão maravilhoso como poderia e deveria.

Ao menos para quem olha a cidade de dentro. Do asfalto e do morro e não da roda gigante climatizada, a “novidade” que engana os trouxas e desavisados mas, como boa peneira que é, não dá para tapar o sol dos desmontes de nossos equipamentos culturais, a ameaça de fechamento do Museus de Arte do Rio, o MAR, a demissão dos responsáveis pela Cidade das Artes, o fim melancólico e gradativo das Lonas Culturais espalhadas pelos subúrbios cariocas, do Imperator...

O enfraquecimento de nossa rede cultural é tanto que o réveillon da Orla de Copacabana (onde rodas míticas dos terreiros de umbanda e candomblé deram origem a festa da virada, conhecida no mundo inteiro), apresentará ao mundo nessa virada de ano um palco de música gospel. Algo está mudando. Para pior.

Mas, como diz o samba da Mangueira, atual campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, “A ESPERANÇA BRILHA MAIS NA ESCURIDÃO”. E, se nossa voz se fizer ouvida, “A verdade vos fará (mais uma vez) livres”. Mais dia, menos dias...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador”, do SEM   FIM…  delcueto.wordpress.com


Studio na Colab55

domingo, 6 de novembro de 2016

Cadeiras no Studio @delcueto na colab55

Estou abrindo mais um ramo do trabalho baseado nas fotos que produzo. Desta vez, a intenção é transformar os registros em peças de design do Studio @delcueto, no hub colab55.com

​Se você gostou do Studio @delcueto, mais novidades! Em novembro vão acontecer várias promoções para o Natal. Umas acionadas pelos estúdios. Outras para quem está cadastrado no site ou  recebe a newsletter com as novidades. 

Seu objetivo é presentear no Natal? Lembre-se que há um prazo para os itens serem produzidos e enviados. Este link lhe dará um desconto de R$ 10,00 na primeira compra  https://www.colab55.com/via/delcueto 


Minhas fotos também estão disponíveis para venda na coleção do Getty ImagesDá uma olhada lá...!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Natal / Pipa, caminhos

rnpipa-160826-075-rn-caminho-pipa-natal-rn-003-meninos-nos-jeguesNatal / Pipa, caminhos

As estradas que levam ao paraíso. Fotos captadas na estrada entre Natal e Pipa, município de Tibau do Sul, Rio Grande do Norte,  e produzidas para "Quem procura, acha", da série Nordeste, em julho de 2016, por Valéria del Cueto.


Quer ver mais da região? Desbrave a série Nordeste.  As fotos também fazem parte da série "Caminhos". Entre eles, está a Estrada da vida – Rio/Paraty/Rio que tal dar uma volta por lá?

