domingo, 29 de maio de 2011

Empada




Empada




Texto e foto de Valéria del Cueto

Sempre que penso em Cuiabá penso em empadinhas.

Não as considero um quitute típico do lugar, como os bolos de queijo ou arroz, a farofa de banana, o furrundu.

Porém, anos de experiência me ensinaram que meus amigos mais cuiabanos, os de tchapa e cruz,  sempre procuram as empadas quando dão com os costados aqui pelo Rio de Janeiro.

Sabem – e procuram – onde estão as melhores, as mais deliciosas. Diferenciam pequenos detalhes, como as massas que abrigam os recheios.  “Tem a massa podre e a outra”, me instruiu Beto Dock, um exemplo típico de cuiabano especializado no produto. “A massa podre esfarela”, define diante da minha santa ignorância, enquanto me apresentava para uma lojinha local em seu primeiro dia, ou melhor, em sua primeira hora de estadia na cidade maravilhosa.

Quando a dita loja fechou, anos atrás, meu pensamento inicial e emergencial foi para a ausência de um produto similar para oferecer às cuiabaníssimas visitas.

Fiquei tão preocupada que comuniquei imediatamente a baixa no cardápio gastronômico no bairro para o Beto no próximo telefonema que dei para ele.

Pois agora, volta e meia, Cuiabá e os cuiabanos dançam em minha mente graças a loja de sucos e salgados naturais que abriu do outro lado da rua, quase em frente do meu abrigo carioca.

Estou viciada nas empadinhas de queijo do lugar!

Sei que Beto e outros adeptos sem provar o acepipe torcerão o nariz quando lhes disser que ele não é da tal massa podre.

Mas, se um dia, a caminho da praia, tiverem a oportunidade de atravessarem a Aureliano Leal, antes de chegarem ao calçadão, num dia de sol, comprimindo um bocado mordido da empada quentinha entre a língua e o céu da boca, sentindo o caldinho salgado do recheio de queijo se espalhando em direção a garganta, saberão que voltou a valer a pena um pit stop no Leme.

Afinal, que cuiabano resiste ao apelo de uma sen-sa-cio-nal empada de queijo?

Se for amigo, depois pode rolar uma clássica conversa contemplativa na praia ou um passeio pelo Caminho dos Pescadores. Aqui, na Ponta do Leme...

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série Ponta do Leme, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

**Esta é  a segunda crônica que "aborda" o tema. Este é o link para anterior A espera da empadinha

Um comentário:

Valeria del Cueto disse...

Esta é a segunda crônica que "aborda" o tema. Este é o link para a anterior http://delcueto.multiply.com/journal/item/358