Texto e foto de Valéria del Cueto
Ano novo, natal, férias, sol, mar, chuva. Carnaval, praia, Copa do Mundo, eleições...
Afinal de contas, sobre o que vou falar nesta “reentrée” após um tempo ( que considero mínimo e insuficiente) dedicado ao dolce far niente? Quer saber? Não tenho i-dei-a! Isso mesmo. Tudo que eu queria, neste momento, é poder fazer o que pretendia botar em prática nos dias de encerramento do ano passou e o início deste que já atinge sua primeira quinzena. Tão rápido! Não fazer absolutamente nada...
Dizem que férias foram feitas pra gente descansar. Pois desafio meus leitores a me provarem que foi isto que fizeram no último mês!!
Eu passei looonge disso: organizei a festa de natal da minha família, que foi lá em casa, no Rio; tentei - sem nenhum êxito, confesso- encontrar presentes que significassem mais do que o cumprimento da obrigação de presentear. Não fui muito bem sucedida. Por isso, muita gente que amo ficou a ver navios (sorte que não estranharam, afinal, poder estar junto com minha avó, mãe, pai, tios, primos, irmãos e sobrinhas já foi um presentão para todos nós).
Na verdade, faz tempo que só dou presentes quando encontro algo com a cara da pessoa. Se assim não for, dar só por dar, não rola. Isto quer dizer que as datas são o que menos importa. Tem seu lado ruim? Tem. Mas é muito bom quando por nenhuma razão, apareço com alguma coisa dizendo: “Olha, trouxe isso pra você. É a sua cara...”
Passada a maratona às lojas, que me recusei a participar, veio o reveillon. Outra bucha, das mais sérias. Acontece que, pra mim, o mais importante, é registrar a passagem do ano. E mais. Não apenas com uma câmera fotográfica, também uso uma câmera de vídeo pra gravar os fogos na Ponta do Leme e outras cositas.
Pareço louca. Todo mundo festejando, comemorando e eu lá, com o lado direito imóvel, pra câmera de vídeo não tremer e o esquerdo fazendo foco, mudando o enquadramento e clicando ensandecidamente.
O que vocês queriam? Sou geminiana. Cada gêmeo querendo uma coisa. Não sou mulher pra me contrariar. Cada lado que se divirta! Bom, parece que não comemorei a entrada do ano, né? Engano seu.
Não foi uma comemoração comum, mas uma hora depois, na meia noite fora do horário de verão, fiz um brinde e mentalizei os melhores votos para o ano que começava. Com Jack Daniels, é verdade. Mas quer saber? Champanhe é pouco pro que nos espera em 2010. Tinha que ser um quente e um quente poderoso.
Tudo isso enquanto baixava no computador o material que havia captado na passagem de ano dos cariocas. Sozinha, mas em muito boa companhia. Acredite. No prédio em frente, estava rolando uma festona. Com uma seleção musical de fazer inveja ao meu brother, o MDC Suingue, meu DJ preferido, que se esbaldava na outra ponta de Copacabana.
Se tinha festas pra ir? Claro que sim. Mas pensei melhor e achei que a maior festa que poderia desejar era a que menos gente tinha. Estava em comunhão com o mundo todo e isso me bastou.
Quando contei pros amigos que me ligavam, querendo saber onde eu andava que ainda não havia chegado em nenhuma comemoração, que estava em casa, editando, acharam que eu estava fora do meu juízo perfeito. Talvez. Mas tinha tanto pra ser feliz, ali, na minha casa, de onde morri de saudades durante tantos meses, que não pensei duas vezes e por ali fiquei, viajando dentro do meu próprio mundo.
Os próximos meses serão de muito trabalho e, espero, muitas realizações, por isso, achei merecia me dar o presente que tinha a minha cara para a virada do ano: a minha própria companhia.
Assim, meu lado A agradeceu ao lado B e vice-versa, nos momentos maravilhosos de um réveillon que jamais me esquecerei. Sou feliz e isto é o que importa. Tomara que um dia você também possa se dar o presente de conviver apenas e tão somente com sua própria companhia. É muuuuito bom se amar!
*Valéria del Cueto, para série Ponta do Leme, do SEM FIM... http://delcueto.multiply.com
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