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terça-feira, 23 de maio de 2023

Onde isso vai dar?


  Onde isso vai dar?

Texto e foto de Valéria del Cueto

Diz aí, cara cronista. Nem demorei tanto assim para voltar a dar o ar da graça. Reconheça meu empenho, amiga enclausurada voluntariamente do outro lado do túnel. A velocidade dos fatos aqui fora parece amplificada! Então tive que me esforçar, entre as diversas fontes de observação que ando tentando acompanhar, para mantê-la atualizada sobre os surpreendentes acontecimentos que se sucedem e/ou se atropelam.

Vou começar pelos avanços galopantes da AI, a Inteligência Artificial. Galopantes não. O adjetivo é antigo e insuficiente para descrever a evolução incontrolável dos arrojados avanços nesse vasto e inexplorado campo. Podem provocar um upgrade em vários setores científicos? Sim. Mas a que preço? Os alertas continuam chegando de especialistas, cientistas e autoridades sem que nada interrompa a corrida insaciável dos (ir)responsáveis pelo pulo mal calculado e sem paraquedas no precipício da novidade tecnológica.

Já não é possível separar o joio do trigo: o que é real do conteúdo produzido pelo Frankenstein do terceiro milênio. Sim, traço esse paralelo açambarcando os principais elementos do que é conhecido como o primeiro livro de ficção científica, de Mary Shelley, publicado em 1818. Exatamente ele, o “Prometeu Moderno”, a que você me apresentou   anos atrás. A proposta é criar um “regulador” e “carimbar” o que é AI para diferenciá-la do que é real... Tarde demais, querida cronista. O monstro pensa, sente e... vai reagir!

Recolhida e isolada você está imune aos controles sutilmente impostos por sugestões como “Tbt é na quinta”, “poste momentos felizes do mês tal” e outros estímulos que induzem os humanos a obedecerem a comandos e que alimentam os imensuráveis bancos de dados que estão suprindo a nova etapa tecnológica. No momento, a base de informações é a internet inteira.

Cronista, quando escrevo essas impressões me sinto como o roteirista de um filme de ficção. Algo como as aventuras de John O’Connor, do Exterminador do Futuro, Blade Runner ou Matrix. Pois então, fique sabendo que são justamente eles, os roteiristas da indústria cinematográfica americana, que acabam de entrar em greve (o que não acontecia desde 2007). Um dos motivos? A ameaça da AI! Sean Penn apoiou o movimento em sua coletiva no Festival de Cannes, 2023.

O mundo real está uma irresponsabilidade só. Nele, por exemplo, o brado racista de uma torcida ecoou num estádio para um único jogador do Real Madri, Vini Jr., seu conhecido. O ofensivo termo “mono” numa partida no campo do Valencia retumbou mundo a fora. Enquanto o universo esportivo (ou parte dele) se revoltou, teve quem jogasse a culpa na vítima pela ação indefensável.

Nada que esse extraterrestre (carinhosamente apelidado de Pluct Plact pela amiga) que permanece por aqui não tenha visto nos arquivos acumulados aqui na nave, essa que não consegue partir dessa atmosfera tóxica.

Não está fácil! O que não me estimula a incentivar sua volta ao convívio com essa humanidade, no mínimo, exacerbada. Isso apesar de possuir, nesse momento, um argumento capaz de provocar um “choque térmico” no seu pit stop. Acontece que temos em curso uma briga das boas, tipo do rochedo com o mar, como você diria.

De um lado, a toda poderosa Petrobrás e o Ministério de Minas e Energia. Do outro, O IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente, capitaneado por Marina Silva. A companhia quer pesquisar a possibilidade de prospecção de petróleo lá para os lados do Amapá, na foz do Amazonas. O Instituto negou a licença. Todo mundo quer dar palpites.  O pior argumento é de que nunca deu ruim para os lados da Petrobrás. Também não tinha dado pros lados da Vale. E Brumadinho está aí. Está parecendo mais um caso em que o marisco vai dançar. Vamos aguardar para ver em que esse Belo Monte vai dar...

PS: Te mando um cartão postal desse lado do túnel. É uma imagem real. Nela, no horizonte carioca se acumulam milhares de lindas nuvens coloridas. O problema é quando elas se juntam. Onde isso vai dar?

