Muita empada
pra pouco recheio
pra pouco recheio
Texto e foto de Valéria del Cueto*
E viva São Beltrão, o santo dos burocratizados. Ainda estou na gincana destinada a passar minha terra na Chapada dos Guimarães para o meu legítimo nome.
O mais impressionante é que esse trem não anda. Está mais parado que novela esticada no meio. Sem sal, sem graça e sem resultado. Uma tristeza.
Quando acho que estou quase lá, aparece um pacote de exigências incríveis para serem cumpridas: é documento do Incra, certidões da Receita Federal, nada consta do Ibama... Uma festa de papéis ofícios, ainda não picados. (Você tem dúvida de que este será o destino deles pós entrega?)
Passar uma escritura para seu próprio nome é certeza de faturamento alto para terceiros. Mais especificamente, a alegria e o pão nosso de cada dia dos despachantes de plantão. Aqui, neste emaranhados tortuosos, ninguém nunca ouviu falar em desburocratização, idéia genial que deveria ter levado o ex ministro do ainda governo militar, Hélio Beltrão, a ser santificado quase no final do último milênio. Pena que o Ministério da Desburocratização, por ele idealizado e comandado, acabou não decolando. Obviamente por motivos de “forças” muito maiores...
Possível, porém mais custoso e exaustivo do que escalar o Morro da Mesa, guardião perene de Poxoréo, que fica lá, me desafiando a repetir a proeza de chegar lá em cima e fotografar novamente os arredores. Praticar uma escritura pública é um buraco negro mais insondável do que o parente astronômico que gerou o bing bang.
E dá-lhe senha, no caso da Receita Federal, inclusive, alfa numérica que é para aumentar a confusão (sofisticação dizem outros, com ares entendidos). É muito invólucro para pouca agilidade. Tente, por exemplo, achar o DIAC, ou a Certidão de Regularidade Fiscal do Imóvel Rural, pela internet. Quá!
Capitule, como eu, e visite o superbuilding da Receita Federal, em Cuiabá, ao lado do maior shopping center da cidade. Até minha senha alfanumérica ser chamada acabei, a contra gosto, na boca do lobo. Quer dizer, fazendo um tour shoppiniano.
Confesso que não consegui gastar o tempo completo da espera circulando pelo incrível mundo do hiper consumo local. A causa foi simples: templos consumidores não me atraem, apenas me entediam. Bastou uma rodada por ele, com um pit stop pra tomar um expresso, para descobrir que, no quesito compras, o padrão do maior-melhor-e-mais-moderno (?) deixou muito a desejar.
Nada de novo no front, além do ar condicionado possante e.... a mesmice de sempre. Se já não sou fã dos malls mais famosos do ocindete, por que aqui deveria ser diferente? Gosto de fazer compras ao ar livre. Se possível, nas ruas de Ipanema, no Rio de Janeiro. Se não der, me divirto muito mais passeando pelo calçadão do centro da cidade onde, posso até não comprar nada, mas terei uma surpresa pop em cada vitrine ou banca das lojinhas locais, o que certamente, instigará muito mais minha imaginação fashion...
Acabei gastando a meia hora que faltava para minha famigerada senha ser validada (acreditem!) assistindo novela na sala de muita espera da Receita Federal. Ar, por ar, o desconforto com a espera é o mesmo e, pensando, bem, as modas da tela e da passarela refrigerada também...
Ps: É importante ressaltar que, apesar do labirinto ser insondável, os funcionários e atendentes que encontrei nas encruzilhadas foram sempre prestativos, gentis e muito úteis. Não fossem eles, não estaria contando este capítulo da minha saga fundiária com tanto bom humor. Obrigado, aos amigos como o Esmeraldino que cruzei neste longo percurso...
Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Este artigo faz parte da serie Parador Cuyabano

2 comentários:
laumedeiros
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laumedeiros wrote today at 12:34 PM
Valeria essa luta vale a pena quando chegar ao fim vem aqui eu te pago uma rodada!!!
Claro que vou aceitar, mas vai demorar um pouco pois estou em Rondonópolis.
Beijos saudosos proce e Marisa
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