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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Porto Solidão

Porto Solidão...

Texto e foto de Valéria del Cueto

Direto e reto o assunto é eleição.

Dela, posso falar com propriedade. Sou cria do processo democrático estabelecido após o fim da ditadura. Sim, dela, a que agora querem chamar de “regime militar”. Os termos e designações mudam. A História, por mais que tentem, não...

Não estou aqui para bater de frente com ninguém. Só para sugerir alternativas. A primeira é que, para melhor se informar de maneira produtiva sobre o período, você, leitor, assista o documentário “Gonzaguinha, Da Maior Liberdade”, de Susana Lira, que acaba de ganhar o Kikito, prêmio de melhor longa-metragem Documentário, em Gramado.

“E a vida, diga lá o que é, meu irmão...”. A dos Anos de Chumbo passa por lá, nas imagens que bordam as músicas do compositor do Morro do São Carlos, berço do samba, onde foi criado pelos padrinhos enquanto seu pai, o Gonzagão, palmilhava o país na infância e juventude do filho órfão de mãe.

Assisti o filme antes do lançamento que acontece no Brasil no dia 3 de setembro. Sabia que seria um mergulho num universo que vivi de perto na adolescência. Não sei quantos shows do Gonzaguinha assisti antes de sair do Rio e seguir no rumo de outras paragens: Uruguaiana/RS, e, depois, em Cuiabá/MT.

Só sei é que fecho os olhos e me transporto às plateias lotadas dos shows na época do vestibular e da ECO, a Escola de Comunicação da UFRJ. (Re)vejo Gonzaguinha, sua mensagem de liberdade chegando às nossas mentes e corações antes dos tempos de reprodução digital hiperviralização virtual. Nas composições que escapavam da censura, o moleque Gonzaguinha dava seu recado sobre os últimos acontecimentos no país e os anseios populares.

Se as letras e a melodia das composições até hoje (d)escrevem essas histórias, as imagens de arquivo garimpadas para ilustrá-las, conforme o roteiro e a pesquisa de Rodrigo Alzuguir, montadas por Ítalo Rocha, dinamizam e contextualizam graficamente a narrativa.

Não é o tipo de filme que dê para desviar o olhar para uma checada nas redes sociais. É um mergulho num ambiente que nos leva não apenas aos acontecimentos e imagens recorrentes da época em que Gonzaguinha viveu com suas contradições e afetos, mas também ao cotidiano, à rotina da cidade, à vida como ela era naqueles tempos.

O filme não é sobre Gonzaguinha. O filme é Gonzaguinha, o rico universo de cronista de seu tempo, por meio de suas próprias palavras faladas e cantadas, quando não foram proibidas. “Um tempo em que lutar por seus direitos era um defeito...”


Como agora. Mudam os algozes. A violência continua e se exacerba. Se expande para outros canais, como as redes sociais, nos formatos de disputar as eleições e levar a população a se decidir por esse ou aquele candidato.

A agressividade impera. É mais fácil vociferar do que dialogar, propor soluções.

E aí, todo o espaço, seja o garantido por lei ou o obtido por meios não tão convencionais, vira campo de batalha e não de argumentação.

O simples ato de bater de frente sem dó nem piedade, é um vício tão danoso e maligno quanto, por exemplo, as apostas incentivadas pelas BETs que corroem a saúde mental e financeira da população.

Quando a gente começa, não consegue parar porque somos induzidos a combater mais, mais e mais...

A campanha política, aquela que a gente banca com nosso dinheiro, deveria ser para nos munir de OPÇÕES para melhorar a vida da população e o país como um todo, para todos...

Acompanhei o início da propaganda eleitoral para concluir que estamos bancando rinques de batalhas em que a prioridade é desconstruir os adversários. E só.

Onde estão as propostas, as soluções e as ações sugeridas para que o país avance?

Jogam na nossa cara os defeitos e malfeitos dos oponentes para que optemos pelos menos bandidos ou criminosos e não por quem possa apresentar alternativas viáveis (ou não) para melhorar nosso futuro.     

E o povo, inocente e teleguiado, vê o exíguo tempo do período eleitoral se extinguir aplaudindo os animais que se digladiam nas arenas virtuais, principalmente as das big techs, bombadas pelas verbas bilionárias das campanhas. No início do período democrático eram 90 dias, quando dava tempo para dialogar, argumentar e confrontar IDEIAS. Agora, é um mês astronomicamente caro e olhe lá.

Sim, quem busca propostas atraca no Porto Solidão do diálogo inexistente. Aquele que nos faria evoluir e analisar de forma racional e prática o que é, realmente, o melhor para os tempos (difíceis) que virão.  

Não se iluda, eleitor. A maré não está para peixe e o problema não é apenas brasileiro. É mundial. Como vamos encarar esses tempos que virão? Que interesses defenderemos com o voto que depositaremos nas urnas?      

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Não sei onde enquadrar” e do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Porto Solidão, por Jessé. De Gink e Zeca Bahia




Studio na Colab55

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

Re: É HOJE SÓ, AMANHÃ......

15/09/04
Blumenau foi pro pau.
Já estou no Rio.
Não é minha praia ficar de 8 da manhã até quando a chefa quiser a disposição. Nem comer arroz com ovo frito mais de duas vezes na semana. Nem ter como superiora uma criatura que não é jornalista e que pensa que vou sair gravando minha linda vozinha nos offs do programa eleitoral sem checar as informações. Claro que a maioria era fria e ela, paranóica, achava que eu estava só querendo encher o saco dela...
Fora isso, editei muito bem e muito rápido. Assim, em duas semanas eles puderam me dispensar, com material pra alimentar o programa até o final. Agora contratam alguém mais baratinho, que aceite comer aquela gororoba.
O melhor foi a equipe. No último dia fiz uma apresentação do História Sem fim pra galera. Fui aplaudida, homenageada com brindes e testemunhos de como é bom trabalhar comigo. Tudo isso num piquenique num dos salões de eventos do hotel... É claro que o hotel me ofereceu o espaço(fiquei amiga de todo mundo), para ira das "meninas" mal amadas.
Foi lindo.
Meu novo lema é:
"NADA DURA, MAS A INTENÇÃO PERMANECE"
Beijosssssssssss