Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de agosto de 2015

Saída educadora

Arpoador 150628 015 Pedra portuguesa preto e branco tampa bueiroSaída educadora

Bate panela, cuida a canela.
E todo mundo continua falando pra ninguém escutando. Cada qual com seus motivos, sem que nenhum esteja coberto de razão, enquanto a coisa degringola.
E não tem pai nem mãe pra botar ordem no salseiro, pegar a criançada pela orelha e deixar todo mundo de castigo. Cada um num canto da sala com o nariz virado pra parede. De pé e ca-la-do. Não, não pode mais!
Pode mãe de aluno entrar com ação contra professora porque esta pegou o filho daquela ouvindo música no celular na sala de aula e, como assim? Tomou o aparelho do estudante. Ora veja só!
Sorte que o juiz do caso colocou cada um no seu devido lugar ano passado.
Pode professor levando sopapo de aluno viralizado pelas redes sociais.
Podem 11 mil alunos fantasmas nas escolas de Mato Grosso assombrando a SEC com um desempenho pífio no ENEM.
O maior produtor agrícola do país não consegue transformar a ignorância?
Uma escola de Livramento, a 42 quilômetros da capital, logo ali, é a quinquagésima no ranking. De baixo pra cima.
Dizer que é a primeira vez que a unidade educacional participa do exame não é desculpa. Pior é dizer que com o problema detectado ela vai receber atenção especial. Todas nossas escolas precisam de atenção especialíssima.
Para ver se alguma consegue chegar antes do... milésimo quadringentésimo vigésimo oitavo lugar na tabela nacional. Porque hoje, nenhuma!
Todo mundo que mexe com a Educação tem que ser responsabilizado por seus atos e severamente punido por seus “malfeitos” e desvios. Grande, médios ou pequenos. Xilindró pro no povo! Cadeia pra quem é responsável por piorar o que já vai muito mal.
Aliás, punição para quem sai da linha em qualquer direção.
Esse é outro problema. A falta de direção. O trem desgovernou, o bonde passou e o tal VLT não chegou.
Feliz de quem está só com as contas das obras da Copa. Aquelas que fizeram, mais uma vez, do Aeroporto de Cuiabá que fica em Várzea Grande, o pior do Brasil. Pobre Marechal Rondon com seu prezado nome ligado a tanta má fama. Nossa porta de entrada para a Amazônia.
Imaginem que vem depois? O estado com maior número de queimadas do país. Ai meu Batalhão Florestal...
Em Brasília, pede-se encarecidamente que os ministros “deem o exemplo”(?!) enquanto o dólar sobe e os saques da poupança superam os depósitos em meigos 2,453 bilhões de reais em julho. Recorde negativo desde o início da série histórica (e bota histórica nisso) do Banco Central, em 1996. É o sétimo mês seguido de queda. Só esse ano, saíram dos cofres 40,9 bilhões para amenizar os problemas de grana dos poupadores.
Tá bom. Chega de falar de obstáculos. Nada de política, porque aí, o assunto vai longe e é indigesto para quem está querendo começar o fim de semana.
Falta menos de um ano para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa está um caos e temos manifestações para despoluir a Baía de Guanabara. Não para o evento esportivo, mas para o futuro...
Depois, vocês já sabem, vem a conta. Com todos os itens e subitens que tão bem estamos conhecendo. Afinal, mudam as unidades da federação. Já as empreiteiras continuam as mesmas...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM   FIM... 
E3- ILUSTRADO - SABADO 08-08-2015
Edição Enock Cavalcanti
Diagramação Nei Ferraz Melo

