Dias melhores
Texto e foto de Valéria del Cueto
Tem coisa que existe para ser lembrada. Por que é ao reacender esta chama que ela se fortalece e ressurge poderosa. É claro que alguns sinais significativos reforçam este, digamos, ritual cíclico e na minha opinião sagrado.
Por isso, a cada ano, faço questão de comemorar e me encher de esperanças a cada início de primavera. Esta estação tem, para mim, um significado muito especial. Principalmente o dia que ela começa. Mesmo quando, como este ano, ela seja apenas uma data no calendário encarquilhado e ressacado pela ausência total das chuvas que ajudam a vida a brotar.
A simples aproximação da data já faz minha cabeça e meu coração funcionarem num ritmo especial. Marcado, por exemplo, pelos acordes da “Primavera”, de Tim Maia. Ou, caindo no meu lado sambista, a de Nelson Sargento e Jamelão, um clássico do samba, chamado “Cântico à Natureza”, samba enredo da Mangueira, em 1955, e conhecido simplesmente por
Primavera.
E, por saber que nada que eu escreva poderá chegar aos pés da poesia dos sambistas da verde e rosa é que, em vez de ficar gastando meu português castiço, peço licença e homenageio a estação das flores e os autores da poesia magistral com seu registro neste espaço:
Ó primavera adorada
Inspiradora de amores
Ó primavera idolatrada
Sublime estação da flores
Brilha no céu
O astro rei com fulguração
Abrasando a Terra
Anunciando o verão
Outono,
Estação singela e pura
É a pujança da Natura
Dando frutos em profusão
Inverno,
Chuva, geada e garoa
Molhando a terra
Preciosa e tão boa
Desponta
A primavera triunfal
São as estações do ano
Num desfile magistral
Ó primavera
Matizada e viçosa,
Pontilhada de amores
Engalanada, majestosa
Desabrocham as flores
Nos campos, nos jardins e nos quintais
A primavera é a estação dos vegetais
Ó primavera adorada
Inspiradora de amores
Ó primavera idolatrada
Sublime estação da flores
Ó primavera adorada
Vens matizada de mil cores
Em verde e rosa vens banhada
Sublime estação das flores
* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com
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