Texto e foto de Valéria del Cueto
Saudades
do meu caderninho, simplesinho, queridinho e tão útil. Pronto para receber de
páginas abertas impressões e expressões de maneira serena, democrática,
independente de linha ou assunto.
Estou me
rendendo com alegria ao deslizar da tinta, o ritmo do desenho das palavras, o
prazer de quem se entrega a escrevinhar no papel.
O
caderninho é o momento em que o pensar só é mais rápido que a ideia que brota
os décimos de segundos necessários para descarregar, linha afora tão soltamente
a ponto de não haver dúvida(s) sobre a grafia correta, as palavras feiticeiras.
Elas, que surgem saltitantes e se deitam preguiçosas, libertas e cheias de
disposição, até aquela destinada a ser a flecha certeira que atinge o alvo do
ponto final da frase.
Pode
parecer delírio - e talvez seja - provocado
por fortíssimos sintomas de felicidade intrínseca, dos que só podem ser
provocados por uma sensação efêmera e quase única. – como tudo que é bom.
Falo do
meu mar é azul, verde esmeralda cristalino e da minha praia é a mais limpa do
Rio. Não é pouco.
Tenho
observado esses tempos estranhos. E agora, sinto começou o verão no Rio.
Temperaturas altíssimas, enquanto que no Rio Grande do Sul, mais precisamente
em Uruguaiana, onde o verão costuma ser escaldante, o clima da estação anda
ameno.
Aqui, o
calor começou nos últimos dias de carnaval deixando para trás um janeiro
ranheta que não fez jus a nossa fama de paraíso na terra. Parecia praga! Tanta
gente de fora querendo ver o que faz do Rio um lugar abençoado por Deus e, no
céu só nuvens passando, em sentido único, sempre de lá para cá, o caminho do
mau tempo. E mais... a água do mar estava horrorosa. Foi isso que os visitantes
viram. Meio caldo de cana em alguns dias.
Mas isso
foi antes. Bastou passar a temporada pra que o cara lá de cima, vendo o paraíso
mais vazio, mais disponível, resolvesse aproveitar uns dias especiais na sua
maravilhosa cidade. E caprichou no ambiente!
Subiu a
temperatura da terra, pra que queiramos o mar. Para torna-lo irresistível,
deixou tépida a sensação na pele até na hora do mergulho, aquele, na corrida,
sem testar antes com a pontinha do pé o que te espera.
Também
como resistir ao apelo daquela cor que era, sim, do mar, e apenas dele,
celestialmente, por assim dizer? Ele filtrou a água a ponto de fazê-la brilhar
como esmeralda translúcida e transparente, capaz levar qualquer um a viajar nas
suas profundezas até alcançar, lá no fundo o relevo da areia.
Deu uma
soprada no vento e amenizou, com uma ajuda substancial da maré, as ondas e
movimentos. Ondas sim, mas no tamanho certo para não turvar demais o que os
olhos podiam notar, sem sei lá não sei não.
Para não
dizer que não obteve ajuda humana, soprou os ouvidos dos garis do bairro um
pedido de ajuda para que dessem uma geral na areia e... pronto!
É o
paraíso da Ponta do Leme. Em pleno meio da semana que é para garantir o
testemunho. Há muito aprendi a não esperar para usufruir amanhã o que me é
oferecido hoje. E vocês sabem mesmo ele, o senhor, um dia precisa descansar,
relaxar e aproveitar o lado bom da vida que arduamente tenta nos dar.
Por que
sei, ele está aqui agora em minha companhia usufruindo o sucesso do melhor de
sua concepção. Aqui exaltado por esta vivente
feliz, na Ponta do Leme.
*Valéria
del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte
da série “Ponta do Leme”, do SEM FIM...
delcueto.cia@gmail.com

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