sábado, 25 de julho de 2015

A ponte que partiu

Arpoador 1504 027 meninos do Arpoador

A ponte que partiu

Texto e foto de Valéria del Cueto
Não tem como manter a esportiva. Nem mesmo em tempo de Jogos Pan-Americanos de Toronto, comemorando as medalhas brasileiras e acompanhando as histórias de superação e os esforços dos competidores.
É por lá que ficamos sabendo que está nas Forças Armadas o maior celeiro de atletas do país. 123 deles,  um quinto dos esportistas brasileiros que estão no Canadá, fazem parte do Programa de Atletas de Alto Rendimento dos Ministérios da Defesa e do Esporte.
Também vem de lá a informação das péssimas condições de treinamento para os atletas cariocas sem equipamentos adequados para se prepararem para serem os anfitriões dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Também, querem o que do nosso Eduardo particular, o Paes?
Semana passado na crônica “Briga boa” o assunto era a obrigatoriedade não cumprida do ensino de músicas nas escolas de educação básica brasileiras. A Lei 11.769, sancionada em 2008 estabelece a norma e estabeleceu o prazo de três anos para sua implantação.
Pesquisando sobre o tema aparece o exemplo de Barra Mansa, município do estado do Rio de Janeiro, onde 22 mil alunos, 100% da rede pública, abrangendo a educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos têm aulas de música.
Segundo o idealizador do projeto, o maestro da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, Vantoil de Souza Júnior, o programa implantado em 2003 “conseguiu diminuir a delinquência infanto-juvenil, melhorar o índice de desenvolvimento da Educação Básica( Ideb) das escolas, dar visibilidade ao município no cenário musical, aumentar o turismo e gerar renda”. Simples.
Por outro lado vem a notícia dos efeitos catastróficos da parte que cabe à Educação nos cortes anunciados pelo governo federal. O terceiro maior, depois dos ministérios das Cidades e da Saúde. O orçamento previsto inicialmente para o Ministério da Educação era de 103 bilhões em 2015.
No vai da valsa, a lapada orçamentária anunciada e em execução é de 9,2 bilhões. 37% deste total, 3,4 bilhões, seriam destinados à construção de creches, escolas e quadras esportivas.
E viva a pátria Educadora, o país Olímpico etc e tal.
No caso das Universidades e Institutos Federais lá se foram 1,9 bilhões nos investimentos, dos 3,2 bilhões previstos. Obras com mais de 70% da execução terão prioridades. Ufa! E o resto fica pra depois, sabe-se lá quando.
No caso da UNB, por exemplo, o repasse anual de 4 bilhões caiu para 1 bilhão!
Por que será que professores e servidores de universidades federais de quase todo o país estão em greve há 2 meses?
Pronatec e FIES são os fiascos do ano depois de exibirem seus corpinhos sarados e esfregarem suas exuberâncias nas peças e debates da campanha eleitoral de 2014.
Imoral, mas não ilegal já que não existe um CONAR da propaganda eleitoral enganosa. Até quando?
Mais que imoral é desumano e cruel tirar de quem não é responsável pela tragédia anunciada. Que apertem os cintos e esvaziem os bolsos dos que (ir)responsavelmente fizeram suas escolhas, no caso comprovadamente equivocadas, nas urnas.
Prejudicar o futuro é sacanagem. Afinal, crianças não votam, nem tem muito como protestar ou cobrar os malfeitos que as atingem diretamente.
Pelo sim, pelo não, antes de apagar a luz no pacote de economia educacional, foi suspensa a Avaliação Nacional da Alfabetização, realizada pelo INEP (instituto ligado ao MEC).
Pátria Educadora nada. Nem mesmo ponte. Mais uma que partiu!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
E3- ILUSTRADO - SABADO 25-07-2015
Edição Enock Cavalcanti
Diagramação Nei Ferraz Melo

