sexta-feira, 25 de março de 2011

No dos outros

No dos outros

Texto e foto de Valéria del Cueto

É público e notório que meu escritos freqüentam páginas reais e virtuais de vários lugares do Brasil. As pontas de lança são o diário de Cuiabá/MT e o Tribuna de Uruguaiana/RS.

Como já disse aqui sempre estou dividida tentando agradar a gregos e troianos procurando assuntos que interessem ou digam respeito a esta vasta gama de leitores.

Hoje vou contar uma história de Uruguaiana mas, se mudarmos os nomes e endereços, ela vale para vários lugares do país. Sou editora e administradora do blog do Tribuna, onde temos por norma não censurar os comentários, mesmo que anônimos. E lá, neste espaço anárquico e democrático, por meses a fio, foram postados centenas de reclamações contra a única empresa de ônibus que faz a rota Uruguaiana/Porto Alegre. Todos em caixa alta e com textos que pouco variavam, eles diziam “ABAIXO A ...” ( não vou citar o nome por que não quero fazer propaganda neste disputadíssimo espaço)

O protesto, como disse, apareceu em várias postagens com tanta freqüência que, até eu já estava cansada de vê-lo no blog.

Um dia, tentei fazer uma viagem de ônibus entre Cuiabá e a chapada dos Guimarães e, devido as condições inacreditáveis da linha, pensei em seguir o exemplo do anônimo uruguaianense e começar uma campanha similar em Mato Grosso. Troquei de meio de transporte para subir para a chapada e me esqueci do assunto.

Pois voltei a me lembrar dele outro dia, após fazer uma viagem entre Porto Alegre e Uruguaiana, lógico que pela dita cuja companhia (pela qual, diga-se de passagem – ui – tinha até uma boa lembrança por ter sido ela nos idos do início da década de 80 do último século do milênio passado, patrocinadora de um programa da primeira rádio FM da fronteira, que eu e o Fred Marcovici redigíamos diariamente com dicas da programação cultural da capital gaúcha).

Bom, esta boa lembrança foi totalmente apagada depois de ter ficado, durante os 640 quilômetros que separam POA de UGN sentada a bordo, num percurso de mais de nove horas, num ônibus da companhia em questão.

A viagem, pasmem, foi feita com uma única parada de apenas 15 minutos na rodoviária de São Gabriel.

Esta não é a primeira vez que enfrento a maratona, mas agora resolvi “botar a boca” por que uma coisa é uma falha momentânea, outra é ser submetida a uma tortura recorrente.

Retiro tudo o que disse se alguém me der uma explicação pelo menos razoável para as condições da parada permanente da companhia, onde não há opções para se alimentar e usar um toalete, pelo menos razoável, e me contento, por exemplo, com um singelo pão de sal (ou francês) com queijo na chapa e um café ou refrigerante.  Pois a parada de São Gabriel é a única do Brasil que já encontrei em que esta iguaria não está disponível.

E, mesmo que estivesse não seria possível prepará-la no tempo exíguo em que lá permanecemos. Se não vejamos: se dividirmos os 15 minutos (isso depois de quatro horas e meia de viagem) em três tarefas indispensáveis numa para de ônibus, banheiro, comida e esticar as pernas, teríamos 5 minutos para cada atividade. Isso se fosse apenas uma única pessoa a realizá-las.

Não vou falar em outros detalhes, por que não caberão no meu espaço. Quem puder publicará a foto da “decoração do estabelecimento". Ela diz tudo...

Portanto, a partir de agora sou parte ativa e operante da campanha contra os monopólios de qualquer linha de ônibus. Monopólios trazem grana para os monopolizadores e fazem o público refém dos maus prestadores de serviços públicos, que passam a achar que usuários são apenas, e tão somente, gado a ser transportado, sem direito a reclamar. Afinal, gado não fala!

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte da série Fronteira Oeste do Sul, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com  

 

Um comentário:

Valeria del Cueto disse...

Planalto, teu nome é martírio, seu sobrenome desrespeito aos que não tem outra opção de transporte para chegar a Uruguaiana/R!