@no_rumo do Sem Fim… por @delcueto
Studio na Colab55

sábado, 10 de setembro de 2016

O Povo da Areia

rndunas-160826-041-rn-natal-vista-dunas-ponte-nova-buggyO Povo da Areia

Texto e foto de Valéria del Cueto
Vi de um tudo nessa viagem ao Rio Grande do Norte, inclusive o básico. Falo do clássico percurso pelas dunas. Passear de buggy pelas areias do litoral norte de Natal, passando por Genipabu é obrigatório!
Quando entrei no hotel da Via Costeira, em Ponta Negra, um detalhe chamou minha atenção. Junto ao shampoo, creme e touca de banho, na cesta de amenities, havia uma embalagem com 4 hastes flexíveis, os famosos cotonetes. Não entendi de imediato sua utilidade...
Na manhã em que seguimos de buggy para as dunas, foi avisado para que prendêssemos os cabelos porque o vento era muito forte e embaraçava tudo. Protetor solar, bandana na cabeça e pulei pra dentro do veículo de Sandro Bugueiro. Pronta pro que desse e viesse.
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Foto de João Vital
Faltou avisar que o vento trazia a areia, em grandes quantidades. Nas paradas para fotografar a lagoa quase seca de Jenipabu, assediada pelos donos de jegues com flores na cabeça e chapéu de palha para tirar fotos com os animais, senti que precisava proteger mesmo era a câmera fotográfica. Fiz com a canga um tipo de sling wrapp, aquele pano de carregar bebês no colo, botando e tirando o equipamento para dentro da proteção cruzada nos ombros quando queria fotografar.rndunas-160826-050-rn-natal-dunas-jenipabu-povo-da-areia-fashion
Vi que a coisa era mesmo séria no alto da duna com a vista do famoso Bar 21, onde os pacientes dromedários passeiam com turistas enfeitadas com véus e tiram fotos num fundo cenográfico de um mercado árabe. De repente, surgiu um ser do Povo da Areia, do Star Wars. Mangas compridas, luvas, um legging preto e branco, meias coloridas, rosto coberto por panos, óculos escuros  e uma viseira para segurar a quase burca na cabeça. Nas mãos, um computador. Ficção científica!rndunas-160826-051-rn-natal-dunas-jenipabu-dromedarios
É nesse local que os bugueiros e suas famílias se reúnem para ver os fogos na passagem do ano. Em Natal, eles enfeitam a Ponte Nova e o ponto garante uma visão privilegiada do espetáculo, me conta Sandro, presidente da Coop Bugueiros, uma das cooperativas dos profissionais.
E não pensem que é fácil ser um deles! Em novembro de 2010 havia 660 permissionários. Para se tornar um bugueiro é preciso fazer um curso de 8 meses, com 332 horas de aulas teóricas e 130 de aulas práticas que incluem turismo, mecânica, preservação ambiental, geografia e história do Rio Grande do Norte.
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Importante protagonista turístico local, o passeio de buggy foi declarado Patrimônio Imaterial de Natal. A atividade começou no final dos anos 70. O primeiro cenário explorado foi o das dunas de Genipabu.
Tudo é deslumbrante! Uma sucessão de cenários paradisíacos se descortina no percurso em direção ao norte. Atividades variadas são apresentadas aos turistas. Depois de um roteiro pelas dunas, “com ou sem emoção”, a passagem dos veículos de balsa pelo Ceará- Mirim, as delícias culinárias locais, com destaque para o espetinho de lagosta...rndunas-160826-086-rn-dunas-lagoa-de-jacuma-tirolesa-aerobunda-mayra
Há, também, as práticas do skibunda e do aerobunda, na Lagoa do Jacumã. No início, os rapazes que organizam o passeio contaram, existia apenas o skibunda. Mas a descida começou a alterar a vegetação nos pontos em que eram realizadas e alguém teve a ideia de usar uma tirolesa, com aterrisagem nas águas da lagoa.
rndunas-160826-093-rn-dunas-lagoa-de-jacuma-aerobunda-pedro-no-note-dvdHoje, o sistema evoluiu, explica Pedro, que opera a produção dos DVDs com fotos dos turistas capturadas no percurso e encaminhadas por redes mantidas por roteadores para o computador do técnico de informática. Ele já trabalhou de garçom num dos restaurantes da região e garante que não ficará no serviço a vida toda. Está fazendo faculdade de enfermagem e pretende seguir a profissão de sua mãe, que sempre viu ajudar os outros.
É isso que faz, ajudar os outros, dentro de outro contexto, o precioso pacotinho de cotonetes distribuído aos hóspedes do hotel. Uma grande ajuda no retorno do passeio  ao descobrimos a quantidade de areia capaz de entrar nos ouvidos numa volta pelas as dunas do Rio Grande do Norte. Haja vento, areia e memórias, como sempre...
 *Viagem realizada a convite da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte.
** Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Nordeste” do Sem Fim...
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Veneziana - fiscalizando a obra




O ensaio gerou a crônica...

Passeava pela Gustavo Sampaio quando vi o movimento e a curiosidade gerada entre os moradores que costumam passar pela frente da Veneziana. Fiz as fotos da obra e deixei as lembranças do lugar emergirem. Viraram a crônica Como o tal de Natal, publicada no dia 25 de dezembro nos parceiros do SEM FIM...