sábado, 18 de julho de 2015

Orquestra 150714 054 Noemi partitura LUNA violoncelo

Briga boa

As portas ainda fechadas da entrada principal diminuem a cacofonia sonora que invade a plateia vazia do teatro. No palco cadeiras são arrastadas e alinhadas, estantes montadas e, nelas, colocadas cuidadosamente  partituras musicais. Os monitores passeiam com seus diapasões eletrônicos entre os músicos afinando violinos e violoncelos. Grandes, médios e bem pequenininhos.
Os membros da orquestra chegam aos poucos e vão assumindo suas posições procurando ocupar da maneira mais confortável possível o espaço que lhes cabem no apertado latifúndio musical. O palco é o limite. Todos muito compenetrados, cientes de seus papéis. Alguns esticam o corpo corrigindo a postura para empunhar seus instrumentos.
O programa distribuído na entrada do Teatro do Centro Cultural Light, no centro do Rio de Janeiro, informa que o Núcleo de Vivência Musical da Rua Larga apresenta “Luna, um olhar sobre a Terra”, de Leonardo Sá, com aOrquestra e o Coro  Infanto-juvenil Maestro José Siqueira, regidos por Noemi Uzeda. O projeto é patrocinado pela Secretaria Estadual de Cultura do Governo do Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura e a Light.
Orquestra 150714 100 Agradecimento 02 centro otimaA orquestra de cordas é formada por 50 crianças, de 8 a 16 anos. O coro, da Escola Villa-Lobos, tem mais 30 componentes. Alguns dos talentos que estão no palco para o concerto cruzam sozinhos de um lado ao outro da cidade para participarem das aulas de música.
Quando as portas se abrem e os assistentes começam a entrar em busca de lugares para acompanharem a apresentação, as crianças perdem um pouco o ar compenetrado e se concentram em procurar com seus olhares parentes e amigos que lotam o teatro.
É uma plateia diferente. Pais, mães, irmãos (incluindo os bem pequenininhos), amigos e participantes de outros projetos que se desenvolvem no Centro Cultural. A entrada é grátis, para um espetáculo que não tem preço!
Nada se compara as emoções expressas nas faces de todos. Das crianças por estarem mostrando seus talentos. Dos professores e monitores pela realização de mais um ano do projeto que começou em 2008. Ainda restam dois alunos da turma original, aplaudidos com entusiasmo. Os pais se sentem recompensados pelo esforço do leva-e-traz para as aulas. Um sacrifício, agora sabem, compensador.
http://www.youtube.com/watch?v=ll3wAj929pI
E aí, vendo os incríveis efeitos desse convívio musical e o aprendizado da criançada, fica a pergunta: se é lei, por que ainda não estão reimplantadas nas escolas públicas e particulares as aulas de música? O que falta para que seja implementada uma disciplina  de aprendizado tão fundamental como essa?
Ver as crianças da orquestra disciplinadas, concentradas e responsáveis pelos seus respectivos papéis dentro da coletividade, é comprovação mais que suficiente dos benefícios que o ensino musical produz na formação de um cidadão. Quem mais precisa vir ver in loco o que este processo de aprendizado pode fazer pelas crianças brasileiras?
Qual a ação necessária para que se faça cumprir a lei?
No momento em que as diferenças se sobrepõem e dominam o debate social de uma forma dramática e apaixonada, é essencial um movimento na direção inversa. Precisamos ensinar e difundir as semelhanças, incentivar o coletivo, a convivência, a solidariedade. E, quando o assunto é educação, lutar batalhas que valham a pena. As que agreguem e criem harmonia. Caso do ensino de música.
Se todos os atores deste processo se unirem e as ações existentes forem devidamente difundidas e valorizadas, em algum momento, a luz da música vai iluminar a escuridão da ignorância. E todos, juntos, cantarão a vitória de uma prática que, além dos demais benefícios,  alegra a alma.
#musicanaescola #élei
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
E3- ILUSTRADO -SABADO 18-07-2015
Edição Enock Cavalcanti
Diagramação Nei Ferraz Melo

domingo, 9 de fevereiro de 2014

É duro


Texto e foto de Valéria del Cueto
É duro ter que recorrer aos mais poderosos artifícios para poder gerar a crônica nossa de todas as semanas.
É duro pensar, raciocinar, exercitar a mente e não conseguir imaginar uma mensagem otimista que faça valer a pena esse esforço semanal de disseminar ideias e conceitos pelos escritos espalhados onde opiniões são bem vindas.
É duro procurar avidamente entre os acontecimentos que viraram notícia, ou não, algo que contraponha a pilha de mazelas que nos bombardeiam incessantemente.
É duro – e necessário – reconhecer que se não fosse o refúgio da Ponta do Leme provavelmente você, leitor, não estaria correndo  seus olhos por essas não tão bem traçadas linhas.
É duro dizer quem para garantir nosso prazer (o meu de escrever e o seu de ler) foi necessário colocar em risco a saúde da escriba, exposta aos piores raios solares do planeta, para garantir a produção literária semanal.
Era isso ou não ter texto. O horário do dead line se aproximava e... nada!
São meio dia e quarenta e cinco de uma sexta-feira e eis-me aqui, como já disse, na Ponta do Leme. Sorte que corre uma brisa leve ameniza um pouco minha febre literária. É verão e, como tal, o dia se apresenta. Não chove há semanas e o calor bate os quarenta graus, o que potencializa os raios ultravioletas.
É duro começar tentando poetar ao som do mar da praia do Leme e, deixando a mente divagar, pensar só no calor dessa praia paradisíaca e seus malefícios solares.
Respiro fundo escutando o canto do vendedor oferecendo mate com limão. Quero parar e me deliciar, mas não posso. Tenho pressa.
É duro ter vontade de mandar essa crônica às favas e dar um mergulho nessa água transparente verde esmerada que convida a uma nadada margeando a praia, ou um passeio de prancha. O mar está um espelho, sem chance para os surfistas. A pressa é tanta que nem sei se a água está gelada como nos últimos dias.
A questão é respondida por um banhista que passa voltando do mar. Não posso descrevê-lo, por que nem levantei a cabeça. “Pô, a água está geladona”, avisa em direção a barraca para onde retorna.
É duro ter a impressão que tudo que poderia melhorar o estado de espírito geral desse registro tem um “porém”.
E olha que jurei não abordar temas como o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e a qualidade do sistema de transporte público, a quebradeira no centro do Rio num protesto contra o ato do prefeito Eduardo Paes e suas tristes consequências, os preços exorbitantes na cidade e a reação dos cariocas com o Rio $urreal e a desdobramentos como a página “Cansei de der mal atendido”.
E os apagões? Resisti bravamente a polêmica do ladrão preso ao poste pelo pescoço com um cadeado de bicicleta, por “civis” no bairro do Flamengo.
Quase sucumbi ao destaque dado à bronca da presidente capturada pelos    vidros das janelas do Planalto (penso cá com meus botões que se ela gritasse mais, cobrasse mais e reclamasse mais, talvez as coisas estivessem melhores...). Capitulei com a notícia do russo que, em nome da poesia, assassinou a facadas quem defendia a prosa, numa discussão literária.
É duro querer ser positiva nesse clima em que até as pirâmides emitem raios para os céus. Por isso, me despeço com uma única certeza positiva: quando o sol baixar, lá pelas cinco, estarei aqui. De volta ao paraíso...
Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “No rumo”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

