Mate
com
limão
Texto e foto de Valéria del Cueto
Pode não parecer, mas há ciência na mistura. Tanto há, que após a industrialização do tradicional Mate Leão e sua distribuição nas praias cariocas nos copinhos lacrados, nas versões normal e light, com e sem limão, (transformando em objetos extintos os antigos latões que antigamente transportavam, nos ombros dos vendedores, o mate e a limonada), a volta do antigo sistema é aplaudida pelos experts e é sucesso junto ao público em geral.
A vida é assim, mate com limão. E a verdade verdadeira é que cada um tem e sabe a sua medida exata para deixar a mistura a seu gosto.
A volta dos bujões foi uma exigência do mercado e não houve argumento, entre eles o da duvidosa procedência da água utilizada no preparo das bebidas no caso do sistema antigo, que impedisse que a lei da oferta e procura fizesse pulular novamente nas praias cariocas o antigo refrão: “Olha, o mate, mate com limão...” Agora, acrescido de mais um estribilho: “Olha o mate de bujãooooooo!”
Sou adepta, viciada e tenho minhas razões. Primeiro, por trazer de volta a chance de poder fazer meu próprio sabor, dependendo da quantidade de mate e limonada que misturo. Alguns dias, muito mate e só um toque da limonada. Outros, meio a meio e assim por diante.
Outro dia, um amigo visitante me fez explicar esse processo. Ele queria saber o que me fazia trocar a garantia higiênica dos copinhos pelas doses saídas das torneirinhas do vendedor.
“O gosto do mate”, comecei pelo mais simples, “é diferente. Testei só o mate, do copinho e do bujão e o segundo deu de 10 a 0 no primeiro. Tanto que até suporto o copinho de mate com limão, num grande aperto, mas o sabor puro e os ligths, nem pensar!”
O meu segundo argumento já foi citado. É livre arbítrio da dosagem. Mas há outro, também muito importante. É o choro. No famigerado e lacrado copinho, perde-se uma parte consistente do ritual praiano que é dar um primeiro e looooongo gole e ganhar um preenchimento extra do(s) precioso(s) líquido(s).
Sei que muitos dos meus leitores não são cariocas e estarão avaliando o quanto este texto é regional e localizado.
Detesto contradizer essa crítica e amplio o alcance do assunto acrescentando que não há fundamento na mesma, se vocês, gaúchos, mato-grossenses e brasileiros em geral levarem em consideração que mate, chimarrão e tereré, é.
E vou mais longe, lembrando que fui aplicada na mistura, não no Rio, mas em Ponta Porã quando era criança. Lá, tomávamos mate com limão batido no liquidificador e ficávamos com lindos bigodes brancos, feitos com a espuma deliciosamente gelada que se formava no copo.
Na areia, onde democraticamente e economicamente derrotamos a industrialização do néctar da nossa praia de cada dia, não tenho a sensação da espuma ainda mato-grossense. Mas preservo, a cada gole, o gosto da minha infância fronteiriça que, graças a Deus, ainda não acabou. Assim como a sua, se você procurar bem direitinho.
Quer experimentar o gostinho de um copão de mate com limão? Te garanto o choro...
* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série Ponta do Leme, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com
4 comentários:
Bueno pero los arboles tienen que ver con la arena se disminue
Matex are o nome do mate do MT.
Matex era o nome do mate solúvel, O normal era mate mesmo.
De cultura (in)util em cultura (in)útil a gente enche o bujão.
Vai uma empadinha ai? http://delcueto.multiply.com/journal/item/359
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