* fotos de Valéria del Cueto

domingo, 25 de dezembro de 2011

Como o tal de Natal



Como o tal de Natal




Texto e foto de Valéria del Cueto

Veneza fez parte de sua vida desde sempre. Não a cidade da Itália, mas a confeitaria que, no nome ostentava sua pretensa origem: veneziana. No mesmo ponto permanente na rua interna, imprensada entre a orla e o morro (cujo sonho era mergulhar no mar, tão próximo estava dele), ali, onde o homem havia chegado e plantado uma barreira tripla de prédios entre montanha e seu sonho, estava encravada a Confeitaria Veneziana.

Se sua primeira lembrança de vida era pilotando um velocípede branco e preto, com detalhes em vermelho, pela pista de tacos portugueses e tapetes persas do apartamento aonde nasceu, a segunda era lá.

Depois dos sorvetes de casquinha com sua lambança natural, as bombas de creme e chocolate eram as melhores escolhas na vitrine de tentações. Incomparáveis, com seu recheio cremoso, a massa  fresquinha e aquela casquinha que se desmanchava na boca.

Beliscando a cobertura de chocolate perdeu a mão e a delícia foi ao chão. O choro foi evitado pelo tio que havia proposto a excursão e prontamente entregou seu maná similar – só que de creme.

Antes da primeira mordida, preferiu enxugar as lagriminhas de criança que já pulavam desobedientes,  mesmo sem ter tempo de abrir a sirene. Atrapalhada tropeçou no degrau e lá se foi a segunda bomba, antes que o tio malabarista tivesse tempo de resgatá-las no ar em segurança, a criança e doce se esborracharam, depois do segundo quicar no vidro do balcão. Esse, ele quase pegou. O berreiro foi inevitável, com dupla motivação.

Só diminuiu quando o santo “pucaria” do tio conseguiu alcançar mais um exemplar desta vez – grande consolo – de chocolate, avisando que era a última, “por que o dinheiro tinha acabado”. A criança que só entendeu a parte do “não tem mais”, já que nem desconfiava que diacho seria esse tal de dinheiro.

Ele a pegou no colo prometendo que sentadinha no balcão estaria mais tranqüila pra saborear o quitute. Sem riscos. Isso, se o doce tivesse conseguido chegar incólume até o elevado patamar. Por que no tranco de ser levantada... De novo! Tadinha da criança. Ficou só com a forminha e o papel celofane, escorregadio e traidor entre os dedos miúdos.

A crise se configurou. “Três bombas ao chão? Essas eram de comer e não pra explodirem a Veneziana!” O tiozim perdeu a paciência enquanto o brado da sirene aumentava a cada lembrança de bomba mal lançada. “Agora não tem mais, acabou o meu dinheiro (que diabo era isso, pra uma criança de dois anos?)” Essa foi a sentença do “Pucaria” que elevou à potencia máxima os decibéis da choradeira.

O socorro veio do atendente: “Toma essa, vi que estava escorregando e entreguei de mau jeito.” As lágrimas foram engolidas junto com os pedaços mordidos com todo o cuidado.

A lembrança Veneziana e da generosidade de seus funcionários permaneceu por uma vida inteira. Nela, a confeitaria virou bar, se transformou num restaurante dos bons por que, assim como o Pontinho, no Bairro Peixoto, é conhecido entre motoristas de táxi (isso diz tudo) como um lugar agradável, de comida honesta.

Quem passa em frente a Veneziana hoje verá uma enorme obra, motivo pela qual está fechada há meses. Nos últimos dias, pelas grades levantadas e portas abertas, os moradores acompanham o final da empreitada, aguardando novidades. Ansiosos para reincorporarem às suas vidas um estabelecimento que, mais do que fazer parte da paisagem, exemplifica o milagre da generosidade, do renascer. E se renova como o Natal.

Nós moradores, agradecemos aqueles que, quase Papais Noéis, nos presenteiam com o nosso Leme de sempre!    

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série e “Ponta do Leme”, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com