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Texto  da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Studio na Colab55

domingo, 21 de setembro de 2014

Raios cinematográficos à lua pela fresta



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Raios cinematográficos à lua pela fresta

Texto e foto de Valéria del Cueto
Pela fresta do canto da janela do espaço que tocava para sua mirrada figura olhava para a lua. Ela que, gigante, ocupava o céu noturno e ainda sobrava pendurada entre o recorte dos prédios vizinhos.
Se tudo é super e hiper na vida, vamos reverenciar a lua, tão tua, tão nua. Olha que no meio de tanta coisa malocada ser nua é um arrojo! Onde esconder seus segredos? Só se for na noite e ela estiver bem escura.
Sem os raios coloridos que cruzavam a pista de dança do Vitória, espaço do Joquey Club, no Rio de Janeiro, que acolheu a festa de 16 anos do Canal Brasil na entrega do Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas Metragens. O vencedor - escolhido entre os premiados pelo Canal nos Festivais de Cinema Brasileiros - foi Ed, animação 3D de Gabriel Garcia. Noites assim podem ser boa companhia. Pena que não durem mais que uma noite! Pelo menos acalentam sonhos e arte...
Aí, vem o dia e a fresta clareia a realidade nua(!) e crua.
A vida segue enquanto termina a primeira fase da delação premiada, depois do silêncio diante da corte dos parlamentares. Alguns envolvidos, acusados de serem parte relevante da suruba. O arquivo informa que levou um milhãozinho e meiota de reais da Petrobrás no passa anel de Pasadena. (homenagem à mãe, usando o manto da desordem mental que a mantém por aqui)
Agora, todo mundo se comporta, pelo menos nas próximas semanas, como arauto da moralidade. Em compensação no mano a mano o pau come solto. Valendo, inclusive, golpes abaixo da cintura. As eleições batem a porta das urnas (in)violáveis ao som do jingle da Caixa Econômica, propaganda eleitoral do governo federal onde Paula Fernandes e Almir Sater propagandeiam a fartura na porta do trabalhador. Aviões passeiam pelos céus com dinheiro vivo para as campanhas. Juntos, santinhos de candidatos abrigados na cabine do jatinho. Pegam um! Mas, é lógico, não pegam geral.
Tudo vislumbrado pelo vão da fresta do quartinho enquanto aguarda a visita salvadora de Pluct, Plact, o alienígena, para saber das últimas novidades antes da prometida e não cumprida recuperação do raio (olha ele aqui de novo) propulsor que não carrega nem por um decreto. Segundo consta, talvez haja uma chance de deixar esse mundo quando o tempo ficar menos seco, a umidade relativa do ar voltar para um nível razoável, chover nas cabeceiras para encher a Cantareira...
Resumindo: vai demorar. E, nesse intervalo, o extraterrestre se propôs a dar uma ajudinha e, além de manter as informações relevantes chegando pela fresta, quem sabe, armar um plano de fuga salvando a pobre cronista das ondas que insistem em castigar sua praia.
Na floresta a vida continua cabeluda, mas isso não é novidade. Poucos lêem e quando o fazem, preferem não acreditarem no que ouvem. E só se fala em educação. Exatamente os mesmos que “revolucionaram” o setor mais importante do país nos últimos anos.
Piada, não é? Seria se, de um tempo para cá, tudo não tivesse virado loucura. Assim não há anedota que sustente uma conversa. Nem de botequim. O que adianta ir passear se não dá para trocar uma ideia? É mais ou menos como ficar aqui, olhando o nada quase nu pela janela.  Porque a lua se escondeu depois de escorregar até seus reflexos derradeiros nos vidros vizinhos dos prédios laterais.
Depois da Cheia, veio a Minguante...
Lua (zinha)que já trouxe a primeira novidade: os escoceses plebicitaram que preferem ficar guardadinhos sob as abas do chapéu da rainha inglesa. Coitado do Wallace...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
GRAVATA 
Assim não há anedota que sustente uma conversa. Nem de botequim. É mais ou menos como ficar aqui olhando o nada quase nu pela fresta da janela sem lua
Caio Cana 140913 042 Canal Brasil garçon silueta copo reflexo

