quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

De arquibancada



De arquibancada...


Texto e foto de Valéria del Cueto


“Eita vidinha”... confesso do alto da bestagem que me domina no final de tarde preguicento da minha primeira segunda- feira na Ponta do Leme.

Que me perdoem os amigos workohalics  revoltados com o dolce far niente a que me dedico, cessem as ofensas os inimigos invejosos que acham que produção está intrinsecamente relacionada com escravidão permanente.

Não. Não vou pedir que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com o por do sol de uma segundona aqui, na Ponta do Leme.
Sou capaz de morrer apedrejada por este povo sem imaginação e pouco viajado que não consegue vislumbrar um dia de semana sem estar com o umbigo e adjacencias entalado numa mesa de escritório, com um telefone rufando no ouvido e um computador apitando a cada entrada de seus contatos no MSN. Vote!
Se tempo é dinheiro no meio desta baita crise que assola o mundo inteiro, quero dar tempo ao tempo e poder faze-lo onde bem entendo. Mais objetivamente na minha praia originária.
Não quero dizer com isso que não sou solidária com os inúmeros (e até o momento infrutíferos) esforços para debelar a crise que se inicia. Ao contrário. Sei que a dita cuja tem início, meio e (ufa!) fim.
Apenas reconheço que as ações necessárias para acalmá-la estão fora da minha alçada e, se é pra ficar na torcida, quero escolher o melhor lugar da arquibancada do Maracanã imaginário que se agita a cada jogada dos craques da economia mundial. Eles jogam essa partida como a final do último campeonato da temporada.
Já vi este filme antes e, garanto, outros embates virão. Sempre classificados como derradeiros e fatais por séculos e séculos, amém.
Como não estarei aqui  por tanto tempo, prefiro não gastar minha beleza com a performance apocalíptica em curso.Cito, mais uma vez, a frase do meu filósofo cuiabano preferido, Chico Amorim: “Tudo no mundo muda, menos a baixaria” e acrescento, atualizando-a: “e as crises periódicas da economia”.
E temos dito...

Valéria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito
Este artigo faz parte da série Ponta do Leme

4 comentários:

Filipe Antunes disse...

Estou contigo. Que nos deixem em paz esses miseráveis economistas, que outro dia um amigo defenia assim: "Economistas são aqueles atrasados mentais, que para o ano que vem nos vão tentar explicar, porque é que as previsões que fizeram o ano passado, não funcionaram este ano".
Estou contigo e com a vida Valéria e eles que se lixem. Viva a vida....

Paulo Queiroz disse...

Estou contigo, amiga!

Valeria del Cueto disse...

Bem vindos!

alba regina de barcellos barros disse...

só quem já assistiu um por do sol na pedra compreende oq vc está dizendo...ali, naquele lugar banhada com cheiro de maresia quando o tempo quase, quase pára. inúmeros foram os meus. ai que saudade de casa! beijo. feliz 2009.