De arquibancada...
Texto e foto de Valéria del Cueto
“Eita vidinha”... confesso do alto da bestagem que me domina no final de tarde preguicento da minha primeira segunda- feira na Ponta do Leme.
Que me perdoem os amigos workohalics revoltados com o dolce far niente a que me dedico, cessem as ofensas os inimigos invejosos que acham que produção está intrinsecamente relacionada com escravidão permanente.
Não. Não vou pedir que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com o por do sol de uma segundona aqui, na Ponta do Leme.
Sou capaz de morrer apedrejada por este povo sem imaginação e pouco viajado que não consegue vislumbrar um dia de semana sem estar com o umbigo e adjacencias entalado numa mesa de escritório, com um telefone rufando no ouvido e um computador apitando a cada entrada de seus contatos no MSN. Vote!
Se tempo é dinheiro no meio desta baita crise que assola o mundo inteiro, quero dar tempo ao tempo e poder faze-lo onde bem entendo. Mais objetivamente na minha praia originária.
Não quero dizer com isso que não sou solidária com os inúmeros (e até o momento infrutíferos) esforços para debelar a crise que se inicia. Ao contrário. Sei que a dita cuja tem início, meio e (ufa!) fim.
Apenas reconheço que as ações necessárias para acalmá-la estão fora da minha alçada e, se é pra ficar na torcida, quero escolher o melhor lugar da arquibancada do Maracanã imaginário que se agita a cada jogada dos craques da economia mundial. Eles jogam essa partida como a final do último campeonato da temporada.
Já vi este filme antes e, garanto, outros embates virão. Sempre classificados como derradeiros e fatais por séculos e séculos, amém.
Como não estarei aqui por tanto tempo, prefiro não gastar minha beleza com a performance apocalíptica em curso.Cito, mais uma vez, a frase do meu filósofo cuiabano preferido, Chico Amorim: “Tudo no mundo muda, menos a baixaria” e acrescento, atualizando-a: “e as crises periódicas da economia”.
E temos dito...
Valéria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito
Este artigo faz parte da série Ponta do Leme
4 comentários:
Estou contigo. Que nos deixem em paz esses miseráveis economistas, que outro dia um amigo defenia assim: "Economistas são aqueles atrasados mentais, que para o ano que vem nos vão tentar explicar, porque é que as previsões que fizeram o ano passado, não funcionaram este ano".
Estou contigo e com a vida Valéria e eles que se lixem. Viva a vida....
Estou contigo, amiga!
Bem vindos!
só quem já assistiu um por do sol na pedra compreende oq vc está dizendo...ali, naquele lugar banhada com cheiro de maresia quando o tempo quase, quase pára. inúmeros foram os meus. ai que saudade de casa! beijo. feliz 2009.
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