domingo, 17 de fevereiro de 2013

É pra dar em doido!



Texto e foto de Valéria del Cueto
Quero mudar de assunto, mas rodo, rodo e lá está ela, a verde e rosa, malemolente e bela, executando seus passos e volteios no meu campo de visão e incendiando minha imaginação. Se não para louvá-la, como gostaria, para esclarecer alguns pontos que tem causado polêmica em relação a seu desfile.
Quando vejo, por exemplo, as manifestações de moradores de Cuiabá chicoteando o jequitibá, citado na letra do samba de 2013, chego a conclusão que sim, os 3,6 milhões de reais, destinados a Escola de Samba, deveriam ter ido para a... educação em Cuiabá. É incrível a incapacidade vigente de interpretar um texto, coisa que a gente aprende no colégio, ao contrário do samba, como já dizia Noel Rosa em um de seus clássicos, “Feitio de Oração”:  Batuque é um privilégio / Ninguém aprende samba no colégio / Sambar é chorar de alegria / É sorrir de nostalgia / Dentro da melodia...”.
Ora, vejamos o que diz o segundo refrão da composição de Lequinho, Jr. Fionda, Igor Leal e Paulinho Carvalho que tanta celeuma tem provocado, incluindo aí uma discussão acalorada sobre os locais em que o tal Jequitibá é natural ou está plantado na cidade:
“Mangueira...O trem da emoção /Viaja na imaginação / Meu samba é madeira, é jequitibá / É poesia dedicada a Cuiabá”

Senão, vejamos:

Mangueira – não a árvore, mas a escola de samba Gres. Estação Primeira de Mangueira.
O trem da emoção – observem que não diz que é o trem da razão. A emoção nos permite... imaginar! E o que é a Mangueira? A estação primeira, onde se realiza o embarque rumo a ela.
Viaja na imaginação – até por que assim dá pro trem  chegar, ou melhor chegar mais rápido, o que só pode ser no imaginário, já que a gente sabe que esse trem verdadeiro está “devagar, quase parando”, como a Maria Fumaça, de Kleyton & Kledir.
Meu samba... – o feito pelos compositores da Mangueira, a escola de samba, e escolhido após uma acirrada disputa que dura meses.
é madeira, é jequitibá. – quer dizer que o ritmo, a música da Mangueira é de lei, é nobre, principalmente se for de jequitibá rosa, uma madeira duríssima!
É poesia... – poesia não é reportagem, nem documentário histórico. É imagem, ritmo, sensação e também pode ser idealização.
Dedicada á Cuiabá – dedicar não é descrever. Significa consagrar, tributar, oferecer, destinar.
Enfim não há nenhum lugar que diga que o Jequitibá é cuiabano, existe nas terras do Sutil ou algo assim. “Jequitibá” é o samba mangueirense, “madeira de dar em doido”, segundo José Ramos e Marcelino Ramos, na música que todo mangueirense de fé já cantou:
Mangueira é uma floresta de sambista / Onde o jequitibá nasceu / Veio fogo, queimou

veio vento, tombou /  machado, o jequitibá ficou

Resumindo: precisamos muito do verdadeiro Jequitibá pra dar nos doidos que deixaram o povo cuiabano incapaz de interpretar um simples texto!
* Link das músicas citadas: Feitio de oração http://youtu.be/d_-dZqnlABM //Maria Fumaça http://youtu.be/Yd51SuxyA1w //Jequitibá - http://youtu.be/QPRp7di0thQ

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