domingo, 29 de setembro de 2013

Pluct, plact, TUM!

LingPort 130428 025 grafismo pessoas
Texto e foto de Valéria del Cueto
Queria não ser assim quando passou por ali. Poder andar pelas nuvens e não pelo chão, saltitar nas estrelas, como uma bolinha de pin ball enlouquecido das luzes noturnas. Lá, onde astros sedutores acenam com seus brilhos pisca-piscas pedindo atenção e atraindo incautos como ele. É mais um impulso em direção a um novo qualquer coisa.
Caiu na real e viu que estava na Terra. Que sua capacidade de pulação tinha sido extremamente reduzida pela gravidade poluída e pesada. Daqui não sai, daqui ninguém o tira.
Alto lá que isso é um castigo muito pesado para um pulador de galáxias, acostumado a percorrer distâncias impossíveis em saltos acrobaticamente calculados. Com direito a repique nos satélites adjacentes. Afinal, quem não quicou pelas luas de Júpiter e resvalou nos anéis de Saturno não pode ter a menor ideia do que estamos tratando aqui. Fala de sistemas estrelares, galáxias, dimensões. Fala do tudo e do todo que permeia.
Agora, se vê assim. Procurando não uma, mas a saída para a cilada atual. Chegou pensando em fazer um tour e acabou sugado, atraído por um imã de um planeta que, por alguma razão inexplicável, sofreu um deslocamento e ficou preso entre duas dimensões.
Só pode ser essa a explicação para tantos paradoxos. O belo e o terrível, o elevado e o rasteiro, o auto suicídio com o esgotamento das impressionantes reservas planetárias. A maldição de ser supremo e vil. Como tantas criações geniais podem gerar incontroláveis impulsos destruidores... É como se a quinta dimensão dos gibis do Superboy, aquela que todos falam de traz para frente e onde todos os valores são invertidos coexistisse não paralelamente, mas integrada a outra, a natural do planeta.
Isso pode ser a causa de desequilíbrios do sistema terráqueo, onde são testemunhadas maravilhas sendo alcançadas e coisas que apenas a natureza bidimensional dos humanos pode explicar: matança, ganância, destruição, corrupção gerando o caos inexorável e cruel.
Essa semana os líderes mundiais se reuniram e ouviram uma presidente que quer normatizar a espionagem. Mal sabe ela... Todos os passos de todos os seres existentes estão registrados nos anais divinos. Não apenas os da internet, mas até os dos pensamentos, das atitudes e especialmente os das consequências de seus atos. Lá não tem esse negócio (nossa, ele já fala como eles) de duas dimensões, duas caras, duas versões. Lá segurança é segurança, controle é controle. Lá também se mede, quantifica e codifica milimétricamente - para falar no sistema de medidas daqui, não apenas o que é dito, pensado e feito. E a contagem de pontos não é pela lista dos mais ricos, espertos, ou dominadores. Ela é pelo que cada um recebe e o que isso gera para o coletivo.
Essa senhora, por exemplo, chamou a atenção pelo trânsito fácil entre essas duas dimensões que coabitam esse planeta. Diz, desdiz, se contradiz, sem se dar conta que sua conta está para lá de negativada. Poderia ter feito. Mas não fez sua lição ao desperdiçar os meios que teve em suas mãos: saúde, segurança, educação... Como alguém consegue botar a cabeça no travesseiro sabendo que está deixando como legado uma nação e povo mais mal-educado, com um lixo de saúde e vivendo  inseguramente, ameaçado pela gananciados dos que ela escolheu como companheiros de jornada?
WALDEINSAMKEIT. Em alemão é a sensação de estar sozinho numa floresta, segundo o perfil de Alba Regina Ricci, numa rede social. Não é apenas ela que tem essa sensação. Ele também a (re)conhece. Não de uma floresta, mas de um mundo perdido que não o deixa sair, nem pular, nem sonhar...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

