segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Imaginação e realidade


Imaginação realidade
Texto e fotos de Valeria del Cueto
Engraçado como o tamanho das coisas se altera quando elas só fazem parte das nossas lembranças. Sejam elas vagas ou quase palpáveis.
Veja querido leitor, os exemplos de duas coisas que fazem parte do meu kit de sobrevivência: o biquíni e a canga.
O primeiro, parece menor quando vestido ansiosamente após quase quatro meses de abstinência marítima. A síndrome, que já conheço bem, é  provocada pelo período (e suas agruras profissionais) em que estive em Mato Grosso. Difícil aceitar as gordurinhas extras adquiridas em Rondonópolis na peleia política que se encerrou.
“Tudo uma questão de postura”, tento convencer a minha própria imagem  diante do espelho bisotado francês do armário que herdei da minha bisavó.
Ele ocupa lugar de honra no meu quarto e é passagem obrigatória antes de qualquer programa. Seu cristal é totalmente fiel à realidade nele refletida... Convenhamos ter um amigo assim, tão sincero, é raridade nos dias de hoje em que espelhos afinam, engordam, enfim, enganam de acordo com o gosto do freguês e o material com que são feitos.
É jurando ser constante e regular nas caminhadas que comecei a fazer ontem(!), do Leme ao Posto 6, pela orla de Copacabana, preferivelmente pela areia fofa (neste caso de radicalismo estético consigo chegar, no máximo, até a Siqueira Campos) que me deparo com a segunda ilusão imaginária que mencionei lá em cima.
Tiro da bolsa de praia a canga do verão anterior e, aproveitando a brisa, estendo o tecido suavemente na areia do Leme, em frente a barraca da Mônica e do Assis, no canto da Pedra do Leme.
Meninos eu vi. É como se meu espaço praiano fosse de fato e de direito gigantesco, quase imensurável. Todo ele estava ali, sendo estabelecido pela área que a canga ocupava na minha praia. Que mundo!
E mais, não preciso nem dizer. Cabe a você, caro leitor, tirar as conclusões sobre o recado deste artigo que termino com minha máxima de 2008: “Imaginação é tudo. A realidade pode ser melhor ainda...”
Valéria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito
Este artigo faz parte da série Ponta do Leme

2 comentários:

Claudio "CAlex" Fagundes disse...

Cuidado com os tornozelos, joelhos e quadris.
Não faz bem não!

Valeria del Cueto disse...

O que não faz bem é não ter areia pra pisar. rsrsrsr.
Mas você tem razão. Não faz bem, mas que faz falta, isso faz...