domingo, 14 de setembro de 2014

Crônica da crioula ensandecida

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Texto e foto de Valéria del Cueto
Divididos  - até então – em várias séries temáticas das quais lançava mão conforme a inspiração e a ocasião, se passavam as semanas literárias.
Entre uma “Fábula Fabulosa” da floresta governada pela anta, seus abutres, hienas e outras feras animalescas que mandam e desmandam na vida do reino; um novo salto do explorador extraterrestre preso na atmosfera poluída, testemunha de embates entre a polícia para quem precisa, grupos populares e impopulares depredadores de monumentos públicos ou  o “teje” preso do governante acusado de afanar na mão grande os cofres públicos nos “Plucts, placts zum, tóin, póin”; e os delírios alegóricos utilizando imagens das forças da natureza tais como tempestades, raios e ondas.
Assim o cotidiano construía linhas, frases, parágrafos e laudas formando o mosaico metafórico da realidade que desfilava nas crônicas.
Ora otimista, ora molambenta...
Mas, quase sempre, com um quê de poesia paradisíaca da Ponta do Leme, Rio de Janeiro.
Até que, num belo e ensolarado dia de inverno, ao tentar juntar os últimos acontecimentos, a cronista surtou de vez!
Sem conseguir sequer escolher uma das séries, tamanha a quantidade e a qualidade dos fatos a serem relatados no enredo que virariam as laudas do latifúndio que lhe cabia naquela semana.
Impossível fazer um recorte deixando de lado parte dos incríveis eventos de fora do registro ou encaixar a realidade cabeluda em seus escaninhos literários.
Foi aí que, incorporada pelo espírito do excepcional Stanislau Ponte Preta, a crioula cronista endoidou de vez!
Misturou floresta, alienígena e alegoria numa metáfora tropicalista e, diante do mar esmeralda  agitado e frio de quase primavera, em pleno 11 de setembro, se deu conta que tudo que dissesse jamais teria credibilidade. Porque saiu esse texto, que só não deu samba por falta de rima. O que, diga-se de passagem, nunca foi sua especialidade...
“Enquanto a onda gigantesca despencava sobre os bem-aventurados reduzindo-os a grãos de areia molhada - sugados pela força do paredão que invadia o Caminho dos Pescadores - escalando a Pedra do Leme para pegar carona na extensão do bondinho do Pão de açúcar, o extraterrestre (que não era trouxa nem nada) sem forças para tentar um lançamento propulsor em direção às estrelas, usou num pezão uma das placas eleitorais do ficha limpa Índio da Costa, bancadas pelo homônimo  invasor e seu projeto de quiosquizar a praia alheia e, no outro,  a transparência congressual que ofuscava a visão Sveiter dos veículos na única saída do Leme.
Queria atingir a plataforma Petrobras! Mesmo desvalorizada, aviltada e loteada entre os próceres da floresta comandada pelas espécies exóticas “nadasabium” e seus comparsas registrados nas agendas contábeis e cobráveis do dedo duro, língua mole e delator premiado (vazadas pelo ralo que desaguavam no esgoto fedido no palácio antal).
Iam pela tubulação das empreiteiras comadres, em direção aos paraísos fiscais, a parte que deveria caber à educação, saúde, segurança e à tal mobilidade, famoso escoadouro dos engarrafamentos dos veículos incentivados poluidores da indústria da floresta que vai pra frente e, agora, alimentadores do desemprego camuflados em 20 milhões de bolsas quadrilhas que divulgam, na propaganda enganosa paga com o quinto não malocado no santo do pau oco, o que resta do habitat  devastado pelos agrotransgênicos da motosserra de ouro, ancorada num porto de Cuba, e vassala da anta crustáscea amparada pelo dirigente da corte absoluta ungido pela “ani-mor”. Ela aponta sua pata e arreganha seus dentes roedores em duas direções: na de quem ameaça o reino do faz de conta e na dos que vazam as informações de seus bem feitos dinheirais e subornantes enquanto, com um sorriso falso, levanta os olhos dos seus tênis alertando que seus feitos não caberão nem permanecerão marinando na onda eleitoral que o extraterrestre antevê por aí...”
“Afinal de contas, cadê a por-rá do gigante que botaria ordem no bagaço que sobrou desse laranjal?”, indaga a crioula cronista doida sendo conduzida para o hospício mais próximo, logo ali, do outro lado do túnel
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
GRAVATA 
Foi aí que, tomada pelo espírito de Stanislau Ponte Preta, a cronista endoidou de vez. Misturou floresta, alienígena, etc e deu essa metáfora tropical