domingo, 17 de fevereiro de 2013

É pra dar em doido!



Texto e foto de Valéria del Cueto
Quero mudar de assunto, mas rodo, rodo e lá está ela, a verde e rosa, malemolente e bela, executando seus passos e volteios no meu campo de visão e incendiando minha imaginação. Se não para louvá-la, como gostaria, para esclarecer alguns pontos que tem causado polêmica em relação a seu desfile.
Quando vejo, por exemplo, as manifestações de moradores de Cuiabá chicoteando o jequitibá, citado na letra do samba de 2013, chego a conclusão que sim, os 3,6 milhões de reais, destinados a Escola de Samba, deveriam ter ido para a... educação em Cuiabá. É incrível a incapacidade vigente de interpretar um texto, coisa que a gente aprende no colégio, ao contrário do samba, como já dizia Noel Rosa em um de seus clássicos, “Feitio de Oração”:  Batuque é um privilégio / Ninguém aprende samba no colégio / Sambar é chorar de alegria / É sorrir de nostalgia / Dentro da melodia...”.
Ora, vejamos o que diz o segundo refrão da composição de Lequinho, Jr. Fionda, Igor Leal e Paulinho Carvalho que tanta celeuma tem provocado, incluindo aí uma discussão acalorada sobre os locais em que o tal Jequitibá é natural ou está plantado na cidade:
“Mangueira...O trem da emoção /Viaja na imaginação / Meu samba é madeira, é jequitibá / É poesia dedicada a Cuiabá”

Senão, vejamos:

Mangueira – não a árvore, mas a escola de samba Gres. Estação Primeira de Mangueira.
O trem da emoção – observem que não diz que é o trem da razão. A emoção nos permite... imaginar! E o que é a Mangueira? A estação primeira, onde se realiza o embarque rumo a ela.
Viaja na imaginação – até por que assim dá pro trem  chegar, ou melhor chegar mais rápido, o que só pode ser no imaginário, já que a gente sabe que esse trem verdadeiro está “devagar, quase parando”, como a Maria Fumaça, de Kleyton & Kledir.
Meu samba... – o feito pelos compositores da Mangueira, a escola de samba, e escolhido após uma acirrada disputa que dura meses.
é madeira, é jequitibá. – quer dizer que o ritmo, a música da Mangueira é de lei, é nobre, principalmente se for de jequitibá rosa, uma madeira duríssima!
É poesia... – poesia não é reportagem, nem documentário histórico. É imagem, ritmo, sensação e também pode ser idealização.
Dedicada á Cuiabá – dedicar não é descrever. Significa consagrar, tributar, oferecer, destinar.
Enfim não há nenhum lugar que diga que o Jequitibá é cuiabano, existe nas terras do Sutil ou algo assim. “Jequitibá” é o samba mangueirense, “madeira de dar em doido”, segundo José Ramos e Marcelino Ramos, na música que todo mangueirense de fé já cantou:
Mangueira é uma floresta de sambista / Onde o jequitibá nasceu / Veio fogo, queimou

veio vento, tombou /  machado, o jequitibá ficou

Resumindo: precisamos muito do verdadeiro Jequitibá pra dar nos doidos que deixaram o povo cuiabano incapaz de interpretar um simples texto!
* Link das músicas citadas: Feitio de oração http://youtu.be/d_-dZqnlABM //Maria Fumaça http://youtu.be/Yd51SuxyA1w //Jequitibá - http://youtu.be/QPRp7di0thQ