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quinta-feira, 14 de junho de 2012

A véspera da vésperada visita - Rio+20.




A obra tem mais de ano no Leme. Fechou ruas - a rua Aureliano Leal, entre a Gustavo Sampaio e a Av. Atlântica, onde até hoje é o dormitório, estacionamento e depósito da empreiteira encarregada - empoeirou, engarrafou e atrapalhou a vida dos moradores do bairro carioca. Primeiro na Gustavo Sampaio, depois na Ribeiro da Costa e, agora na ladeira Ari Barroso.

O prazo para sua conclusão - dizia a lenda - era o início da Rio+20. Dia 14 o prefeito Eduardo Paes e sua entourage iam subir o morro para mostrar o que faz uma UPP, como se ele estivesse inventando o que há anos as favelas do Rio constroem diariamente; uma vida melhor, com mais dignidade.

A vitrine da Rio+20 de cá parece um pesadelo: atrasos, atropelos, barbeiragens que transformaram as vidas dos moradores do bairro e especialmente das comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia num inferno. Na última semana faltou água, luz e houve sérios problemas, ainda não solucionados, nas tubulações de esgotos.

Os moradores tinham mais uma dificuldade para subir o morro: a ladeira virou primeiro um lamaçal, depois uma corredeira (fatos narrados na crônica "Régua, esquadro e compasso" e mostrados no ensaio com o memso nome), e finalmente, sobrou o esgoto jorrando num pouco acima do cruzamento e sendo desviado para um bueiro da Ribeiro da Costa. E olhem que estamos falando apenas da entrada, imaginem como estavam as coisas lá em cima...

Na antevéspera da visita, um desemtupidor gigante perturbou com seu altíssimo rotor toda a vizinhança durante toda a tarde tentanto, sem sucesso, solucionar o problema. No final do trabalho, tinha retirado parte da terra que filtrava os dejetos pelesas tubulações que desciam. Horas depois, quando parou o barulhão, havia trocado as águas quase transparentes que desciam pelo esgoto fétido e insalubre. E assim ficamos toda a noite, até a véspera do início dos eventos quando, na parte da tarde, três caminhões de misturar cimento fizeram sua base na Ribeiro da Costa, trazendo nas caçambas os símbolos da Copa do Mundo e das Olímpiadas, irônicamente lembrando as agruras que certamente iremos enfrentar a cada chegada de evento, com a agilidade e eficiência aqui demonstrados.

Para finalizar o balanço, ficamos com a obra que chamo de bandeira do PAC, uma junção de tapumes da CEG, fechando a calçada cheio de entulhos num buraco com os canos de serviço (água,gás,energia) soterrados com a terra que desceu do morro. E mais a água jorrando do bueiro entupido, fazendo a curva pela esquina da Ribeiro da Costa até a boca de lobo mais próxima para mostrar aos visitantes o que é que o Leme tem!

Que vergonha, senhor prefeito Eduardo Paes, quanto atraso e malfeito Dimensional...

* texto e fotos de Valéria del Cueto para a séria "Pé do Morro da Ponta do Leme", para o Sem Fim...

domingo, 10 de junho de 2012

Régua, esquadro e compasso - as fotos do fato


Em breve, perto de você!

Como andam as obras no pé da ladeira Ari Barroso, no Leme, Rio de Janeiro?

Previstas para serem entregues antes da Rio+20, as melhorias na infra estrutura no acesso as comunidades do Chapéu Mangueira e da Babilônia vem sofrendo reveses consecutivos. Postes caem, canos estouram, a terra desce repetidas vezes ladeira abaixo fazendo lamaçais e empoçando água na Rua General Ribeiro da Costa e fechando a única entrada de carros morro acima com a terra que desceu ladeira abaixo. Como ninguém explicou para ela que deveria fazer a curva, ali se acumula, entupindo bueiros, bocas de lobo e alagando todo o trecho.

A bandeira das obras mal feitas e muitas vezes pagas pela população abre e fecha o ensaio, em duas versões.

E viva o PAC e a eficiência da empreiteira , a Dimensional, que toca essa incrível operação tatu!

*fotos de Valéria del cueto, para a série "Pé do morro da Ponta do Leme"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Saborear pantaneiro




Ele se transfere, interfere, sobrevive.
Basta usar a imagin/AÇÃO e acessar os sentidos.

OLHAR:
Treliças, calor, banco, varanda.
Toalha de flores, tabuleiro, panela de barro.

ODOR:
Pimenta, farinha, azeite.
Coentro.

PALADAR:
Mojica de pintado e...
Pacú recheado com farofa molhadinha de couve.

RITUAL:
Servir o vinho, esmagar a pimenta, juntar o azeite, misturar, separar a semente, derramar a farinha, abrir os sentidos e partir rio a dentro...

COMPLEMENTO:
Vinho tinto

SUPLEMENTO:
A sesta de lei, que ninguém é de ferro e a tarde está apenas começando.

E mais não tenho a dizer...

Relato sensorial gastronômico e fotos de uma acolhida deliciosamente pantaneira em Cuiabá, de Valéria del Cueto para o Parador Cuyabano, no SEM FIM...