Rodoviária:
ícone modernista de Cuiabá
Texto e fotos de Valeria del Cueto
Sou uma nômade e me orgulho disso. Acho que este bicho carpinteiro que me habita é herança da minha descendência ibérica. Outro traço hispânico muito visível ultimamente pode ser observado quando fico sem tomar sol. O tom verde azeitona que me colore, dizem os entendidos, vem da minha bisavó ela era originária de Málaga, ali na Espanha, coladinha com a costa africana e dominada durante séculos pelos mouros.
Gostar tanto de viajar faz com que eu não tenha restrição a nenhum meio de transporte. E aí chego ao tema: quero falar de rodoviárias. Do terminal de Cuiabá.
Pra mim, a rodoviária é o cartão de visita de uma cidade. Nela, vemos como a comunidade se relaciona com os que ali chegam. E nisso, convenhamos, nosso terminal dá um banho de civilidade: amplo, arejado, todo de rampas (portanto, politicamente correto) e belo, muito belo.
Eu que já tinha passado muitas vezes por ali, olhei a construção com outros olhos depois de conversar sobre modernismo em terras cuiabanas. Primeiro procurei identificar os “puxadinhos” de cada lado da fachada que abrigam uma lanchonete e um guichê de venda de passagens. São eles que deturpam criminosamente o projeto original de Moacyr Freitas e Ercílio Gonçalves de Souza.
O terminal completará trinta anos em 2009. Nossa quase balzaquiana foi construída no governo Garcia e, como podemos ver no vídeo “Garcia Neto, o filme”, de Cacá de Souza, o cara sabia das coisas. Por que e como fazê-las.
Com a pedra cantada era inevitável que na primeira oportunidade eu acabasse aproveitando para fazer um ensaio fotográfico no local. Estes são meus momentos rodoviários...
Digo isso assim, vagamente, por que não sei como meu amado editor Lorenzo Falcão e seu excelente diagramador, o Ney, montarão a o espaço que volto a freqüentar, após trabalhar arduamente em Rondonópolis nos últimos dois meses, única razão que me leva a fazer forfait no espaço que me cabe aqui na edição dominical do Diário de Cuiabá.
Com vocês, a construção que se mantém no topo do meu ranking arquitetônico cuiabano no quesito modernidade e cá entre nós, é muito mais linda do que a pobreza do estilo “Miami fake” que virou moda nos últimos anos no perímetro urbano da cidade...
Aprendam com quem faz bem, caros estudantes e pseudos arquitetos que pululam no mercado urbano mato-grossense. Inspirem-se em quem sabe o que faz e, quando o faz é pra durar e se admirar.
Valéria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito
Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano
Um comentário:
O ensaio fotográfico feito na rodoviária de Cuiaba está no ROTA VIARIA,
na sessão de fotos aqui do SEM FIM... http://delcueto.multiply.com/photos/album/136
Divirtam-se!
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